História Faded - Capítulo 2


Escrita por: ~ e ~disarray

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Adolescência, Amizade, Colegial, Descobrimento, Desconhecido, Drama, Família, Fuga, Laços, Mistério, Morte, North Carolina, Perda, Separação
Visualizações 9
Palavras 1.502
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - Dois


Fanfic / Fanfiction Faded - Capítulo 2 - Dois

DOIS

Estar novamente dentro daquele quarto não foi como eu havia imaginado. Tudo estava exatamente igual, como Keith havia deixado, como se ele pudesse retornar a qualquer momento. Mas eu sabia que ele não voltaria, e o senhor Patoff também fazia consciência disto.

Ele respirou fundo, e disse:

- Eu vou te deixar sozinho.

Então ele saiu como se estivesse sendo absurdamente torturante estar ali. E eu me vi outra vez diante do mural de fotografias do Keith.

- Porque tem tantas fotos minhas no seu mural?

- Não são fotos suas. – Keith respondeu. – São fotos de momentos marcantes para mim, e você estava na maior parte deles. É por isso que você é o meu melhor amigo. – continuou.

- Eu não me lembro de quase nada.

- Eu não estou surpreso. – disse ele deixando o seu pensamento sobre mim vago demais para que eu pudesse entender.

Mesmo assim, eu me atrevi a despregar umas das fotografias, ainda que eu não me lembrasse de quando e porque ela havia sido tirada. Mas acreditei que Keith não se importaria se ela ficasse comigo agora.

Percorri o olhar pela escrivaninha, pela sua estante coberta por livros, mas não encontrei caderno algum. Talvez Keith o tivesse levado com ele. Talvez ele tenha se perdido como todo o resto que ele decidiu carregar, o que não era muito, porque ele levava apenas uma mochila.

É tudo do que me lembro, da última vez que eu o vi, perto da estrada.

Ele estacionou seus passos na minha direção, e ajeitou o estranho chapéu de cowboy, do velho oeste, que ele usava.

- Então eu acho que é adeus. – Keith começou a falar.

- Não. O que é isso? Quero dizer... A gente ainda irá se encontrar. Não vai? – perguntei a ele, tentando não gaguejar, esperando que dissesse que sim. Eu queria acreditar que nos veríamos novamente. Mas, ele nada respondeu, e se esquivou do assunto.

- Talvez eu te mande um cartão postal de Londres. – disse ele.

Como eu não disse nada. Ele continuou.

- Eu sei que no fundo do seu interior você quer muito se ajoelhar e implorar que eu fique. Mas eu também sei que você não vai fazer isso. Seu orgulho irá te impedir. – brincou. E eu ri, soltando um: “Ah! Tá bom”.

Sabia que aquilo era a mais pura verdade.

Keith também tinha essa certeza.

Ele riu junto e abaixou a cabeça, por um tempo longo demais, e quando seus olhos se levantaram novamente, eles estavam diferentes. Era como se ele quisesse chorar, mas se esforçasse o máximo para não fazer isso.

No verão passado, antes do Keith desaparecer, as pessoas estavam animadas com os preparativos do décimo sexto baile beneficente da nossa escola.

O professor Frank disse: nada de bebidas.

Depois ele piscou com um dos olhos, dando sinal de que estava tudo bem, de que ele sabia que os adolescentes sempre fazem coisas escondidos quando podem.

Eu queria poder ter ajudado mais com os preparativos. Mas antes das duas da tarde, o carro do papai buzinou em frente ao estádio.

Lembro-me de ter ficado muito chateado na hora. Era horrível a sensação de como se eu não pudesse decidir nada a respeito da minha própria vida.

- Vejo vocês na festa. – eu falei.

Cassidy sorriu, e ajeitou uma mecha dos cabelos atrás da orelha. Os olhos do Keith brilharam. Eu queria que ela pudesse ter visto, mas era para Sebastian que ela mirava.

- Tem certeza que não pode convencer o seu pai? – Keith quebrou a conexão do seu olhar com Cassidy, e se aproximou de mim.

- Ainda temos algumas horas. – disse Ava, nossa colega de turma, talvez aquela que eu costumasse a admirar em segredo. Mas Keith segurou a minha mão.

- Fica. – pediu.

Eu olhei para Ava.

Vi ela retorcer os lábios, dar as costas e caminhar em direção contraria de nós, espalhando pedaços do meu coração por onde ela pisava.

- Isaac? Você está ai? Terra chamando? – brincou.

- Quê? – demorei um tempo para cair na real, e perceber que ele falava comigo.

- Você está aí?

- Estou. – respondi, diante do seu rosto alegre. – O que foi?

- Você vai ficar?

- Não posso. – insisti. E meus olhos tombaram para a mão do Keith, ainda segurando a minha, tão forte, como se ele quisesse me dizer alguma coisa além do que seus lábios me pediam. – Meu pai... – continuei, me sentindo desconfortável com aquilo. – lá fora.  Eu tenho que ir.

Queria ficar com tudo o que foi dele, mas sabia que isso não seria possível.

Agarrei a fotografia, e seu boneco de beisebol. Agarrei, e dei a volta para sair do quarto o mais rápido possível, quando meu tênis esbarrou na mochila velha jogada no chão. Reconheci o livro de biologia, e o caderno que ele usava em sala, seu estojo infantil do homem aranha, um suposto livro de horror que ele estava lendo, e seu misterioso diário de capa preta.

Quando eu peguei o caderno, não me senti como se estivesse tendo a honra de ficar com algo que fora valioso para ele, parecera mais que eu estava roubando uma parte do que ele era.

Eu estava roubando para mim seu mais valioso segredo.

“Isaac, não”.

Repreendi a mim mesmo.

Mas decidi levar o caderno comigo mesmo assim.

Caminhei até a porta, e antes de sair dei uma última olhada.

- Eu te vejo amanha no colégio. – Keith falou sem tirar os olhos da tela do computador, sentado junto à escrivaninha, com uma das pernas estiradas e a coluna torta, deve ser por isso que seu pai sempre dizia que ele teria sérios problemas quando fosse mais velho e menos flexível.

Dei adeus para aquele quarto esperando que não fosse preciso voltar lá.

- Tudo bem senhor Patoff eu já peguei o que eu queria. – disse ao senhor Patoff.

Ele estava sentado no sofá da sala, com um prato de salada no colo, e eu pensei que tipo de pessoa come salada durante a tarde? Mas não comentei nada sobre isto. Apenas achei estranho, como ele sempre fora para mim.

- Tem certeza? – ele perguntou, desviando o seu olhar antes atento na televisão.

- Uhum. – respondi.

- Nesse caso. – Ele fez um esforço para se levantar sentindo seus ossos doerem, deixou o prato de lado, e se dirigiu até a estante, onde pegou alguma coisa antes de se aproximar de mim ainda perto da escada. – Aqui, para você. – disse ele, e eu estendi o braço abrindo minha mão para segurar algumas balas de canela. – Keith adorava isso, eu comprava de pacotes, eu não quero que elas fiquem ocupando o fundo do armário. Você sabe.

Eu sei.

- Obrigado. – respondi. E aquilo me fez sentir vontade de dar o fora, o mais rápido possível daquela casa.

- Está tudo bem? – ele pareceu preocupado. E eu balancei a cabeça afirmando que sim.

- Eu tenho mesmo que ir agora, senhor Patoff, obrigado pelas coisas do Keith e pelas balas. – falei, e saí. Eu mesmo fechei a porta, sem esperar que ele se oferecesse para me acompanhar até o quintal.

Continuei andando, até a esquina, até a cerca da minha casa, sem querer olhar para trás. De alguma forma, eu havia desaprendido a andar, e meus pés apenas faziam um esforço para equilibrar o meu corpo a cada passo que eu percorria.

Sentei-me sobre a grama, porque minhas pernas desabaram antes que eu pudesse alcançar à varanda. Estava difícil trazer o ar dos meus pulmões para fora. Tudo a minha volta estava girando rápido demais para que meus olhos pudessem acompanhar, então, eu apenas os fechei com muita força.

- Eu me achava deprimente, mas aí eu olho para você e penso que você consegue pior. – Keith falou no nosso esconderijo de criança, quando ele falava sobre beijar as garotas do nosso colégio.

- Talvez eu só não queira beijar uma garota agora. – eu respondi. Porque aquilo realmente não era importante. Pelo menos, não tanto quanto parecia ser para ele. Mesmo que eu costumasse a pensar na Ava durante parte do meu dia. Nos lábios dela sempre pintados de vermelho.

- E quanto a beijar um garoto? – Keith quebrou meu pensamento.

- Quê?

Perguntei, sem ter tempo para receber uma resposta. Porque os lábios do Keith pressionaram os meus. E, da mesma forma súbita, eles se afastaram.

- Não conte a ninguém. – ele sussurrou.

- Tá bem. – concordei, mesmo não estando tudo bem para mim. E os lábios dele retornaram para os meus, que dessa vez, desabrocharam-se em sua boca.

Eu não movi minhas mãos. Keith também não moveu as dele.

Apenas nossas bocas se tocavam, por uma eternidade, porque eu comecei sentir a falta dos lábios dele, quando a gente se afastou.

- Então? Você gostou? – ele perguntou ansioso, como sempre parecera.

Apenas depois de um tempo eu respondi, de forma mais natural do que eu imaginei na hora.

- Tem gosto de canela.

Não era o que ele queria ouvir, mas ele me sorriu mesmo assim.



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