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História Eu Tu Ele - Capítulo 6


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Capítulo 6 - "Nossa segunda lua de mel"


Nem Atsumu nem Tobio foram no jogo de domingo. Não por terem brigado ou separado de vez, mas justamente pelo contrário. 

Depois de Kageyama contar o que tinha feito na noite anterior, os dois conversaram por várias horas. Se desculparam um com o outro, expuseram seus motivos (ou falta deles), falaram como estavam se sentindo, o que esperavam um do outro, o que esperavam do casamento. Falaram do passado, presente e futuro, dos erros e acertos, sobre a casa, sobre o bairro, sobre o trabalho, sobre a rotina. 

Falaram novamente sobre ter ou não ter filhos, sobre ter ou não ter animais de estimação, sobre ter ou não ter mais plantas, sobre os possíveis destinos de uma próxima viagem. E se comprassem um barco? Um trailer? Uma casa na praia? 

Só perceberam quanto tempo tinham passado conversando quando a casa começou a ficar escura com o anoitecer. Fizeram juntos o jantar sem parar de conversar sobre as possibilidades para o futuro. 

Com absolutamente nada determinado, mas com a certeza de que ainda tinham um longo futuro juntos pela frente pra decidir, eles foram dormir. Atsumu fez questão de abraçar Tobio, aconchegando sua cabeça sobre o peito dele, ainda afetado pelas noites solitárias no sofá do irmão. 

- Eu confesso que fiquei aliviado por você ter ido atrás do Hinata. - Atsumu disse depois de alguns minutos em silêncio. 

- Como assim? - Tobio quis saber.

- Se só eu tivesse feito merda, eu ia me culpar pelo resto da vida. Você é tão perfeito pra mim que foi lá ser estúpido também pra eu não me sentir tão mal.

- Eu vou fingir que isso foi um elogio, porque sou tão perfeito a esse ponto. 

- Te amo. - Atsumu disse rindo, mas sério. 

- Também te amo. 

Ficaram abraçados em silêncio de novo alguns minutos, os dois sabendo que o outro estava acordado ainda apenas pelo ritmo da respiração. 

- Você sabia que o Hinata é jogador de vôlei? Tipo, de verdade? - Tobio perguntou do nada, entregando exatamente onde seus pensamentos estavam. 

- Ele me disse! Falou que a temporada não começou ainda ou algo assim... 

- Ele parecia bem… ãhn... 

Atsumu levantou a cabeça para olhar o marido que claramente envergonhado virava o rosto para o outro lado, arrependido de ter iniciado o assunto.

- Parecia bem o quê, Tobio? - ele disse segurando o rosto dele para que o olhasse de volta. 

- ... atlético? - Kageyama disse finalmente, com o rosto todo vermelho.  

- Gostoso pra caralho, você quer dizer? 

- Atsumu!  

- O quê? Está escrito na sua testa, só estou te ajudando a botar pra fora. 

- Não era isso que eu queria dizer, você sabe muito bem. 

- Aham, aham, sei... 

- Eu só puxei esse assunto porque pensei que talvez você pudesse pensar em voltar a frequentar a academia comigo, ou mesmo fazer algumas séries na academia do seu escritório, o que for mais conveniente pra você. - Kageyama falou ainda encabulado.

- Eu culpo Osamu por ter aberto um restaurante que só vende arroz. Não tenho como manter meu tanquinho à base de carboidratos. 

- Depois lembra de agradecer a ele pela estadia... 

- Ele que devia me agradecer pela companhia. 

- Tsumu...

- Tá, tá, eu vou agradecer e vou pedir pra ele incluir onigiris de arroz integral no cardápio, que tal? 

- Boa noite. 

Atsumu deu uma risadinha e se aconchegou no peito do marido de novo, que também se esforçava para parecer sério. Naquele clima bem mais leve e descontraído, eles finalmente dormiram. 

O domingo de manhã chegou e o relógio biológico de Kageyama o despertou um tanto tarde para os padrões dele, já eram quase oito horas. Atsumu ainda dormia, e de alguma maneira tinham invertido durante a noite, Tobio sendo a conchinha menor. 

Quando foi se levantar, Atsumu fez um barulho e, ao invés de abrir espaço para ele sair, o segurou e puxou de volta, mais para perto. 

- Onde você está indo...? - perguntou sonolento. 

- Já são quase 8h. 

- É domingo. 

- Eu sei. Não muda o fato de que são quase 8h. 

Atsumu não respondeu sobre o horário, apenas puxou ele para que se virasse e pudesse beijá-lo. Primeiro devagar e depois repetidamente, estalando os lábios por todo o rosto dele enquanto Tobio ria e se contorcia tentando fugir. 

- Vamos ficar aqui hoje, o dia inteiro. 

- Aqui onde? 

- Na cama. - Atsumu explicou. - É nossa segunda lua de mel. 

Kageyama não entendeu nada, mas não reclamou quando Atsumu se levantou e se sentou por cima dele, tirando a camiseta do pijama. 

- Nós meio que terminamos na quinta, casamos de novo no sábado, então hoje é nossa lua de mel. 

- Nós não terminamos nem casamos de novo, mas eu vou desconsiderar esse fato porque gostei da ideia. 

Entre risadas contidas e brincadeiras sobre não terem escovado os dentes ainda, eles se beijaram e trocaram carícias que começaram preguiçosas e foram ficando cada vez mais quentes. 

- Lembra aquela vez que você me fez gozar a seco duas vezes e depois quando finalmente me deixou ejacular, a gente precisou trocar a roupa de cama toda? - Atsumu perguntou entre beijos que desciam do mamilo, passando o umbigo e descendo pelas pernas levando junto a cueca de Tobio. 

- Lembro que no dia seguinte a senhorinha vizinha de baixo nos levou um bolo de chocolate pedindo gentilmente pra gente gritar menos porque ela era velha, mas não surda. 

Atsumu deu risada lembrando da cena, e de como o bolo era ruim. Suspeitavam que ela tinha trocado o açúcar por sal sem querer. Querendo.

- Vamos fazer isso de novo... não tem como vizinho algum ouvir nada nessa casa. - Atsumu sugeriu com malícia.

- Não subestime os ouvidos de pai do Suga, a filha do meio deles é mais silenciosa que um fantasma, acho que ele ouve os batimentos cardíacos dela. 

- Se ele nos ouvir, que nos traga um bolo também então. 

- Você realmente acha que a gente consegue fazer isso de novo? A gente tinha o quê, vinte dois, vinte três anos? 

- A gente não está velho, só está... fora de forma. 

Tobio olhava para ele cheio de dúvidas, então Atsumu devolveu um olhar de súplica. 

- Por favorzinho? - ele completou, depositando alguns beijos bem abaixo da linha do abdômen do marido. 

- Ok, mas sem gracinhas ou eu vou te amarrar na cabeceira.

- Por favor, me amarra na cabeceira, eu imploro! - Atsumu disse já se levantando e se posicionando. 

Tobio se segurou para não rir e continuar sério, afinal para aquilo dar certo, ele precisava incorporar um papel que há vários anos ele nem cogitava mais. 

- Eu vou precisar pegar algumas coisas. Se você precisa ir ao banheiro, vá agora. 

- Ai meu deus, isso está acontecendo mesmo….! - Atsumu exclamou emocionado - Quer dizer... sim, senhor. 

Atsumu foi praticamente correndo pro banheiro enquanto Tobio foi até o closet que eles dividiam. De um lado tinham as roupas dele e do outro, as de Atsumu. Ao fundo, um espelho grande e bem iluminado dava quase um ar de loja para o espaço. 

Ele abriu uma das próprias gavetas que era na verdade um compartimento específico que mantinha todas as gravatas organizadas. Atsumu acabava usando muito mais as dele por causa do trabalho, então era melhor usar uma das suas, que praticamente nunca eram usadas. 

Claramente havia uma preferência na coleção de Tobio, as gravatas eram quase todas em tons escuros de azul que sua irmã sempre dizia que combinavam com seus olhos. Ignorou todas elas em favor de uma que chamou sua atenção pela cor laranja vibrante. 

Era uma gravata que ele tinha usado em alguma festa temática de verão que exigia que todos os convidados usassem as cores da estacão, ou seja, certamente nunca mais usaria para nada. Era uma ótima escolha, já que ele queria simplesmente algo para amarrar as mãos de Atsumu. 

Não era como se a cor combinasse com ele, ele não tinha os cabelos laranjas como Hinata, por exemplo. Ele sim poderia usar uma gravata chamativa como aquela, continuar bonito e…

Um tanto alarmado pelo rumo dos próprios pensamentos, Tobio pegou uma gravata azul qualquer e fechou a gaveta imediatamente. Voltou apressado pro quarto vendo que Atsumu já o esperava, mas foi direto para o banheiro escovar os dentes, pegar uma toalha limpa e um frasco novo de lubrificante (que ele checou a validade rapidamente pois definitivamente não lembrava há quanto tempo tinha aquilo guardado sem uso). 

- Está pronto mesmo, Miya-san? - Tobio disse voltando pro quarto e dando ênfase ao tratamento diferenciado. 

- Sim, sim sim, sim senhor. Pronto demais, eu diria.

Tobio ficou olhando sério para ele pois não parecia nem um pouco pronto, mas sim totalmente ansioso e até um tanto desesperado, como um cachorrinho esperando pra brincar no parque. Kageyama ia precisar dar um jeito nele, exatamente como nos velhos tempos.

- Lembra quais são as palavras de segurança? 

- Vermelho para parar, amarelo para diminuir, verde para seguir. 

- Ótimo. Vamos começar.

 

______________


 

O almoço de domingo acabou virando um lanche da tarde, pois depois da manhã extremamente proveitosa eles dormiram de novo e só acordaram perto das 14h. Atsumu fez alguns sanduíches com geléia e pasta de amendoim e levou pro quarto ignorando os protestos de Tobio sobre não comer na cama. Como previsto, eles se sujaram e foi o suficiente para transarem de novo. 

Ao fim da tarde, Tobio finalmente pegou o celular para ver as mensagens de Suga que acumulavam desde a manhã.

 

Suga 8:55: “Vcs vem?”

Suga 9:03: “Kiyoko separou os times com base no nosso desempenho do mês e está furiosa q vcs não estão aqui. Disse q semana q vem vcs vão ficar cuidando dos bebês.” 

Suga 9:04: “Eu me ofereceria para ajudar, mas sabe, meu momento!!!”

Suga 9:08: “Cansamos de esperar, Hitoka está de quase oito meses, em pânico óbvio, mas vai ficar com os bebês. Isso coloca o Akaashi no time, mas não podemos deixar ele no mesmo time do Bokuto então Kiyoko vai jogar e o Bo ta de juiz. Estão felizes?! Culpa de vcs, só quero ver a zoeira.” 

Suga 10:37: “Plot twist, Kiyoko melhor spiker da história do Rainbow Hills, Bo está até chorando. Obrigado por nos proporcionarem essa descoberta. Ela disse q prefere ser levantadora, logo vcs estão com os dias de glória contados.”

Suga 10:41: “Por favor não me diga q não se acertaram ainda pq vou me sentir mal pela última mensagem, não foi isso q eu quis dizer. Vcs ainda tem muito tempo pela frente, mto amor no futuro!! Fiquem bem ♡♡♡”  

Suga 11:15: “Ainda não vi movimento algum na casa de vcs, estou começando a ficar preocupado. Vcs não tem porão né? Por favor não se matem, meu marido é policial e eu não ia ter como ajudar a esconder o corpo.”     

Suga 16:33: “Oficialmente preocupado agora, pelas seis vou bater na sua porta se não tiver dado sinal de vida.”

Kageyama 17:48: “Estamos bem, Suga!! Obrigado por se preocupar. Desculpa por furar o jogo.” 

    

Suga não demorou mais que meio minuto para responder de volta aliviado pelo retorno. Trocaram mais algumas mensagens em que Tobio agradeceu novamente por terem conversado e disse que tinha se acertado com Atsumu, que tudo ia ficar bem. 

    Depois disso, Kageyama finalmente levantou da cama, tomou banho e começou a arrumar algumas coisas da casa. Afinal, amanhã já seria segunda e eles voltariam à rotina de sempre. 

    Rotina essa que agora ele entendia que não era tão ideal assim. Mas o que poderiam fazer de diferente? Mesmo que gastassem uma fortuna comprando um barco ou um trailer, não era como se pudessem simplesmente entrar neles, esquecer todas as responsabilidades e sair pelo mundo. A rotina era necessária mas… precisava de algo a mais? Algo que gerasse expectativa pelos próximos finais de semana, quem sabe? 

    - Tem alguma coisa diferente que você tem curiosidade de tentar? - Tobio quebrou o silêncio deles enquanto dobrava as roupas recém tiradas da máquina de secar. 

    - Tá falando do jantar? - Atsumu perguntou sem parar de passar o ferro na gola de uma de suas camisas. 

    - Não... Tô falando da gente. Hoje foi incrível mas… tenho medo de que amanhã volte a ser tudo como estava antes e nada disso tenha valido de nada. 

    Atsumu parou de passar a camisa, apoiando o ferro do lado. Um tanto preocupado foi até Tobio o fazendo largar as roupas e olhar pra ele. 

    - Ei... Nada é à toa. Nós não precisamos ser máquinas de sexo com os feitiches mais malucos pra sermos felizes. Não é como se a gente não tivesse as nossas especialidades, não é? 

- Bom, meio que gastamos todas elas hoje. Fazer tudo de novo no final de semana que vem só vai fazer ser.... Bem… parte da rotina. - Tobio concluiu o pensamento. - E como vimos, é bem fácil ficar na mesma rotina por anos sem nem se dar conta, eu não quero isso de novo.

- Hm… E você acha que... Fazendo sexo diferente isso vai mudar?

Atsumu não parecia acreditar naquilo e conversando agora, Tobio percebia que também não. A rotina era algo muito maior que o sexo, era a vida deles como um todo.

- Eu vou pensar sobre isso. - Tobio disse finalmente. - Sobre a rotina. Talvez eu possa voltar a trabalhar na editora por um tempo, pode ser bom. 

- Sexo diferente pode ser bom também, não vamos descartar essa possibilidade totalmente. 

Os dois riram, trocaram beijos e voltaram aos afazeres domésticos.


Notas Finais


Peguem essa informação da gravata laranja e deixem bem guardada aí meus amores, ela vai ter o momento dela.

Nesse meio tempo se você quiser ler um BDSM KageHina bem feitichento, venha ler Doce Diabo. É Hinata Dom, sim, antes que você se assuste: https://www.spiritfanfiction.com/historia/doce-diabo-17587826

Nosso casal quase perfeito está de bem de volta! Unico problema deles agora é pensar como dar aquela animada na relação, sem essa confusão toda.
Descobriremos esse plano já no próximo cap: "Abaixo a rotina!"
Sexta, dia 26 de Fevereiro.

Me segue no twitter! https://twitter.com/k_ju


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