História Exposed Party - Capítulo 1


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Taehyung (V), Park Jimin (Jimin)
Tags Happy Bday Haru, Haru Day, Hayu, One-shot, Taekook, Vkook
Visualizações 719
Palavras 4.603
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Fluffy, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


(!) A capa foi feita pela talentosa liltae, felizmente. Assim que pensei em pedir essa capa, me lembrei imediatamente dela porque sabia que ela seria incrível e que pegaria o espírito do plot!!! Obrigada estrelinha <3 Você mandou muito bem, como sempre.

Gente, fiz essa coisinha pra minha soulmate Haru. O aniversário dela já passou mas eu não tive tempo de finalizar antes, então, aqui está.

É algo bobinho, mas foi feito de coração, Gabbs. Espero que goste <3

Boa leitura! Perdoem os errinhos.

Capítulo 1 - Unique - Happy Birthday


 

Deveria ser um crime universal álcool e internet móvel conviverem juntos em um mesmo planeta, e eu, Jeon Jungkook, sei disso melhor do que ninguém.

Quando alguém lhes disser para manter uma mão afastada do celular se a outra estiver segurando uma pinga, você coloca o rabinho entre as pernas e obedece. Façam dessa sugestão a lei que rege suas vidas, porque nem mesmo a junção de um fósforo aceso e álcool se compara com os estragos que uma crise existencial regada a três garrafas de vodka pode ocasionar.

Há exatos sete dias, eu completei meus brilhantes vinte e dois aninhos; despertei mais animado do que o normal porque sim, aniversários para mim são mais importantes do que manter uma alimentação saudável — qualquer coisa é, na verdade.

E por favor, não me venha com essa porcaria de falsa modéstia sobre não gostar de aniversários porque você, supostamente, é humilde demais para ser homenageado no dia que comemora o seu nascimento. Eu, se pudesse, faria disso um feriado nacional, ou melhor, mundial. Universal? “Jungkook Day”, o quão perfeito seria?

Lembro-me bem de ter pulado da cama como se fosse o próprio anúncio do arrebatamento, eu era capaz de ouvir, até mesmo, os anjos no céu. Corri na direção do banheiro onde eu sabia que meu namorado, Kim Taehyung, escovava seus lindos dentinhos. Namorar um deus grego é felizmente uma das vantagens de ser eu, então tirei proveito dos meus direitos e o abracei por trás com bastante força. Eu estava realmente muito empolgado e cheio de expectativas para aquela data especial. Busquei com meus olhos algum indício de que ele estava preparando alguma surpresa para mim, como um café da manhã romântico ou bexigas coloridas. Mas não havia, sequer, um cartãozinho me felicitando.

— Kookie, não é que eu não goste de quando você me abraça por trás. É bem confortável, na verdade. — O loiro disse, ainda com a espuma visível da pasta de dente azul — Mas, digamos que você tenha acordado muito “animadinho” aí nos países baixos e que isso esteja me atingindo em regiões antes nunca exploradas pelo ser humano. Eu não estou, exatamente, contemplando essa sensação.

Taehyung tinha uma maneira bonita de falar.

— Me desculpe, esqueci que você não curte o lado bom da vida. Mas a minha proposta continua de pé, você sabe-

— Tentador, mas não possuo interesse, obrigado. — Ele riu, eu estranhava tanta demora para que meu namorado enfim, lembrasse que aquele dia era o mais importante da face da Terra.

O loiro apenas enxaguou a boca, lavou o rostinho e o secou, me dando um beijo rápido — e refrescante —, se retirando e partindo em busca de sua mochila de couro. Eu sabia que ele ainda tinha aula na faculdade, mas eu acreditava cegamente que sacrificaria isso para me dar atenção.

— Não quer nem experimentar? Como pode saber que não gosta se nunca provou um flex? — É claro que eu apenas desejava irrita-lo, mas o fazia só para me tranquilizar. Ele não esqueceria do meu aniversário, certo?

— Já conversamos sobre isso! — Eu ria da careta emburrada que ele tinha em seu rosto, porém, bem lá no fundo, queria socar aquela face estupidamente bonita. Eu sentia, aos poucos, o meu ego sendo ferido e sabia que as consequências não seriam nada agradáveis. Ninguém quer ver um Jungkook com ódio em ação. Tenham certeza disso.

Ranço não me falta.

— ‘Tô indo Kookie, não quero me atrasar. Meu professor já me odeia mesmo, preciso ser cuidadoso. Te amo! — Me jogou um beijo no ar, o maldito.

— Não está se esquecendo de nada, chuchu? — Eu daria a ele uma última chance antes de queimar suas roupas e jogar suas gravatas da Gucci pela janela.

Kim se virou confuso, colocando o dedo indicador na pontinha do queixo. Me parecia muito reflexivo sobre qualquer coisa, havia uma ruguinha entre as sobrancelhas unidas e eu o observava esperançoso. Uma luz se acendeu em minha mente quando o sorriso retangular se desenhou em seus lábios cheios.

“Vamos lá, Taehyung, sua memória não pode ser tão ruim assim”

Era o que eu me forçava a acreditar, no entanto, eu tinha ciência de que Kim Taehyung possuía uma memória tão ruim quanto a de um peixinho. Ou pior.

— Claro, quase me esqueci. Que cabeça a minha. — Suspirei aliviado quando ele deu alguns passos em minha direção, e abri meus braços, esperando animadamente por aquele abraço quentinho já tão familiar.

Mas ele simplesmente passou por mim como um vulto e catou seu estojo de cima da mesinha de cabeceira, parecia que eu era invisível ali.  Ficou me observando com os braços estirados, naquela postura constrangedora e digna de piedade, até me puxar para perto de seu peito e apertar meu corpo contra o seu em um abraço desajeitado. Cheirou meus cabelos e deu as costas, abrindo a porta do quarto.  Eu o seguia pelo corredor enquanto ele guardava o molho de chaves dentro dos bolsos, aquilo não podia estar acontecendo. Ele não esqueceria de mim, não é? Eu nunca esqueci um aniversário dele!

— E-espera, você está se esquecendo de outra coisa! Hyung! — Tropeçava em meus próprios pés e vi o loiro se virar para me lançar um sorriso retangular, aquele que era somente seu.

— Eu jamais iria embora sem te dizer que... — Uni as mãos esperançoso, borbulhando em expectativa — Que você é o meu coisinho lindo. Te amo. Tchau!

Não era exatamente dos nossos apelidinhos ridiculamente carinhosos que eu estava falando!

A porta se fechou e Taehyung foi embora, levando minha dignidade consigo. Eu não poderia existir em um mundo onde o amor da minha vida não se lembraria do meu aniversário. Talvez eu tivesse sido Hitler em uma vida passada e estivesse pagando por minhas crueldades.

— Desalmado! — Gritei para o nada e arremessei um pano de prato na porta, muito dramático. Infelizmente era a única coisa que eu tinha ao meu alcance.

Então eu saí como um cachorro atrás de um osso na direção da sala, procurando debaixo dos móveis algo que nem eu mesmo sabia o que era. Talvez um presente? Claro que estava atrás disso. Com certeza ele tinha comprado um presente para mim, devia estar escondido debaixo de algum móvel, no mínimo.

— Há! Muito espertinho. Achou que me enganaria com ess-

Ao puxar o pacotinho brilhoso que estava debaixo do sofá, notei que se tratava apenas de uma embalagem de bolacha. Devia estar ali já há muitos séculos pois já servia de morada às várias famílias de formigas. Fiz careta.

Bem, desde este fatídico momento, eu estava condenado a levar a minha própria vida ao limbo. Dito e feito.

Poucas horas depois, lá estava eu, um Jeon Jungkook muito bêbado, tomando o que me parecia ser a quinta dose de álcool naquele barzinho próximo ao condomínio onde eu dividia o apartamento com Taehyung. O balconista que secava alguns copos me olhava meio estranho, como se estivesse com vontade de rir, mas possuísse sérias dúvidas em relação ao meu caráter, provavelmente pensando em me chutar para fora. Eu o olhei fixamente como se minha vida dependesse disso e ele franziu o cenho, fazendo uma careta engraçada.

— Ya! Você, Hoesuko!  — O rapaz ruivo olhou para os lados. Por que fazia aquilo? Não era óbvio que eu estava falando com ele?

— É Hoseok, Jungkook. Você já estudou comigo, sabe perfeitamente disso. — Me encarava com tédio e eu só conseguia me perguntar qual era a marca da tinta que usava porque aquele vermelho caía muito bem nele.

— É a mesma coisa. — Fiz bico — Me vê mais uma dose desse negócio horrível.

O ruivo suspirou pesadamente e eu fiquei observando seus movimentos durante algum tempo, ele devia odiar aquele emprego.

— Sabia que hoje é o meu aniversário?

— Não muda nada na minha vida. Toma. — Respondeu seco, entregando-me o líquido que eu havia pedido. Caramba, será que ninguém tinha coração naquela cidade? Primeiro o meu próprio namorado se esquece do meu aniversário, depois, o balconista me trata com desprezo. Por que todo mundo me odeia? — Jeon, não me diga que está chorando. — Bateu com a palma da mão na própria face e eu nem tinha notado a aguinha quente que escorria dos meus olhos.

— Você me acha ridículo, não é? — Funguei, percebendo que eu já era alvo dos olhares de alguns clientes. Alguns cochichavam e outros apenas observavam, curiosos — Pode falar a verdade, não precisa ser legal comigo só porque eu sou bonito.

— Na verdade, eu acho sim. — Respondeu simplesmente, dando de ombros — E você também é pouco humilde e tem um ego bem inflado.

— Não p-precisa mentir para me poupar! 

— Não estou mentindo, você é realmente insuportável. E pare de gritar! Os clientes estão olhando estranho, não quero perder o meu emprego. — Soltou um muxoxo e deu as costas, lavando alguns copinhos de vidro.

Sentia como se o mundo fosse acabar, por que ninguém me parabenizava por ter nascido? Não era motivo suficiente para comemorar? Meu coração se partia em mil pedacinhos e eu só conseguia chorar mais, talvez fosse o efeito do álcool. Eu já não me encontrava em meu juízo perfeito, de qualquer maneira.

— Meu namorado s-se esqueceu de me dar os parabéns. Tão insensível, você não acha? — Limpei as lágrimas com o pano de prato que Hoesuko deixara sobre o balcão.

— Eu não me importo.

— Pare de ser tão legal comigo, diga de uma vez que você não me suporta! Estou cansado de todos me paparicando apenas para me agradar. Ninguém consegue ser verdadeiro, Suko.

— Eu não te suporto. — Agora o ruivo se virava para me entregar mais uma dose de vodka, e apoiou seu cotovelo na madeira — E estou sendo verdadeiro.

Por que seu rosto estava tão embaçado? Eu só conseguia enxergar aquele borrão vermelho que era seu cabelo. Quis pintar o meu também. E pensando bem, por que não? Já que ninguém me daria um presente decente, eu mesmo me pagaria uma mudança no visual. Começava a sentir pena de mim mesmo.

— O que há com o garoto? — Não conseguia enxergar tão bem, mas me parecia alguém de cabelos loiros e baixinho. Forcei a vista, mas as coisas rodavam tanto e eu começava a me sentir enjoado.

— Ele só está na fossa, vai passar, Jimin. — Foi o que o ruivo respondeu, e então eu olhei para a estrada do lado de fora, através das janelinhas.

Eu deveria mudar a minha vida, ninguém me dava valor e estava na hora de tomar uma atitude! Isso mesmo, eu iria pintar o meu cabelo. Só para começar.

— Valeu por me escutar, Suko. Toma aqui o dinheiro, você é um ser humano incrível, sabia? Se eu não namorasse o Taehyung, com certeza me interessaria por você. — Desci do banquinho e o mundo ao meu redor pareceu girar ainda mais — Por que estão dançando? Não estou ouvindo a música. 

— Céus, ele acha que estamos dançando, Hoseok. — Franzi o cenho para o atendente loiro — É seguro deixa-lo sair por aí sozinho?

— Já disse que não dou a mínima, Chim. Tchau, Jungkook. E não seríamos namorados nem que me pagassem.

Eu acenei alegremente para meus dois amigos — ou assim pensava — e saí, determinado a tomar um novo rumo. Talvez encontrar um namorado que não esquecesse do dia mais importante de toda a minha vida, quem sabe?

Não me lembro exatamente de como diabos cheguei naquele salão de beleza porque eu sequer conhecia algum por ali, isso significava que eu já tinha andado um bocado. Também não me lembro do que eu havia dito ao cabelereiro quando entrei naquele estabelecimento naquele dia, eu sequer conseguia enxergar meu próprio reflexo pelas vitrines dos comércios. Haviam apenas flashes em minha mente de um cara que eu derrubei da cadeira sem querer e uma tesoura que eu havia jogado contra um vidro, desejando que este fosse o rosto de Taehyung, nada demais. Também tinha a sensação de que havia recebido uma multa.

Eu apenas subia uma ladeira que não fazia ideia de onde se localizava exatamente quando retirei meu celular do bolso e decidi chorar minhas pitangas. Não entendo muito bem o que me levou a fazer aquilo, talvez o fato de estar me sentindo muito sozinho. A internet seria uma companhia teórica, afinal.

— Meu Deus, eu não aguento mais — Independente do que eu estivesse falando, eu não aguentava mais, mesmo. Bem, não deixava de ser verdade, eu estava realmente cansado. Quem foi o cretino que inventou aquelas montanhas feitas de asfalto? Para quê tanta subida, senhor? Estaria eu, pagando meus pecados?

Eu filmava o trajeto que percorria sem saber exatamente o que estava fazendo, tudo o que eu conseguia sentir era ódio daquele maldito de traços simétricos e olhos cor de mel que eu tanto amav- odiava, quis dizer odiava. Ridículo, ninguém precisa ser tão bonito assim.

— Eu estou com tanto ódio. Tanto ódio!  Eu tô muito bêbado. — A live que eu havia iniciado no Twitter seguia normalmente, mas eu nem prestava atenção para onde estava apontando câmera — Taehyung é um imbecil! E eu n-nem sei onde eu ‘tô... Se eu morrer a culpa é dele. Ah, ninguém se importaria mesmo.

Parei rapidamente para observar o local ao meu redor, e não havia nada além de poucas casas e árvores. Nenhuma alma viva. Arregalei meus olhos, e se algum psicopata aparecesse por ali? Há meses eu não frequentava a academia, não conseguiria correr um quarteirão sequer.

— Olha isso! — Inclinei a câmera na direção do chão, filmando os meus pés e o que eu encontrava pelo caminho — Só tem mato nesse lugar? — Cambaleei até a calçada — Só mato! Mato, mato e mato! 

Nem reparava no que estava dizendo ou fazendo, e senti uma presença esquisita por perto. Me agachei como se fosse um animal indefeso, fechando os punhos, preparado para acertar a fuça de quem quer que estivesse tentando me assustar. Era o maligno, eu estava certo disso.

— Garoto, você está bem?  — Ah, era apenas um cara dentro de um carro preto que me analisava preocupado. Podia ser um sequestrador, e se quisesse roubar os meus órgãos?

Bem, o fígado ele já poderia dispensar. Meus rins também não eram lá essas coisas...

— Mas quem diabos é você? — Na minha cabeça eu estava em posição de ataque, absolutamente invencível.

Na realidade eu só parecia um caranguejo na borda do asfalto mesmo.

— Eu só quero ajudar, você está sozinho e-

— Cai fora. — Não consegui identificar exatamente qual foi a sua expressão, mas ele fez como eu pedi. O carro logo partiu e me senti aliviado. O dia já estava ruim o suficiente para ser sequestrado por um maníaco.

Me levantei aos tropeços e segui minha caminhada — não que eu soubesse exatamente para onde estava indo. Eu sabia que depois da morte meu destino certo seria o inferno, mas em vida... Não tinha certeza de nada. Me deparei com uma plaquinha de um restaurante que estava fechado, finalmente algo para descontar a minha ira. Já que era um dia para me libertar e mandar Kim Taehyung ir tomar naquele lugar onde o sol não bate, achei que seria perfeito ser um pouquinho mais radical. Jeon Jungkook estava à solta, e ninguém ia me segurar!

Encarei as letrinhas feitas em giz na plaquinha, algo como “carne assada à vontade”, ou não. Bem, não importava, porque era o momento de extravasar. Sairia pelas ruas como um verdadeiro marginal, isso. Provaria a Taehyung que ele não poderia simplesmente brincar com meus sentimentos sem ter consequências, e ele se arrependeria amargamente por ter sido um péssimo namorado. Totalmente rebelde, estiquei minha destra e borrei uma pequena parte do que estava escrito na placa com a pontinha do dedo indicador. Pronto. Agora ninguém conseguiria ler o que estava escrito ali. Há, por essa vocês não esperavam.

— Quando eu chegar vou terminar com o babaca do meu namorado. — Grunhi, esforçando-me além do que devia ser necessário para chegar ao fim daquela maldita subida — Acreditam que ele esqueceu o meu aniversário? Eu tô muito triste. E tô muito feliz. Caramba, o Taehyung vai me matar. — Comecei a rir descontroladamente, precisando apoiar o meu peso nos dois joelhos.

Céus, eu achava que já estava chegando no fim da rua, mas, na verdade, ainda estava ao lado daquela maldita placa. Eu fiquei andando em círculos esse tempo todo?

— Já que ele não dá a mínima para mim, também não tô nem aí pra ele. — Empinei o nariz como se estivesse realmente convencido disso, embora algumas lágrimas se acumulassem em meus olhos, tudo sendo registrado pela câmera do meu celular — Kim Taehyung ronca como um dragão durante a noite, pronto, falei. E quer saber? Quando ele espirra, parece que se abre uma cratera na Terra. Eu te odeio, Kim Taehyung! E ah, no nosso primeiro encontro, você estava com bafo. Lide com isso. E a sua mãe é um pé no saco! 

Eu não aguentava mais tropeçar nos meus próprios pés, mas, me forcei a continuar subindo aquela porcaria de rua. Eu continuei conversando sozinho com o meu próprio celular, nem pensava nas palavras antes de pronunciar, apenas soltava tudo o que gostaria de jogar na cara de Taehyung, mas não poderia naquele momento. Eu notei depois do que me pareceu ser uma eternidade que havia, finalmente, vencido aquela subida monstruosa, e adivinhem? Meu condomínio aparecia logo na outra esquina.

Isso significa que enquanto eu pensava estar caminhando o mundo inteiro, na verdade, tinha apenas andado ao redor do meu próprio quarteirão. Bem, menos mal.

A bateria do meu celular chegou ao fim e eu chorei por isso. Por que tudo tem que acabar? Segui, tonto, até a entrada do meu condomínio e liberei alguns fortes arrotos no caminho até o elevador — se você se acha melhor do que eu, sinto muito, mas eu sei que já arrotou em público. Não minta para você mesmo, amigo.

Estava preparado para cair na minha cama e morrer, se tivesse alguma sorte. No entanto, ao abrir a porta, me deparo com ninguém mais, ninguém menos que Kim Taehyung e alguns dos nossos amigos soltando balões, batendo palmas e jogando confetes em mim.

— Surpresa! —  Gritaram em uníssono e eu quase caí para trás. Até os meus pais estavam lá.

Bem ao fundo eu podia enxergar, agora um pouco mais recuperado, um bolo de aniversário com cobertura de chantilly e pequenos moranguinhos no topo. Taehyung veio alegre ao meu encontro, mas ele simplesmente paralisou ao notar algo de diferente em mim.

— Kookie, você pintou o cabelo? — Ele riu alto e bateu palmas, eu não entendia muito bem o motivo da graça. Tinha ficado tão ruim assim? — Bem, não importa. Você continua lindo. Bem-vindo, essa é sua festa surpresa. — Enquanto eu encarava, embasbacado, as pessoas saindo de seus antigos postos para organizar o local e preparar a mesa para o que eu imaginava ser a hora do “parabéns”, Kim distribuía beijos por todo o meu rosto. Se não distribuía socos, era porque o fatídico vídeo ainda não tinha sido visto por ele. Melhor assim.

— Festa surpresa? M-mas-

— Você caiu como um patinho. Achou que eu tinha esquecido, não é? — Esfregou a pontinha do nariz na minha e deixou mais um beijinho por ali — Feliz aniversário, amorzinho. Te amo. Espero que goste.

Ele me soltou daquele abraço quentinho e eu caminhei, inseguro, até a grande caixa envolta por um saco de presente dourado que repousava bem no centro da sala. Respirei profundamente, processando as últimas horas de minha vida. Analisando cada passo que eu tinha dado naquele dia.  Como pude ser tão idiota? É claro que Taehyung jamais esqueceria do meu aniversário. Ele era o melhor namorado do mundo! E o mais espertinho também.

Sorri abertamente, correndo de volta para seus braços e fui prontamente recebido e acomodado. Ele fazia um carinho gostoso nas minhas costas enquanto eu aproveitava a proximidade para beijar seus lábios cheios.

 Até que a ficha caiu.

— Tae, hm, você a-ainda usa o Twitter? — Mordi o lábio inferior e vi sua expressão pensativa.

— Já faz meses que não entro lá e... — Quase vomitei meu próprio coração quando Taehyung passou a dar pequenas fungadinhas próximas de minha boca — Você bebeu?

— Argh, hyung! — Fiz a melhor cara de paisagem que conseguia — Beber é uma palavra muito forte. Eu apenas...

— Ingeriu álcool como se sua vida dependesse disso. — Não foi uma pergunta.

— Vamos deixar isso para depois, ok? Quero aproveitar esse presente maravilhoso que você preparou para mim. — Pressionei meus lábios nos dele mais uma vez, dessa, tentando ao máximo distraí-lo para salvar a minha pele. Eu estava ferrado até o talo — Obrigado. Eu te amo muito. — Ele sorriu, acariciando meu rosto com a pontinha dos dedos.

— Espere só um minuto, eu estou sentindo meu celular vibrar e-

Parei sua mão no exato momento em que ele planejava retirar o aparelho do bolso da calça jeans larga e sorri sem graça. Caramba. Eu seria um homem morto se fosse o que eu estava pensando que era.

— Deixe para depois, vamos apenas aproveitar a festa, sim? Por favor. É meu aniversário! — Primeira lição do dia: apele sempre que possível — Tudo está tão lindo. Você é realmente incrível.

— Você é mesmo muito abusado, né? — Riu, apertando minhas bochechas. Era bom vê-lo rir um pouco, me tirava parte do peso na consciência e da sensação de que logo, não restariam nem minhas botas Timberlands para contar história — Certo. Só porque é seu aniversário, mocinho.

Suspirei aliviado quando ele segurou meu queixo e me deu um último selinho antes de se virar, ia organizar as velas que eu deveria assoprar. Eu poderia pedir uma viagem de volta ao passado, seria bem conveniente. Bem, eu não possuía muitos seguidores no Twitter, mesmo. Ia dar um jeito de excluir aquela maldita live depois, porque naquele momento, possuía um namorado para enaltecer, meus caros. E, é claro, aquele era o meu aniversário. A minha hora de brilhar, como deveria ser.

Porque um aniversário é o dia mais especial da vida de qualquer um, claro que sim.

 

-

 

Naquela manhã, eu estiquei meus braços, sentindo o calorzinho proporcionado pelo sol que invadia o quarto esquentar meu rosto. Sorri. Nem me lembrava da hora em que tinha ido dormir com Taehyung, mas me sentia incrivelmente leve e satisfeito. Também tinha comido como uma draga.

Mas... Ah, se eu ao menos, pudesse prever o futuro.

Eu me lembro bem de ter tido tempo apenas para me sentar, e ainda haviam remelas nos meus olhos. Me deparai com Taehyung acordado, vidrado em um programa de televisão que até então eu não sabia dizer qual era. Somente quando a imagem se tornou mais nítida, eu percebi que se tratava de um show de humor que mostrava ao público os vídeos que viralizavam na internet. Sabe quando a vida passa diante dos seus olhos? Pois é. Foi exatamente isso que aconteceu quando eu vi meu próprio rosto na televisão, sendo exibido para Seul inteira.

“Mato, mato, mato! Só tem mato!”

Prendi a respiração dentro do peito e engoli em seco. Olhei para Taehyung e vi que ele cobria o riso com a mão, os olhos chegavam a lacrimejar.

— Jungkook. Tem algo sobre o seu aniversário que você queira me contar? Antes, é claro, que eu comece a utilizar os memes que estão publicando do seu rosto na internet?

— E-eu posso explicar, Tae! — Me ajoelhei, desesperado naquele colchão e uni as duas mãos, suplicante. Aquela era a hora de agarrar o meu homem — Quando eu disse que te odiava, eu não estava falando sério! Eu juro que foi culpa da bebida, e-eu...

— Ei, Kookie, relaxa. — Taehyung desligou a televisão e me puxou para seu peito. Pisquei atordoado, ainda sem acreditar que ele não tinha me chutado para fora de sua vida — Está tudo bem, moranguinho. — Beijou meus cabelos recém tingidos e eu senti seu corpo tremer um pouco com a risada nasal.

Que bom que eu servia ao menos para fazê-lo rir.

— Você não está bravo comigo? Mas você foi exposto na internet, e eu... Disse que você ronca como um dragão. E falei que a sua mãe fede. — Essa parte já estava entalada na minha garganta há algum tempo. O que a sensatez retém o álcool libera em um piscar de olhos, não é mesmo? — Eu disse claramente o nome “Kim Taehyung”, e te associei a um bicho que solta fogo através da boca.

— Claro que não. Eu imaginei que você ficaria chateado, e esse era o plano desde o início. Se não fosse, não seria uma festa surpresa, não é? — Acariciou meus cabelos, e eu sentia como se cinco toneladas tivessem sido retiradas dos meus ombros. Apertei sua cintura magra e sorri. — É claro que eu não imaginava que você fosse fazer um vídeo, mas... Não tem que se preocupar com isso. Você apenas bebeu demais, já passou.

Eu tinha mesmo o melhor namorado do mundo, que além de me preparar uma festa surpresa, não se importaria se eu virasse piada nacional.

— Então... Você me perdoa por eu ter sido um babaca? Eu não imaginei que as coisas tomariam essa proporção, tampouco que eu fosse parar em um programa de televisão. Não quis te magoar, eu juro. Eu só estava muito chateado...  — Fiz bico. Droga, teria que providenciar uma cirurgia plástica em breve ou perderia os poucos amigos que me restavam.

— Claro que sim. Eu disse, está tudo bem. Não se preocupe com nada.

Bem, já mais aliviado, depois de ter aproveitado mais um pouquinho do calorzinho da barriga do Kim, eu decidi me levantar e ir tomar um banho, estava mesmo precisando relaxar. Decidi que deixaria toda aquela história para trás, já que Taehyung não se importava, então eu não deveria me importar também. Logo isso passaria, vídeos viralizam como fogo que se espalha no palheiro. Em breve haveria outra pessoa para ocupar o meu lugar.

As coisas, aos poucos, voltariam ao normal. Era nisso que eu tentava acreditar.

 

[Horas antes]

Taehyung

 

— Uh, alô? — Torcia para que aquele fosse o número certo daquela emissora de televisão. Santo Google — Exato, eu que mandei o e-mail para vocês! Sim, eu quero colaborar enviando um vídeo do meu namorado que virou meme na internet. Vocês vão gostar, ele é uma graça. Vale a pena divulgar no canal de vocês! Isso, eu também gostaria muito que publicassem no site.

Desliguei o celular, sorrindo diabolicamente. Olhei para meu namorado que descansava tranquilamente ao meu lado, os cabelos tingidos bagunçados como um ninho. Tão inocente, alheio a minha vingança.

Ninguém reclama da minha mãe em uma transmissão ao vivo para o planeta inteiro e sai ileso, nem mesmo o amor da minha vida. É claro que eu me sentia meio culpado, mas sabia que nada daquilo prejudicaria Jungkook em um sentido mais grave, do contrário eu não o faria. 

— É a primeira lei universal, Kookie. — Deixei um carinho no lóbulo de sua orelha — Mantenha uma mão afastada do celular, se a outra estiver segurando uma pinga.  


Notas Finais


Existe a possibilidade de que algumas coisas tenham sido baseadas em fatos reais. Talvez, eu não dou certeza porém pode ser que sim. Quem sabe?

Feliz aniversário Haru! Esse é meu presentinho bobo. Te amo, soulmate.

BJ XAU


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