História Eu te darei as estrelas que brilham no céu - Capítulo 17


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Palavras 975
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 17 - Conseguimos ver as estrelas


Dennis 

Nem tinha me dado conta de que adormeci em meio às lágrimas que me soterraram. Pisquei um tanto aflito, lutando contra as remelas que me impediam de abrir os olhos por completo e combatendo o sol escaldante que logo nos saudou, me obrigando a semicerrar os olhos.

Thor permanecia deitado em cima de mim, a cabeça apoiada preguiçosamente em meu peito enquanto roncava. O que me fez acordar nem foi o som inquietante de seus roncos ou o sol intenso demais, mas sim os dois pares de pés na minha frente.

Cutuquei Thor com força assim que os dois garotos que pareciam bem perigosos chegaram perto de nós. Um deles segurava uma bola de futebol e ambos pareciam àqueles estereótipos de atletas que tinham naqueles filmes americanos. Não podiam ficar longe de encrenca.

Ao ser cutucado de novo, Thor enfim acordou num rompante, olhando para os lados como se quisesse se ambientar primeiro.

— O que esses dois viadinhos estão fazendo aqui no nosso gramado? — rosnou um deles num tom provocativo ao ponto de fazer com que eu me encolhesse.

Thor apenas abriu um sorrisinho como se estivesse adorando ver tal cena.

— Estamos nos pegando loucamente, por quê? Tá querendo fazer um ménage com a gente? — Encarou a expressão furiosa do garoto loiro como um incentivo a continuar. — Desculpa, mas não vai rolar, sua babaquice extrema com certeza atrapalharia minha ereção.

— Seu viadinho de merda...— começou, os punhos do garoto cerrando, os músculos ficando mais evidentes. O ódio ardia em seus olhos e meu corpo inteiro ficou tenso de repente, querendo olhar para qualquer lugar menos para ele com medo do que ele podia fazer comigo, com a gente. — Vamos acabar com ele, Tyler.

— N-n-não somos gays — consegui falar após um tempo, foi tão rápido que eu nem ao menos me dei conta de que tinha falado até ouvir o som da minha voz.

Pela expressão de Thor, percebi que ele preferia que eu não tivesse dito nada, pois agia como se tivesse total controle da situação, embora eu não achasse isso, já que se as coisas continuassem daquele jeito, logo se encaminhariam para uma briga e eu odiava brigas. Só a ideia de machucar alguém já me fazia querer chorar. Sempre achei que a conversa era mais eficaz do que violência física.

— Não seja medroso, Dennis — Thor me lançou um olhar crítico, parecendo bem decepcionado comigo. — Esses caras são um bando de otários.

— Quem você tá chamando de otário, seu viado?

— Você e o seu namoradinho — Thor se levantou, revelando ser maior do que eles. Os dois eram nanicos perto dele e deu para ver que isso os intimidou um pouco. — Aposto que os pauzinhos de vocês estão duros desde que mencionei o tal ménage.

— Seu filho da puta! — O loiro mais marrento partiu para cima de Thor, que revidava aos risos os socos e pontapés que os caras davam nele.  

— Thor — choraminguei, achando injusta a luta de dois contra um.

Fiquei tentado a ajudá-lo, mas ele estava indo muito bem sozinho. Sem falar que eu não conseguia me mover. Parecia que minhas pernas tinham deixado de funcionar, o que me preocuparia se minha atenção não estivesse tão focada na luta que desenrolava diante de mim.

Com o punho cerrado, Thor esmurrou o rosto de um deles, que ficou desorientado e caiu para o lado gemendo de dor. Parecia que ele tinha deslocado o maxilar de tão estranho que ficou seu rosto.

— E você? — grunhiu ele para o outro garoto com uma fúria que nunca vi, embora parecesse estar se divertindo por algum motivo que não consegui compreender. Nunca vi alguém tão feliz brigando, nem mesmo os lutadores profissionais.

O rapaz que o loiro chamou de Tyler recuou, os olhos arregalados. Havia algumas marcas nos braços dele e isso me repeliu, fiquei horrorizado porque aquele tipo de violência me fazia muito mal, ainda mais assisti-la daquele jeito.

— É isso aí! — Thor gritou aos risos quando o rapaz saiu correndo para longe sem nem sequer olhar para trás. — É melhor acompanhar seu namorado, otário. A não ser que você queria mais um olho roxo para combinar com o outro.

O loiro soltou um palavrão ao se levantar, que acabou se mesclando as risadas eufóricas de Thor, que chorava de tanto gargalhar.

— Você tá legal? — perguntei quando ele enfim parou de rir.

— Sim — Sentou-se ao meu lado e abriu um sorriso. — Só com uma puta dor de cabeça.

 Enterrou os dedos naquelas trancinhas divinas. Mesmo com o sol quente, o calor irradiava de cada centímetro do corpo dele como se ele próprio fosse algum tipo de sol e fiquei admirado com isso, me perguntando se ele me tocaria de novo para que eu me aquecesse novamente com seu toque.

— A gente conseguiu ver as estrelas? — Coçou a cabeça, a expressão confusa fazendo meu coração afundar na caixa torácica com a eficiência de um golpe mortal. — Não lembro de muita coisa, devo ter bebido demais.

Eu tinha duas opções: falava a verdade para ele, relatando em detalhes nossos beijos e carinhos, a sensação maravilhosa que foi deitar ao lado dele e como o fato de ele ter dito o nome de Clarice enquanto seus lábios acariciavam os meus me devastou ao ponto de eu chorar como uma criancinha de cinco anos que não ganhou presente de natal, ou mentia descaradamente sabendo que eu iria me sentir muito mal depois.

Por mais imaturo que fosse, escolhi a opção mais segura, aquela que me renderia culpa, mas que ao menos mascararia a insatisfação que era amar alguém que eu jamais poderia ter.

— Sim, Thor — Até mesmo minha voz fraca soou falsa, o que não me agradou, mas ainda assim continuei. — Conseguimos ver as estrelas. 



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