História Faca no Pescoço - Capítulo 1


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Categorias Bungou Stray Dogs
Personagens Gin, Ichiyou Higuchi
Tags Análise De Personagem, Bsd, Bungou Stray Dogs, Higugin, Nouryokuproj, Np Setembro
Visualizações 31
Palavras 804
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), LGBT
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Eu estou muito feliz por ter entrado no projeto e espero que vocês gostem da minha primeira fanfic escrita pra cá. Eu não tenho Social Spirit, então caso vocês queiram checar meus trabalhos anteriores, eles estão disponíveis no AO3 (link nas notas finais).

Capítulo 1 - Capítulo Único


“Você sente a faca em seu pescoço?” Higuchi perguntou, um dia; os lençóis atravessados por entre as pernas de ambas e os raios de sol que passavam pela cortina, iluminando o quarto, davam ao momento um tom descontraído, que, se Gin não fosse da Máfia do Porto, tal como a mulher ao seu lado, ela teria a ilusão de aquele era um comentário casual. 

Os músculos do rosto de Higuchi estavam mais calmos do que quando ela estava no trabalho, apesar de ainda tensos, mas Gin não apontaria isso — a relação delas não precisava de muitas palavras. A Akutagawa sabia mais do que ninguém das questões de Higuchi, das questões da Máfia do Porto num geral. Como uma observadora fiel de ambos, era impossível que Gin deixasse de notar que a loira encolhia sempre que havia a possibilidade de ter que interagir com Mori, o chefe, porque a máfia não estava salva de boatos. A hesitação na voz e nos gestos de Higuchi quando esta se encontrava próxima a Ryuunosuke também não tinham passado despercebido pela irmã deste.

Não era incomum para Gin receber perguntas da namorada sobre seu irmão, como seu tipo preferido de chocolates, se ele estava comprometido ou como era seu humor pela manhã. Eram tantas perguntas que ela até sentiu ciúmes de Ryuunosuke por um tempo, até a confiança no relacionamento aumentar, e até ela perceber que os sentimentos de Higuchi pelo outro Akutagawa eram outros. 

Atualmente, já era óbvio para Gin que os sentimentos da loira pelo Ryuunosuke faziam parte de sua vontade de provar o seu valor, junto a uma admiração profissional. Ela sabia que seria impossível para seu irmão expressar a aprovação que Higuchi queria sem uma intervenção externa, e Gin questionava a si mesma se ela deveria ou não intervir. 

Afinal, ela era uma observadora. Talvez sua posição não fosse tão privilegiada para a atividade quanto ela pensava; talvez os guardas de terno com expressões impassíveis e armas em punho fossem os melhores observadores do funcionamento da Máfia do Porto — nulos, sem capacidade de interferência. 

Já Gin, irmã de um dos membros mais influentes da organização e amante de outro, e tendo ela própria algum poder naquele mecanismo, talvez tivesse mais influência que ambos. Se quisesse. Caso Gin desejasse, caso ela sucumbisse à ganância, não seria difícil aumentar seu status escondida nas sombras — onde já havia passado tanto tempo que talvez tenha se tornado seu habitat natural. O poder estava ao alcance de suas mãos, caso desejasse.

Você sente a faca em seu pescoço? Brincando com o tecido branco, quase transparente, do cobertor, Gin mordeu o lábio. A voz de Higuchi ecoava pela cabeça da, naquele momento, mulher, enquanto esta a encarava calmamente, esperando por uma resposta — e essa resposta era sim. 

A solução que Gin havia encontrado para diminuir sua disforia durante seu período no trabalho tinha sido apresentar-se de forma ambígua. Claro, a conclusão que a maioria dos membros da Máfia do Porto, principalmente enquanto sob o comando de Mori, havia sido que Ryuunosuke tinha um irmão, homem cis, e não uma irmã não binária, gênero fluído, mais especificamente. 

Gin sentia a faca em seu pescoço quando andava pelas ruas usando um vestido, sem sua máscara e com os fios de cabelo soltos; ela sentia a faca em seu pescoço quando, rapidamente, segurava a mão de Higuchi durante os últimos minutos do horário de almoço — mas, mesmo assim, ela não poderia desistir daqueles poucos segundos no paraíso. Ela sentia a faca em seu pescoço quando via a desumanidade que ela sabia que ocorria na organização com seus próprios olhos. A faca estaria em seu pescoço se ela atuasse, mas mudaria alguma coisa se ela permanecesse nula? Valia a pena, pelo seu pequeno projeto de observação? Gin não conseguiria salvar a todos, de qualquer forma. 

Ela sentia a faca em seu pescoço quando, em seu peito, havia a necessidade de salvar a todos, mas o seu trabalho era o que estava entre a situação atual e a salvação. Gin sentia a faca em seu pescoço quando encontrava marcas vermelhas em Higuchi e não precisava questionar sobre o culpado, pois ela sabia que era o próprio irmão, e sabia que ela não poderia pará-lo — observadora. Ela era apenas uma observadora, nula e inútil. 

Com a faca em seu pescoço, Gin sorriu levemente. Ela havia se tornado cada vez melhor em fingi-los, com os anos. “Não que eu lembre. Mas agora, você deve estar com fome.” Higuchi conhecia Gin bem demais para acreditar na resposta, mas, apesar de não convencida, ela levantou e não comentou nada a respeito. Porque se Gin era uma observadora, então Higuchi era uma mestre em como agir. Ela sabia as ações a serem tomadas como se sua vida dependesse disso; muitas das vezes dependia — a faca estava sempre em seu pescoço.

 


Notas Finais


Espero que tenham gostado! Por último, obrigado para o beta reader (@vessalius) e para o capista (@Akaza) pelo maravilhoso trabalho!

AO3: https://archiveofourown.org/users/ranpoandpoe


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