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História Existência imperfeita - Capítulo 2


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Notas do Autor


E mais um capítulo pra vocês apreciarem <3
Ainda não tenho certeza se consigo postar um capítulo por dia, mas como não pretendo alongar muito a história, logo sai mais <3

Capítulo 2 - Regressão emocional


 A casa de praia não havia mudado quase nada. Fora algumas vegetações maiores aos arredores, parecia tudo igual visto de fora.

 

-Seu quarto está intacto.

Pearl dizia com a voz baixa apoiando a mão em meu ombro, como se quisesse me confortar.

 

-Então vamos fingir que está tudo certo?

Cruzei os braços e foquei a visão nela.

 

-Eu..

Suspirou.

 

-Levei um bom tempo para perceber que não devia ficar sofrendo pelo passado. Vivemos no presente, deveríamos escolher como vai ser nossa vida de agora em diante... sem ela..

Sua voz ainda trazia uma grande dor, típico dela sofrer por coisa já passadas.

 

-Você não mudou nada mesmo né?

Mantive meu olhar fixo o que fez a mesma engolir em seco.

 

-Parece que dormiu no formol, ainda está bela e jovem, quanto tempo que fiquei presa?

Disse com meu bom humor habitual, era bom poder me sentir eu mesma pela primeira vez.

 

-Eu sei me cuidar.

Falou rindo, levou a mão em meu cabelo.

 

-Precisamos dar um jeito nisso, sorte que tenho um maravilhoso creme hidratante.

Tornou a se gabar, era bom saber que a mais vaidosa do grupo continuava a mesma, eu sinceramente adorava esse jeito dela.

 

-Heey, vamos meninas, entrem.

Steven chamava no deck de madeira, em frente a porta, parecia estar animado também.

 

Apressei os passos sendo acompanhada pela delicada Pearl, ainda achava engraçado a mistura de nerd dela com algum projeto de rebelde.. sabe, aquela pessoa certinha que as vezes gosta de quebrar as regras.. mas depois ela surta, e isso é hilário de assistir.

 

Ao entrar, reparei que a decoração estava um pouco mudada, mas não tirou a essência do lugar, onde havia um enorme quadro da Rose, agora havia um enorme quadro do Steven com.. espera.. todas elas estavam na foto, exceto eu.. era maravilhoso ver todas ali, pelo menos não perdemos a amizade.

 

-Bismuth!!

Uma voz berrante se aproximou.

 

-Eu.

Virei para observar uma jovem baixinha, gorducha, morena e de cabelo platinado.

 

-Oh my stars, Amethyst, como você cresceu. E continua com a mesma cara de adolescente.

Disse amimada, ela se aproximou para me abraçar.

 

-Cara eu senti saudades, nem acredito que a Pearl conseguiu ajudar o Steven a te tirar de lá.

Após as palavras dela olhei por cima dos ombros para os mencionados.

 

-Então estavam tentando me tirar de lá esse tempo todo? Mas eu já disse que foi culpa minha.

Separei o abraço e observei ambos.

 

-Bismuth, deixa eu explicar, ela que quis assim.

Steven tentava.

 

-Mas eu puxei o gatilho... eu quis..

Reparei lágrimas aos olhos de Pearl, odiava ver ela chorando.

 

-Espera não.. Pearl.

A mesma se retirou e saiu.

 

Suspirei e fui correndo atrás dela, e parece que ninguém veio atrás de mim.

 

Por sorte ela parou em uma pedra, abraçou os joelhos e ficou olhando o mar. Sentei ao seu lado, apreciando o silêncio e a suave brisa do mar.

Durante algum tempo apenas ouvir a natureza era bom, mas lembrando de toda a situação, isso se tornava um pouco angustiante, já que nunca consegui falar sobre com ela.

 

-Eu estava em choque, não sabia o que fazer.. e só puxei o gatilho.. não fazia ideia que a mataria.

Abaixei a cabeça.

 

-N-não foi sua culpa... eu te culpei por anos por tirá-la de mim.. mas a verdade.. é que eu não aceitava que a perdi já fazia muito tempo.

Abraçou os joelhos e escondeu o rosto.

 

-E se invés de pensar que a perdemos, podemos pensar que ganhamos a oportunidade de recomeçar, sem ser envolvido nos problemas dela.

Levantei e estendi a mão. A mesma ergueu o rosto e ficou me observando.

 

-Eu também tenho pesadelos, também sinto falta dela.. mas.. não vamos ter ela de volta, aposto que ela iria adorar nos ver felizes e sorriso.

Minhas palavras, de certo modo, abriram um sorriso em seus lábios, foi onde a mesma se apoiou em minha mão para se levantar.

 

-Eu também senti sua falta.

Saltou como sempre fazia ao me ver, e como já sabia, a segurei no colo.

 

-Ahh Pearl deixe de sofrimento, eu sei o quanto gosta desse sentimento. Por que não tenta me contar o que houve todos esses anos que fiquei parada no tempo? Pra começar.. Por que as televisões estão tão finas? Parecem folha de papel.

Coloquei a magrela em meu ombro e voltei andando para a casa.

 

-Ora, eu te conto tudo.

Falou com seu ar sabido de sempre.

 

Apesar de não entender metade das coisas do que ela falava, e já conhecer sim sobre a “evolução da televisão”, já que no almoço podíamos assistir ao menos o jornal, só queria distrair ela para ouvi-la falar, tinha esquecido o quão era bom ouvir a voz dela, tentando explicar tudo.

 

Ao entrar na casa me deparei com uma garota de óculos loira, de olhos verdes, baixinha, a mesma estava abraçando Amethyst e deu um selinho na mesma.

 

-Peri.. calma.

Dizia a outra envergonhada, acreditando que ninguém havia visto.

 

-Amethyst.

Pearl reclamou, coloquei a mesma ao chão.

 

-Me desculpe.

A tal abaixou a cabeça.

 

-Já disse pra lavar a louça quando for fazer comida.

Parecia indignada, indo em direção a pia.

 

-Ahhh eu posso fazer depois, Peri quer ver aquela série chata novamente com o Steven e vamos fazer pipoca.

Tentou explicar.

 

-Oi.

Dizia a garota baixinha acenando para mim.

 

-Bismuth, e você?

Estendi a mão.

 

-Peridot.

Sorria de canto.

 

-Então.. você namora a Amethyst?

Perguntei tentando puxar assunto, mas a mesma corou e desviou o olhar.

 

-N-não exatamente..

Pareceu desapontada de certo modo.

 

Olhei ao redor e reparei que Amethyst estava conversando com Pearl, sentei então ao sofá de centro, acenando com a mão para a outra vir me acompanhar.

 

-Isso te desaponta?

Perguntei com a voz calma enquanto Peri sentava ao meu lado.

 

-Não é isso.. é que.. eu me sinto insuficiente.. só ficamos.. sei lá.. eu até gosto de beijar.. mas.. eu não sei explicar.

Levou as mãos a cabeça.

 

-O que te trás a sensação de insuficiência? Foi algo que aconteceu?

Tentei ajudar.

 

-Olha.. você não entenderia.

Se levantou.

 

-Não quis ser indelicada, se quiser conversar sobre qualquer coisa, pode contar comigo.

Eu e meu coração mole para ajudar as pessoas, as vezes não sabia se estava indo longe demais.

 

-Tá.

Foi em direção a cozinha, segurar ao braço de Amethyst, como se estivesse assustada com algo.

 

Ela sussurrou e ambas se retiraram. Ainda não consegui entender qual era a delas, mas até que pareciam se entender. Aproveitando que estava sem nada pra fazer, aproveitei para pegar a toalha e secar a louça, para que não acumulasse.

 

-Não precisa fazer isso, você acabou de chegar, deve estar cansada.

Só agora que reparei que ela estava até de avental para não sujar a roupa.

 

-Estou energética, preciso fazer alguma coisa.

Ao pegar a panela reparei que o cabo estava frouxo.

 

-Por acaso minha caixa de ferramentas ainda está no quarto?

Perguntei.

 

-Sim, não mexemos em nada.. ahh.. talvez só limpar e organizar, aquele quarto estava uma bagunça.

Tentou se explicar.

 

-Sei.

Conhecendo a Pearl, certeza que ela não aguentaria ver uma partícula de poeira acumulando.

 

Seguindo o corredor, havia vários quartos com desenhos nas portas, dentre eles o meu havia um retângulo colorido, me traziam belas lembranças de quando decidimos escolher algo para simbolizar nosso quarto sem escrever os nomes.

 

O quarto estava bem organizado, a cama de solteiro ao canto, o guarda-roupas ao seu pé, o tapete felpudo e uma mesa de trabalho ao lado, repleta de ferramentas limpas e polidas, por que não me admiraria se a visse polindo alguma coisa?

Me abaixei para mexer nas gavetas e bingo, encontrei as chaves que precisava para apertar o parafuso da panela, e também a massinha que ia manter o cabo firme sem afrouxar o parafuso.

Animada desmontei o cabo frouxo e usei a massa para fixar bem com o auxílio da chave. Era como se tivesse voltado no tempo, ver a panela já arrumada era gratificante, ainda mais tornar as minhas tarefas de construir que tanto amava.

 

-OHH MY STARS!

Escutei o grito de Pearl e sai correndo.

 

-O que foi?

Entrei na cozinha gritando e ela estava toda molhada.

 

Não resisti e comecei a rir, seguido dela, seu riso era misto de raiva e vergonha, o que soava um tanto icônico.

Me aproximei da pia, a torneira estava vazando e apertei o registro com força, parou de vazar na hora.

 

-Ainda tem os mesmos problemas.

Segurava o riso enquanto Pearl parecia indignada.

 

-Troquei de torneira quatro vezes e mesmo assim esse problema sempre volta.

Negou com a cabeça.

 

-E se mexermos no encanamento e na parte de encaixe? Podemos trocar mais algumas peças e deixar tudo novo em folha.

Sugeri.

 

-Brilhante.

Sorriu de canto.

 

-Esquece essa louça Pearl, por que não me mostra o que mudou por aqui?

Estava tão energética que fiquei com vontade de explorar a casa novamente, como se fosse a primeira vez.

 

-Só espera eu me trocar.

Tirou o avental e colocou em minha mão, se retirando do local.

 

Por que eu peguei o avental? Aliás.. cadê o Steven? Deve estar no quarto dele, vendo televisão, ouço alguns barulhos de algum tipo de programa.

Apoiei o braço na bancada e senti um papel, peguei para olhar e vi um panfleto do Big rosquinhas, como adorava aquele lugar.

 

-Sente falta das rosquinhas ou das conversas?

Pearl já se fazia presente, colocou outra camiseta e penteou seu cabelo curto ruivo para trás.

 

-Ambos.

Sorri de canto.

 

-Ainda me pergunto se ainda sabe se divertir.

Ergui uma sobrancelha.

 

-O que acha de irmos pegar umas rosquinhas?

Tirou o panfleto da minha mão.

 

-Eu dirijo.

Disse cantarolando, dei de ombros, já que ela gostava mesmo.

 

Acompanhei ela até um carro azul claro, estacionado perto da areia, havia alguns carros estacionados ali, não reparei bem o que tinha.

 

-Entra.

Ela já ligou o carro enquanto eu ainda olhava para trás, distraída com a areia e as lembranças nostálgicas.

 

Entrei no carro, minha cabeça batia no teto, era um carro simples, mas a cara dela, com aromatizante de rosas no espelho central e tudo bem limpinho.

 

-Rosas?

Toquei com o indicador ao mesmo, sabia que era o favorito da Rose e não dela.

 

-As vezes é bom lembrar de alguém tão próxima.

Disse com a voz um pouco baixa.

 

-No fundo ainda não aceita o fato dela escolher aquele rockeiro né?

Reparei um leve rubor ao rosto dela.

 

-Eu só não.. entendo... eu fui tudo pra ela.. conhecia ela de sempre... e depois dele.. seu comportamento começou a mudar.. até que ela nos deixou.

Suspirou.

 

-Entendo sua dor. Já gostei de alguém que nunca gostou de mim do mesmo jeito.

Tentei manter um sorriso de canto.

 

-Você? Sempre foi desapegada quando se tratava de pessoas.

Pareceu não acreditar.

 

-Eram apenas casos, mas nenhum deles conseguia me fazer sentir como me sentia com esse alguém. Era uma sensação de felicidade apenas por estar perto, ver seu sorriso, admirar suas feições, seu jeito incomum de lidar com as coisas.

Senti que meu rosto esquentava um pouco só de lembrar, aquelas sensações.. aquilo que não sentia a tanto tempo, parecia se revitalizar pouco a pouco dentro de mim.

 

-Eu conheço essa pessoa? Nunca te vi caidinha por alguém.

Riu.

 

-Ahh não sei. Mas já faz tempo.

Sorri um pouco sem graça.

 

-Se servir de consolo, Rose nunca foi santa, ela vivia experimentando coisas novas, mas acho que você estava um pouco cega de amor para notar a quantidade de pessoas com que ela saía.

Tentei desviar o assunto um pouco de mim.

 

-Eu já vi ela com seus casinhos.. mas nunca durava.

Suspirou.

 

-Já faz tento tempo, por que não tenta sair com outras pessoas?

Perguntei.

 

-Eu tentei.. não sei explicar o que acontece.. parece tão mágico no início.. mas depois.. é como se elas deixassem morrer e se irritassem com meu jeito de ser.

Finalmente ela decidiu dirigir, cheguei a pensar que não iríamos sair do lugar.

 

-Que tipo de pessoa não se irrita com alguém acordando duas da manhã com uma vontade louca de limpar a casa ou fazer um bolo pra não comer e insistir que o outro prove.

Disse em ar brincalhão.

 

-Não exagera, minhas faxinas matinas são as três, e os bolos que eu faço são devidamente provados.

Se defendeu acompanhando meu tom.

 

-Será que existe botão de desativar o modo limpeza da Pearl?

Falei rindo.

 

-Tola.

Riu junto.

 

Era bom vê-la tão animada, já que lembro do quanto a ajudamos com a depressão, e esse tempo todo ela tem lidado um pouco mais sozinha com isso, já que imagino que acabamos nos separando depois da tragédia.

 

-Eu senti a falta desse seu lado otimista de ver as coisas.

Parou o carro e me observou, seus olhos azuis claro pareciam brilhar de alegria, era bom sentir que ela estava bem, e que eu poderia a ajudar com aquilo.

 

Por alguns segundos meus olhos se focaram ao dela, um rubor tomou conta de meu rosto, eu estava paralisada, não acredito que depois desse tempo todo, eu ainda guardava algum sentimento por ela.. jurava que havia me livrado disso.. mas.. é estranho como aqueles olhos brilhantes me fazem lembrar de tudo.

 

-Bismuth, eu te fiz uma pergunta.

Sua voz me chamou para a realidade.

 

-Ahh.. o que foi mesmo?

Cocei a nuca.

 

-Vamos comer aqui ou levar pra comer em casa?

Ainda bem que ela não se importava em repetir.

 

-Aqui? Estou com saudades do cheiro de rosquinhas.

Sai do carro animada.

 

-De gordura você quis dizer.

Fez careta, lembrei que ela não era fã de rosquinhas, mas ainda sim nos acompanhava bebendo seu chazinho de latinha.

 

-Deixa de ser Pearl.

Puxei ela com o braço fazendo a mesma entrar rapidamente ao local.

 

O Big rosquinhas estava maior do que lembrava, com várias mesas, e até serviam outros tipos de lanches. Decidi pedir uma de cada sabor, enquanto Pearl pedia apenas um chá e sanduíche natural.

 

Haviam poucas pessoas no local, pode pegar uma mesa só para nós, onde esperava as rosquinhas e a Pearl discutindo com o atendente sobre ter peito de peru no sanduíche.. bom.. pelo menos me lembrei que ela é vegetariana, então sem oferecer carne para ela, ou vou receber sermão.

 

-Hoje em dia tem glúten demais no pão, deveriam pensar em uma solução menos prejudicial.

Reclamava enquanto mordia suavemente seu sanduíche.

 

-Eu prefiro ingerir mais calorias.

Disse animada enquanto um jovem garçom deixou as rosquinhas em minha frente.

 

-Vai precisar correr uma maratona pra gastar isso tudo.

Bebeu um gole de chá.

 

-Ou ter um corpo grande que precise de calorias.

Pisquei para ela e coloquei uma rosquinha inteira para dentro, o que fez a outra arregalar os olhos.

 

-Calma aí, está parecendo a Amethyst, a comida não vai fugir.

Pegou um guardanapo para ajudar a limpar o açúcar que derramei por cima de mim e da mesa.

 

-Isso é maravilhoso!

Não lembrava que esse poço de gordura e açúcar era tão bom, preciso comer todos os dias.

 

-Deixou os modos na prisão pelo visto.

Negou com a cabeça.

 

Consegui engolir a rosquinha antes de começar a rir.

 

-Me empolguei um pouco, não tem noção do quão horrível é a comida da prisão.

Tentei me defender.

 

-Deveria fazer menos mal do que tanta gordura e açúcar.

Disse em ar brincalhão.

 

-Não duvido, mas a essa altura, qualquer coisa que não tenha gosto de uvas passas é bom.

Observei Pearl, eu sabia que ela ia falar alguma coisa, já que era algo que ela adorava.

 

-Eu gosto de uvas passas, são saborosas sem ser muito doce, na medida certa.

Caiu na minha zoação.

 

-São uvas murchas.

Insisti.

 

-Na verdade elas são apenas...

Não resisti, eu comecei a rir enquanto ela tentava me explicar, na hora ela percebeu que estava sendo zoada e negou com a cabeça.

 

-Depois que você.. bem.. foi presa.. Amethyst começou a fazer piadinhas também.. mas.. acho que ela não tem tanta criatividade.. e depois de certo tempo.. ela se afastou de nós.. foi uma fase difícil.

Olhou om próprio sanduíche como se lembrasse da cena.

 

-Ela amadureceu bastante, aquela pirralha está bem mais séria, tem até namoradinha. Você sabia que era era gamada em você?

Mordi uma rosquinha para comer enquanto ela fosse falar.

 

-Mas ela era uma adolescente.. eu era mais velha que ela...

Seu rosto ruborizou.

 

-Ela gostava do jeito maduro que você lidava com as criancices dela.

Expliquei.

 

-Nunca imaginei. Pra mim ela só gostava de pirraçar.

Riu.

 

-As vezes quando se está cego de amor por alguém, você não enxerga quem realmente te valoriza.

Falei bonito agora, alguém me contrata pra escrever frases de impacto no face, ainda fazem isso?

 

-Tem razão. Eu deveria esquecer a Rose.. afinal.. ela já se foi.

Sorriu.

 

-Exatamente, a partir de hoje, você vai fazer o que é melhor pra você e não o que a Rose acharia melhor.

Reforcei.

 

-E vou aceitar sair com aquela garota que sempre me manda mensagem, e deixar de ter medo se alguma coisa rolar.

Pareceu confiante.

 

-Isso.

Apesar de estar animada, de alguma maneira aquilo me deixava um tanto.. chateada, mas de que isso importava? A felicidade dela que valia não é? Levei dois segundos pra ir de bozo pra emo depressiva, será que é um efeito “pós prisão”?

 

-Bismuth? Está tudo bem?

Oh gosh, ela reparou, dã é a Pearl, o que ela não repara? Além de garotas a fim dela.

 

-Só lembrei daquela época. Bom.. onde está a Garnet?

Terminei de comer a última rosquinha e peguei vários guardanapos para limpar a sujeira que eu fiz.

 

-Ela está morando em outra cidade, mas quer vir te ver. Não pode vir por agora, mas logo vai trazer as meninas para a casa de praia, ela entra em férias no próximo fim de semana.

Sorte minha ter saído da prisão nas férias do pessoal, ou seria azar?

 

-Meninas?

Acho que essa parte eu não lembrava.

 

-Ela adotou duas meninas, são tão fofinhas.

Pareceu animada.

 

-Aposto que as garotas devia ter alguma singularidade que ninguém queria, eu conheço aquele coração mole.

Sorri imaginando como seriam as meninas.

 

-Uma delas tem problemas de controle de raiva e a outra é um pouco traumatizada e não fala muito, as vezes me assusta de tão calada, pelo menos no geral elas se dão bem.

Sentia o calafrio dela ao lembrar do susto que ela tomava.

 

-Não querendo cortar assunto, mas se já terminou seu chá, eu queria fazer uma coisa antes de ir para casa.

Levantei esticando os braços.

 

-Poderia saber o que é?

Me olhou enquanto virava o resto da lata em um copo para beber.

 

Rah! Achou que a Pearl iria beber na lata? Quem sabe quando bate a louca nela, mas agora seu modo neura está ativado.. então.. copos são a melhor opção, e bem limpos por sinal.

 

-Estou com saudade dos meus dreads.

Queria tirar essa imagem de prisão de mim logo.

 

-Poderia comprar roupas novas também.. essas são tão.. antigas. Atualizar o visual.

Me olhou de cima a baixo, fazendo sinal de reprovo.

 

-Vou concordar com você, maas... você ainda me deve uma hidratação maravilhosa no cabelo hein.

Pisquei.

 

-Irei te acordar assim que terminar de limpar a casa para fazer.

Parecia planejar minunciosamente cada detalhe.

 

-Quero dormir um pouco mais.

Cruzei os braços.

 

-Hidratação pela manhã e depois yôga fazem bem. Devia tentar, ajuda a relaxar.

Sugeriu.

 

-Vai me dizer que daqui a pouco eu deveria dançar balé com você.

Disse em bom humor.

 

-Olha parece que leu minha mente.

Ambas rimos, ela sabia que eu era péssima com isso, não conseguia ser tão delicada e flexível quanto ela.


Notas Finais


Obrigado por ler seus bacanos <3


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