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História Eu, você e ele - Capítulo 15


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Notas do Autor


Oi gente! Finalmente chegou o final da primeira parte da fic!
Espero que gostem! Desculpem os erros de português!

Capítulo 15 - O som estrondoso: Fim da parte I


Ouço o som do “bip” do elevador e espero pacientemente sua porta se abrir, ando pelo corredor do prédio em meio a suspiros, relembrando as últimas horas que passei ao lado de Jungkook; o seu toque, o calor de sua pele, seu cheiro e o gosto delicioso de seus lábios macios. Mas, infelizmente tudo têm um fim. Sara, minha irmã, me ligou a alguns minutos extremamente nervosa e impaciente, praticamente berrando do outro lado da linha que era para eu retornar para casa, já que não havia dito a ela para onde havia ido e nem que horas voltaria.  

Ela está certa, por isso, a melhor coisa a se fazer é respeita-la e voltar para casa. Jungkook por cavalheirismo me deu o dinheiro do Uber após uma árdua discussão onde eu dizia que não precisava de seu dinheiro. O que é uma hipocrisia, afinal, o que eu tenho em meus bolsos é o restante da mesada do mês que meu pai me dera anteriormente, antes de nossa briga.  

Fico parada na rua, trêmula pelo frio cortante da noite, iluminada por um poste de luz e as estrelas nos céus. Dou um espirro. Talvez pular na piscina a essa hora da noite não tenha sido uma boa ideia.  

Enquanto observo a rua vazia a imagem de Jimin surge, seus cabelos lisos, o olhar penetrante, o corpo, tudo... Mas logo o sentimento reconfortante some ao me recordar de sua mentira. Ele mentiu para mim, mentiu que eu e Jungkook não tínhamos tido um caso em minha rápida passagem pela Coréia.  

Talvez eu deva chama-lo para conversar amanhã... É, talvez isso seja uma boa ideia...  

Ouço o som de uma moto rondando o quarteirão. Deve ser algum entregador de pizza desesperado pelo atraso de uma entrega.  

Mas, em questão de segundos, o barulho se intensifica, e quando percebo a moto está parada em minha frente.  

O motorista, escondido pelo capuz e roupas pretas, faz um sinal com a cabeça para que eu monte no passageiro. Automaticamente meu corpo fica completamente estático e trêmulo, dou um passo para trás, pronta para fugir, mas então um cano de alumínio surge do bolso do casaco do estranho, segurado por uma mão que antes estava escondida.  

— Se não subir eu te mato, aqui mesmo — Diz, em um sussurro, demonstrando firmeza e acidez na voz.  

Eu obedeço, mesmo sabendo que se eu sentar no banco desta moto não irei mais ver a luz do dia de amanhã. Espero que isso seja apenas um sequestro visando o lucro de um resgate.  

Talvez... Olho para todos os cantos, procurando por uma brecha de fuga. Mas não há nenhuma, nem mesmo um pedestre que eu possa demonstrar um grito de socorro em minha feição.  

Sento na moto.  

O indivíduo acelera rapidamente e quando percebo estamos cortando as ruas de São Paulo como uma bala, rápida e faiscante. Algumas pessoas nos olham entretidas e outras assustadas, provavelmente julgando em suas mentes a velocidade que estamos. Tento pedir socorro para elas, mas a moto chama mais atenção do que o difícil movimento de meus lábios contra o vento gélido. Penso em me jogar ou empurra-lo para o lado para que nós dois possamos cair, mas a essa velocidade nós dois morreríamos.  

Que seja apenas um sequestro... Que seja apenas um sequestro!  

Então, lembro-me que meu celular está em meu bolso. Levo minha mão trêmula até minha cintura e tiro da calça o aparelho, mas a velocidade está tão alta que mal consigo movimentar os braços, enquanto meu corpo é pressionado para frente e meu rosto quase toca as costas de meu possível sequestrador.  

Não vou conseguir digitar uma mensagem. Então, com muita dificuldade, passeio meus dedos sob a tela e penso em procurar o nome de Sara, mas Agnes, minha melhor amiga, é a primeira que surge na lista. O que é ótimo, não tenho tempo para procurar por minha irmã, por isso, pressiono o símbolo verde para iniciar uma ligação. Mas, em um relapso, o cotovelo do rapaz em minha frente encontra minha mão e vejo em câmera lenta meu celular voar em direção à rua.  

Ele me viu pelo retrovisor.  

— Socorro! — Tento gritar em um ato de desespero.  

Mas o motorista mais uma vez leva seu cotovelo até mim, só que desta vez em direção a minha costela, enquanto adentramos uma rodovia.  

Estamos indo... Não... Não pode ser... Estamos indo para a estrada! Ele está me levando para a morte. Ele irá me matar!  

Aqui sei que não adianta mais gritar, nenhum motorista em alta velocidade irá olhar para mim, entender meu pedido de socorro e ter tempo o suficiente para anotar nossa placa. 

Vou me jogar. Talvez morrer caindo agora seja menos doloroso do que o que está me esperando no lugar em que ele está me levando. Mas não consigo, simplesmente não consigo. Olho para o chão e a única coisa que imagino é minha pele raspando no cimento e meus ossos se quebrando em pequenos fragmentos.  

Talvez, se for apenas ele, eu consiga sobreviver, talvez eu consiga encontrar alguma forma de me salvar dependendo do lugar.  

Nós adentramos em uma estrada de terra, consigo observar o portão de algumas chácaras enquanto percorremos o caminho barroso. Está escuro, mal consigo enxergar as palmas de minhas mãos. A moto vira uma esquina, que nos leva por um caminho ainda mais deserto, sem nenhuma chácara ou sinal de vida, apenas somos rodeados por um matagal infinito. 

Então a moto para.  

O estranho desce e dessa vez não esconde a arma no bolso, mas sim a segura na mão e a posiciona em direção a mim.  

— Não, por favor... — Tento suplicar, mas ele segura nos cabelos de minha nuca e me arrasta para fora do veículo — Socorro! — Tento gritar, enquanto ele me leva para um pequeno campo no meio do mato, próximo a um pequeno riacho — Socorro! —Tento novamente. 

— Ninguém irá te escutar aqui! — Exclama, me jogando no chão macio de grama.  

— Tudo bem, tudo bem! — Digo, amedrontada.  

— Fica de joelhos!  

Obedeço.  

— Olha, o meu pai tem muito dinheiro, você ganhará muito com o meu sequestro, por favor, não faça isso!  

Ele ri.  

— Pode ter toda certeza que ele não tem nem um terço da quantidade de dinheiro que a pessoa que me contratou.  

Minhas pálpebras se expandem. 

— C-contratou? — Gaguejo.  

Tento visualizar seu rosto, mas está escondido pelo capacete.  

— Olha, como você não irá passar dessa noite, não vejo motivos para não te contar o que sei — Ele caminha até mim e agacha, ficando com o rosto escondido, próximo ao meu. Posso sentir o cheiro metálico de seu capacete — Que mundinho merda que você foi se meter em? Quem é essa gente poderosa que você anda por aí? — Ele cospe no chão — É uma pena, sabia? Você é tão linda... 

— Não... por favor... — As lágrimas começam a escorrer por minhas bochechas enquanto meus olhos queimam. Meu coração bate contra meu peito e meu corpo está tão trêmulo que mal consigo mover um músculo.  

— Vou ser legal com você, prometo... — Sussurra — Da forma como farei você não irá sentir dor.  

Ele começa a se levantar.  

— Não, não! — Grito.  

Preciso fugir! Não vou conseguir ganhar em um combate corpo a corpo contra ele! 

Em uma tentativa de fuga me levanto e começo a correr em direção ao matagal, mas um soar estrondoso eclode e sinto algo pressionar minhas costas e caio no chão, arranhando meus joelhos e batendo meu rosto no solo. Não consigo dizer nada, ponho minhas mãos no local do impacto e depois encaro minha palma totalmente manchada por um líquido escarlate.  

— S-socorro... — Tento gritar, mas as palavras parecem já não sair mais de minha boca com tanta intensidade.  

Meu assassino caminha até mim e para ao meu lado.  

— Garotinha idiota... — Ele chuta com força minha costela, fazendo com que meu corpo gire e eu fique deitada de barriga para cima em meio a uma tosse incontrolável. Algo preenche minha boca com um gosto metálico e escapa por meus lábios. É sangue... — Eu disse que não a faria sentir dor... Bem, acredito que não esteja sentindo, talvez apenas o chute na costela, me desculpe, não foi minha intenção — Ele aponta o cano para minha testa — Vá com Deus... espero que o lugar que encontre seja melhor que o que irei encontrar em minha passagem — Ele sorri — Preciso pagar minhas contas, tenho algumas bocas para sustentar.  

Não consigo sentir mais nada, a tosse parou e o sentimento de angustia se esvaiu. Em minha mente surge apenas minha mãe, meu pai, minha irmã, e todos os momentos que passamos juntos. Talvez, eu devesse ter dado valor a esses momentos, mesmo que alguns tenham sido horríveis. Espero que Agnes não se sinta culpada por não ter tido como me ajudar... E Sara? Espero que fique bem e consiga seguir em frente... Aliás, o rosto de minha irmã não escapa de meus pensamentos, acho que nunca à disse o quanto gosto dela, acho que nunca disse: 

Sara... Eu.. Amo... Você...  

O gatilho é pressionado e diferente da primeira vez não escuto absolutamente nada, apenas me perco na escuridão, rodeada por uma sensação gostosa que nunca havia sentido.

Eu estou, partindo...?

 

Fim da Parte I 


Notas Finais


E ai o que acharam? Quem mandou matar a Elisa?
A história irá mudar muito daqui para frente e teremos um salto temporal de seis anos! Junto com uma nova protagonista que já apareceu na história!


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