História Eu tenho um pequeno problema - Capítulo 25


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Categorias Girls' Generation
Personagens Hyoyeon, Jessica, Personagens Originais, Seohyun, Sooyoung, Sunny, Taeyeon, Tiffany, Yoona, Yuri
Tags Hyoseo, Hyosic, Krystae, Seotae, Taeny, Yulsic, Yulti
Visualizações 337
Palavras 7.835
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Bishoujo, Comédia, Festa, Fluffy, Orange, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Universo Alternativo, Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Nem acredito que voltei a dar as caras por aqui!

Meu hiatus não foi planejado e durou mais do que pensei que duraria, peço desculpas pela demora, eu sei como é chato ficar esperando por atualização.

O importante é que tô de volta e tudo indica que vou ficar até o fim. xD

Boa leitura <3

Capítulo 25 - Ciúmes para que te quero


Fanfic / Fanfiction Eu tenho um pequeno problema - Capítulo 25 - Ciúmes para que te quero

 

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Taeyeon tinha acabado de sair do banho. Estava com frio, os últimos dias tinham sido ainda mais frescos. A loirinha esperava sem um pingo de ansiedade pelo inverno, sua resistência baixa nunca foi uma boa combinação com dias cheios de neve e ventos capazes de gelar até os ossos. Secava os cabelos quando escutou baterem na porta.

 

 Pode entrar. – falou alto por causa do barulho, segundos depois Tiffany colocou a cabeça para dentro do pequeno banheiro, a mais baixa parou o que fazia para escutá-la.

 

– Hyo-sunbae perguntou se você pegou a blusa vermelha dela.

 

Taeyeon desligou o secador. Estava atrasada e a impaciência de Hyoyeon não era brincadeira. Tudo o que desejava evitar nesse momento era uma discussão desnecessária. 

 

– Estava no meio das roupas que a Seo dobrou ontem de tarde antes de sair.

 

– Vou falar para ela. – dito isso saiu.

 

Taeyeon encarou-se no espelho, precisava retocar sua tinta o mais rápido possível, estava com as raízes escuras e não gostava daquele tom. Antes seu cabelo era loiro platinado, agora um amarelo feio. Jessica tinha razão quando a chamou de cabeça de palha. Penteou o cabelo, ainda estava molhado, torceu para que não estivesse um dia ventoso. Tinha medo de pegar uma gripe.

Quando saiu do banheiro, já totalmente pronta, encontrou apenas Tiffany na sala, a morena lhe contou que a sunbae havia achado o que procurava e saído em seguida.

 

– Para onde ela foi?

 

– Não disse. Mas pelo jeito que estava vestida não devemos esperá-la para jantar. – Tiffany soltou uma mínima risada nasal, que era muito próxima a um suspiro irônico.

 

– Bem, eu volto para o jantar.

 

Tiffany assentiu. Taeyeon se virou na direção do vestíbulo, colocou seus tênis brancos e se preparava para sair quando escutou a voz de sua ex namorada com certa pitada de preocupação.

 

– Você comeu alguma coisa?

 

Se virou de pronto e com um sorriso obediente no rosto.

 

– Almocei antes de vocês acordarem, pode conferir na geladeira. Eu comi quase tudo! 

 

– Muito bem! Pode ir. – ela riu, voltando os olhos para o celular que havia vibrado.

 

Taeyeon se virou e saiu. Enquanto descia as escadas apressada, constava alegre o quanto sua convivência com Tiffany tinha melhorado. Sorriu ao relembrar do modo rude e estúpido que ela usava para falar consigo. Das discussões ridículas e sem propósito. Não conteve uma risada ao relembrar as cenas na praia. Aquele dia tinha sido um grande marco, se não tivesse levado uma portada na cara talvez a Hwang nunca tivesse lhe dirigido a palavra. Pensou rapidamente nas semanas difíceis que desencadearam seu distúrbio alimentar e consequentemente sua visita ao hospital. Repassou cada frase da conversa que teve com ela, temendo começar a chorar.

 

Chegou na frente do prédio e uma Junhee sorridente estava parada lhe esperando. A garota tirou os fones que usava para matar o tempo durante sua espera. Taeyeon não sabia porque estava saindo com ela, talvez por conveniência. Não tinha certeza. Gostava de Junhee, ela era uma boa pessoa, mas não conseguia mais dedicar-se à alguém da mesma forma que fez com a garota que agora compartilhava moradia. Não importava com quem estivesse, Tiffany seria sempre uma concorrência injusta e insuperável. Trincou os dentes, irritada consigo. Não devia pensar desse jeito, não quando sabia que suas chances de conseguir de volta o que tinha perdido eram quase nulas, melhor, inexistentes.

 

– Para onde vamos hoje? – Junhee a trouxe de volta à realidade.

 

Uma realidade onde Tiffany não estava mais consigo, sem chance alguma de um retorno. E a garota com quem devia gastar seus pensamentos era a adorável e jovem Junhee.

 

– Tanto faz.

 

 

 

 

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– Você vai ir mesmo? – Jessica perguntou um pouco decepcionada.

 

– Eu não queria, mas é o Taeho, eu devo uma a ele.

 

Hyoyeon era mesmo um fracasso. Tinha passado a semana inteira reclamando que não queria ser arrastada para a festa de hippies que seu amigo estava pedindo para que ela fosse e quando Jessica pensou que teria um sábado dedicado somente para si foi enganada novamente. A Jung não era burra, já tinha percebido há algum tempo que Hyoyeon não poderia ser o que ela queria. Jessica precisava de alguém que a colocasse como centro de seu mundo e estivesse disposto a dedicar-se a ela, quase exclusivamente a ela. Agora como esperar tal atitude de alguém tão (se não mais) egocêntrica quanto ela mesma?

 

– Se divirta. – murmurou.

 

– Você vai ficar irritada?

 

Hyoyeon se virou de lado para ela. Estavam as duas deitadas na cama de solteiro da sunbae. Jessica de barriga para cima, olhando atentamente para o estrado da cama de cima do beliche, totalmente visível do lugar onde estavam deitas; a cama de baixo.

 

– Por que eu ficaria? – Jessica a encarou, seus olhos eram como sempre um convite para um desafio.

 

Hyoyeon não entendeu sua própria ação, somente abraçou a Jung, puxando-a para si enquanto repousava sua cabeça sobre o corpo dela. Jessica deixou, também não entendeu porque consentiu essa demonstração de afeto. As duas se tocavam apenas por dois motivos; quando tentavam se agredir mutuamente ou quando estavam ardendo de desejo e transariam até não conseguirem mais sustentar o próprio corpo de tanto cansaço. Um toque como esse, sem segundas  intenções, apenas  um carinho despreocupado era algo novo para elas, especialmente para Jessica. Foi pega de surpresa pela frase que veio depois.

 

– O que nós somos?

 

Recebeu silêncio como uma primeira resposta. A verdade é que Jessica vinha se fazendo essa pergunta há algumas semanas. Afinal o que as duas eram uma para a outra? Falar namoradas seria um exagero. Apenas transavam e passavam algum tempo juntas, sendo esse tempo regado a xingamentos e discussões em sua maioria. Se ela fosse totalmente sincera não poderia omitir que até durante o coito tinham seus desentendimentos. O que Hyoyeon era para ela? Focada nessa pergunta só conseguia chegar a uma conclusão: odiava Kim Hyoyeon. Disso não tinha dúvida alguma, dormir com ela algumas (várias) vezes não fez esse sentimento mudar.

 

– Duas pessoas que se odeiam.

 

– Tem certeza? – as duas mantinham contato visual, Hyoyeon erguera a cabeça levemente.

 

– Você não tem?

 

Ela riu, escondendo o rosto contra o pescoço de Jessica.

 

– Eu te odeio Jessica. Mas não vamos mentir uma para outra, sabemos que não damos certo.

 

Essa foi a vez da Jung de rir. Sim, ela sabia que tudo o que tinham mantido de forma tão custosa e agressiva estava destinado a acabar à menor perda de interesse sexual de uma na outra.

 

– Você está certa. Existem pessoas bem melhores para transar.

 

– Vai tomar no cu Jessica!

 

Ela a beijou.

 

 

 

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Yuri e Tiffany estavam trabalhando como loucas nos últimos dias. Jessica, assim como a Hwang previa, desistiu do emprego quando foi promovida de estagiária para funcionária padrão. A perda dos privilégios de um estágio não convinham com sua natureza preguiçosa e aproveitadora. Agora não tinha mais como inventar desculpas de que não sabia como fazer o que lhe pediam. Foi requisitado que ela ajudasse nas entregas e isso não lhe agradou nem um pouco. Mais outra funcionária foi contratada e ver seu precioso posto no balcão ser surrupiado por uma incapaz foi a gota d´água para Jessica Jung. Ela não demorou para pedir sua demissão e nunca mais aparecer por ali, exceto quando vinha com Krystal em busca de calóricos e deliciosos bolinhos.

 

– Tiffany você não viu a Seo? Nesta semana ela não apareceu aqui e os croissants que fiz a pedido dela estão esperando desde segunda.

 

– Posso levar para ela.

 

A Hwang se ofereceu, porém sabia muito bem o porquê do sumiço “repentino” da maknae que era frequentadora assídua da padaria. Ela está sofrendo do que Tiffany chamava de EVPS, um caso de Extrema Vergonha Pós Sexo. Seohyun sempre fazia isso; ficava muito bêbada, transava com o ser humano que estivesse próximo no momento e depois passava meses evitando esse indivíduo por vergonha de ter que conversar com a criatura estando sóbria. A grande deficiência na sociabilidade de Yuri a tornava incapaz para entender todo esse comportamento complexo, todavia era madura o suficiente para agir como se aquilo nunca ativesse acontecido, e o mais surpreendente de tudo, não tinha demonstrado nenhum sinal ou mudança de hábito que pudesse indicar uma possível paixão pela maknae.

 

– Eu queria também convidá-las para isso aqui! – Yuri estendeu um panfleto. – Eu espero o ano inteiro por esse acampamento, como esse ano vai ser o especial de dez anos do clube eu decidi convidar vocês!

 

Tiffany analisava o pedaço de papel encerado que segurava. Era um convite bobinho para o acampamento festivo de um clube de escoteiros. Não entendia de onde tinha surgido aquilo e porque Yuri queria que elas fossem.

 

– Yul, o que exatamente é isso?

 

– É um acampamento de escoteiros, nós fazemos sempre no equinócio de outono e de primavera. Eu sempre quis levar alguns amigos, mas eu não tinha amigos. 

 

– Você participa de um grupo de escoteiros?

 

– Sim, desde os doze. Só que nunca consegui me entender com o pessoal, acho que eles não gostam de mim, ninguém nunca falou comigo. – ela ergueu os olhos. – Você vai ir não é?

 

Yuri sorriu, depois se virou indo dar sua atenção a um freguês que chegava ao balcão. Tiffany fitou o panfleto. Não seria nem um pouco fácil convencer as outras a participarem, porém queria muito fazer isso. Yuri demonstrava se importar bastante com a ocasião e seu passado como uma criança totalmente solitária era penalizante.

 

 

 

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Quando Tiffany chegou em casa não encontrou ninguém, Hyoyeon tinha deixado uma mensagem no grupo da casa avisando que alguém devia tirar o lixo. Seohyun avisou que dormiria na casa dos pais. Vinha fazendo isso propositalmente para ter certeza de que seria bem sucedida em evitar Yuri, afinal a confeiteira aparecia vez ou outra durante o fim de semana para visitá-las, sem contar que tinha voltado a buscar a Hwang todas as manhãs para a faculdade. Tiffany precisava conversar com ela sobre isso, era um pouco extremo esse medo de encontrar com a confeiteira. Afinal as duas não tinham cometido nenhuma espécie de crime.

 

– Estou em casa!

 

Sua linha de raciocínio foi cortada por Taeyeon chegando em casa. A loirinha estava claramente cansada, tinha os olhos e os ombros caídos.

 

– Achei que chegaria tarde.

 

– Mas eu disse que voltava para o jantar. – Taeyeon se jogou no sofá, soltando um espirro.

 

Tiffany se aproximou, queria discutir a questão do acampamento de Yuri. Estava mesmo decidida a fazer suas companheiras de moradia irem consigo. Taeyeon era sem sombra de dúvidas a mais influenciável de todas elas e tê-la do seu lado desde o começo seria muito importante quando fosse abordar Seohyun e a sunbae.

 

– Tem algo que eu queria conversar com você.

 

Taeyeon teve um sobressalto com a frase. O que poderia ser? Não estava pronta para outra conversa séria com sua ex. A última tinha lhe causado demasiado estresse e sentia calafrios de relembrar o quão assustada ficou com a ideia de nunca mais poder ver Tiffany novamente. Droga. Pensou, eu sou patética. Tiffany decerto não queria discutir nada importante, provavelmente algum tópico da casa, a próxima lista de compras ou quem sabe indagar se ela não queria fazer o jantar hoje já que Seohyun estava na casa dos pais. Tudo isso passou por sua cabeça no minúsculo intervalo em que a Hwang levou para caminhar da cozinha até a sala.

 

– É sobre Yuri.

 

“De novo?!”. Podia ser ridículo, mas Taeyeon estava começando a ficar incomodada com isso. Era sempre Yuri isso, Yuri aquilo. Yuri era um tema presente e constante; quando Tiffany não estava relembrando alguma asneira que a confeiteira havia dito ou feito, estava preocupada que algo pudesse ter lhe acontecido de ruim. A Hwang super protegia a morena lesada e isso era um pouco maçante de acompanhar. Poxa! Yuri era uma mulher adulta, não uma criança de oito anos!

 

– Ela nos convidou para ir num acampamento.

 

Não era bem o que Taeyeon esperava ouvir, previa mais algum desastre da vida romântica da confeiteira. Ou mais alguma pérola solta durante o trabalho que virava assunto dos jantares das moradoras daquele apartamento.

 

– Como assim?

 

– Yuri, de algum jeito que ela não me explicou, faz parte de um grupo de escoteiros e vai acontecer um acampamento comemorativo, alguma coisa desse tipo. – Taeyeon assentiu. – Daí ela nos convidou para irmos nesse troço.

 

– Tippany… isso não parece nem um pouco-

 

– Eu sei! – cortou-a. – Mas é importante para a Yul, eu acho que devíamos ir. Ela sempre nos ajuda mesmo quando não pedimos, ficou tão preocupada quanto, talvez até mais, do que nós quando você foi internada. Nós devemos isso a ela.

 

A loirinha suspirou fundo, queria argumentar que não se sentia na obrigação de passar uma noite inteira em uma barraquinha no meio do mato, cercada de insetos mortíferos e animais silvestres transmissores de raiva. Entretanto não disse nada disso. Apenas concordou.

 

– Tudo bem, eu vou.

 

Não demonstrou um pingo de entusiasmo, mas sua resposta positiva foi o suficiente para receber um sorriso enorme de sua ex namorada e um abraço impulsivo. Estranhando o contato repentino não soube como reagir e ficou apenas estática. Abraço este que foi extremamente rápido mas comprido o suficiente para deixar Taeyeon nervosa. Ter Tiffany tão próxima era algo de uma raridade extrema em sua vida atual. Devia ser por isso que mínimos contatos físicos como esse eram o suficiente para deixá-la um pouquinho atordoada.

 

– Obrigada Taeyeon!! – ela a soltou. – Muito obrigada! Yuri vai ficar feliz em saber que você vai!

 

– Que bom! – sorriu.

 

– Agora você me ajuda numa coisa?

 

– O quê?

 

– A convencer a sunbae e Seohyun a irem com a gente.

 

 

 

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Mesmo tendo feito uma aliança com sua ex namorada Tiffany só conseguiu abordar suas colegas de moradia na semana seguinte. Seohyun não dava brecha alguma, o que limitava seus encontros com a Hwang somente na faculdade, onde mal tinham tempo de conversar direito já que suas disciplinas tinham mudado. Hyoyeon sequer considerou a ideia deixando claro que não iria de jeito nenhum. Porém Tiffany estava mesmo decidida a fazer a sunbae ceder. Ela estava até mesmo cogitando arrastar Jessica. Sabia que a Jung iria se conseguisse achar um lugar para ela morar.

 

Isso nem foi tão difícil assim. Jessica era preguiçosa para tudo, porque não seria para procurar uma moradia? É claro que ela não checou todas as opções disponíveis. Tiffany não duvidava nem um pouco que ela tivesse mantido suas pesquisas somente no bairro onde morava (ou no máximo no bairro vizinho) apenas por preguiça de se deslocar até o local para visitá-lo e avaliá-lo. Usando as conexões de Yoona no campus não foi nem um pouco difícil encontrar algumas repúblicas que estavam precisando de membros novos para rachar as mensalidades.

 

Tendo encontrado o lugar, Tiffany incumbiu-se de ir até lá com a própria Jung, para ela decidir se ficaria por ali mesmo ou se manteria na casa dos pais. Deixando Yuri avisada, Tiffany permitiu-se ir até a república antes de se encaminhar para o trabalho. As duas não conversaram muito no caminho, Jessica estava muito cansada e passou dormindo o tempo todo que estavam no ônibus. Quando chegaram na parada desejada Tiffany recebeu um olhar irritado ao acordá-la.

 

– É aqui?

 

Foi sua primeira reação ao encarar a casa de tijolos à vista. Parecia bem grande e espaçosa por fora. Tinha dois andares e um canteiro bem cuidado na frente, o portão branco até a altura da cintura estava entreaberto. Entraram. Um cartaz colado na porta acima do pequeno lance de escadas anunciava um quarto vazio. Tiffany tocou a campainha. Na verdade a garota não demorou para abrir a porta, porém passou tempo suficiente para Jessica reclamar e ameaçar ir embora.

 

– Pois não? – ela perguntou deixando a porta entreaberta, somente metade do seu corpo estava a vista.

 

– Viemos por causa do quarto.

 

– É só para uma pessoa.

 

Respondeu seca, analisando as duas de cima a baixo. A cara de nojo da Jung não ajudava em nada. Tiffany riu nervosamente.

 

– Sei disso, eu liguei ontem perguntando sobre ele.

 

– Era você? – assentiu, não estava impressionada. – Fui eu quem falou com você, podem entrar.

 

Ao entrarem Tiffany escutou Jessica cochichando “Não fui com a cara dela”. A Hwang conteve sua risadinha de cumplicidade. A moça não era muito simpática. Ela as conduziu até uma grande sala circular, onde várias portas podiam ser vistas. A decoração porém era bonita, os móveis todos pareciam muito novos e o lugar estava impecavelmente limpo.

 

– Esta é a sala de estar, que podemos usar para estudar, descansar ou só ficar matando tempo.

 

Explicou enquanto atravessavam o grande ambiente cheio de sofás coloridos e em formatos diferentes. Existiam duas mesas ali, uma com cadeiras bem dispostas e arrumadas e a outra em completa desordem; cheia de papéis, cadernos e com as cadeiras esparramadas. As duas seguiram a garota entrando pela maior porta da sala, a do meio, que era corrediça. Chegaram em uma grande cozinha, com duas geladeiras prateadas, um enorme fogão, duas pias e três mesas para quatro pessoas cada. Sem contar os dois armários.

 

– Aqui é onde fazemos as refeições, cada um é responsável pelo que usa e costumamos jantar todos juntos para evitar gastos.

 

– Tem toque de recolher ou algo assim? – Jessica demonstrou interesse pela primeira vez.

 

– Não. Você pode voltar a hora que quiser, se não aparecer no jantar sua comida será deixada dentro de um pote com o seu nome na geladeira.

 

– Quantas pessoas vivem aqui?

 

– No momento nove.

 

– Nossa, é bem grande a casa.

 

– Sim. – a garota voltou-se para a porta da cozinha, impassível. – O quarto é no andar de cima.

 

As três retornaram para a sala, subiram as escadas e chegaram em um grande corredor. Sua guia lhes explicou que haviam três banheiros na casa, um no andar de cima e dois no andar de baixo. O quarto disponível era um dos últimos do corredor. Não compartilhava da grandiosidade do resto da casa, sendo pequeno, mesmo assim era bem decorado, tinha um roupeiro grande e estava tão limpo e arrumado quanto o resto da república.

 

– O que achou?

 

– É legal. – Jessica não demonstrava entusiasmo. – Quando é a mensalidade?

 

– Isso aqui. – ela entregou um pedaço de papel para a outra. – Aí estão especificadas todas as taxas de aluguel, se tiver alguma dúvida pode perguntar para a Junhee.

 

A garota fez menção de sair do cômodo, simplesmente se virando.

 

– O quê?

 

– Eu preciso ir trabalhar. – afirmou como se fosse a coisa mais óbvia do mundo – Junhee deve estar lá embaixo no quarto dela, vou pedir para que venha aqui em cima.

 

Após falar, sacou o celular pondo-se a digitar rapidamente. Sem se despedir apenas foi embora. Tiffany a odiou desde o começo, tinha se arrependido de tudo que havia feito até aqui. Se soubesse que seriam tratadas como um incômodo por essa desclassificada jamais teria gastado seu precioso tempo em tal atividade. Virou-se para sua amiga que estava lendo concentrada o pedaço de papel que tinham recebido.

 

– Ela é nojenta. – Jessica falou adivinhando o que Tiffany diria. – Mas uma moradora nojenta não vai tirar tantos pontos assim desse lugar.

 

A segunda frase pegou a Hwang totalmente de surpresa, esperava que Jessica estivesse odiando tanto quando ela. Tudo bem, precisava dar um desconto, a república era muito melhor do que tinha pensado.

 

– Você pretende ficar por aqui?

 

– As mensalidades não são tão salgadas assim e o quarto é até melhor do que aquele que eu tinha antes. A localização é boa também, fica perto de casa e tem uma estação de metrô aqui do lado, vai ser fácil ir para a faculdade.

 

– Isso se Yuri não quiser vir te buscar. – Tiffany riu no que Jessica a encarou sem entender o motivo do riso. – A padaria também não é longe.

 

– Ah...

 

– Oi? – o cumprimento desajeitado foi ouvido junto com uma batida tímida na porta que estava aberta.

 

Ela era mais ou menos da altura de Jessica, tinha franjas compridas e um ar dócil. Trajava um abrigo cinza e uma regata branca. Seu cabelo estava preso em um rabo de cavalo e calçava tênis de corrida. Pelas bochechas rosadas podia-se dizer que estava correndo antes de chegar ali. As duas responderam ao seu chamado com um olhar confuso e se perguntavam claramente quem era ela.

 

– Meu nome é Junhee. – disse ainda sem jeito. – Nayoung me mandou uma mensagem dizendo que vocês estavam interessadas no quarto e me pediu para-

 

– Claro! – Jessica a cortou. – Sim, ela nos disse antes de ir embora sem mais nem menos. – Junhee sentiu a alfinetada dando uma risadinha nervosa enquanto defendia sua possível amiga.

 

– Nayoung é assim mesmo. Ninguém vai muito com a cara dela aqui. – deu de ombros. – Mas o que a gente pode fazer?

 

– Tem razão. – Jessica se levantou estendendo a folha que antes tinha recebido na direção da recém chegada. – Onde que eu assino para ficar com o quarto?

 

 

 

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– Eu achei que você não quereria ficar depois do que aconteceu.

 

Jessica riu.

 

– Eu não perderia um lugar daqueles só por causa de uma nojenta mal amada. – ela se virou para sua amiga no banco do ônibus. – Agora me diga porque você arranjou isso para mim? Eu lembro de ter comentado sobre procurar um lugar para morar, mas nunca pedi para você fazer isso por mim.

 

– Yoona me contou casualmente se eu não conhecia alguém interessado em uma república, um amigo seu estava a procura de gente para vir morar aqui.

 

– Não é que o bicho-pau serviu para alguma coisa! – ela riu consigo. – Estou te devendo uma.

 

Finalmente Tiffany estava satisfeita. Jessica tinha dito o que tanto queria ouvir. Tentou não se afobar senão pareceria suspeita, infelizmente para si o prazo para enviar a confirmação de quantas iriam no acampamento de Yuri estava quase estourando. Precisava delas o mais depressa possível. De preferência conseguir uma confirmação de todas antes da sexta. Era quarta.

 

– Já que tocou no assunto-

 

– Lá vem… – resmungou cruzando os braços.

 

– É aniversário de Yuri e ela queria muito que você fosse.

 

Jessica a encarou duvidosa. Era estranho, se Yuri estivesse fazendo aniversário teria convidado-a ela mesma. Porém ela e Tiffany eram bastante próximas e não soava tão suspeito a Hwang efetuar o convite.

 

– Eu não lembro de ser o aniversário dela.

 

– Jessica você não sabe nem a data do meu(i) aniversário! – retrucou.

 

– Isso é verdade.

 

– Você vai? – tentou não depositar tanta expectativa na pergunta.

 

– Não sei ainda, Yuri é estranha e irritante. – ela virou o rosto. – Onde vai ser a festa?

 

– É tipo uma festa alternativa, vai ser em um camping, os convidados vão poder acampar.

 

– Tiffany você sabe que eu odeio mato! – primeiro uma reação negativa, o reflexo que Jessica tinha de reclamar de tudo que lhe expunham.

 

– Mas pense que vai ser bom tirar umas férias do ar poluído da cidade e descansar. – a Jung agora ao menos olhava para ela. – Você andava se queixando que estava muito estressada e um final de semana no campo pode ser bom. Mudança de ares faz bem para a pele.

 

Ok, Tiffany estava inventando muita coisa. Mas já tinha iniciado uma mentira irreversível, precisava manter sua farsa até o dia do acampamento, lá, na frente de um número considerável de testemunhas, sabia que Jessica não ousaria fazer nada demais. Tinha um pouquinho de medo de acordar coberta por formigas carnívoras destruidoras que comem gente, porém Yuri lhe confirmou que esta espécie não existia no seu continente e isso a deixava mais tranquila.

 

– Parece realmente interessante… – Tiffany se animou por uma resposta positiva. – Mas eu não vou.

 

O tom definitivo foi como um tapa na cara. Poxa! Jessica podia ser legal para variar, e não pensar somente nela de vez em quando, entretanto a Hwang temia que esse dia não chegasse nunca.

 

– Eu percebi que tinha alguma coisa estranha quando você me ligou do nada dizendo que achou um lugar para eu morar. – Jessica balançou a cabeça de leve. – Eu sequer tinha pedido para você fazer isso por mim, então suspeitei na hora que você estava sendo gentil com segundas intenções. Pode falar, o que aquela sem noção quer agora?

 

– Aigoo! Você é demais sabia!

 

– Eu sei. E digo isso a mim mesma todos os dias. Agora me fale o que Yuri está aprontando!

 

Totalmente derrotada Tiffany sabia que não tinha mais motivos para esconder a verdade de sua amiga irritante.

 

– Yuri faz parte de um grupo de escoteiros e nesse sábado vai acontecer um acampamento especial de aniversário do grupo ou algo assim. – Jessica a encarava com uma descrença zombeteira. – Não me olhe desse jeito! – reclamou irritada, a Jung riu.

 

– Você fez tudo isso para deixar a padeira sequelada feliz, tem certeza de que não gosta dela?

 

– Vai se foder escrota.

 

 

 

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Taeyeon se encontrou com Seohyun na biblioteca onde esperava achá-la. Estava a par de toda a situação por Tiffany. Tinha presenciado os momentos mais marcantes daquele apartamento; Yuri caminhando nua pela casa; Seohyun envergonhada e Hyo-sunbae completamente sedenta por informações. Foi um fiasco um tanto desnecessário. Ela compreendia a grandeza da situação, só achava o interrogatório da sunbae muito rude e um mal sem motivo. Seohyun tinha ficado 100% mais sem graça por causa disso. E a sunbae sem noção sequer pediu desculpas pelo que tinha feito.

 

Tiffany disse a Taeyeon que a maknae estava evitando a casa por que tinha receio de poder esbarrar com Yuri. Porém a loirinha acreditava que Seohyun só estava magoada com a indelicadeza de Hyoyeon. A sunbae era muito impulsiva e nunca percebia quando suas perguntas estavam machucando alguém. Seohyun era tímida e fechada quando se dizia respeito a sexo, e em seu interrogatório um tanto insensível a sunbae adotou uma postura que não condizia com a personalidade pudica de sua interrogada. Por causa disso Taeyeon esperava que as duas se entendessem o mais breve possível, aquela casa não era mais a mesma sem a doce maknae reclamando que suas unnies nunca faziam nada que ela pedia.

 

– Taeyeon-unnie! – a garota abanou ao avistar a loirinha que estava parada próxima ao prédio que pretendiam entrar.

 

– Olá Seo! – Taeyeon abraçou-a, pegando a garota de surpresa. – Estava com saudade! Você mal apareceu a semana toda! – reclamou enquanto entravam na biblioteca.

 

– Eu estive ocupada. – até mesmo a própria Seohyun sentiu que sua desculpa foi vazia demais e tratou de incrementá-la. – Meus pais precisavam de um pouco de companhia, estavam se sentindo muito sozinhos.

 

– É uma competição injusta, confesso. – Taeyeon se vitimizou. – Mas nós todas estamos sentindo sua falta.

 

A maknae encarou sua unnie em silêncio, pretendia dizer alguma coisa, Taeyeon percebeu. Ao invés disso conteve seu ímpeto e perguntou com um sorriso como estavam as outras duas.

 

– Tippany está muito bem, ela agora trabalha normalmente. A sunbae está bem mas relaxada em tudo. – ela riu balançando a cabeça, censurando Hyoyeon. – Sem você por lá não há ninguém capaz de controlá-la, então ela só faz o que quer.

 

Seohyun cruzou os braços em reprovação. Tinha se esforçado tanto para que sua sunbae tivesse alguma melhora no que dizia respeito a sua convivência com os demais e sua vida acadêmica. Agora sentia a pouquinha esperança que tinha de Hyoyeon mudar de hábitos sendo esmagada sem piedade alguma pelas palavras de Taeyeon.

 

– Eu fui boba em achar que ela pudesse ter mudado.

 

A loirinha se espreguiçou, esticando as pernas em baixo da mesa enquanto bocejava.

 

– Não posso dizer que ela não mudou, – Seohyun olhou para ela imediatamente, atenta – Ela não deixa mais as roupas espalhadas pelo quarto e lava a louça sem que a gente precise pedir cinquenta vezes, mas nada que a gente faça vai convencer ela a não chegar em casa de madrugada quase todos os dias. Ela disse que tirar o lixo é uma atividade que não vai fazer nunca.

 

A maknae riu consigo. Conseguia visualizar perfeitamente sua companheira de quarto reclamando das ordens recebidas enquanto mudava de assunto estrategicamente para trazer a tona algum tópico sem importância que desviasse a atenção da tarefa que ela supostamente devia realizar. Hyoyeon era tão previsível. Taeyeon observava as mudanças na mais nova a medida que falava, cada vez mais convencida estava de que Seohyun queria apenas um pedido de desculpas por parte da sunbae. Ao perceber que fora pega, a maknae se recompôs, trazendo a Seohyun séria e estudiosa de volta.

 

– Você tinha dito que queria conversar comigo. – colocou uma mecha de cabelo para trás da orelha. – Sobre o que era?

 

— É sobre Yuri.

 

 

 

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Enquanto voltava para casa depois do trabalho Tiffany foi surpreendida no meio do caminho por uma ligação de sua mãe. Ficou receosa de atender e deixou que caísse na caixa postal da primeira vez, porém ela ligou de novo e ainda relutante atendeu. A conversa que tiveram não foi turbulenta como ela esperava, sua mãe só estava preocupada.

 

– Por favor me ligue de volta! Não precisa ser toda semana. Só me deixe saber se você precisar de alguma coisa, você tem se alimentado direito?

 

– Eu estou bem omma!

 

Ela tentou não soar grossa, porém sua frase veio carregada de um tom afetado, como se ela estivesse odiando a conversa que tinha.

 

– Eu só estou preocupada com a minha filha! Você acha que está tudo bem em aparecer aqui aqui, brigar com o seu pai e sumir completamente!?

 

– Omma.

 

– Me desculpe, eu me exaltei. – a linha ficou muda por alguns segundos. – Eu sei que você e o seu pai se desentenderam, mas você ainda tem mãe e irmãos, sua família não virou as costas para você Miyoung, não esqueça disso.

 

– Eu vou ligar com mais frequência.

 

– Obrigada. Agora não vou tomar mais o seu tempo. Só faça o que disse que vai fazer. Eu me preocupo, se puder venha nos visitar algum dia.

 

– Podemos combinar.

 

Ela não teve tempo de dizer mais nada, sua mãe desligou. A conversa foi breve porém longa o suficiente para Tiffany percorrer o resto do caminho com as palavras de sua mãe frescas na memória. Ela tinha agido mal, ignorou as ligações e mensagens de sua mãe por tempo demais. Isso não era certo, muito menos justo. Sua mãe não tinha feito nada errado. Ela não sabia. Não fazia ideia do que seu marido havia dito e feito. Tiffany não queria contar para ela.

 

Quando chegou no apartamento encontrou apenas Taeyeon lá. A loirinha estava muito envolvida com algum filme que passava, Tiffany de cara não gostou, tinha sangue e tiros demais para o seu gosto. Rumou direto para o banheiro. Era quinta feira, no outro dia não teriam aula pois era feriado. Estava cansada porém sentiu uma vontade enorme de sair de casa. Sua conversa com sua mãe talvez tivesse algum peso nessa sua decisão repentina. Se sentia mais leve, aliviada de um peso que nem sabia estar carregando. Ela agora percebia o quanto se sentiu culpada com tudo isso.

 

Retornou à sala, para sua sorte o filme horroroso parecia chegar ao fim, com um soldado destruído caminhando de volta para casa. Taeyeon estava a beira das lágrimas, e aproveitando aquele raro momento em que ela não repararia, Tiffany a observou atentamente. Os olhos gentis vidrados e cheios d’água, a pele clara, as mãos pequenas apertando emocionada uma almofada, as pernas curtinhas dobradas sobre o sofá, os cílios molhados pareciam mais longos, o rosto estava levemente corado e o nariz um pouquinho rosado. Nunca tinha achado-a tão bonita chorando. Surpreendendo a si mesma Tiffany foi tomada por uma onda de estranha melancolia agoniada e uma dor familiar que não lhe aparecia há anos tomou conta de seu peito, sentiu os olhos marejarem.

 

Negando-se a acreditar que estava chorando levantou e fez da cozinha seu refúgio enquanto secava os olhos e respirava fundo. Abriu a geladeira e só tirou a cara dali quando teve a certeza de que não seria pega desprevenida por outra onda de sentimentos que não devia ter. Já recuperada voltou para a sala, no intervalo em que saiu da sala Taeyeon havia desligado a TV e agora encarava a tela de plasma em silêncio, ainda agarrada em sua almofada.

 

– Esse filme é muito bom... – murmurou em seu transe.

 

– Então porque você estava chorando? – Tiffany não teve coragem de olhar para ela.

 

– Por que as coisas boas também me fazem chorar. – a loirinha virou o rosto na sua direção, os olhos procurando os de sua ex namorada.

 

– Você não costumava chorar.

 

Taeyeon riu fraquinho, deixando a almofada de lado.

 

– Algumas coisas mudaram.

 

Notando de canto de olho que ela estava com a cabeça baixa Tiffany fitou-a. No mesmo instante Taeyeon ergueu o rosto, sem pressa, sorriu docemente esperando que a Hwang falasse alguma coisa.

 

– Taeyeon você gostaria de-

 

O toque escandaloso do celular da Kim impediu-a de terminar sua frase. Taeyeon pegou o aparelho que estava na guarda do estofado, olhou de esguelha para sua ex, como fora interrompida Tiffany pediu, com um gesto mínimo de cabeça, que ela atendesse.

 

– Alô?

 

Tiffany conteve um sorriso ao visualizar a carinha intrigada de Taeyeon atendendo o celular.

 

– Junhee? – a baixinha se virou de costas por um instante – Hoje?

 

Estava de novo de frente para sua ex namorada, que cruzou os braços e as pernas, inclinando a cabeça para o lado.

 

– Sim, eu sei. – ela sentou no sofá novamente. – Não é isso… eu só- Não!

 

Tiffany olhou um pouco assustada pela mudança de tom na conversa. Estava tudo tão calmo e Taeyeon elevou muito a voz repentinamente. A loirinha estava com a mão livre segurando com força a barra da camiseta, encarava um ponto fixo no chão da sala.

 

– Vamos, vai ser divertido! – ela sorriu. – Por favor, sempre vamos onde você quer, acabou de abrir, vai estar vazio. Não, não. Eu volto para casa. Ok. Te pego às onze.

 

Taeyeon desligou, suspirando longamente enquanto relaxava no sofá. Tiffany manteve o olhar sobre ela, tentando lê-la assim como a loirinha fazia consigo, porém não detectou nada de revelador na postura de sua ex namorada.

 

– Junhee parece ser legal. – disse por fim, surpreendendo a outra.

 

– Você conheceu ela? – Tiffany fez que sim com a cabeça. – Quando?

 

– Hoje de tarde. Fui com Jessica procurar uma nova república para ela e Junhee nos atendeu.

 

– Jessica vai se mudar? – mais uma vez recebeu uma resposta positiva e muda para sua pergunta. – Para a mesma república onde Junhee mora?

 

– Tudo indica que sim. – Tiffany deu de ombros. – Elas se entenderam, Junhee é bem compreensiva e não reclamou da condição ridícula de Jessica.

 

– Condição?

 

– Jessica convenceu a garota a deixar ela demorar meia hora a mais no banho com alguma desculpa esfarrapada sobre uma alergia que a safada nem sabe direito o que é. Eu podia ter desmentido, mas não consegui sentir pena da Junhee. Sua namorada foi bastante burra acreditando naquela aproveitadora.

 

– Junhee não é minha namorada.

 

Taeyeon afirmou séria, deixando Tiffany surpresa pelo tom solene adotado de repente. A loirinha se levantou sem dizer uma palavra, estava a um pé do corredor quando se virou de repente, a Hwang se assustou, não esperava por essa ação súbita.

 

– Por que você teve um ataque de ciúmes com Seolhyun e está até falando bem de Junhee?

 

Tiffany ficava mais surpreendida a cada segundo com as atitudes dela. Que tipo de pergunta era essa? Descruzou os braços e se levantou. Chegou perto de Taeyeon, com ares de quem está prestes a confidenciar um segredo muito secreto.

 

– Vou responder. Só me prometa que nunca vai falar isso para outra pessoa, especialmente Jessica.

 

Taeyeon se alarmou, o que ela poderia dizer que seria assim tão terrível? Tiffany hesitou por alguns instantes, sua ex namorada entendia perfeitamente o que se passava com ela; estava nervosa e indecisa. Tomando coragem a Hwang decidiu falar o que jamais falaria de novo.

 

– Aquela vez na praia… bem, eu só não estava acostumada com a ideia de você estar com outra pessoa. Era estranho e parecia errado. – ela deu de ombros com um riso nervoso. – Agora eu não me importo mais. Não tenho esse direito.

 

Percebendo que Taeyeon não diria nada Tiffany tomou a liberdade de migrar para a sala novamente.

 

– Se divirtam! — disse retornando para o sofá — Hyoyeon mandou mensagem, pedindo para não esperarmos para o jantar, então tente não voltar bêbada, uma é suportável mas duas é demais!

 

 

 

++++

 

 

 

A sunbae tinha planejado alguma coisa com Jessica pela primeira vez desde que iniciaram seus encontros de múltiplo interesse, como chamavam. Tinham decidido, depois de muita discussão, irem a um karaokê, havia aberto um novo próximo à universidade e Jessica queria muito ir. Hyoyeon não entendia a obsessão dela com esse tipo tosco de entretenimento, porém concordou depois que Jessica disse não ver problemas em passarem em algum pub ou bar para beberem e comerem alguma coisa mais tarde.

 

Não estava nem um pouco preocupada com isso, já eram quase nove horas e a Jung ainda não tinha dado sinais de que apareceria. Caso ela não viesse, a sunbae, que era muito viva, já tinha seu plano B muito bem formulado e definido. Sem que a sua companheira dos encontros de múltiplo interesse soubesse, ligou para um par de amigos e pediu que eles a esperassem no Joker até as dez. Se ela não chegasse os rapazes e Yujeong não pensariam duas vezes antes de saírem para mais uma madruga de bebedeira e muita irresponsabilidade.

 

Por volta das nove e meia recebeu uma mensagem de Jessica, onde ela avisava que estava saindo de casa. Hyoyeon sentiu uma pontinha de decepção, internamente desejava que ela não viesse e fosse liberada para curtir com seus amigos como estava habituada a fazer. Ela não podia se esquecer nunca que sua convivência com a Jung não era das melhores, mesmo tentando se aturar as duas inevitavelmente brigavam por alguma besteira. Não interessava o tamanho da atração entre as duas, nada parecia ser capaz de impedir que o ódio que nutriam uma pela outra crescesse.

 

Cansada de esperar e imaginando o que seus amigos poderiam estar fazendo não se deu conta de que alguém estava parada em pé pouquíssimos passos atrás de si. Seohyun havia congelado, tinha passado tanto tempo sem ter qualquer tipo de contato com a sunbae que quando a viu não soube bem como reagir. Sua inatividade foi percebida e Hyoyeon se virou pronta para apresentar ao tarado que lhe encarava todos os palavrões que havia aprendido na última sexta-feira em uma partida de pôquer.

 

– Seohyun?! – arregalou os olhos um pouco assustada. – O que você está fazendo aqui?

 

A agressividade da pergunta foi recebida com um sorriso quase imperceptível. Seohyun tinha sentido falta disso.

 

– Eu marquei de vir ao karaokê com alguns colegas da faculdade, ele abriu no final de semana passado e muita gente está falando bem daqui.

 

Hyoyeon assentiu. As duas ficaram ali paradas em silêncio. Vários transeuntes passaram por elas, não dando atenção para as duas jovens encostadas na frente do karaokê. Um grupo de amigos entrou no estabelecimento, passando reto por aquele tipo estranho de porteiro.

 

– Quando você vai voltar pra casa? – Hyoyeon quebrou o silêncio.

 

– O quê?

 

Seohyun encontrava-se estupefata. Jamais esperaria tal pergunta por parte da sunbae, sempre tão indiferente a vida dos outros que apenas orbitavam ao seu redor.

 

– Eu perguntei quando você vai voltar para casa.

 

Ela estava séria, isso apenas deixava as coisas mais complicadas. Diante do silêncio de sua hoobae, Hyoyeon decidiu melhorar sua pergunta.

 

– Taeyeon e a Hwang sentem sua falta. – depois de uma breve pausa acompanhada de uma olhada para o lado ela complementou. – Eu também sinto.

 

Infelizmente para Hyoyeon, ela não foi capaz de camuflar a autenticidade dessa frase. Seohyun captou-a imediatamente, sentindo-se imensamente feliz, como não sentia desde aquela manhã em que foi interrogada apenas por dormir com Yuri. Não pediria por desculpas, entendia desde o começo que jamais as teria do jeito habitual. Hyoyeon nunca se ajoelharia e imploraria pelo perdão alheio como as pessoas normais. “Me desculpe, eu sinto muito, foi mal.” Esperar por essas palavras da sunbae era uma causa tão perdida quanto fazer Jessica acordar cedo nos domingos.

 

– Eu precisava de um tempo para mim. – confidenciou a maknae.

 

– É bom arejar as ideias de vez em quando. Eu estou doida pra fazer isso.

 

Hyoyeon virou-se para Seohyun. As duas continuaram em silêncio por algum tempo. Até que a sunbae o rompeu novamente:

 

– Quer mesmo ir no karaokê?

 

Seohyun sorriu.

 

– Você tem outros planos?

 

– Garanto que vai ser mais divertido do que ficar escutando seus amigos desafinarem por duas horas consecutivas!

 

– Tudo bem então, para onde vamos? – perguntou rindo.

 

 

 

++++

 

 

 

Quando Taeyeon pegou o táxi para voltar para casa se arrependeu de ter bebido o que bebeu. Não havia necessidade alguma de ter secado aquelas latas sozinhas, então porquê chegou a tanto?

 

– Idiota. – resmungou colando a cabeça no vidro gelado do carro.

 

O taxista a observou de esguelha. Ele devia ter seus quarenta anos, talvez um pouquinho mais e tudo o que o homem mais queria evitar eram jovens abelhudos que não sabiam se comportar fora de casa. Detestava dirigir para pessoas embriagas, sempre ficava morrendo de medo de um possível vômito inesperado. Taeyeon se sentia zonza. Junhee havia dito para ela parar em algum momento próximo as duas e meia. Porém a loirinha estava irritada e não lhe deu ouvidos. Sim, era isso. Tinha ficado brava.

 

Fazia tempo que não se sentia assim. A sensação era parecida com a de usar um sapato novo ainda não amaciado. Um mal irritante e que gera bastante incômodo, porém inevitável, ou você usa o sapato até ele tomar forma ou o abandona em algum canto. Era clichê mas alguns incômodos devem ser superados. Riu nasalmente.

 

– Eu preciso me acostumar… – disse com um tom de deboche.

 

– Falou alguma coisa? – o motorista perguntou.

 

Taeyeon não respondeu o homem, não disse mais palavra alguma até chegar na frente do seu prédio. Pagou o cara e desceu do carro, o táxi arrancou no momento que ela fechou a porta, como ainda estava encostada no carro, quando ele foi embora perdeu o apoio e consequentemente o equilíbrio, despencando no chão. Caiu de joelhos, sujando sua calça jeans, um dos cotovelos deslizou no asfalto e sua queda foi aparada por uma das mãos. Sentou no chão.

 

– Babaca!

 

Xingou o taxista, procurando o carro que a essa hora já devia ter dobrado a esquina. Afiando a visão deparou-se com um vulto capenga que se aproximava com dificuldade. Levantou-se devagar enquanto sentia a cabeça girar, sua palma da mão ardia e o cotovelo esfolado estava sangrando. Esperou que o vulto capenga se aproximasse e a medida que ele chegava mais perto o reconhecia; não se tratava de um único ser humano absurdamente alto e trôpego, mas de duas criaturas se apoiando uma na outra para conseguirem caminhar. Poucos metros de si estava uma Hyoyeon podre de bêbada sendo carregada por uma Seohyun estafada.

 

– Taeyeonni!! – Seohyun gritou quando se reconheceram.

 

A Kim soube imediatamente que ela também tinha bebido, sem pensar duas vezes abriu o portão.

 

– O que houve com a sunbae?

 

– Ela bebeu demais né! – a maknae riu fraquinho. – Ela sempre faz isso.

 

– Não acrediche nela Kim! – Hyoyeon berrou. – Eu não bebi demais, shó o shuficiente… – ela bocejou, a cabeça pendendo devagar.

 

– Vem aqui Seo, eu te ajudo a carregar.

 

As duas sofreram para levar a sunbae até o terceiro andar. Hyoyeon só falava gritando e depositava todo o peso do corpo nos braços sofridos de suas hoobaes que não estavam tão sóbrias assim. Quando chegaram no andar que tanto buscavam Tiffany já estava abrindo a porta e as recepcionou de pijama e robe.

 

– Chippanyyyy! – Hyoyeon começou a rir. – Vochê tá parecendo aquela vela…

 

– Eu pedi para vocês não beberem demais!

 

– Desculpa unniee! Eu tentei, mas ela não me obedeceu. – Seohyun tentou se explicar, mas só evidenciou que não estava sóbria.

 

– Taeyeon o que aconteceu com você?! Por que tá toda ralada?!

 

– Eu tropecei. – disse se jogando no sofá.

 

– Unnieee! Me ajuda! Ela é muito pesada. – implorou a maknae que fora abandonada com uma Hyoyeon semi-consciente sobre si.

 

Tiffany foi ajudar a mais nova a pôr sua sunbae para dormir. Pouco depois das três entrarem para os quartos Seohyun voltou à cozinha/sala, desta vez de pijama; uma camiseta de manga comprida e um short frouxo. Seo pegou uma garrafa de água na geladeira e foi tomando até o sofá, onde ofereceu a bebida à Taeyeon.

 

– Valeu. – a loirinha aceitou, Seohyun se sentou ao seu lado.

 

– Unnie você está bem?

 

Sem nem escutar a pergunta que sua dongsaeng fazia Taeyeon disse o que estava rondando seus pensamentos há horas.

 

– Ela não liga mais.

 

– Quem? – Seohyun estava confusa, não apenas pelo álcool em seu sangue.

 

– Ela não se importa mais. – Taeyeon lhe devolveu a garrafa de água, passando a fitar Seohyun. – Eu queria que ela ainda sentisse ciúmes de mim.

 

– Sua mão está machucada. – a maknae a ignorou, classificando suas palavras como asneiras sem sentido de uma pessoa embriagada. – Vou pegar alguma coisa para passar aí.

 

Dito isso se foi pelo corredor com a garrafa de água em mãos. Quem voltou foi Tiffany com água oxigenada, um antisséptico, esparadrapos e gaze para concertar o cotovelo de sua ex namorada.

 

– Tente não se mexer. – pediu enquanto aplicava a água oxigenada na ferida.

 

Taeyeon se comportou direitinho, não arrancou o braço quando sentiu a ardência do machucado sendo limpo e deixou que Tiffany fizesse o curativo sem surtar por ter medo que ela a furasse com a tesoura sem querer.

 

– Você costumava gritar e espernear quando eu limpava seus esfolados, que bom que mudou. – Tiffany sorriu satisfeita finalizando o curativo. – Pronto!

 

– Você costumava se importar comigo… – Taeyeon murmurou de volta.

 

– O quê? — perguntou de volta pois não tinha sido capaz de compreender aquele murmúrio enrolado.

 

– Eu estou indo dormir, obrigada Tippany. – disse se levantando, enquanto caminhava para o corredor pechou sem querer com o ombro em uma parede.

 

– Cuidado Taeyeon! – Tiffany se levantou alarmada. – Quer ajuda?

 

– Não.

 

Disse sucinta, indo direto para o quarto desta vez. Ao se ver sozinha Tiffany suspirou cansada, apagou as luzes e fechou a geladeira que Seohyun tinha deixado aberta. Com isto feito foi para o seu quarto. Sem nem acender as luzes deitou-se na cama. Estava exausta. Teve que lidar não com duas, mas com três bêbadas, tudo o que queria ter evitado naquele dia. Suspirou novamente, se virando de lado na cama. Não estava conseguindo dormir, mesmo com a casa mergulhada em silêncio. Estava fechando os olhos quando seu celular vibrou em cima da pequena cômoda. Apanhou o aparelho, era Jessica quem ligava.

 

– Tiffany?

 

– Oi.

 

– Avise Yuri que eu vou na festa, acampamento,  ou o caralho a quatro que isso seja!

 

– Como?!

 

– Você é surda? Eu disse que vou!

 

– OK, posso saber o que te fez-

 

O som característico da ligação sendo cortada impediu a Hwang de terminar a formulação de sua pergunta. Pelo tom de voz e a rapidez da ligação Tiffany entendeu que Jessica estava irritada com alguma coisa. Estranhou toda a atitude o que só piorou seu caso de insônia. A atitude incomum da Jung não era o principal motivo para não conseguir pregar o olho, sem querer, enquanto retornava à sala escutou a conversa de Taeyeon com a maknae. E para seu azar escutou aquela frase que não saia mais da sua cabeça.

 

“Eu queria que ela ainda sentisse ciúmes de mim.”

 

 

 

 

 

 

++++

 

 

 


Notas Finais


Foi isso desta vez mores xD espero que gostem!

Os capítulos seguintes não vão demorar dois meses para sair, prometo!

Bjs e até o próximo <3 <3


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