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História Eu te odeio - Capítulo 3


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Notas do Autor


Boa noite pessoal!

Novo capítulo! Decidi adiantar as postagens. Estava pensando... o que ganho em adiar o que já tenho escrito? Além disso, sou muito ansiosa. 😅 Quero saber o que acham deste novo capítulo.

Espero que gostem.
😘😘😘

Capítulo 3 - Capítulo 3


Fanfic / Fanfiction Eu te odeio - Capítulo 3 - Capítulo 3

Duas semanas depois do acordo...

 

Eu estava de cabeça baixa. Lia atentamente o processo. Mais um casamento falido que eu tentaria resolver com um divórcio.

Depois de tantos anos trabalhando com isso, não consigo entender como as pessoas podem um dia pensar em casar. Sério... não tem sentindo. Você gasta horrores numa festa, chamar um monte de gente que mal trocou três palavras em toda sua vida, depois mora com outra pessoa, dividindo sua cama e espaço diariamente. Ainda tem que curtir seus defeitos, pois problemas são parte da vida à dois. 

 

Felizmente, decidi nunca me render à tamanha falta de senso. Sem falar que essa conversa de que ninguém escolhe quando amar outra pessoa é pura mentira. Afinal, para que existiria a inteligência se não para evitar essas burrices?

É óbvio que quando você está influenciado pelo amor não ver as coisas como realmente são. Um exemplo é Margaery; retomou seu posto como senhora Stark e agora está de férias com o quase ex-marido. Nem sei porquê me admirei quando soube. Ah... claro... como sei disso? Jon Snow. É óbvio que ele não perderia a oportunidade de provar como estou errada sobre os casamentos. Lembro que tivemos essa conversa ainda sobre o efeito do sexo. Uma das poucas vezes que conversamos, diga-se de passagem. 

Meus encontros com o Snow estão bem... aceitáveis. Por mais incrível que pareça, eu e ele nos damos bem na cama. É quase como se ambos conhecêssemos todos os pontos de prazer do outro. É divertido vê-lo tão vulnerável quando o faço gemer ao mero toque de meus dedos em sua glande sensível. Não sei... é como se eu me sentisse poderosa! Ele pode até ser um filho da puta no escritório, mas no quarto, quando ninguém nos observa, entramos numa energia diferente; não há disputa, xingamentos... apenas a simples necessidade de provar o outro. E... meu Deus... Jon Snow é delicioso.
 

Arg...

 

Preciso parar de pensar naquele imbecil — ou em seu pau maravilhoso. Tenho que trabalhar! 
 

Voltei a olhar o processo. Devo ter lido mais um parágrafo do texto, até que ouvi a porta de minha sala abrir. Ah... claro... quando não me perturba em pensamentos, resolve aparece em carne e osso.

 

— Eu disse que você não me procurasse aqui...

 

Falei estressada, sem fitar a porta. 

 

— Quando? 

 

Meu Deus! Não era o merdinha, mas minha amiga Missandei. 

 

Levantei a cabeça em choque. Para piorar minha situação, Tyrion surgiu logo atrás, e parecia tão confuso quanto a morena.

 

— Você não queria que entrássemos? — A morena perguntou curiosa. 

— Quê? — Sussurrei.

— Ouvimos quando estava expulsando...

— Deve ter ouvido errado. — A cortei. 

— Não. E você estava furiosa... — Missandei ia argumentar.

— Então. A que devo a honra da visita? — Falei com um sorriso, que pouco fez para esconder meu constrangimento.

 

Tyrion olhou entre mim e minha amiga. Avaliava se deveria começar o seu discurso, mas felizmente aquela situação não se prolongou.

 

— Viemos avisa-la que próxima terça-feira teremos o jantar de confraternização do escritório. Lembra? É o aniversário de 10 anos dessa casa! — Disse empolgado.

— Ah... — Comentei sem conseguir fitar minha amiga. Ela ainda me olhava como se tentasse compreender-me. 

— Sabíamos que esqueceria, por isso deixamos para lembrá-la só agora. As reservas já estão feitas em nome de todos os advogados. Alguns dos clientes desta casa também irão. Será um grande evento! 

— Só não se anime muito, Tyrion. É bem no meio da semana. — Brinquei, notando que aquela animação deve ser sinônimo de algum excesso de bebida.

— Missandei, você a conhece mesmo. É claro que ela esqueceria que quarta é feriado em Winterfiell. — Ele disse rindo para minha amiga. 

— Espera... então será na terça? — Falei de repente. 

 

O homem me olhou confuso, confirmando minha pergunta. 

 

— Por que não fazemos no final de semana? Não seria menos cansativo? — Tentei argumentar, pensando em como já tinha tudo programado para destruir o Snow ao usar uma nova lingerie.

— Qual a parte de que temos feriado na semana você não entendeu?  — Tyrion disse rindo. 

— Ah... claro. Eu só... é que...

— Você tinha planos para terça? — Missandei completou meu raciocínio. 

— Eu? Não?! — Neguei com mais força do que previa. 

 

Missandei não engoliu minha resposta. Eu via seu olhar de desconfiança. Contudo, conhecendo-a bem, sabia que manteria a boca fechada, pelo menos até Tyrion sair. 

 

— Ótimo então. Estejam todas maravilhosas. Quero dançar com as duas. Agora, se me dão licença, vou  avisar a Jon Snow. Ele é outro que só se liga em trabalho. — O homem disse antes de sair. 

 

Quando a porta voltou a fechar, dei um sorriso para Missi. 

 

— Tyrion nunca vai mudar, não é? — Falei tentando disfarçar o desconforto que pairava na sala. 

— Você está escondendo algo. — Disse esnobando qualquer uma das minhas tentativas de mudar o assunto.  — E é algo grande. Diga logo! 

 

Eu ri, tentando disfarçar o pequeno estresse que me tomou os nervos. 

 

— Como conseguiria esconder algo de você? — Falei levantando-me para beber um pouco de água. 

— Também não sei como. Mas algo me diz que você anda diferente... — Disse segurando meu rosto como se procurasse algum vestígio de mudança. 

— Talvez seja fome. Não almocei ainda. — Brinquei.

— Você está mesmo escondendo algo. Desde quando lembra de comer quando está trabalhando? — Missandei disse com muito mais certeza em sua voz. 

— Missi, por favor. — Suspirei contando para minha cadeira. 

 

Ela começou a andar pela sala. Eu podia ouvir seus neurônios trabalhando para formular hipóteses. 

 

— Dany, acho que tem um mês que não a vejo reclamar tanto com os estagiários. Ontem você até conseguiu elogiar o trabalho de Gilly. 

— Ela realmente fez um bom trabalho com o processo da empresa de seguros. — Defendi-me.

— E outra... eu percebo que as vezes está aérea. Sábado, por exemplo, fomos às compras e você sumiu dentro de uma loja de roupas íntimas por quase uma hora. Depois não conseguiu me explicar qual a necessidade de tantas calcinhas e sutiãs. Não pense que acredito naquela conversa de que estava há mais de um ano sem comprar lingerie. Nenhuma mulher fica tanto tempo sem essas coisas.

— Eu estava. — Falei sentindo minhas bochechas esquentarem. Eu comprei tanto assim? 

— Que seja, mas qual o motivo de ficar pensativa? Você está sempre longe.  — Missandei disse segurando minha mão. 

— Ando preocupada com um dos meus clientes. — Falei tentando fazê-la compreender-me.

 

Missi me olhou por alguns segundos em silêncio, depois deu um suspiro.

 

— Eu o vi sair de sua sala há umas 3 semanas. — Ela disse sem rodeios, e eu acho que meu coração parou.

— Jon Snow... eu o vi entrando em sua sala. Esperei que ele saísse, pois não gosto daquelas brigas dos dois. Mas ele demorou aqui dentro. Depois, eu o vi pelo corredor com um sorriso estranho. Nunca imaginei Jon Snow naquele tipo de felicidade. Pensei que ele só podia tê-la matado, ou coisa pior. Fiquei realmente preocupada, aí entrei em sua sala e você estava estranha. Sorria sem qualquer sentido. E eu vi quando tentou esconder a marca em seu pescoço. 

— Missi... não é isso o que você está pensando. — Falei tensa. 

— Então, você e Jon Snow não estão tendo um caso? — Ela disse eu quase morro engasgada com saliva. 

 

— Deus... você está bem? Beba um pouco de água. — A morena falou nervosa, enquanto minha tosse não parecia ter fim.

 

Bebi toda a água do copo, sentindo os olhos atentos de minha amiga em meu rosto.

 

— Isso é sério, Dany? Você e o Snow? 

— É só sexo. — Respondi como se tivesse falando do clima. 

 

Ela arregalou os olhos em ouro choque. Ah... pronto... agora é ela quem sofre uma taque de tosse.

 

— Ele é bom de cama, Missi. Nada mais que isso. — Falei tentando fazê-la entender meu lado.

— Você está louca? Vocês trabalham aqui! — Ela disse retomando a voz. 

— Eu sei. Mas não transamos aqui. — Contei. 

— Ah... claro que não. — Falou carregada de ironia.

— É verdade. Eu não seria tão  irresponsável a esse ponto. — Expliquei sentindo como se todo o peso do mundo saísse de minhas costas. Eu odeio esconder algo de Missandei.

— Desde quando? — Ela perguntou colocando um pouco de água para si.

 

Pobrezinha, estava mais confusa que nunca. Não posso julgá-la. Eu própria não acreditaria nisso, se alguém me falasse.

 

— Um pouco mais que dois meses.  

— O quê?! Dany, isso é muito! — Disse nervosa. — Me diga que estão usando proteção! Só faltava uma criança saindo dessa inconsequência. 

— Muito? Não nos encontramos todos os dias, ok? E de onde você tirou que eu transaria com aquele ser sem um bom preservativo e total controle de natalidade? Eu posso gostar de transar com ele, mas ter um filho ou pegar as doenças dele já é demais. — Resmunguei.

— Dany... Deus... como você consegue? — Missandei sussurrou. 

 

Balancei os ombros. Nem eu própria sei como consigo manter isso. 

 

— Vocês se odeiam. Isso não é segredo para ninguém. — A morena falou cansada.

— É só sexo. Não é como se fôssemos casar amanhã e você teria que me salvar em um divórcio uma semana depois. — Respondi entediada. 

 

Ela suspirou. As vezes Missandei parecia uma velha. Claro que não acharia certo alguém transar sem sentimentos puros envolvidos. 

 

— Não é nada sério, Missi. Quando um de nós se cansar, paramos. — Tentei acalma-la.

— E se for somente um de vocês que se cansar? — Perguntou-me.

— Ele não irá sofrer se eu me cansar dele. Deixei claro que não confundisse nada entre nós. Eu ainda o odeio, acima de qualquer relação sexual. — Expliquei tranquila. 

— E se for ele quem se cansar de você? — Ela jogou a pergunta.

 

A olhei em puro choque. Isso era um absurdo. Como ela poderia supor que eu posso sofrer por Jon Snow? Primeiro de tudo, foi Jon Snow quem insistiu nisso. Depois, eu não sinto nada por ele. Não sou burra de me apaixonar por aquilo. 

 

— Dany... só estou preocupada se esses encontros podem fazê-la se apegar ao amante bonito, de cabelos cacheados. 

— Missi, não há...

— Eu sei que você o odeia desde sempre. Mas meu medo é que você comece a gostar dessas poucas horas em que são íntimos, e isso te machuque no final. Não confio em Jon Snow. Ele pode estar te usando, e você não merece isso. 

— Eu também o estou usando. — Falei tão calma quanto consegui depois de ouvir os medos de minha amiga. — Além disso, não é como se eu fosse passar a vida toda transando com ele. Até porque em breve aquela coisa volta para Porto Real. 

 

Ela parecia compreender meu raciocínio, porém a expressão preocupada não saiu de seu rosto. Não posso dizer que estava  errada. Provavelmente se fosse eu no lugar dela, já teria dado uns tapas em sua cara tentando fazê-la tomar juízo. Transar com Jon Snow é quase um atestado de insanidade. Exceto que eu tenho total controle da situação! 
 

— Se você não gosta dele, por que insistir em continuarem transando? — Ela disse fazendo-me congelar. 
 

De fato, por que continuar nisso sem nem gosto? É... talvez seja hora de acabar essa brincadeira das terças. 

 

— Acho que me empolguei com a ideia de usar meu inimigo para meu prazer. — Suspirei, percebendo o quão sabida essa frase soou. 

— Não estou impedindo que se divirta. Só não quero que essa brincadeira a faça sofrer. — Missi suspirou tocando meu rosto. 

— Eu sei. — Assenti com um sorriso.

— Você já sofreu tanto na mão de homem ruim, temo que a história se repita. Não confio em Jon Snow. Ele já fez muita maldade com você na faculdade. Nem mesmo respeitou seu luto. Foi um verdadeiro filho da puta, aproveitando-se de sua dor para humilha-la nas aulas e conseguir aquele estágio no fórum. Você tinha batalhado muito por aquela oportunidade. Todos do campus sabiam da sua dedicação, mas ele roubou isso de você. 

— Não esqueci disso, Missi. Também não esqueci o que passei com Drogo. Fiz uma promessa no passado de que jamais seria tratada como lixo. E não será Jon Snow a fazer-me mudar. — Respondi com a voz firme. 

 

Missandei sorriu. Estava aliviada por saber que não perdi o juízo completamente. Depois disso, arrastou-me para um restaurante. Era óbvio que iria insistir de comermos juntas, enquanto me pedia informações sobre as habilidades do Snow na cama. 

 

………………………………………

 — Uau! — Tyrion disse quando apareci no restaurante onde ocorreria a confraternização. 

Olhou-me da cabeça aos pés, e com seu jeito irreverente, fez-me girar para mostrar-lhe todos os ângulos de meu corpo. 

 

— Me desculpe pelas palavras, mas hoje você veio deslumbrante. — O homem continuou fazendo-me corar um pouco. 

 

Eu usava um vestido beje tomara-que-caia, que marcava minha cintura e quadril. Deixei o cabelo preso, dando ênfase ao pescoço e colo. Esta não era minha primeira opção de vestido. Preferiria algo mais simples, visto que só haveriam pessoas do trabalho. Mas, quando eu estava provando minhas opções de roupa, vi o pacote com a lingerie que usaria hoje com Jon Snow. Aquilo me despertou um sentimento cruel. Eu não poderia fazê-lo sofrer ao ver-me numa calcinha e sutiã minúsculos, mas por que não usar um vestido que o torturasse, principalmente quando eu dissesse que acabamos com nossas terças-feiras.  Queria fazê-lo ver o que nunca mais teria. 

 

Quando Tyrion me levou até a mesa, surpreendi-me com o grande número de pessoas que já estavam ali. De fato, ele convidara muitos dos nossos apoiadores, e eu me senti feliz em ver que todos estavam ali de bom grado. Somos os melhores advogados da cidade! Percebi que Missandei estava muito bem acompanhada por seu policial, e não contive o sorriso ao vê-la abrir a boca teatralmente quando me entrei no salão. 

 

— Você está linda. — Missi falou logo que aproximei-me. 

— Assim como você. — Respondi, antes de ir abraçar Grey. 

— Acho que não tem uma cadeira vazia aqui por perto. — A morena disse fazendo uma careta. 

 

Realmente, todos os lugares próximos do casal estavam ocupados. Fiz uma leve vistoria do ambiente tentando perceber qual o melhor lugar para sentar, até que senti uma mão em minha cintura. Era Tyrion, mostrando-me um dos nossos mais antigos clientes. E claro... não me admirava que Jon Snow mantivesse uma conversa empolgada com o grande empresário. Sempre o bajulador...

 

— Você deveria sentar naquela mesa. — Disse apontando para o espaço perto de Jon Snow. 

— O Snow já fez todas as apresentações. — Respondi fria. 

— Ele chegou cedo. Mas é você quem o senhor Baratheon “conhece”. — Falou praticamente puxando-me para a mesa. 

 

Deus... não era pra ser assim. Queria falar com Jon Snow apenas no momento de dar-lhe o fora! Além disso, senhor Baratheon não era das melhores companhias. Ele é o tipo velho rico, que não pode ver uma mulher bonita que joga uma cantada indiscreta. 

 

— Senhor Baratheon, nossa querida advogada chegou. — Tyrion disse fazendo as apresentações. 

— Ah... Daenerys Targaryen! — O homem disse deixando a cadeira para beijar minha mão como um cavalheiro. 

— O senhor sempre sendo gentil. — Falei educada. 

— Uma dama como a senhora merece toda a gentileza do mundo. — Continuou, antes de puxar uma cadeira para que eu sentasse entre ele e Jon Snow. 

 

Olhei para Tyrion uma última vez, percebendo que o advogado já correra para porta recebendo um outro convidado. Ah... você me paga, Tyrion!
 

— Boa noite, Daenerys. Você, realmente, está belíssima. — Ouvi a voz de Jon. 

Eu o olhei pela primeira vez na noite. Fingi um sorriso, enquanto agradecia o sorriso. Ele sorriu, e havia algum tipo de brilho em seus olhos que eu não conseguia compreender.

 

— Estava aqui conversando com Jon Snow sobre Porto Real. — O homem mais velho disse completamente alheio a troca de olhares entre eu e o advogado ao meu lado. 

— Sim. — Falei fingindo interesse. 

— Ele conhece um dos meus filhos, Gendry.  Na verdade eles são bem amigos. Esse mundo é muito pequeno, não acha? — O homem disse bebendo um pouco de whisky. 

— E como. Eu e Daenerys, por exemplo, estudamos juntos na faculdade. Passamos anos sem nos ver, e aqui estamos sentados na mesma mesa, comemorando o sucesso de nosso escritório. — Jon disse sorrindo. Ele segurava um copo de whisky, e mantinha aquele brilho estranho nos olhos. 

— Ah... então são amigos de longa data. Imagino como deve ter sido difícil, meu jovem, estudar com um mulher dessa na turma. — Baratheon disse fazendo-me enjoar. 

 

Jon riu. Bebeu um pouco do whisky e me olhou por alguns segundos.

 

— Nem me fale como foi duro. — Disse simplesmente. 

— Claro que sim, eu e Jon competíamos pelas melhores notas. E ele não conseguia me superar por meios naturais. — Falei enquanto aceitava um pouco do espumante que o garçom servia. Era bom esclarecer as coisas antes que o velho imaginasse algum interesse romântico entre eu e o infeliz ao meu lado. 

— As competições são ótimas para estimular o conhecimento. Mesmo assim, não consigo pensar como alguém olharia para os professores quando tinha você na mesma sala. Você deve ser bom, meu garoto. — Baratheon comentou apontando para o Snow.

— A pessoa se acostuma. Ver todos os dias, até naqueles piores dias... o senho me entende, não é. — Jon disse como se contasse um segredo. 

—Bem... com todo o respeito, nunca a vi mais linda senhora. Não é mesmo, Snow? — Baratheon disse sorrindo. 


 

Forcei um sorriso. Aquela conversa era tudo menos agradável. E para piorar, senti a mão do Jon em minha cocha. 


 

— Ela fez uma boa produção para esta noite. — Foi a resposta de Jon. 

 

— Ah... não seja tímido. Eu o vi olhando-a quando entrou, meu rapaz. Ah se eu não fosse casado. — Baratheon suspirou quase triste.

 

— Não seja por isso, Daenerys é muito boa em divórcios. Não é mesmo, Dany? — Ele disse com um sorriso satisfeito, percebendo quão desconfortável eu estava. Quanto ao senhor Baratheon, este só gargalhou com o comentário ridículo do advogado.

 

Fiquei em silêncio. Acho que se eu abrisse a boca, não conseguiria controlar os xingamentos que sairiam direcionados a Jon Snow. Ou talvez eu derramasse o espumante em seu terno feito sob medida.

 

— Não fique desconfortável. Só estamos brincando, senhorita. — Baratheon disse sorrindo.

— Ah, sim. — Suspirei, fingindo adorar o assunto. Urg.... 

— Só não é brincadeira quando falo que nunca a vi mais bela. — O homem velho remediou. 

— Deve ter planos para mais tarde. — Jon disse completamente voltado para mim

— Isso mesmo, um belo plano. — Falei empurrando sua mão para longe de meu corpo. 

 

Jon riu, folgando levemente sua gravata. Está ansioso por mais tarde? Imagino sua cara de decepção quando descobri quais são meus planos. 


(…)  

— Meus jovens, desculpa mas tenho que atender. É a esposa... — Disse deixando a mesa.

 

Não deu nem 5 segundos que o homem mais velho saiu, e Jon já estava retomando a mão em minha cocha. 

 

— Não faça isso. — Falei sem fita-lo. 

— Hoje é terça. — Ele disse com um sorriso, colocando a mão atrás de minha cadeira. 

— Ótimo ter tocado neste assunto. Nosso trato acabou. — Fui direta ao assunto. 

 

Ele levantou uma sobrancelha confuso. 

 

— É isso mesmo o que o senhor está pensando. Não haverão outras terças-feiras. — Expliquei, mantendo a voz mais baixa na última frase. 

 

Ele passava os dedos lentamente por meu pescoço, quase como se acariciava um animal perigoso.

 

— Não quero que me toque. — Falei afastando-me. 

— Pensei que gostasse das terças-feiras. — Falou contando sua atenção para o whisky. 

— Enjoei, sabe. — Respondi com uma voz cansada. 

 

Jon me olhou avaliando. 

 

— Também percebi que seu perfume ruim me deixa com dor de cabeça. É péssimo. Não compensa o esforço de me arrumar toda, pois passo a madrugada com enxaqueca. — Expliquei. 

 

Ele me olhou por alguns segundos até cair em um acesso de gargalhadas. Meu Deus, ele chamou a atenção de todos. 

 

— Pare com isso. — Exalei. 

— Ah... Daenerys... Daenerys... — Disse balançando a cabeça como se tentasse acalmar suas risadas. 

— Estou falando sério, Snow. Acabaram aqueles encontros. — Repeti tentando não me abalar com o sorriso dele. 

— Tudo bem. — Ele disso sem se importar, mostrando o seu copo vazio para o garçom.

 

Fiquei quieta. Agora era a minha vez de avaliá-lo. Como assim “tudo bem”? Você deveria implorar para transar comigo! Qual a graça de eu está neste vestido, dando-lhe um fora, se você nem está afetado? 

 

— Então... é isso. — Falei terminando minha taça em um único gole. 

— Ok. — Disse com um sorriso. 

 

E logo o silêncio predominou em nossa mesa. Jon agia tranquilamente, enquanto bebia seu whisky e olhava as mensagens em seu celular. Eu, do outro lado, tentava entender porquê me sentia decepcionada. 

 

Vi que o senhor Baratheon retornava à mesa, e Deus... não vou suportar esses dois! 

 

— Está saindo? — Senhor Baratheon disse quando me viu levantar. 

— Preciso ir ao toalete. — Sorri educada.

— Ah... tudo bem. — O homem respondeu, e eu acho que o ouvi comentar algo a Jon Snow sobre aquecer uma cama quando finalmente me afastei. 

 

………………………………………

 

O banheiro sempre foi um bom canto para refletir sobre a vida. Uns dizem que é abrindo a geladeira que pensamos sobre nossos problemas, já eu acho que quando estou me maquiando em frente ao espelho sinto meus pensamentos entrarem em ordem. Felizmente, trouxe um pouco de batom e pó compacto para usar deste artifício quando preciso entender o que senti ali naquela mesa. 

 

Deus... ele não se importou quando acabei o que tínhamos. E o que diabos nós tínhamos mesmo? A gente transava e só. Não sou nada além de uma foda às terças-feiras. E não era esse o trato? Sim... era esse o trato! 

 

Já sei... é claro! Estou abalada porque pensei que o veria implorar-me para desistir dessa ideia. Na verdade, eu estava tão segura que este seria o desfecho. Mas é óbvio que Jon jamais me imploraria algo. Ele é orgulhoso demais para isso, e sua indiferença em relação a mim nunca fora segredo. 

 

É isso. Não há motivos para me preocupar. Fiquei abalada por ver minha hipótese contrariada. Odeio errar, principalmente quando sinto todas evidências de que estou certa. Preciso parar de me estressar com esse tipo de besteira.

 

— Você é uma péssima mentirosa, sabia? 

 

Ouvi aquela voz arrogante. Não demorou para ver seu reflexo no espelho. 

 

Jon estava sentado no pequeno sofá que havia próximo à entrada do banheiro. Ele segurava o copo de Whisky e sorria tranquilamente. 

 

— Como entrou aqui? — Perguntei dando dois passos para longe. 

— Pela porta. — Ele disse aumentando o sorriso. 

— Alguém pode nos ver.— Comentei sentindo meu corpo alarmado. 

 

Ele terminou sua dose de bebida, e permaneceu muito bem sentado avaliando minhas costas.

 

— Nossa conversa acabou. — Falei tentando fazê-lo sair.

 

E lá estava o sorriso em seu rosto. Ele era puro divertimento, enquanto eu sentia todo meu corpo queimar em antecipação a sabe-se o que aquele homem estava preparando. 

 

— Não quero conversar. — Suspirou antes de deixar o copo de lado e começar a andar em minha direção. 

— O que você quer? — Falei tensa. 

 

Meus pés congelaram quando perceberam suas intenções. Não demorou para sentir minhas costas baterem em algo gelado. Era a parede de espelhos. Jon me fitou em silêncio, como se perguntando minha permissão para fazer seja lá o que sua mente macabra arquitetou. Porém, antes que qualquer movimento viesse dele, era eu quem o puxava para um beijo. 

 

Não demorou para que a parte superior de meu vestido fosse abaixada, e meus peitos exposto ao frio do banheiro. O que veio a seguir foi a boca do Snow, chupando e acariciando meus mamilos. Mas sua atenção não tardou em mudar para outras partes de meu corpo. E ele era rápido em levantar-me nos braços e prender-me contra a parede. 

 

Eu sentia sua ereção batendo contra minha coxa. E não conseguia conter meus gemidos em seus beijos, enquanto desejava muito mais contato entre nós. 

 

— Diz que tem uma camisinha em sua bolsa. — Ele gemeu em meu ouvido, ao mesmo tempo que penetrava-me com dois dedos.

— Diga que tem, Daenerys. — Falou com mais intensidade, quase em desespero. 

 

E eu não conseguia pensar. Era muita coisa acontecendo para raciocinar sobre camisinha. Mas eu tinha que manter a mente limpa. Calma... espera... a bolsa era pequena... mal cabia meu celular e o batom... 

 

— Não. — Gemi não apenas pelas ondas de prazer que seus dedos me provocavam, mas por saber que aquilo era o máximo que ocorreria esta noite. 

 

— Merda! — Ele xingou puxando os dedos de minha abertura, e eu quase desabei no chão. 

 

Abri os olhos e pude ver a carranca que tomava seu rosto. Ele estava... ele estava bem afetado. 

 

— Merda! Não acredito! — Repetiu agora andando como um louco pelo banheiro. 

 

Eu me mantinha escorada ao espelho. Sentia minhas pernas bambas, e o ar rarefeito. Acho que se mudasse de posição perderia o equilíbrio. 

 

— Vamos sair daqui. — Jon disse decidido. — Você vai primeiro. Explica que está cansada, ninguém achará estranho, pois sabem que é chata e não gosta desses eventos. Me espere no Muralha. Prometo que estou lá em uns 30 minutos.

 

Suspirei tentando não pensar muito no fato dele me chamando de chata.  Não sabia se deveria acatar aquele pedido. Sair assim para encontrá-lo no meio da festa do escritório era muito mais inconsequente que nossos últimos encontros. Afinal, eu era uma das principais advogadas da empresa.

 

“O banheiro está com a porta fechada?” 

 

Ouvimos vozes vindo de fora. 

 

— Shiii..

 

“Será que alguém está prezo aí dentro?”

 

Olhei para o Snow e ele mantinha uma mão tapando minha boca, enquanto ele próprio tentava conter sua respiração.

 

“Alô?! Alguém aí!” 

 

— Vista-se e abra a porta. Diga que teve problemas com seu vestido, ou que não se sente bem... sei lá...Depois entre na última das cabines. — Explicou com sua voz profissional.

— Isso não vai...

— Vai sim. — Cortou-me, ao mesmo tempo que puxava meu vestido para cobrir meus peitos. 

— Olha minha maquiagem. — Falei mostrando quão borrada está minha boca. 

 

“Alô?!” 

“Qual o problema?” 

“Acho que alguém está prezo dentro do banheiro, pois a porta parece emperrada e...

 

— Oi. Desculpa. Não percebi que havia trancado. — Falei assuntando as duas senhoras que estavam do lado de fora. 

 

Elas me olharam da cabeça aos pés. Esperavam uma explicação para meu estado deplorável.

 

— O espumante não me fez bem. — Expliquei recebendo um olhar de entendimento. 

— Não se preocupe... mas se precisar de alguma ajuda...

— Não... estou melhorando. Só quero descansar um pouco. — Respondi, xingando-me mentalmente por dar uma desculpa tão ruim. Quem descansa num banheiro? 

 

Antes que falasse mais alguma besteira, fiz o que Jon Snow me pediu. Entrei na última cabine, encontrando-o escorado em uma das paredes. 

 

Fiz uma careta, e ele sorriu puxando-me contra seu corpo. Balancei a cabeça negando qualquer avanço que ele parecia está desejando. Mas era tarde, ele já estava me beijando, mesmo quando ouvíamos o som das senhoras arrumando seus vestidos e maquiagem. 

 

Ah.. isso está tão errado. 

 

— Querida, está tudo bem? — Uma das senhoras perguntou preocupada. 
 

Deus... será que nós ouviram?

 

Jon me olhou com o rosto divertido. E eu devia estar queimando de vergonha.

 

— Sim. Obrigada por perguntar. — Respondi tentando manter a voz o mais calma possível, quando se tem uma boca em seu pescoço e seus peitos apertados por uma mão muito tentadora. 

— Se quiser que a gente chame alguém...

— Não precisa. Estou saindo. — Falei nervosa imaginando se Missandei entra aqui e me ver com Jon Snow.

— Tudo bem. — A mulher disse. E em seguida ouvimos o barulho dos sapatos deixando o banheiro. 

 

Soltei a respiração, agradecendo aos céus pelo silêncio. 

 

— Foi divertido. — Jon disse afrouxando seus braços de minha cintura. 

 

Revirei os olhos. Aquilo foi tudo menos divertido. Eu queria dizer que jamais permitiria que algo assim voltasse a ocorrer, porém o máximo que consegui falar foi:

 

— Melhor você sair. — Falei olhando minha imagem no espelho. 

 

Deus... estou uma bagunça. O meu penteado estava destruído, assim como meu batom todo borrado. Sem falar no meu vestido, todo amarrotado. Não sei como aquelas mulheres não desconfiaram que eu poderia estar transando aqui. 

 

— O que foi? — Perguntei quando vi Jon ainda me olhando. Que diabos você ainda faz aqui ?! 

— Temos um acordo para hoje? Você não me respondeu. — Ele falou sério. 

 

Suspirei, depois balancei a cabeça em confirmação. Não sou de ferro e muito menos puritana. Ele me acendeu com seus beijos, agora tinha que terminar o que começou. 

 

— Agora diga como estou. Tem marcas de seu batom?— Falou fazendo-me olhá-lo de perto. 

 

Como ele está? Lindo, gostoso, perigoso... 

 

Arg... O que é isso, Daenerys? Pare de agir como uma desesperada! Foca no que importa...

 

— Não tenho a noite toda aqui, ok? — O ouvi impaciente. 

 

A boca dele estava vermelha. Assim como seu pescoço. Peguei um lenço úmido e passei pelas marcas. Devo dizer que não era tão fácil limpar sua boca, quando todos os meus pensamentos giravam em quão tentadora ela estava sobre meus peitos.  Depois arrumei sua gravata e blusa. Não percebi o quão íntimo era aquele gesto, até fitar seus olhos. 

 

Jon me lançava um olhar provocador, que combinava perfeitamente ao seu sorriso de lado. E eu não sei o que estava acontecendo comigo, mas senti vontade de beija-lo novamente. Não... pensa! Urg! Pare de agir como uma adolescente! 

 

— Pronto. — Falei afastando-me o máximo que pude naquele banheiro. 

 

Ele não agradeceu. Simplesmente deu dois passos até a porta. Olhou novamente seu reflexo no espelho e seguiu caminho para festa. Não me olhou sequer uma vez. O cretino nem disse adeus! 
 

Arg...

 

………………………………………

 

— Você está doente? — Missandei perguntou quando me viu andar até a mesa. 

 

Será que meu rosto estava tão ruim assim? Eu demorei no banheiro arrumando tudo!
 

— Está chateada? — Missi perguntou.

 

Ah...claro... não era minha aparência, mas meu estado de espírito. É óbvio que estou irritada. Não engoli a forma que ele invadiu o banheiro, me bagunçou toda e depois saiu satisfeito. Mas eu não podia dizer isso a minha amiga. O que eu disse foi:

 

— Acho que a bebida não me fez bem. Estou saindo. 
 

— Vai para casa? — Ela perguntou preocupada. 

— Acho melhor. Pode ser cansaço também. — Respondi. 

— Uma boa noite de sono sempre é restaurador. — Grey disse compreensivo.

— Sim. — Falei com um sorriso.

— Precisa de carona? A gente te leva. — Missandei insistiu. E eu diria que pode ter desconfiado dos meus plano sexuais para mais tarde. 

— Não... por favor, aproveitem a noite. Eu já chamei o táxi. Amanhã conversamos, amiga. — Falei cortando qualquer outra tentativa de cuidar de mim. 

 

Ela suspirou e depois me abraçou, pedindo que eu me cuidasse. Ah... Deus... como sou horrível. Não mereço uma amiga desse tipo! 

 

………………………………………

 

 

 

Como prometido, Jon não demorou muito mais que 45 minutos para me encontrar no restaurante. Ele nem mesmo esperou que eu tomasse o resto de meu drinque. Puxou-me da cadeira, dizendo que o táxi já nos esperava. Tormund sorriu quando Jon xingou meus sapatos por me atrasarem tanto. 

 

— Olha... você nem imagina como estou subindo pelas paredes desde a hora que você apareceu neste vestido maldito. — Jon disse quando me empurrou na cama. 

— E... aquele velho tarado me tirou dos nervos... — Ele resmungou jogando minhas sandálias. 

 

— E você veio com uma conversa fiada de que não existiriam outras terças-feiras...— Continuou puxando meu vestido. 

— Ainda teve a audácia de dizer que enjoou disso aqui. Era só o que faltava!

 

Ele estava revoltado. Não sei se falava sozinho ou apenas jogava sua raiva em mim, num desabafo. A verdade é que nunca o vi falar tanto antes de me fuder. Isso era particularmente novo entre nós. 

 

— Eu te odeio tanto, Daenerys. — Disse quando fiquei completamente nua a sua frente.

 

Suspirei com aquele tom. Era sensual e assustador ao mesmo tempo. 

 

— Você me irrita de todas as piores formas! — Continuou agora jogando suas roupas para longe. — Já amanhece tentando me estressar. Até seu bom dia é como uma praga em minhas costas. Pensa que não sei que pediu a Tyrion para me tirar do escritório? 

— Já não está na hora de voltar para Porto Real? — Falei percebendo que a irritação dele podia ser perigosa. Era melhor começar a defender-me. 

— Sou meu próprio chefe. Se eu quiser morar em Winterfiell pelo resto de minha vida, aqui ficarei. — Resmungou cobrindo-se com o preservativo. — Se amanhã eu decidir partir para o fim do mundo, isso só me diz respeito! 

— Então, por que você não volta para o inferno de onde veio? — Resmunguei, sentindo que sua raiva passava diretamente para mim. 

— Acredite numa coisa... quando me cansar daqui, você será a primeira a saber de minha partida. — Ele disse antes de penetrar-me sem qualquer carinho. 

 

 

 

— Ah! — Gritei, sentindo-o congelar. 

 

Ele me olhou esperando algum sinal de que podia continuar. Por que faz isso? Não mereço a surra que parecia querer me dar? 

 

— Você está bem? Eu... me desculpe se...

— Cala a merda de sua boca, Snow! Me poupe de sua falsa piedade e termine isso! — Gritei, balançando o quadril incentivando-o. 

 

Seus olhos ainda me encararam por alguns segundos, porém, quando comecei a aumentar meu balanço o vi gemer alto. É bom você se mexer! Como se ouvisse meus pensamentos, o senti me puxar para seu colo. Ele me olhou, e eu pude ver o pedido silêncio: ele queria que eu tivesse o controle.
 

Enquanto eu ainda tentava compreender aquela nova posição. Senti meu coração palpitar quando sua mão acariciou meu pescoço, unindo nossas testas. E como numa dança, balancei meu quadril sobre sua ereção, concentrando-me apenas naqueles olhos escuros que me fitavam e pareciam falar, mesmo que eu não os entendessem.


………………………………………

 

Eu estava deitada naquela cama gigante, enquanto sentia meus músculos tremerem numa onda de êxtase. Jon estava logo ao meu lado. Parecia exausto, pois eu podia ouvir sua respiração ainda ofegante. 

 

— Existirão outras terças? — O ouvi perguntar. 

 

Virei-me para encara-lo. Ele me parecia preocupado. Não... eu devo estar confundindo as coisas. Aquele olhar é de cansaço. Sim... ele só está exausto de toda a energia que gastou há pouco.

 

— Acho que sim. — Sussurrei, não entendendo porque senti meu coração disparar com essa resposta. Talvez fosso porquê o vi sorrir após minha resposta... ou... só estou precisando de uma avaliação do cardiologista. 

 

Fiz nota mental de procurar um médico ainda essa semana. Era a segunda vez que meu peito disparava. Isso não pode ser normal. 

 

Depois, senti a cama balança. Era Jon Snow indo ao banheiro. Depois, ouvi o som do chuveiro. 

 

— Fim da terça-feira. — Sussurrei abraçando-me ao lençol, sentindo-me ser invadida pelo cheiro do perfume de Jon Snow. Pude notar que agora era um tom amadeirado. Uma fragrância perigosa, pelo menos para meu coração, que mais uma vez disparara sem aviso. 

 

 

………………………………………

 

 

Um mês depois...

 

 

— Está com fome, Salem? — Falei acariciando seu pelo.

 

Salem era um gato persa negro. Estava comigo ha 3 anos. Foi um presente de Missandei. Ela disse que eu precisava de algum macho ao meu redor. O nome foi uma homenagem a feiticeira Sabrina. 

 

— Você as vezes é tão manhoso. — Comentei observando-o enroscar-se em minha pernas. — Faz isso porque sabe que mamãe te ama, não é?

 

Eu estava dividida entre comer meu sanduíche e assistir meu gato brincar com minhas almofadas quando ouvi o barulho do meu celular. Era uma mensagem. 

 

Night King: Ocupada? 

 

Aquela só podia ser uma grande surpresa. Jon não costumava me mandar mensagens. Nosso trato parecia ter se mantido numa rotina agradável, não sendo necessário avisos ou alertas entra a gente. 

 

“O que você quer?” 

 

Essa foi minha resposta. É óbvio que ele queria algo. Pelo o pouco que conheço daquele homem, sei que não manda mensagens aleatórias. 

 

Night King: Tem planos pra hoje? 

 

Ah... claro. Ele queria transar. Mas espera... hoje é quinta-feira! Já transamos essa semana. 

 

“Hoje não é terça.”

 

Ele demorou a responder. Talvez tenha entendido o recado. Para minha surpresa, ele veio com a resposta mais irritante que podia imaginar.

 

Night King: Ainda cansada de terça? 

 

Era ridículo. Eu podia imaginar o sorriso safado que deve ter no rosto. 

 

“Combinamos ser 1x/semana.” 

 

Night King: E daí? Não temos um contrato escrito sobre isso.  

 

“Acredito nas palavras faladas.”

 

Night King: Me diga que você está fazendo algo útil essa noite, e deixe de ser tão chata. 

 

“Estou comendo, já disse.” 

 

Night King: Não tem espaço para uma sobremesa? 

 

Eu ri. Meu Deus, tem alguém mais irritante? 

 

— O que você acha, Salem? Devo encontrá-lo? 

 

Falei olhando o meu gato. Ele não me deu muita atenção, no entanto. 

 

Night King: Não se faça de difícil. Não combina com você. 

 

Suspirei. 

 

Você reservou o quarto?”

 

Night King: Venha pro meu apartamento. 

 

“Não acho uma boa ideia. Alguém pode me reconhecer.”

 

Night King: aí você diz que veio a trabalho. 

 

Sorri. Esse gosta de uma aventura.

 

Night King: Vou te passar o endereço. Te espero em 40 minutos.

 

 

Revirei os olhos. Recebendo a mensagem com seu endereço. Ele morava aqui perto, nem 20 minutos de carro. Menos mal...

 

— É Salem... mamãe volta já. — Falei correndo para meu quarto. Precisava vestir algo diferente de um moletom. 

 

Coloquei uma saia vermelha, com blusa branca. Eu sabia que Jon amava essa saia. Se hoje iríamos mudar as regras, acho que talvez seja interessante fazê-lo admitir seu tesão por minhas roupas vibrantes. E o que isso me importa? Só me interessa que o pau dele trabalhe bem hoje. 

 

— É... mas talvez um toque de sensualidade deixe as coisas mais interessantes. — Respondi olhando meu reflexo. 

 


………………………………………
 

Antes do previsto, eu estava tocando a companhia do Snow. O porteiro tinha sido avisado da minha chegada, e não fez muitas perguntas. Era um elegante apartamento. Talvez um pouco grande demais para um homem solteiro, mas ainda muito confortável. 

 

— Chegou cedo. — Ele disse quando abriu a porta. 

 

Eu o fitei da cabeça aos pés. E Deus... que diabos era aquilo? Jon usava apenas um calção de corrida, com suor escorrendo por seu abdômen. E seus cachos jorravam numa bagunça. Ele parecia jovem, relaxado...e... bem... extremamente sexy. 

 

— Eu... Ah! — Gritei assustada quando um cachorro branco enorme pulou em minha pernas. 

— Fantasma, para dentro. — Jon disse olhando o animal, depois me puxou para dentro. 

— Ele não vai te machucar. Fantasma gosta de cheirar as pessoas que entram aqui. Provavelmente deve conhecer seu cheiro já, das minhas roupas. 

 

Eu balancei a cabeça e agradeci em silêncio o fato de Jon não está me olhando diretamente, pois tenho certeza que virei um tomate quando mencionou meu cheiro em suas roupas. 

 

— Você me espera tomar um banho? — Ele disse sorrindo. — Eu estava treinando.

 

— Sim... fique a vontade. — Falei ainda evitando seu olhar.

— Cuide bem da moça, fantasma. — Disse dando um beijo na orelha do cachorro, fazendo-me sorrir um pouco quando o animal o lambeu em resposta. 

 

Eram fofos... Urg! Não... o quê? Jon Snow não é fofo. De onde veio um pensamento tão absurdo? 

 

— Bem... não demoro. — Disse antes de correr ao que deve ser seu quarto. 

 

Quando sozinha, finalmente, pude olhar para o apartamento. Era... digamos... diferente do que imaginei. Ele tinha uma bela sala de estar, com um sofá enorme e convidativo. Uma grande estante, repleta de livros, e nenhuma televisão. Como alguém não tem uma televisão hoje em dia? Rapidamente consegui imaginar que Jon Snow era um daqueles homens novos com alma de velho, pois tudo o que ele lia era filosofia. Nada de comédia, romance...terror. Nada...Só filosofia. Deus... ele não se diverte?

 

— Seu dono é estranho. — Falei acariciando o cachorro ao meu lado. — Não sei como você o suporta todos os dias. 

 

O animal fez um som como se me respondendo. Aquilo me fez rir. Salem, meu gato, nunca responde meus devaneios. 

 

— E você é bem educado e lindo. — Brinquei, deixando beijinhos no focinho do animal. 

 

Enquanto brincava com o cachorro, pude olhar os quadros que havia. Pelas paredes. Eram obras belíssimas. A que chamou atenção, no entanto, era a de um jarro com flores azuis. Não sei porque, mas a simplicidade do quadro passou-me uma sensação de casa. Toquei as pétalas, percorrendo os traços deixados pelo pincel. Até que vi o nome do artista.

 

Lyanna Stark

 

Lyanna Stark? Como assim? Lyanna não era a filha de Robb que tinha apenas 7 anos? Ela poderia pintar tão bem assim? Devo ter ficado muito envolvida com aquela assinatura, pois nem percebi que o cachorro branco estava ao meu lado novamente, até que me virei para uma pequena mesa lateral com fotos. 

 

Na verdade, eram apenas três porta retratos. Um com a imagem de Jon segurando uma garotinha nos braços, e o cachorro branco em seus pés. Seria a filha de Robb? Bem... pelos cabelos loiros, só podia ser filha de Margaery. A outra imagem era algo como uma reunião de família. Jon estava rodeado por pessoas sorrindo. Eu pude perceber Robb e Margaery entre os rostos. 

 

O menor dos porta retratos, no entanto, fora o que mais me intrigou. Era a imagem de um homem e mulher, ambos abraçado como num casamento. Só podem ser os pais de Jon. A mulher tem os mesmos olhos e cabelos escuros dele. Mas a boca de Jon é a imagem da desse homem.

 

— Você pode ser bem curiosa, não é mesmo? — Assustei-me com a voz dele. 

 

O fitei nervosa. 

 

— Desculpe-me, eu não devia... 

— Sem problemas. Eu meio que te larguei aqui com o cachorro. — Ele disse tranquilo. 

 

Dei um sorriso nervoso, observando seguir em direção, talvez, à cozinha. 

 

Jon usava uma calça de moletom cinza, com uma blusa básica preta. Eu tenho percebido que cinza e preto devem ser suas cores preferidas. Não lembro de vê-lo em algo diferente disso.

 

— Sei que jantou, mas preciso comer algo. Acabei de fazer exercícios, e estou faminto. — Falou com um sorriso, trazendo consigo uma bandeja com queijos, doces e outras coisas que não consegui decifrar. 

 

Fiquei em silêncio, enquanto o observava liderar caminho por sua casa. Então, quando ele me mostrou aonde faria sua refeição, tive que segurar o suspiro. Estávamos na varanda do apartamento. Era um belo local. Tinham muitas plantas, um mini sofá, uma churrasqueira e... algo como uma banheira de hidromassagem? Tudo parecia extremamente pensado para trazer aconchego e lazer.

 

— Aqui é lindo. — Falei antes de pensar. 

— Morar na cobertura tem suas vantagens. — Disse enquanto afastava as almofadas do mini sofá. — A varanda é quase três vezes maior que a dos demais apartamentos, embora eu ache tudo muito grande para um homem solteiro. 

 

Olhei para ele tentando entender a forma que falou de seu status afetivo. Ele não parecia muito feliz em ser solteiro, ou só estou vendo coisas demais? 

 

— Você não vai sentar? — Perguntou-me mostrando o espaço ao seu lado, enquanto abria a garrafa de vinho. 

 

Não era muito apertado para nós dois? Eu provavelmente ficaria quase sentada em seu colo. Não é possível que uma casa tão grande não tenha outras cadeiras. Acho que vi uma mesa de jantar por trás daquela estante de livros. Ficaria estranho se eu solicitasse uma cadeira? 

 

— O que foi? — Falou confuso, enquanto servia o vinho. 

 

Aquilo tudo era muito novo. Não costumávamos conversar muito antes de transar. Na verdade, não falávamos muito nem antes, durante ou depois do sexo. Acho que hoje falamos por todas as terças-feiras do último mês. 

 

— Nada. — Respondi unindo-me a ele no sofá. 

 

Como previ, me vi enroscando em suas pernas e pele, enquanto seu braço puxava meu corpo contra o seu tórax. Para deixar o ambiente ainda mais estranho, o cachorro deitou logo em baixo de nossos pés. 

 

— As fotos que você viu são de minha família. — Jon iniciou a conversa completamente alheio ao meu desconforto em seus braços. — Aqueles dois são meus pais. Foi no dia do casamento deles. 

— Um belo casal. — Falei roubando uma uva do prato a minha frente, e tentando não me sentir ao ouvi-lo falar dos pais. 

— Sim. — Ele confirmou, dando um beijo leve em meus cabelos. 

 

Não sei porquê mas aquele leve toque acelerou meu coração. De repente, me senti preenchida por algo que nunca senti e jamais conseguiria explicar. Não entendo. O cardiologista jurou que meu coração está saudável. Será que devo buscar outro profissional?

 

— Eles morreram quando eu tinha apenas 3 anos. Foi num acidente. Eu estava com eles no carro. Viajávamos para a casa de meu tio Brandon, no Vale. Dizem que meu pai perdeu o controle do automóvel devido ao mal tempo. Não consigo lembrar muita coisa, só que no outro dia estava nos braços de meu tio Ned. — Explicou, e meu coração explodia em piedade. 

— Sinto muito. — Falei imaginando Jon garotinho sofrendo por perder os pais.

 

Jon deu um sorriso, mas não percebi seus olhos iluminarem no processo. Ele não iria falar mais sobre o assunto. Exceto se eu o incentivasse...

 

— Ela se chamava Lyanna? — Perguntei, lembrando o nome no quadro.

 

— Sim. Robb a homenageou, uma vez que eu não tive meus próprios filhos para fazer o mesmo. — Disse com algum tipo de dor em sua voz.

 

— Você cresceu com Robb? — Falei sem saber porquê, de repente, estava tão interessada no passado e família de Jon. Era quase como se eu quisesse entender como ele sobreviveu tanto tempo sem os pais. Deus... ele tinha só três anos! Isso não deveria acontecer a ninguém. Mesmo Jon Snow não merecia viver sem o abraço de sua mãe e pai.

 

— Depois do acidente, tio Ned, o pai de Robb conseguiu minha guarda. Fui criado como seu filho. Só posso agradecer a família que tenho. — Ele disse colocando um pedaço de queijo em sua boca. 

 

Balancei a cabeça em compreensão. Senti meu corpo relaxar ao saber que não cresceu sozinho.

 

— Por isso você me estressou tanto com aquele caso. — Falei tentando mudar o assunto para algo mais seguro. 

 

Ele deu um sorriso, balançando a cabeça. 

 

— Sempre irei te estressar. — Falou brincando com meus cabelos. 

 

Não sei bem o motivo, mas algo como uma tristeza invadiu-me. Pensei que fosse o fato de vê-lo como meu inimigo. Mas não... no  fundo, sei que jamais haveria alguém para defender-me da mesmo forma que Jon faz por sua família. 

 

— Eu disse algo errado? — Ele perguntou segurando meu queixo com uma das mãos. 

 

Neguei rapidamente, depois respirei fundo, fechando os olhos como uma defesa. Não parecia certo sentir-me tão exposta e quebrada, enquanto os braços de Jon Snow me envolviam.

 

— Sinto muito por seus pais. 

 

Ouvi essa frase, e aquilo foi como um banho gelado. Todo o meu corpo estava alarmado, de repente. 

 

— Lembro que você perdeu sua família na véspera da prova daquele estágio no fórum. — Ele continuou, parecendo alheio ao meu corpo tremendo. 

— Você sempre foi muito boa, estava empolgada com a avaliação, pois conseguiria me superar nos índices anteriores. Contudo, enquanto o professor falava as regras da prova, o coordenador a tirou da sala e você não retornou. Você desapareceu por um mês inteiro. Lembro que me perguntava o que havia de errado com você. Infelizmente, os dias no campus não eram mais interessantes sem nossa competição. 

 

Eu o olhava com atenção. Percebia seus olhos brilhando perdidos nas imagens do horizonte. 

 

— Aí me falaram do acidente. Lembro de Rhaegar. Seu irmão era o oposto de você, e um verdadeiro ídolo em nossa universidade. Todos choraram sua partida precoce. Aí... a primeira vez que a vi depois daquele dia, você não parecia ter tido qualquer perda. Estava agindo como a Daenerys de sempre: rígida e insuportável. Foi quando desisti de acreditar que você tinha um coração. 

 

Meu peito queimava. Falar de meus pais e meu único irmão nunca foi tema fácil. Os dias que Jon comentava foram os mais duros de toda minha vida. Eu costumava chorar até dormir, ou apenas usava medicações que bloqueavam meus pensamentos. Se não fosse por Missandei e sua família, não sei aonde estaria hoje. Foi com a ajuda deles que transformei o estudo do direito como minha válvula de conforto. Era estudando que minha dor parecia menos ruim; que a vida parecia um pouco mais suportável. 

 

— Pensei em ser menos duro com você depois da morte deles. Teve um dia que ainda quis falar contigo, tentar alguma amizade. Compreendia o que era perder os pais, e diziam que seu único tio vivo morava em Essos.  Imaginei como devia estar sendo lidar com a dor sem alguém para segurar seu corpo nas noites assombradas....

 

Ele dizia pensativo. Não tirava os olhos do horizonte, como se refletisse sua própria dor nos dias que perdeu os pais. 

 

— Contudo... — Continuou agora fitando meus olhos. — Você era muito chata para gerar qualquer empatia em meu coração. Além disso, tinha aquele seu namorado grandalhão, Drogo, eu não... simpatizava muito com ele. — Disse com um pouco de sorriso. 

 

Drogo? Não consigo lembrar de ver Jon falando com Drogo sequer uma vez. Bem... na época que meus pais morreram eu estava no início do namoro com Drogo. Posso dizer que ele até que me deu atenção nos primeiros dias, mas depois meio que me largou sozinha dizendo precisar viajar com seus pais. Descobri depois que ele tinha viajado com amigos para uma espécie de hotel fazenda, onde haveriam muitas festas ao longo da semana. 

 

Drogo era difícil de lidar. Além de mentiroso, tinha em sua lista de péssimas características: traidor, violento e ciumento. Sim... 

 

— Não sei se você recorda. Lembra de uma vez que uma de nossas veteranas fez uma festa lá na casa dela? Convidou quase o curso inteiro. 

 

Eu balancei a cabeça, e é claro que recordava aquele dia. Foi uma das minhas piores brigas com Drogo. E lembro de Jon se meter, tentando controlar a situação. Ah... sim... deve ter sido neste dia que conheceu Drogo.

 

— Aquele cara que apanhou feio de seu namorado era amigo de Robb. Theon nunca foi de se controlar quando via mulher bonita. Porém, ele não esperava que conversar com você fosse suficiente para uma tentativa de assassinato. — Jon disse indignado. 

— Ele era... ciumento. — Suspirei.

— Ciumento? Ele quase matou uma pessoa por conversar com você! E depois ainda a puxou pelo braço até aquele maldito Jeep dele. Olha... se não fosse por Ygritte eu teria chamado a polícia. Apesar de te odiar, imaginei que ele fosse te bater... sei lá. E o que você tinha culpa? — Ele disse realmente estressado.

— Eu sabia... me defender. — Contei, mas minha voz saiu quebrada demais para meu gosto. 

 

Jon me olhou por alguns segundos. Senti seus dedos acariciando meu ombro, e seus olhos tomando uma expressão de piedade. 

 

— Ele batia em você?— Perguntou e eu puder notar um olhar de preocupação. 

 

Neguei com a cabeça, mas logo as lágrimas vieram aos meus olhos, e ele sabia que era mentira. Escondi meu rosto em seu peito, e deixei minhas lágrimas correrem por sua camiseta. Ele ficou em silêncio, acariciava meus cabelos e vez ou outra deixava beijos em minha testa. 

 

— Ele se foi, Daenerys. — Sussurrou fazendo-me olhá-lo. 

 

Jon tinha seu sorriso calmo. E aquilo, De alguma forma, me transmitia paz. Então, quando ele apertou os braços em minha cintura e beijou-me lentamente. Senti como se meu coração explodisse em emoção. E aquilo era bom... tão bom que não conseguia explicar o sentimento. Quando nos afastamos, ele passou os dedos por minhas bochechas limpando as lágrimas. Depois, sorriu oferecendo-me um pouco de queijo, colocando-o com cuidado em minha boca.

 

 

— Por que você nunca me tratou bem, Jon? — Perguntei antes de começarmos outro assunto. 

 

Acho que o peguei desprevenido. Ele colocou uma das mãos em seu cabelos, repetindo um de seus tique nervoso.

 

— É mais fácil a pessoa odiar e xingar alguém, que tentar mudar sua visão sobre ela. — Ele disse com naturalidade. 

 

Avaliei aquele comentário. Não podia dizer que discordo. Sinto o mesmo sobre ele. O odeio e me sinto menos esquisita xingando-o, que abraçada ao seu corpo ou compartilhando minhas dores como uma namorada. 

 

Namorada? Espera aqui... 

 

Vinho, jantar a luz da lua, cachorro fofo deitado aos nossos pés, conversa sobre o passado, lágrimas... e nenhum sexo.

 

Me levantei em um sobressalto. Em meu desespero de sair dos braços de Jon, acabei derrubando o vinho sobre a comida.

 

— Ei, o que houve? — Perguntou-me confuso, enquanto tentava controlar a bagunça na mesa. 

— O que você está aprontando, Jon? — Falei estressada. Era muito óbvio que ele tinha esse jantar planejado com antecedência. Afinal, quem guarda tantas especieis de queijos na geladeira? 

— Aprontando? Só estou comendo um pouco e ofereci-lhe vinho. — Respondeu sério. 

— Esse não é o trato. Era pra ser só sexo. — Eu disse sentindo toda a tensão que tomou a varanda. 

— Íamos transar logo que concluíssemos essa garrafa. — Disse mostrando-me o vinho meio cheio. 

— Mas... você está sendo gentil... 

 

Não consegui terminar minha fala. Não... Jon era tudo menos gentil. Todas suas ações são querendo algo. Sempre foi assim... ele está assim, todo amoroso, abrindo seu coração ao falar das nossas famílias... porque quer usar essas informações no futuro. Atingir meu ponto fraco e destruir-me. Ele não se importa com meu passado e minhas dores; como já disse: odiar-me é muito mais fácil! 

 

— Você está bem? Está tremendo. — Ele disse vindo ao meu encontro. 

— Afaste-se de mim. — Ordenei, fazendo-o parar seus movimentos. 

— Daenerys... — Jon disse tentando mais uma vez me alcançar. 

 

Sem saber muito o que fazia, corri em busca da saída. Eu ainda vi quando ele tentou me deter de sair de sua casa. Contudo, ao me ver em frente aos elevadores, percebi, em seu rosto, que não me seguiria. E por que ele me seguraria?


………………………………………

 

23:40

 

Como posso ter terminado o dia assim? Sinto-me cansada, mas minha mente parece muito em alerta. 

 

À princípio pensei ser devido a forma que deixei o apartamento do advogado. Afinal, estava completamente abalada com aquela nova interação entre eu e ele. Em seguida, achei ser devido ao seu perfume. Fiquei muito tempo abraçada ao seu corpo para impregnar-me com sua fragrância masculina forte. Por fim, veio a realidade: não conseguiria dormir porque meu celular brilhou tem alguns minutos mensagens de Jon Snow.

 

 

Night King: Melhor darmos um tempo de nossos encontros. 

Night King: Volto para Porto Real no final do mês. 

Night King: Boa noite, Targaryen. 

 

 

Em outras palavras, nossas terças-feiras finalmente acabaram. E eu não sei como me sinto sobre isso, pois mesmo que repita em voz alta “melhor assim”, minha mente só consegue dizer “o que você fará agora sem ele?”. 

 

Ah... não posso está abalada com o fim do nosso...

 

O quê?! Não posso pensar em chamar aquilo que tínhamos de relacionamento! 

 

Era só sexo....

 

Sim...

 

Era só sexo...

 

Sim...

 

Era só sexo.
 

Aquele Jon Snow que vi hoje, carinhoso e gentil, era apenas ele se despedindo....

 

Nada mais que um adeus ao sexo...

 

— Eu o odeio por fazer-me gostar desse novo Jon Snow. — Pensei alto.

 

Não! 

 

— Eu o... odeio. Eu o odeio apenas por ser Jon Snow!


Notas Finais


O que acharam?

Jon vai mesmo para Porto Real? O que Daenerys fará quando finalmente compreender seus sentimentos?

Alguém arrisca um chute?
😅

Faltam só mais dois capítulos para o fim. 😕


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