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História Explosions and Daisies hair - Capítulo 4


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Notas do Autor


Oi gente
Sei que não tem tido muitos comentários e tal, mas eu agradeço profundamente o carinho, e os elogios, me deixam muito feliz e com vontade de continuar 💕
Nesse capítulo eu venho trazer a primeira melhora na relação deles, e eu tentei de verdade transcrever da melhor forma possível a personalidade do Katsuki. Espero que tenha ficado semelhante!
No mais, gostaria de agradecer aos favoritos, antes éramos 8 e agora somos 14, isso me deixa alegre também. Pra capa de hoje, estou deixando o desenho da roupa que a Mitsuko-chan foi para o jantar. Espero que gostem.
Desejo-lhes uma boa leitura!

Capítulo 4 - Não era tão ruim assim.


Fanfic / Fanfiction Explosions and Daisies hair - Capítulo 4 - Não era tão ruim assim.

Se lembrar que beijou Bakugou e Shinsou por si só já não era muito agradável, a turma 3-A porém, adorava zoá-la por isso. Não só ela, como o próprio Katsuki.

Sua relação com Hitoshi havia... Mudado, de alguma forma. Tinham se aproximado mais, e ela já não se importava tanto em demonstrar carinho com ele. Já conseguiam se chamar por apelidos, e ele confiava na azulada.

Algo dentro do próprio Shinsou Hitoshi havia mudado, e ele sentia isso. Mitsuko foi a primeira garota que disse que ele devia ser um herói excepcional. Sorria sozinho quando se lembrava da primeira vez que contou sobre seus poderes. Exatamente no dia em que Aizawa os apresentou.

“-Esta é minha afilhada, Maruyama Mitsuko. – Apontou para a garota. – Vai ficar aqui por uns dias antes que o Alliance abra os dormitórios pra vocês. – Cruzou os braços. – Mitsuko, este é meu orientando, Shinsou Hitoshi. Vai encontrá-lo junto a mim com frequência por causa dos treinos.

-Olá! – Ela deu pulos animada. Animação demais para uma pessoa só... Notou que pequenos grãos amarelados saiam pelas flores entrelaçadas aos seus cabelos.

E que cabelos estranhos! Eram altos, mas não eram necessariamente arrepiados como os dele, ou de Midoriya, Ashido ou Kirishima: O volume era natural, e os cachos eram grossos.

-O meu nome é Maruyama Mitsuko, e é um prazer te conhecer! – Ela estendeu a pequena mão. Haviam muitos anéis.

Quando ela sorria, falsas covinhas eram provocadas em seu rosto. Percebeu que tinha piercings furados recentemente, dado a pequena vermelhidão em volta deles. Ele olhou para as mãos e então novamente para seu rosto. Cumprimentou-a, sem muito ânimo. Nunca foi bom com garotas.

-O padrinho Shouta falou muito sobre você! – Ela colocou as mãos para trás. – Inclusive sobre passar do curso comum para o curso de heróis, e ainda para turma A! – Falava rápido. – Mas ele não quis me contar sua individualidade, e bom, minha mãe não deixava eu passar muito tempo na tevê, então pra ficar mais inédito, decidi te perguntar. – Sorriu mais uma vez.

Animada, sorridente e falante. Ainda por cima, tinha um gosto muito estranho para roupas. Suas meias tinham estampadas margaridas brancas como as de seus cabelos. Usava um macacão rosa tão vibrante que seus olhos doíam, e por baixo dele, uma blusa amarela. Olhou para ela, e para Aizawa.

Definitivamente aquela garota era um combo do que seu orientador detestava, e aquela revelação de ligação repentina o estranhou. E não muito diferente de Eraser Head, não ia muito com a cara de pessoas do tipo. Encarou o professor por alguns segundos, e ele deu de ombros, como se dissesse “agora é com você.”

-Bom... Lavagem cerebral. – Suspirou. – Se você falar comigo, eu consigo entrar na sua cabeça e te obrigar a fazer o que eu quiser. – Deu de ombros.

-Eh?! Que incrível! Como herói você deve ser um arraso de invencível! – Ela deu pequenos pulos. – Imagina, não vai precisar nem lutar, vilões não têm chance contra você!

Ele arregalou os olhos. Aizawa sorriu pequeno. Sua pequena afilhada era adorável como pessoa, sempre encontrando lados positivos nas situações. Sabia que se dependesse dela, seu pequeno aprendiz seria sempre bem tratado. Como alguém por quem prezava muito, esperava que se dessem bem.

-Oh, obrigado. – Ele colocou a mão na nuca, envergonhado. Ela não tinha receio de continuar conversando com ele. Não tinha medo de ser totalmente dominada e obrigada a calar a boca.

Mas por algum motivo, ele não sentia vontade de fazê-la se calar. Seria melhor que ela continuasse tagarelando.”

Desde então, ele se lembrava de ter muito poucas interações com a garota. Apesar de extrovertida, ela muito tímida em alguns quesitos, e depois de um tempo passou a gaguejar e corar muito quando conversava com ele, e o que ele achava mais adorável era a ponta de seu nariz, tão vermelha quanto suas bochechas. Tanto para Hitoshi quanto para Mitsuko, aquela aproximação era agradável.

-Você não vai prestar atenção no que estou dizendo? – Shoto cutucou a amiga, que olhava para fora dado a varanda aberta. – Depois reprova em literatura e vem chorando.

-Gomene, Shoto. Eu só... Estava pensando. – Voltou sua atenção ao caderno. Era um tarde de sábado, e os dois amigos estudavam.

-Sobre o quê? – O meio a meio quis saber, e ela encolheu os ombros.

-Não é nada. – Murmurou. – Vamos voltar a falar sobre literatura? – Pediu.

-Você desenhou o Shinsou no seu caderno. – Observou. – Várias vezes.

-A-ah... Isso é...

-Eu sei que você gosta dele. – O garoto se encostou na cama. – Por que é que você acha que a Ashido me obriga a usar essa pulseira? – Mostrou a mesma pulseira rosada que pendia em seu pulso. – Certamente não é porque eu gosto de rosa.

Ela suspirou. Se agarrou ao seu braço, esfregou o rosto em sua blusa. Ele acariciou seus cabelos.

-Gosto dele. Essa é talvez a primeira vez que eu gosto tanto de um menino. Talvez eu o ame...? Tempo suficiente para isso eu tive, creio. – Desabafou. – É mais fácil falar sobre isso com a Mina porque ela entende do assunto. Mas agora ela e o Kirishima-kun passam muito tempo juntos, e eu falo um pouco menos com ela.

-É verdade. – Todoroki deu de ombros. – Mas eu não sou tão ignorante no assunto. Pode me contar se quiser.

-Ah... Está bem. – Ela suspirou novamente. – Quando eu era pequena, eu sabia exatamente como o amor seria, sabe? Considerando que o meu padrão de pessoa sempre foi baseado nos meus pais, ele saberia lutar, e adoraria ciências. Seria como um príncipe encantado, e literalmente ia me levar pra passear depois de brigar com meus pais. E aí eu cresci. Aquilo aconteceu. Passei por um período de estresse, desenvolvi afefobia*, e passei anos me afundando em treinamento e tratamento... – Olhou para as mãos, agora com cicatrizes de cortes pequeninos e ralados. – Foi tão difícil ser quem eu sou hoje... Descobri que gosto de meninas, me recuperei quase por completo da minha afefobia, mas depois disso eu não sabia mais como o amor seria.

-Acho que o que importa é estar bem agora, não? – Ele segurou a mão da amiga. – E depois? – A incentivou a continuar.

-Ele teve muitas formas. – Sorriu fraco. – A francesa intercambista, de quando eu tinha treze anos, o senpai da turma C do ginásio, e até mesmo você, porque convenhamos, você é muito bonito Shoto. – Ela afirmou e ele riu. – Não, sério. Eu jurava que você era modelo. Mas hoje somos melhores amigos e eu fico muito feliz de ter você, porque antes daqui eu não tive quase ninguém. – Entrelaçou seus dedos ao dele.

Shoto sorriu.

-Eu passei por muitas coisas pra ser quem sou também. Um período de ódio ao meu pai, receio da minha mãe, e até indiferença com os outros. – Olhou para o teto. – Não sei quando chegamos nesse estado tão profundo de amizade, mas eu sou infinitamente grato por ter te conhecido. Acho que a maioria dos seus amigos da U.A são.

Ela sorriu.

-Por isso eu gosto daqui. – Justificou. – Bom, continuando, o amor teve tantas formas, que me surpreende gostar tanto do Hitoshi. – Suas bochechas coraram. – Ele tem habilidades formidáveis, é verdade, e também é muito bonito, mas não é o tipo que me chamaria atenção uns três anos atrás. Ele não tem nada a ver com o príncipe do cavalo branco que eu achei que o amor se pareceria, mas, ele me faz sentir tão bobinha...

-Mas o que há de errado então? – Shoto perguntou, e ela enfim olhou para os olhos bicolores.

-Mesmo sentindo isso tudo, eu não senti que o nosso beijo foi mágico. Não mágico tipo, de verdade, mas mágico tipo, fazer eu ficar rindo como idiota por dias seguidos. – Contou. – Senti como... Se alguma coisa estivesse quebrada.

-Talvez sua sensibilidade. – O amigo deu de ombros. – Basicamente, você estava bêbada. Todos estavam.

-Eu não sinto isso. Eu... – Tentou explicar sobre o beijo de Katsuki, mas não teve coragem. – Você deve ter razão. Okay, vamos estudar. Eu sei que as provas estão longe, mas eu quero ir bem nas escritas.

-Hai. Então, como eu ia dizendo... – Ele foi explicando, e ela anotando.

[···]

Passou o domingo vendo filmes com Mina. Era um tempo só delas, e regressou ao seu dormitório um tanto tarde. Segunda feira foi um inferno, mas felizmente a turma 2-A não tinha aula durante a tarde. Nenhuma das turmas A, na verdade.

Com isso, Bakugou e ela se reuniram mais cedo para começar a limpeza. Concordaram e dividir os ambientes por dias: Limpariam os vestiários todos os dias, ginásio nas segundas, terças e sextas, e as piscinas nas quartas e quintas.

Vlad havia pedido o ginásio gama para treinamento da turma 3-B, e enquanto eles lutavam, ela e o loiro terminavam de limpar os vestiários.

-Oe, Bakugou, eu já terminei minha parte. Podemos fazer o intervalo agora? – A garota perguntou, trazendo consigo seus utensílios de limpeza.

-Também já terminei por aqui, cabeça de flor. – Ele tirou as luvas e a máscara que usava. – Fique a vontade.

Ela deu de ombros, e retirou também o avental, a máscara e as luvas que usava. Do bolso da saia, retirou algumas moedinhas, e foi até o lado de fora, indo até uma das máquinas de bebidas.

Há algum tempo, todos concordaram em tirar um pequeno intervalo de quinze a vinte minutos, antes de voltarem a limpeza. Quando seus amigos foram liberados do castigo, ela e Bakugou continuaram mantendo-o, e nesse meio tempo, ela tinha o costume de ir numa das máquinas automáticas, e comprar uma vitamina de morango.

Morango era seu sabor preferido, de balas, pirulitos, sorvete, tortas e bolos. Sua fragrância preferida também. No entanto, ela não simpatizava muito com a fruta morango, e sua preferida era uva. Ela também não gostava muito de suco de morango.

Quando ela ia buscar sua adorada vitamina, era o único tempo que ficava livre de Bakugou. Os dois ainda discutiam, mas ela evitava muito chamá-lo para brigar, pois havia prometido a Aizawa que não entraria em mais confusão, e não arriscaria colapsar.

Seu padrinho Shouta tinha medo por ela, e ela entendia. O amor era mútuo, então ela procurava fazer coisas que o deixassem satisfeito.

A turma B também havia entrado num breve intervalo, pelo menos alguns membros. Ela cumprimentou alguns, quando voltou para dentro da quadra gama, com animação. Iria esperar próximo às arquibancadas, recentemente instaladas. (Com recentemente, pouco mais de um ano.)

Ela realmente não sabia a razão, mas no momento, lhes eram muito úteis.

-Oe, oe, oe... Você não é aquela garotinha que brigou com o babaca do Bakugou? – Mitsuko se virou para encarar o loiro. Monoma Neito caçoou ela. – Soube que você é da turma A também. Eu aposto que o segundo ano B deixa vocês no chinelo. – Se aproximou.

-Eh... Sei que você costuma implicar bastante com o terceiro ano, mas o que eu te fiz, exatamente? – A garota perguntou, enquanto encolhia os ombros.

-Nada em especial. Vocês da turma A se acham demais, como se uma letra colocasse vocês no topo. E olha onde estão agora! – Riu.

-Monoma-san, eu acredito que o Vlad sensei possa se chatear se você não voltar ao treinamento agora. – Apontou.

-Estou descansando. Ne, por que você não me dá um pouco disso que está bebendo? Tenha um pouco de respeito pelo seu senpai. – Esticou a mão para tomar sua vitamina, mas um tapa de uma mão masculina o impediu.

-Deixa a cabeça de flor em paz, idiota. – Ouviu a voz de Bakugou. – Procure outra pessoa pra infernizar.

-Ele só queria um pouco da vitamina, Bakugou. Não seja rude com ele. – A azulada o defendeu.

-Vocês da turma A, sempre querendo se sair como mocinhos. – Ele revirou os olhos. – Se são tão bons, por que é que estão aqui limpando enquanto treinamos pro nosso futuro?

-Cuida da sua vida e dá o fora. – Katsuki rosnou irritado.

-Por que está tão irritado? Por que sabe que é ver... – Foi interrompido por uma pancada de Kendo.

-Gomene, Mitsuko-chan. Ele é insuportável, mas juro que é uma pessoa boa. Ele incomodou muito vocês? – Ela colocou o loiro no ombro.

-Na– Bakugou a cortou.

-Sim. Leva esse cara daqui logo, antes que ele tome uma surra. – Fechou a cara.

A ruiva riu.

-Está bem. Bom descanso pra vocês. – Ela saiu arrastando o colega que resmungava algo.

As íris vermelhas do Katsuki se voltaram para ela.

-Você tem que parar de querer ser legal com todo mundo, cabeça de flor. – Disse num tom desagradável. – Não gosto de fazer favores pra ninguém, e se você continuar ingênua assim, especialmente com pessoas hostis que nem o Monoma, vai passar o resto da sua vida sendo passada pra trás.

Mitsuko arqueou a sobrancelha. Tomou um gole de sua vitamina.

-Eu cresci num dojo, Bakugou. Só sou tão boa quanto você em combate corpo a corpo por isso. Mas dentro de um dojo, nós não aprendemos somente a lutar, aprendemos também disciplina. – Colocou a mão na cintura. – Nem tudo se resolve com violência. Monoma-senpai não me conhece como os outros, e tenho certeza que gostaria de mim se me conhecesse. Só levantamos nosso punho contra alguém em último caso.

O loiro bufou.

-Você é tão ingênua que chega a ser burra. Monoma não é o único estúpido que estou falando, ele é só um bebezão que não sabe o que fala. O mundo lá fora é cruel demais pra você querer ser amiguinha de todos. – Debochou. – Só mais dez minutos de intervalo. Termina essa vitamina logo.

Ele pôs as mãos no bolso, e saiu.

-Bom... Obrigada. – Ela murmurou, antes de voltar a arquibancada para tomar sua vitamina.

A turma B deixou o ginásio aos cuidados dos dois adolescentes, que com a ajuda das individualidades, acabaram a limpeza em uma hora.

Quando tudo estava feito, ela foi ver Mei. Seu uniforme havia sido modificado e aprovado, e ela iria experimentá-lo. O corpete azul naval estava endurecido como havia pedido, e para testá-lo, concordou em levar um tiro de projétil, de um dos babies de Mei.

No entanto, ela deveria treinar o impacto. O festival desportivo também se aproximava, e dessa vez, ela definitivamente conseguiria um estágio.

Fez como sempre em sua rotina, e foi visitar Eri. Para sua surpresa, o Big Three estava lá, junto a Midoriya, que brincava com a pequenina.

-Mitsuko-chan! – Togata acenou, com seu bom humor de sempre.

As margaridas da garota soltaram o costumeiro pólen.

-Mirio-kun, Tamaki-kun, Nejire-chan! Quanto tempo! Como vocês estão? – Ela se aproximou.

-Bem, eu acho. – O garoto de cabelos negros encolheu os ombros.

-Estou bem. – Nejire sorriu. – Você continua a mesma... Tão fofa! – As bochechas de Mitsuko coraram.

-Bem. Soubemos que você se juntou ao grupo dos problemáticos e brigou com Bakugou. – Mirio implicou.

A garota torceu o nariz.

-Por que todos só falam disso agora? Tem mais de um mês. – Inflou as bochechas.

-Talvez porque você ficou assustadora? – Midoriya se aproximou com Eri no colo. – E também porque isso passou de boca em boca aqui na escola.

-Eu colapsei, ok? Não pretendia destruir nada, e nem usar meus poderes. – Ela olhou para as próprias mãos, e depois de volta para os amigos. – Inicialmente, era só um combate corpo a corpo. – Deu de ombros.

-Uh, você é durona, querida. – Nejire olhou para as unhas. – Acho que fora Midoriya, Todoroki e Kirishima, ninguém sairia no soco com o Bakugou. Especialmente sendo uma garota.

-Nejire-chan, as garotas podem fazer tudo que os garotos fazem! – Eri se meteu, atraindo atenção dos demais. – Foi isso que a Mitsuko-chan me ensinou!

-E ela está mais do que certa. – Mirio a pegou, colocando-a sobre os ombros.

-Realmente. Mesmo assim, pra provar sua força não é necessário brigar com o Ka-chan sempre. – Deku cruzou os braços.

-Certo, em minha defesa, e você há de concordar comigo, ele é um bully babaca. E em questão de ter pavio curto, nossa personalidade se iguala. Se ele não implicasse comigo, eu não ficaria chamando ele pra brigar. – Foi a vez de Mitsuko cruzar os braços.

-Não podemos só jogar algum jogo com a Eri-chan? – Tamaki perguntou, e todos concordaram.

Mitsuko estava sempre gasta pra brincar de correr, então optavam por jogos de tabuleiro, que os professores sempre disponibilizavam para o desenvolvimento da garotinha. Naquele dia estava especialmente exausta por limpar tanto.

Abriram o banco imobiliário, e ficaram jogando, até pouco antes do jantar. Eri venceu a maioria das partidas. E de alguma forma, ela se sentia em casa com aquilo.

[···]

No dia seguinte, foi o dia da turma 2-A usar o ginásio gama. A maioria dos professores estava ajudando ali, e ela lutava tentava desenvolver mais técnicas suas, para lutar nas finais.

-LUMINUS POPPY! – Com os dedos do meio e indicador frente a boca, gritou.

Pequenas papoulas brotaram do chão em abundância, em seguida liberando uma forte luz, cegando Ectoplasm, o professor que a auxiliava.

Em seguida, se moveu furtivamente no disfarce luminoso, e o imobilizou. Como era um clone, ele desapareceu.

-Muito bem, Maruyama. – O verdadeiro se manifestou. – Se continuar assim, será aprovada com louvor nos estágios.

A garota se levantou.

-Obrigada, Ectoplasm-sensei. – Se curvou. – Pode me ceder mais um clone? Pretendo treinar um pouco mais. – Pediu.

Rapidamente, mais um clone foi doado, e ela continuou investindo em técnicas com seus poderes.

As semanas foram se passando, e sua rotina era sempre a mesma: Treinar, estudar, limpar e discutir com Bakugou. E então, aconteceu.

Estavam limpando as piscinas. Era hora do intervalo. Enquanto ela secava o suor, e guardava os equipamentos, Bakugou vinha em sua direção com a tal vitamina de morango.

-Aqui. – Ele estendeu. Ela olhou desconfiada.

-O que foi? Por que está me dando isso? – Ela perguntou, assustada.

-Sei que é repentino, por isso é melhor sentar. – Ele cruzou os braços.

-Desembucha, bully boy. – Ela tomou um gole da vitamina.

-Você vai fingir ser minha namorada nesse final de semana. – Ele disse, direto, e ela quase engasgou.

-Q-quê?! – Gaguejou. – Enlouqueceu?

Ele remexeu os bolsos, procurando pelo celular.

-Kirishima e a minha mãe aparentemente conversam muito sobre mim, de vez em quando. – Ele estalou a língua. – Ele deixou escapar a nossa foto, daquele dia.

Desbloqueou o aparelho, e mostrou para Maruyama a conversa com a mãe, e a qualidade ruim da foto.

-Ela já queria me mandar para um psiquiatra antes, e ficou me perguntando porque tinha uma menina tão tarde no dormitório. – Revirou os olhos. – Kirishima desconversou e disse que você era minha namorada, pra não ter que explicar a situação. E agora ela quer te conhecer.

-Eh?! Não faz sentido. – Ela olhou para os all-star. – Por que ele diria uma coisa dessa? E por que você não conta a verdade pra sua mãe logo?!

-Não posso cabeça de flor, essa é a questão! – Gritou irritado. – Ela quer porque quer me enfiar num psiquiatra, não acha que contar pra ela que nós trouxemos álcool de forma clandestina pra escola, enchemos a cara e demos festa no meio da semana, mesmo sabendo que era tudo proibido, não vai ser motivo o bastante pra ela conseguir isso?

-E o que eu tenho a ver? – A margaridas encresparam. Estava com raiva. – Pra mim seria até bom você ir num psiquiatra. Talvez melhore seu temperamento.

-Pare de agir como se fosse moralmente melhor que eu, você compactuou com tudo. – Disse com certo desprezo. – Eu e ela temos brigado muito por causa disso, e ela com certeza questionaria os professores sobre o filho estar enchendo a cara no meio da semana. Nós sabemos como as regras da U.A são severas, e no máximo nós podemos levar uma expulsão. – Guardou o celular. – Todos os nossos colegas se ferram.

-Não é culpa nossa. É culpa de quem tirou a foto. Se bem que... Urgh, eu te odeio Kirishima-kun. – Falou irada.

-Ele só é idiota, mas não foi por mal. – Defendeu o amigo. Bakugou sempre defenderia o ruivo, não importaria a situação. – Um final de semana. Finja só dessa vez, pra evitar que todos nós sejamos punidos. Não gosto da ideia também, mas não precisamos de outro castigo.

A garota cruzou os braços.

-Eu também não gosto de ficar realizando favores, Bakugou. – Estreitou os olhos. – Pelo menos, não pra pessoas que sempre me tratam mal, como você.

-Você não é egoísta assim, ou prefere que a turma inteira pague por isso? – Ele perguntou.

Mitsuko abriu e fechou a boca várias vezes. Katsuki tinha razão. Era como se os papéis estivessem invertidos, e ela não conseguia aceitar a ideia.

-Ok! Não estou fazendo isso por você, por mim você podia se foder. – Declarou com raiva. – Estou fazendo isso pelos meus amigos. E eles vão saber que é mentira!

-O que?! – O loiro se irritou.

-Eu não escondo nada deles, e se vamos fazer isso, eles vão saber que não é de verdade! – Apontou o dedo para ele. – Todos eles. Izuku, Shoto, Eijirou, Hitoshi, Mina e Ochako! Todos vão saber.

-Que seja! Deku não vai interromper no que quer que seja e o meio a meio também não. Faz o que você quiser. – Ele deu as costas. – Só me interessa você fazer o que pedi. O resto eu não ligo. – Saiu.

Tomou o restante da vitamina com raiva. Ela não gostava mesmo de cooperar com Bakugou.

Mais tarde, quando terminaram, foi para seu quarto, tomou um merecido banho e colocou um de seus pijamas neon e a meia de estrelas. Sentiu Chun e Chow um pouco desanimados, então pegou o material orgânico que vinha juntando durante a semana (como cascas de laranja e pedaços de cenoura e batata), que seus colegas sempre separavam para ela enquanto preparavam o jantar, colocou em seus vasos,  e regou as pequenas árvores.

Mandou uma mensagem a todos o amigos, pedindo que comparecessem na entrada, e calçou suas pantufas para recebê-los. Bakugou também havia sido convidado (na verdade, arrastado) por Kirishima.

-Pf... Você está ridícula. – Ele riu, debochando de sua vestimenta.

-Cala a boca, que é por uma ideia de merda sua que estamos aqui. – Ela rebateu, e cruzou os braços.

-O que está acontecendo? – Midoriya perguntou, ansioso.

-Eu peço desculpas antecipadas se eu for grossa, é que eu realmente estou de mau-humor. – Juntou as mãos atrás das costas. – Graças a incrível forma como o Kirishima-kun é distraído, eu e o bully boy vamos ter que fingir um namoro pra ninguém se ferrar por aquela festinha.

Kirishima baixou a cabeça envergonhado.

-Eu sinto muito. Às vezes eu esqueço desses fatos, e quero compartilhar coisas dos meus amigos com as pessoas. Só me dei conta desse erro depois. – Suspirou.

Mina segurou sua mão, e acariciou seu cabelo arrepiado, tentando consolá-lo.

-Eu te adoro Kirishima-kun, e eu sei que não foi por querer. O idiota do Bakugou também te defendeu. Não estou contra você, só estou brava por ter que fingir gostar desse babaca. – Revirou os olhos.

-Escuta aqui sua planta mal amada, é um privilégio fingir namorar comigo, eu sou demais. – Katsuki cruzou os braços. – Se continuar falando como se eu não estivesse aqui, vou plantar você na terra, que é onde você deveria estar.

Novamente se encararam. Podia se ver faíscas saindo dos olhos de ambos.

-Ok, mas por que você nos chamou aqui? – Hitoshi quebrou o silêncio, e ela suspirou.

-Bom, Kirishima já tinha a obrigação de estar aqui. O restante de vocês, é porque são meus amigos mais próximos, e eu acho certo, pra não dizer justo, que saibam a verdade. – Colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha.

-A cabeça de flor está certa. – Bakugou concordou, assustando os demais. – É bom que vocês saibam se tivermos que levar essa merda adiante.

-Deus que me livre. – Ela fez um sinal da cruz, irritando o loiro. – Mas tem isso também. Vocês sabem que nem MORTA eu me apaixonaria por esse saco de bosta ambulante. – Falou, um tanto irritadiça. – Seriam os primeiros a perceberem uma provável mentira, e eu não me sinto bem mentindo pra vocês. É isso, sabe? Quero que vocês saibam, porque eu amo muito vocês, e prezo nossa amizade. Além disso, se eu matar ele nesse meio tempo, vocês que vão me ajudar a esconder o corpo.

-Até parece que você patética desse jeito, conseguiria me inferir algum dano. – Ele rebateu.

-Que eu me lembre, ela te desceu a porrada uns meses atrás. – Mina recordou, e fez Bakugou grunhir em desgosto.

-Não comecem a brigar de novo. – Uraraka tentou apaziguar. – Mitsuko-chan, que bom que você decidiu que nos contar era uma boa alternativa.

-Eu sinceramente só espero que vocês não vão longe demais. – Shoto suspirou.

-Eu me sinto importante. – Izuku coçou a nuca. – Não vamos passar esse segredo a diante. Fiquem tranquilos.

-Se alguém abrir o bico sobre isso, vou explodir um por um. – Katsuki disse entredentes.

-Aí, Bakugou? – Shinsou o chamou.

-Que é, esquisito?! – Perguntou sem paciência.

Num instante, o colega usou a lavagem cerebral.

-Por favor, bata na sua cara antes que eu bata. – Pediu, e assim, o garoto bateu no próprio rosto várias vezes.

-Shinsou, acho que tá bom. – Kirishima interviu, e o garoto suspirou, deixando o loiro.

Logo, uma discussão entre eles começou, e a azulada cansada, se afastou um pouco do grupo, se sentando na varanda do edifício. O arroxeado deixou o grupo também, e se sentou ao seu lado.

-Como você está com tudo isso? – Ele perguntou.

-Frustrada. Na minha cabeça, eu jamais iria cooperar com esse animal. – Apontou para o loiro, com desdém. – Mas fico aliviada que vocês saibam sobre, sabe.

-Sei. Eu só... Não consigo entender essa sua necessidade de se justificar para os outros. Sei que você costuma assumir a culpa com frequência, mas sei lá... Você sempre quer contar o propósito das suas ações para os outros e eu não entendo. – Ele deu de ombros.

-Eu não... Eu não quero me justificar pra todo mundo, tá? É só pra vocês, e bom... Pra você, né. Sei que você prefere não falar do que houve aquela noite porque julgou que eu tava muito bêbada, mas, porra, eu te beijei! – Segurou os cabelos, estressada. Seu rosto estava vermelho de novo. – Eu te beijei, e aí beijei o bully babaca, e agora vou fingir que estou namorando com ele, e eu não quero que você pense algo de mim, porque... – Não conseguiu terminar a fala. O garoto o abraçou.

-Eu não penso nada depreciativo de você, Mitsuko. – Sussurrou. – Aquilo foi um jogo, e eu pensei em não falar porque eu não queria deixar você em uma situação desconfortável. Mas foi só um jogo. Não anula quem você é, e o que eu acho de você. Você continua sendo uma boba alegre pra mim. Eu sei que está pensando na nossa turma, e quer tirar todos nós disso. Respeito sua decisão.

-Hitoshi... – Ela murmurou, esquecendo-se do estresse e da raiva anterior. O abraçou de volta.

Realmente, não havia alma mais doce que a de Shinsou Hitoshi. E agora ela via isso.

Quando todos voltaram ao próprio edifício, Mina ficou com a Amiga. Subiram até o último andar, e se enfiaram no quarto da mais nova.

-Suas árvores estão tão fofas. – Mina se debruçou na mesa da sacada, e observou os bonsais.

-Eles não gostam que você olhe pra eles assim. Está os assustando. – Mitsuko riu, sentando em sua cama.

-Bleh, eles são muito temperamentais. – Se sentou ao lado da amiga. – Eijirou sente muito por tudo que está acontecendo. Às vezes ele esquece que a mãe do Bakugou ainda é a mãe do Bakugou. Eles não conversam com frequência, mas mesmo assim ele manda umas mídias muito sem noção pras pessoas.

-Eu não estou brava com ele, sei que não foi por querer. Ele nunca prejudicaria alguém assim, conheço ele. – Suspirou. – Eu só não quero ter que passar mais de uma hora no mesmo ambiente que o Bakugou.

-Ele pode ser legal as vezes. – Mina riu. – Como uma parte do squad dele, eu digo, ele não é tão mau, amiga. Percebeu que ele foi o primeiro a te procurar pra solucionar tudo isso? Ele costuma assumir a própria culpa, e acho que essa é uma das melhores qualidades dele.

-Mina-chan, você é a melhor pessoa que eu conheço. – Deitou a cabeça em seu ombro. – Só você pra fazer eu me sentir mal por julgar o bully boy.

-Eu sei que ele é um pé no saco, Mitsuko-chan. – Ela acariciou os cabelos azuis. – Mas se importa com as pessoas que convive. Isso é a essência de um herói, né? – Perguntou. Ela assentiu.

-Mina-chan... Eu vou... Vou te contar um segredo, tudo bem? – Se separou da amiga, cutucando o piercing na bochecha esquerda. – Não tem pessoa mais doce que o Hitoshi.

A rosada riu.

-Vai começar... – Revirou os olhos.

-Não, é sério. Escuta, tá bom? Olha, eu não tive coragem pra falar com ele por um ano, e isso desde que o padrinho Shouta nos apresentou. Ter umas conversações por cima eu conseguia, mas sei lá, pra mim era impossível não gaguejar, sabe? – Ela olhou para os pés com as meias coloridas de estrelas. – Tudo mudou dessa semana pré-aula que eu passei com ele e meu padrinho. E sei lá, desde o momento em que ficamos amigos ele tem sido tão... Perfeito? Acho que é essa a palavra.

-Amiga, você está claramente apaixonada??? – Mina brincou. – Olha, por que é que você tá dizendo a mesma coisa que eu já sei?

-Porque eu beijei o Hitoshi, mas não senti nada, Mina. – Ela olhou para as próprias mãos. – Eu sonhei com isso por mais de um ano, e bom, não foi exatamente como eu esperava... E eu não consigo esquecer que gostei de ter beijado o estúpido do Bakugou, e isso me deixa tão... Frustrada!! É sério, onde eu fui me meter?! Eu estou aqui para ser uma heroína, e olhar a merda que estou fazendo com a minha vida! – Jogou a cabeça para trás. – Não era pra isso tá acontecendo, amiga. Ele é realmente cruel e me fez entrar em colapso há algum tempo.

-Mitsuko, está tudo bem. – A rosada segurou ambas as suas mãos. – Você só tava alcoolizada, e isso vai passar. Pensa que talvez isso fez com que você desse preferência ao beijo dele. Por hora, foca no que você precisa fazer, e aí vai estar livre pra ficar com o Shinsou-kun.

-Eu espero que você esteja certa. Fica comigo essa noite? – A garota implorou por um segundo, e a Ashido aceitou.

-Sempre que você precisar. – Sorriu.

Conversaram até um pouco mais tarde, e ligaram as luminárias para dormir. Seria um longo resto de semana.

[···]

Durante a semana, Bakugou e Mitsuko discutiram mais do que o normal. Diversas vezes, ele tentou se juntar com a garota para falar como agir durante o final de semana, mas ela não o suportava mais, e claramente nem queria participar daquele jantar, só passar o final de semana comendo besteira com Mina e Shoto. Na sexta-feira, os dois estudantes terminavam o castigo, quando Aizawa chamou pela afilhada. Ela olhou para o colega, que deu de ombros, como se dissesse que não ligava, e assim ela foi até ele.

O acompanhou até próximo à máquina que retirava sua vitamina, e o semblante do homem não era o mais agradável.

-O que foi? – Ela perguntou.

-A mãe do Bakugou veio aqui pessoalmente solicitar que deixemos você e o filho dela passarem o final de semana na casa dela. – Ele cruzou os braços. – O que está acontecendo?

Mitsuko engoliu seco. Mentir para o padrinho era o que mais detestava fazer. Mas sabendo que era o responsável pela turma 3-A, ele não deixaria passar.

-Uh... O que mais ela te falou? – Arriscou perguntar.

-Que estava ansiosa por conhecer a nova namorada do filho dela. Quase citei que vocês destruíram um pátio mês passado, mas preferi evitar o transtorno. – Juntou as sobrancelhas. – Quero que me diga o que está acontecendo.

-Como assim, padrinho? – Ela pôs as mãos para trás. – Nós... Urhn... Estamos namorando, ué. – Deu de ombros.

-Está me dizendo a verdade? – Perguntou.

-É claro. – Encolheu os ombros.

Aizawa estreitou os olhos. Óbvio que ela não falaria, e ele deixaria ela seguir com a mentira, vendo até onde a afilhada poderia seguir até dizê-lo a verdade.

-Suponhamos que você esteja realmente me contando a verdade... – Ele começou. – Como isso aconteceu?

Se desesperou por um segundo.

-Eu me desculpei pelo que aconteceu mês passado. – Pôde ouvir a voz de Bakugou, atrás do professor. Ambos se viraram para encará-lo. – E consequentemente, todo o resto do ano anterior. Disse que gostava dela, e agora namoramos. Satisfeito? – O loiro cruzou os braços.

Certamente, aquela cena havia chocado um pouco, mas ele sabia que havia algo de errado.

-Se importa em devolver a Maruyama? Eu não entro no vestiário feminino, e ela ainda não limpou lá. Temos trabalho.

-Certo. Terminem logo isso. A senhora Bakugou vêm buscá-los hoje, às sete. – Aizawa saiu.

Voltaram ao ginásio, e ela pegou as luvas de borracha, tornando a colocá-las.

-Isso foi tenso. Por que o Aizawa-sensei age desse jeito com você? Se vocês forem amantes ou algo do tipo, é nojento, urgh. – O garoto fez cara de nojo.

-O quê?! – A garota o olhou indignada. – Ele não faria isso com uma menor. E mais importante ainda: Que suposição ridícula! – Cruzou os braços. – Ele é meu padrinho. Por isso ele me trata daquela forma.

Bakugou arregalou os olhos.

-Eh?! Aizawa tem uma afilhada?! – Quase gritou.

-Fala baixo, energúmeno. – Ela massageou o osso do nariz. – Poucas pessoas sabem disso, porque minha mãe sempre orientou não falar sobre, especialmente no ambiente de trabalho dele. Se abrir seu bocão, eu te mato!

-Eu não tenho motivo pra sair espalhando isso. Aliás, não sei como ele aguenta você. Eu vomitaria.

-Que tal se você fosse limpar o vestiário masculino, bully boy? Se explode. – Deu as costas, ignorando os xingamentos do mais velho.

Terminou com uma hora, e foi para o alojamento do segundo ano, indo até seu quarto. Tomou um banho, e fez sua higiene.

Um fato curioso sobre Maruyama Mitsuko, era que seus produtos de higiene pessoal – shampoo, condicionador, sabonete, pasta de dente, creme de pentear e até mesmo seus perfumes – eram orgânicos, produzidos pelo próprio pai. Seu corpo, especialmente por causa da individualidade, não conseguia usufruir desses produtos industrializados.

Após pentear e secar os cabelos, vestiu uma mini-blusa branca florida, uma saia amarela com uma ilustração da Coraline na barra, e meias cor de rosa com cerejas. Calçou seus all-stars amarelos, e regou seus bonsais.

Desceu até o térreo e saiu do prédio, encontrando com o garoto já a sua espera. Ele a olhou de cima a baixo.

-Você só pode tá brincando comigo. – Enfiou as mãos nos bolsos.

Usava um jeans preto, uma blusa também preta, e coturnos.

-O que é agora? – Ela arqueou a sobrancelha.

-Você realmente vai vestida assim pra minha casa? Pra minha fucking casa?!

-O que tem de errado, droga?! – Ela bateu o pé no chão, infantilmente.

-Meu pai é designer e minha mãe modelo. Totalmente dentro do que a atualidade considera “moda”. Eles claramente não vão acreditar que eu namoro com isso. – Apontou para a garota, que fechou a cara, enquanto suas margaridas encrespavam.

-Tenha mais respeito comigo, babaca. – O empurrou. – Eu não me importo com o que seus pais trabalham, eu sou eu, e eu não vou mudar o que faz de mim... “Eu”, só pra agradar alguém e alimentar uma farsa. Já basta ter que fingir que gosto de você!

-Ora sua...!

-Quer brigar?! – Perguntou irritada, já se preparando para manipular as ervas daninhas no chão, para fazê-lo cair.

Bakugou estava prestes a explodir o rosto daquela garota patética, mas lembrou-se: Seus amigos, ou pelo menos aqueles que se importava, corriam risco de expulsão. Okay que em grande parte ter que fingir namorar a coadjuvante sem sal era culpa do Kirishima, mas mesmo assim, como seu melhor amigo, ele não queria que nada de mal acontecesse ao ruivo.

Assim como não queria a expulsão dos que se intitulavam seu “squad”, que para além de Kirishima, englobava a Ashido, Kaminari e Sero. Não queria que a turma 3-A sofresse alguma penalidade, nem mesmo o idiota do Deku.

Pensando nisso, respirou fundo. Poderia explodir a planta patética uma outra hora.

-Vamos logo. – Deu as costas, indo na frente.

A garota o acompanhou um pouco surpresa, e encontraram Aizawa e Midnight na saída do condomínio Alliance, esperando para levá-los até o portão, onde a senhora Bakugou já os esperava.

Seguir o padrinho e a professora responsável em silêncio foi difícil como nunca. Suas margaridas murcharam por pensar sobre ter que mentir ainda mais para Aizawa, e até mesmo para Nemuri, que lhe era tão querida. Se recuperou assim que ambos se viraram, entregando um pequeno crachá, com a autorização para saírem.

-Lembrem-se, pela manhã de domingo, devem estar aqui. – Midnight colocou as mãos na cintura.

-Por favor, comportem-se e não façam nada que comprometa o nome da escola. – Aizawa alertou. – E especialmente você, não faça e nem diga nada ofensivo a família do Bakugou.

-Hai. – Ambos disseram juntos, e saíram pelo portão, após o sistema reconhecer o passe para fora.

Um carro um tanto luxuoso e preto os esperava. Mitsuko não sabia reconhecer modelos, mas admitia que era muito bonito. Ambos entraram.

Katsuki não fez menção de abrir a porta para ela, e a garota revirou os olhos azuis, entrando pelo outro lado.

-Boa noite! – Saudou com um sorriso, quando fechou a porta. Os piercings afundaram em suas bochechas.

-Boa noite, querida. Vejo que o Katsuki não é nem um pouco cavaleiro com você, não é mesmo? – A mulher no banco da frente disse, e o filho estalou a língua, se limitando a olhar para janela.

Mitsuko riu. Ela se parecia muito com Bakugou, os mesmos cabelos loiros, tom de pele, e os olhos vermelhos. Porém era de longe muito mais educada.

-Eu já estou acostumada. – Deu de ombros.

-Ei campeão, não vai nos apresentar sua namorada? – O pai, que começou a dirigir, perguntou.

Ele também lembrava um pouco o filho, pelo formato do cabelo. Usava um óculos e parecia muito simpático.

-Por que eu deveria? Ela tem boca. – Resmungou.

A garota socou o braço dele, que resmungou um “aiai”, e a beliscou de volta, fazendo-a soltar um “ai” um tanto agudo. Os pais riram.

-Vejo que vocês se dão bem. Como você se chama, meu bem? – A loira se virou para trás, e a garota parou de discutir por olhares com o rapaz.

-Bem... Me desculpem pela falta de respeito, acredito que eu devia ter falado assim que entrei, quando cumprimentei vocês. – Coçou a nuca, com uma gota na cabeça. – O meu nome é Maruyama Mitsuko, e é um prazer conhecê-los!

Se curvou minimamente. A mãe de Bakugou sorriu, extremamente animada.

-Seu nome é bem parecido com o meu. Eu sou Mitsuki, e esse no volante é meu marido, Masaru. – Apresentou. – Você é bem exótica. Seu cabelo é assim mesmo, ou são enfeites? – Apontou as flores.

-Oh, não, é assim mesmo. – Tocou uma das margaridas, que se encolheu, e voltou ao normal. – Meu cabelo é vivo, faz parte da minha individualidade. – Riu.

-Interessante. Seu rosto e biotipo não me parecem daqui. Especialmente pelo seu peculiar cabelo. É bem cheio e cacheado. – Examinou-a de cima a baixo. Lembrou-se do garoto dizendo que a mãe era modelo, então encolheu os ombros, imaginando que esse era o motivo daquela inspeção. Ela deu uma risadinha sem graça.

-Bom... Meu pai tem o cabelo cacheado como o meu, e a minha tia também. Mas eu tenho mais volume que eles, e um biotipo mais diferenciado pela genética da minha mãe. – Explicou. – Eu sou japonesa por nacionalidade, nasci aqui, em Hokkaido. Porém, a mãe da minha mãe era brasileira, entende? Na verdade, dentro da nacionalidade brasileira ela era afroindígena, nascida e criada na tribo Ywanawá. – Se empolgou. – Eu a acho extremamente bela na sua juventude, ela se vestia exatamente como os nativos pra muitas cerimônias do seu povo, tinha a pele mais morena, mas seu cabelo era extremamente cheio e cacheado. E preto. – Respirou um pouco, antes de voltar a contar. – Minha mãe puxou mais a genética do vovô, que era um hispânico japonês, então entrou a questão da pele muito branca e olhos azuis, mas o cabelo dela é preto. Eu só consegui herdar o biotipo e o volume do cabelo... Não que eu ache feia a minha genética paterna, mas eu realmente gostaria de ser como ela, aparentemente.

Quando parou de falar, o carro estava silencioso. Mitsuki piscou várias vezes e Katsuki a olhou pelo canto dos olhos.

-Se empolgou demais. – Ele disse.

Seu rosto se avermelhou, das bochechas ao nariz, e ela se encolheu.

-Desculpem. – Murmurou.

-Tudo bem. Parece que você é muito interessada em outras culturas e genética. – Foi a vez de Masaru falar. – Isso é de fato, bom. Você parece bastante alegre e inteligente. É alguma influência ou você escolheu esses hobbies?

-Ah... Eu tive influência do meu pai, eu acho. Ele é engenheiro químico e farmacêutico, então muito de biologia e anatomia, e até mesmo sobre plantas, ele me ensinou tudo. – Nervosa, olhou para as mãos.

-Parece muito interessante. – Mitsuki sorriu, animada. – Mal posso esperar para falar sobre isso no jantar.

O resto da viagem, os Bakugou interagiram simpaticamente com ela, enquanto o filho permanecia em silêncio. Quando chegaram, Mitsuko se maravilhou com o tamanho da casa.

Vivia confortavelmente, é verdade, mas mesmo assim casas grandes ainda a deixavam um tanto admirada. Especialmente numa arquitetura ocidental, visto que a sua era a tradicional japonesa.

Quando enfim os pais de Bakugou repararam em suas peculiares roupas, a reação foi exatamente como ele tinha descrito. De total estranhamento. Encolheu os ombros, e tentou não pensar sobre.

-Eu te avisei. – Ele sussurrou para ela. – Agora finge que tá confortável com isso e vamos entrar. – Pegou sua pequena mão, entrelaçando seus dedos.

Se assustou. A mão de Bakugou era áspera, e um tanto calejada. Muito provavelmente por todo esforço que colocava em seus treinamentos e as diversas explosões que outrora secretou. Mesmo assim, seu toque era quente. Balançou a cabeça tentando não pensar nisso, quando por fim entraram.

Ajudou a “sogra” a arrumar a grande mesa do jantar, e logo todos estavam comendo a grande ceia tradicional, feita por Mitsuki.

Se tinha um coisa que Mitsuko gostava mais do que suas meias, era comer. Sempre gastava muita energia, então precisava comer muito. E não tinha vergonha disso.

-Você tem um apetite e tanto, Mitsuko-chan. – Riu, enquanto a garota terminava a terceira tigela, e largava os hashis.

Katsuki a olhava assustado. Comia como um garoto, e talvez até mais.

-A última vez que o Katsuki trouxe alguém para casa com esse apetite, foi o Eijirou-kun. – Mitsuki riu. – É bom saber que você apreciou a comida.

Mitsuko delicadamente limpou a boca no guardanapo dado a ela, e sorriu, afundando o piercing em falsas covinhas.

-Você cozinha muito bem, senhora Mitsuki. – Disse, feliz. – Eu como bastante porque treino muito, daí preciso ir repondo a energia que gasto. Mas uau, sua comida é incrível!!

A mulher sorriu terna, e o marido também. A garota era um pouco esquisitinha, verdade, mas era um doce.

-Então, Mitsuko-chan... Você nos disse que seu pai é engenheiro químico. Com o que ele trabalha, atualmente? Digo, os projetos. – Masaru perguntou.

A garota olhou para os dedos, cheio de anéis.

-Bom, vocês devem conhecê-lo. – Disse um pouco sem graça. – Maruyama Akihito, da indústria farmacêutica japonesa.

Os pais arregalaram os olhos. Katsuki se ajeitou da cadeira e confuso, perguntou:

-Por que essa cara, vocês dois?

-Katsuki, a maioria dos remédios que nós consumimos hoje em dia são feitos pelo pai dela. – Mitsuki explicou. – Desde de antigripais até relaxantes musculares.

Ele olhou para garota, um tanto surpreso.

-Como você é filha de alguém tão importante e anda desse jeito?! – Disse indignado, se referindo ao estilo dela.

-Filho! – Masaru o repreendeu.

-Você é filho de pais muito legais e é insuportável meu amor! – Rebateu com acidez. – Quem é você pra questionar isso?

-Escuta aqui sua... – Iriam começar a discutir novamente, mas Mitsuki interviu.

-Então, querida... – Chamou a atenção de ambos. – Sua mãe trabalha com o quê? – Perguntou.

-Oh sim... – Ela se ajeitou, e cruzou as pernas. – Ela é menos famosa que o papai, eu acho, mas o nome dela é Shiori. Maruyama Shiori. Atualmente ela é professora de judô.

-Uau, você tem uma família e tanto! – A loira exclamou.

-Sério? Só eu não sei quem é? – O garoto cruzou os braços.

-É justificável você não saber, Katsuki. – Masaru sorriu para o filho. – É mais da nossa época. A mãe dela é penta campeã nacional de judô, isso quando tinha só quinze anos. Foi um sucesso nas nossas adolescências.

-Foi um assunto e tanto no colégio por um tempo. – Mitsuki riu. – Você tem uma origem formidável, Mitsuko-chan. Por que escolheu ser heroína mesmo com essas influências tão diferentes?

-São motivos... – Lembrou-se de sua mãe. – Um tanto pessoais. Mas minha maior vontade é ser útil ao mundo de alguma forma. Acho que é isso.

A conversa rendeu mais um pouco, com pequenas discussões entre os adolescentes. Os pais tiraram a mesa, e foram para sala, onde a mãe levou uma sobremesa, e um suco de tonalidade avermelhada.

-Eu fiz um suco de morango, porque o Masaru gosta bastante. – Mitsuki serviu para o marido. – Fiz salada de frutas também. Espero que goste.

-Eu– Foi cortada por Katsuki, antes que pudesse responder.

-Ela não gosta de suco de morango, mãe. – Se levantou, indo até a cozinha, e pegando uma limonada na geladeira, que geralmente a mãe guardava para ele. Despejou num copo com gelo, e voltou, estendendo para ela.

A garota abriu a boca surpresa, aceitando o copo. Os pais deram uma risadinha.

-Obrigada, Katsuki. – Ela agradeceu sem graça, o chamando pelo primeiro nome, pela primeira vez.

Bakugou não soube explicar por que corou, apenas sentou-se, e virou o rosto.

-De nada. – Pegou sua salada de frutas, e começou a comer, em silêncio.

-Até que você sabe como tratar uma garota. – A mãe brincou, e ele fechou a cara.

Ainda sem graça, e um tanto vermelha, a garota começou a comer, também em silêncio, enquanto Masaru e Mitsuki contavam como se conheceram, e ficaram juntos.

Riu um pouco quando ela disse que bateu nele no primeiro evento de moda que se encontraram, e depois o perseguiu até ele dizer sim para um encontro. Mitsuko não sabia como Katsuki podia ser tão grosso e idiota, tendo pais tão legais e amorosos. A mãe era um tanto como ele, mas mesmo assim, extremamente simpática.

-Então filho... Quero que você vá passear um pouco pra conversarmos com sua namorada. – A loira pediu, e ele se irritou.

-Eh?! Por que não fala o que tem que falar na minha frente?! – Disse um tanto alto. A mulher também se irritou.

-Calado! Eu sou sua mãe, me obedece logo ou eu te deserdo! – Respondeu no mesmo tom, enquanto Masaru tentava acalmar ambos.

Após resmungar muito, Bakugou os deixou a sós na sala. Ela engoliu seco quando ambos os olhares se voltaram para ela. Não eram mais ternos, e sim sérios.

-Querida, não é nada pessoal. – O pai começou. – Não é que desconfiemos de você ou algo do tipo, mas você já deve conhecer o comportamento do nosso filho... E realmente, tudo bem pra você? Digo, você está aqui realmente por vontade própria?

-Como assim? – Ela piscou confusa.

-Queremos colocá-lo numa terapia. – Mitsuki disse. – Temos discutido muito nos últimos meses e o temperamento dele têm se tornado um problema. Diga-nos a verdade, certo? Vocês estão mesmo namorando? Como isso ocorreu? E por que ele te escolheu? – A mulher se endireitou no sofá.

A garota olhou para os próprios all-star. Amarelos como o sol, e não soube como proceder. Suas margaridas se encresparam diante da sua insegurança. Poderia acabar com tudo rapidamente, mas se lembrou de seus amigos.

-O filho de vocês tem muitos problemas com a própria raiva mesmo. – Começou. – Ele é insuportável, grosso, chato, barulhento e babaca em muitos sentidos. Arrisco até mesmo dizer que ele é meu nêmesis. – Ousou encará-los. – Mas também tem muita coisa boa nele. Não sei se o Kirishima-kun chegou a mencionar para vocês, Katsuki me contou que ele que veio a expor nosso relacionamento, mas eu sou de uma turma um ano abaixo da do filho de vocês. Minha mãe sempre foi muito rigorosa com os eletrônicos em casa, então eu nunca passei muito tempo no celular ou computador, e não assistia programas de tevê populares, então não vi os campeonatos desportivos. Conheci o filho de vocês por rumores, na minha escola do fundamental e quando vim fazer a prova da U. A. Minha primeira impressão pessoal dele foi péssima, porque não estava acostumada com pessoas tão rudes sem razão... – Explicou. – Nós brigamos muito, e inclusive, levamos muitas advertências por isso. Nossa briga mais recente gerou um castigo de meses. – Riu fraco. – Somos completamente opostos, mas como senpai, eu admiro muito seu filho. Ele é um super-herói incrível, a forma como ele luta é simplesmente perfeita, e isso examinando em critérios técnicos. A percepção dele e os reflexos são ótimos, e me fazem querer melhorar também. – Sorriu. – Quanto a sua personalidade, eu não quero romantizar o comportamento idiota, mas sei que ele não é de todo mal. A gente se odiava, e mesmo assim os nossos amigos em comum o defendiam pra mim contando suas histórias. Ele se importa com eles de uma forma pura e sem interesse. Katsuki faz muito pelos seus, e eu acredito no senso de justiça dele... – Se lembrou do garoto brigando com Monoma por implicar com ela no ginásio gama, e corou. – Ele não gosta de admitir, mas é gentil. Ele é muito gentil, na verdade, e se tiver um prêmio por julgar mal, eu vou ser eleita. – Vislumbres dele falando sobre o suco de morango, e o trocando pela limonada para ela passaram. – A gente começou a namorar porque parou de se odiar. Eu acho que é isso. Não acho que colocá-lo numa terapia agora contra a vontade dele vá ajudá-lo, estamos treinando a paciência juntos. – Mentiu. – É isto.

Os pais estavam pasmos. Katsuki que ouvira tudo por estar próximo à sala também. Talvez só Deku e Kirishima ousassem defendê-lo daquela forma, e realmente achava que se Mitsuko pudesse jogá-lo no inferno, ela jogaria.

-Eu não sei onde ele arranjou você... – Mitsuki tocou o rosto da azulada, com delicadeza. – Você é esquisitinha, verdade seja dita, mas é um doce. Muito obrigada querida.

Ela tocou a mão da mulher que sorria de uma forma radiantemente feliz. Não queria enganá-la, mas era por uma boa causa.

-Eu que agradeço. Desculpem por falar demais. – Sorriu.

-Não há problemas. O deixamos em suas mãos. – Masaru sorriu.

Na hora de dormir, foi um tanto complicado. Havia levado uma bolsa com duas trocas de roupas, entre elas o pijama amarelo neon, seu preferido. Haviam quartos de hóspedes, mas mentiram dizendo que dormiam juntos para reforçar a intimidade de última hora.

Estar no quarto de um garoto era assustador para Maruyama, especialmente o que a fez colapsar. Trancaram a porta, já trajados com as roupas de dormir, e a garota suspirou aliviada.

-Isso é cansativo. – Ela murmurou.

-Eles gostaram de você. – O garoto se sentou na enorme cama de casal que possuía.

-Fico feliz. Seus pais são muito legais. – Falou baixo.

Haviam muitas coisas pretas naquele enorme cômodo. Algumas action figures do All-Might e outras coisas do gosto pessoal do Bakugou.

Uma janela imensa com um blackout havia ali, e abaixo dela, uma mesa de estudos e um abajur.

-Não se preocupe em falar num tom mais alto. – Ele falou. – Todos os cômodos aqui de casa tem isolamento acústico, eles não vão escutar nada.

-Ah. – Ela disse sem graça. – Escuta, Bakugou... – Voltou a chamá-lo pelo sobrenome, como estavam a sós. – Tivemos que inventar mais essa mentira, mas onde eu vou dormir? Me recuso a deitar numa cama com o cara que me fez colapsar.

-Tem um tapete aí. Deita nele e dorme então. – Respondeu irônico.

-Haha, muito engraçado. – Ela revirou os olhos.

-Nem vamos nos encostar, garota. Olha o tamanho dessa merda de cama. – Ele se deitou. – Não precisamos nem mesmo dividir o edredom. No closet ali tem alguns, pega um pra você, e eu fico com outro.

-Eu não me sinto bem fazendo isso. – Ela disparou, e soltou um suspiro.

-Dorme no chão então, é uma ótima opção. – Ele voltou a propor.

-Não é isso, bully boy. – Falou, séria. – O padrinho Shouta, a Midnight-sensei, seus pais... Estamos enganando boas pessoas.

-Já falei pra não agir como se fosse moralmente superior, cabeça de flor. Você já aceitou participar disso, então não tem como voltar atrás. – A olhou feio. – Se abrir a boca pra qualquer um deles, eu te mato. Não vou deixar minha turma ser expulsa por sua causa.

Ela abriu e fechou a boca diversas vezes. Foi a coisa mais altruísta que ele já havia dito a ela, mesmo que para ameaçá-la. Fez como ele falou, e tirou dois edredons do closet. Jogou um em seu rosto, e o outro abriu para ela.

Se deitou no outro extremo do que parecia uma king size, e virou-se para o lado oposto a ele. Quando apagaram as luzes, não conseguiu dormir. Se levantou, e abriu a janela, contemplando a lua. Aproveitou para se sentar na cadeira da mesa de estudos.

Apoiou o rosto na mão, e deixou que seus olhos azuis vagassem naquela imensidão estrelada.

-O que está fazendo aí? – Se assustou quando o ouviu resmungar atrás dela, coçando o olho direito.

-Desculpe. Não consigo dormir sem as minhas luminárias. – Disse sem graça.

-O que é você, um bebê?! – Tornou a se sentar na cama.

-Desculpe, eu já disse. – Fechou a cara. – Não gosto do escuro, por motivos pessoais. Você quer conversar comigo até eu pegar no sono? – Virou a cadeira para o garoto, sentando-se de frente para ele.

-Por que eu deveria? – Respondeu, grosso.

-Porque se deixasse de ser um idiota por sei lá, quinze minutos, poderíamos ser amigos.

-E quem disse que eu quero ser seu amigo?

-Quem disse que não quer? - Respondeu no mesmo tom.

Momentos de silêncio.

-Okay, vai ser melhor se você fechar essa droga pra essa luz parar de bater na minha cara e eu dormir. – Reclamou. – Sobre o que você quer conversar?

-Que tal fazermos algumas perguntas um pro outro? Eu posso começar. – Se recompôs na cadeira. – Por que você é tão agressivo o tempo todo?

-Não te interessa, mas acho que também não sei. – Ele deu de ombros. – Por que você age como uma idiota alegre o tempo inteiro?

-Porque alguém precisa estar alegre pra ajudar os outros. E me agrada que esse alguém seja eu. – Olhou para os pés com as meias. – É uma forma de esconder meu medo constante e minhas paranóias.

-Você me dá desgosto. – Ele fez uma careta. Ela revirou os olhos.

-O que fez você querer ser super-herói e não um vilão? – Perguntou, tocando na ferida.

-Eu vou ser o melhor e vou vencer sempre. E se eu for vencer, quero vencer do lado do bem. E você? Por que escolheu ser uma super-heroína?

-Porque minha mãe quis, inicialmente. Depois, foi por causa do padrinho Shouta, eu acho ele muito legal. E agora... Acho que é por mim. – Deu de ombros. – Por que você demonstra afeto com seus amigos brigando com eles?

-Não te interessa, de novo. – Ele jogou a cabeça para trás, e pareceu pensar. – Por que você tem cheiro de morango? - Perguntou.

-Eh?! – Ela corou. – Você andou me cheirando?

-Qualquer um a pelo menos um metro de distância de você consegue sentir, baka. – Ele falou, como se fosse óbvio.

-Ah. Todos os meus produtos de higiene pessoal são orgânicos, porque não consigo usar os industrializados. Acho que minha individualidade me tornou muito sensível a eles. Por exemplo, sabonete comum me faz pinicar, e perfume comum me da alergia. Meu cabelo não consegue se adaptar aos shampoos e condicionadores do mercado por causa das margaridas, elas murcham e caem, e arde bastante. – Explicou. – Claro, não se aplica a maquiagem nem nada do gênero, só esse tipo de produto. Meu pai que desenvolveu esses pra mim, e ele me manda um kit novo todo mês. Eu levo pra todo lugar. Tem cheiro de morango porque...

-É seu preferido, eu sei. – Se curvou um pouco pra frente. Ela arregalou os olhos. A luz da lua iluminou o semblante dela. – Não faça essa cara. Você não procurou saber de nada sobre mim pra fazer um papel melhor aqui, mas eu fui falar com a Ashido, pra agir da melhor forma possível em relação a você.

-Isso explica a cena do suco. – Corou. – Desculpa não ter te ouvido.

-Deveria se desculpar por ser tão esquisita, isso sim. É serio, a olhos de guaxinim te acha fascinante, e adora falar sobre você, e eu ouvi cada mania estranha que eu até comecei a reparar. – Ele se jogou para trás, ficando de barriga para cima. – Tipo, a coisa das meias. Antes eu só achava brega, mas realmente, tem um diferente pra cada dia da semana.

Ela riu, e se levantou, para deitar-se ao lado do garoto, na mesma posição.

-Só é diferente. – Se justificou. – Ela é assim com todos os amigos dela. Até com você. Pra mim, você era só alguém que rebaixava os outros porque era burro ou algo assim. Mas ela disse que você ficou em terceiro no exame de admissão, e que é praticamente um gênio.

-Eu sou um gênio. – Afirmou, convencido, como sempre.

-Não é não. Sua inteligência está acima da média, mas não é bem como um gênio que você se comporta. – O corrigiu.

-Cala a boca, você não é minha mãe. – Ela arqueou a sobrancelha e se virou na direção do falso namorado.

-Nós podemos trabalhar isso se você quiser. Se me ensinar a lutar como você, eu te ensino a ter mais paciência com os outros. E a ser menos antisocial.

-O quê?! Nem fodendo. Não é porque eu troquei um suquinho pra você que te quero por perto mais tempo que o necessário, ridícula. – Ele fechou a cara.

-Se tivermos que sustentar isso por mais tempo, você tem que mostrar alguma melhora pros seus pais, idiota. Eu disse a eles que estava te ajudando com isso. – Reclamou.

-Você tem uma língua muito grande mesmo, morra. – Falou um tanto alto. – E vá pro inferno de preferência.

-Eu já estou no seu quarto, e se analisarmos com cuidado que você é o próprio satanás, não é muito diferente do inferno.

-Eu vou te jogar pra fora dessa cama. Eu juro.

-É só você dizer que sim.

-Que seja, okay?! – Colocou um braço sobre o rosto. Ela comemorou internamente. – Não é como se eu tivesse deixado de te odiar.

-E não é como se eu fosse caidinha por você, bully babaca. Eu ainda te odeio. – Cruzou os braços.

-Que bom pra você. – Disse, rude.

-Tenho uma última pergunta pra você. – Bocejou sonolenta.

-Fala logo, não aguento mais sua vozinha no meu ouvido. – Reclamou.

-Eu não consigo parar de pensar que a gente se beijou. E bom, mesmo que a gente tenha vomitado em seguida, eu consigo lembrar que paramos pra tomar ar, e depois voltamos. Acho que é porque foi bom, ou algo assim. – Sua voz ia ficando mais baixa. – Me deixa triste não conseguir parar de pensar nisso, porque não sei se você sabe, mas eu gosto do Shinsou. Também beijei ele, mas parece que meu cérebro preferiu o seu, e isso faz eu me odiar e odiar você ao mesmo tempo. Me diz... Você também se sente assim? – Perguntou.

Ele ficou em silêncio por alguns minutos, tentando digerir aquela informação absurda. Mesmo que ainda de implicassem, se odiassem e tentassem se matar com frequência, ele se lembrava bem daquele momento, até mais do que gostaria. E por vezes, se irritava somente por pensar em repeti-lo.

-Talvez. – Respondeu. Virou-se para encará-la, mas esta dormia, serena. E por um momento, enquanto os fios cacheados caíam por seu rosto, ele a achou bonita.

Um pouco bonita. Pensou que talvez, não fosse tão ruim assim. A pegou no colo, e a carregou até seu lado da cama, a cobrindo. Depois, deu a volta para o lado oposto, e acabou esquecendo a janela aberta. A luz da lua não era tão incômoda mais. E então, adormeceu. É, realmente, não era tão ruim assim.


Notas Finais


*Afefobia ('Afe' vem da palavra "afeto" e 'fobia' do Grego φόβος "medo") é o medo exagerado de ser tocado de qualquer modo, geralmente expressando um enorme desconforto, repúdio ou pavor.
Eu andei mudando o estilo da Hera, e bom, fiz uma tirinha sobre ela. Novamente, vocês quiserem ver, aqui o Instagram onde posto sobre ela >> https://instagram.com/outbreaksandcoffee?igshid=14ks7p4ctvcm6
Eu amo demais o Todoroki e a Mina, são dois anjinhos. Também amo profundamente o Hitoshi, e sinto que ele não vá ficar com ela aaaaa
Esse capítulo ficou bem grande né? Deu 22 páginas no meu word. Espero que vocês tenham gostado, eu adoraria saber a opinião de vocês, comentem sobre se quiserem 💞
Até a próxima!!!
(づ。◕‿‿◕。)づ


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