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História Faísca - Capítulo 18


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Notas do Autor


Capítulo de madrugada?
Eu sou louca?
Não sou não gente kkkkkk é que precisava postar agora mesmo por um pouco de falta de tempo.

Enfim, o meu computador novo finalmente chegou e tá tudo bem pra postar novos capítulos pra vocês. Espero que gostem...

Nos encontramos nas notas finais.

Capítulo 18 - Seja lá qual for a denominação


Fanfic / Fanfiction Faísca - Capítulo 18 - Seja lá qual for a denominação

CAPÍTULO 18:

Seja lá qual for a denominação

[11:17] Rod:

Estive pensando na nossa saidinha...

 

Dividindo a mesa de almoço da lanchonete do Ninho do Urubu com Henrique, Sarah tentou não se desligar da conversa que ambos estavam tendo para dar atenção ao seu celular quando recebeu uma mensagem de Rodrigo.

_Então, eu não sei bem direito se eu realmente posso dar a minha opinião na reunião com o marketing do clube. – Henrique falava, sem parar por nenhum segundo, enquanto preparava seu prato para o início do almoço retirando os talheres de um papel toalha do clube. – Acho que eles só me convidaram para serem educados, já que eu cuido das redes sociais e posto o que eles mandam.

Sarah sorriu para o melhor amigo. Ele tinha deixado de ser o seu assistente de fotografia e passou a cuidar das redes sociais do clube. De todas. Ele tinha um trabalho importante, que requeria ser uma pessoa mais simpática e aberta com os torcedores online e era a pessoa perfeita para isso. Por isso, estava nervoso. Um novo emprego requeria novas funções. Ela sabia que, por mais nervoso que Henrique estivesse, iria se sair muito bem. Ele era extremamente talentoso e competente.

_Eu sempre sou convidada. Eles ouvem a minha opinião e vão ouvir a sua também. – Ela afirmou, temperando sua salada única no prato com limão. – É ótimo ter um amigo no marketing agora. Assim ninguém me perturba dia e noite pra mandar fotos.

_É aí que você se engana minha querida. Eu sou bem insistente.

Deram uma pequena pausa na conversa, para começarem a comer. Sarah aproveitou aqueles poucos segundos para responder Rodrigo.

[08:19] Sarah Romani:

Pensando no nosso “encontro”?

A salada, com um acompanhamento de carne de frango estava deliciosa. Henrique tinha pedido a mesma coisa. Naquela manhã, ainda, estavam almoçando com tranquilidade, dividindo a lanchonete com os atletas da base, já que os profissionais haviam ganhado um descanso 2 dias após o jogo contra o Santos. Ela queria continuar comendo, mas acabou deixando a comida de lado para responder o zagueiro do Flamengo.

[11:20] Rod:

Kkkkkkkkkkk é, encontro. Definitivamente é uma palavra melhor.

Ela riu.

[11:20] Sarah Romani:

Eu não me importo se quiser chamar de saidinha.

[11:20] Rod:

Vamos chamar de encontro.

Enfim, estive pensando no que podemos fazer e acho que me decidi. Espero que você tope...

Rodrigo continuou digitando, provavelmente mandando uma mensagem mais elaborada do que iriam fazer no tal encontro ou saidinha. Ela segurava o celular na mão, ansiosa para saber a resposta.

_Não vai comer, garota? – Henrique questionou.

Era verdade, ela ainda não tinha tocado direito na comida. Prestara atenção no celular por completo e esquecera esse detalhe. Logo tratou de dar uma garfada em seu prato e colocar o celular, momentaneamente e aberto na conversa com Rodrigo, em cima da mesa.

_Conversando com o seu jogador? – Henrique a alfinetou.

_Como sabe? – Não queria que ninguém soubesse da situação em que ela e Rodrigo se encontravam, mas para Henrique não precisava mentir e nem queria. O próprio Rodrigo conversava com ele também e não fazia questão de esconder.

_O sorrisinho bobo no rosto olhando o celular. – O amigo apontou o garfo em direção ao rosto dela.

Sarah rendeu as mãos para o alto.

_Me pegou. É com ele mesmo. Estava planejando a nossa saidinha. – Depois de um tempo, percebeu que aquela denominação era melhor do que encontro. Um encontro parecia sério demais.

Ambos comeram mais um pouco.

_É tão gostosinho, não é? Estarmos apaixonados? – Henrique fez uma careta fofa ao dizer aquilo.

A fotografa quase se engasgou com a comida. O que Henrique estava falando? Apaixonada?

_O que? Não estou apaixonada.

_Ah, meu bem. Está agindo como uma e olha que já tem um tempo.

_Não estou e, além do mais, nem tem a mínima condição de me apaixonar por ele. – Ela segredou, mexendo a comida com o garfo. – Jogadores de futebol... Eu não sei, eles não parecem o tipo certo de homem para nos apaixonarmos.

_Nunca tem um tipo certo, meu bem-

Sarah ficou um pouco mais séria depois daquela resposta. O celular, perto de seu braço e aberto, já tinha revelado a conversa com Rodrigo.

[11:26] Rod:

Estava afim de fazer uma coisa realmente divertida nesse final de semana, antes de um jogo importante contra o Bahia. Então eu descobri que no sábado, uma banda de música latina vai tocar em um pub que costumo ir. É dançante e divertido, aposto que você vai gostar. Depois a gente pode comer qualquer coisa, já que a apresentação da banda é bem cedo.

Aceita?

Dançar? Aquilo tinha surpreendido ela. Era a primeira vez que, em um encontro, um homem não a levava só para jantar, mas sim para dançar e um ritmo que ela não conhecia. Tinha sido pega de surpresa.

_Nossa. – Acabou suspirando.

_O que foi? – Henrique a ouviu.

_Rodrigo me chamou pra dançar nessa nossa saidinha.

_Está aí um programa que não se vê todos os dias.

Sarah concordou.

[11:29] Sarah Romani:

Eu adoraria. Mal posso esperar pra te ver dançando.

[11:29] Rod:

Vai se surpreender positivamente.

Ela tinha certeza de que iria se surpreender.

Suspirou, guardando a todo custo dar um sorriso de lado. Henrique, comendo seu almoço, segurava seu olhar fortemente nela. O amigo queria encontrar qualquer reação que ela teria e a fotografa tinha medo de dar a ele o gostinho da vitória, por estar certo. Nunca tinha percebido o quanto era transparente em seus sentimentos.

A única coisa que distraiu o amigo, foi quando uma forte voz masculina preencheu o ambiente do refeitório.

_Bom dia, bom dia! – Era Gabriel Barbosa.

O atacante estava vestido com a roupa habitual que os funcionários do Flamengo o viam. O uniforme de treino. Ele andava devagar sorrindo e cumprimentando a todos que via em sua frente.

_O que ele tá fazendo aqui? – Henrique perguntou interessado, deixando o prato de lado por pouco.

_Ele não devia estar aqui. – Sarah respondeu, mas continuou comendo e desviou o olhar do atacante, sem muito interesse. Rodrigo tinha parado de mandar mensagens, era hora de se concentrar em comer para voltar ao trabalho o quanto antes. – Os jogadores ganharam folga. Deus sabe que se eu ganhasse folga não pisaria aqui pelo resto do dia. É tão raro.

_Nem eu, mas os jogadores são estranhos. Às vezes eles parecem interessados demais em treinar e treinar, em outras só querem folga, dinheiro e mulher.

_Gabriel é sempre muito disciplinado.

_Sim, ele é, mas vamos parar de falar dele, porque ele tá vindo pra cá.

_Pra cá? O que ele vem fazer aqui?

_Sim, Sarah, agora cala boca.... Oi, Gabigol! – Henrique disfarçou, sorrindo.

_Oi. – O atacante, depois te ter percorrido o caminho até os dois, chegou a mesa. Deu um olhar rápido em direção a cadeira que estava ao lado de Sarah. – Posso sentar com vocês?

_Claro. – Os dois responderam em uníssono.

Um silêncio constrangedor se instalou. Henrique e Sarah comiam, dando sorrisos sem graça ou tímidos. Gabriel não era muito próximo de Henrique. Os dois sequer tinham trocado qualquer palavra mais aprofundada em anos do mesmo clube. Com Sarah, entretanto, o camisa 9 do Flamengo já tinha uma relação mais estável, conversavam diariamente.

_Então – Sarah puxou conversa, percebendo que nada sairia dali se não partisse dela. – Hoje não era seu dia de folga?

_Era, mas eu decidi vir pro centro de treinamento. – Gabriel estava sentado ao lado da fotografa, a encarando de lado. – Eu sinto que preciso melhor um pouco mais.

_No que?

_Finalização.

Sarah tirou seus olhos do prato e o encarou.

_Está tudo bem? Eu sei que treinar é ótimo, mas é estranho você estar aqui. Descanso faz parte do treinamento.

_Eu só... Quis sair de casa um pouco. – Gabriel insistiu.

_Mas é o seu dia de folga, é tão estranho... Tem tantas coisas que você poderia fazer-

_Nossa. – Gabriel perdeu o sorriso simples que tinha no rosto, batendo os dedos na mesa. – Achei que eu fosse bem vindo, mas tantas perguntas, tantos questionamentos, até parece que você não me quer aqui. – O atacante começou a se levantar.

Sarah foi rápida em segurar o pulso do mesmo.

_Claro que não, Gabi. Que isso? Você é muito bem vindo!

_Não tá parecendo. – Gabriel puxou seu pulso com certa rispidez. – O que tá parecendo é que eu não sou bem vindo em lugar nenhum, pra falar a verdade... – Falou a última parte mais baixo e entristecido, se distanciando.

_Gabi... – Sarah tentou chamar ele, com calma, mas Gabriel já tinha se afastado. A fotografa, então, virou seu rosto para Henrique. – Você entendeu o que aconteceu aqui?

Henrique segurou o garfo embaixo de seu queixo, olhando Gabriel se afastando:

_Ele não vive um bom momento no futebol. – Constatou. – Os blogs de fofoca estão pegando no pé dele já tem alguns meses, principalmente em relação ao relacionamento dele com a irmã do Neymar. Ele já não consegue fazer mais todos os gols que chegam nele. É complicado. A fase é péssima.

_É... – Sarah concordou. –Parece que sim...

_Mas esquece isso. – O amigo a distraiu. – Já tem ideia do que vai usar nesse encontro com o Rodrigo?

_Já. Já sei.

 

 

[Rio de Janeiro: Dia do Encontro, sábado 19 de dezembro de 2020]:

A música latina entrava por suas veias, como se ela já tivesse nascido para dançar aquele ritmo. Não era rápido, nem lento, a velocidade condizia sempre com a voz da cantora principal da banda que se apresentava. Todo o seu corpo seguia aquele ritmo, ditado pela voz grossa e chamativa da mulher, que mandava seus quadris balançarem para um lado, depois para o outro e ainda pediam para que ela estivesse sempre ao lado de Rodrigo, principalmente com ele.

Os braços de Rodrigo estavam sempre envolta da sua cintura, ou tocando e entrelaçando suas mãos, ou a puxando para si, guiando ela em uma dança que ambos não conheciam. Os improvisos dos dois eram visíveis, perto de outras pessoas que dançavam lindamente.

No fim, o que importava era estar com ele. Era sentir seu corpo tocando no corpo dele.

_Você tá linda, Sarah! – Ele sussurrou em seu ouvido.

Todo o seu corpo se arrepiou, dos pés à cabeça. A música era alta demais, a impedia de ouvir o que as outras pessoas dançantes conversavam entre si e a única forma de falar e ouvir Rodrigo eram através de conversas ao pé do ouvido. Nesses momentos ela sempre sentia todos os pelos que tinha em seu corpo se eriçarem, porque a voz dele atrapalhada pelo barulho em seu ouvido era envolvente.

Ela passou os braços pelos ombros do jogador e levou os lábios até o ouvido dele.

_Você também, Rod.

Aquela era uma verdade terrivelmente dolorosa. Rodrigo estava lindo demais, ela sequer conseguia respirar ao olhá-lo. A calça jeans escura, a camisa Armani negra e o cabelo bagunçado. Ele tinha, de forma inútil, tentado fazer seu cabelo castanho escuro teimoso sair dos seus olhos, mas não adiantava, com as danças ele voltava a cair por sua testa.

Rodrigo, mesmo extasiado com a música, tinha percebido aquele olhar. Sou tão transparente, Sarah pensou. Mas como desviar os olhos dele? Esperava que, ao menos, ele estivesse sendo sincero ao dizer que achava ela linda, porque tinha se esforçado muito.

Ela tinha uma queda por roupas pretas e, sem combinar com o jogador, apareceu usando um conjunto de cropped e saia da mesma cor. Ambos bem colados ao corpo, com a saia um pouco mais solta, e um salto colorido nos pés. Tinha caprichado em especial na maquiagem. Sarah adorava delineados e tinha conseguido fazer um incrível que marcavam seus olhos. Olhos marcantes que estavam perdidos dentro dos de Rodrigo.

_Uma música para dançarem em casal ahora. – A cantora principal soou no microfone, tentando falar português.

_E antes não era? – Rodrigo questionou apenas para ela ouvir. – Que bom que não tirei os braços de você por nenhum minuto sequer, então.

Sarah aceitou os braços do jogador a envolvendo mais uma vez. Mãos firmes segurando sua cintura com força, apertando, puxando, demonstrando interesse em toques importantes.

_Ela não tinha como perceber que estamos dançando juntos desde o início.

_Que tal se darmos uma pausa, então? Já que cumprimos o nosso dever de dançar juntos?  – Ele perguntou. Mais uma vez ela se arrepiou. Os lábios dele tocavam lóbulo de sua orelha.

_Agora que a música é para se dançar junto de verdade?

_Tem outra coisas que podemos fazer juntos, enquanto toca essa música.

Terminando aquela frase, Rodrigo sugou a ponta de sua orelha com a boca quente. Sarah praticamente o abraçou, esperando pelo que viria pela frente. O jogador não decepcionou, passeando com seus lábios pelo pescoço indefeso da menina, mordendo, passeando com a língua até chegar em seu rosto e em sua boca. O ápice da música romântica latina que tocava começou a eles não poderiam ter encontrado tempo melhor para trocarem um beijo.

A parte em que estavam do pub era extremamente reservada, para pessoas mais ricas, famosas e que não gostariam de ser incomodadas. Mesmo assim, com todos ali dançando e curtindo a festa, Rodrigo durante o beijo a guiou para um lugar ainda mais reservado e distante.

A língua do jogador invadia a sua boca de forma tão quente, envolvente. Sarah gostaria de ser mais controlada, mas tudo que conseguia fazer era suspirar entre os beijos. A sorte grande era a música alta que o impedia de ouvir. Junto disso, as mãos de Rodrigo em sua cintura a apertaram com mais força. Poderiam eles ficarem ainda mais unidos? Ele provou que era possível, quando praticamente a abraçou no beijo.

Os braços do jogador eram tão fortes. Sarah começou a controlar o beijo, a partir do momento em que colocava suas mãos para acariciarem ele. Rodrigo sempre parecia ficar mais fraco quando as carícias dela eram bem distribuídas. Ela diminuiu mais ainda o ritmo de suas línguas, tornando mais duramente lento e gostoso. Em contrapartida, a ponta de seus dedos, com as unhas um tanto quanto mais longas, passeavam pelo braço forte do jogador.

Parou o beijo por um segundo, mordendo o lábio inferior do jogador. Enquanto o sugava lentamente, permitiu que ambos recuperassem o ar que já faltava, para iniciarem mais um beijo.

A música era tão lenta, tão devagar e ao mesmo tempo tão envolvente. Sarah já sentia seu corpo começar a se encher de chamas. Não apenas ela, sentia Rodrigo ficar tão quente, cada vez a aproximando mais e mais. Quando aproximar mais pareceu impossível, ela sentiu com firmeza o membro do jogador contra sua pélvis. Ela não se importava, gostava de como tinha esse poder.

Quando se separaram estavam ofegantes. Os olhos de Rodrigo em seus lábios vermelhos e inchados.

_Você não faz ideia de como me deixa. – Ele disse. A música tinha chegado ao fim, a banda dava uma pausa.

Sarah não respondeu. Devolveu o mesmo olhar que o jogador, olhando para os lábios dele que se abriam em um sorriso de lado lindo. Ela passou seus dedos por ali, como se isso a fizesse sentir o beijo de novo.

_Eu acho que eu sei sim. – Sorriu, mordendo o próprio lábio e sorrindo depois. – Acho que nós dois devíamos ir comer alguma coisa agora. – Recomendou. Ou eles saiam imediatamente dali ou nem ela aguentaria o fogo que crescia em si a cada segundo. – Amanhã você tem jogo...

_Garota esperta. – Rodrigo assentiu.

Não tinham todo o tempo do mundo naquele encontro. No dia seguinte Rodrigo teria um jogo importante, contra o Bahia, pelo campeonato brasileiro. Tinham aproveitado parte do show latino, porque ele começara cedo, mas agora precisavam ir para a segunda parte do encontro: a parte em que sentavam, comiam e conversavam.

Eles tinham pulado essa etapa. Tinham se beijado, transado e agora iriam se conhecer melhor através da conversa.

Era o que ela mais ansiava, de certa forma, depois da presença dele. Era conversar. Estou louca para conversar com ele sobre qualquer idiotice, sobre mim, sobre a minha história, a história dele. Sobre como vamos lidar com toda essa situação e sobre como, de algum jeito muito louco, nós dois combinamos.

_Pensei que podíamos comer aqui. – Ela sugeriu.

_Eu também, mas pra ser sincero a comida daqui é muito pesada pra mim hoje, antecedendo um jogo. – Eles andavam pelo pub, em direção a saída. Conforme faziam isso, a música ficava mais e mais distante. – Pensei em comer em algum restaurante japonês.

_É uma ótima ideia.

Se distanciaram agora do pequeno palco em que a banda latina se apresentara, caminhando em direção ao bar que ficava logo perto da porta de entrada do camarote e também da saída.

_O que aconteceria se alguém do time te visse aqui? – Ela perguntou com curiosidade.

Era proibido, aos jogadores do Flamengo, “farrearem” antes de um jogo.

_Vou levar um belo esporro.

_Mas aqui é o Rio de Janeiro, esse pub deve estar cheio de flamenguistas.

_Sim, mas nesse camarote em especial ninguém se importa. – Rodrigo segurou a mão dela. O caminho até o bar ainda era longo e haviam muitas pessoas. – Usar celular e coisas assim em camarotes como esse é algo muito raro. Posso te dizer, desde 2019 que moro no Rio e nunca tive problema em festa nenhuma com fãs. Fazem isso justamente pela nossa privacidade. Eu e os caras do time sempre encontramos esses lugares. Já viemos aqui outras vezes.

Ela tentou prestar atenção em tudo que ele dizia, mas a música alta atrapalhava tanto quanto sentir os dedos dele entrelaçados aos seus. Era extasiante e ela não conseguia esconder o sorriso. Rodrigo andava mais a frente, a guiando e por isso não a via.

Outras mulheres passavam por ela, sorriam de lado ou piscavam para o jogador, sem se importar muito com a presença de Sarah. Desde o início da festa tinha sido assim. As mulheres, muito mais bonitas e plastificadas do que ela com sua beleza natural mediana, não se intimidavam, flertavam com o jogador de qualquer forma.

Mas Sarah não queria se incomodar com isso. Não enquanto ele ainda a guiava e ela se deixava olhar seus dedos entrelaçados e juntos.

Sorria como uma idiota. Quando, em vida, imaginou que algo assim aconteceria com ela? Até poucas semanas sequer conseguia estabelecer um diálogo com Rodrigo.

_Vou te levar no restaurante japonês que eu sempre peço comida aqui no Rio. – Rodrigo comentou. – É tudo ótimo lá.

Sarah quase não prestou atenção. Ela e Rodrigo finalmente tinham chegado até o bar, mas o que ela viu ali a assustou.

Parou de andar em um de repente, assustada demais com a imagem. Rodrigo ainda não tinha percebido, continuava a andar em direção a saída do camarote. Sarah logo o puxou de leve, para o impedir de continuar e parar de andar.

_O que foi?

_Eu não acredito nisso.

_No quê? – Rodrigo perguntou alarmado.

Ela apenas apontou em direção ao balcão e Rodrigo seguiu a direção de seu dedo.

Sentado em um dos bancos, escorado sobre o balcão com dois copos grandes balançando em suas mãos, os ombros caídos e o olhar perdido, estava Gabriel Barbosa.

 

 

_Acho que ele tá bebendo álcool. – Informou a Rodrigo.

_Mas que merda o Gabriel tá fazendo? – Ele ficou nervoso. Com os dedos ainda entrelaçados, Sarah sentiu Rodrigo os segurar com um pouco mais de força e nervosismo.

Naquele momento, por mais que o zagueiro também não estivesse em concentração para o jogo, ele não tinha ingerido uma gota de álcool sequer. Estava sóbrio e só tinha saído para se divertir com a fotografa.

_Rodrigo, a gente tem que tirar ele daqui. – Sarah falou, grudou-se ao braço dele naquele momento. Gabriel estava de costas para os dois, mas ele era inconfundível. – É o nosso melhor atacante no momento, não podemos nos dar o luxo de ficar sem ele no jogo de amanhã ou o luxo de ele não estar concentrado. Estou falando como profissional agora. Não como torcedora e nem como amiga dele.

_E você é amiga dele desde quando?

_Não sei se amigo é a palavra certa, mas colega definitivamente.

_Ok. Vamos lá falar com ele- Rodrigo deu de ombros, a puxando mais uma vez. Sarah, no entanto, manteve-se parada. – O que foi agora? Viu outro jogador também? – Questionou irônico e sem paciência.

_Não, idiota. – Sarah revirou os olhos. – Como vamos explicar pra ele que estamos juntos?

_A sei lá... Dizendo?

_Rodrigo... Nós... Eu não falei com ninguém sobre a gente.

_Falou com o Henrique que eu sei.

_Ok, mas o Henrique não conta. Você mesmo já deixou bem óbvio pra ele que estava afim de mim.

_Olha, eu não curto essa coisa de ficar escondido.

_Não é escondido. É só... Até eu saber como lidar com tudo, vai ser complicado. – Ela lambeu o lábio inferior, nervosa. – Sou uma funcionária do clube, me envolvendo com um jogador. Não é tão simples e um mar de rosas de facilidade lidar com isso, ok?

O zagueiro, obviamente, não tinha ficado satisfeito com aquilo. É claro que não, para ele não teria dificuldade alguma e era tudo muito simples.

_Eu não sou o Cuellar, Sarah.

Ela quase parou de respirar. Então, ali estava. A única pessoa que sabia sobre a sua história com Cuellar, jogando os fatos em sua cara e revivendo todo o passado novamente. Ela sabia que um dia isso iria acontecer, só estava esperando o momento em que o jogador faria. Por um segundo, por segundos infinitos todas as vezes que estava com Rodrigo, imaginou que ele tinha esquecido aquilo. É óbvio que não.

Triste, ela desuniu seus dedos e desviou os olhos para qualquer outro lugar que não fosse o homem parado na sua frente. Tentava engolir em seco, o remorso e a culpa que sempre chegavam quando o nome do jogador colombiano era dito.

_Vamos dizer que foi uma enorme coincidência eu encontrar os dois aqui. – Foi tudo que ela disse.

_Ok, mas temos que conversar sobre essa história de contar ou não para as pessoas que estamos ficando.

_Vamos falar disso quando eu quiser.

_Quando você quiser coisa nenhuma. Tá pensando que eu sou o quê? Tá achando que vai me usar quando bem entender e depois descartar?

_Rodrigo, a gente vê isso depois.

_Depois sim, depois que botarmos o Gabriel pra ir pra casa e eu te levar até o restaurante onde vamos comer-

_Esse encontro acabou aqui e agora.

O jogador parou, qualquer coisa que iria dizer escapou de seus lábios e ele ficou sem reação.

_Só porque eu falei no Cuellar?

_E porque você se acha o próprio intocável, um santo, divino que não erra e pode querer citar o meu maior erro do nada no meio do nosso encontro.

Ainda estavam parados, a poucos metros de Gabriel.

_Sarah, eu não quis jogar nada na sua cara.

_Bem capaz, você sempre adorou me provocar por causa do Cuellar.

_Isso foi antes da gente começar a sair. – Rodrigo se explicou, se aproximando dela. – Eu só falei nele agora porque queria deixar bem claro que seja lá qual for a denominação do que estamos fazendo enquanto nos beijamos e transamos, eu não sou igual a ele. Não me escondo.

_Não é tão simples, Rodrigo. Trabalhamos juntos, não é simplesmente sair dizendo por aí que estamos... Seja lá qual for a denominação-

_Tudo bem. – Ele passou a acariciar o cabelo da fotografa, com um carinho lento e preocupado. – Vamos ter calma, então. Depois vemos isso.

_Tá. – Ela sorriu de lado, ficando mais tranquila. – Vamos tirar o Gabriel daqui logo antes que ele pegue mais alguma bebida.

Rodrigo assentiu e os dois se aproximaram do atacante. Um de cada lado. Conseguiram convencer Gabriel de que Sarah encontrou os dois ali por acaso. A quantidade de bebida que o atacante tinha tomado o ajudou a não perceber a mentira e aceitar tudo muito tranquilamente.

Sarah conseguiu o fazer desistir de ir embora no próprio carro, que ele poderia pedir alguém para buscar no dia seguinte. Rodrigo garantiu que não tinha bebido e poderia levar os dois para casa em segurança e assim foi feito.

 

Sem perceber e ter a intenção, Gabriel tinha atrapalhado todos os planos do zagueiro para o encontro com Sarah.

Para piorar, ele se sentou no banco do carona de seu carro, deixando Sarah ficar na parte de trás. Passou a pequena viagem inteira pedindo desculpa por ter bebido e que era a primeira vez que tinha feito aquilo. Quando Rodrigo estacionou seu carro na frente da casa do atacante, ele ainda ficou parado por um tempo pensando no que dizer.

_Basta agradecer pela carona e sair, Gabriel! – Rodrigo foi grosso.

Era evidente que o amigo queria encontrar palavras para se explicar.

_Eu só... – O outro jogador olhou para trás, encarando Sarah e ignorando o zagueiro. – Só queria me distrair um pouco. Não fiz por mal, eu juro. Não tenho feito nada direito ultimamente e isso tem me matado. Queria me distrair, esquecer um pouco de tudo que vem acontecendo. Os jogadores de antigamente faziam isso direto.

_Eu já disse, mano, simplesmente agradece e sai do carro.

_Vai se foder, Rodrigo. Você tava lá também. Tá querendo me julgar por quê, mano?

_Eu não estava bebendo.

_Foda-se? Não estava em casa se resguardando pra partida também. – Falou irônico.

_Ai, Gabriel, me poupe.

_Ok. – Sarah disse com a voz calma. – Tudo vai se resolver. Amanhã é um novo dia e tudo vai ficar bem. Gabriel, boa noite.

O atacante parecia magoado com a forma dura das palavras da fotografa. Ver o olhar triste no rosto dele foi doloroso para Sarah, mas ela não se permitiu sentir pena naquele momento. Ele tinha errado e muito.

_Tchau. – Abriu a porta triste e saiu do carro.

_Esqueceu do “obrigado pela carona”. – Rodrigo lembrou, mas Gabriel bateu a porta de forma feroz. – Ele é muito debochado...

_Rodrigo, esquece isso. – Sarah pediu. Saiu do banco de trás e passou as pernas por entre as cadeiras do motorista e do carona, para vir até a frente. Quando conseguiu se sentar, colocar o cinto e  encostar a cabeça no encosto, Rodrigo deu a partida. – Acho que ele não tá bem.

_Todo jogador tem uma fase ruim. Vai passar.

_Ele tem... Namorada ou algo assim?

Inconscientemente Rodrigo apertou o volante com um pouco mais de força quando ouviu aquela pergunta. Que interesse Sarah tinha nisso?

_A resposta é relevante?

_Eu acho que ele tá meio carente.

_Carente? Ele pega mais mulher do que eu.

O olhar de Sarah foi certeiro e desagradável. Rodrigo apenas o sentiu sem ver, por estar concentrado no transito.

_É assim, então? Uma competição pra ver quem pega mais mulheres?

_Claro que não, desde que te beijei pela primeira vez não vi nenhuma outra garota. Estou em desvantagem, mas... Vale muito. Por você.

Ela tinha ficado calada diante daquela informação. Rodrigo sorriu de lado e a encarou por breves segundos. Tinha ganhado o pequeno embate. Sarah não estava mais com o rosto carrancudo de antes e parecia animada com aquela resposta verdadeira.

_Bom, seja lá qual for a denominação para o que estamos tendo eu também não vi nenhum outro cara.

As mãos no volante tremeram e ele tratou de o segurar com mais força.

_Então, quando vamos dar um nome pra isso?

_Não sei, Rod. – Ela suspirou, encostando a cabeça no vidro da janela. – Sinto muito te decepcionar, mas não sou tão simples. Não acho fácil simplesmente dizer por aí que estamos tendo uma coisa que nem sabemos o que é. Prefiro dar um nome a tudo quando tivermos um encontro de verdade e mais noção das coisas.

_Eu tinha planejado um bom encontro pra hoje e o Gabriel estragou.

Sarah riu:

_Sendo sincera? Eu adorei dançar com você. Foi incrível, nunca tinha feito nada assim antes.

_Se quer sinceridade eu preciso te dizer que você dança mal.

_Você também não é nenhum bailarino.

Os dois riram mais uma vez. O prédio onde ela morava estava cada vez mais próximo. Conversaram sobre algumas besteiras da noite que tiveram, das danças, dos beijos e quando chegaram ao destino, precisaram se despedir.

_Sa-

Rodrigo não conseguiu começar a sua frase. Sarah se aproximou consideravelmente dele se desvencilhando do cinto de segurança.

_Rod. – O rosto dela ficou tão próximo do seu, que as mãos dela já estavam em seu rosto. – Espero de verdade que a gente possa ter um encontro qualquer dia desses. Eu realmente adorei a banda latina e dançar com você.

_Eu vou. Eu vou te levar pra sair muitas vezes. Todo dia se você quiser.

_Que bom! – Sarah sorriu, passando seu rosto pelo dele com calma, aumentando o carinho com as mãos no rosto do jogador. – Agora eu só queria te dar uma coisa.

_O quê? – Ele engoliu em seco, sentindo sua pele se arrepiar em cada toque.

A fotografa não disse nada de imediato. Ela fez.

Se dirigiu até o acento de Rodrigo para se sentar no colo dele. Rodrigo não tinha opção, a não ser deixar suas mãos se guiarem em direção as pernas dela e a acariciarem. Sarah passou uma perna em cada canto dele e, sentada sobre si, o beijou.

No começo foi um beijo simples, tão devagar que Rodrigo não fazia nada além de retribuir generosamente. Estar com sua boca na dela era como sentir um milhão de borboletas no estomago, enquanto o hálito gelado e fresco de menta o invadia, o afundando cada vez mais no ritmo que ela ditava. Ele não se importava com o controle que ela detinha. Rodrigo gostava e se deixava levar.

_Eu só queria te dar... – Ela disse quando terminou, com um selinho e uma mordida no lábio inferior. – Boa sorte pro jogo de amanhã!

 

 

 


Notas Finais


Eu ia fazer um encontro real entre os dois nesse capítulo, mas deixei esse momento pra uma ocasião mais especial e que eu acho que vai ser melhor. Ainda assim eles tiveram um ótimo momento atrapalhado pelo Gabriel. É pra ficar de olho nisso. O Gabriel vai ser importante pra história dos dois.

Além do mais, pela primeira vez desde que ficaram, o Rodrigo citou o Cuellar. Um fantasma do passado que a Sarah ainda não solucionou. Ela ainda não sabe lidar com esse erro. Será que ela vai desculpar ele por ter lembrado do colombiano?


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