História Failed Wedding - Capítulo 1


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Categorias Once Upon a Time
Personagens Capitão Killian "Gancho" Jones, David Nolan (Príncipe Encantado), Emma Swan, Regina Mills (Rainha Malvada), Zelena (Bruxa Má do Oeste)
Tags Drama Swanqueen
Visualizações 120
Palavras 6.873
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: FemmeSlash, Ficção, LGBT, Violência, Yuri (Lésbica)
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Essa história trata-se de uma oneshot inspirada no final da sexta temporada de Once Upon a Time. Nenhum dos personagens envolvidos me pertencem ou o universo explorado. Divirtam-se e espero que gostem!

Capítulo 1 - Failed Wedding


Os preparativos estavam em seus últimos detalhes. Não havia coisa alguma fora do seu lugar de destino. Os convidados já preenchiam os acentos previamente marcados e as flores contornavam cada caminho a ser percorrido pelos noivos e padrinhos. O céu aberto, o sol que acalentava, parecia que todos os elementos conspiravam para que tudo desse certo para aquele dia tão importante.

“Nervoso?” David perguntou em um tom leve enquanto ajeitava a gravata do noivo. Killian, incomodado com a pressão em seu pescoço, abarrotava o nó dado pelo amigo na busca de se encaixar melhor naquele traje.

“É melhor do que o outro que você me trouxe mais cedo, isso é certo.” O homem zombou com um sorriso de canto. O mais alto riu, percebendo o nervosismo de Killian.

“Não há pelo quê se preocupar” David acalmou-o com um toque no ombro. “É literalmente só entrar e seguir o combinado. Snow e Henry só faltaram impedir a gente de ajudar.” O loiro deu-lhe um sorriso bem humorado. “Ouvi que até Regina ajudou com a decoração, as flores...”

“Oh” Killian arqueou a sobrancelha para o homem. “Bem, se teve tanta comoção.” O antigo pirada comentou com uma pitada de sarcasmo. David riu baixinho, fracassando em não incentivar aquela rixa.

“Eu já falei com Emma hoje cedo.” O homem tentou mudar de assunto. “Ela preferiu se preparar sozinha. Acho que não confiou muito em mim depois daquele terno que eu lhe trouxe” Disse com uma risada bem humorada.

“É uma sábia mulher” Killian respondeu com rapidez. “Mal posso esperar para tê-la só para mim, companheiro.” O homem pensou alto, mas o loiro arqueou a sobrancelha.

“Ei! Você está falando da minha filha!”

 

* * * * *

O cômodo estava escuro e a iluminação externa era a única que fazia as duas mulheres se enxergarem dentro. O todo não fazia falta alguma. O indicador da loira deslizava sobre a cintura da outra distraidamente. Já passava da madrugada, a noite estava calma e a cidade completamente.

“Você lembra quando chegou em Storybrooke?” A voz aveludada da morena quebrou o silêncio que há muito tempo já não era constrangedor. O sorriso da loira foi preguiçoso e um pouco cansado. “A gente se odiava”

“Regina...” A mais nova reclamou, evitando pensar na parte ruim da história delas. No entanto, o sorriso da morena não denunciava nenhuma memória ruim.

“Não, é sério. A gente brigava o tempo todo.” Regina virou-se para encarar o teto, fazendo os dedos da outra caírem sobre sua barriga desnuda. “Deus, a gente realmente brigou.” As duas mulheres riram brevemente, com a série de cenas que lhe vieram a cabeça instantaneamente. Era complicado, ambas sabiam. Mais complicado ainda era estar ali naquela noite. Regina virou o rosto para olhar a mulher ao seu lado. “Mas você, Emma, achou um jeito. Uma terceira opção.” A loira abriu um sorriso culpado. Seus olhos fugiram, buscaram exílio em outros cantos. Regina entendia o motivo, não podia ignorar o motivo de seus encontros serem tão tarde, sempre às escuras, sempre tão silencioso, no entanto, buscou não trazer a realidade à tona.

“Parece que você está falando de esperança” A voz de Emma saiu quase envergonhada. Seus olhos estavam calmos, assim como os da morena.

“Esperança” Regina sussurrou, realocando-se naquele corpo. Ela apoiou a bochecha sobre o peito da mulher, seus pés se entrelaçavam com os dela como um hábito. “É algo que você me ensinou há muito tempo” Seu ouvido notava os batimentos da Salvadora aumentar, embora tentasse manter a respiração branda. “quando não desistiu de mim”. Por um breve momento, Emma pensou em não dizer nada. Ela não estava condições de dizer qualquer coisa, embriagada pelo sono e pela esperança de ficar ali para sempre. E por mais que não houvesse qualquer cobrança de resposta, pelo menos de forma tão perceptível, Emma engoliu seco.

“Eu nunca vou parar de tentar” Seu sussurro pareceu ecoar um pouco mais alto do que realmente intencionava. Regina se manteve calada, mas o ar já era outro.

“Você já parou” A voz da morena quase não saiu. Como se fosse tão previsível, Emma levantou de súbito, quase como uma reação ensaiada ao que sabia que Regina diria. Ainda sim, era preciso ser dito. A loira virou suas pernas, encostando os dedos no chão e pronta para encarar a escuridão do quarto. Já Regina, sua vez, apenas sentou-se, acostumada a se adequar aos movimentos bruscos da outra.

“Pensei que não fossemos falar sobre isso hoje” Swan disparou em defensiva. A morena respondeu-lhe com um suspiro pesado e nada mais. “Era para ser uma noite boa.”

“Porque era para ser a última.” Regina acrescentou. Sempre foi um dom seu, nunca perdia uma chance de dar a perfeita resposta. Emma, que pensava não haver mais como fortalecer a sua culpa, surpreendeu-se com tamanho sentimento. “Como você acha que eu me sinto?”

“Regina, não”

“Sério? Amanhã é a porra do seu casamento, Emma.” Foi a primeira vez que ela havia falado aquilo em voz alta. E, como previa, o sentimento de encarar a realidade era péssimo. “Você não vai simplesmente sair daqui e voltar para o seu namorado, você vai casar.” Emma massageava as têmporas na tentativa de tornar aquilo menos doloroso. A morena apertava os lençóis com os punhos fechados, agradecendo por estar escuro o suficiente para que a loira não visse as lágrimas sorrateiras que caiam rosto abaixo. “E-Eu vou estar lá. Ao lado de Henry, dos seus pais. Merda, eu escolhi aquelas malditas flores!”

“Eu não posso” Emma sussurrou, obrigada a dizer qualquer coisa que fosse. “Você sabe que não.”

“Você nem sequer gosta dele!” Regina esbravejou, abraçando seus joelhos. “É um homem grosseiro, que só está interessado no próprio final feliz e nada-”.

“Chega!” A loira gritou em sua direção. “Ele é bom. E me ama. Está comigo desde... Desde sempre.” Sua voz foi tornando-se mais insegura a medida que falava, embora soubesse que nenhum de suas palavras eram mentirosas. A risada sarcástica da morena era algo que lhe irritava como nenhuma outra coisa no mundo seria capaz, principalmente por conhece-la tão bem.

“Nossa, isso é verdadeiramente romântico.” Zombou. “Só uma pergunta: onde ele estava quando você se tornou a Lord das Trevas? Ou quando você caiu naquela realidade e ele não sabia como te encontrar.” Regina subitamente levantou-se, seus olhos varriam o chão com fúria. “Não porque não tinha magia, mas porque simplesmente não conhecia você.”

“Eu sei que está puta, okay? Mas isso já está indo longe demais.” Emma tentou manter a calma, percebendo a agitação da morena pelo quarto. Sabia que Regina era a mais racional, mas quando saía dos trilhos, o resultado não era o mais bonito. “A gente já sabia que isso ia acontecer. Desde o início.” De repente, Emma sentiu o impacto do emaranhado de roupas no seu colo. Podia ver mais claramente a mulher nua a sua frente pela luz que agora a atingia diretamente. Entretanto, sua expressão era ainda mais evidente. As lágrimas e as sobrancelhas franzidas eram um alarde à parte.

“Vai.” A ordem foi curta, mas a loira demorou para entender. “Vá embora daqui! Agora!” Regina esbravejou apontando-lhe a saída. Emma levantou-se ainda incrédula, mas obedeceu. Vestiu suas roupas sem permitir o choro denunciasse tudo que lhe passava pela cabeça. A mulher abriu a porta com violência, apressando ainda mais a despedida. No entanto, Emma andou até ela vagarosamente.

“Eu amo você”

Regina acertou seu rosto em cheio. Foi tão rápido que a loira mal soube reagir. Sua bochecha ardia, mas eram os olhos castanhos da outra que queimavam de raiva. Rapidamente, Emma segurou os braços de Regina antes que pudesse lhe acertar novamente.

“Você não tem esse direito! Não tem!” Ela gritou, tentando batê-la, mas tinha pouco sucesso. “Não pode vir aqui só para foder e dizer que me ama!” Sua fúria ia dissipando até seus golpes tornarem-se fracos. Emma puxou os braços dela para dentro de um abraço calmo. “Eu te odeio, Emma Swan”

“Eu amo você” A loira sussurrou de volta, envolvendo a mulher em seus braços uma última vez.

 

* * * * *

O som da porta pareceu lhe acordar de um sono de dois minutos. Era cedo da manhã e não havia dormido absolutamente nada. Ainda sim, a loira levantou-se da cama com as mesmas roupas amassadas e desceu as escadas em direção a porta.

“Bom dia!” A voz alegre do pai era tão irritante quando o som de um despertador pela manhã. Ela deu-lhe um sorriso amarelado e visivelmente cansado em resposta, quase como um aviso. “Céus, nem parece que dormiu para o grande dia.” David continuou, acompanhando-a até a cozinha. “O que aconteceu? Você está toda vermelha.” Emma levou a mão sobre a clavícula, tentando esconder as marcas ainda recentes da fúria de Regina.

“Não tive a melhor das noites.” Respondeu, procurando não dar importância a observação do pai.

“Já desacostumou de ter a casa só para você?” Brincou.

“Henry está bem lá na casa?” Emma perguntou, lembrando-se que o filho havia combinado com Killian de deixar a mulher sozinha para que não vissem a arrumação para a cerimônia.

“Acordou bem cedo para ajudar Snow nos últimos detalhes, você sabe como esses dois estão.” O homem recostou-se no balcão reparando um pouco mais na expressão da filha. A loira serviu-se uma caneca de café e logo em seguida pegou uma para si. “Está tudo bem, querida?”

“Está” Emma respondeu, escondendo o rosto na própria caneca.

“Nervosa?” David arriscou, mas outro sorriso amarelo foi dado como resposta. Os dois deram goles demorados no café que parecia um pouco mais amargo do que o habitual. O silêncio estava pesando até que Emma disse, após um longo suspiro.

“Como você soube que casar com a mamãe era a coisa certa?”

David engasgou-se brevemente, mas na tentativa de amenizar sua surpresa fingiu um distraído pigarro.

“Quando eu a vi pela primeira vez.” O homem respondeu certo. “Nós não nos gostamos de primeira, é claro. Sua mãe sempre foi uma mulher difícil. Até um pouco prepotente.” A lembrança lhe parecia ser prazerosa. O homem tinha um olhar sereno e um sorriso abobado no rosto. “Nós brigamos de verdade. Sua mãe me bateu com uma pedra.” A gargalhada do homem fazia a história parece como um filme de romance dos mais clichês. No entanto, Emma só fazia lhe dar um sorriso cada vez mais triste. “Mas quando eu a vi era como se algo tivesse começado. Eu sabia mesmo não tendo descoberto ainda.” A mulher riu baixinho sem descartar o sarcasmo.

“Obrigada, pai. Ajuda muito.” Emma murmurou, apoiando a caneca de volta para a bancada. A sua expressão não podia evitar preocupar David. Imaginava que a filha teria outro humor no dia do seu casamento. O homem aproximou-se da loira com passos curtos, mas seguros.

“Só você pode saber se é a coisa certa, querida.” Emma perguntou-se se o pai sabia do seu envolvimento com Regina ou simplesmente sabia sempre como dizer a coisa certa no momento perfeito. “Ninguém mais pode te dar essa resposta.” O pai sorriu ternamente para a mulher, esperando de todo o coração que tivesse sido útil naquele momento, pois acreditava que, entre o casal, Snow era a mais bem sucedida com as palavras. Por isso, preferiu não insistir. “Bem, já combinou com alguém ou vai encarar essa arrumação comigo?”

“Na verdade, eu gostaria de fazer isso sozinha.” Emma respondeu antes que o pai se enchesse de animação. Na verdade, não tinha muito quem lhe ajudasse. Ou melhor, quem ela gostaria que a ajudasse. Sua única amiga estava em outro mundo, ocupada demais com a nova namorada e o que realmente precisava naquele momento era pensar. O pai, portanto, não argumentou. Deu-lhe um beijo na testa e sussurrou palavras carinhosas, mas que a loira já não tinha prestado tanta atenção. Sua cabeça estava vagando longe e o casamento marcado para o fim da tarde – a manhã mal havia começado. Seus olhos pesavam não tanto quanto sua consciência, mas era tudo que podia lidar por ora. Sem pensar mais um segundo sequer, Swan pegou seu casaco predileto e saiu em disparada ao Grannys. Talvez algumas doses lhe faria enxergar as coisas melhor.

 

* * * * *

Killian andou pelas cadeiras dos convidados que já chegavam aos poucos. Henry já havia voltado com a beca, absolutamente preparado para a ocasião, mas, principalmente, acompanhado. O olhar castanho da mulher lhe esbarrou com um sorriso amarelo de polidez. Ele acenou brevemente retribuindo a educação, mas Henry vinha em sua direção.

“Notícias da minha mãe?” Perguntou ao noivo.

“Nada ainda.” Killian esfregou as mãos ansiosamente. Regina permanecia parada ao lado do filho, calada. Seus olhos fugiam para observar a decoração que ela mesma havia ajudado a prepara.

“Pensei que você fosse ajuda-la a se vestir” Henry indagou para a morena, mas a mulher abriu os olhos levemente surpresa.

“E-Eu... Não-”

“Seu avô disse que ela não queria ajuda.” Killian respondeu, olhando para a mulher.

“Exatamente.” Regina sorriu de volta. A tensão entre os dois nunca foi segredo. Sempre fora assim. Ambos se suportavam por Emma e para não causar nenhum desconforto à família. E até então, lidavam muito bem dessa forma. Henry franziu o cenho, mas não questionou com medo de levantar uma discussão desnecessária entre os dois. Tudo estava em perfeita ordem. Os dois se afastaram, retornando ao local marcado para a família. Estava prometido que toda a cidade compareceria ao casamento da Salvadora. E quem gostaria de perder um evento como esse?

“Você está bem, mãe?” Henry chamou a atenção da mulher que tinha o olhar perdido pelo salão. Regina respirou fundo, buscando dar outro de seu sorriso plástico. Entretanto, a aproximação de Zelena fez com que estivesse menos disposta a fingir.

“Garoto, acho que sua avó está lhe chamando para alguma coisa lá atrás.” A ruiva já segurava uma taça de champanhe e seu tom não abria espaço para dúvidas. O garoto olhou a mãe mais uma vez, como quem dissesse que não era mais uma criança para não perceber que algo estava errado. No entanto, levantar questões não era a melhor forma de se aproveitar uma boa cerimônia. Ele deu espaço à tia, que rapidamente sentou-se ao lado da irmã com uma expressão de profundo tédio.

“Você nem se importa de fingir, não é?” Disparou logo. Regina revirou os olhos, cruzando as pernas por mais vezes que podia se lembrar. “Você poderia simplesmente não ter vindo.”

“Como se fosse uma atitude bem mais discreta.” Retrucou, lançando um olhar de reprovação à irmã. “Você acha que eu ia dar esse gosto a ele?” Ambas, então, voltaram seu olhar ao noivo que já se posicionava a espera da esposa.

“É, com certeza.” Zelena revirou os olhos em puro sarcasmo. “Bem, pelo menos tem comida. E é um belo descanso de Robin.” Regina não pôde evitar a risada, pois era a cara de sua irmã dizer algo tão reprovável. “O que? Amo minha filha, mas não sabia que bebês eram tão exaustivos. E eu já roubei um.”

“Apenas pare” Regina murmurou entre risos. A ruiva lhe deu um sorriso empático, feliz por tirar uma gargalhada da irmã que mais parecia ir a um enterro que um casamento.

“Você sabe que acabou, né?” A ruiva comentou. “Ou pelo menos, é melhor que sim.” Regina sabia exatamente do que a irmã falava. Levar aquilo que elas tinham adiante, além de difícil, seria algo muito triste. “Espero que saiba disso.” A morena pousou seu olhar ao chão, respirando fundo.

“Ontem ela foi até lá em casa.” Zelena arqueou a sobrancelha em direção a irmã. “Foi uma despedida, mas... No início, pareceu tão... Comum.” Seus olhos se encheram d’agua, mas a mulher respirou fundo. “Parecia que estava tudo bem. A gente ia acordar de manhã e ir para o trabalho, como aconteceu tantas vezes.”

“Eca. Eu estava no quarto do lado, Gina.” Zelena revirou os olhos, tentando zombar a irmã, mas esta não parecia nem um pouco disposta a dar outro sorriso.

“Era como se esse dia não existisse. Ela estava fingindo que não existia. E eu não podia aguentar.” A ruiva olhava ao redor, notando que o salão se enchia cada vez mais e a hora da cerimônia se aproximava. “Ela disse que já deveríamos saber que isso aconteceria. Como se eu fosse só isso.”

“Foda-se ela, Regina” A morena encarou a irmã mais velha. “Ela trai o namorado desde sempre – quem pode fazer isso não merece ter algo real.” Zelena apertou a mão da outra, quase como um puxão de orelha.

“Eu traí meu marido desde sempre. E o matei assim que pude.” Regina cuspiu em resposta, tirando um riso da irmã. O humor duvidoso parecia ser de família.

“Esse velho não conta. É um rei maluco que quis casar com uma garota, acho que ele estava ciente das possibilidades.” A ruiva murmurou sem dar importância. Sua falta de noção chegava a ser engraçado. Regina limpou os olho, encarando a sua irmã. “O que eu quero dizer é-”

Subitamente, o tradicional som matrimonial passou a tocar e todos se levantaram a espera da noiva. Para Regina, parecia uma sirene. Um aviso de perigo eminente do qual não pôde suportar. A morena olhou para Killian ansioso, encarava a todos como quem garantisse que tudo daria certo. Sua felicidade era de dar enjoo. Aquele pirata havia conseguido tudo que queria sem se esforçar ou sacrificar nada por isso. Ele tinha a aceitação dos heróis, o acolhimento dos Charmings e, o mais revoltante, tinha Emma Swan oficialmente. Enquanto Regina precisou lutar para limpar sua história e amenizar seus erros, Hook parecia viver como se esquecer o idiota que foi fosse o suficiente – e, para Regina, ainda o é.

Dessa forma, simplesmente não foi capaz de ficar ali mais um minuto para celebrar uma farsa. Sabia que Killian não amava Emma e, sim, a possibilidade de um final feliz graças a ela. Sabia que se importava em ser reconhecido como herói do que ao lado da mulher que garantiria seu final feliz. Regina sabia disso, porque era assim que se sentia com Robin. O desespero por um amor verdadeiro a fez se agarrar a uma relação sem futuro e superficial. E por isso, era cruel demais ver Emma encarar a mesma ilusão.

Zelena mal pôde conter a irmã quando a morena levantou-se e partiu, sem deixar que qualquer um a seguisse entre os convidados desatentos. Nada podia remediar a sua dor.

 

* * * * *

Emma havia dirigido por horas. Estava praticamente na hora do seu casamento e suas roupas eram as mesmas do início da manhã. As cervejas não haviam lhe ajudado em nada, tampouco o whisky que arriscou tomar. A dúvida só ficava cada vez maior. Podia simplesmente ir a cerimônia e encarar a nova aventura que seria viver como Emma S. Jones. Killian não era uma péssima companhia, era divertido e a amava. No entanto, ela não conseguia evitar sentir que estava a cometer um erro terrível, ou que seria um caminho do qual seria muito difícil voltar atrás. Sentia que precisava cumprir mais essa tarefa para se livrar logo daquele peso, mas que na hora seria melhor do que a indecisão. Entretanto, não conseguia tirar Regina da sua cabeça, tampouco suas palavras. Elas haviam prometido que viveriam como se o mundo exterior não existisse – ou pelo menos, não enquanto estivessem juntas. Ainda sim, Regina dissera tudo que a loira havia evitado ouvir desde o primeiro beijo delas. E aquilo era assustado para caralho. Estava encarando a realidade da qual fugira tanto, esgueirando-se na noite pelas curvas da morena. Satisfazia-se de corpo e alma com Regina e partia, como quem acorda frustrado de um sonho bom. Era assustador entender que voltar para Killian, pessoa que achou que seria a certa, era a frustração da realidade. Fingir que Henry era a única coisa que as unia era cansativo demais. Ignorar a acidez entre Regina e o homem lhe fazia viver com medo da próxima explosão, quando a morena, por descuido, contaria tudo a Hook. E por mais óbvia que a solução parecesse, era impossível se mover.

Lá estava ela. Com o vestido de casamento na mala do seu velho fusca, sentada na varanda da mansão. Regina não estava em casa, o que significava que havia ido à cerimônia. Nada podia dar mais errado. Estava ali há quase uma hora, observando o lugar que já haviam brigado por Henry e o lugar que sentia-se mais em casa do que em seu próprio quarto. O som da Mercedes que se estacionava ao lado da entrada principal era inconfundível. Emma viu Regina sair do carro e logo se desvinculou dos saltos com uma expressão arrasada. A mulher estava incrivelmente linda. Seu vestido parecia ter sido criado para aquele corpo e o cabelo tinha cachos uniformes.

“Regina?” A loira chamou como quem anunca a sua presença. A morena virou-se bruscamente sem acreditar no que ouvia.

“Emma?” Sua voz saiu falhada. “O que diabos está fazendo aí?” Ela se aproximou mesmo descalça, segurando os saltos com uma mão. “Pensei que você-. O que está fazendo aqui?!” A risada nervosa de Emma tinha um tom de loucura, pois, de repente, não se importava em perder o próprio casamento.

“Eu precisava vir aqui” Ela tentou explicar. “Não, eu precisava te ver.” Regina chegou à varanda retirando as chaves da bolsa, procurando manter-se calma para assimilar o que estava acontecendo logo a frente dos seus olhos. “Eu não dormi desde que você me expulsou daqui. Não consigo parar de pensar em você.” A morena franziu o cenho aproximando-se da mulher com desconfiança.

“Você está bêbada, Srta. Swan?” Seu tom voltou anos atrás, fazendo um sorriso brotar no rosto da loira. “Que hálito de álcool é esse?”.

“Eu estava no Granny’s, mas não” Emma explicou com calma, dando um passo a frente. “Não estou bêbada, Sra. Prefeita” Regina piscava repetidamente, abriu a porta, mas não entrou em casa.

“Pode parar com isso” Ela avisou gesticulando.  A mulher lhe deu um sorriso bobo como quem não entendia. “Isso que você está fazendo. Pare.” Emma deu mais um passo. “Eu sai de lá porque eu achei que você estava entrando e eu não-“ Regina interrompeu-se, sentindo a voz falhar. “Não dava.” Outro sorriso compôs o rosto da loira, dessa vez um terno. “Mas se você não tomou uma decisão, Emma Swan, se você é uma imbecil a esse nível, estará machucando duas pessoas sem volta. Está ciente disso?” A mulher continuava a olhá-la do mesmo jeito, como se sua mente estivesse longe. Regina sentiu a mão da loira tocar seu rosto e todo seu corpo estremeceu.

“Você lembra a primeira vez que nos vimos?” Emma falou baixinho. “Eu digo, literalmente, a primeira vez que nos olhamos.” A morena balançou a cabeça suavemente, percorrendo todo o rosto da outra com o olhar. “Quase esqueci como se falava” Ela riu enquanto falava. “Antes de te conhecer. Antes de nos odiarmos. Eu me apaixonei ali.” Nenhuma das duas se incomodou de olhar em volta, sem medo de serem vistas. Regina sentia a mulher invadir seu espaço pessoal com cuidado, como se a conquistasse pouco a pouco. “Desculpa ter sido uma babaca ontem.” Ela abaixou os olhos, engolindo seco.

“Desculpa pelos arranhões.” A outra disse baixinho, tocando o pescoço da mulher e descendo até a clavícula ainda vermelha.

“E o tapa?” Emma implicou com um sorriso bobo, fazendo a morena revirar os olhos.

“Não, esse você mereceu.” A loira deu uma gargalhada antes de finalmente beijá-la. Regina envolveu o pescoço da mulher com os braços, permitindo-se ser levada para mais perto daquele abraço. Swan desceu as mãos, puxando-a pela cintura para dentro da mansão, lembrando-se de fechar a porta com o pé.

 

* * * * *

“Já chega, capitão?”

Killian levantou os olhos para a senhora que o olhava com certa preocupação. O homem arqueou a sobrancelha, empurrando o copo em direção a mesma para que fosse preenchido mais uma vez.

“Sinto muito pelo-”

“Seu trabalho é encher meu copo, não para sentir dar conselhos, amor” O moreno cuspiu com mal humor. O estado do homem era deplorável, sua expressão era de pouquíssimos amigos. Granny deixou a garrafa ao de rum na frente do cliente e não insistiu em ser gentil após tamanha grosseria.

Killian não conseguia medir a sua fúria, principalmente porque não sabia exatamente o que havia acontecido. Já era madrugada, mas todos ainda tinham fresco na memória a cena humilhante que o moreno havia passado horas antes. Ele esperou. A música tocou repetidamente, mas ninguém chegava. Não gostava de lembrar o que acontecera depois de perceber que Emma não viria mais. Foi um descontrole atrás do outro. O homem deu mais um gole de sua bebida que lhe amargava ainda mais o paladar, no entanto, pouco se importava. Não havia mais ninguém naquela lanchonete, além dos frequentes moradores da pousada. Ele sentia-se sozinho e indignado, pois, de todas as situações que já imaginara em sua vida, ser deixado no altar estava na lista de absurdos. Tudo que queria era esquecer, mas a cena só fazia se repetir em sua cabeça.

“Cadê ela?” Sua própria voz ecoou enraivecida. O olhar dos Charmings eram de completo embaraço, pois não faziam ideia de onde sua filha havia se escondido. Entretanto, não era de Emma a quem o homem se referia. “Ela foi embora. Ela sabia?” Killian gritou, procurando quem pudesse saber o paradeiro de Regina.

“Minha mãe estava se sentindo mal” Henry protestou, impondo-se ao antigo pirata. “Do que está falando?” O menino olhou ao redor como quem procurasse alguém para explicar-lhe o que estava acontecendo. O burburinho estava se espalhando. Killian Jones, o Capitão Hook, havia sido largado no altar. A vida dá voltas. Ele conseguia ouvir todas as vozes murmurar o seu nome, e sentia que estava prestes a explodir. David aproximou-se do amigo, pressionando a mão sobre o ombro do moreno.

“Eu sei que está chateado, mas você precisa se manter calmo” Ele afirmou, fazendo Killian olhá-lo nos olhos. “Deve haver alguma explicação razoável para isso. Você não está fazendo sentido nesse momento.” David entendia que ele e Regina não eram amigos, mas conseguia dar razão àquela perseguição a morena, como se fosse culpada pelo sumiço de Emma. Um circulo havia sido feito em volta do noivo quase como uma barreira de proteção a si mesmo, mas só então o homem avistara a mulher ruiva, comendo despreocupada.

“Você” Hook apontou para Zelena, tomando sua atenção. “Onde ela foi?” O homem deu passos até ela com os olhos semicerrados, mas a outra não hesitou por um segundo sequer. Zelena arqueou a sobrancelha, verificando-o dos pés a cabeça.

“Preocupe-se em perguntar onde sua noiva esteve, pirata” Ela respondeu baixo o suficiente para que só ele escutasse. Hook encheu o pulmão de raiva, mas antes que pudesse esbravejar quaisquer palavra, o som de notificação o fez se calar. O ar ficou tenso. Subitamente, todos esperavam saber o que havia, certos de que era sobre Emma. O homem mergulhado em hesitação, tirou o celular do bolso do palitó vagarosamente – desbloqueou e selecionou a mensagem. David e Snow analisavam os olhos do capitão vidrados na tela, esperando alguma reação. Entretanto, Hook bloqueou a tela, enfiou o aparelho de volta no bolso de saiu em disparada.

Lembrar daquilo tão vergonhoso, seu orgulho estava ferido e seu estômago revirado de tamanha indignação. Estava agora afogado em rum, sem notícias de Emma. Sem saber onde estaria. Os convidados ficaram no salão em puro constrangimento, sem certeza se o melhor era partir ou esperar que a festa se desse por encerrado. Killian não podia se importar menos, principalmente por saber que os Charmings eram ótimos em lidar com situações como aquela e também pelo constrangimento dos convidados não fazer a menor diferença para o homem. Ele ensaiava tudo que queria dizer para Emma, mas sabia que se a visse tudo sairia diferente. Como ela pôde deixa-lo daquela maneira? Depois de todo o tempo investido, tudo que o antigo pirata fizera por ela. Killian podia passar a noite reconstruindo seu ego ferido, mas o semblante ruivo lhe chamou atenção mais uma vez. Zelena atravessada o corredor interno que dava para os quartos da pousada com Robin nos braços. De repente, uma luz se acendeu em sua cabeça. O homem levantou-se, levemente embriagado, e seguiu a mulher.

“Ei” Chamou até alcança-la. “O que você está fazendo aqui?” Ele parou na sua frente, impedindo o caminho, fortemente desconfiado. “Você não mora mais aqui.” Zelena revirou os olhos, incrédula na facilidade que Hook conseguia ser patético. A ruiva ajeitou sua filha nos braços de ficasse mais prático para si.

“E você se importa porque...?” Retrucou, sem cerimônias. O homem semicerrou os olhos, aproximando-se da mulher de forma ameaçadora. “Eu posso não ter magia, capitão, mas ainda acabo com você.” Zelena avisou antes que o pirata desse mais um passo.

“Só acho estranho você estar aqui quando tem uma casa tão grande te esperando” Hook não conseguia dizer uma palavra sem ranger os dentes. A ruiva revirou os olhos mais uma vez sem paciência.

“Quer saber? Vai se foder.” Zelena cuspiu. “Fica rondando, fingindo que não sabe de nada, querendo que alguém venha mastigar o que aconteceu – o que sempre aconteceu - para sentir pena de você. Péssimas notícias, capitão, ninguém se importa.” A mulher tampou com uma mão a orelha da criança para que não acordasse, mas estava começando a ficar irritada com a cena que Hook insistia em fazer. “Por que não toma responsabilidade e vai resolver seus próprios problemas? Já me basta ter que me virar por aqui.” Assim, Zelena virou as costas e sumiu quarto adentro deixando.

Embora não fosse parte da intenção da ruiva, a mulher havia dito exatamente o que Hook queria ouvir, mesmo que não quisesse acreditar. Ele despejou o corpo ali mesmo, saindo em disparada em direção a avenida principal da cidade, onde todos os caminhos levavam a mansão da prefeita.

 

* * * * *

O cheiro encantador dos assados de Regina já haviam percorrido cada canto daquele casarão. A morena vestia um longo hobby de seda azul marinho confortável, e terminava de checar se um de seus pratos famosos estava pronto.

“Eu tenho certeza que já está maravilhoso” Emma sussurrou atrás do ouvido de Regina, ansiosa para comer logo. A mulher se virou segurando sua taça de vinho para depositar um beijo breve nos lábios da loira.

“Paciência, Swan” Sussurrou, deslizando o dedo sobre a alça do top que a loira usava. “Você sabe que está proibida de por um dedo na minha cozinha, certo?” Ela riu, reafirmando a completa falta de habilidade da loira em cozinhar. Emma deu uma gargalhada despreocupada, quase como um alívio, confirmando com a cabeça.

“Nem passou pela minha cabeça, mas” Ela tentou voltar-se para o forno, mas Regina segurou a corda da sua calça de moletom.

“Proibida.” A mulher riu, puxando-a de volta para si. Emma abandonou a taça que segurava e pôs as mãos na cintura da morena, puxando-a para cima da bancada, ficando pouco mais baixa que a outra. Seus lábios beijaram o pescoço de Regina enquanto suas mãos desamarravam o hobby, relevando o lingerie preto. Percorreu do tronco à coxa da mais velha, até envolve-las e puxá-las para um encaixe perfeito. As coisas estavam ficando mais quentes quando a campainha tocou. Emma deu-lhe um suspiro de frustração, afastando-se da morena com muita má vontade.

“Não acredito que Zelena vai me fazer passar por isso” Regina resmungou para si mesma que para a loira. Ela desceu da bancada, arrumando-se novamente e andou em direção a porta. “Aposto que esqueceu alguma coisa da Robin de novo.” Ela dizia alto, deixando Emma na cozinha.

A morena abriu a porta despreocupada e sem pressa, mas o que viu do outro lado fez sua espinha arrepiar-se de uma vez só. Killian tinha sua mão apoiada na parede uma expressão quase sombria. Seu rosto estava suado e alguns fios de cabelo molhados moldavam sua testa. Regina tentou disfarçar o pânico com desprezo, mas o homem parecia determinado.

“Espero não estar atrapalhando nada.” Disse ele ácido. A morena não foi rápida o suficiente para impedi-lo de entrar.

“Está. O meu sono.” Ela apressou-se a retrucar. “O que diabos está fazendo aqui, pirata? São quase uma da manhã.” Regina indagou, cruzando os brçaos. Hook analisava cada canto da antessala, como quem procurava vestígios deixados.

“Vamos lá Regina, não se faça de desentendida. Eu sei que você não estava dormindo coisa nenhuma.” Acusou, esfregando a barba. “Eu esbarrei com Zelena, ela não está nada contente de ser que se virar na pousada. Muito animado por aqui? Hein?” O homem se aproximava da outra, mas ela se recusava a recuar.

“Vá embora, Hook.” Regina avisou. “Você teve um dia difícil, vá embora cuidar da sua vida.” Ela tentou amenizar a pilha de nervos que o homem se resumia, no entanto, tudo que ela tentava falar parecia só piorar.

“Agora você se preocupa? Que meigo” Killian riu com sarcasmo, andando em círculos. “Como se não tivesse radiante, não é, Rainha? Acha que não vi você saindo antes de percebermos que ela não vinha? Você já sabia, não é?!” Ele gritou. Instintivamente, Regina olhou em volta, procurando por algum sinal de Emma, esperando que a loira não denunciasse sua presença ali.

“Como eu ia saber que ela ia te deixar, seu imbecil?” A morena exclamou, sem paciência. O homem sorriu de modo doentio, percebia que lhe faltava sono e talvez um pouco de sobriedade. “Você mesmo disse, eu saí antes. Além disso, David disse que ela não queria ninguém por perto. Como eu teria tido contato com ela em algum momento?” A morena revirou os olhos, lembrando-se que não era ela quem devia alguma explicação ao homem. Killian abriu a boca, mas antes que pudesse responder àquilo, o som do temporizador percorreu por toda a casa, fazendo Regina entrar em pânico. O moreno em direção à origem do som, notando a hesitação da morena.

“Não vai desligar?” Hook perguntou como quem arruma uma armadilha.

“Não vou demorar” Ela deu passos apressados a cozinha, procurando ter tempo para expulsar Emma do cômodo antes que o homem a visse.

“Não se preocupe, faço companhia.” Provocou. Ela não sabia o que fazer para expulsá-lo dali. Se chamasse a polícia, corria o risco de David descobri-las antes do que esperado. Se usasse magia, talvez o resultado saísse do controle – e por mais que Hook merecesse as consequências, ao seu ver, sabia que Emma ficaria duplamente culpada. Portanto, fez questão de fazer barulho o suficiente para que a loira saísse antes que chegassem. O cheiro do assado já estava forte e a cozinha estava vazia. Ela desligou o temporizador mais rápido possível e retirou a comida do forno, pondo-a sobre a mesa.

“Duas taças?” Ele alarmou com os olhos semicerrados com o braço apoiado na parede do cômodo.

“Zelena esteve mais cedo” Deu de ombros, tentando não dar importância as investidas de Hook. “Você veio checar minha rotina, procurar um ombro para chorar ou o quê? Porque você pode ir embora da minha casa imediatamente.” A voz da mulher se engrandeceu, visivelmente irritada com aquela situação na qual não era obrigada a lidar. Aquele homem era um problema de Emma e não seu.

“Você se acha muito esperta, não é, Majestade” Killian cuspiu em direção a outra. “Acha que eu não vejo você se esgueirando, sabotando meu namoro com a Emma.” Regina não pôde evitar rir daquela cena patética. “Do que está rindo?!” Subitamente, Killian gritou acertando um soco na parede, fazendo a mulher engolir seco brevemente. Seu coração batia fortemente, mas não pôde demonstrar fraqueza, pois sabia que aquilo faria o moreno ter mais poder e ela se recusava a aceitar estar em posição de vítima.

“Quer se machucar? Ótimo. Eu posso fazer isso. Agora, se quer respostas sobre porque a sua namorada te largou – que deveria ter feito há muito tempo.” Regina esbravejou serrando o punho e pronta para usar magia se fosse preciso. Hook estava chegando claramente ao limite, seu rosto estava tão vermelho quanto sua mão agora machucada. “Então vá para casa, tome um banho e durma já que com esse cheiro e fora de controle, ninguém vai querer chegar perto de um homem desprezível como-”

“Chega!” O homem então empurrou a mulher contra o chão em pura fúria. No entanto, antes que pudesse se mover sentiu o impacto se espalhar por todo seu rosto. Cobrindo-se com ambas as mãos, Killian cambaleou para trás sentindo-se zonzo.

O coração da morena bombeava tão avoado que a deixou brevemente sem ar. Emma balançava a mão em dor, mas correu ao seu encontro com rapidez, ajudando a se levantar. Regina estava desesperada, pois sabia que ver a loira daquele jeito, apenas de calça e sutiã em sua casa, o faria enlouquecer completamente. Entretanto, quando o homem abriu os olhos novamente, seu rosto formou-se em um misto de surpresa e injúria.

“Zelena, não é?” Hook olhou para Regina com nojo, pressionando o próprio rosto dolorido pelo soco de Emma. O antigo pirada deu uma gargalhada forçada, batendo palmas em puro sarcasmo, imaginando que as deixaria tão furiosas quanto ele se sentia.

“Killian, vai embora, por favor.” A loira pediu com a voz firme. “Você não está pensando direito e vai acabar se arrependendo mais ainda.” Ela pôs-se em frente à Regina de forma instintiva, sem pensar muito, mas a morena não ia ficar para trás se qualquer coisa acontecesse.

“Arrepender?” Sua gargalhada parecia um choro furioso. “Você quem devia estar arrependida. ‘Sinto muito’?” Ele gritou em sua direção. “Me deixa plantado te esperando naquela porra de casamento e a única coisa que me diz é ‘Sinto muito’! E por um merda de mensagem!” Hook deu curtos passos adiante. “Tudo isso para quê? Vir correndo foder com essa vagabunda? É isso que você é agora, uma sapatão órfã? Que graça” Emma calou-se e assim sua respiração parou por um segundo, sentia seu corpo todo arder.

“Eu não ia conseguir, Killian” A mulher tentou explicar acreditando conseguir chegar até aquele homem que achava conhecer. “Eu nunca ia ser feliz com você. E nem você comigo.” A língua do homem correu todo céu da boca como quem não conseguia mais se controlar.

“Acha que alguém vai entender essa nojeira?” Ele investiu contra as mulheres, mas Emma fez-se mais alta.

“Eu devia ter sido honesta com você, mas... Não sabia o que fazer. Espero que um dia possa me perdoar, Killian.”

O pirata andou até invadir o espaço pessoal da loira. Regina avançou em direção ao homem, mas Emma estendeu o braço, fazendo-a parar logo atrás de si. Sua mão procurou a da morena atrás do seu corpo como uma segurança de que tudo estava sob controle – que era só mais uma tentativa do homem de não sair por baixo.

“Nunca” Ele negou com ódio nos olhos antes de virar para a morena. “Você deve ser uma puta gostosa na cama para fazer a Salvadora enlouquecer desse jeito. Meus parabéns.” Cuspiu com deboche e malícia, dando as costas, no entanto, era pedir demais que ficassem inertes diante daquilo. Regina avançou contra o homem, fazendo com que seu corpo se erguesse no ar, sufocando-o por um momento.

“Seu verme misógino nojento e imundo!” Ela esbravejou, vendo-o se debater sem ar. “Não somos a porra do seu fetiche!”.

“Regina, não!” Emma pediu, segurando um de seus braços. “Não vale a pena, deixe ele ir.” Sua voz estava falhando de tamanha comoção, pois entendia a seriedade de ter Regina fora de controle. Hook tentava gritar ofensas contra ambas as mulheres, mas não tinha mais ar nos pulmões para tamanho esforço. Portanto, em um gesto de desespero, a loira pôs-se em frente a mulher, abraçando-a forte o suficiente para prender seus braços. Uma onda de energia percorreu o corpo da morena, fazendo com que sua magia fosse contida imediatamente, levando Killian ao chão. O corpo dela estava quente e ofegante, mas Emma não a largou. Com um gesto rápido, fez o homem desaparecer do chão, mentalizando o destino desejado.

“Está tudo bem” Ela repetia com uma voz calma. A loira abaixou-se com Regina nos braços até seus joelhos tocarem no chão.  Elas permaneceram abraçadas por alguns segundos até finalmente se olharem.

“Eu ia mata-lo” A morena resmungou com os olhos no chão, visivelmente decepcionada. Swan negou com a cabeça, levando a mão até a nuca da mulher, fazendo-a olhar em seus olhos.

“Não, não ia.” Sussurrou. “Sabia que não valeria a pena escurecer seu coração por ele.” Um sorriso ocupou o rosto triste da loira enquanto assegurava à morena. “Está tudo bem agora.” Regina encostou o rosto no ombro da loira ainda ofegante, buscando abandonar a raiva contida no peito. “Nada que ele tenha dito muda o quão verdadeiro isso é ou a forma como eu amo você, Regina.”

“O que vai dizer ao seus pais? Ou Henry? E ele tiver alguma razão que seja.” Emma levantou o rosto da morena, dando-lhe um beijo terno, porém profundo e entrelaçou os dedos com os dela antes de assegurar-lhe:

“Vamos combinar uma coisa: a única coisa que vamos nos preocupar é em como será o próximo minuto.” Ela disse enquanto seu dedo deslizava sobre a pele da mulher. “E agora só quero pensar em estar com você”.


Notas Finais


Obrigada pela leitura! Comentem se quiser, livre arbítrio sempre. No mais, se inscrevam no canal beninas curte compartilha hahaha.


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