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História Even Monsters Can Love - Capítulo 2


Escrita por: FranCarroll

Notas do Autor


Demorei, mas cá estou eu de volta com mais um capítulo!

Ah, preciso mencionar algo. Eu estava tão ansiosa postando o capítulo 1, que esqueci de dar algumas explicações sobre o Toji, que é um personagem que muita gente (acho) não conhece por não ter aparecido no anime. Eu já arrumei e deixei uma breve explicação no capítulo um, mas vou copiar aqui também pra quem não viu:

"Toji Fushiguro, o protagonista dessa história junto da minha OC, é um personagem que ATÉ O MOMENTO só apareceu no mangá. No caso, ele faz sua primeira aparição no capítulo 66 do volume 8, no arco do passado do Gojo, que é bem pouco depois do que o anime abordou. Sendo assim, para conhecer o personagem e todo o seu backstory, será necessário ler o mangá, okay? (ou talvez não e você já se satisfaça só com o que eu abordar na fanfic, kkkk. Fica a sua escolha). "

É isso, boa leitura!

Capítulo 2 - Capítulo Dois


Fanfic / Fanfiction Even Monsters Can Love - Capítulo 2 - Capítulo Dois

Embora logo de cara Toji tivesse recusado o pedido da garota, ela não desistiu. Após ele sair da sala a passos largos, Aika o perseguiu chamando seu nome.

— Por favor, Fushiguro-san! — ela pediu, tentando acompanhar o ritmo dele ao longo do corredor. — Não vai ser de graça, eu pago! 12.600,00 ¥ por aula!

O valor o fez hesitar. Toji parou um instante, com Aika quase trombando nele, pensando no que poderia fazer com aquele dinheiro extra. Quem sabe pagar algumas dívidas de apostas que tinha, ou então tentar multiplicar o valor apostando-o.

— E então? — Ela perguntou, cheia de expectativa.

Toji a olhou nos olhos, mas então suspirou.

— Esquece, muito trabalhoso — disse por fim.

A expressão desolada que tomou conta do rosto delicado da garota em resposta a sua recusa quase o fez ter pena dela.

— Olha — Toji começou, coçando a nuca. — Não é como se você estivesse completamente sem opções. Eu já te vi andando com aquele feiticeiro loiro e o pirralho do clã Gojou. Tenho certeza que um deles vai te ajudar a treinar com prazer.

A jovem vacilou e ele usou o momento para dar um fim definitivo a conversa, deixando-a para trás e indo embora sem dizer mais nada.

——

Três dias depois, numa quarta-feira fresca e com leves brisas que balançavam as copas das árvores, Toji se encontrava sentado em um banco de pedra, num dos vários pátios do colégio jujutsu. Ali ele esperava a turma do primeiro ano para a aula de manejo de armas amaldiçoadas. Porém, enquanto não chegavam, ele observava com uma nostalgia agridoce uma foto que guardava em sua carteira e, consequentemente, carregava para todo canto que ia. Era uma fotografia de sua falecida esposa, belamente grávida de seis meses e com um sorriso doce que tomava conta de seus lábios. Ao fundo, inúmeras árvores de cerejeira pintavam a imagem de rosa.

Toji lembrava muito bem daquele dia. Era primavera e sua esposa havia conseguido convencê-lo a fazer um piquenique debaixo de uma árvore de cerejeira no festival hanami¹. Juntos eles montaram a cesta de piquenique e Toji trouxe consigo sua máquina fotográfica. Debaixo das frondosas árvores de flores rosadas os dois conversaram, fizeram piadas e trocaram beijos e carícias delicadas.

Foi o dia doce e inesquecível, conservado eternamente naquela pequena fotografia.

— Hey, pai.

Toji levantou a cabeça rapidamente e olhou para o filho, instantaneamente fechando a carteira e guardando-a no bolso da calça.

— Você está um pouco adiantado — ele comentou, embora de forma alguma se incomodasse com isso. Era sempre bom passar um tempo a mais, mesmo que pouco, com Megumi.

— O Itadori e a Kugisaki logo estão chegando — falou, em pé e com ambas as mãos escondidas nos bolsos da calça. — Eu soube que você recusou o pedido da Hattori-san.

— Sim, eu recusei — Toji deu de ombros. — Ela te contou, por acaso?

— Eu perguntei a ela — Megumi falou simplesmente. — Por que não você não aceitou? Ela ia te pagar bem pelas aulas. Sem falar que não é como se você tivesse muito mais o que fazer mesmo...

Ele estalou a língua com a espetada do filho.

— Não tem como você mudar de ideia, não? — ele insistiu. — Talvez com alguma condição ou um valor mais alto pelas aulas.

Toji ergueu-se do banco com um suspiro cansado, ficando de frente para o garoto enquanto o olhava de cima. A diferença de altura era bastante gritante entre os dois, mesmo que o mais jovem ali até fosse considerado alto para a idade. Porém o pai era grande, maciço e intimidador.

— Me diz, garoto, por que está tão interessado assim por esse assunto? — Ele estreitou os olhos. — O quão próximo você é daquela Hattori?

Megumi então desviou o olhar, o que deixou o pai surpreso, e coçou a nuca.

— Bem, eu a conheci antes mesmo de ingressar aqui no colégio através do Gojou-sensei. Eles são muito amigos — começou, se afastando um pouco do pai e com o olhar baixo. — Nessa época a gente não era muito próximo ainda. Havíamos trocado poucas palavras um com o outro. Até as aulas começarem e eu me tornar aluno aqui da escola. Eu a encontrei pela primeira vez na biblioteca, pois era onde ela gostava de ficar para trabalhar, enquanto eu passei a ir lá também para ler em paz quando não estava treinando ou em aula. Aí começamos a conversar mais e como ela também tem o mesmo gosto que eu para livros, tínhamos sempre bastante assunto — por fim, Megumi deu de ombros. — Acabamos virando amigos então.

Ao ouvir o relato do filho, que sempre foi tão fechado, fazendo amizade assim tão fácil com uma garota, Toji não foi capaz de segurar seu sorriso satisfeito e provocador.

— Hmm, e você gosta mesmo dela, ein? — Insinuou.

Por um instante ele acreditou ter visto o filho corar, mas foi algo rápido demais e no segundo seguinte já não estava mais lá.

— Ela é calma e gentil — comentou um pouco baixo. — Me lembra a Tsumiki.

Toji erguei as sobrancelhas, surpreendido com a menção inesperada da meia-irmã de Megumi que estava em coma. Aquele, afinal, era um assunto bem delicado para o garoto.

O mais velho ali respirou fundo então.

— Tudo bem, eu vou aceitar treiná-la — deu-se por vencido. — A peça para me encontrar amanhã no dojô do prédio 7 às 8:30.

— Certo — e, indo contra todo tipo de comportamento que Toji já estava acostumado a vir do garoto, Megumi sorriu para ele. — Obrigado, pai.

Ele também não conseguiu conter o próprio sorriso.

— De nada, pirralho.

——

Ao longo do caminho para o dojô do prédio 7, Toji bocejou pela quarta vez. Definitivamente ele devia ter escolhido um horário mais tarde para aquela maldita aula, arrependia-se. Mas agora já era tarde demais, pois fora o combinado e ele também não tinha o número do celular da garota para avisá-la da mudança.

Assim que adentrou no dojô, ele a viu lá dentro, parada timidamente em pé no centro da sala. Já preparada, ela usava uma calça de moletom preta, uma blusa vermelha e prendia o longo cabelo loiro em um rabo de cavalo. Ao seu lado havia um suporte de metal, guardando algumas armas brancas.

— Bom dia, Fushiguro-san! — Ela o cumprimentou ao notá-lo também.

— Bom dia — respondeu preguiçosamente, dando outro bocejo.

Toji foi se aproximando de Aika, que acabou dando dois passos para trás.

— Então... Antes de começarmos, a gente precisa se entender primeiro — falou. — Porque, caso ainda não saiba, eu não tenho condição alguma de treinar com você qualquer coisa que envolva energia amaldiçoada, por isso...

— Eu sei! — Ela logo exclamou, cotando-o. — Perdão por interrompê-lo, mas... O que eu quero treinar com você não tem relação alguma com energia amaldiçoada ou feitiços.

Toji ergueu uma sobrancelha, achando aquilo curioso.

— E o que exatamente você quer de mim então?

Aika abaixou o olhar para o chão, enquanto apertava nervosamente a barra de sua blusa.

— Embora não pareça, eu sou uma feiticeira jujutsu e exorcizo maldições. Mas também sou pesquisadora e parte do meu trabalho é revisar relatórios de missões e coisas do tipo. Por causa disso eu tenho passado muito mais tempo na biblioteca do que em combate... E, de uns tempos para cá, tenho sentido que isso está me deixando enferrujada.

Aika balançou a cabeça e acabou soltando uma risada seca.

— Enferrujada é um eufemismo... Eu estou enfraquecendo — ela cerrou os punhos. — E isso é inaceitável. Eu não posso me tornar fraca. Isso seria pior que... Que...

Certo, do nada a garota começou a ficar nervosa e Toji não tinha a menor ideia do porquê.

— Okay, eu entendi — interrompeu-a para tentar apaziguá-la. — E em quais áreas você quer treinar? Algum estilo de luta corpo a corpo? Alguma arma amaldiçoada em específico?

A garota se recompôs, embora um pouco constrangida.

— Bem, quando estou exorcizando maldições, eu costumo usar uma foice e às vezes uma lança. Mas eu não me importaria de aprender a usar armas novas, como uma katana ou adagas. Já no quesito de lutas, eu iria gostar de renovar o meu muay thai.

Toji coçou o queixo, parando um instante para pensar em um plano de treino rápido.

— Vamos começar então com o que você já sabe, assim eu posso ter uma noção do que é capaz. — Ele olhou para o suporte de armas no canto do dojô. — Hoje vamos usar lanças, que tal?

— Pode ser! — Ela concordou ansiosamente.

Indo em direção as armas para pegá-las, Toji perguntou:

— Só me diz uma coisa, por que você quer que seja exatamente eu a pessoa a te treinar? Com toda certeza tem várias outras pessoas nessa escola bem mais capacitadas que eu que poderiam ajudá-la e de graça ainda por cima.

Com ambas as lanças em mãos, virou-se para ela. Quando seus olhares se encontraram, Aika logo se desviou dele e mordeu o lábio inferior, permanecendo em silêncio. Toji logo entendeu que existia ali alguma questão delicada para a garota e acabou dando de ombros.

— Esquece, não é da minha conta — falou.

O treino de teste logo começou e enquanto atacava e desviava das investidas de Aika, ele foi capaz de ir percebendo o nível da garota como lutadora. E Toji surpreendeu-se, pois esperava que a garota fosse de mediana para fraca — infelizmente ele precisava admitir que acabou julgando-a pela sua aparência delicada. Entretanto, ao lutarem, primeiro usando a lança e depois com um pouco de muay thai, ele constatou que Aika, embora não fosse mais forte que ele, tinha bons instintos, era rápida, compenetrada e não se cansava fácil. E isso sem usar energia amaldiçoada ou feitiços, o que era digno de admiração.

Depois de duas horas de treino ininterrupto, Toji parou.

— Okay, okay, por hoje está bom, pirralha — falou.

— Pirralha?! — Um pouco ofegante, ela o encarou chocada. — Eu tenho 23 anos.

— Na minha perspectiva, continua sendo pirralha — rebateu.

Aika bufou, um pouco emburrada. O que só fez com que ela parecesse ainda mais nova do que já era.

— Toda terça e quinta, às 8:30 nesse dojô, o que acha? — Toji perguntou, limpando um pouco do suor em sua testa com as costas das mãos. — Você pode me trazer o dinheiro das aulas todo dia ou me pagar o valor total no final do mês.

— Ah! — Ela exclamou, correndo até sua bolsa no canto do dojô. De dentro dela, tirou um pequeno envelope pardo e o trouxe para Toji. — 12.600,00 ¥ como combinado.

Com aquela quantia em mãos, ele não conseguiu deixar de sorrir. Só pelo prazer de ver o bolo de notas, abriu o envelope.

— Fushiguro-san, você pode me passar o número? — Pediu, lhe estendendo seu próprio celular.

— Ah, claro, claro — meio distraído com o dinheiro, pegou o aparelho e gravou seu número na agenda do mesmo.

— Eu vou te mandar uma mensagem para que você tenha o meu número, assim podemos avisar um ao outro quando não pudermos aparecer para as aulas.

— Claro — Toji guardou o envelope no bolso da calça, sentindo uma imensa satisfação com o seu peso e volume. — Te vejo então na próxima terça.

— Sim! — Aika sorriu para ele, de um jeito radiante, e se inclinou, numa reverência rápida. — Muito obrigada mesmo por aceitar me dar aulas, você me salvou.

Pouco acostumado com qualquer tipo de tratamento gentil ou reconhecimento, Toji coçou a nuca e limpou a garganta.

— De nada, pirralha — respondeu e, com um aceno, lhe deu as costas e foi embora.


Notas Finais


12.600,00 ¥ = R$ 481,95

Festival Hanami ou Hanami Festival é um festival japonês que ocorre na primavera, quando as árvores de cerejeira estão floridas e as pessoas fazem piqueniques nos parques, para contemplares a beleza das flores de cerejeira.

Se leu até aqui, muito obrigada e nos vemos no próximo capítulo (vou tentar não demorar).


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