História Everywhere - Capítulo 5


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Categorias Descendentes
Personagens Carlos de Vil, Chad, Dizzy, Doug, Dude, Evie, Gil, Harry Gancho, Jane, Jay, Lonnie, Mal, Personagens Originais, Princesa Audrey, Príncipe Ben, Uma
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Palavras 4.479
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Festa, Ficção Adolescente, Magia, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 5 - Capítulo cinco - Yin e Yang


- Você disse o que? - A Fada Madrinha questionou, boquiaberta, amassando o memorando que recebera, por um reflexo.

Sentada na cadeira na frente da mesa dela, Mal suspirou, entediada.

- Eu disse que ele podia pegar aquele livro e enfi...

- Não, não precisa repetir! - A mulher a interrompeu, meio desesperada, com uma mão estendida como se a pedisse para ter calma.

Mal precisou segurar o impulso de revirar os olhos, diante daquela reação exagerada.

Mais cedo, havia ficado claro para ela que não tinha como matar aula. Era quase impossível estar longe da vista de seus amigos, e ela sabia que se simplesmente sumisse, eles iriam procurar por ela.

Então ela resolveu esperar até o final das aulas para dar seu próximo passo e, enquanto isso, tentou ficar longe de problemas. Apenas tentou.

Isso porque apenas em sua terceira aula do dia, história de lenhadores e piratas, a Mal malvada já estava surtando.

Como ela conseguia se concentrar naquelas aulas terrivelmente chatas antes?

Havia uma constante corrente de ansiedade percorrendo seu corpo e a voz monótona de seu professor a estava deixando muito irritada.

E em algum ponto da aula - precisamente quando o professor pediu para que ela parasse de desenhar e prestasse atenção - ela simplesmente explodiu, interrompendo o discurso que ele fazia a respeito da importância da leitura do capítulo vinte e três, com uma resposta nada agradável.

Ela se arrependeu no instante seguinte, mas não por se sentir culpada por ter ofendido o pobre homem e seu bigode antiquado, mas sim porque o espanto visível na expressão de seu professor e colegas - principalmente na de Carlos, que fazia aquela aula junto com ela - a fez lembrar de que ela não deveria chamar esse tipo de atenção.

Era tarde demais, no entanto.

Foi mandada para a sala da diretora e agora a Fada Madrinha a olhava com o mesmo horror dos demais.

- Eu não deveria ter colocado a frase desse jeito. - A garota murmurou, se sentindo mais idiota do que arrependida. Esperava que aquele pequeno deslize não a fizesse perder muito mais tempo de sua vida.

- Definitivamente não - A mulher concordou, ainda olhando-a, sem acreditar. - Infelizmente terei que te dar uma detenção.

- O que? Não! - A expressão dela se torceu em fúria, antes que ela pudesse se controlar, fingindo tristeza em seguida. - Eu realmente sinto muito, Fada Madrinha. - Mal apelou, tentando soar convincente.

- Sei que sente, mas são as normas da escola. Uma infração assim lhe daria pelo menos quatro dias de detenção.

Mal fechou os olhos por um momento, apertando os lábios em uma linha, como se estivesse emocionada.

- Eu entendo. É que, sabe... - Ela pigarreou levemente, fazendo a linha de que era difícil continuar a falar. - Ainda não me acostumei com toda essa pressão de ser a dama da corte.

A fada se empertigou em seu assento, curiosa a respeito da revelação. Ela assentiu, encorajando-a a falar.

Mal desviou o olhar para a janela, suspirando tristemente.

- É só tudo que vem acontecendo... tem me deixado sensível - Ela colocou a mão dramaticamente sobre o peito. - Às vezes parece que eu estou presa em um armário pequeno e bagunçado, tentando acordar de um sono profundo. É tão difícil explicar...

A Fada Madrinha se esticou sobre a mesa, para poder tocar o braço de Mal, compreensivamente.

- Não, tudo bem, eu entendo - Disse ela com compaixão, facilmente caindo em seu truque. - Talvez eu possa atenuar sua punição... Uma hora de detenção hoje depois da aula, o que acha?

Os olhos de Mal faiscaram em raiva, mas ela soube disfarçar.

De que adiantaria aquele atenuante?

De qualquer forma, ela obrigou-se a sorrir para a diretora e teve que aceitar o papel de sua advertência, mantendo a expressão de quem estava emocionalmente abalada.

Ao sair da sala ela largou o papel no chão, revirando os olhos. Aquele dia estava exigindo muito de sua inexistente paciência.

Durante o almoço, ela precisou de muita habilidade para fugir de seus amigos, porque eles pareciam brotar das paredes. Mal sabia que a essa altura Carlos já deveria ter contado aos outros sobre o incidente na aula e ela sabia que eles iriam questioná-la a respeito, então se esgueirou até seu dormitório e ficou de olho em seu outro eu durante todo o horário de almoço.

Afinal, por mais bagunçado que estivesse, o closet não era exatemente o melhor lugar do mundo para se esconder um corpo. Mas ela não tinha mesmo muitas outras opções e, se tudo corresse como o planejado, sua versão boazinha só seria encontrada tarde demais.

Antes de voltar para a aula, Mal foi pegar o lagarto, já que precisava transformar sua mãe de volta ao pegar a varinha, após a escola.

E assim que colocou o réptil na caixa, ouviu a voz de sua mãe soar em sua cabeça, de maneira invasiva e muito incômoda.

Você ainda não conseguiu?, Malévola questionou em um tom irritado, fazendo a filha soltar um grito de susto.

- Você quer vir aqui e fazer, então? - A garota bradou, irritada. - Eu estou quase! E não faça mais isso, é terrivelmente intrusivo!

Precisa soltar a filha de Úrsula, a voz disse novamente, parecendo reverbrar pelo crânio de Mal, como se sua consciência estivesse falando em um microfone no último volume.

- O que? Uma?

Sim. Eu posso não estar em minha melhor forma quando você me trouxer a forma humana novamente, vamos precisar de ajuda se quisermos tomar o castelo. A garota vai reunir sua gangue e me ajudar.

O sangue de Mal ferveu. De jeito nenhum ela ajudaria Uma.

- Não vou libertá-la. Ela vai apodrecer naquela cela.

Teria sido muito estranho se alguém tivesse chegado naquele momento, para vê-la conversando sozinha.

Não seja imprudente! Advertiu Malévola com irritação. Eu não estou forte ainda e você é fraca sem sua outra metade. Eu odeio isso tanto quanto você, mas vamos precisar de ajuda.

Mal bufou contrariada, jogando a caixa com sua mãe dentro de sua mochila com brutalidade antes de voltar à escola.

[...]

- Olá, Lady Mal - Lumière a Cumprimentou com uma pequena reverência. - O rei Ben não está aqui...

- Eu sei, ele está em Auradon Prep - Mal forçou um sorriso. - Ben está super ocupado com o dever de casa, me pediu para vir aqui e pegar um livro que ele esqueceu em seu gabinete. Vai levar um segundo.

- É claro - O mordomo concordou, gentil, conduzindo-a pelos corredores do castelo até a porta do escritório.

Para sorte dela, ele ficou no corredor, deixando que ela entrasse na sala para procurar o que precisava.

Mal sabia onde estava a chave da cela de Uma, afinal, ela mesma havia guardado na gaveta da mesa dele, após trancá-la lá dentro.

Ela pegou a chave, guardando-a no bolso, e pegou o primeiro livro que viu na prateleira de Ben, voltando para o corredor.

- Eu posso usar o banheiro? - Questionou ao homem, embora soubesse que não precisava. Ele assentiu, fazendo menção de conduzí-la até lá também, mas ela foi mais rápida. - Tudo bem, eu conheço o caminho.

Lumière sorriu para ela, fazendo outra reverência antes de virar.

E assim que ele sumiu no corredor, o sorriso simpático de Mal desparaeceu.

Ela largou o livro em algum lugar, caminhando apressadamente em direção ao calabouço. Subiu as escadas até ele, não demorando a encontrar o guarda que vigiava as portas.

Droga.

- Sebastian - Ela chamou o homem que lhe cumprimentou com uma reverência. - Você está liberado dessa função. Ben ordenou que Uma volte para a Ilha, deveria preparar o carro.

Mesmo que fosse difícil para ela ler a expressão dele - já que ele usava óculos escuros mesmo dentro do castelo - Mal soube que ele estava hesitante.

- Não fui informado a respeito, Lady Mal - Disse o segurança, claramente desconfortável por contradizê-la. - E essa ordem precisa ser dada diretamente pelo rei.

A garota conteve um suspiro de irritação, porém seus olhos a entregaram.

E o pobre segurança não sabia ao certo o que fazer, pois da mesma maneira que queria seguir o protocolo padrão da guarda real, também não queria perder sua credibilidade com a futura rainha de Auradon.

- Talvez, se eu puder fazer um telefonema ao rei... - O homem sugeriu e viu Mal sorrir.

Era um sorriso bem maldoso, mas ele não percebeu.

- É claro. Ligue pra ele.

Sebastian pegou seu celular no bolso de seu paletó, sequer percebendo quando Mal entoou o feitiço:

- Agora, imediatamente, caia no sono e saia da minha frente.

O guarda nem mesmo viu os gestos que ela fez, antes que suas pálpebras se fechassem.

Mal precisou segurar o corpo dele, para que ele não caísse no chão com um baque surdo e o apoiou na parede, devagar.

Abriu as portas do calabouço e começou a puxar o guarda para dentro, com dificuldade.

Talvez fosse uma boa ideia começar a malhar, a garota pensou, enquanto encarava a realidade de que poder arrastar corpos com facilidade seria uma habilidade muito útil.

Mal largou o saco de músculos no corredor do calabouço, soltando o ar pela boca e se alongando um pouco.

- Senti falta disso - Ela murmurou para si mesma, referindo-se ao feitiço que tinha acabado de usar. Na verdade ela não se lembrava deireito do que havia lido em seu livro de feitiços, mas acabou dando certo.

A movimentação chamou a atenção de Uma em sua cela.

Ela viu o guarda desmaiado e a garota que havia o arrastado até ali e franziu o cenho.

- Mas que...

Mal tirou a chave do bolso, abrindo a pesada tranca da cela.

- Anda, não temos tempo.

A grade foi aberta, mas Uma continuou parada lá, confusa.

- O que é isso?

- Um resgate - Ela respondeu, obviamente. - Mas não me agradeça por isso, se fosse por mim te deixaria apodrecer aqui. Minha mãe mandou lembranças.

Uma quase riu. Como se ela fosse mesmo agradecer a alguém por alguma coisa.

- Está me dizendo que sua mãe te mandou aqui para me soltar? - A filha de Úrsula arqueou uma sobrancelha, trocando o peso do corpo de uma perna para a outra, demonstrando que não tinha nem um pouco da pressa desesperada de Mal.

A de cabelos roxos respirou profundamente, contando até dez para permanecer calma. Ela quase conseguiu.

- Eu enfeiticei um guarda - Ela apontou para o corpo caído do homem. - E entrei no gabinete real só pra pegar a chave que abre essa cela estúpida... E não estou aqui para que você desconfie de mim, então, se quiser ficar ai, ótimo! Eu vou ficar infinitamente mais feliz.

Mal foi em direção às portas do calabouço, mas antes que pudesse sair, se deteve, sabendo que sua mãe estava certa sobre Uma e sobre o que ela precisava fazer.

Afinal, Malévola estava em sua pior forma (sem trocadilhos) e a própria Mal sabia que estava mesmo muito fraca sem sua outra metade. E teve certeza disso ao ver Sebastian se remexer em seu sono mágico.

- Mas você tem que voltar à Ilha e trazer sua gangue para invadir o castelo - Disse a garota, a contragosto. - E você não vai conseguir isso sem mim, então é melhor acreditar que estou te ajudando.

Uma ainda a encarava, no mesmo lugar.

Ela sabia que Mal só poderia estar falando a verdade, já que as circunstâncias estavam ao seu favor. Ela tinha mesmo derrubado o guarda e não lhe pareceu ter nenhum outro motivo para que ela fizesse isso, se não para cumprir os planos maquiavélicos de sua mãe.

A não ser que fosse apenas uma armadilha para mandá-la de volta para a Ilha. O que também não fazia muito sentido, já que Mal tinha deixado claro o quanto queria vê-la atrás daquelas grades para sempre.

Antes que ela pudesse perguntar alguma coisa, no entanto, uma voz conhecida reverbrou em seu crânio:

Ela diz a verdade, disse a voz de Malévola, com impaciência e Uma reprimiu um grito de susto, assim como Mal que também pode ouvir a voz.

- Não faça isso! É terrivelmente intrusivo! - A filha de Úrsula bradou e Mal meio que deu de ombros, pois concordava.

Vocês estão ficando sem tempo... A vilã cantarolou, mas foi ignorada.

- Está executando o plano de Malévola? - Uma questionou, incrédula. - Por quê?

Mal apenas balançou a cabeça, sinalizando que aquilo não era importante, e segurou os braços do pobre segurança adormecido, começando a puxá-lo em direção a cela.

- O feitiço não vai durar muito - Explicou ela e então olhou feio para Uma. - Vai ficar aí parada ou vai me ajudar?

Contra a própria vontade, Uma bufou, ajudando a inimiga a carregar o corpo até sua cela.

Mal trancou a grade e as duas desceram as escadas do calabouço, rapidamente.

Foi ainda mais difícil sair do castelo. As duas precisaram evitar cada empregado que transitava pelos corredores, então a cada dois passos praticamente, Mal precisava empurrar Uma para se esconder nas bifurcações do corredor.

Mas no final elas conseguiram sem muitos problemas e chegaram a frente dos portões, onde Mal tinha deixado a scooter de Ben, que ela havia pegado sem permissão.

Tinha sido muito fácil descobrir a combinação do armário dele e pegar as chaves, então ele estava quase implorando para que sua moto fosse roubada. Isso não teria sido necessário, é claro, se Mal não tivesse deixado sua própria moto na Ilha dos perdidos.

Ela pensou em pegá-la de volta, quando todo o lance sobre a barreira mágica e a vitória do caos e maldade tivesse acabado (ou começado?), já que esperava que sua scooter ainda estivesse escondida onde deixara.

Uma e Mal se olharam torto antes de dividirem o meio de transporte.

Pareceu uma viagem de dias o percurso até os limites da floresta encantada, no despenhadeiro que dava para o oceano.

Mal desceu da moto, relutantemente entregando o capacete e a direção à Uma, que deixou seu olhar cair sobre a visão distante da Ilha e em seguida na garota a sua frente. Segurando o capacete, suas mãos suavam um pouco em ansiedade.

Ainda lhe parecia incerto aceitar a ajuda de Mal e uma considerável parte de sua consciência ainda estava em alerta. Ela poderia tentar fugir se quisesse, mas duvidava que pudesse. Por anos havia desejado estar frente a frente com Mal para ter sua vingança de forma justa, mas não era o momento, não era nada justo. Afinal, ela estava sem seu colar e enfrentar um dragão maluco que cuspia fogo não parecia uma ideia agradável.

Os olhos de Uma faíscavam, queimando como o fogo.

E ironicamente, os olhos de Mal estavam gelados como o fundo do oceano.

- Isso não significa nada - Uma sibilou, devagar. - Nós ainda temos um acerto de contas.

Mal fez um beicinho.

- Eu ficaria decepcionada se não tivessemos.

A contragosto, Mal fez um gesto para que ela aceitasse a direção da moto e Uma não entendeu o que ela faria a seguir.

Não parecendo muito contente em desfazer-se de sua moto roubada, Mal forçou a memória para lembrar do feitiço, torcendo para que aquela sua versão enfraquecida pudesse realizá-lo. Quer dizer, seria bem divertido ver Uma pilotar a scooter até a borda do penhasco e cair lá em baixo, mas duvidava que sua mãe fosse achar tão engraçado nas devidas circunstâncias.

- Meio de transporte puro e belo, leve Uma até o lugar onde eu quero.

Uma umedeceu os lábios, inconscientemente apertando o guidão com mais força, receosa. É claro que tudo ficou infinitamente pior, quando a scooter começou a flutuar por cima do mar. Não era uma sensação muito agradável.

Mal permaneceu lá, acompanhando seu percurso. Em parte esperando que sua magia não fosse forte o suficiente para fazer alguém atravessar a barreira e que Uma acabasse dando de cara com ela.

Não foi o que aconteceu. Seria difícil ver de tão longe, mas Mal tinha uma ótima visão - algo a ver sobre ser um terço dragão - e pode sentir algo quando o feitiço que lançara na scooter foi quebrado ao entrar na barreira sem magia.

E, preguejando baixinho por ter que fazer o caminho de volta a pé, Mal deu meia volta pela trilha na floresta.

Roubar aquela varinha estava demorando mais que o esperado.

***

- Ela está enfeitiçada. - Disse Evie, puxando Ben para dentro do quarto e batendo a porta.

- O que? Você tem certeza?

- Ela está em um sono profundo, incapaz de acordar, então sim, eu tenho certeza.

O garoto viu Doug ao lado da cama, onde Mal estava deitada, dormindo tranquilamente.

Ele tinha ficado realmente preocupado quando Evie ligou deseperada, exigindo que ele fosse até o quarto das duas imediatamente. Ele não pôde entender muito bem o que ela dissera, mas duvidou que pudesse ter acontecido algo com Mal, já que eles tinham se encontrado pouco depois do final das aulas.

Mas por qual razão ele ainda duvidava de que qualquer coisa pudesse acontecer?

Benjamin sentou na beirada da cama, sacudindo a namorada pelos ombros.

- Mal?

- Ben... - Doug o chamou, entediado. - Acha mesmo que nós não tentamos?

- Você tem que beijá-la! - Evie exigiu, impaciente.

Por algum motivo, Ben estava nervoso.

Será que eles não podiam passar pelo menos três dias sem que houvesse algum incidente com magia?

De qualquer jeito, ele se inclinou, selando seus lábios por alguns segundos. Se afastou, em seguida vendo-a abrir os olhos e sorrir preguiçosamente.

- Mal? Você está bem?

Ela assentiu, estendendo a mão para acariciar os cabelos dele.

- Eu sempre estou bem quando você está aqui.

A preocupação de Ben sumiu por um segundo, e ele sorriu, bobamente.

- É mesmo?

Evie e Doug se entreolharam, confusos.

- Mal - A garota a chamou, tentando desviar a atenção dela de Ben. - O que aconteceu com você?

A de cabelos roxos demorou a olhá-la, enquanto parecia pensar.

- Eu estava no lago encantado e tinha um unicórnio. Ele estava doente, então vomitava arco-íris por toda a parte, mas tudo bem porque eu dei a ele pílulas e ele melhorou. Aí foi cavalgar pelas campinas com sua família. Então meu sonho teve um final feliz.

Os três a olharam, boquiabertos.

- Não perguntei sobre o que estava sonhando, Mal - Evie fez um gesto para que Ben se afastasse um pouco, para que ela pudesse sentar perto de Mal.

- Evie, esse colar fica ótimo em você, ressalta seus olhos - Ela comentou, esfregando os olhos para espantar a sonolência e sorrindo para a garota. - Seus olhos são tão lindos.

Evie levou a mão ao peito, tocada.

- Você acha?

Doug achou graça, mas revirou os olhos.

- Mal, apenas diga o que estava fazendo antes de dormir.

- Não seja rude, Douglas. Estávamos tendo um momento aqui - Ela disse, mas os três a olharam, esperando por sua resposta, então ela suspirou forçando-se a lembrar o que estava fazendo antes de tirar uma soneca. - Eu vim até quarto, pegar o caderno que Jay pediu, então...

A filha de Malévola deteve a própria frase, derrepente saindo da névoa do sono e lembrando de tudo que tinha acontecido. Ela arregalou os olhos, soltando um arquejo ao olhar para o aquário vazio ao lado de sua cama.

- Mas que... carambola!

- Carambola? - Evie murmurou, sem entender, vendo a amiga levantar-se bruscamente. - O que aconteceu?

- Minha Mãe está de volta - Ela explicou, colocando uma mão sobre a testa, em desespero.

Automaticamente, os três a sua frente olharam para o aquário, só então se dando conta de que o lagarto não estava mais ali.

- Como isso é possível? - Ben questionou, alarmado.

Mal caminhou pelo quarto, impaciente, lembrando-se da conversa com sua mãe e de sua gêmea malvada.

- Ela não voltou a sua forma original, mas ainda consegue usar magia. Ela me enfeitiçou... - A garota fez uma pausa, pensando rapidamente em como explicar. - Ela separou meu lado bom e meu lado mau.

Por um instante, nenhum dos três disse nada. Doug pigarreou.

- Tipo... figurativamente falando?

- Não! Ela realmente tirou de mim meu lado malvado! Era como se... bem, eu estava lá, mas eu não era completamente eu... era como se... - Mal soltou a respiração pela boca, audivelmente, frustrada por não conseguir usar as palavras para explicar direito. - Tinha duas versões de mim!

Evie, Doug e Ben se entreolharam.

O rei deu um passo em direção a ela, meio hesitante.

- Está dizendo que existe uma versão boa e uma má de você?

- Tem um clone seu por aí? - Evie também perguntou.

- Vocês estão coexistindo? - Doug quis saber.

Mal assentiu, confirmando todas as perguntas.

- E ela, o melhor, eu vou abrir a barreira mágica!

[...]

- Bom, isso explica um bocado. - Disse Carlos, sentado no banco da frente da limousine, ao lado de Jay. Ele se virou para olhar para os amigos no banco de trás, julgando que seria mais saudável para seu estômago que acompanhar as manobras nada delicadas da direção acelerada de Jay.

- Como assim? O que foi que ela... eu... o que foi que eu fiz? - A versão boa de Mal perguntou choramingando, nada confortável com aquela situação.

Seus amigos não a julgavam, ninguém poderia imaginar o que se passava pela mente dela naquele momento. Literalmente, já que além a da confusão de ter que lidar com o fato de que existiam duas dela no mundo, ninguém poderia imaginar o que se passava na mente de uma Mal completamente pura e sem maldade.

Todos pareciam ser voluntários a responder a pergunta dela, porém Ben se pronunciou primeiro:

- Isso não importa agora, primeiro temos que te impedir de... - Ele interrompeu a própria frase, ainda meio confuso sobre como deveria se referir às metades de Mal. - A última vez que eu a vi foi no final das aulas, umas três horas atrás. Ela tem a senha para pegar a varinha, então porque a barreira ainda não foi destruída?

- Ela tem a senha? - Doug perguntou vendo o amigo pressionar os lábios juntos em aquiescência, lembrando-se da noite anterior em seu gabinete e ligando os pontos, com o constrangimento tingindo seu rosto de vermelho.

- Temo que sim

- Como? - Mal quis saber.

- Sua versão malvada tem uma ótima lábia - Literalmente falando. - A questão é que, o que ela esteve fazendo nesse tempo? Você não sabe?

A garota fez que não com a cabeça, seus olhos ficando marejados.

- Por que coisas ruins tem que acontecer? - Mal soluçou, deitando a cabeça no ombro de Evie, que alisou seus cabelos tentando consolar a amiga sensível.

- Vocês dois não se beijaram? - Jay perguntou, ainda atento a direção. Ben confirmou. - Então a magia não deveria ter sido quebrada?

- Mas esse feitiço está em ambas as parte de Mal... - Evie disse, pensativa. - Acho que ele teria que beijar as duas ao mesmo tempo.

Eles fizeram uma careta de estranhamento ao pensar na possibilidade, ao mesmo tempo em que a Mal boazinha se encolhia no ombro de Evie, chorosa.

Mas eles não tiveram muito mais tempo para fazer teorias, já que logo haviam chegado ao museu.

Ben já havia alertado a Fada Madrinha, mas ela não estava na escola e ainda não havia chegado ao museu, como disse que faria.

O museu tinha encerrado seu horário de funcionamento a poucos minutos e os seis adolescentes deram de cara com as portas fechadas. Havia um único funcionário lá dentro, que os deixou entrar assim que viu Ben do lado de fora.

Ninguém perdeu muito tempo explicando ao segurança o que estava acontecendo, mas pediram a Jay que ficasse ali com ele, guardando as portas caso Mal ainda não tivesse chegado, ou resolvesse fugir.

Lá dentro, eles se separaram, já que o imenso museu era um labirinto de corredores e escadas, com diversos caminhos diferentes até a exibição da varinha.

Ben e Mal foram para um lado, Evie e Doug por outro e Carlos subiu as escadas. Era o caminho mais rápido até a varinha, mas quando ele chegou lá, o setor estava vazio e a varinha intacta.

Talvez fosse sensato ficar ali, se esconder e esperar até que Mal resolvesse aparecer e cumprir seu plano maligno, porém aquilo lhe parecia estranho. Suspeito, no mínimo.

Desde quando, justo a Mal, atrasaria para cumprir um plano? Ainda mais uma versão completamente malvada dela?

Carlos contemplou a varinha mágica dentro de seu campo de força por meio segundo, antes de dar meia volta pelas escadas. De qualquer maneira, seus amigos logo estariam ali, ele poderia sair e verificar outros lugares.

O garoto correu, seguindo as placas de sinalização até a exibição seguinte: o salão que exibia alguns dos artefatos mais significativos do museu como o sapatinho da Cinderela, a rosa mágica brilhante da Fera, o pequeno espelho que um dia pertencera a Evie e, é claro, o livro de feitiços que Mal herdara de sua mãe.

Mas Carlos não teve tempo de contemplar nenhum dos objetos atrás de seus vidros, afinal, precisou frear seus passos rápidos para imperdir-se de esbarrar com Mal.

Inicialmente ele não soube dizer qual das versões dela era aquela, mas soube no instante em que ela abriu a boca.

- Argh, você. - Disse a garota em repulsa, colocando a mão na cintura calmamente. - Eu suponho que esteja aqui para tentar me impedir.

- Eu vou impedir você - O De Vil corrigiu, estendendo as mãos como se pedisse calma, mesmo que Mal parecesse curiosamente tranquila demais. - Você não quer fazer isso, Mal. Está enfeitiçada.

Ela estalou os lábios, dando de ombros.

- Pois é, eu meio que quero. E como você pode notar... - Mal olhou para o próprio pulso, como se checasse as horas em um relógio inexistente. - Meu plano sofreu um leve atraso, então se puder sair do meu caminho pacificamente...

Carlos se colocou na frente dela, quando a viu dar um passo pra frente. Ele não parecia muito certo sobre o que deveria fazer, já que Mal sempre fora melhor que ele em qualquer embate corpo a corpo e lhe parecia tremendamente errado que o único meio de impedí-la de chegar até a varinha fosse não deixando que ela saísse daquela sala, na força bruta.

Jay teria servido melhor para a função.

A frente do garoto, Mal bufou, sua expressão de deboche ficando levemente mais irritada.

- Alguma coisa dentro da minha parte boa e repugnante realmente gosta de você, então, por causa disso e pelos velhos tempos, vou te dar três segundos para sair da minha frente.

Carlos não se moveu, embora não soubesse se era realmente a opção mais inteligente ser a única barreira entre um dragão que cospe fogo e seu objetivo.

- Sabe que não posso te deixar fazer isso.

- Um...

Ele deveria imobilizá-la? Agarrar seu pescoço em uma chave de braço ou pular em cima dela como um troglodita jogador de rugby?

- Mal, por favor - Apelou, umedecendo os lábios nervosamente. - Nossos amigos já chegaram até a varinha, você não vai conseguir pegá-la.

- Dois...

- Jay está guardando as portas, você também não vai conseguir sair. Esqueça essa ideia, a Fada Madrinha está chegando, ela vai desfazer esse feitiço...

A de cabelos roxos inclinou um pouco a cabeça para o lado, curiosa.

- Então eu estou cercada? - Ela coçou o queixo, pensando por um momento, mas Carlos sabia que ela não estava cogitando a possibilidade de se entregar. - Três. - Soltou um suspiro longo. - Certo, o jeito difícil então.

Correr teria sido a melhor opção. Porém o pensamento de Carlos não foi rápido o suficiente para tirá-lo daquela situação, antes que Mal pudesse puxar seu livro de feitiços da mochila em suas costas.

Ela sorriu.


Notas Finais


#Maldramaqueen

"A versão boa de Mal" a frase mais paradoxal, reflitam sobre ela.

Eu simplesmente amei escrever sobre os dois extremos da Mal, mas esse capítulo foi bem difícil de escrever e eu quase morri pra poder terminar ~draminha básico. Então não custa nada deixar UM COMENTÁRIO pra me consolar né non?

Agora eu só tenho mais um capítulo pronto, depois terei que voltar a escrever. Como vou arrumar tempo? Hahahahahahaha
Não sei.

Comentem nessa merda.


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