História Everybody Hurts - Capítulo 5


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Categorias Capitão América, Homem de Ferro (Iron Man), Os Vingadores (The Avengers)
Personagens Anthony "Tony" Stark, Clint Barton (Gavião Arqueiro), Dr. Bruce Banner (Hulk), Feiticeira Escarlate (Wanda Maximoff), James Rupert "Rhodey" Rhodes, Natasha Romanoff, Nick Fury, Pepper Potts, Peter Parker (Homem-Aranha), Steve Rogers, Visão
Visualizações 41
Palavras 2.433
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Fluffy, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


14 favoritos? Gente, vocês são demais haha ❤
Por isso, aqui vai mais um capítulo pra vocês, logo eu posto de Save Us e Could You Love Me.
Bju

Capítulo 5 - Chapter Five


Steve encarava a mulher ruiva sentada confortavelmente no sofá cor de creme a sua frente de forma que poderia ser considerada estranha por quem olhasse de fora, levando em consideração que deveria estar com o olhar fixo em seu rosto a pelo menos um minuto inteiro. 

O loiro conhecia Natasha bem o suficiente para saber que a mesma não brincaria com um assunto tão sério quanto ao que fora exposto anteriormente, mas, ainda sim, ele corria os olhos azuis pelo rosto da – em outros tempos – melhor amiga em busca de indícios de que aquilo era uma brincadeira sádica dos três para fazê-lo pagar pelos nove meses de ausência e de silêncio de sua parte.

No entanto, quando os olhares se cruzaram mais uma vez naquela noite, ele pôde perceber que, por mais que quisesse que aquilo não passasse uma forma de puni-lo, a sombra de tristeza presente nos olhos verdes da russa não deixara qualquer tipo de dúvida em sua mente.

Deus, aquilo deveria ser um pesadelo.

Definitivamente, aquilo não poderia estar acontecendo.

Enterrou o belo rosto entre as mãos grandes, não conseguindo segurar o soluço que escapou por seus lábios, as lágrimas quentes descendo logo em seguida. 

De todas as coisas que esperava escutar sobre o que havia acontecido a Tony e Peter naqueles nove meses que passara afastado e incomunicável, a última delas era que o bilionário havia ficado seriamente lesionado após a luta na Sibéria e que Peter estava sendo acompanhado por um psicólogo desde então.

A riqueza de detalhes que ela usara fora o suficiente para ele imaginar cenários diversos e aterradores que faziam as lágrimas aumentarem, molhando ainda mais suas mãos calejadas.

Mesmo em meio ao choro desesperado, algo em meio aos pensamentos confusos chamou sua atenção. 

Na última vez que se comunicaram – dias antes do completo isolamento de Steve e Bucky – Clint havia lhe afirmado que desde a luta em Berlim, não soubera de nenhuma notícia do empresário. O loiro recordava-se de que algo na voz do amigo havia chamado sua atenção e ao questioná-lo sobre aquilo, o moreno havia desconversado, apenas lhe dizendo que estava abalado por tudo o que havia acontecido com a equipe.

Analisando agora, Clint realmente estava abalado com o que havia acontecido, mas não com toda a equipe e sim a um membro especial dela. 

Ele sabia que o arqueiro provavelmente tivera seus motivos para lhe esconder qualquer tipo de informação, – e ele bem sabia, pois também fora portador de um enorme segredo envolvendo o mesmo membro – mas ele não conseguia evitar que o sentimento de traição invadisse seu corpo. 

Sentia-se traído pela ocultação do amigo e sentia-se ainda mais ao dar-se conta de que todos os outros possivelmente haviam feito a mesma coisa que ele.

Todos mentiram para mim. 

Todos eles esconderam a verdade de mim!

Com isso em mente, voltara seu olhar para o rosto inexpressivo de Natasha, que o observava como se esperasse pacientemente por uma reação do ex-soldado, além do choro descontrolado. 

Bem, era mesmo hora de ela responder algumas perguntas, já que ela só contara o que havia acontecido após a partida dele e não o que acontecera após aquela tragédia. 

Empertigando-se e acalmando o pranto, a voz fora usada pela primeira vez naquela noite, enrouquecida:

- Bem, Nat, agora que estou por dentro de tudo o que houve após minha fuga, preciso que me conte o que houve após a luta. Por que Clint não me contou? Ou nenhum dos outros? Ou até mesmo você? A única notícia que tive dele é que ele não é mais visto trajando a armadura ou Peter atuando como Homem-Aranha. Apenas seus robôs aparecem em missões ou para resolver algum problema que surja entre os civis. O que eu realmente quero saber é: o que está acontecendo e onde estão Tony e Peter.

Os olhos verdes se cravaram no belo rosto a sua frente e o observaram por um longo tempo. A ruiva sabia que o loiro iria questionar sobre o que acontecera depois. Ela esperava que ele fizesse isso. 

Mas, além de ponderar se deveria contar realmente tudo o que acontecera, Natasha buscava internamente forças para que pudesse colocá-lo a par de tudo sem que desabasse em meio ao relato. Por mais que tenha sido treinada a vida inteira para que não demonstrasse emoções – e nem mesmo as sentisse – ver o gênio daquela forma, no início, a abalara mais do que ela havia previsto.

Por mais que minutos antes estivessem se engalfinhando como inimigos desconhecidos naquele aeroporto em Berlim, todos – sem exceção – ficaram completamente desconcertados com o súbito desaparecimento do Stark. 

Até mesmo Wanda, que sonhara em dar uma surra no gênio após ele tê-la trancado no complexo havia estranhado do fato dele simplesmente sumir, como se não existisse sobre a face da terra, embora nenhum deles tenha feito uma real tentativa de se aproximar durante aquele tempo.

A vontade de chorar vinha cada vez mais forte quando o rosto decepcionado de Anthony se fazia presente em seus pensamentos sempre que se dava conta de que ninguém se importava o suficiente.

Não todos, pelo menos.

Tinha noção que encarava o rosto ansioso por uma resposta de Steve a mais tempo do que pretendia, mas não fora isso que chamara a sua atenção de volta a realidade. 

Fora o toque diferenciado em seu celular que mudara o foco de seus olhos para a tela do aparelho, o nome de Tony piscando em uma notificação de mensagem. Ignorando o olhar curioso do homem a sua frente, ela desbloqueara o smartphone de última geração – presente do mesmo – para poder ler o que ele lhe enviara.

Se ainda não contou a Rogers tudo o que aconteceu, conte de uma vez. Logo todos irão saber mesmo, é melhor que ele saiba por você. - 21:45

Sem perceber, ela balançara a cabeça de modo negativo, respondendo-o:

Como você ...? Esqueça. Era você que deveria estar aqui com ele, Tones. Você sabe que precisarão conversar em algum momento. E não me apresse, estou ganhando tempo para não desabar quando começar a colocar tudo em voz alta. Podem ter se passado nove meses e você ter melhorado muito, mas eu ainda não consigo falar sobre isso sem cair no choro. – 21:46

A resposta veio rapidamente e como ele digitara tudo tão rápido era desconhecido pela agente:

Eu sou Tony Stark baby, esqueceu? Eu sei que precisarei me encontrar com ele em algum momento, Nat, mas, sinceramente? Não me sinto preparado para encará-lo depois de tudo. Irei adiar o quanto for possível. Foram nove meses de silêncio e ausência. Eu não estou preparado para encarar uma das pessoas que me deixou dessa forma de frente, em tão pouco tempo. Você estaria? Steve havia me dito que eu poderia contar com ele mesmo de longe, mas ele obviamente mentiu. Havia me dito que nada se meteria entre nós e mais uma vez ele mentiu. Passou nove meses enfurnado sabe-se lá onde com aquele maldito amigo dele sem saber sobre mim ou Peter. Por enquanto, ele não merece nenhuma satisfação de minha parte. – 21:47

Suspirando, ela apenas respondeu:

Quer que eu conte tudo a ele? Incluindo sobre Peter? – 21:47

Um minuto depois, a resposta viera com uma única frase:

Conte tudo. Incluindo sobre Petey. Chega de segredos. – 21:48

Travou o celular e deixou-o ao seu lado no sofá onde estava sentada. Mais uma vez naquela noite, fixara o olhar no rosto do ex-soldado a sua frente, visivelmente agoniado com a demora da ruiva em começar a narrar o que quer que fosse. 

Olhos verdes cravados em olhos azuis, a ruiva apenas suspirou e ajeitou a postura, cruzando as mãos sobre o colo e se recostando melhor no encosto macio. Suspirou e disse:

- Pois bem, Steve. Já que você quer saber de tudo, saberá de tudo. Mas, já aviso para que se prepare, pois, o baque será grande e você não irá gostar do que irá saber. Nem mesmo saberá lidar com isso. Então, não diga que não lhe avisei.

Com a postura tensa, o loiro apenas disse:

- Você está me deixando preocupado Natasha.

Com um sorriso ínfimo de escarnio, a ruiva apenas disse:

- E você realmente deve ficar preocupado. Bem, vamos lá. A primeira coisa que você tem que saber é que aquela luta deixou sequelas graves em Tony.

- Que tipos de sequelas?

Com a voz um pouco mais embargada, ela sussurrou de forma quase inaudível:

- Ele sofreu uma séria lesão na coluna, Steve. Tony ficou paraplégico.

E, se ele achava que de alguma forma ela não poderia surpreendê-lo ainda mais, ele provara mais uma vez que estava errado. 

Sim, aquilo definitivamente era um pesadelo.

- Como assim paraplégico, Natasha? 

Um suspiro frustrado saiu de seus lábios antes de começar a explicação que ouvira de Peter, do médico e do próprio Tony:

- Eram dois contra um, Steve. Era uma luta desleal. Você e seu amigo são super soldados modificados e treinados para matar. A armadura protegeu Tony da maioria dos golpes fatais do seu amigo, mas, ao mesmo tempo que amortecia seus golpes pela frente com o escudo, potencializava os de Barnes pelas costas. Foram inúmeros golpes na região da coluna até o momento em que Tony arrancou o braço do seu amigo e que foi jogado ao chão, seguido de você destruindo o reator. A queda apenas intensificou o que já estava ruim. Ele perdeu os movimentos das pernas ainda no avião que Peter e Happy conseguiram para trazê -lo de volta, embora a hipotermia estivesse em um quadro avançado. Obtiveram a confirmação no complexo, quando ele acordou, dias depois. Desde então, Tony tem feito fisioterapia para tentar reverter o quadro, embora ele faça mais por Peter do que por ele mesmo.

Steve tentava da melhor forma possível processar tudo o que ouvira da mulher a sua frente, falhando miseravelmente no processo. Era irreal pensar que Tony - seu inabalável Tony - estava daquela forma após um embate ferrenho e doloroso entre os dois. De repente, algo cruzou a sua mente e ele voltou a se dirigir a Natasha:

- Eu, foi eu o responsável pela lesão de Tony? Eu ... por favor, Nat, eu ...

- Não sei dizer se foi você, Steve. O que sei é que o principal causador da lesão dele foi o Barnes, pois ele esmurrava as costas de Tony com o intuito de machucá-lo. Ele conseguiu, na verdade. Você pode ter só piorado o que já não era muito bom, mas, diretamente, o principal responsável foi o Barnes.

O ar faltou em seus pulmões ao dar-se conta do peso daquelas palavras sobre seus ombros. Bucky havia sido o causador principal da lesão do gênio, mas algo em seu interior berrava que aquilo tudo era culpa sua e que ele era o responsável direto. 

Ele se sentia responsável.

Sua mente começava a dar voltas e mais voltas, amargando tal sensação, um único pensamento se fixando ali:

Eu poderia ter evitado isso. Eu poderia fazer tudo diferente. 

Após um instante, uma informação do monólogo anterior voltou a sua mente, o que fez com que a respiração de Steve ficasse travada em seus pulmões mais uma vez naquela noite.

Respirar era quase impossível quando as palavras saíram de sua boca: 

- Você disse que Petey tem visitado um psicólogo, mas não disse o porque. Quando me disse sobre o que havia acontecido, você mencionou Peter e Happy. É por isso? É por isso que o Spidey está indo a um psicólogo? Pelo que aconteceu?

O rosto da russa assumira uma expressão mais séria ao ter o nome de seu afilhado citado na conversa e os pelos da nuca de Steve se arrepiaram imediatamente, o que lhe indicava que ele realmente não iria gostar do que ouviria.

E Natasha não poderia se importar menos.

Tony tinha razão ao dizer que era Peter que importava naquilo tudo e que seus sentimentos e suas reações eram a prioridade, acima dos demais.

Seria um baque duro para Rogers saber o que o adolescente pensava sobre si agora, mas certamente não seria um baque tão doloroso quanto o mesmo encontrar o pai quase morto no meio de um inverno rigoroso. 

- Tony conseguiu entrar em contato com Peter para pedir ajuda. Happy tentou fazê-lo ficar em casa, mas ele bateu o pé e foi junto. Digamos que ele não encontrou a melhor das visões ao chegar lá e menos ainda ao voltar para casa. Petey é um menino de ouro, mas ainda é um menino que não deveria encontrar o pai quase morto no inverno da Sibéria e nem lidar com essa carga emocional que foi criada. Ele começou o acompanhamento psicológico por isso, mas também pelo fato de que ele não consegue mais te ver como pai dele.

Um tiro teria doído menos do que ouvir aquilo de Natasha, mas, ela ainda não havia terminado.

- Na cabeça de Peter, você mentiu para ele. Você prometeu que protegeria Tony de qualquer coisa. Você jurou que não deixaria que ninguém o machucasse e o tirasse dele, mas quando ele viu seu escudo ao lado do corpo quase morto do pai, algo se quebrou dentro de Peter. Para ele, tudo o que você prometeu não passou de uma ilusão, já que você mesmo havia machucado, havia o ferido e quase o tirado dele. Ele não consegue mais te ver como pai desde o momento em que você machucou aquele que disse amar mais que tudo no mundo. Ele não se refere assim a você. Não gosta de tocar no assunto. Tony já tentou explicar a ele mais de uma vez que você também é pai dele e que o ama, mas Peter está irredutível. Ele só o chama de Steve ou de Rogers. Saber que você abandonou Tony por causa de Barnes fora a gota d'água para Peter. Ele disse que voce sempre escolheria Barnes, mesmo que sua família fossem eles. As exatas palavras foram: "Quando se tratar do Barnes, nós nunca seremos prioridade para ele."  Ele simplesmente te vê como um inimigo que deve ser mantido longe deles, assim como os outros. 

A única coisa que passava na mente atormentada de Steve, que tentava processar cada informação que recebera, era: 

O que diabos eu fiz com minha família?

O que eu fiz com meu filho, meu Deus?

Após o último pensamento, a última coisa que vira nitidamente antes do choro explodir ainda mais intenso do que o primeiro, fora o olhar de Natasha sobre si ao se levantar e se dirigir para a cozinha, a voz soando fracamente cansada: 

- Também me pergunto o diabos você fez com a sua família, Steve. 



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