História Eu tinha uma amiga chamada Lara. - Capítulo 12


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Capítulo 12 - Laço (parte 2).


Fanfic / Fanfiction Eu tinha uma amiga chamada Lara. - Capítulo 12 - Laço (parte 2).

Depois do sonho meus pensamentos se espalharam para cada parte da minha mente, Irene ainda dormia nos meus braços. Eu não acredito no sobrenatural nem nessa coisa de destino, mas eu e Ana sempre quisemos ter uma filha, deve ter sido por isso que me apeguei à Irene tão rápido. Sonhos são estranhos.

Andei lentamente até a sala, não queria incomodar Irene e Desirée. Quando chego na sala, Desirée está jogada no sofá com umas sete garrafas de cerveja vazias ao redor. A raiva me veio na hora, chutei o sofá e ela acordou num susto. 

- O que é isso? - por que eu pergunto se eu já sei?

- Eu te pago depois pela caixa - ela estava falando embolado, fez menção de voltar a dormir. Chutei o sofá e ela se assustou de novo.

- O problema não é a caixa de cerveja. Por que você bebeu ontem à noite? Com uma menina recém chegada aqui pois a mãe e o padrasto tem problemas com drogas e você faz isso!? - chutei o sofá de novo. 

Ela ficou em silêncio, parecia que a ressaca era maior que a consciência dela. - Eu e o Rik - começou -, conversamos ontem pelo celular. Ele disse que não quer mais me ver. Já deve estar com outra.

- DEVE? - essas coisas com minha irmã me deixa nervoso, não queria gritar. - Ele já deve tá com outra desde que você saiu da cidade, e você sabe disso, mas prefere ignorar a realidade e encher a cara... - ela ficou me observando por um tempo. - POR QUE UMA VEZ NA VIDA, NÃO TENTA SER NORMAL!? - chutei as garrafas que estavam na minha frente, não tão fortes que quebrassem, mas fez muito barulho.

- O que você faz da sua vida que te torna tão especial, Koda? - ela sempre usa deboche pra discutir comigo.

Olhei para o corredor e Irene estava observando tudo, meio assustada, mas nada que ela nunca tenha visto. - Eu não sei, eu só sei que vou sair e quando eu voltar eu quero essa casa bem limpa.

Entrei no meu quarto, Irene estava sentada na cama, eu a abracei e falei: "Desculpa você ter que ouvir essas coisas". Sempre falavam isso pra mim quando eu era menor, achei que com ela funcionaria.

- Vamos no shopping? - perguntei. - Vamos tomar café lá. A tia Deise tem que arrumar a casa, e não queremos atrapalhá-la.


Estávamos na frente do Califórnia Coffe, entramos, eu pedi um café sem açúcar bem forte pra mim e um capuccino de chocolate pra Irene.

- Por que a tia Desirée te chamou de "Koda"? - perguntou depois de beber o capuccino.

- É meu apelido de infância, ela me chama assim desde sempre.

- Entendo...

- Por que aqueles moleques estavam atrás de você?

- Quando minha mãe me expulsou, eu comecei a roubar para ter o que comer. Aí eu roubei o dinheiro deles, e agora estão atrás de mim.

- Estavam! Não vão mais te incomodar.

Ela deu um sorriso tímido, antigamente ela me olhava com receio, mas hoje ela se sente segura comigo. Andei com ela pelo shopping, comprei roupas e tudo que ela precisava, até remédios para lesões. Mesmo o padrasto dela tendo abusado dela, Irene não tem medo de se aproximar de mim, ela sabe que eu nunca faria nada pra machucá-la.

Se passou uma semana, Irene está amando morar lá em casa, não conseguimos chegar até a polícia, pois no fundo eu queria que ela ficasse, eu a tratava como uma princesa, e Desirée também, apesar de ela estar bebendo muito e tendo crises de choro por causa do ex-namorado. 

Eu tinha parado de ter os sonhos com Ana, acho que eu realmente Irene fez bem, Ana e eu podemos estar em paz agora, com nossa filha! Eu cheguei em casa depois de ter comprado o sanduíche favorito dela. Ela foi descansar à tarde depois de rir muito com Deise fazendo palhaçada.

Eu fui até o quarto e me sentei do seu lado, na cama, eu a balancei. - Irene, trouxe seu sanduíche - ela continuou dormindo, a balancei mais forte, e nada. - Irene?

Eu toquei no pulso dela, não estava sentindo, ela estava fria, chamei Desirée. Eu a peguei nos braços, parecia nevar dentro do quarto, o frio estava em todo lugar, Irene simplesmente não acordava, Irene simplesmente... Eu tinha que aceitar, que ela estava morta.

Foi difícil, ver ela sendo levada, o caixão se fechando. Ela teve câncer no pulmão, ela não fumava mas o lugar onde ela vivia todos fumavam, o tumor provavelmente era maligno, e ninguém a ajudou... Nem mesmo eu. Na noite seguinte, não sonhei nem com Ana, nem com nada.


Lara chegou com suas tranças e a velha mochila amarela cheio de desenhos dela. Todos comentavam sobre Irene. - Muito triste o que aconteceu com a menina, você a a conhecia?

Eu só queria chorar sangue, e sangrar lágrimas, eu saquearia o inferno só pra ver o sorriso de Irene de novo. Foi tão rápido, foi tão...

- Não. Não conhecia.




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