História Eu, você e o vizinho intrometido - Capítulo 1


Escrita por: e souImates

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Taehyung (V), Park Jimin (Jimin)
Tags Âmbar, Maknaesthetic, Mka, Tae!funkeiro, Tae!híbrido, Vmin
Visualizações 574
Palavras 5.390
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Ecchi, Fluffy, LGBT, Shounen, Universo Alternativo
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá, fazia tempo desde que eu queria escrever algo sobre funk envolvendo Taehyung, e vendo vídeos aleatórios me veio esse plot e bem... É isto
Quero agradecer ao @jimiel pela capa sensacional, a fez muito rápido, fiquei até impressionada!
E a betagem pela nenê @ourjungkook que surtou na tl por essa fic e eu fiquei muito contente
Enfim, boa leitura

Capítulo 1 - Capítulo Único


Os vidros vibravam, os líquidos remexiam nos copos e gritos animados poderiam ser ouvidos por todo andar, o coração batia mais rápido que as batidas fortes que a caixa de som soltava em todo ambiente. Os pés descalços pulavam no estofado do sofá bege, cantava, ou melhor, berrava as letras repetidas da música, a franja ruiva mexia para todos os lados; a grande cauda rodeava a perna direita.

Não escutou quando o trinco da porta foi aberto e por lá passou um jovem homem irritadiço, jogando sua mochila ao lado da parede e caminhou com passos firmes até a caixa de som, desligando-a. Um alto protesto foi gritado pelo mais novo.

— Não, hyung. Coloca de novo!

— Kim Taehyung, desce do sofá agora porque isso não é pula-pula — o loiro disse, colocando o controle do som em um lugar alto.

O garoto híbrido sentou em cima de suas panturrilhas no sofá, com um enorme bico nos lábios avermelhados. Jimin caminhou a sua frente, cruzando os braços na altura do peito, negou com a cabeça antes de suspirar.

— Levei uma multa hoje… É a quarta neste mês. Quer ficar sem lugar para morar, TaeTae? — perguntou, e o mais novo negou com a cabeça. — Já conversamos várias vezes, vou ter que repetir?

Os olhos negros fitavam o chão. Não estava arrependido, não completamente. Tinha culpa se os vizinhos não apreciavam músicas de qualidade? As batidas envolventes e ritmadas de seus funks eram muito melhores que aqueles berros com guitarras ao fundo que chamavam de música.

— Desculpa se meu gosto musical atrapalha os outros e você. — Revirou os olhos.

— Apenas seria melhor se você pudesse escutar elas mais baixo, não incomodando os outros e poupando o meu bolso!

O garoto deu de ombros e saiu da sala, empinando a bunda com aquele grande rabo e foi caminhando para o quarto, e Jimin suspirou desistente. Essa é uma das — várias — vezes que se arrepende por fazer tudo que seu pequenino queria, agora tornando-se mimado e egocêntrico.

A fixação por música brasileira começou quando Hoseok chegou de viagem e logo quis mostrar para os amigos os hits do verão da América Latina, com Vai Malandra e Envolvimento. Em menos de um mês, o Kim ficava a tarde inteira no YouTube pesquisando a cultura do país e principalmente as músicas; virou fã de carteirinha de um tal MC Lan e com a sua voz naturalmente rouca e grossa tentava imitar o cantor, provocando o aloirado. Tamanha foi sua surpresa ao chegar de seu estágio e se deparar com a mesa completa de comida brasileira, até mesmo a famosa feijoada estava ali, preparada com um pouco de dificuldade pelo ruivinho que apenas sabia o básico de culinária.

Achara que seria apenas uma fase de seu híbrido — como passava muito tempo dentro do apartamento deveria procurar algo para passar o tempo —, porém essa malandragem estava caminhando para um ano e dois meses. No começo Jimin aceitou o jeito que Taehyung estava se comportando, achando muitas vezes fofo o modo que ele embolava a língua para pronunciar o outro idioma, mas aos pouco foram piorando, virando quase uma obsessão do mais novo com bonés coloridos e tênis em cores neon.

E mimava o seu híbrido, fazendo todos os seus pedidos, comprando óculos Juliette de três cores — teve que procurar por todos os mercados, a Coreia do Sul não adquiriu esta moda ainda — e o sorriso quadrado que recebeu do ruivo foi gratificante, mas infelizmente não poderia pagar suas contas atrasadas com sorrisos. Sendo assim, parou de presentear o companheiro, que agora andava emburrado com isto.

Pegou sua mochila jogada e andou para o quarto. Abrindo a porta notou uma movimentação estranha, a terceira porta de seu guarda-roupa estava entreaberta e Taehyung estava de costas virado para a porta de vidro. Deu de ombros e deixou a mochila no canto, indo para as gavetas debaixo, pegando uma roupa íntima e um calça de moletom — o dia estava fresco. Saiu do cômodo para o banheiro do outro lado do corredor, sabia que o pequeno estava aprontando algo, pois desde que entrou ali ele não mexeu um músculo.

Depois de tomar seu banho, foi para a cozinha preparando um lanche rápido. Enquanto comia notou que o companheiro não havia saído do quarto, e toda a sala estava uma bagunça. O peito nu ainda possuía gotículas de água que desciam pelo seu abdômen, a toalha que usou para enxugar os fios loiros deixou em seus ombros e começou a catar os objetos pelo chão, organizando-os em seus respectivos lugares, achando até mesmo seu pente no meio do estofado. Após colocar a toalha azul na área de serviço para poder secar, entrou no quarto que dividia com o ruivo, este embaixo das cobertas deixando apenas as mechas para fora; o lugar estava iluminado com apenas o abajur azul de estrelas do mais novo. Retirou seus chinelos e deitou na cama, colocou os braços atrás da cabeça, fechando os olhos devagar.

— ChimChim — a voz baixinha e grossa chamou o mais velho, que sorriu contido, sabendo que uma hora ou outra este o chamaria.

— Hum? — fingiu estar caindo no sono. — Você poderia fazer algo ‘pro TaeTae? — Sentiu os fios alheios em seus bíceps, pela proximidade o outro estava quase deitando em cima de seu braço esquerdo.

— O que o TaeTae quer que o ChimChim faça? — juntou-se ao jogo.

— O TaeTae quer colocar aparelho, ChimChim deixa? — disse manhoso, brincando com a pele morna do mais velho por debaixo das cobertas, ora arranhando ora desenhando na epiderme.

— Por que TaeTae quer colocar aparelho? Os dentes de TaeTae são perfeitinhos. — Franziu o cenho.

— Não são, TaeTae tem um dente torto. — Apontou para o segundo dente de cima, embora a luz seja fraca Jimin não conseguiu ver o pequeno defeito. — Por favor, ChimChim... — Acariciou a pele clara, quase contornando a fina cintura, dando um meio abraço.

— ChimChim não deixa, pois o dinheiro está curto e TaeTae não precisa! Os dentes dele são perfeitinhos e depois TaeTae ficaria reclamando de dor neles porque aparelho dói. E TaeTae não é mais criança para falar em terceira pessoa — disse puxando os braços, deixando o outro assustado. Jimin virou o corpo, ficando em direção para a porta, de costas para o meio tigre.

Taehyung grunhiu de frustração, virando-se para o outro lado, e de birra puxou o cobertor mais para si, não sabendo que o Park sorria de lado pela atitude infantil.

[...]

Passados três dias após o ocorrido, chegou em seu apartamento e conseguiu ouvir o som dos seus alto-falantes na metade do corredor. Isso já era um progresso, pois antigamente a música poderia ser ouvida no décimo segundo andar e morava no décimo sétimo — uma das vontades de Taehyung fora caixas de som potentes. Abriu a porta, vendo o mais novo com uma regata laranja cavada mostrando muito a sua pele acobreada, um folgado short vermelho e um boné torto na cabeça por conta de suas medianas orelhas de tigre, nos pés um Nike verde neon; estava curvado com as mãos nos joelhos, rebolando ao som de Bum Bum Tam Tam.

O ruivo apenas olhou para a sua direção e deu um pequeno sorriso, sabia que ele ainda estava chateado por ter tido seu pedido negado. Como sempre que chegava em casa ia tomar um relaxante banho, hoje não fora diferente. Pegou uma regata branca e um short cinza no quarto, saiu caminhando para o banheiro e até agora seu companheiro não falou nada, continuou dançando ao som de Paradinha.

O dia estava quente, porém no fim da tarde as rajadas de vento levaria as pessoas a se encolher, a água do chuveiro morna ajudou a relaxar seus músculos. Saindo do banheiro foi à cozinha, reparando na grande bagunça da pia e da bancada, teria que arrumar tudo sozinho pois seu querido híbrido estava muito ocupado ensaiando passos de dança e talvez não queira conversar tão cedo. Dentro da geladeira um pavê de chocolate estava ao seu dispôr, riu baixinho, mesmo estando assim Taehyung ainda exercia seus afazeres — ou quase isso, pois a cama estava desorganizada. Pegou um copo colocando a sobremesa, deveria comer comida de verdade? Sim, mas quem se importava? Estava na sua casa.

Assustou-se quando a campainha fora tocada, deixou o doce na mesa e andou até a porta. O Kim agora estava deitado no grande sofá de quatro lugares, olhando fixamente para a tevê onde reproduzia um filme animado. Abriu a porta e um garoto de fios negros trajando vestes de cores escuras batia o pé impaciente.

— Você é o dono desse apartamento?

— Sou. — Jimin estava confuso.

— Gostaria de o informar que levando mais uma advertência será obrigado a deixar o prédio. — Sorriu de lado.

— Como?

— Aqui vem tendo muitas multas por barulho alto, e hoje não foi diferente. Somando as outras dez multas que recebeu, deu duas advertências. Chegando a doze multas, ficarão três advertências, e você será “convidado a se retirar”. — Fez aspas com as mãos.

— Hoje não recebi nenhuma multa, se o senhor quer saber! — Cruzou os braços.

— Jeongguk, esse é o meu nome — disse o garoto de cabelo negro, parecia ser mais novo que o loiro.

— Tá, Jeongguk, mas hoje não me informaram de quebrar nenhuma regra.

— Jura? Já pegou sua correspondência hoje? — Sorriu presunçoso, levantando suas sobrancelhas em um completo desafio.

— Não, mas…

— Deveria. E por favor, se for para colocar algo ‘pra tocar na caixa de som, que não seja nada obsceno, já que existem crianças no prédio. — Fez uma cara feia, porém suas bochechas estavam rubras.

— Eu não… Ah — Virou o rosto minimamente para o lado, vendo pelo canto do olho Taehyung se encolhendo no sofá. — Desculpe-me pelo transtorno, irei tomar cuidado com isso.

— Espero que sim.

— Bom, tchau — tentou dizer Jimin, porém o moreno já saía pelo corredor dando as costas para si.

Fechou a porta e andou até o híbrido, tossiu teatralmente para que esse prestasse atenção.

— Você ouviu? Tem algo para me dizer?

— Você está atrapalhando meu filme, vai ‘pro lado. — Seus olhos estavam fixo na tela.

— Taehyung, o que você anda aprontando quando não estou em casa?

— Fico brincando no elevador de serviço e assustando pássaros na rua — disse com indiferença.

— Quê? Mas voc- TAEHYUNG! — O híbrido encolheu-se com o grito, puxando os joelhos para o peito a cauda enrolada no braço — para de mentir para mim, você nem gosta de sair sozinho!

— Só escuto música e vejo filmes, você sabe disso! Além do mais, os canais que eu queria assistir você colocou senha. — Revirou os olhos.

— Não vou deixar você assistir filmes adultos, sabe lá o que se passa nessa sua cabecinha. — Bufou descrente. — Vou buscar as contas.

Depois de comer sua sobremesa que deixou na bancada, calçou seus chinelos e desceu de elevador para o térreo a fim de pegar suas contas. Cumprimentou o homem de cabelos grisalhos da recepção, sorrindo terno e, usando a pequena chave que estava em seu bolso, abriu a pequena portinha com o número de seu apartamento, 302. Pegou três envelopes, um da conta de luz, outro da internet e por último o envelope pardo com brasão do condomínio. Apressadamente abriu este, lembrando-se das palavras do moreno, os olhos corriam entre as letras — que já estava cansado de ler —, parando nos números finais no papel, arregalando os olhos com o valor.

— Sessenta e sete mil wons?! — exclamou em alto som, assustado com o valor. Passou a mão esquerda na testa, tirando o suor frio.

— Pois é, desta vez veio mais alta — o senhor disse. —  Quase todo dia um garoto vem reclamar para os síndicos, eu não me importo tanto. As músicas que os jovens escutam são assim. — Riu.

— Um garoto? Quem? O senhor sabe? — Jimin se aproximou curioso, com uma certa pessoa em mente.

— Um pouco maior que você, de cabelos negros e olhos grandes. Não lembro o nome dele, mas é residente do 308.

— Ah, imagino quem seja… Senhor Hwang, é verdade que, se eu tomar mais uma multa, terei que sair do prédio? — perguntou temeroso, morava neste local há quatro anos e acomodou-se com o lugar. Uma saída tão repentina não lhe agradaria.

— Bom… Tecnicamente sim, porém você sempre foi bem querido por nós e paga as multas certinho. Apenas aconselho diminuir o volume, pois aquele garoto não foi o único a reclamar. — O loiro assentiu, envergonhado pela leve bronca.

— Obrigado.

Subindo pelo elevador, começou a repensar as coisas que fez desde que o pequeno híbrido chegou na sua vida. Não tinha o planejado, apenas foi no impulso. Estava passando pelas ruas do centro e uma loja azul em especial chamou a sua atenção, era um pet shop, mas não os comuns que via nos panfletos e sim um para híbridos. Ficou intrigado e entrou no lugar. Havia várias mutações entre os bichinhos e humanos, entre cães, gatos e coelhos. Andando pelo lugar, em um área separada estava um garoto de cabelos ruivos e orelhas felinas da mesma cor, encolhido no canto da parede. Diferente dos outros parecia mais velho e grandinho.

— Ele é o mais velho daqui — uma moça de aparência simpática disse. — Ele é metade tigre e isso deixa algumas pessoas com medo que ele possa se tornar agressivo. Se ele não achar um lar até um ano e meio teremos que deixá-lo, já que o dono não aceita eles quando estão na maior idade —  falou triste, e Jimin assentiu em silêncio.

Observou o garoto. Além da cor chamativa em sua pelagem animal, a cor de sua pele era magnífica, junto com seus olhos castanhos-mel, estava encantado. Em um segundo seus olhos encontraram o do outro, fora bem rápido, mas Jimin sentiu que deveria levá-lo. Caminhou para a bancada, sendo atendido pela mulher que dissera sobre o híbrido felino.

— Vou levar aquele. — Apontou discretamente. — Quanto que ele custa?

— Ah, não. — Negou com a cabeça, rindo levemente. — Boa parte desses que estão aqui são para doação, apenas precisamos de seus documentos.

De primeira o ruivo não acreditou, estava conformado que ninguém o escolheria ali. Havia diversos outros híbridos bem mais interessantes, como um chinês chamado ZiTao o qual é híbrido de panda, todos amavam pandas! Ficou desconfiado, não sabendo como seria tratado por seu novo dono. Via apenas quando seus colegas eram escolhidos, a felicidade que sentiam — era lógico que também estava sentindo no momento — e a euforia que ficava o local, entretanto não sabia o que acontecia depois que saíam pela porta.

— Olá, qual é o seu nome? —  o loiro perguntou, abaixando-se levemente, incrivelmente o garoto era menor que si.

— Tae… Taehyung — disse baixinho, e Jimin se surpreendeu pelo timbre do mais novo, que estava com as orelhas rubras.

— Meu nome é Jimin, e agora irei cuidar de você. — Sorriu, dando seu querido eye-smile passando confiança.

A moça deu todas as informações sobre o ruivo, desde sua alimentação que deveria ter no mínimo duas fatias de carne vermelha por semana e algumas coisas que poderiam deixá-lo irritado, avisando que provavelmente Taehyung poderia crescer mais alguns centímetros — e isso realmente aconteceu, porém não chegou a ultrapassar a altura do mais velho. Saíram do estabelecimento de mãos dadas por pedido do Park, achando adorável como suas mãos se encaixavam; compraram roupas e muita comida na volta do caminho de Jimin para casa.

Sorriu apaixonado, lembrar desse dia o deixava feliz. Recordava-se que, quando o ruivo chegou em seu novo apartamento, parecia um completo bicho-do-mato por não saber algumas coisas. Aos poucos foram se aproximando e aprendendo a conviver um com o outro, Jimin o ensinou a cozinhar pois passaria pouco tempo em casa por conta da faculdade e do futuro estágio que estava em mente. Felizmente o garoto aprendia rápido e logo fora se aperfeiçoando nas tarefas.

Ao entrar em seu apartamento não disse nada, colocando as cartas em cima da mesa e indo para o banheiro lavar o rosto, preocupado como pagaria as contas que estavam chegando — algumas estando atrasadas e outras preste a vencer. Enxugando-se com a toalha de rosto vermelha felpuda, colocando-a no lugar depois, caminhou para a cozinha novamente, pegando uma cerveja do freezer; gostava delas bem geladas. Estava indo para o quarto quando sua camisa foi puxada levemente, a cabeça de Taehyung estava abaixada e sua voz era baixa.

— Você está bravo comigo?

— Eu… —  suspirou —  não, Tae, não estou. Mas lembra quando eu disse sobre manear no volume? Poderia, por favor, me escutar?

— Eu só estava com raiva que você não me deixou colocar a merda do aparelho, não fique chateado. — Os olhos suplicantes do híbrido faziam o coração do mais velho amolecer.

—  Só queria que me ouvisse, amor.

— Eu escuto! Hoje… Nós poderíamos dormir juntinhos? — perguntou tímido.

— Claro, venha, eu já estava indo dormir.

Deitaram-se juntos, como sempre Taehyung no lado esquerdo ao lado de seu abajur e Jimin no direito. O mais novo esperou o Park se acomodar debaixo das cobertas para poder se aninhar com o corpo alheio, aproximando o máximo. Deitou a cabeça em cima do braço do mais velho que sorriu e apertou ainda mais o contato, a mão do Kim descansava na barriga de Jimin e este fazia um leve cafuné nos fios ruivos.

— ChimChim ama TaeTae —  segredou baixinho, deixando um beijo no topo da cabeça alheia.

— TaeTae ama ChimChim também. — Foi mais esperto e deixou um selar nos lábios do Park.

[...]

— Que horas você chega?

Jimin estava muito confuso, estava próximo das dez da noite e Jeongguk estava em pé na frente de sua porta, também não muito contente de estar ali.

— Entre as seis da noite e sete. Por quê? — franziu o cenho, isso não era uma coisa normal para se perguntar para um vizinho, ainda mais se vocês quase não se falam.

— Hoje vim três vezes aqui por conta da música alta e sempre que eu tocava a campainha ou batia na porta de repente tudo ficava silencioso, mais alguém mora com você?

— Sim… Olha, se você veio aqui reclamar pelo som venha outra hora, estou com muito sono e isso já está me cansando — respondeu, tentando não ser muito rude com o rapaz.

— Vocês irão receber mais uma multa! Estou avisando — dizia emburrado por ser enxotado.

— Aham, okay, tchau. —  Fechou a porta.

Revirou os olhos em seguida, esse garoto não cansa? Já estava pagando —  literalmente — as multas que recebia, e agora tinha que aguentar um adolescente falando sobre as regras do edifício no seu ouvido? Estava cansado de saber e de, principalmente, explicar para um tal híbrido felino.

— Era ele novamente? — Taehyung perguntou, estava deitado na cama, brincando com algum jogo no celular.

— Sim, aish. — Coçou a cabeça. —  Veio reclamar, novidade. — Revirou os olhos.

— Ele não cansa?

— Creio que não… Mas, Tae, ele me disse que estava escutando música alta e toda vez que batia na porta o som acabava. Fez mesmo isso?

Taehyung deu de ombros, assentindo. Jimin riu pela cara de pau do companheiro e também pelas cara e bocas que este fazia enquanto jogava concentrado, completamente adorável.

— Vem, TaeTae, hora do jantar — o chamou.

Hoje o próprio Park havia cozinhado, quase um churrasco a dois pela quantidade exorbitante de carne na mesa. O ruivo estava com água na boca apenas de sentir o cheiro atrativo, sendo meio felino o seu olfato era apurado. Enlambuzaram-se completamente no molho barbecue e tomaram um digno banho juntos, não deixando passar os beijinhos quentinhos e abraços molhados.

Felizmente Jimin conseguiu sair mais cedo do estágio, pegando uma roupa de frio em casa  e saiu junto com Taehyung para as lojas da cidade, dando uma volta pelos arredores, algo que não fazia a muito tempo. Essa vontade veio do mais novo que, com olhos pidões e um grande bico nos lábios, pediu que saíssem um pouco do apartamento. Estava enjoado de ficar todo dia no mesmo lugar e também fazia tempos desde que teve um momento com o Park, esse que ia da faculdade para o estágio, chegando em casa apenas para dar alguma bronca no Kim e depois ia dormir.

— Hyung, olha lá! — Apontou para uma tenda que vendia toucas.

— Que fofas. —  Jimin pegou uma touca azul clara, ela tinha o formato de duas orelhas acima e uma cordinha para prender no final. Colocou na cabeça de Taehyung, tendo o máximo de cuidado para não machucar. — Está doendo?

— Não! — Sorriu quadrado, ajeitando-a na cabeça, ao lado das mochilas havia um espelho onde observou seu reflexo. — Ficou bom.

— Você quer? — Park apareceu atrás, dando um pequeno nó nos cordões abaixo no pescoço fino.

— Aham. — O mais novo estava maravilhado, os tons ruivos de seu cabelo davam contraste ao azul claro em sua cabeça.

— Espera aí, vou pagar.

Quando começou a ficar mais frio resolveram ir para a casa, compraram várias coisinhas já que o inverno se aproximava, entre elas meias coloridas e luvas. Passando pela recepção do prédio onde moravam, o senhor Hwang chamou a atenção de Jimin, avisando que aquele garoto moreno estava atrás de si; o mais jovem respondeu cortez e depois seguiu o seu caminho, chegando ao elevador revirou os olhos e Taehyung grunhiu baixinho. Sentia ciúmes? Talvez. Esse garoto estava aparecendo quase todo o dia em sua porta, não era possível que tenha gostado tanto dos móveis que poderia observar enquanto a porta estava aberta para que várias vezes aparecesse por lá.

Jimin notava o descontamento de Tae com essa informação, e deixou um selinho em seus lábios. Também estava incomodado, mesmo o rapaz sendo bonitinho tinha o híbrido em sua vida e não gostaria de deixá-lo. Entrando no apartamento o mais novo sentou-se em uma das cadeiras da mesa, pensativo, a cauda balançava devagar e as orelhas estavam levemente caídas. O loiro pegou uma cerveja na geladeira e um suco em caixinha, colocando dois copos na mesa, servindo a bebida alcoólica para si.

— Você sabe que eu já posso beber — comentou o Kim.

— Sei, mas prefiro que não tome.

O ruivo estava desanimado no momento, mesmo tendo sido mimado o final da tarde toda não gostava de saber que poderia perder o mais velho, e isso o deixava inseguro. Virava minimamente o pulso, fazendo apenas o líquido alaranjado dentro do copo se remexer.

— Ei, amor, não fique assim, lembre-se que eu te amo! — Jimin segurou o rosto do mais novo entre as mãos, olhando fixamente para o castanho-mel dos olhos do Kim. — Eu te amo muito.

— Eu também, muito mesmo!

— Jura? — brincou. — Então prove.

Taehyung aproximou o rosto, encostando seu nariz no do outro, conseguindo sentir a diferença de temperatura, estando Jimin um pouco mais quente. E, por fim, cortou o espaço, colando os lábios. Porém, antes que pudesse dar passagem, sua boca foi invadida pela língua travessa de Taehyung.

Gostava da sensação dos beijos do híbrido que deixavam o gostinho de quero mais. Colocou as mãos na fina cintura do companheiro, apertando entre os dedos a pele quentinha ao mesmo tempo que os lábios se chocavam com fervor e gula e os braços do mais novo rodeavam o pescoço do Park, puxando ora calmo ora bruto os fios da nuca alheia e fazendo o loiro rir entre o beijo. Quando Taehyung aproximou mais os corpos, arranhando seus ombros, Jimin desceu as mãos para a bunda durinha e redondinha, apalpando com vontade e ouvindo um suspiro sôfrego.  Logo, passou para as coxas, apertando firme, e o Kim ajudou no impulso, fazendo-o ir para o colo do mais velho.

Começou a distribuir beijos pelo pescoço nu do ruivo, deixando pequenas mordidas em alguns pontos, e lambeu o pomo-de-adão, conseguindo sentir o vibrar com seus toques ao que a voz rouca saía descompassada. Segurou mais firme o jovem em seus braços, levando-o para o quarto; agora, estava sendo acariciado pelos longos dedos em seu couro cabeludo, num cafuné muito sexy para o seu gosto, sendo acompanhado por mordidas provocantes em seu lábio inferior.

Devagar, Jimin colocou Taehyung deitado na cama e rapidamente tirou sua camisa, jogando-a em algum canto do quarto. Ele prensou o corpo do mais novo contra o seu, flexionando os membros ainda dentro da calça. Beijava o pescoço alheio e uma de suas mãos serpenteavam por entre as roupas do Kim.

— Deixe-me fazer — Taehyung pediu, enquanto desabotoava a calça jeans do mais velho devagar, provocativo.

Mudaram de posição, deixando o mais novo com o rosto para a pélvis do Park e ele não deixou de provocá-lo, fazendo questão de empinar sua bunda para a cara do loiro, quem, com vontade, apertava aquela carne.

Massageou o volume sobre a cueca azul escura, vendo a pequena mancha melecada no local e aproveitou para lamber a extensão do membro. Os arfares de Jimin eram maravilhosos ao seu ver! Dedilhou a epiderme sorrateiramente, por fim.

— E o que mais esse bumbum faz, TaeTae? — disse provocativo. — Hum?

— Vem descobrir. — Mordeu o lábio inferior.

Se Taehyung e Jimin não estivessem tão entorpecidos pelo tesão e o desejo pelo corpo um do outro, poderiam ter ouvido as batidas na porta, junto com alguns gritos de Jeongguk que estava incomodado com os sons providos daquele apartamento, onde parecia uma sessão de pornô sem fim.

— Mais alto, Tae — pediu, e o mais novo acatou as ordens, gemendo cada vez mais alto.

[...]

Dois dias depois recebeu mais uma multa para sua coleção, mas, bem, essa realmente havia motivo. A sua noite divertida com Taehyung rendeu alguns mil wons, mas quem ligava? O seu pequeno híbrido deveria receber muito amor, mesmo dizendo constantemente palavras de baixo calão, porém Jimin não poderia negar que amava ouvi-las sussurradas em sua orelha.

—  Boa tarde! —  cumprimentou Jimin para o moreno que andava rápido no corredor do andar, apressando os passos assim que ouviu a voz do Park.

Não foi respondido por Jeongguk, que apenas o olhou envergonhado com as bochechas vermelhas, correndo para seu apartamento. Jimin deu de ombros, estranhando um pouco a reação do mais novo. Ao abrir sua porta, foi surpreendido por Taehyung o beijando e  abraçando seu pescoço, amava as demonstrações de carinho repentinas de Kim, o amava cada vez mais.

Não cortaram o contato até adentrarem a residência, os dentes afiados do híbrido prendiam os lábios do mais velho que suspirava. Jimin chutou a porta atrás de si para que ela fechasse, podendo rodear a cintura alheia em seus braços.

— Jimin-ah, eu descobri uma coisa… — Taehyung disse ofegante, suas orelhas estavam levemente avermelhadas e um sorriso travesso brincava nos lábios róseos.

— O quê? — Deixou a mochila no canto e retirou os sapatos.

— Aquele dia, quando estávamos fazendo… aquilo… alguém estava batendo na porta.

— Sério? Eu não ouvi. —  Sorriu de lado. — Sabe quem era?

— Jeon Jeongguk.

Agora estava tudo explicado sobre a vergonha que o moreno estava sentindo quando passou por si no corredor. Não deixou de sorrir largo, sendo fitado por um rosto curioso de seu amado, apenas beijou os lábios convidativos mais uma vez.

— Chegou uma multa hoje — Jimin sussurrou perto da boca do outro, esse que mordiscava os lábios. — Parece que nossa brincadeira foi muito longe, digamos que mais pessoas se incomodaram — sorriu travesso — além do garoto Jeon. — Riram em conjunto.

— Ele é muito intrometido! — Taehyung revirou os olhos, deixando evidente seu ciúme.

— Talvez os ouvidos dele sejam sensíveis. — Riu do bico do ruivo. — Além do mais, você fez um ótimo trabalho, Tae, gemendo bem alto como eu gosto. — Beijou a bochecha rubra esquerda.

— Não quero ele muito perto de você…

— Então quando ele aparecer você atende a porta, tudo bem? Isso se ele aparecer. — Riram e o mais novo assentiu. — Mas, TaeTae, ainda sim, você tem que abaixar o volume, amor. — Acariciou a bochecha alheia passando o dedão pela superfície macia, olhando nos olhos do companheiro. — Ainda não sabemos se o Jeon continuará fazendo várias denúncias ou não, poupando as multas de alguns meses podemos fazer alguma viagem, que tal? Daegu, talvez — sugeriu, vendo o sorriso do ruivo aumentar.

— Daegu sim! — Essa província foi onde nasceu, saindo de lá ainda pequeno. Abraçou o mais velho, sentia falta do mesmo quando este saía, acabando por ficar sozinho por longas horas.

— Ei, Tae, vamos tomar banho? Estou um pouco cansado. — Fez carinho nas mechas ruivas. — E depois você pode me mostrar uma nova coreografia que aprendeu. — Sorriu safado, sabendo que o Kim passava muito tempo aprendendo a arte de rebolar do jeito brasileiro.

[...]

— Essa é a última caixa.

O cômodo estava com várias caixas de papelão espalhadas, tendo alguns objetos envoltos a plástico bolha. Felizmente boa parte dos móveis já haviam chego, facilitando a estadia dos dois namorados. Taehyung retirava itens de dentro das caixas, tentando organizá-los em algum lugar no novo apartamento. Park esticou os braços cansados — mesmo com a ajuda de elevadores não poderia demorar muito neles, pois os outros moradores também precisavam usar.

Passaram algumas horas organizando tudo. Claro que, por conta do cansaço e da fadiga, pequenas coisas foram deixadas de lado para que achassem um lugar para elas outro dia. Retiraram a fina camada de poeira e varreram o chão. Acabaram deitando numa cama improvisada de camisas e edredons, um do lado do outro, os braços se tocando e as mão entrelaçadas. Suspiraram juntos.

— Terminamos — o ruivo dissera.

— Quase, Tae. Falta chegar a cama e alguns móveis ainda… Mas por enquanto está ótimo. — Sorriu para o outro.

— Ainda não consigo acreditar que nos mudamos, depois de tanto tempo lá — divagava olhando para cima, lembrando de momentos que passou no antigo apartamento.

— Embora esse aqui não seja muito diferente, ainda sim é mais perto do meu trabalho e do seu curso, estamos no lucro afinal de contas.

Passaram-se dois anos desde o ocorrido do Jeongguk na porta de casa do casal, muita coisa mudou e outras continuaram da mesma forma. Jeon ainda ia reclamar sobre os moradores do 302 para os síndicos, depois de mais algumas broncas Taehyung diminuiu o volume das caixas de som e respeitou os horários que descobriu que havia e Jimin conseguiu desfrutar um pouco mais do tempo com seu híbrido carente.

— E você não vai ver a cara do Jeonggukie — Jimin falou, rindo após o namorado revirar os olhos e erguer as mãos para cima.

— Amém, e para de o chamar assim! — Fez um pequeno bico nos lábios. — Certeza que ele tinha um crush em você, hyung.

— Mas eu tenho um crush por você, Taehyungie. — Puxou o outro para um abraço, meio torto por estarem deitados.

O Kim riu baixinho, deixando um beijo nos lábios alheios. Ficaram trocando carinhos e palavras de amor por minutos, isso até o Park mencionar sobre o apartamento e o síndico, pois agora não conheciam seus vizinhos e nem todos poderiam ser compreensíveis com certos hábitos do casal.

— TaeTae, sei que a sua fase funkeiro foi deixada de lado, mas do mesmo jeito não pode ouvir música muito alta, okay? — dizia como se falasse para uma criança e o ruivo ouvira esse discurso bilhões de vezes, apenas não o seguia por rebeldia.

— Bom… Ela não passou completamente — sorriu travesso —, mas posso tentar. — Os olhos miravam as medianas caixas de som encostadas na parede, pensando em qual música poderia colocar para estrear o novo apartamento.

— Tae… Você nã-

Antes que pudesse dizer o resto da frase, o híbrido levantou-se rapidamente pegando seu celular e o conectando via bluetooth com as caixas de som, caminhando de volta ao seu lado, sentando-se encostado numa caixa de papel com livros e rolando a playlist de suas músicas favoritas. E passando poucos segundos, o som mediano preencheu o local, Jimin riu da cara inocente que recebeu de seu amado, colocando para tocar uma música que o Park gostava, Ta Tum Tum.

Em um movimento rápido Taehyung puxou o namorado para cima, fazendo-o se levantar, começando a dançar na frente do companheiro que ria e tentava acompanhá-lho. No momento não se importavam em deixar uma má impressão para os vizinhos, era um espaço só deles que estavam se divertindo.

Jimin, vendo o outro sorrindo e dançando do seu jeitinho, rebolando o corpo na batida da música e com um português com sotaque, sentia seu coração aquecer de amor. Por pura curiosidade pesquisou algumas letras que o Taehyung cantava, assustou-se levemente com o conteúdo, mas depois se pôs a rir. Fazer o que se amava cada pedacinho do ruivo e nele uma grande parte era composta por perversão e depravação? Selou seus lábios com o do Kim, num beijo completamente apaixonado.

Sem nenhum vizinho intrometido que fosse atrapalhá-los, amaram-se livremente — e dessa vez, sem se preocupar com a música alta ou qualquer reclamação de barulho que fosse.


Notas Finais


Mesmo o VMin não gostando do JK eles que estavam sendo os errados por incomodar os moradores heudbwu
Mas como diz o Luan Santana "Vamo acordar essa prédio"
Espero que tenham gostado e até ~


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