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História Everything Has Changed - Capítulo 2


Escrita por: KatsukiProject e CecySazs

Capítulo 2 - A Ajuda Auspiciosa


Fanfic / Fanfiction Everything Has Changed - Capítulo 2 - A Ajuda Auspiciosa

Ao contrário do que pensara, o mês transcorreu tão rápido que Bakugō não saberia dizer se estava vivendo ou somente contando os dias para encontrar Kirishima (para sermos honestos, a segunda opção era a mais confiável). 

Ok. Talvez, ele tenha entrado em modo automático na tentativa de não surtar totalmente perante Camie e seus pacientes (a funcionária sendo a primeira a saber do encontro, já que o convite surgiu quando almoçavam juntos e Katsuki estava atônito demais para não dar com a língua nos dentes). Não que tal tática tivesse surtido efeito nos primeiros catorze dias; somente após esse período de "cair a ficha" — e muita análise — que sua vida meio que entrou nos eixos e Bakugō começara a agir de modo mais… natural, digamos assim. 

Mesmo após semanas, ele ainda conseguia lembrar perfeitamente do conteúdo da fatídica ligação, repassando-o em um maldito looping que enregelava suas entranhas de forma bizarra toda vez que se pegava pensando nele — ou, de forma esporádica, quando Kirishima comentava sobre o assunto através de mensagens. 

O namorado aparentava estar tão ansioso quanto ele, e era compreensível… Afinal, como não surtar a cada vez que o simples pensamento de “vou conhecer pessoalmente meu namorado virtual” surgia na mente?! 

Bakugō estava ansioso demais para conseguir esconder tal evento dos amigos (ou de qualquer outra pessoa), até mesmo seus pais perceberam que algo fora do comum estava acontecendo com ele — e questionaram, claro. Não era preciso conhecê-lo a fundo para perceber a mudança drástica na postura sempre tão altiva e barulhenta de Bakugō, para modos mais cometidos e distraídos no dia a dia… Sua mãe e o "Principezinho maldito" foram os primeiros a notarem isso, inclusive.

Contar a novidade para eles foi fácil, muito fácil; o difícil estava sendo acalmar os ânimos com o passar dos dias… e a chegada cada vez mais próxima do tal encontro, que estava circulado pelo menos três vezes de vermelho no calendário sobre a escrivaninha do quarto. 

Puta merda, ele estaria encontrando Kirishima em menos de 48 horas. 

Bakugō suspirou com a constatação e resolveu afogar, com um novo gole de café, o inconveniente frio na barriga. O sabor amargo desceu pela garganta feito ondas fumegantes, aquecendo tudo que tocava pelo caminho. A agradável sensação de calor espalhou por todo o corpo, fazendo-o imaginar se esta seria a mesma sensação quando finalmente abraçasse o namorado… 

Kirishima era um homem de porte grande, ao menos era o que aparentava pelas fotos e vídeo chamadas, de sorriso fácil e olhos gentis… E não foram poucas as vezes que Bakugō se perguntou qual seria a sensação de ter aqueles longos braços ao redor do próprio corpo. 

Ele se pegava questionando se o toque dele seria áspero ou suave contra sua pele? Se o encaixe seria perfeito ou desengonçado na primeira tentativa? A sensação de calor e acolhimento estaria presente desde o primeiro instante? Em suas fantasias, Bakugō não tinha dúvidas que sim. Bakugō também gostava de imaginar sobre o cheiro… Qual seria o cheirinho de Kirishima? Ele preferia usar perfumes do tipo amadeirado ou usava algum feminino, extremamente doce e enjoativo? Com todo aquele papo sobre “coisas másculas” e virilidade, ele não se surpreenderia se Kirishima usasse alguma fragrância com cheiro bem marcante “de homem”. 

Bakugō deu um pequeno sorriso enquanto encarava o líquido preto, como se pudesse tirar dali as respostas para tais pensamentos aleatórios. Que também causavam rebuliços internos na mesma proporção que sua imaginação fértil.

Para sermos sinceros, o contato físico nunca foi um grande atrativo para ele, apesar de sua família ser adepta às demonstrações de afeto através de toques e beijos e abraços desde que se entendia por gente; entretanto, com Kirishima, Bakugō estava disposto — e por que não curioso? — a descobrir cada uma dessas coisas na prática.

O tilintar do pequeno sino anunciou a entrada de um novo cliente, atraindo alguns olhares curiosos na direção da porta com exceção de Bakugō, que estava envolto na própria bolha para reparar em qualquer outra coisa além da xícara sobre a mesa. 

O barulho do mundo, até então mantido do lado de fora, preencheu o interior da cafeteria durante os breves segundos — levados por quem quer que tenha entrado no estabelecimento — para a porta se fechar novamente. Tal ação trouxe a brisa úmida de asfalto molhado que se misturou com o aroma forte do café, afugentando momentaneamente o calor do espaço abafado e resultando na combinação perfeita para despertar o olfato de Bagukō — além da percepção de como a noite seria mais fresca naquela quinta-feira. 

Tais sensações fizeram a bolha enfim estourar, trazendo Bakugō para a realidade. Como uma estátua ganhando vida, ele remexeu-se na cadeira acolchoada e virou o rosto para a esquerda ao apoiá-lo na mão. 

Através da janela embaçada pelas gotas que escorriam em queda livre, ele observou as pessoas correndo esbaforidas à procura de abrigos — alguns improvisados em marquises — por causa da chuva que caíra repentinamente no bairro. Muitas foram pegas de surpresa com a mudança de tempo ao final da tarde, pobrezinhas, andando encharcadas pelas calçadas escorregadias ao retornarem para casa após o expediente. Bakugō poderia ter sido uma delas se não fosse pela potente voz de Mitsuki dizendo leve a porra do guarda-chuva, pirralho, a previsão do tempo anunciou chuva pra de noite enquanto ele buscava o dito cujo na lavanderia e o colocava dentro da mochila antes de ir para o consultório naquela manhã.

Não o julguem, morar com os pais tinha lá suas vantagens…

O ruído de metal contra madeira ressoou irritantemente pela cafeteria, atraindo olhares na direção da jovem que encolheu-se envergonhada por ser o centro das atenções enquanto se levantava e caminhava com passos apressados para a porta. Bakugō acompanhou todo o percurso até ver o homem alto e elegante entrar ao mesmo tempo que ela saía, o esbarrão entre os dois fora inevitável. 

Após o pedido de desculpas por ambas as partes (ou o que Bakugō julgava ter sido ao vê-los sussurrando), cada um seguiu em direções opostas. A jovem de cabelos escuros, puxou o capuz sobre a cabeça e correu calçada afora; já o homem alto e elegante, fechou o guarda-chuva e retirou o sobretudo, pendurando-o no gancho próximo a porta. Os olhos heterocromáticos observaram o local por breves segundos até pará-los na mesa onde Bakugō discretamente acenava com o braço levantado. 

Todoroki Shōto chamava atenção por onde passava, era um fato irrefutável.

Desde que o conhecera no Ensino Fundamental, quando Bakugō e Midoriya começaram a estudar na mesma escola que o tal moleque esquisito de cicatriz no rosto, que sentava na frente da professora e era tão nerd quanto a dupla de amigos, a situação se repetia: todos paravam ao vê-lo passar. E piorou na época do Ensino Médio, depois de Todoroki descolorir metade do cabelo ruivo até ficarem brancos ao passar no vestibular, adotando os cabelos bicolores até os dias atuais… O maldito era tão lindo, que tal bizarrice servira somente para destacar ainda mais a beleza natural do rapaz — além de aumentar os olhares, e suspiros exagerados, em torno dele. 

Foi nessa época também que Bakugō passou a chamá-lo de Principezinho.

Naquele fim de tarde, os longos cabelos bicolores estavam presos em um coque perfeito, destacando a cicatriz sob o olho esquerdo. O pescoço longo estava coberto pela gola alta da camisa preta de mangas compridas, e a cereja do bolo era a névoa fodidamente cheirosa do perfume caro que Todoroki usava. Antes de ele parar de desfilar e enfim se sentar, Todoroki puxou as mangas em direção aos cotovelos e fez o pedido para a garçonete que vinha no encalço dele feito um cãozinho atrás do dono.

Todoroki e Bakugō se encararam por alguns segundos, até Todoroki se desculpar pelo atraso — esta que foi dispensada por Bakugō com um gesto de pouco caso com os ombros. 

Do jeito que o tempo estava feio do lado de fora, era admirável a ‘rapidez’ da chegada dele; todavia, também não era como se Bakugō tivesse esperado tanto tempo assim pelo melhor amigo. Na verdade, os quase vinte minutos que ficou sentado ali, na mesa mais afastada no canto, o fizeram refletir sobre os próximos dias… Não seria feriado, e Todoroki não tinha obrigação nenhuma de aceitar o que jogaria em cima dele dentro de instantes… 

— Então…

— Então…

Como se estivesse em um ensaio fotográfico, Todoroki relaxou a postura e apoiou o tornozelo no joelho. 

— Você está se convidando para um ménage comigo e Inasa, Katsuki?

Os olhos de Bakugō arregalaram em choque, tossindo ruidosamente ao engasgar com a própria saliva. Por essa, ele não esperava! Bakugō agarrou a beirada da mesa de supetão, os nós dos dedos ficando brancos enquanto batia no próprio peito com a outra mão.

Caralho, Shōto é algum tipo de pervertido doente?! De onde ele tirou essa porra de ideia!?

— Mas que — uma tosse — porra de — outra tosse — pergunta é essa, filho da puta?! — a voz rouca e as lágrimas demonstravam o esforço de trazer oxigênio para os pulmões.

Todoroki manteve a postura inabalável, como se estivessem falando sobre o mau tempo ao invés de sexo… a três!? Urgh, que nojo! O cretino não teve nem a decência de se fingir constrangido!

— Eu que te pergunto, Katsuki — começou Shōto, puxando o celular do bolso da calça e deslizando-o sobre a mesa —, que tipo de mensagem foi aquela às três e quarenta da manhã? 

A garçonete se aproximou da mesa discretamente, deixando o pedido de Todoroki antes de se afastar. Bakugō aproveitou para ganhar tempo, tomando um gole do chá gelado do amigo e fazendo uma careta para o gosto horrível — ele nunca entendeu essa predileção de Todoroki por chá gelado ao invés de quente, ou o desgosto dele pelo café. Quem em sã consciência não gosta de café, porra?! 

Bakugō olhou para o display do celular, encarando a foto do casal na tela sem entender aonde o amigo queria chegar com a retórica… Todoroki estava reclamando do quê, afinal? Não tinha escrito nada de tão alarmante assim, apenas o horário e o local para que fosse encontrá-lo, pois gostaria da companhia dele em determinado lugar que somente falaria pessoalmente. Nada de mais, ora. 

— Te chamei para conversarmos, ué, qual é a porra do problema nisso? Você estava dormindo, por acaso? — Pelo contrário, Todoroki visualizou e confirmou o encontro no mesmo instante.

— Não, você não me acordou. — Shōto deu um gole no chá gelado, murmurando em aprovação antes de encarar Katsuki de novo. — Eu estava transando mesmo.

Bakugō empertigou-se.

— Qual é a porra do teu problema hoje, Principezinho maldito!?

— Nenhum. Só estou curioso para saber o que tanto te aflige a ponto de você me mandar uma mensagem de madrugada. Está precisando de dinheiro, Katsuki?

— Pelo amor de Deus, não! Já basta o valor que peguei contigo, e ainda tô pagando… Não quero outra dívida nem tão cedo!  

Foi apenas uma vez que Bakugō precisou de um "empréstimo" para reformar o consultório onde atende atualmente; a facilidade do acordo e os juros menores com Todoroki foram um diferencial e tanto. Por mais que os pais tenham comprado a sala assim que se formara na especialização, o lugar precisava de uma boa repaginada para se enquadrar nos padrões de um verdadeiro consultório odontológico (ao invés de um escritório de advocacia). No final de cinco meses de obras ininterruptas, ele finalmente começara a exercer a profissão em um lugar que podia chamar de seu após clinicar em tantos endereços onde alugava em busca de experiência e clientela. 

Bakugō era grato pela grande ajuda de Todoroki na época, assim como sabia que sempre poderia contar com ele para qualquer coisa. E, por isso, tinha chamado o melhor amigo ali… para pedir que o acompanhasse na empreitada mais importante de sua vida, pois estava nervoso demais para cruzar o estado numa viagem de dez horas completamente sozinho. 

— Bom, se não é algo sobre sexo ou dinheiro — pontuou Shōto, refletindo um pouco… Ele se inclinou sobre a mesa e aproximou-se, entrando no espaço pessoal de Katsuki que conseguia sentir a respiração do amigo batendo no próprio rosto. — Você precisa esconder um corpo ou coisa do tipo? Quantas vezes nós já conversamos sobre ser menos revoltado com as pessoas? Sempre te avisei sobre isso, Kitty-Kat…

Dessa vez, uma gargalhada genuína irrompeu na mesa. Forte, alta e bizarra o suficiente para atrair alguns olhares na direção dos dois, mas Bakugō ignorou tudo ao redor, mais preocupado em segurar o rosto de Todoroki entre as mãos enquanto jogava a cabeça para trás e ria roucamente até a barriga quase doer. Rindo espontaneamente a ponto de fazer o tão característico “ronc, ronc”; da gargalhada tosca que Bakugō possuía desde a infância. 

Aquela era a opção que mais condizia com o Bakugō do passado, antes de ele começar a terapia, quando ainda era um moleque explosivo e mal-humorado que não sabia lidar com suas próprias questões pessoais sobre quem era e descontava sem motivo aparente nas coisas ou pessoas ao seu redor. Entender o porquê de ser tão diferente dos demais foi algo que levou anos até que começasse a compreender e aceitar que não havia nada de errado em não sentir atração por outra pessoa. Ele não estava quebrado; e não necessariamente seria um homem solitário no futuro. Assim como também estava tudo bem em não querer um relacionamento romântico com mulheres, por exemplo. Mas estes pormenores deixaremos para um outro momento…

Quando ele voltou a olhar para o amigo, balançando sutilmente os ombros pelas risadinhas remanescentes, Todoroki estava com uma sobrancelha rubra arqueada, não entendendo nada sobre sua reação exagerada. Bakugō deixou um beijo estalado naquela testa estupidamente lisa e perfeita, antes de empurrá-lo para longe com brusquidão.

— Na boa, Shōto — ele enxugou os olhos —, você precisa parar de ler esses livros de Romance Policial. Já estão afetando sua mente, sério mesmo. — Enquanto tomava um longo gole de café para molhar a garganta, Bakugō ponderava que estava realmente cercado por idiotas. — Falando sério agora, Shōto, eu te chamei aqui porque quero te fazer um convite. — Todoroki arqueou a sobrancelha de modo sugestivo, e Bakugō somente revirou os olhos. — Não, porra, não tem nada a ver com essas merdas pervertidas que você está pensando! O lance é que Eijirō me chamou para um encontro… E eu não quero ir sozinho. 

A cara de paisagem de Todoroki não se alterou nem um pouquinho. Ele continuou olhando para Bakugō com aquele lindo rosto inexpressivo, aguardando em silêncio para que o amigo continuasse a falar sobre o tal encontro marcado. 

Não era segredo nenhum que ele namorava a distância; todos que faziam parte do seu convívio íntimo sabiam da existência de Kirishima Eijirō na vida de Bakugō Katsuki. Portanto, não deveria ter motivos para Bakugō estar tão nervoso naquele momento… Ele remexeu-se na cadeira, incomodado com o formigamento no estômago, como se as borboletas continuassem vivas mesmo após a ingestão de tanto café. Bastava expor para o melhor amigo sobre os planos para a viagem. Bakugō poderia fazer isso; e era o que ele faria. 

Todoroki ouviu com atenção, meneando a cabeça em concordância enquanto bebericava o chá e comia o donuts que havia pedido anteriormente. Somente quando Bakugō terminou o breve monólogo, o melhor amigo esboçou alguma reação.

— Você está dizendo que vai para Shizuoka de carro, e quer que Inasa e eu sejamos seus companheiros de viagem?

— Sim, buceta, você está repetindo o que acabei de dizer. — Katsuki já estava começando a se arrepender de ter proposto a Shōto. — Vocês aceitam ou não?

— Claro, nós levaremos você para conhecer seu namorado virtual.



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