História Ex combatente. - Capítulo 11


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Categorias A Favorita
Tags Drama, Revelaçoes, Romance
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Palavras 1.260
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Linguagem Imprópria, Pansexualidade, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 11 - Amor de mãe.


                              Capítulo 11

                                                    Amor de mãe.

 

Passaram-se uma semana, duas e nada de Rosa dá sinal de vida. Durante todos esses dias afastada da casa de Laureta, a cafetina estava insuportável com todos e apesar de toda agressividade com os funcionários, sua sensibilidade falava mais alto. Ela ia pro quarto, e ficava internada em sua cama, inconsolável por Rosa ter deixado sua casa sem ao menos ouvi-la.

Por outro lado, Rosa tentava ser forte e passava por cima de toda angústia e raiva que sentia de Laureta. Até que não demorou muito pra ela se tocar, e perceber que apesar dos pesares, Laureta sempre a estimulou, e sempre acreditou em seu potencial, se não tivesse Ícaro, filhote de marisqueira no meio delas, elas poderiam ter sido GRANDES AMIGAS.

A garota estava hospedada em um hotel de luxo. Ainda não tinha falado nada á ninguém do que descobriu sobre sua vida, ainda não era a hora. Sabia, que uma hora ou outra, teria que voltar á casa de Laureta. Afinal, precisa entender o seu lado da história, apesar de não ter confiança na mulher. Ela é sua verdadeira mãe, e alguma hora ela vai aceitar isso.

*CASA DE KAROLA*

— A menina sumiu, Karola. Nem quis me ouvir, mas eu tenho certeza que ela vai voltar. Eu tô sentindo aqui nesse coraçãozinho... -aponta pro peito.

— Ai ai, viu Lau. Se eu fosse você não botava muita expectativa, a Rosa murcha é o cão. - Diz, fazendo a amiga lhe olhar feio.

— Minha intuição não falha cascavel, e não chame mais a menina de Rosa murcha, mais respeito.- Pede, fazendo a cúmplice gargalhar.

— A vida é mermo muito doida né não? A pessoa que você mais infernizou por causa do filho da marisqueira do inferno ser a sua filha perdida... - comenta.

— Nem me fale, viu. As vezes nem eu acredito. - revela, dando um gole na xícara de café.

Laureta passou a tarde na casa de Karola, ela precisava se distrair e nada como desfrutar da companhia da velha amiga. 

Anoitece e Lau chega em casa, já estava muito melhor que antes, com aquele humor que a gente gosta. É surpreendida, quando Galdino lhe diz que tem uma pessoa querendo falar com ela, em seu escritório. 

— Oi. - diz a menina.

— Oxente, Rosa. Oi. Como você tá? Sumiu... - Diz a mulher sem disfarçar o brilho nos olhos.

— Tudo sim viu. - dá um sorriso de lado. Então né vei, lembre que lhe pedi um tempo? Então, eu pensei muito e cheguei numa conclusão que não posso ser injusta, até mesmo com você. Eu vim aqui lhe ouvir, Laureta. E quero a verdade. Por favor. - Pede.

— Tudo que você já sabe, não tem muito o que contar Rosa. Em todas as vezes que conversei com você, mesmo nem sabendo que você é de fato minha filha, eu sempre lhe falei que lhe achava muito parecida comigo. Sobrevivente e guerreira igualzinha a mim. - Diz calmamente.

— Laureta, por favor. - Implora mais uma vez.

— Ta certo, você venceu. Sente ai vá, é muita coisa. - As duas sentam.

— Minha infância foi horrível, você ainda dormiu em berço de ouro acredite. - Diz firme, e a garota presta atenção atentamente.

— Meu pai, seu avô, era um verme. Enchia o buxo de cana, e pegava o pouco dinheiro que minha mãe conseguia lavando roupa dos outros. Eu sempre ia com ela. Mas meu pai e meu irmão implicavam comigo, porque eu era muito bonitinha, tinha corpo e diziam que aos olhos dos homens eu era desejada, insinuavam me chamar de quenga. E na época eu era moça virgem. Não sabia nem o que era beijo na boca. - Revela. 

— Até que um dia meu irmão me abusou, e eu não tive coragem de contar pra ninguém. Poucos dias minha mãe ficou doente e na época, não tínhamos condições pra arrumar médico. Ela acabou falecendo, mas antes de ir ela me deu uma lição de vida. Disse "Seja forte o mundo não brinca em serviço, se você quiser vencer tem que ser inteligente." Ai eu tomei meu rumo e fugi de casa. - Conta, com lágrimas nos olhos mas contendo, mostrando que de fato é uma sobrevivente, e Rosa não dava um pio.

— Trabalhei em um Hostel daqui de Salvador, lavando latrina. Mas graças a minha beleza, conheci um homem poderoso que me mostrou outro lado da vida. Engoli muito sapo, se você quer saber. Ele me ajudou a montar meu próprio negócio, virei cafetina e fiz muito, muito dinheiro. Perdi muita coisa também, mas também ganhei muito. - Conta, sendo sincera e comove a filha. 

— Mas vamos pular essa parte, porque sei que não é essa a parte da história que você quer saber, né? - Diz com uma voz de choro, porém se mantém forte. 

— Conheci Orlando numa festa de gente fina, um amigo me convidou. Desde que entrei pro ramo, sempre fui adorada pelos Homens dessa cidade. Ele, era muito sedutor, e você sabe que não nego fogo. Acabamos indo pra cama, depois nos encontramos outras vezes, e deu em você. Quando descobri a gravidez, fiquei sem saber o que fazer. Ao mesmo tempo, uma alegria mas medo. Medo, de criar um bebê naquele meio de tanta saliência, apesar de ser despudorada, não sou doida. Passei sua gestação toda afastada do trabalho, viajei. Quando você nasceu e eu olhei pra você Rosa, eu chorei de tão feliz que eu fiquei. Você nasceu parecendo uma bonequinha de olhos azuis, iguais da sua vó. Eu tinha até medo de derrubar você. - As duas se emocionam.

— Bem pequeninha, mas não pudia ficar com você. Eu tava crescendo no negócio e infelizmente eu acabei pensando no dinheiro. Procurei Orlando e lhe entreguei a ele quando você não precisava mais de peito. Sempre mandava dinheiro pras suas despesas, só não podia lhe ver, porque não ia aguentar. Eu sofria demais. Até que um dia fiquei sabendo que o crápula tinha lhe dado pra um casal criar. - Lamenta.

— Chorei muito, sofri demais. Mas não pudia fazer nada, só queria que você vivesse em um lar decente, com pessoas decentes.  Ai, você me aparece de repente aqui, logo de primeira senti um negócio, uma conexão. Você, jovem bonita e ambiciosa, me encantou. - Confessa, sorrindo.

— Eu me arrependo de tudo que já lhe fiz, pode acreditar nisso. E sei que você tem a capacidade de me perdoar também. Nós somos uma família Rosa, sangue do mesmo sangue. E se antes, já sentia carinho por você, agora então... - Pega em  sua mão.

— Como a gente se engana com as pessoas, impressionante. Vei, eu achava que eu tinha sofrido, mas nem se compara ao que você passou, Lau. - Diz Rosa emocionada, baixando a guarda. — Eu achava que você era um monstro, sem coração. Mulher fria. Mas nem passou pela minha cabeça, que pra tanta amargura existe história. Eu tô realmente, sem saber o que lhe falar. Não posso te dizer que vou esquecer tudo, seria falta de respeito comigo e minha consciência. - Desabafa Rosa, deixando a mãe sem esperanças.

— Mas eu lhe perdoou, sim. - Levanta e abraça a mulher que fica sem palavras. As duas pela primeira vez dão um abraço puro com uma mistura de sentimentos.

— Você não sabe, o quanto eu esperei por isso. - realizada, a mulher se emociona.

— Amor de mãe. - Diz, enquanto segura no rosto da menina, encostando a testa na de Rosa, e as duas vivem um momento único de mãe e filha, uma reconciliação que ninguém esperava. Emocionante.

 

 

 

 

 

 

 

 


Notas Finais


alguém quer um lencinho?


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