História Eu te darei as estrelas que brilham no céu - Capítulo 16


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 16 - Até encontrar você


Dennis

— Quantas garotas você já beijou? — quis saber logo quando começou a chover bem forte, escondendo o azul escuro do céu.

— N-n-nenhuma — Senti meu rosto esquentar não só com a minha resposta como também com a pergunta direta dele.

— Sério? — A expressão perplexa me envergonhou ainda mais. — Garotos?

Arregalei os olhos e meneei a cabeça. Queria dizer a ele que nunca quis beijar ninguém além dele, mas era muito inapropriado e eu tinha consciência disso, então optei por ficar calado até que ele fizesse mais uma pergunta ou risse de mim como qualquer um dos descolados faria se soubessem que eu nunca tinha beijado ninguém.

Eu queria ter mentido e dito que beijei várias garotas, mas algo me dizia que mentir para Thor não era algo bom. Sem falar que a verdade poderia vir à tona a qualquer momento, até porque eu tinha muita dificuldade em me comunicar com as pessoas, então era improvável que alguma garota chegasse perto de mim.

Isso sem falar do meu porte físico nada atraente. Eu era peludo demais, gorducho demais e parecia assustar algumas pessoas ou enojá-las, então as garotas que me cercavam procuravam manter distância.

 — Sente atração por garotos? — Confesso que a pergunta me pegou desprevenido, tanto que me encolhi.

Não respondi e Thor se aproximou de mim, sua camisa branca colando ao corpo encharcado por conta da chuva que ainda caía. Era possível ver claramente seus leves músculos, os mamilos endurecidos por conta da água fria. Umedeci os lábios e olhei para baixo a fim de fitar a grama.

Foi impossível antecipar os braços de Thor contornando meu pescoço e chegando mais perto do que um dia pensei que chegaria. Seu hálito era quente e um tanto enjoativo, seus olhos pareciam perdidos quando encontraram os meus.

O sobretudo pesava em meus ombros como se fosse chumbo, mas isso não me impediu de contornar a cintura dele e abraçá-lo, o calor de seu corpo me esquentando por mais que ele estivesse ensopado.

— Dennis — Seu aperto se afrouxou um pouco, mas o meu não. — Por que você dorme falando meu nome?

— E-e-eu — pigarreei, visivelmente perdido. Ele enterrou as mãos em meu cabelo molhado e começou a enrolar mecha após mecha como se esperasse uma resposta minha que fizesse sentido. — Não sei. — Engoli em seco e fiquei tentado a me afastar e chorar num canto.

— É claro que sabe — Soltou uma risada estridente que me desarmou. Nunca quis tanto chorar quanto naquele momento.

Era agora que ele iria me dizer que eu era um idiota, que nunca olharia pra mim, que só queria ser meu amigo e nada mais, que ele era bom demais para mim. Em outras palavras, ele diria tudo àquilo que eu já sabia e que não precisava ser dito em voz alta porque me machucaria ainda mais.

— Nunca beijou — Ele estava muito embriagado, tanto que se apoiava em mim para se manter no lugar sem acabar caindo. — Não sei por quê.

— Ninguém nunca quis me beijar — admiti, envergonhado de um modo que nunca estive antes. Queria me esconder, olhar para ele era um martírio, estar diante dele revelando tudo aquilo fazia com que eu me sentisse pequeno e insignificante. — E nunca quis beijar ninguém.  

‘‘Até encontrar você’’, eu quis dizer, mas não tive força e nem coragem o bastante dentro de mim para dizer algo do tipo.  

Seus lábios se curvaram num meio sorriso e seu rosto ficou ainda mais próximo ao meu, podia sentir seus lábios explorando minha barba rala, roçando nela, me deixando tão arrepiado que tremi.

— Temos que resolver esse problema — sussurrou ele no pé do meu ouvido e tentei sem sucesso silenciar os meus batimentos enlouquecidos.

Gemi quando ele mordiscou meu lóbulo. Logo sua testa estava colada na minha, a embriaguez tão nítida que seus olhos mal abriam de tão inertes que estavam.

Meus músculos ficaram tensos de repente e, embora cada partícula do meu organismo quisesse muito tê-lo daquela forma, eu tinha consciência de que era errado, que seria o mesmo que me aproveitar dele, pois muito provavelmente ele não se lembraria de nada daquilo.

Queria que fosse especial, queria que fosse com ele sóbrio e que ele quisesse aquilo tanto quanto eu.

No entanto, não consegui evitar me desmanchar quando seus lábios grossos encontraram os meus.

Fui abrindo minha boca aos poucos, permitindo que o gosto amargo de maconha e cerveja dominasse minhas papilas gustativas. Apertei-o contra mim, as trovoadas e o som da chuva mal passavam de uma trilha sonora distante.

A veia em seu pescoço pulsava furiosamente e fiz questão de beijá-la, arrancando gemidos dele em resposta. Ele deitou sobre mim com sutileza, parecendo saber muito bem o que estava fazendo.

Toquei-o em locais que nunca achei que um dia tocaria e isso o deixou ainda mais entregue, parecia distante do que acontecia conosco. Era um grande momento para mim e por um segundo achei de verdade que ele compartilhava esse sentimento comigo, essa euforia.

Porém, todas as minhas esperanças se dispersaram quando ele me agarrou, ainda me tocando, parecendo tão extasiado quanto eu e disse a última coisa que eu queria ouvir, a única coisa que poderia destruir toda e qualquer expectativa pela raiz.

— Eu te amo muito, Clarice — murmurou contra meus lábios, que se abriam para ele conforme ofegava. — Amo tanto.

E com isso ele adormeceu em cima de mim, a cabeça apoiada de uma forma meio estranha em meu peito e por mais que fosse idiota admitir, acabei chorando sabendo que os sons de meus soluços seriam mascarados pelo som alto e inquietante da chuva, que deixou de ser palco de uma cena de prazer e paixão para se tornar o meu pior pesadelo.  



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