História Ever - Capítulo 1


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Categorias Neo Culture Technology (NCT)
Personagens Jaemin, RenJun
Visualizações 9
Palavras 2.728
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Fantasia, Ficção, Romance e Novela
Avisos: Homossexualidade, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Minha primeira one shot com esse tema, eu gostei bastante apesar do medo de ter feito merda. Porém, espero que gostem assim como eu. Já tinha um tempo que eu fiz a capa e o título, porém não vinha nada pra começar a escrever. Enfim, antes tarde do que nunca. Boa leitura.

Capítulo 1 - Eternidade


Na Jaemin sempre fora um garoto elétrico e animado, porém, depois de uma tragédia em sua vida, as coisas foram mudando drasticamente. Seus pais adoeceram um após o outro quando ainda era menino, deixando-o assim à mercê do destino, sem saber como seriam seus próximos passos. Como a casa era de seus parentes e eles não gostavam de si, após a morte dos pais, Jaemin havia sido jogado para fora da casa passando assim a viver pelos becos e vielas da pequena cidade em que nascera.

Largado à própria sorte, o garoto vivera por maus bocados tendo que se esquivar de todos os tipos de bandidos que apareciam aos montes por ali, se escondendo da melhor maneira que conseguia, até que um dia as coisas foram diferentes. Ele estava dormindo - ou apenas tentava dormir -, quando quatro homens bem mais velhos o cercaram e começaram a espancá-lo sem motivo algum, causando ferimentos graves demais para um garoto tão pequeno.

- Vamos moleque, saia logo daqui! - um dos caras berrava em alto e bom som, exalando um forte odor de bebida. - Não vê que este lugar é nosso?

- Sério? - questionou limpando o sangue do canto da boca, o olho inchando gradativamente. - Se é mesmo de vocês, porque não vejo nenhum nome aqui?

- Ora seu... 

Se Jaemin não tivesse fechado os olhos assim que o cara levantou o braço para acertá-lo de novo, teria visto um ser misterioso surgir das sombras e arrastar os quatro para longe dele. Um movimento rápido fazendo-o apenas ouvir os gritos ao longe, deixando-o com as pernas fracas ao se recostar na parede e deslizar ao chão, abraçando os joelhos sem levantar a cabeça, permanecendo assim até mesmo quando sentiu-se ser erguido pela tal criatura e então ouvir sua voz.

- Não durma, entendeu? - a voz era fria e suave ao mesmo tempo, arrancando-lhe um arrepio pela espinha. - Você teve sérios ferimentos na cabeça e não pode dormir agora. 

~~~~ 10 anos depois ~~~~

Aos 21 anos, Jaemin não podia acreditar em como sua vida havia mudado graças ao homem que lhe salvara naquela noite, há 10 anos atrás. Trazendo-o para sua casa e lhe cuidando, dando roupas novas e alimento. Quando acordou naquele dia, ao abrir os olhos notou em sua cômoda um pequeno embrulho com um cartão. Era seu aniversário, finalmente tinha completado exatos 21 anos.

Coçando os olhos, o Na pegou o pacote e abrindo-o viu uma espécie de gargantilha com um pingente vermelho. Rubi. Seu "pai" não esperava que ele saísse usando algo assim pela rua, né? Sem a menor dúvida ele seria roubado na primeira oportunidade que qualquer ladrão tivesse. Olhou rapidamente para o bilhete esquecido e suspirou saindo logo da cama para se trocar.

- Feliz aniversário, Jaemin! - desejou a si mesmo observando seu reflexo no espelho do banheiro. 

Algo em sua mente o alertava de que o dia seria diferente, e aquela era uma sensação que ele não saberia dizer se poderia ser boa ou ruim, mas na melhor das hipóteses, ele apenas sorriu e tirou as roupas ao entrar no box. A água quente lhe relaxava e mesmo que a vontade fosse ficar ali por horas, o bilhete lhe dizia para ir até o final do terreno, perto do estábulo. Seu pai o esperava com seu presente.

Quando chegou ao local, Jaemin se sentia receoso e até mesmo curioso ao ver seu pai parado do lado de fora do estábulo. Os braços cruzados sobre o peito, o canivete em seu bolso sempre se fazendo presente, e um sorriso macabro adornando os lábios levemente carnudos completavam o que poderia ser um filme de terror, onde o monstro espera suas vítimas para atacar. Naquele momento, por poucos segundos, o Na sentira medo.

- Estou aqui. - disse ao se aproximar.

- Estou vendo que sim. - o homem respondeu divertido. - Jaemin, antes de dar seu presente, quero te fazer uma pergunta.

- Claro. - as mãos no bolso indicavam assim como o peso do corpo pendendo de um lado para o outro, um claro sinal de desinteresse.

- Você sabe o que eu sou, não sabe? - a pergunta inesperada o fez sentir um arrepio, concordando com a cabeça. - Mesmo assim não tem medo de que eu te machuque ou mate?

- Não. - respondeu sincero. - Se quisesse mesmo fazer alguma coisa, já teria feito, ao invés de cuidar de mim todos esses anos...

- Você é esperto, garoto. Muito esperto. - o homem deu um tapa em seu ombro ao dizer. - Bem, vou te dar seu presente agora. Está pronto? Feche os olhos e conte até três...

- Um...

Ao som do um, o homem avançou contra o Na que se surpreendeu ao sentir um forte aperto em seu corpo e dentes lhe perfurando o pescoço. Em choque, ele o empurrou para longe e colocou a mão sobre a ferida. Jaemin não era burro, sabendo desde o primeiro contato que tivera com o homem na infância de que ele não era humano. Não poderia ser. E agora, ele também não seria.

- Porque fez isso? - perguntou ao encarar o homem em sua frente.

- Oras, isso não é óbvio? Eu preciso de um herdeiro, Jaemin, e você é ele! 

- Isso não justifica absolutamente nada, sabe disso. - retrucou inconformado. - Não quero ser como você!

- Infelizmente, é tarde demais, garoto! - o homem dissera se colocando em frente à porta afim de abri-la. - Meu veneno já está se espalhando pelas suas veias e logo você será como eu! Uma mordida, só uma, e você será tão poderoso quanto eu!

Abrindo a porta de uma única vez, o homem foi adentrando o local, revelando bem ao centro, uma cadeira. Antes fosse uma cadeira vazia, mas, não era bem assim. Havia uma pessoa ali, e ao julgar pelas roupas, era um homem, camponês, se estivesse certo.

-  O que é isso? - Jaemin perguntou começando a ficar em pânico, a realidade o atingindo.

- Seu segundo presente, filho. - atrás da pessoa sentada, o homem colocou gentilmente as mãos em seus ombros antes de puxar o pano que cobria sua cabeça. 

O choque que atravessava o rosto do Na assim que reconheceu quem estava ali, fora o suficiente para paralisar suas pernas. Huang Renjun, o camponês por quem era apaixonado se encontrava amordaçado e com os olhos inchados. A raiva tomando conta de seu coração o fez explodir.

- Solte-o agora! - disse firme. - Solte-o!

- Senão o que? - provocou. - Você vai me matar?

- Eu mandei soltá-lo! - gritou mais uma vez.

- Escute, morda-o só uma vez, e o processo estará completo! - o homem disse suavizando a voz. 

- Eu não vou fazer nada disso! - Jaemin respondeu sem desviar os olhos de Renjun, que o encarava de volta apavorado.

- Se você não fizer nada, eu faço! 

- Não encoste suas mãos nele! - um passo.

- Morda-o! - insistiu.

- Eu já disse que n...

O som de algo se quebrando o fez perder a fala. Os olhos que antes o encaravam, agora jaziam fechados e não abririam mais. Huang Renjun, o garoto que amava, seu namorado, estava morto bem em sua frente. 

Tomado pela raiva, totalmente fora de controle, Jaemin partiu para cima do homem que o criou, socando-lhe várias vezes o rosto, mesmo que não adiantasse muita coisa. Com o veneno começando a agir em seu organismo, fora preciso apenas mais alguns socos e o homem estava no chão, revidando alguns socos que recebia sem desfazer o sorriso macabro - e agora ensanguentado -  em seus lábios.

- Isso mesmo, garoto, libere sua raiva! - gritava. --- Ele gemia como uma putinha, não é mesmo? Ou acha mesmo que nunca ouvi vocês transando por aí?

- NÃO. FALE. ASSIM. DELE! - gritava a cada soco. - Seu desgraçado!

- Eu falo como eu quiser, garoto! - o sangue escorria pelo canto da boca. - Você é fraco, Jaemin, não serve pra nada, nem pra matar um camponês vagabundo como essa puta que você comia...

- JÁ CHEGA! - gritou antes de dilacerar o pescoço do outro com os dentes.

A cabeça separada do corpo largado no chão sangrava sem parar, Jaemin chorava desesperado tentando limpar qualquer resquício daquele sangue imundo em sua boca e se aproximando do corpo na cadeira, desabou ainda mais em lágrimas e soluços, com o rosto escondido no colo de Huang.

- Não não não não... - repetia choroso. - Você não morreu, por favor, volte pra mim! Me desculpe meu amor, eu não consegui te salvar e agora sou um monstro também!

Jaemin pedia inúmeras desculpas enquanto desamarrava o corpinho da cadeira e pegando-o nos braços, voltou para sua casa. Em seu quarto, Renjun jazia em sua cama tão sereno que parecia apenas dormir, e que logo acordaria. Mas ele sabia que a verdade não era essa.

Ao seu lado, o Na se levantara indo até a cômoda e tirando dela uma caixa de veludo, voltando para a cama e abrindo-a.

- Eu ia te dar isso hoje de noite, meu amor. - sussurrou tirando o colar da caixa. - Era pra ser um presente de um pedido especial... Me desculpe, Jun...

O colar na verdade era um lindo relicário em forma de coração, feito de prata pura e adornado com singelas pedrinhas de diamante, o tecido que o prendia era de um veludo verde esmeralda, a cor favorita do garoto. Tudo dera errado, era para estarem juntos agora.

- Jun, eu juro que vou dar um jeito de nos encontrarmos novamente, apenas me espere, por favor. - dizia colocando o colar no pescoço que antes era tão branquinho agora possuía um tom avermelhado e arroxeado. - Quando esse dia chegar, por favor, se case comigo!

Um último selar foi depositado nos lábios frios de Renjun e olhando mais uma vez para trás, Jaemin partira. Não sabia bem para onde iria, mas já havia decidido que não ficaria mais naquele vilarejo onde tudo o fazia lembrar do garoto. E foi de país em país, cidade em cidade, que Na Jaemin ia se adaptando às modernidades do mundo, tentando a todo custo ignorar o monstro em seu interior. 

~~~~~ 2019 ~~~~~ 

Decidindo permanecer na Coréia, Jaemin estava cansado de ficar somente vagando pelas ruas sem algo para fazer. Ainda mais que em casa ele continuava exatamente da mesma maneira, sem fazer nada. Isso estava se tornando maçante demais para o garoto que agora passava pela descoloração do cabelo rosa para o loiro platinado.

Com o passar dos anos, o Na descobrira sua paixão nas fotos, e com isso, resolveu se aperfeiçoar, matriculando-se em uma das melhores universidades, cursando fotografia. Definitivamente foi a melhor decisão que já havia tomado em sua vida, ou melhor, a segunda melhor decisão, já que a primeira era sem dúvidas ter se apaixonado por Huang Renjun. 

- Ah Jun, como sinto sua falta... - suspirou sentando-se em um dos bancos do campus.

Era só mais um dia comum na universidade quando de onde estava, Jaemin avistou uma figura conhecida se movendo entre os outros estudantes, porém, aquilo era só uma miragem, não é? Caminhando lentamente com um livro bem em frente aos olhos, um garoto chinês andava habilmente entre os outros alunos tomando o cuidado para não esbarrar em nenhum, quando sentiu um par de olhos lhe encarar. Ele se sentia observado, e olhando ao seu redor, avistou os olhos do Na sobre si. Ele sorriu.

O sorriso. Era o mesmo. Não poderia ser Renjun, o seu Jun. Ele havia morrido há anos! O garoto ainda sorria minimamente em sua direção, abrindo ainda mais o sorriso ao reconhecer o moletom que o outro usava. Arriscando-se, ele levou a mão até onde seria o bolso do moletom e deu algumas batidinhas, voltando sua atenção ao livro e voltando a caminhar, sumindo da visão de Jaemin.

Estranhando a atitude do outro, perplexo demais para raciocinar direito ou se perguntar o que ele quis dizer com aquilo, sua mão se movia inconscientemente até o bolso em questão, notando um papel que antes não estava ali. Ou ao menos era o que pensava, já que sua aparência parecia desgastada com o tempo.

"Eu caso!"

Forçando as pernas a obedecerem, Jaemin correra como louco na direção onde o suposto Renjun havia ido, perdendo a noção de quanto tempo estivera correndo até chegar em um parque, encontrando o garoto de costas em um balanço levemente enferrujado. Seu coração batia acelerado e sua respiração estava descompassada, porém ainda assim ele avançou até chegar ao balanço solitário ao lado, sentando-se com o olhar em frente.

- Como fez aquilo? - perguntou depois de longos minutos em silêncio.

- Aquilo o que? - céus, até a voz era igual.

- Tudo. - a voz saiu em um sussurro, embargada pelas lágrimas que se acumulavam. - Porque?

- Primeiro gostaria de agradecer por não ter me enterrado ou queimado meu corpo, Nana, facilitou e muito o trabalho para minha tataravó me reviver. - o apelido que não ouvia a tanto tempo, agora fazia cócegas em seus ouvidos. - Segundo, eu sempre estive com você, porém fui aconselhado a não me mostrar ainda, pelo menos não tão diretamente assim, mas, enfim... 

O pedaço de papel já estava amassado nas mãos do Na quando Renjun o pegou de volta, sorrindo bobamente para o que estava escrito. Como ele poderia saber o que responder, se não havia ouvido a pergunta? Era o que se perguntava inúmeras vezes. Ele até pensou em perguntar isso, mas considerando todos os longos anos de solidão e saudade que sentia, a última coisa que faria seria prolongar ainda mais aquela conversa. 

Levantando de sobressalto, Jaemin puxara Renjun pela mão e o abraçou. Abraçou por longos minutos e não ousou mexer um músculo que fosse, ele simplesmente não poderia deixá-lo ir novamente. Nunca mais. Afastando-se minimamente apenas para encarar o brilho nos olhos em sua frente, ele acariciou as bochechas rosadas, deslizando o polegar entre os lábios até ir aproximando o rosto, roçando primeiro os narizes ao fechar os olhos, depois as testas se tocavam timidamente e por fim, os lábios. Como sentiam falta do gosto um do outro. 

Se separaram depois de um longo tempo entre beijos, carícias singelas e mais beijos. Queriam recuperar o tempo perdido e não havia nada e nem ninguém que pudesse os impedir pelo resto dos tempos. O olhar indagativo e curioso de Renjun o fez arquear a sobrancelha, tentando decifrar sua expressão, o que não teve muito sucesso, fazendo o chinês revirar os olhos e sorrir.

- O que foi? - o Na perguntou.

- Estou esperando. - respondeu divertido.

- O que? 

- Ai Na Jaemin, esqueci o quanto você consegue ser lerdinho, né? - suspirou. - Achei que com a transformação em vampiro poderia te ajudar com o seu probleminha de memória...

- Ei!! - retrucou fazendo beicinho. - Eu lembro de tudo, ok?

Renjun sorriu por finalmente estar chegando aonde queria chegar, talvez só mais um pouquinho. Ele conseguiria, sabia disso.

- Tudo mesmo? - indagou divertido.

- ...

E então, tentando não rir das expressões confusas e absurdamente fofas de Jaemin, ele esperou. Até que como um estralo no cérebro do loiro, ele enfim entendeu o que o outro queria. Sorrindo arteiro, ele foi levando as mãos até o pequeno relicário que ele reconheceu por baixo da camiseta de Renjun e o abriu, revelando um belo e simples anel. Se ajoelhando, a expressão agora era totalmente séria, diferente da que estampava seu rosto minutos atrás, enquanto mantinha o olhar fixo no de Renjun e pigarreando baixinho, ele perguntou.

- Casa comigo, Huang Renjun? Eu não posso, não quero e não vou, te perder novamente. - a sinceridade gritante em seus olhos, arrepiava o corpinho de Renjun. - Então, por favor, case-se comigo?

- Eu caso, Na Jaemin! - sorriu ao responder, se ajoelhando também em sua frente. - Estive esperando esse momento por um longo tempo!

- Agora teremos todo o tempo do mundo, meu amor! - Jaemin sussurrou ao abraçá-lo novamente. - Eu te amo tanto, Jun!

- Eu também te amo, Nana! - Renjun dissera enchendo-o de beijinhos demorados. - Por toda a eternidade!

- Por toda a eternidade! - concordou.


Notas Finais


E aí, o que acharam? Ficou bom? Ou ficou uma merda? Obrigado a quem leu até aqui e até a próxima! <3


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