História Faísca Azul - Capítulo 1


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Categorias Tom Clancy's Rainbow Six
Personagens Mike "Thatcher" Baker
Tags Capítulo Único, Hibana, Oneshot, Rainbow Six, Thatcher, Tragedia
Visualizações 32
Palavras 3.955
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção, Policial, Seinen, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Well, well! Então, em suma, Rainbow Six é um jogo fascinante, que acho por demais interessante. São partidas ótimas, de um excelente jogo — com uma fenomenal trilha sonora. E assim sendo, eu tive uma enorme vontade de criar uma fanfiction de R6. Entretanto, eu gosto muito de romance e me testei, em fazer uma fanfic de Rainbow, com romantismo e bom... para mim funcionou e ficou conciso. (/o)/ Assim sendo, fico contente com meu "experimento". :D

Disclaimer: Tom Clancy's: Rainbow Six Siege, (2015) é um jogo eletrônico de gênero FPS, produzido e desenvolvido pela Ubisoft, baseado no livro Rainbow 6 (1998), do escritor americano Tom Clancy. Esta fanfiction não possui relação alguma com a obra original, se quer seus pertencentes. Eu, usuário @DomPedroZero / T., tão somente me inspirei no ambiente, tempo, personagens e enredo, para criar esta fanfiction, feita de fã, para fãs.

Boa leitura! o/

Capítulo 1 - Capítulo Único: Chance ao Sentimento


Fanfic / Fanfiction Faísca Azul - Capítulo 1 - Capítulo Único: Chance ao Sentimento

I. 

Por uma terceira vez, ao reler a carta entregue com paciência e tranquilidade pelo companheiro de equipe, o operador Echo, ainda que nipônico, conhecendo-o ao adentrar, se enfureceu a tal ponto de abandonar os mimos como a profissional que era, amassando o envelope, jogando-o ao chão, pisando sobre o mesmo com uma deleitosa vontade.  

Uma missão que fora suscetível, ainda não conseguiria ver assim quando era incompreensível os valores e emoções que digladiavam em seu interior e tentaram importuná-la em sua concentração pós ação e adrenalina.  

Sentou-se em uma cadeira qualquer, de um ambiente qualquer da base, mas o clique de um pires, em algum lugar ser posto, chamou-lhe a atenção como poucas vezes acontecia — apenas, quando alguém notava o seu comportamento inquieto, que nunca almejava ser presenciado por seus parceiros. A nativa de Nagoya, com a natural liderança que tinha nas áreas inigualáveis a ela e que lhe garantiram, tão nova, o posto de agente da SAT, em sua técnica, era inaceitável, ironicamente, expor alguma explosão em si mesma aos demais.  

O corpo apressado se levantou da cadeira, inconformada mais uma vez por esse silêncio confrontante, quebrado por um único e repentino ato, que surpreendentemente a confortava e a distraía, esquecendo os dilemas ao atentar-se talvez, que também era humana — como supostamente, essa pessoa sabia.  

Mas não vê-lo, significava uma vez mais não agradecê-lo, e a tal egoísmo de comportamento, não era exatamente uma convivência acostumada a lidar.  

Encarou a xícara com chá verde destacar-se sobre um conjunto de louças tipicamente britânico. Nunca se acostumou, desde a primeira vez que se deparou com isso, pois era notável que não combinava, entretanto, em silêncio permanecia ao tomar do chá, parcialmente embaraçada. 

Excelente e suave, por mãos que nem mesmo eram japonesas. 

— Oh. Yumiko.  

Ele nunca a chamava por seu apelido. Hibana não podia esconder a estranheza, que logo se dissipava.  

Desde que adentrara a equipe Rainbow, acostumou-se por todos se dirigirem a mesma, pelo o trocadilho ganho antes mesmo, ao entrar na Unidade Especial do Departamento de Polícia da Prefeitura de Aichi. Todavia, o operador Thatcher era alguém a parte.  

Nunca soube o que pensar. O mesmo já lhe falara uma vez que era desrespeitoso chamá-la por um apelido, se nenhum tipo de intimidade compartilhava com a mesma. Isso levou a jovem reservada em expressar alguns movimentos no imperscrutável rosto, pensante de algumas coisas que surpreendeu a si própria, entretanto, recordando-se do que o explícito notar, dito por si só do nobre e cavalheiro inglês, amenizou as emoções reservadas de uma possível ingenuidade.  

Como uma japonesa, algo seu era agradecido, curiosamente admirado por esse seu suposto respeito. Não que fosse lhe incomodar o título ganho em campo — o mesmíssimo de serviço e orgulho o qual o veterano caminhara, para entender os significados das insígnias recebidas, sejam estas pessoais, sociais ou materiais. Como um companheiro de equipe, seria compreensível, mas talvez fosse exatamente ele ser tão reservado e misterioso, que a fazia supor intriga por sua conduta. 

— Uma raridade, encontrá-la em ambientes fechados, apertados e com variedades literárias mofadas... sem ouvir ao fundo, algum zunido, faíscas carmesins a surgirem.  

Hibana tentou fitá-lo, mas sabia que um passo dado à frente, dois a mais pela parte do alto, robusto e sempre empertigado homem, protegido por uma parcialidade de sombras que se elevavam do alto das estantes no ambiente de pouquíssima iluminação, como convinha a ele.  

— Você... não me chama por meu apelido, porque soa desrespeitoso. — Ponderar, a fez achar alguma graça na situação, quando se deparou com a tranquilidade de o mesmo em pronunciar com muito gracejo e acento o seu primeiro nome. E arriscaria. 

Cruzou os braços na altura do torso, uma mistura de tato sensível, ainda que acostumado, entre as cordas e acessórios de seus antebraços de frente com os ganchos sobre o torso e colete, uniforme recém gasto em missão. Ao sorrir, espertamente, declarou sutil: — Mas nós, ao não termos intimidade com alguém, nos dirigimos a ela, por seu sobrenome.  

Notou a silhueta da penumbra a contornar a mão do mesmo, estancar no ar, quando supostamente colocaria um livro em seu devido lugar à prateleira. 

— E assim, o ideal seria me chamar por... 

— Imagawa-san. — Thatcher responde, surpreendendo o silêncio estendido pela mulher, ao sorrir em um gesticular audível. Mas o negrume que o cobria, tornava-a incapaz de descrevê-lo ou observá-lo. — De fato, assim é o comportamento entre vocês, nipônicos. — A falange deitada do indicador fora pressionada ao queixo de reles barba. — Hm, asiáticos de forma geral, até onde me recordo.  

— Por que você me chama por meu primeiro nome, se a sua justificativa também se aplicaria a isso, ao não me chamar por “Hibana”? — Ela não podia parar. Era irresistivelmente intrigante, estar prestes a descobrir a razão, se alguma cautela não fosse tão séria de sentir, que aquela pessoa não o faria com tanta facilidade assim.  

Os soturnos passos não se encontravam, as claras habilidades avançadas e elitistas de ambos os agentes de alto nível se conflitando em uma tentativa de ouvir-se. Mas restava à ela acompanhá-lo a distância, enquanto se movia por entre as estreitas prateleiras daquela sala elaborada para a equipe ante missões em andamento nas redondezas do noroeste da península britânica. Notava algum aspecto claro da camisa branca que o mesmo usava, despido do típico e maçante uniforme que como um encanto, aparentava obter o uso do mesmo, contanto estar devidamente coberto — face alguma ser exposta. Aparentemente, ele gostava de ser assim.  

E talvez fosse essa, também, a curiosidade de Yumiko. Encarar face a face, esta pessoa que tanto se prezava em esconder-se na sua intimidade, quietude e silêncio, tipicamente calculista. Mas era notável! Sempre, ao optar por alguma luz, que estivesse próximo de qualquer ponto que fundisse à iluminação noturna, a bruxuleante mistura tornando-se algo azulado.  

Pois ao veterano britânico de três guerras, Mike Baker, a cor lhe era suavemente agradável.  

— Eu não sei dizer, vejamos... — Os passos refrearam, as solas arrastaram-se pesadamente pelo piso ao unirem-se em sentido da postura rija de seu corpo. Hibana tão somente era possível ouvir os sons abafados e de grave toque entre a quina de um livro em sua mão e o seu queixo. — É um tanto que gracioso. Yumiko. — Repetiu, abandonando o livro sobre a típica e móvel mesinha que usava para ler e tomar algum chá.  

Por um instante, consternou-se, aturdida de incômodo. Os braços desfeitos de se encontrarem em um cruzamento, caídos, cedem ao lado do corpo que também gostaria de ter um mesmo — e jovial — efeito. Hibana alarmou-se, deveras graciosamente, ainda que não soubesse.  

Nem mesmo, durante o período de escola conturbado por ser dito, jovial em seu respectivo aproveitamento, vivenciara tais aspectos ou o que poderia justificar um comportamento assim. Não era tão nova, mas também se recordava da tenra e absurda idade, quando adentrou aos dezoito anos na Academial Nacional de Polícia, decretando a si mesma o destino aceito em sua vida, para não ter tempo para tais coisas. Seria isso, a exclusão de anos, não saber agora como comportar-se perante um suposto elogio? Ou foi exatamente a calorosa sensação de felicidade, que lhe causou? 

A gargalhada de Mike a retirou do transe de pensamentos leigos e banais dos que tipicamente vivenciavam o que ambos, não era uma exata permissão por algum pensamento de cautela e sensatez. Entretanto, não sabia se deveria pensar assim do homem. Um aspecto claro era definido naquele que também escolhera o seu caminho a trilhar na vida, compreendendo as dimensões das ações permitidas por se vivenciar. 

— Está bem, minha jovem... — Suspirou, retornando ao início do elaborado corredor. — Muito inteligente da sua parte, ter prestado atenção nisso.  

— Então você já sabia? — A interrupção do veterano uma vez mais não foi coesivo para a mesma, que necessitou de uma, segunda confirmação. 

— Sim, é um detalhe conhecido, eu suponho. — Ele disse ao andar, sempre notável por Hibana, rente a qualquer banho de luz noturna, que fundida, tornava-se algo azulado a se admirar. Tão cintilante e suave, que a silhueta não mais amedrontava.  

Quase nunca aconteceu, se não pelos comentários propositais, satiricamente ouvidos a respeito do mais velho operador da SAS ativo, vivenciando o presente da carreira como membro da equipe Rainbow. 

A reserva já conhecida da parte dele, era dada em apenas a essencialidade ser comentada, ainda mais quando como companheiros em campo, a união ser necessária, sutis exposições de curtas e claras frases serem trocadas entre os operadores escolhidos. Era a primeira vez que ouvia com clareza a entonação de sua voz, algo um tanto elegante ressoar, ainda que tímido.  

Todavia, era sutilmente complexo, lidar com a conduta decisiva de alguém com certa impulsividade. Saturou-se por algum período, nas constantes missões na companhia de Thatcher, entretanto, estranhamente o olhar que sentia ter sobre si era atrativa, à medida que uma adrenalina se apossava dela. Algum orgulho, ser maçante no ar, de seus atos, que o mascarado pela reservada sf10 e calado agente, tão somente pressupunha passar de seu auxílio, orgulhoso de uma boa orientação passada.  

Talvez, fosse isso que tenha feito a mesma se acostumar com a companhia única, daquele que mesmo à distância, a auxiliava. E novamente, observou a silhueta encoberta pelo negrume da falta de luz do ambiente, ser revestida de claridade pelo luar.     

Admitiu ser agradável, observá-lo. O azul sobreposto, era parecido com o claro vermelho que queimava das faíscas de sua primária arma, o lançador de granadas x-kairos

A junção das faíscas de aquarela distintas, talvez, um matiz belo de se ver. 

—Ah, obrigada. Pelo chá. — Recordou-se e por hábito de nascença, fez uma mesura com a cabeça. — Todas as vezes... — confessou em um tom mais íntimo e envergonhado.  — Mas eu devo admitir que é um tanto estranho, chá verde em uma xícara com traços e estampa em folhagem inglesa. Pelo menos, você não colocou leite. 

O comentário pegou a Mike de tamanha surpresa, que o mesmo gargalhou alto e deleitoso, distraído por ser vantajoso a Hibana, em aproveitar, quando a surpreendera e notou algum resquício de sorriso surgir da face pouco iluminada pelo feixe esticando-se no assoalho, provido do corredor de entrada da sala onde se encontravam. Entretanto, como o bom e cauteloso observador que era, os passos logo recuaram para trás, rente às janelas, a iluminação noturna sendo a única a lhe agradar e proteger — deixar claro, que não cederia para com as vontades da agente, de fitar aquele que não aparentava ter um grande interesse em se demonstrar assim. 

Uma vez mais, precisou se contentar. 

— Um desrespeito? — questionou, ajeitando outros livros na prateleira. 

Hibana sorriu, cruzando novamente os braços, ao concordar. 

— Entendo. Seria inconveniente para mim, sair por aí em missões, sem prestar respeito ao bom território da rainha.  

— Por isso então... a bandeira nas granadas? 

— He, he. — Ele riu jovial, apontando um indicador casual para ela.  

— Um show-off. — Hibana brincou, em seu inglês.  

— Tipicamente britânico. Apesar de sua gíria, não ser.  

Os risos se igualaram em tom e momento, e encarando-se em silêncio, Mike deixou os livros de mão, ficando de frente para a mesma. Por reflexo, só pôde notar os pés cruzados do operador, a poucos passos em sua frente.  

— Você não se importaria... de continuarmos a conversar? — ele questionou, parcialmente envergonhado pelo questionamento, tão novo para si quanto certamente seria para ela. 

Hibana sentiu o peito ser apertado por um instante. Ainda a conduta questionável para aquela que há anos, abandonara até mesmo a tenra juventude, passos do que consideraria uma fase adulta a não retornar para o que é dito novo. Mas fora esse ímpeto diferente do normal, da parte daquele veterano de batalha, para si, que talvez tenha dado confiança, conforto e coragem, para ignorar os receios e medonhos temores.  

Pensar, por muito, sempre seriam pessoas a fazê-lo. Entretanto, se eram possíveis momentos comuns e triviais assim, desperdiçá-los, seria uma lástima.  

Puxando uma cadeira para algum canto do ambiente, com luz, sentou-se e apoiou os antebraços sobre as pernas, sorrindo com orgulho ao supor ter se igualado por um momento ao mesmo, em observação. Pegou-o de surpresa, em achar que se aproximaria ou por demais, falaria.  

E Mike, por um instante, cometido e surpreso por aquela jovem, sentiu-se também, jovial e envergonhado, na postura ter sido quebrada e contornada por alguém.  

Sorrindo, desistente e sutil, alcançou atrás de si uma cadeira, e cruzando as pernas, sorriu novamente, levando uma mão à barba por crescer nas bochechas tipicamente mantidas raspadas, no cavanhaque linear que mantinha.  

 

II. 

Mas nada tão simples assim, para aqueles que viviam em meio a intensidade, risco e audácia, poderia ser assim, certo? Talvez, em algum lugar, a dor pesava, por exatamente esta ser uma verdade inegável e irrecusável. Porém, todos os momentos se tornaram que ao mesmo tempo em serem deleitosos, temores de uma despedida prematura, que nunca almejavam vir. 

Que deslize, que ocorrência e fato, certamente em sensatez, dever ser esperado — mas nunca, definitivamente, estarem preparados; almejar aceitar as consequências.  

Hibana agarrou sua submetralhadora pm9, sem um ímpeto em pensar por mirar, as cápsulas que voavam da arma cruzando os ares para se debaterem sobre o criminoso que pegara desprevenido a Thatcher, ao acertar com uma 12., mal elaborada, a altura e meio por entre as clavículas, fragmentos das cápsulas que desviaram, acertando resquícios da artéria torácica superior e axilar.  

Não havia um trecho definitivo, apenas as expressões que supôs de um civil comum, ao atirar por pura ânsia, consumo de raiva e euforia de emoção. Os dentes rangidos deixavam expressos um rosto consternado, abatido e inconformado.  

O canto do peito estilhaçado, braços, pernas, um rosto perfurado de forma brutal. Um corpo sucumbido, a estar em pé tão somente, na expectativa de um encerramento daquela que contrariava tal destino.  

A mão de Thatcher sobre o seu antebraço a parou, quando se estagnou por se recordar do que verdadeiramente importava sua atenção.  

— Yumiko — murmurou rouco. — É o suficiente. Acho que é tarde, pedir um abandono de ideia vingativa, para você. — Concluiu, arfante ao sentir-se sufocado pela máscara, sorrindo no canto dos lábios, apesar de a mesma não presenciar. 

Não poderia mais aceitar isso.  

Hibana largou a arma ao lado do corpo, não pensou mais em prolongar, retirando a máscara de seu rosto, o veterano muito condescendente com o que já era tardio dar-se por enigmático.  

A jovem o fez com cautela, fitando-o curiosamente. Havia considerável iluminação, de postes ainda intactos do ambiente noturno do porto como sede das atividades clandestinas. Algum barulho de mar era atento, ao mesmo tempo que luzes envergonhadas de presenciar aquela cena, deixando que algum resquício estivesse banhado pelo caminho, todavia, não mais que a lua, no alto do negrume estandarte, reservado em silêncio tal qual suas sentinelas estrelas, foscas em um céu parcialmente nublado.  

E isso talvez fosse o suficiente em combinar com essa pessoa compatível e amigável do momento. Arrastando os joelhos para o lado, apoiou parte do corpo de Mike sobre o colo, a cabeça deitada sobre seu antebraço. E acabou por sorrir.  

— Você não parece tão britânico assim. É tão... comum.  

— O que esperava? Loiro e talvez, olhos azuis? 

— Talvez. 

Eles sorriram juntos. Reles barba fundida entre um claro preto e branco, a se sobrepor em uma aparência que incrivelmente, se manteve com certo quê de jovialidade, para àquele que chegou com honrarias aos cinquenta e seis anos em vigor ativo de campo, não sendo menos se não um bom veterano a acompanhar uma juventude que prosseguiria no caminho de defesa à justiça e luta ao mal.  

— Quando eu era mais novo, pelo menos era mais magro. — O operador pressionou por reflexo a perfuração sobre o peito, ao tossir, engasgando-se com o sangue na garganta, o suor gelado estagnado pelo corpo, aderindo ainda mais o sangue entre o tecido e apertado colete, trechos sufocados sem saídas a esvair-se, tal qual o mesmo se sentia igualmente, compreendendo o momento e seu encontro para apresentar seu intuito à sua vida. — Eu posso dizer que pelo menos, é satisfatório, que eu sucumba em meu próprio país. — Recordou-se, e com um repentino e forte orgulho, não se abateu ao pensar assim, devidamente empertigado, nem que para isso tivesse de na infame postura, remexer o corpo.  

Mas seria incapaz, afinal, os gritos da dor, eram de uma diferente e não física, todavia tão profunda quanto o aspecto anatômico e tangível.   

Por um instante, o silêncio se instaurou em um ambiente que sediava ao fundo, tiros, baques estrondosos e gritos indistintos de táticas e informações, dando espaço como uma fútil pena aos dois que se supunham por um instante, a liberdade romântica ao menos ter sido sentida — mas era de se esperar, algo assim, ainda que ante o que nunca almejaram vivenciar, tenha sucedido. Era de fato, doloroso, ainda mais, ter vivenciado isto tão mais curtamente, que a alegria de ter sentimentos, expressar e vivenciar, em si.  

Mike fitou-a com curiosidade e um suposto carinho ao vê-la como uma mulher, antes de todas as formalidades impostas e reservadas ao qual estava acostumado de lidar, como tão somente, um homem militar, em função ao bom serviço protetivo. Esquecia-se casualmente que também era um homem, com hábitos de leitura trivial, ora e outra talvez algum chá que compartilhasse com os mais novos operadores da SAS, para recordar-se do lar, quando em terras estrangeiras, ao comportar-se como britânico — de sua parte, os pacotes instantâneos de mercado eram mais práticos do que todo o processo inglês artesanal, tal qual a Smoke, que se deixava levar, convencido apenas da ideia de recordar-se do nicho patriota.   

O braço ao se erguer devagar, assustou-a a um primeiro instante, fazendo ansiosos olhos retornarem para seu rosto, mas isso não o distraiu. Ele persistiu no caminho que Hibana permitiu, também curiosa pelo intuito do mesmo. A mão alcançou a ponta do capuz do uniforme náutico, preto em meio ao negrume do ambiente, retirando-o da cabeça da jovem, que tão somente deixou ao fechar os olhos, pálpebras marinadas cederem o peso da emoção, esvaindo-se sobre as faces. 

Sim, era uma mulher. Uma bela e jovem mulher, não somente, entretanto, também inteligente, capaz e talentosa mulher. Como todas as outras operadoras, de fato! Porém, o que sentiu curtamente na vida, pertenceu a esta. Precisava demonstrar um devido e digno respeito, por quem a seus sentimentos despertos, vívidos — mostrou-se existir em si —, também escolheu pertencer.  

— Yumiko... me desculpe por não poder levá-la para jantar o que nós, ocidentais, fizemos... “enfeitamos” o sushi. — Conseguiu ainda rir um pouco, a dor lacerante e quente penetrando ainda mais em seu organismo conturbado e fora de controle. — Mas eu também devo admitir, como terminou desagradável. Sozinho, sempre foi uma expectativa a qual me acostumei, em campo. Mas agora... não é má ideia pensar que nesse período, graças a tudo isso, tão curto... eu pude vivenciar o que achei inacreditável, não é? 

Assentindo lentamente, Hibana concordou encarando-o, a mão fixa em não ousar acariciá-lo. Não desrespeitaria em um momento último ao pressupor livre para tudo, todavia, era a cautela que se doía no peito, do que igualmente a ele, poderia pensar.  

Vivenciou, em tão pouco tempo.  

— Seu apelido é digno do seu talento. — O sorriso avermelhado em suave plasma, expôs toda uma expressão envelhecida e enrugada, que em nada a desagradava. — Sempre achei belo, a tonalidade vermelha das faíscas do x-kairos. O barulho soa radical, emotivo e chamativo de uma adrenalina, que impunha novos ares a uma invasão que a equipe faz com confiança, convicção e firmeza. Jovial demais, para mim. — Sorriu, confortável, letárgico e enfraquecido.   

— Obrigada. — Agradeceu em um sussurro, fitando o reflexo da luz noturna atrás de si, sobrepondo-se nos orbes de íris escura, erguidos, a encará-la. — Sabe... como uma faísca, o azul também seria tão cintilante e belo, como o agrado da cor a você, é. Uma pena que a lua não o contemple de tão perto agora.   

Mike não pôde engolir a seco, quando optou por desfrutar mimosamente do que ainda restava como vida, em si, e murmurou gélido, palavras arrastadas dos últimos sentimentos calorosos a sentir: — Hibana... câmbio e adeus.  

— Thatcher... — O soluço deu lugar a um alívio apressado pelo o que em dúvida, optava por pensar terminado. — Câmbio e adeus. — Ela pressionou o ombro agarrado em seu colo, as mãos cedendo derradeiras do veterano que fizera sua parte ao mundo, como o bom combatente que foi.  

As pálpebras abertas, escondidas pela mão da jovem nipônica em terras britânicas, foram cerradas para completar a suposição natural de todo agente, sucumbir em uma missão. Não pensou que por algum instante se interessaria em encontrar simpatia do que lera como fictício nas épocas de adolescência, sobre romances entre estrangeiros de culturas que em um princípio, optaram por estranhar-se e satirizarem-se.  

Ela limpou o suor de sua testa, roçou-lhe o sangue do queixo, bochechas e lábios, e arriscou ajeitar a reles franja arrepiada e cedida no topo da fronte. Fitou-o, o silêncio já instaurado há minutos. Assim, arrumado, parecia um pouco mais britânico. O acento carregado ao pronunciar um nome de diferente alfabeto, o ar misterioso deste que possuía sutil impaciência por progresso e pressa em uma missão, mas era paciente e educado, ao expressar as vontades litúrgica de optar por atuar com os mais novos, claros de suas convicções éticas e morais que nem mesmo conheciam.  

Hibana seria agradecia pelo mesmo tê-la auxiliado a encontrar isso, em si.   

Encarando ao corpo, consciente do fim, pernas retas e juntas, a postura empertigada e rija do militar, apoiou cautelosamente a cabeça ao chão, ainda agachada, tateando os bolsos do uniforme em busca de alguma delas. Encontrou uma única por usar, em um dos bolsos esquerdos da calça. A mão apressada tomou cautela por um instante ao retirá-la, encarando a granada emp sobre a palma. A bandeira sobreposta em um adesivo, sobre a tampa. Uma última recordação daquele que por algumas vezes, supôs demonstrar sem que percebesse ante a adrenalina e ócio da função, a junção das faíscas que se uniam em beleza, cor e certamente, sentimentos.  

Aceitaria que não presenciou, aceitaria que persistiria assim. Em preservar o que manteria a chance, de um dia ter sido prolongado em desfrutar.  

 

III. 

Por um instante, em uma árvore qualquer, pássaros ao cantarem trouxeram a jovem de volta a realidade, o olhar petrificado sobre a grave, erguendo-se ao céu, cerrando-se perante o forte brilho. O vento era agradável e a brisa suave. De algum lugar, poderia ouvir o ressoar das ondas do mar invadirem o silêncio do ambiente, em Bideford. 

Em nenhum momento falara, todavia, o único movimento convicto fora ao andar em direção contrária aos demais operadores, quando o velório se encerrara. Alguns olhares a acompanhar, todavia, compreensíveis, persistirem por deixá-la a só, por algum momento. 

Masaru, parado com as mãos cruzadas na frente do corpo, corria contra um tempo que não conheceu como a companheira de nação, e frio, sentiu-se culpado por atrapalhar.  

— Sua carta... você vai voltar para o Japão? — ele questionou, quando se aproximou e curvando-se, não resistiu a vontade de encarar-lhe de soslaio o inexpressivo rosto.  

— Não — respondeu em tom grave, suspirando com olhos fixos na grave. Curvando-se, Hibana se ergueu, girando sobre os calcanhares, retornando a caminhar com um rosto erguido e sereno. — Eu continuarei na equipe Rainbow.  

A pequena bomba emp, com uma fita de plástico no seu lacre, se tornara um chaveiro a se carregar na cintura, nas missões. Um delicado, memorável e ainda que em dor, doce lembrança a se ter. O faísca azul, que a acompanharia sempre, no que juntos, um fim incapaz de decifrar, ainda foi bondoso em permitir aos dois forçados por escolhas na vida, a não vivenciarem ao amor, terem se aproximado disso em sorrisos, conversas e nervosismo nos estômagos, a pura vontade de rir, pois ainda puderam vivenciar — se apaixonar.   

 

Faísca Azul ——— @DomPedroZero / T.  

Criado em 14 de julho. 


Notas Finais


E era isso. Não me pergunte como cheguei a conclusão de usar Thatcher e Hibana! Da parte dele, é o mistério envolvendo-o que é interessante, e de Hibana... eu gostei do contraste étnico. :D E então, pá, eu consegui fazer algo que posso considerar tranquilamente como conciso. \o/

Agradeço a leitura!


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