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História Fade to Helena - Repostada - Capítulo 26


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Capítulo 26 - Querido Diário


 

Pov’s Hell

 

Nem chorar eu era capaz, meu corpo estava em chamas, meu ódio queimava e consumia cada célula do meu corpo, cada palavra desse desgraçado foi uma flechada em mim, mas foda-se, eu deixo.

Me troquei, observando as inúmeras marcas presentes em meu corpo, vi meus ossos se ressaltarem do resto do meu corpo, olhei meus olhos vermelhos, passei a mão pelo meu corpo pensando nesses últimos dois meses, mas logo minha mente foi tomada pelas palavras de James.

Me sentei no canto da caminha e me cobri com a manta, abri minha bolsa peguei meu “caderninho de viagem” auto intitulado “ Missão Dois Meses Viagem Hell”

Uma folha caiu, ela estava cheia de sangue, desse dia eu nunca iria me esquecer. O cheiro apodrecido daquelas paginas me encantava, parecia que foram escritas a milhões de anos, sendo que alguma delas só foram preenchidas a dois dias.

Peguei a carta com sangue e li uma parte, qual será o dia.

 

Começo diário

 

Algum dia de julho (acho que 12), 1987

 

Acho que vou contar esse dia como se estivesse acontecendo agora. Nada que o LSD não faça não é? Talvez eu realmente esteja vivendo esse momento agora, talvez eu sequer esteja viva, mas vejo Nikki e não acho que Nikki está morto ou será que está?

Talvez eu possa me tornar uma escritora, drogas ajudam nisso, certo? Escrever.

Primeira pessoa?

Terceira pessoa?

Passado ou presente?

-Nikki – eu falava em um tom tão baixo que parecia mais um sussurro – Slash?

Continuei sussurrando seus nomes a espera de uma resposta. Não decidi se ainda não abri meus olhos por medo ou por que eu não queria acordar. A dor de estar viva batia a minha vontade de querer lutar. Esse sentimento de esperança e essa ridícula vontade de viver pareciam cada vez mais distantes, talvez já se tornaram inexistentes e eu ainda não me toquei que deveria estar morta. O ar dava falta em meus pulmões, o que tornava a tarefa de respirar extremamente complexa e irritante, meu coração parecia não estar batendo, mas o zumbido de minha pulsação estava presente e marcando o tempo a cada batida, aquele zumbido me tirava do sério.

 

Tentar levantar era inútil e como esperado, não era algo que eu desejava fazer, muito menos conseguia. Me virei lentamente sentindo todos os músculos do meu corpo se esticarem, os acordando de um sono profundo que permaneciam até esse momento. Foi um movimento pequeno mas a dor foi muito maior do que a esperada, só não se igualava a uma expecifica dor que sempre vaga pela minha mente.

 

Ah Cliff, como sinto sua falta.

 

As palavras que dominavam minha mente naquele dia ainda me corroem.

 

Que tal uma pequena viagem em minha memoria?

 

Flashback ON

 

Por que lutar? Se não se tem nada para lutar por? Ninguém ao seu lado, só você e a dor.
 
Se precisamos morrer para viver, então qual o sentido de viver?

 

Acho que nunca vi tanto sangue na minha vida, fazia tanto tempo que eu não cortava a boca que já tinha me esquecido o quão perturbador o gosto de ferro pode ser, meus olhos estavam cobertos de sangue que escorriam da minha testa.  Meus dedos estavam frios e roxos, pelos meus pulsos escorriam sangue e da minha barriga, o sangue que saia dela formava uma poça, tinha algo preso nela, eu não sabia o que era, mas podia sentir que estava lá. Meu rosto ardia assim como a minha garganta, por um momento achei que estava gritando, mas não tenho certeza, por que não ouvi nada, só um som distante e agudo, tudo estava embaçado. Que merdas havia acontecido?
 
Eu não sentia dor alguma, mas assim que tentei me mover, finalmente entendi o que dor física significava e agora sim, pude ouvir meu grito, que parecia mais um berro cheio de falhas. Eu estava soterrada em baixo de todas as tralhas que antes estavam do meu lado. Abri a boca de leve e um liquido encostou em minha língua, era whiskey, o resto que eu não consegui terminar de beber, imagino onde deve estar a garrafa. Meus pulmões não pareciam funcionar, por mais que eu tentasse respirar, pouco ar entrava, acho que era o desespero ou o choro ou as malas que me imprensavam contra a parede. Olhei para frente e vi a única coisa que eu mais temia.

 

Comecei a chorar, não um choro qualquer, nenhum som saia, mas minha garganta doía mais do que se pode imaginar.
 
Minhas pernas se tornaram inúteis enquanto eu me arrastava em direção aos cabelos longos de Cliff. Depois de muito esforço, meus dedos encostaram na ponta dos dedos da mão dele,Cliff estava com só um braço esticado e eu  apertei seus dedos com força. Eu não conseguia me mover nem mais um centímetro, ficar esticada daquele jeito me doía, mas não mais do que solta-lo.
  

Provavelmente é somente minha mente pregando peças em mim,mas eu senti, eu senti ele aperta minha mão de leve.

-Cl-cliff eu estou aqui - comecei a tossir sangue, muito sangue- eu estou a-aqui com você

 

Flashback OFF

 

Ainda penso, eu deveria ter morrido em seu lugar, ele merecia muito mais viver do que eu.

 

Pausa Diario.

 

O fechei com força e senti um aperto no peito, cade a porra do ar?

 

Amassei aquela folha e a taquei em um canto qualquer, a raiva me fazia querer sumir com aquele dia, com tudo.

 

Respirei fundo e fui me juntar a Lars, que continuava a olhar para trás a minha procura, preocupado.

 

Pelo menos ele.



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