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História F.a.u.l.t - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


ALERTA: Linguagem imprópria prevalece em toda narrativa.

Aloooo, galera. Essa é mais uma adaptação de um livro meu que se tornou Kaisoo, espero que gostem 😊

Glossário:
• Águias: Gíria antiprogressista para se referir ao exército.
• Corvos: Gíria antiprogressista para se referir a polícia.
• Dark web: ainda mais profundo e protegido que a deep web.
• Deep web: É uma zona da web não vinculada a surface, onde não podemos acessar através dos servidores comuns de pesquisa. Esta zona não pode ser acessada facilmente, uma vez que possui conteúdo incomum ao que é considerado moral ou legal.
• Eutanásia: Procedimento em que uma pessoa escolhe morrer sendo assistida por um grupo de profissionais que, por sua vez, estão responsáveis por aplicar a vacina que causará sua morte.
• Ratos: Gíria antiprogressista para se referir a membros da polícia ou do exército que, de alguma forma, se infiltram ou tentam se infiltrar na F.A.U.L.T.
• Surface: Camada superficial da web, onde usuários comuns, como nós, navegamos. Google, Facebook e essas coisas.
• Toupeiras: gíria antiprogressista para se referir aos membros ou liderança da F.A.U.L.T.
• Transição: Refere-se a transição de modelo de estado da Coreia do Sul desta história.

Capítulo 1 - Maldito seja o leite na minha CPU


Fanfic / Fanfiction F.a.u.l.t - Capítulo 1 - Maldito seja o leite na minha CPU

Nova atualização em Cxntury

01 de Janeiro de 2025 | 02:43AM, Taiwan.

As toupeiras* deixaram uma nota pública em um site há duas horas, desejando feliz ano novo a todos. A imagem com a mensagem contém cinco versões da mesma frase, em idiomas diferentes: coreano, chinês, japonês, inglês e espanhol. A capa do site onde a imagem foi postada também é algo a ser notado, embora seja apenas uma jpg. preta com a insígnia da organização antiprogressista, por se tratar de algo relacionado às toupeiras, alguns especialistas se juntaram e mesmo com apenas duas horas de análise, foi comprovado que tanto a mensagem de feliz ano novo quanto a capa do site estão cheias de mensagens criptografadas.

Como todos sabemos (você como seguidor deste fórum deve saber), a criptografia utilizada pelas toupeiras é sofisticada, muito específica e traiçoeira. E todos seus links são temporários. Até agora, nossa equipe e as outras trabalhando na criptografia sempre somos remetidos para novos links e sites ou até mesmo imagens e coordenadas. No entanto, nada relevante foi encontrado, ainda estamos num beco sem saída. Como é algo recente, esperamos conseguir coletar alguma informação sobre qual mensagem eles realmente querem nos passar. Entretanto, não há garantias de conseguirmos resultados positivos. Para nossos seguidores mais antigos é comum continuarmos sem resposta, principalmente se considerarmos os últimos movimentos dos corvos*.

De todo modo, seguiremos o modus operandi de sempre e qualquer nova informação será compartilhada em breve.

Abaixo deixo o link do site com a mensagem de feliz ano novo das toupeiras.

Link

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Autor desconhecido.


⟣⃟─𝙵 𝙰 𝚄 𝙻 𝚃─⃟⟢


Seul, Coréia do Sul. 2025 | Kyungsoo

Sempre odiei crianças.

Embora fosse tranquilo e passional na maior do tempo, simplesmente odiava crianças. Mesmo quando ainda era uma delas, possuía pouquíssimos amigos porque os outros infantes me chamavam de Monstrosoo, um apelido nada criativo, só porque destruía alguns castelinhos de areia aos três anos, rasgava desenhos das tarefas do jardim de infância, enchia as mochilas alheias com formigas e besouros aos dez anos e quebrei por acidente o braço de um garoto aos quinze anos — o infeliz tentou fazer bullying com a pessoa errada.

Defendendo meu ódio, afirmo que tenho motivos além do sentimento suscitado em mim ao ver uma criaturinha com menos de uma década de vida perambulando por aí. Crianças são seres inúteis socialmente, cuja existência é baseada em capricho ou descuido. São intrometidas, sem filtro entre o cérebro e a boca, desobedientes, barulhentas, bagunceiras e se os pais deixarem, comem a própria merda.

Por alguns anos, meu maior desejo foi ser capaz de curtir meu ódio de longe; planos frustrados por meu amigo Park Chanyeol, que em uma madrugada de bebedeira em 2019, conclui ser interessante gozar dentro de uma garota fértil. Quer dizer, nada contra as pessoas que acreditam estar acima da biologia e desconsideram a existência de contraceptivos, até as trato como seres humanos normais, desde que elas mantenham suas crias longe da minha pessoa e das minhas coisas.

Em 2025, aos vinte e seis anos, ainda odiava crianças com a mesma intensidade de quando tinha apenas seis. Principalmente Park Jihun, filho do acima citado, que estava na minha frente pedindo desculpas por ter derramado leite na CPU do meu computador. A prova do crime, um copo de plástico com o símbolo do Batman, ainda em suas pequenas e criminosas mãos.

Tinha saído para comprar legumes no mercado da esquina há somente dez minutos e fiquei em choque com a cena que encontrei no meu quarto ao abrir a porta outrora trancada na chave.

A situação foi a seguinte: fumaça, fogo, cabos elétricos derretendo e uma criança chorando a plenos pulmões dentro do meu quarto. Tive apenas o reflexo de apagar as faíscas causadas pelo curto circuito usando uma camiseta suja e então, desconectar os cabos da tomada antes que derretessem completamente — levando um choque leve no processo. Se tivesse chegado um pouco depois, encontraria o apartamento em chamas, sem dúvidas.

Depois de ter perdido a CPU que comprei no natal, o que me deixou mais puto foi o fato de Chanyeol estar dormindo no sofá enquanto o filho estava destruindo um terço do apartamento.

Afinal, como diabos Jihun entrou no quarto?

— Tio! Por favor, me perdoa! Não queria quebrar!!! — berrava o menino agarrado às minhas pernas, encharcando meus jeans com lágrimas e ranho. Chanyeol estava morto na sala para não ouvir tamanho escândalo. Sorte o alarme de incêndio do corredor não ter sido acionado, se não as coisas ficariam realmente feias.

Massageei as têmporas, tentando lembrar se em algum momento roubei hóstias sagradas da igreja católica que minha tia-avó visitava quando viva ou se por algum motivo surrupiei alguma coxa de frango das oferendas dadas aos nossos ancestrais durante as reuniões familiares. Não, nenhuma. Então, por que diabos estava passando por aquilo?

Tinha certeza que não plantei metade do que estava colhendo!

Olhei para Jihun mais uma vez, aproveitando enquanto a fumaça se dissipava e saía do apartamento pelas janelas, para pensar em como ele tinha ido parar dentro do quarto trancado. Refiz cada um dos meus passos até o momento em que saí de casa e só me veio uma resposta:

— Você por acaso se escondeu aqui enquanto eu tomava banho? — acusei, semicerrando os olhos.

Era a única explicação plausível. A única forma do pirralho ter entrado, foi se escondendo debaixo da cama enquanto estava no banheiro para ficar trancado do lado de dentro enquanto estava na rua. Levando em conta o lábio trêmulo do pestinha, estava certo.

Segurei a vontade de estrangulá-lo até a morte à todo custo. Você não pode ser preso, Kyungsoo!

— Garoto insolente...! — esbravejei, desvencilhando-me dos braços curtos. — Quer se matar?! Se for o caso, posso te ajudar nisso!

Desesperado, Jihun se jogou no chão aos prantos, largando o copo do Batman de qualquer jeito sobre os vestígios do leite derramado que provocou o curto circuito.

— E-eu só q-queria jogar...! — soluçou, os olhos fechados ainda derramando lágrimas copiosamente. — ... n-no c-computador do tio...! D-desculpa...!

Se o menor tinha intenções de conseguir piedade, falhou miseravelmente.

— Não — disse categoricamente, ignorando todo o choro. Abaixei-me para olhá-lo, semicerrando os olhos e abaixando o tom até ficar mortalmente baixo. — Se você soubesse a vontade que estou sentindo de atirar você pela janela, já teria corrido para o seu pai há muito tempo.

Horrorizado, ele parou de chorar no mesmo instante. Os olhos inchados pelo pranto arregalaram e parecia estar tremendo da cabeça aos pés. Não recuei ou deixei minha expressão vacilar, para ficar claro que não estava brincando. Assustado, levantou-se em um salto e correu para fora, passando por mim rapidamente enquanto gritava:

— PAPAAAAAAIIII... O TIO SOO QUER ME JOGAR PELA JANELAAAA...!

Bem, pelo menos Chanyeol levantaria da porra do sofá desta vez.

Tive tempo apenas de jogar a blusa chamuscada para sugar o resto de leite e dar uma olhada breve no estrago quando Chanyeol apareceu na minha porta, a cara amassada e o cabelo bagunçado ofuscavam a expressão irritada. Jihun, a tiracolo, agarrava-se ao colo do pai como um bicho-preguiça.

Estava sem paciência nenhuma para discutir, então interrompi qualquer discussão prestes a iniciar e bati a porta na cara dos dois.

— Esteja com o dinheiro para uma CPU nova amanhã de manhã. Também quero um HDMI novo, pois sua cria estragou o único que tinha. — disse para a porta fechada, pisando no copo do Batman até quebrar, para descontar a frustração.

— Kyungsoo, porra! Como você pode falar isso pra uma criança? — meu amigo bateu na porta duas vezes enquanto gritava. A irritação dele era totalmente sem sentido, afinal, o único com o computador pifado ali era eu! Como ia trabalhar sem o PC?!

— Vai se foder! Que moral tem pra falar comigo?! O pivete quase bota fogo na casa, infeliz!

— Pare de xingar na frente da criança, fodido!

— Você também está xingando!

Ele fez uma pausa, provavelmente tomando um tempo para refletir.

— De qualquer forma...! — continuou, desta vez mais calmo. — Ele é só uma criança! Pare de ameaça-lo, fui claro? Ainda não te perdoei por ter colocado ele de ponta-cabeça na janela semana passada!

A lembrança me fez dar um sorriso cruel.

— Ele merecia — contestei, ignorando toda a chuva de palavrões que veio em seguida.

Vendo a bagunça que meu quarto tinha se tornado, suspirei pesadamente antes de abrir a janela afim de arejar o ambiente. Fedia a queimado. Com cuidado, desconectei a CPU do monitor e a coloquei no meio do quarto depois de choramingar vendo todos os cabos torrados, só a benção divina teria salvo meu monitor de virar churrasco, mas fiquei com medo de tentar ligar e descobrir um prejuízo ainda maior. Era um computador novinho, com processador monstruoso, pronto pra suportar jogos pesados e todo tipo de software que eu quisesse desenvolver. Pelo menos salvei meus arquivos do mestrado na nuvem ou aí sim estaria ferrado.

Deixei a bagunça no meio do quarto para ser descartada mais tarde, quando não quisesse quebrar Chanyeol e Jihun na porrada, e fui procurar outra coisa para fazer. Organizei o resto do quarto por um tempo, colocando livros e apostilas na estante, tirando os farelos de biscoito da mesa de estudos, dobrando algumas roupas e varrendo o chão. Depois de passar pano e descobrir que a queimadura na parede perto da mesa do computador precisaria de uma mão de tinta, guardei os materiais de limpeza no banheiro do quarto — que estava interditado, pois o encanamento estava sob conserto —, olhei a tabela de tarefas pregada na parede acima da mesa de estudos, abaixo do calendário com tema de Star Wars.

Merda, era meu dia de cozinhar.

Suspirei e antes de sair do cômodo, engoli uma aspirina sem água, só com saliva e ódio.

Do lado de fora, estava silencioso, então me esgueirei até a cozinha buscando não chamar atenção, porque se Chanyeol fosse discutir comigo, não responderia por meus atos.

— Vocês parecem animados.

— Meu Deus do céu! — pulei para trás, colocando a mão no peito. Nem tinha entrado direito na cozinha e já levava um susto desses. — Quer me matar, imbecil?!

No meio do cômodo, apoiado no balcão enquanto comia clandestinamente um iogurte do Jihun, Oh Sehun, meu segundo colega de apartamento, sorria para mim de um jeito tipicamente irritante. Os cabelos tingidos de vermelho brilhavam sob a luz artificial, contrastando com a pele pálida demais que nos tornava parecidos, embora as semelhanças parassem por aí.

— Jamais — defendeu-se, jogando o pote vazio de iogurte em direção à lixeira atrás do balcão, num arremesso perfeito. — Eu provavelmente morreria no processo.

— Provavelmente — assegurei, adentrando a cozinha arregaçando as mangas indo direto para a geladeira. — Chegou há muito tempo?

— Só o suficiente para ouvir os berros histéricos do Chanyeol hyung. O que aconteceu dessa vez? Não entendi bem.

Revirei os olhos, levando os pacotes de legumes e carne para a pia.

— Jihun causou um curto circuito no meu PC, a CPU pegou fogo, todos os cabos derreteram e minha parede de azul, está preta. Tudo isso em dez minutos com apenas alguns mililitros de leite fermentado.

Para minha desgraça, Sehun riu alto. Infelizmente, essas coisas aconteciam com tanta frequência no apartamento, que ele tratava tudo com naturalidade. Fácil demais, afinal, o maior afetado durante os desastres era eu. O banheiro inundado foi o meu, as apostilas queimadas, ternos cortados para fazer roupinhas para os brinquedos do pestinha, etc.

— Suponho que Chanyeol hyung estava dormindo — disse alegremente, apoiando os cotovelos na bancada de mármore escuro.

— Bingo! — entoei, quase cantando. A alegria alheia me fazia ficar menos estressado aos pouquinhos. Depois de temperar a carne e deixar a panela para a sopa no fogo, virei-me para ele. — Onde eles estão agora?

— No quarto, Jihun foi convencido a assistir um filme para que o pai pudesse dormir mais um pouquinho.

— Chanyeol dorme como um coala. Isso que dá ficar até tarde jogando LOL.

— Ele só está aproveitando o feriado.

— Mais um pouco e não só ele, mas todos nós iríamos aproveitar o feriado na rua, assistindo o apartamento pegar fogo.

— Chato.

— O que você disse, pirralho?!

— Vou tomar banho!!! — praticamente correu para fora, rindo enquanto atirava uma das minhas pantufas às suas costas. Acabei rindo também.

Oh Sehun e Park Chanyeol eram meus melhores amigos desde a infância. Fomos criados juntos em uma província mais ao sul, porque nossas mães eram amigas próximas e achavam bonitinho nossa amizade baseada em bullying infantil. Era fofo. Dentre nós, Chanyeol era o mais velho — porém, não parecia — na época com vinte e oito anos, seguido por mim com vinte e sete, e Sehun com vinte e quatro.

Embora tivéssemos crescido juntos, éramos muito diferentes. Fisicamente, achava-me branco demais e mesmo toda a cultura coreana dizendo ser este um traço positivo, não gostava. Só vi isso positivamente com o tempo. Também me achava baixo demais, com 1,70m usando meus sapatos com plataforma; nariz pequeno, ligeiramente arrebitado, olhos grandes e corpo compacto. Pela graça divina, ao menos possuía um quadril largo e uma bunda grande, bonita, que eu me esforçava para manter com academia e aula de pilates. Chanyeol era o contrario, batia 1,85m de altura e como também malhava, era uma parede de músculos — que no meu caso eram inexistentes —, tinha um tom de pele saudável, mais amarelado e ficava bronzeado com facilidade. Sehun seguia o mesmo caminho, embora fosse do tipo de homem com beleza mais aristocrática, corpo definido e esguio sem exageros, nariz afilado e olhos pequenos, boca com um desenho bonito, porém fino. Um metro e oitenta de soberba infantil.

Nossas personalidades eram ainda mais divergentes. Normalmente, era tranquilo e distante, mantendo apenas a boa educação que ganhei dos meus pais no convívio social, sem muitos aprofundamentos. Entretanto, tinha um lado malicioso e cruel, que adorava provocar sofrimento em quem me incomodava de alguma forma. Constantemente meus amigos diziam que precisava procurar um especialista, porque não era normal sonhar em esquartejar meu melhor amigo só porque ele venceu no UNO. Chanyeol já era avoado, imprudente quando mais novo, adquirindo uma postura mais forte e familiar após o nascimento de Jihun apenas. Seu senso protetivo aumentou assombrosamente, no entanto, ele tinha vários lapsos de descuido em relação à criação do filho — como dormir e deixá-lo solto pelo apartamento, por exemplo —, mas era uma boa pessoa. Sehun era como uma criança grande conosco, irritante e mimado; sendo o mais novo, vivia agindo como um consentido ao nosso redor, enquanto deixava livre uma postura charmosa e extrovertida com outras pessoas.

Era um milagre não termos matado um ao outro.

Decidimos morar juntos anos antes, quando fui aprovado em uma universidade de Seul, no curso de Engenharia da Computação e Chanyeol, que prestou vestibular pela segunda vez naquele ano, conseguiu ser aprovado em Direito, ambos com bolsas estudantis mantidas aos trancos. Três anos mais tarde, Sehun nos acompanhou após ser aprovado em arquitetura, com uma bolsa parcial e ajuda dos pais — que eram donos de fazendas na nossa cidade natal, o único de nós que podia chegar perto do status de “rico”. Em 2025, ele estava no último ano do curso e os outros de nós devidamente formados. Chanyeol atuava em advocacia civil e criminal, eu me dividia em dois empregos virtuais para manter o mestrado.

Trabalhava com manutenção das plataformas online de duas empresa diferentes, uma de entretenimento e outra de vendas de eletrodomésticos. Fazia os serviços em casa, no meu próprio computador, costume adquirido desde a pandemia de 2020, quando era apenas um estagiário — poucos do setor de tecnologia trabalhavam efetivamente no polo, apenas o pessoal de manutenção técnica dos computadores e distribuição de internet no prédio. Portanto, só aparecia no escritório de ambas as empresas em ocasiões raras, normalmente quando surgia algum problema complicado ou em época de atualização anual das plataformas.

Então, vinha Jihun.

Ah, esse pestinha.

Em 2018, um ano depois de nos mudarmos para Seul, quando ainda era apenas Chanyeol e eu dividindo um dormitório minúsculo no subúrbio, meu amigo começou a ter crise de adolescência tardia, passando a “curtir a vida como nunca tinha feito quando mais jovem”. Não que fôssemos velhos, tínhamos apenas vinte e vinte e um anos na época, todavia, meu amigo orelhudo acreditava piamente “ter perdido a juventude e precisava resgatá-la antes de ser tarde demais”, palavras dele. Assisti-o ficar incontrolável, sair tarde e voltar no dia seguinte ou dias depois, bêbado, vomitando pela casa, rindo para o vento e cheirando a maconha. Não julgava, porque eu mesmo fumei uns baseados até o último ano da faculdade e bebia às vezes, todavia, o que me deixava puto era a falta de responsabilidade. Ele passou a levar a faculdade com displicência, faltando as aulas, dormindo até tarde, ignorava as ligações dos pais e transava com qualquer coisa que tivesse um buraco. Exatamente isso, qualquer coisa. O pior de tudo: sem proteção — caso contrário, Jihun não existiria. Teve sorte de não ganhar uma AIDS ou sífilis de presente.

Embora Jihun fosse tão ruim quanto uma doença venérea, mas enfim...

Como morávamos juntos e éramos amigos desde sempre, os pais dele e os meus próprios passaram a me cobrar um posicionamento, o que me deixava irado porque não era minha responsabilidade. Estava atolado de trabalhos na faculdade, tinha estágio, curso de inglês, projetos e uma cobrança exacerbada dos professores por ser bolsista, cuidar de bêbado não era minha ideia de passatempo. Ainda assim, os meus tios não paravam de encher a cabeça dos meus pais de minhoca e meu celular de ligações, então, de má vontade, passei a ajudá-lo como podia.

Quando ele chegava bêbado, por exemplo, arrastava-o para o banheiro, jogava-o debaixo da água gelada e o largava lá; se ele vomitasse, no dia seguinte, colocava-o para limpar aquela imundície mesmo se já estivesse seca, às vezes piorava a bagunça de propósito; tirava fotos vergonhosas e fazia memes, postados em um fake que criei no Facebook, essas coisas. E claro, fazia questão de lembrá-lo constantemente do quanto estava sendo um babaca pau-no-cu.

Não importou quantas vezes discutimos, Chanyeol apenas piorava. Em dado momento, cansei da situação e parei de acudi-lo de madrugada, jogar água gelada na sua cara de pau, gravar vídeos virais dele bêbado cantando músicas infantis... Simplesmente o deixei fazer o que bem entendesse, sem me meter. Se nem os pais dele conseguiram convencê-lo a mudar quiçá eu, apenas um amigo; apenas bloqueei os números de todo mundo e afundei no ostracismo.

Em 2019, quando Chanyeol quase perdeu a bolsa de estudos por causa de falta — o que achei pouco —, pareceu acordar para a vida e finalmente começou a melhorar. Se eu soubesse que duas horas da professora de Direito Penal dele xingando-o e puxando sua orelha fosse ajudar, teria pedido esse favor à ela há muito tempo. Após isto, meu amigo voltou a ser um bom garoto, controlando a si mesmo para balancear as responsabilidades com o tempo de lazer, como deveria ter feito desde o início. Pude respirar tranquilamente de novo — e desbloquear o celular —, só assim os Park pararam de encher meu saco para vigiar o filho mais novo deles.

Entretanto, como felicidade de pobre dura pouco, quando finalmente achei que teria paz, quatro meses após ver meu amigo se estabilizar, uma coisa aconteceu.

Foi em uma manhã ensolarada e quente de agosto, um domingo onde encontrava-me digitando furiosamente a conclusão de um artigo que precisava ser entregue no dia seguinte, sob suor e muitas lágrimas. Estava sozinho em casa vestindo apenas um pijama com tema de Cyberpunk 2077 quando chamaram na portaria e tive que descer para atender sem me preocupar em trocar a blusa rosa neon por uma roupa mais decente. Após ajustar a calça igualmente rosa do conjunto sobre o quadril — porque eu não sabia ser um gay discreto dentro de casa —, deparei-me com um casal de idosos ao lado do porteiro simpático do nosso prédio. Dois pares de olhos cheios de críticas — e rugas — encarando-me enquanto o bebê mais feio já nascido sobre a terra chorava de forma estridente.

O calor da manhã foi embora na hora.

— Você é Park Chanyeol? — a mulher mais velha perguntou, sem rodeios.

Mentalmente, fiz inúmeros cálculos mentais em míseros segundos, entendendo imediatamente porque eles estavam ali. Bastava olhar para a cara de poucos amigos dos idosos e para o bebê feio no colo deles e relacionar com a fase selvagem de Chanyeol para chegar ao resultado. Era como somar 1 1.

Sorri de forma gentil e claramente falsa, dando um passo para trás enquanto meneava a cabeça negativamente.

— Não, senhores, meu nome é Do Kyungsoo. Infelizmente, não conheço nenhum Park Chanyeol — respondi com a melhor expressão de bom samaritano que pude construir, lançando um olhar afetado ao porteiro pedindo silenciosamente que ele se retirasse. O Sr. Moon apenas sorriu de forma tensa e se afastou para nos dar privacidade. Infelizmente, não havia muito o que ser feito àquela altura, pois falhei miseravelmente em minha tentativa de enganá-los. Quem podia me culpar? Era um engenheiro de softwares não um ator!

Muito menos assistente social!

Não ia resolver problemas familiares de terceiros enquanto tivesse um monstro sobre códigos binários e proxys esperando para ser finalizado lá em cima. Além disso, estava muito desconfiado, pois mesmo que não tivéssemos um tostão para ser roubado, podia ser um golpe ou algo assim. Era tudo muito suspeito. Quer dizer, Chanyeol nunca foi nenhum deus da beleza, convenhamos, no entanto, aquela criança era feia demais, parecia um Bulldog. Meu amigo realmente tinha feito aquela coisa?

Os idosos não acreditaram em sequer uma palavra saindo de minha boca, como previsto, então não demorou muito para começarem a fazer escândalo na portaria. Era um prédio mediano, onde a maioria dos moradores eram estudantes em sofrimento acadêmico contínuo, portanto, foi fácil encontrar pessoas para tirá-los dali da forma menos violenta possível.

Logo após o ocorrido, subi para o apartamento e liguei para Chanyeol.

— Você tomou muito no cu — disse assim que ele atendeu, rodando na cadeira giratória da mesa de estudos.

Oi pra você também, Soo! — grunhiu em retorno, a voz parecia abafada e música indie tocava no fundo. — Tudo bem? Ah, eu estou ótimo! Apenas cansado para um senhor caralho!

— ... e me deve dez mil wons! — acrescentei, ouvindo um “vai se foder” pouco interessado.

Ri, achando graça de seu comportamento. Aquele idiota boca suja não prestava para cuidar de uma criança, quão inacreditável era a situação?

Por que me ligou, afinal? Você nunca liga a não ser para me lembrar de pagar as contas, mas já quitamos tudo esse mês — retomou. Ouvi burburinho ao fundo da ligação, provavelmente das pessoas em seu grupo de estudos.

Uhum, “estudos”.

— Acredite, estou ligando pra te lembrar de uma conta que você precisa pagar, só que com sangue! — dramatizei, usando um tom de orador de formatura.

Quê? Do que está falando? Está jogando RPG com aqueles seus amigos nerds de novo? Já te falei pra não fumar maconha com desconhecidos!

Bufei, perdendo todo traço de humor.

— Não estou drogado, seu animal! Estou falando sério! Você realmente tem contas a acertar!

Que porra...?! Você comprou coisas com meu cartão de novo? Já falei mil vezes sobre o valor absurdo dos juros dessa merda! Por que não compra as skins do teu jogo no teu cartão, seu arrombado?!

— Já disse que não usei teu maldito cartão, porra! E minhas skins compro com meu dinheiro, não me ofenda! De qualquer forma, isso não vêm ao caso! Venha dormir em casa esta noite, precisamos conversar!

Encerrei a ligação, largando o celular de lado. A desgraça de Chanyeol era um tanto divertida, porém, sabia que se ele ficasse com aquela criança, a desgraça dele também seria a minha desgraça. Pensar sobre isso me fez suar frio.

Dito e certo.

Chanyeol veio dormir em casa naquela noite como pedi. No dia seguinte, um advogado e uma assistente social nos chamaram na portaria do prédio, acompanhados do mesmo casal de idosos do dia anterior e claro, do bebê. Dessa vez deixei eles subirem.

As partes conversaram um pouco enquanto a assistente social passeava pelo dormitório após pedir licença, o nariz constantemente franzido em desgosto. Não dava para esperar muito do dormitório compacto de dois jovens solteiros. Após entrarem em um acordo — que não me envolveu para além de um espectador —, um teste de DNA foi marcado para o mesmo dia e à tarde, acompanhei-o até o laboratório à contragosto. Nunca tinha me arrependido tanto de ter decidido compartilhar um imóvel com esse infeliz quanto no momento em que ele, com a testa coberta de suor e um olhar desesperado, ficou segurando minha mão forte demais durante a coleta de sangue, sendo um milagre não ter quebrado todos os meus dedos.

— A criança já nasceu, idiota. Pare de fazer esse escândalo, você não vai parir ou algo assim — reclamei, estapeando sua nuca.

Recebemos o teste de DNA no dia seguinte. Positivo. 

Chanyeol chorou como um recém nascido nesse dia, nem o filho dele chorava daquele jeito feio e espalhafatoso. Minha blusa favorita do The Stones foi a que mais sofreu, pois o deus da fertilidade achou conveniente se debulhar em lágrimas agarrado a mim. E ele não estava emocionado, não. Estava em completo desespero, perguntando a alguma entidade aleatória ou a mim como iria cuidar de um bebê se não sabia cuidar nem de si mesmo.

Como se eu soubesse.

Descobrimos através do relato dos idosos raivosos que eles eram avós do neném. Aparentemente, a filha deles tinha dado a luz apenas dois meses antes, contudo, após o fim do resguardo, deu no pé com um namorado estrangeiro e deixou a criança para trás. Como o par de senhores não tinha condições de ficar com o bebê, entraram em contato com a filha para saber quem era o pai, no intuito de entregar a criança para ele, chegando a Chanyeol depois de muita insistência e pesquisas.

Não tinha o que ser feito. Meu amigo foi obrigado a escolher entre ficar com a criança ou mandá-lo para um orfanato. Contei para aos seus pais sobre todo o ocorrido, porque queria mesmo era ver o circo pegar fogo. No mesmo dia eles ligaram para ele e falaram tudo o que o imbecil merecia ouvir. No final das contas, por consciência pesada, ele ficou com o bebê e só por isso, arrependi-me um pouquinho de não ter incentivado a mandar o pirralho para o orfanato.

Saímos de casa como dois homens solteiros e voltamos com um bebê, do qual não fazíamos ideia de como cuidar. Como morávamos juntos, submergi na rotina de ser pai à força, temendo que o menino morresse de fome e fôssemos presos por maus tratos. Em dado momento, ficamos tão submersos nessa nova vida, que chegaram a perguntar se éramos os pais da criança. Isso mesmo, os pais, no plural. Cara, nunca cuidei nem de um cacto, imagine de um ser humano. Um filho meu provavelmente morreria de fome.

Se não fosse a ajuda constante da tia Park e da minha mãe, Jihun não teria feito nem um ano de vida. E não teria ganhado um nome bonito, porque os avós maternos escolheram um nome tão feio que não valia a pena mencionar. Somente um mês antes do primeiro aniversário do fedelho, quando o período de vistoria da assistência social acabou, Chanyeol registrou-o como o primeiro neto da família Park.

E foi aí que minha vida virou um inferno.

Achava que quando os choros estridentes no meio da noite parassem e o menino pudesse ao menos apontar onde doía, as coisas ficariam mais fáceis, todavia, cuidar de criança era como um passe sem volta para um sanatório.

Chanyeol se apegou ao filho como uma leoa e era totalmente compreensível, mas passar pela experiência paterna gerou sentimentos diferentes em nós dois. Ele estava extasiado, eu estava irritado; meu amigo adorava ninar Jihun, eu só queria dormir; Chanyeol estava tão extasiado que sofreu para deixar o pequeno nas mãos de uma babá para voltarmos a assumir as tarefas da faculdade que ficaram de fora, enquanto estava aliviado de finalmente voltar ao curso de inglês e ao meio período do estágio com horas de sono adequadas. Sinceramente, estava cansado, ficava cada vez mais irritado por não poder dormir direito e pelo cheiro de merda de bebê sempre presente no meu banheiro. Não sou um maníaco por limpeza mas, nossa! O que Chanyeol dava para o filho dele comer? Urano?

Estava aliviado de poder ficar o dia todo fora com as atividades acadêmicas, chegando em casa à noite apenas para dormir ou passar a madrugada navegando na web. Ainda assim, Chanyeol e eu brigávamos muito porque o homem estava maluco, achando que minha pessoa tinha a obrigação de cuidar do bebê quando ele estivesse exausto. Porém, não tinha! Quando discutíamos, ele fazia parecer como se fosse a mãe do garoto e era exaustivo, pois não queria essa responsabilidade para mim, mas acabava pegando por pressão; assumindo um papel que não me pertencia. Era gay, no entanto, estava longe de ser uma mulher, muito menos a mulher dele. Foram meses terríveis em que quase sucumbi mediante a inúmeras crises nervosas. O problema de ansiedade superado na adolescência voltou com tudo e nunca mais me estabilizei após isso.

Com a chegada de Sehun, no entanto, consegui entrar nos eixos e estabelecer um pouco de estabilidade. Minha aversão ao Jihun diminui aos poucos e a tensão entre mim e o nosso amigo mais velho desapareceu, embora houvessem lapsos de desacordo.

Sehun sempre foi o melhor no quesito “lidar com meu mal humor dos demônios” e evitou o assassinato do primogênito de nosso amigo diversas vezes. Tinha crises terríveis de ansiedade, crises nervosas que despertavam um lado violento devido à minha compreensão deturpada da entrada de Jihun na minha vida — o que tratei com terapia anos depois. Então quando ele começou a andar e com isso, minhas coisas começaram a ser destruídas pouco a pouco, ficava difícil manter o mal gênio à margem, embora àquela altura, já fosse bem menos agressivo.

O problema, era que esse pirralho se esforçava muito para me tirar do sério.

Mesmo sob avisos e ameaças, ele ia lá meter o bedelho onde não devia. Portanto, na minha cabeça era justo tê-lo pendurado de ponta-cabeça na janela, deixá-lo trancado no armário por várias horas, assim como quebrar os brinquedos favoritos em sua frente usando um martelo. Era para mostrar quem estava no topo da hierarquia em casa. Demorei muitos anos para perceber o quanto era estúpido.

Aos seis anos, no entanto, já não estava mais tão peralta, o acidente do leite na CPU foi o primeiro em dois meses. Ainda assim, não podia ser menos duro só porque foi um caso isolado. Sempre fui a voz autoritária já que Chanyeol e Sehun faziam as vontades da criança e se não fosse assim, ele não iria até mim humildemente pedir desculpas, como fez minutos após toda a confusão do curto circuito que quase carbonizou pai e filho.

— Tio Soo... — a voz do pequeno falhava, cheia de receio, enquanto entrava na cozinha e se aproximava de mim, perto da pia. — E-eu... Hum...

Joguei os pimentões picados no molho fervente, enxuguei as mãos em um guardanapo e me virei para ele, olhando-o de cima.

— O que você quer, Park Jihun?

A criança engoliu em seco.

— Vim pedir desculpas.

— Desculpas?

— S-sim... — respirou fundo. — Sei que o senhor tinha dito pra não mexer... Só que aquele jogo... Gostei tanto dele e queria jogar de novo...! Me perdoa tio, sinto muito! Prometo não mexer mais no seu computador sem sua permissão!

Ali estava o que queria.

Podia parecer cruel da minha parte tratar uma criança de apenas seis anos dessa forma, sabia que exagerava e estava longe de ser uma figura paterna modelo, porém, era necessário. Alguém precisava estabelecer ordem na casa e na educação geral do menor, para que quando mais velho, não tivesse uma visão equivocada sobre o mundo. No início, criá-lo foi muito difícil, tanto emocionalmente quanto financeiramente, afinal, mesmo com ajuda de nossos pais, manter um bebê e a faculdade não foi fácil. Inúmeras vezes Chanyeol e eu dormimos sem comer para economizar, comprávamos roupa de segunda e calculávamos o tempo no banho quente durante o inverno. Mais tarde, com ambos formados morando em um apartamento grande e cômodo em um bairro tranquilo, tinha medo de estragar o infante com a vida acomodada que podíamos oferecer devido à melhora na condição financeira. Já que antes Chanyeol insistiu que assumisse responsabilidade sobre ele, então peguei ela para mim e a assumi como se deve. Mesmo não tendo relação sanguínea, sentia essa criança como parte de mim.

— Tio? — chamou novamente, receoso, os olhinhos brilhantes.

Finalmente sorri para ele e abri os braços, abaixando-me para ficar na sua altura. O menino correu e me abraçou rapidamente, chorando baixinho, dessa vez não por tristeza.

— Cumpra sua promessa — disse no seu ouvido, beijando sua bochecha.

— Sinto muito, omma.

— Tudo bem, criança — sussurrei. — Apenas não me chame assim na frente de ninguém ou mato você.

Jihun deu uma risadinha gostosa, daquelas puramente infantis banhadas em alegria.

— Esse é o nosso segredo, ne? — disse baixinho, levantando o mindinho.

— Sim, é o nosso segredo — entrelacei meu mindinho com o dele, recebendo um beijo na bochecha antes de assisti-lo correr para brincar na sala. Todo o episódio esquecido.

Oh, eu sei o que está pensando... Se tivesse filhos, eles não teriam morrido de fome, afinal, aprendi a cozinhar justamente por isso. Não que considere Jihun meu filho, longe de mim!

Admito que talvez, só talvez, não odiasse crianças tanto assim.


⟣⃟─𝙵 𝙰 𝚄 𝙻 𝚃─⃟⟢


A hora do jantar foi bem mais tranquila, todos os gritos e choro foram substituídos por risadas e conversas amigáveis.

Sehun nos convidou para assistir um filme alugado após o jantar, pois apesar de toda a tecnologia de plataformas online a nossa disposição, ele ainda gostava de usar o bom e velho DVD. E nós íamos na onda para deixá-lo feliz.

Não faço ideia qual filme assistimos naquela noite, meus pensamentos escorregaram para outro lugar, impedindo-me de prestar atenção na TV. Minha CPU estava pifada e tinha algo muito importante para fazer online, todavia, não era algo que pudesse ser explicado ou justificado para meus amigos. Não sem um fim trágico — sem exageros.

Soltei um suspiro.

Olhei para Sehun deitado nas minhas coxas, totalmente concentrado no filme que ganhou o Oscar em 2007 — segundo seu discurso animado de como Leonardo Di Caprio fez bem o papel e que Scorsese realmente fez valer a estatueta. No outro sofá, Chanyeol cochilava com o filho igualmente adormecido sobre si. Aquela cena apertou meu peito de uma forma incompreensível para quem olhasse de fora; se eles soubessem das coisas feitas por mim, ainda estariam comigo? A resposta não era difícil de adivinhar.

Suspirei novamente, derrotado.

— Soo hyung, tem algo errado? — Sehun pausou o filme e olhou para mim, parecia preocupado. Meus suspiros tinham chamado sua atenção. — Você está distraído, não é do seu feitio.

Acariciei os cabelos tingidos tranquilamente, olhando nos olhos sem olhá-lo realmente, ainda pensativo e sinceramente preocupado.

— Você sabe que faria de tudo para proteger vocês, certo? — disse baixinho, como se esperasse não ser ouvido.

O outro sorriu de canto, meio tenso.

— Sei.

Isso foi o bastante para tranquilizá-lo, por isso ficar com o caçula do trio era relaxante, pois ele nunca questionava além do que eu estava disposto a contar e isso era tudo que precisava: alguém que me ouvisse e me amparassem sem julgar ou investigar mais a fundo. Ele sabia que escondia algo sério, algo grave, porém, fingia não saber para o bem de ambos.

Era profundamente agradecido por isso, porque no final das contas, não podia saber o real motivo de minha distração. Não ia arriscar colocá-lo em o perigo. Saber demais naquela situação era o prelúdio para perder a própria cabeça.

Literalmente.

— Não é nada demais, Sehunnie, apenas estou preocupado com um artigo do mestrado. Tenho que entregar após o feriado e ainda faltam muitas correções, inclusão de referências, essas coisas — minha língua tinha o gosto amargo da mentira.

— Ah, entendo. E Jihunnie estragou sua CPU...

— Vocês tem que parar de chamá-lo assim ou terão crise de identidade* — revirei os olhos, tentando amenizar o clima com um pouco de implicância. — Disse para Chanyeol pagar a CPU quebrada, mas nenhuma loja estará aberta até o fim do feriado. [N.A: pelo “Hunnie”]

Sehun colocou os dedos indicador e polegar no queixo, pensativo.

— Agora entendo sua irritação. Bem, se quiser pode pegar meu notebook. Não tenho nenhum trabalho para fazer, entreguei o último ontem por e-mail, então não vou precisar dele pelos próximos dias.

— Tem certeza?

— Claro! A última coisa que desejo é meu hyung favorito sendo prejudicado por algo que pode ser facilmente resolvido.

— Jamais deixe Chanyeol ouvir isso.

Sorri para Sehun, sentindo-me mal por mentir para uma das minhas crianças — afinal, o via tão frágil quanto o verdadeiro bebê da casa. Podia ser rígido às vezes, porém, sempre tive grande apreço pelos meus amigos e pelo bebê que tecnicamente também era meu — direitos do autor em 80% da educação que ele recebeu. Os três eram como minha família, mesmo tendo meus pais e um irmão que sempre mantinham contato comigo. Embora preferisse estar na minha, quieto no meu canto, era apenas para não envolvê-los em problemas. Não porque não gostasse deles tanto assim, apenas temia o dia em que todo meu cuidado não seria o suficiente para protegê-los.

— Muito obrigado, Sehunnie — continuei acariciando seus cabelos e finalmente consegui me concentrar no filme.

Ou quase isso.

Quando nossa sessão terminou, acordei Chanyeol para que ele fosse para a cama e colocasse Jihun para dormir em um lugar adequado. Sehun foi se deitar depois de comer um sanduíche. Após todos estarem devidamente recolhidos para dormir, levei o notebook para meu quarto e fechei a porta com a chave, girei a tranca duas vezes. Também fechei as janelas, baixei as persianas e apaguei as luzes.

Terminado o ritual, acomodei-me na cama com o notebook sobre minhas pernas. Comecei instalando alguns programas, depois configurei o notebook com padrões e idioma diferentes do de fábrica. Instalei suportes e antivírus russos, assim como alguns softwares projetados por mim no mês anterior — que deixariam qualquer nerd extasiado. Depois de deixar o notebook completamente protegido e armazenar todo o conteúdo da memória em uma nuvem verdadeiramente segura e longe de vírus, acessei a internet por um dos meus programas.

A tela de pesquisa era preta, mas não era a aba anônima do google. Aquela sequer parecia uma aba de pesquisa da surface*, pois era uma das camadas iniciais da deep web*. Depois de entrar no lado da internet não monitorado pelo governo, o notebook alertou vírus e uma infinidade de outras abas abriram, o alerta de intruso apitou, anunciando alguém na tentativa de hackear meu computador. Apenas esperei, assistindo enquanto os programas operavam sozinhos, fechando as abas extras, bloqueando o intruso e exterminando os vírus. Meia hora depois o notebook estava limpo, então aproveitei para detonar o computador de quem tentou me hackear, enviando um vírus nocivo em formato de proxy após invadir seu servidor.

Eliminando as ameaças padrão, pude iniciar a brincadeira de verdade.

Entrei mais fundo na deep web, quebrando as camadas iniciais em apenas alguns minutos. Saltei mais duas camadas após a camada onde foi catalogada atividade dos corvos e entrei num servidor privado após digitar uma senha de 31 dígitos, com caracteres de quatro idiomas diferentes e alguns números arábicos. O servidor estava programado para alertar senha incorreta quatro vezes antes de aceitá-la, mesmo estando certa. Era necessário colocar a mesma sequência de números e caracteres e dígitos cinco vezes, sem errar em nenhuma das cinco, até a senha ser reconhecida. Era um meio de proteção bobo, porém eficiente. Perdi as contas de quantas vezes evitamos intrusos com ele, pois no momento que o sistema alertava uma senha errada, um dos administradores ia verificar o ID. Ainda assim, estava pensando em criar um servidor mais protegido, desta vez na dark web*, dependendo da situação futura do grupo.

Uma vez dentro do servidor, recebi um alerta de mensagem em um dos meus chats.


─ 𝔢𝔪 𝔩𝔦𝔫𝔢𝔞

Coelho: Está atrasado.


Torci o nariz ao ver a mensagem aparecendo na tela escura. Pesquei meu óculos na cômoda rapidamente e digitei uma resposta antes do meu chefe saltar do computador para me estrangular.


Me: Minha CPU sofreu um acidente grave, agora está na UTI.

Esquilo: Eutanásia* nesses casos, substitua essa vadia por outra.

Cervo: Por que tudo que você diz tem cunho sexual?

Esquilo: Alta fertilidade.

Cervo: Você é um homem gay, que diferença faz?

Esquilo: Vem no chat individual que te mostro ( ͡° ͜ʖ ͡°)

Me: Vocês me enojam.

Coelho: Onde está o Kris?

Touro: ...

Touro: Aqui...

Touro: Só queria deixar claro que odiei meu codinome.

Coelho: Por quê? Dyo disse que combina com você.

Me: Ele é grande, sabe! Como um touro! Achei que ia combinar...

Cervo: Então, eu sou “Cervo” por quê? É por que sou gay?! Me chama de viado logo!

Me: Não fui eu quem escolheu!

Cervo: Suho?

Coelho: Dyo me passou uma ficha completa sua, quando se juntou a liderança. Sei lá, combina com teu nome. Não é uma coisa ruim.

Esquilo: Então, podíamos mudar o codinome do Kris de Touro para Fuinha.

Emojis de risadas. Muitos deles.

Touro: ...

Touro: Dyo, apenas me dê o endereço desse filho da puta.

Me: Só se você compartilhar comigo o vídeo do assassinato.

Touro: Fechado!

Esquilo: Ei!

Coelho: Certo, acabou a palhaçada e sem enrolação! Tenho outros assuntos para resolver amanhã, tive problemas com os corvos mais uma vez, isso está começando a me irritar. Não me fodam.

Coelho: Recebi os relatórios de todos vocês e mandei para o Dyo avaliar, agora quero observações e discussão sobre tal. Qualquer assunto que não seja o objetivo dessa reunião acatará em punição nos envolvidos, entendido?

Cervo: Sim, senhor.

Esquilo: Sim, senhor.

Touro: Sim, senhor.

Me: Ok, vamos lá! Com base nos relatórios enviados pelos meus caros companheiros de equipe, notei alguns pontos importantes. Primeiro, a isca falsa deixada no primeiro dia do ano gerou frutos, conseguimos dois novos recrutas talentosos e encurralamos os ratos*. Também rastreei os fragmentos de atividade dos águias*, chegando à identidade de três dos hackers deles. A partir disso, modifiquei a criptografia do último servidor utilizado e deixei as coisas mais interessantes para as brincadeiras deles. Até aí tudo sob controle, como sempre.

Me: Acessei as câmeras de segurança que Suho me pediu, aqui estão as imagens coletadas: link. Os corvos estão cada vez mais duros com aqueles acusados de serem antiprogressistas, por enquanto não há nada que possamos fazer quanto a isso. Abordagens indiretas e pacíficas não seriam efetivas.

Me: Analisei os relatórios de Xiao e Kris, nossos contatos chineses estão avançando bem. Temos alguns suportes online sendo projetados por eles, agora estão trabalhando com a criação de uma interferência de rede que possa afetar qualquer sinal via satélite e condensa-los em um ponto desejado. É uma grande empreitada! Mandei algumas instruções, o andamento vai ser lento, devido à necessidade de atuar no mais puro sigilo. Alguns suportes sequer sabem no que estão trabalhando, estamos peneirando as pessoas adequadas.

Me: Ainda ontem, Xiao e eu trabalhamos em alguns algoritmos e conseguimos acessar um computador governamental, copiamos o maior número de dados possível até sermos barrados. Aqui estão: link. Nós dois já organizamos todos os dados de nossas pesquisas e planejamento até agora. Aviso a vós irmãos que estamos indo por um caminho interessante. Se der tudo certo e ocorrer no tempo previsto, alcançaremos nosso objetivo antes do final da transição*!

─ 𝔢𝔫𝔳𝔦𝔞𝔡𝔬 02:31:57


Esperei um bom tempo para alguma resposta e nada apareceu. Os outros estavam analisando os links enviados, com toda certeza, e como estavam todos criptografados levaria um tempo para eles terminarem. Cansado de esperar, levantei da cama e fui para a cozinha fazer algo para beber, minha garganta estava seca.

Enquanto engolia o suco de laranja, encostado a bancada da cozinha, minha mente girava com o excesso de informação e o cansaço de várias noites mal dormidas. Ser um dos líderes da F.A.U.L.T. não era tarefa fácil, ainda mais com a polícia e o exército oferecendo milhões de dólares pela minha cabeça na deep web. Tinha tranquilizado meus companheiros, contudo, só eu sabia o quanto era trabalhoso criar labirintos online para enganar os tiras.

Sorri nostalgicamente ao lembrar como me envolvi nisso tudo.

Embora tentasse viver uma vida tranquila e alienada como mais um cidadão coreano na multidão, simplesmente não conseguia levar a sério. Fingir estar alheio a situação política de nosso país já era uma tarefa hercúlea, queria proteger minha família de qualquer represália, todavia, não podia me calar e assistir enquanto afundávamos na merda. Precisava fazer alguma coisa.

Em 2019, nosso então atual governo decidiu mudar o sistema político de nosso país, devido a um ataque da Coréia do norte contra a região de Gyeongsang do Norte alguns anos antes. Muitos foram pegos de surpresa, pois estávamos mais preocupados com os estragos causados pelo ataque que com a manobra de um grupo socialista enchendo o saco das nações unidas, para poder passar sobre a análise rigorosa e finalmente aprovação da ONU. Os motivos usados pelo grupo governamental dentro do parlamento foram:

• o ataque feito em Gyeongsang do Norte;

• o fato de toda a população da região se tornar miserável;

• a disparidade de bens e classes sociais crescente devido ao pânico das massas.

A fim de todos terem suas casas, salários e alimento garantidos, seria empregado um regime socialista no intuito de igualar o acúmulo de bens nas mãos das famílias.

Usando rádios e propagandas locais, tal qual a disseminação de informação no estilo bola de neve — a população mais interessada na mudança política eram os atingidos pela tragédia e esses eram seus principais meios de comunicação —, espalhou-se a ideia sobre uma melhora de vida para todos. Uma mentira deslavada enchendo os ouvidos de pessoas fragilizadas bem debaixo de nossos narizes.

As propagandas pregavam uma sociedade sem uma classe privilegiada ou a existência da pobreza e fome, o que certamente encheu os olhos do público Infelizmente, 60% da população foi convencida, porcentagem composta pelas pessoas atingidas de forma direta e indireta pelas consequências do bombardeio em Gyeongsan. Todo o apoio populacional proporcionou a aprovação da ideia através de plebiscito, inicialmente irritando a classe mais rica e gerando revolta. Entretanto, nem todo dinheiro deles seria capaz de revogar o que ia ser implementado.

Concomitante ao anúncio, iniciou-se a transição para o tal sistema socialista, que seria “adaptado às necessidades da população”, segundo as palavras do representante do estado que fez o discurso do anúncio nacional. A ideia não foi bem aceita, obviamente, principalmente pelos acadêmicos, pois eles sim sabiam que um regime socialista funcionava apenas em utopias e ao implementá-lo na vida real acabaria por quebrar o país. Imediatamente se iniciaram protestos e atos contra a atitude e decisão do governo, protestos protagonizados principalmente pelas classes prejudicadas pela decisão: a alta, classe média alta e classe média, juntando-se às pessoas que não compraram a propaganda do governo, pois ao pensar melhor sobre isso, estava óbvio que não daria certo. A mídia internacional estava em cima, assim como havia pressão dos países vizinhos quanto a decisão abrupta, mas ninguém fazia nada. O câmbio de mercadorias era muito forte e os países que negociavam as exportações e importações estavam apreensivos, principalmente os EUA. Além de criar um imenso burburinho no âmbito comercial, a “nova Coréia do Sul” ficou aberta para qualquer ataque inimigo, como a Coréia do Norte e China, visto que seus aliados estavam lavando as mãos com a situação instável e não tinha intenções de ajudar caso uma guerra se iniciasse. O serviço de segurança nacional passou a trabalhar para conter os movimentos, chegando a criar uma divisão policial específica para lidar no contexto dos protestos. Porém, os protestos apenas aumentaram.

Contudo, em 2024 se tornou crime ser um antiprogressista — estar contra o governo — e todos os movimentos foram silenciados pouco a pouco, uma vez que as punições iam desde multa a pena de morte.

Sim, três frentistas do movimento foram condenados a cadeira elétrica. Isso foi suficiente para calar as pessoas.

Ao menos, essa era a ideia.

O que estava acontecendo era algo muito maior do que qualquer um poderiam imaginar quando toda essa mudança começou. Para os outros países, o governo sul coreano vendia uma imagem de um país em ordem, onde as pessoas estavam vivendo bem dentro do regime socialista, mantendo um lado democrata para negociações de produtos, semelhante ao regime Chinês, mas a verdade era outra. O que estava acontecendo, só os cidadãos sabiam, pois se assemelhava em muito a um regime militar, no pior dos casos, a uma ditadura extremamente violenta e autoritário.

Enquanto os movimentos de rua se extinguiram, os movimentos online aumentaram. Mas, a polícia e o exército logo acharam uma forma de suprimi-los também, fazendo com que pouquíssimos sobrevivessem, além de promoverem caçadas, onde essas pessoas rastreadas online eram silenciadas para sempre. Todo e qualquer rastro de comportamentos antiprogressistas encontrados online que pudessem comprometer a imagem do governo diante do globo, era deletado. Tínhamos acesso à internet e podíamos acessar plataformas internacionais, o que era inovador neste tipo de regime. Entretanto, todo o conteúdo era extremamente filtrado e qualquer um que ousasse dizer abertamente ser contra o governo, bem, ia ver a grama nascer ao contrário. A prova de que o regime vendido como a salvação do país se tornou totalitário e opressor, controlando as pessoas através do medo e abuso de poder. Também haviam recompensas para aqueles que denunciassem um antiprogressista diante da Divisão de Controle. Em dólares.

Dentre os grupos antiprogressistas que ainda existiam na web, estava o maior deles: a F.A.U.L.T.

A F.A.U.L.T., cuja sigla ninguém sabia o significado, era uma organização composta por um amplo grupo de pessoas, existia desde o início dos protestos e era uma das maiores pedras no sapato do governo. O líder, sob o pseudônimo Suho e codinome Coelho, foi o criador e frentista do movimento desde 2019, mas assim que a polícia — carinhosamente chamados de corvos — começou a reprimir as manifestações, sua posição começou a ser ameaçada. Na época, eu havia acabado de entrar no movimento, mas não tinha coragem de ir para as ruas, pois sempre odiei multidões. Contudo, sempre participava dos fóruns online. Foi a partir de um desses fóruns que entrei em contato com Suho e propus uma parceria para administrar o movimento quando começamos a ser caçados.

Sempre fui bom em “coisas tecnológicas”, como Suho sempre dizia, então foi de grande ajuda me ter por perto, modéstia à parte, consegui proteger a identidade de Suho, a minha e a de todos os membros da F.A.U.L.T., assim como criei uma forma de esconder o grupo dos olhos famintos do governo. Vencemos a grande perseguição de 2024 e através de uma plataforma que desenvolvi, conseguimos manter nossa fama de “anônimos e irrastreáveis”. Recrutamos pessoas talentosas nesse meio tempo e que foram de extrema importância para nós. Como nosso lema era o anonimato, mesmo entre os líderes a identidade de todos era oculta e sigilosa. Isso só mudava quando as pessoas revelavam a si mesmos entre si.

A única exceção a essa regra era eu. Como responsável pela avaliação, investigação e aprovação de todos os membros da organização, conhecia todos os rostos por trás dos IDs em nosso servidor. Nem mesmo Suho, sendo líder, sabia a identidade de quem não se revelava, apenas algumas informações base passavam por ele. Como prezamos a estabilidade, essa decisão nunca interferiu em nada. No final das contas, Suho não precisava saber, pois a resposta final de quem entrava era dada por mim.

Os líderes da F.A.U.L.T. eram Suho, eu e mais três pessoas, cujos pseudônimos eram Xiao, Byul e Kris. Os três eram figuras de suma importância, pois participavam de cada etapa da investigação, recrutamento e organização. Tínhamos um grande plano sendo elaborado, de extrema complexidade e ainda tínhamos que nos esconder dos nossos algozes. Cada um exercia bem seu papel, usando seus conhecimentos para ajudar como podiam. As coisas estavam funcionando.

Ainda assim, não era uma tarefa fácil, muito menos segura, continuar com o que estávamos fazendo. Por exemplo, se eu, como líder de tecnologia da F.A.U.L.T., falhasse no mais mínimo que fosse, todos estávamos condenados — literalmente. O mesmo valia para os outros líderes. Eram tempos difíceis para aqueles que repudiavam os regimes totalitários, não podia me dar ao luxo de arriscar a segurança de ninguém, assim como não podia desistir.

Era pelo meu país, pela minha família e pela família daqueles que confiavam em mim.

Iríamos derrubar aquele governo a todo custo! Nem que eu morresse tentando.


Notas Finais


É isto haha o que acharam?

Antes de tudo, devo alertar que o ritmo de postagens vai ser beeeem lento para os capítulos que ainda não estão prontos (tenho o 1 ao 7 devidamente escritos), porque se trata de um livro que para mim, é bem difícil de escrever. Peço paciência.

Vou dar meu melhor!

Até o próximo capítulo ❤


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