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História Everybody wants to lose control - Urridalgo - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Eu quase não escrevi essa história por causa do 1D (sdd da minha boyband), mas aqui estamos.

Capítulo 1 - 1 - Você sabe como me sinto?


Fanfic / Fanfiction Everybody wants to lose control - Urridalgo - Capítulo 1 - 1 - Você sabe como me sinto?

Seattle; Washington. 1993

Sabina Hidalgo POV

A festa de Sina Deinert era o passaporte para a vida social no ensino médio, é claro, todos estavam felizes, afinal os anos noventa nos trouxe muitas coisas, principalmente a música, mas apesar disso a bebedeira. 
Todo jovem em qualquer lugar já bebeu, e se não bebeu, vai beber. Seja em festas de família, festas de amigos ou até aquelas que se compram com identidades falsas. Não importa. 

Eu era a pessoa que ou as pessoas gostavam, ou simplesmente mandavam ir se foder. Eu gostava de todas elas. "Moralista, vadia, sujeitinha nojenta, garota irritante", era disso que as pessoas me chamavam, as que me odiavam, pensando bem. 

Quando eu estava em uma festa, todo tipo de pensamento se esvaia de minha mente, desde a morte de Freddie Mercury até uma briga boba que eu tive com minha mãe, tudo era completamente incerto.

--- Você já bebeu demais. --- Any, minha amiga, disse retirando o copo vermelho cheio de cerveja da minha mão. 

--- Claro que não. --- Rebati.

--- Claro que sim, olha só você está quase caindo no chão, e ta falando tudo embaralhado. --- ela disse, lançando um dos seus sorrisos convencidos.

--- Eu vou te levar para um quarto para descansar. --- Krys, meu melhor amigo disse, praticamente me obrigando, afinal, ele havia parado de paquerar um carinha para me ajudar no meu momento bêbada.

Ele me levou até o quarto de Sina, poucas pessoas podiam entrar lá, nós éramos umas das. Sina tinha 19 anos, havia se formado em '92, mas com certeza ela faria festas até que ficasse madura, algum dia.

--- Olha só, eu te amo, mas você sempre ficar bêbada desse jeito não é legal, Sabina. --- o garoto falou, eu não entendi, não dei a minima na verdade, apenas peguei o maço de cigarros do meu bolso e acendi um, começando a fuma-lo. 

Krys saiu do quarto e me deixou sozinha, estava tão calor, meu primeiro impulso foi tirar a jaqueta e logo minha blusa. Me joguei na cama macia de Deinert enquanto terminava de tragar meu cigarro. 

Ouvi duas vozes, a porta fora aberta, levantei minha cabeça quando ouvi um "ah, merda". 
Em minha frente estava Savannah Clarke, a garota nova na cidade e Noah Urrea, ou como eu o apelidei: Noah Idiota Urrea.

--- Olha só idiota, o quarto está ocupado, então por favor, dê meia volta. --- falei com um sorriso cínico nos lábios, enquanto me apoiava com meus cotovelos no colchão macio da cama e o cigarro estava entre meus dentes.

--- Sem chance, eu já tinha falado com a Sina, dê o fora, você não está fazendo nada de mais. --- ele disse com uma carranca.

--- Claro que estou, eu estou meditando sobre minha vida e buscando coisas boas. Podemos ver que até agora não deu certo. --- retruquei sendo sarcastica.

--- Hidalgo, olha só, você não é nem um pouco agradável, mas eu vou te dar essa chance, vamos lá gata, você pode ser alguém muito legal, só hoje. 

Me levantei enquanto soltava um riso anasalado.

--- Acho que você não ouviu, mas como eu disse, o quarto está ocupado, imbecil. --- soltei a fumaça em seu rosto. 

Savannah saiu de lá, com certeza já estava prevendo uma pequena discussão. 

--- Você se acha muito não é Hidalgo. --- ele afirmou, levando seus passos para perto de mim. Fui capaz de sentir o cheiro de bebida e maconha, ele estava um pouco chapado. 

--- Olha só, cara, a sua amiga acabou de descer, com certeza ela não quer mais foder com você, por que não desce e vai fazer algo útil? --- provoquei, jogando o cigarro pela janela. 

Ele continuou andando, e eu por impulso, continuei guiando meus pés para trás, até cair de costas na cama. Não sei bem se ele se jogou ou apenas caiu em cima de mim. 

--- Você é muito convencida, gatinha, um dia ninguém vai aguentar ouvir você falar. 

--- Bem, eu não aguento ouvir você falar. E acho que você esta invadindo meu espaço. --- falei, mas não pude não observar seus lábios rosados. Culpei o efeito da bebida. Antes do mesmo abrir a boca, senti um volume em suas calças.

--- Ah não, sem chances. --- comecei a rir descontroladamente.

--- Eu ia trepar, você empatou minha foda, então não se atreva a rir, babaca. --- ele disse, saindo de cima de mim. --- e olha, você está de sutiã, até um santo teria tesão nisso. Espera, o que é que estou falando?

--- Urrea, você está chapado. Cha-pa-do, deve estar perdendo a noção. --- eu disse, como se fosse uma afirmação. --- Mas nesses casos, você sempre tem uma mão disponivel. --- falei colocando minha camisa de volta no corpo, como eu ainda estava com calor, deixei a jaqueta de lado.

--- Você é sem graça, completamente ridicula. --- ele disse de maneira lenta, se sentando na cama. Eu estava bebada, mas não como ele. 

--- Claro, claro... --- falei, me preparando para sair do quarto.

--- Eu quero conversar, Hidalgo. --- Noah expressou, de maneira que soou como uma grande urgência, antes que eu pudesse me levantar.

Estranhei, quase o ignorei, mas logo pensei nos sermões que eu receberia de Krys e de Any, eu não seria irresponsável de voltar e estragar a noite deles, mais uma vez. 

--- Ok, vamos conversar. --- me entreguei, encarando sua face lerda. --- nossa, isso é estranho.

--- Por que? --- ele me inquiriu, como se não houvesse motivo para aquilo ser estranho.

--- Acho que você esqueceu, mas...eu te odeio, você me odeia. --- o expliquei.

--- Eu sei, mas você sabe o porquê? 

--- Não, eu devo não lembrar agora.

Ele se calou por um tempo enquanto observava o poster do Michael Jackson no quarto da loura que não sabíamos onde estava.

--- Isso é uma coisa difícil. Ódio é uma palavra muito forte. --- ele pronunciou, de modo sério. --- Sabe, dizemos que odiamos nossos pais, quando na verdade sabemos que não. E dizemos que os amamos mesmo não sabendo bem se isso ainda é verdade...Tem toda aquela coisa do amor fraternal e incondicional, é claro, mas já parou pra pensar se realmente gostamos deles? Eles já nos magoaram, mas os amamos, isso é meio doido.

--- Sei bem como é, virou uma coisa banal, é tipo quando dizemos que amamos aquele amigo que não conhecemos nem a dois meses. --- respondi e ele apenas confirmou com um movimento de cabeça. --- Acha que gosta dos seus pais?

--- Não sei. --- respondeu rapidamente. --- e você?

--- Eu também não sei, é meio difícil. Minha mãe tem meio que duas personalidades, então é difícil conversar com ela, a menos que ela não esteja bebendo. E...nunca me senti próxima o bastante do meu pai. 

Ele deitou na cama após eu falar, e colocou as mãos nos olhos.

--- O que está fazendo?

--- Imaginando. 

--- Que jeito estranho esse seu de imaginar. --- falei, rindo. --- mas o que está imaginando?

--- Imaginando como seria se sua mãe não tivesse essas das personalidades, ou se seu pai fosse um cara que gosta de saber sobre seu dia. Acho que você seria mais legal. --- anunciou com um tom zombeteiro.

--- Bem, eu sou legal, com pessoas que merecem. --- retruquei. 

Ele me puxou, deitei ao seu lado e encarei o teto.

--- Acha que algum dia, tudo isso pode acabar? Sabe, tudo o que a gente tem agora, será que vai evaporar e virar uma coisa nova? --- ele perguntou.

--- Sim, com toda certeza, tudo muda. Daqui a dez anos podemos, sei lá, termos alguma coisa que hoje em dia seria bem difícil de ter. Ou finalmente termos descoberto carros voadores.

--- Concordo. Não com a parte dos carros, somos burros demais pra isso, mas com o resto eu concordo. --- ele falou, com um sorriso soprado. --- Eu queria que minha mente evaporasse e que só coisas boas sobrassem. E ai quando eu perdesse o controle e alguma merda acontecesse, eu não ia lembrar, não ia ficar me remoendo e nem nada disso.

--- Infelizmente isso é impossível, todo mundo precisa de um pouco de desgraça pra sobreviver no mundo.--- referi-me a sua colocação.

--- Algumas pessoas recebem desgraça em um dose bem grande então. --- ele disse, aquilo me fez rir, mas era verdade. --- e ai a gente lembra, e lembra, e lembra, e lembra.

Aquilo era verdade, não importava quando, em algum momento você se lembraria de algo que te atormenta, e essa coisa sempre seria carregada em suas costas. Aquilo dava meda, mesmo sendo algo tão comum.

--- Tem medo de alguma coisa? Não do escuro ou coisas assim, medo de alguma coisa na vida? --- questionei, quando comecei a ficar sonolenta.

--- Não, não tenho. O fim de todo mundo sempre é o mesmo, não importa o que façamos. --- articulou, como resposta. --- e você?

--- Eu tenho. Meu medo é ficar sozinha pra sempre, não sei porquê, mas eu me sinto tão...sozinha, e eu não quero mais sentir isso, não quero viver a vida inteira sozinha...não quero morrer me sentindo assim. --- as últimas palavras foram como um sussurro, senti uma lagrima descer pelo meu olho. Pisquei para impedir que outras ameaçassem escapar.

Ele virou seu corpo para mim e me abraçou, aquilo era estranho, muito, não sabia como reagir, mas não reagi, apenas adormeci.


Notas Finais


Eu pensei nessa história depois de assistir um filme MUITO doido que fez parte da minha infância e depois de 7 copos grandes de Jurupinga com frutas (batidas). Além de hoje 11/08, eu ter batido um papo com minha professora sobre isso, foi literalmente um papo de 1 minuto, mas ai eu pensei muito.
Então, além de ser uma história de urridalgo, é uma história sobre JOVENS. E mesmo se passando nos anos 90, é uma coisa muito atual. Eu me sinto assim :)


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