História Faking It - Capítulo 8


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Categorias Girls' Generation
Personagens Hyoyeon, Jessica, Seohyun, Sooyoung, Sunny, Taeyeon, Tiffany, Yoona, Yuri
Tags Soohyo, Taeny, Yoonhyun, Yulsic
Visualizações 108
Palavras 9.234
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), FemmeSlash, Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Fluffy, LGBT, Literatura Feminina, Orange, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


henllooooooooooooo

hoje trago pra vocês o meu capítulo queridinho de toda a história ehduheudhe

boa leitura!

Capítulo 8 - 08. O frango voador


Nas quartas-feiras tínhamos apenas dois tempos de aula, o que significava que saíamos mais cedo, na hora do intervalo, e foi justamente naquela quarta-feira que decidimos começar a maquete da discórdia na casa de Jessica assim que fomos liberadas.

— E aí, já vamos agora? — indagou Jessica assim que descemos ao térreo, parando antes de passarmos pelas catracas.

— É melhor, pelo menos não perdemos tanto tempo. — ponderou Tiffany — E daqui que a gente pegue ônibus, né...

— Ah, não se preocupem com isso. — tranquilizou Jessica — Eu pedi pro motorista que trabalha pro meu pai vir nos buscar.

— Nossa, que chique. — brincou Tiffany — Tô me sentindo até importante e rica, mesmo que o motorista não seja meu.

— Besta. — riu Jessica, meneando a cabeça — Enfim, eu acho que vamos precisar de uma folha de isopor, eu não lembro se tem lá em casa, só tem uma folha de depron e acho que vamos precisar de mais isopor pra fazer a base.

— Então é bom comprar logo por aqui, né? — sugeri.

— Isso que eu tô querendo ver. — disse Jessica — Será que tem aqui nessa lojinha?

— Quer ir lá ver? — inquiriu Yuri, claramente se oferecendo para acompanhar Jessica.

— Acho melhor. — concordou Jessica — O motorista ainda vai demorar um pouquinho pra chegar, acho que dá tempo de irmos lá e é até melhor você ir junto mesmo pra ver o tamanho certo do isopor, quero nem arriscar comprar um errado e vocês tirarem meu nome do grupo.

— Eu ia tirar mesmo se chegasse aqui com isopor errado. — replicou Tiffany, rindo escandalosamente e sendo acompanhada por nós.

— Enfim, vamos logo lá, Yuri? — chamou Jessica, arrancando um sorriso imenso de Yuri ao encará-la e ela anuiu com a cabeça. Eu já estava vendo a hora que ela derreteria toda ali mesmo só por Jessica estar olhando para ela — Vocês duas vão ficar por aqui?

— Sim, vão lá e a gente espera aqui. — garantiu Tiffany, recebendo um aceno positivo de Jessica em troca antes das duas saírem andando na direção oposta à onde estávamos.

Por ser hora do intervalo, muitas pessoas transitavam por ali, saindo e entrando, e no meio daquele furdunço que era aquele horário, Tiffany acabou avistando uma amiga sua que estudava ali, mas cursava outro curso e nisso acabou me puxando consigo para ir falar com a tal garota, mas eu sequer prestava atenção ao que elas falavam, pois estava distraída demais observando o movimento em nossa volta.

E foi aí que eu avistei a última pessoa que esperava encontrar naquela faculdade. Eu sabia que ela tinha me visto, mas torcia para que não fosse falar comigo e, em um movimento desesperado, virei-me imediatamente, chegando mais perto de Tiffany.

— Tiffany. — murmurei, ganhando sua atenção — O anticristo tá bem ali.

— Quem? — indagou, o olhar vagando por todo o salão da lanchonete.

— Minah. — repliquei, fazendo Tiffany rolar os olhos e, mais do que rápido, passar um dos braços em volta de meus ombros e me puxar para si em um meio abraço e voltar sua atenção para a amiga com quem conversava antes.

E pouco depois disso e muito repentinamente, eu senti um empurrão em minhas costas, fazendo não só eu, mas também Tiffany que estava abraçada em mim, desequilibrarmo-nos e ela praguejar baixinho. Pela abordagem, eu tinha uma noção de quem era e minhas suspeitas foram confirmadas assim que nos viramos para trás, dando de cara com uma Minah com uma expressão divertida no rosto.

— Ei, não olha mais por onde anda? — inquiriu rindo brevemente, o que fez Tiffany ao meu lado bufar. Eu nem precisava olhar para ela para saber que ela estava com uma expressão mortal no rosto — Oi, Taeyeon! E Tiffany, né?

— Sim, é Tiffany. — respondeu em tom cortante e eu me segurei para não rir. Tiffany continuava agarrada a mim e eu sabia que tinha sido apenas por isso que Minah não tinha tentado me abraçar.

— Nossa, parece que faz um século que não vejo vocês! — exclamou Minah — E você nem responde mais minhas mensagens, Taeyeon!

— É que eu acabo esquecendo mesmo. — dei a desculpa mais esfarrapada que me veio à mente — E eu passei um tempo sem internet em casa, desculpa.

— Não desculpo! — exclamou em tom ressentido, mas logo riu brevemente — Enfim, vocês já estão indo embora? Estão com bolsa e tudo...

— É, não temos mais aula hoje. — foi Tiffany quem respondeu sem nem fazer questão de esconder o descontentamento na voz — Só temos dois tempos de aula nas quartas, já estamos indo embora porque temos maquete pra fazer.

— Ah, entendi... — murmurou, nos analisando atentamente — E cadê as outras?

— Yoona faltou e Jessica e Yuri foram ali na lojinha comprar uns materiais pra irmos fazer nossa maquete. — respondi — As duas estão um grude agora, não sabem mais andar uma sem a outra.

— Yuri é...? — Minah inquiriu com incerteza.

— A mais sapata de todas nós. — explanei, vendo a expressão de Minah ir murchando aos poucos.

— Bom, eu preciso ir! — exclamou Minah — Tenho umas coisas pra fazer ali antes de voltar para a sala... — dessa vez ela fez menção de me abraçar, o que obrigou Tiffany a me soltar, ainda que claramente contrariada pela forma como bufou — Vê se não some de novo, Taeyeon!

— Ah, claro... — murmurei sem graça. Ela me soltou e se voltou para Tiffany, abraçando-a e fazendo com que ela retribuísse muito a contragosto e com uma expressão nada boa no rosto.

— Tchau, vocês duas! — disse ao largar Tiffany e acenar antes de sair andando apressada na mesma direção em que Yuri e Jessica tinham ido.

— Garota ridícula sem noção! — praguejou Tiffany assim que Minah se afastou, uma expressão carrancuda no rosto — E ainda teve a audácia de chegar nos empurrando e vir me abraçar ainda! Não viu que se estávamos abraçadas era por que não era pra vir te abraçar ou me abraçar?

— E nem disfarça que quer sempre saber sobre a Jessica. — rolei os olhos — Deixa só a Yuri descobrir sobre isso.

— É outra que não faz nada. — murmurou Tiffany, meneando a cabeça — Eu hein, da próxima vez que essa doida ousar chegar te empurrando e com essa falsidade eu juro que vou dar uma voadora no meio da cara dela! Não suporto a cara dela!

— É engraçado que você se incomoda com ela até mais do que eu. — ri baixinho — Mas eu apoio.

— E cadê essas outras duas, foram comprar um isopor ou fazer na hora? — inquiriu impaciente — Daqui a pouco o anticristo volta e as duas nada.

— Isso se o anticristo não as parou no meio do caminho porque foi naquela mesma direção, né? — refleti, mas antes que eu pudesse falar mais alguma coisa sobre a demora das duas, as avistei vindo ao nosso encontro, Yuri com uma cara assustada como se tivesse acabado de ver uma assombração e uma Jessica risonha ao seu lado.

— Gente, acabamos de encontrar um demônio no meio do caminho! — exclamou Yuri, confirmando minha tese — Vocês nem sabem quem era!

— A Minah? — deduziu Tiffany, fazendo Yuri arregalar ainda mais os olhos.

— É, como você sabe? — inquiriu desconfiada.

— Porque ela acabou de parar aqui com a gente também. — expliquei — Ainda chegou me batendo.

— Essa garota é totalmente sem noção! Ela ainda tentou parar pra falar com a gente! — contou Yuri.

— Mas não falou graças à Yuri. — disse Jessica rindo brevemente — Essa louca saiu nos puxando assim que ela passou por nós, deixou a doida lá parada acenando pro nada. E ainda bem que fez isso porque eu não ia ter paciência pra falar com ela e ela ficar me encarando direto com cara de lesa.

— E nem eu, não vou nem um pouco com a cara dela! — exclamou Yuri sem esconder a revolta em seu tom de voz — Totalmente desnecessária e sem noção! Não sei como você ainda foi se interessar por uma droga dessas, Taeyeon!

— Ei, calma, tanto ódio faz mal pro coração. — disse Jessica, sorrindo divertidamente para Yuri e pousando uma mão sobre seu ombro na tentativa de tranquilizá-la, o que só a deixou totalmente bugada — O importante é que não falou. Agora vamos indo, nossa carona chegou.

 

A casa de Jessica ficava à poucos minutos da faculdade, de modo que não demoramos quase nada para chegar lá, especialmente por não ter trânsito intenso naquela hora da manhã e irmos de carro.

— Gente, agora tomem cuidado quando eu abrir a porta. — alertou Jessica assim que adentramos pelo portão da frente na garagem de sua casa e ela se preparava para abrir a porta de casa — Vocês podem ser atacadas por um demônio.

E sem esperar mais nada, Jessica abriu a porta e imediatamente uma bola de pelos brancos veio correndo em disparada ao nosso encontro, inicialmente latindo, mas logo parando ao começar a cheirar nossas pernas e andar de um lado para o outro animada.

— MEU DEUS, QUE COISA FOFA! — Tiffany foi a primeira a berrar, se abaixando para cumprimentar a bolinha de pelos aos nossos pés — OI, MEU AMOR!

— Eu disse que vocês seriam atacadas. — riu Jessica — Um ataque de amor. Essa aí é a Jujuba, mas eu chamo só de Ju. Podem entrar que ela vai nos seguir, se começar a dar atenção pra ela, ela nunca vai parar de pedir carinho e depois vai começar a morder.

Fizemos o que Jessica pediu e adentramos à casa, sendo seguidas de perto por Ju que nos cercava e assim que paramos na sala de estar enquanto Jessica entrava no que supus ser seu quarto, logo na primeira porta, começamos a fazer uma festa com Ju, que parecia extremamente contente com nossa visita.

— Sai, Tiffany, é minha vez de dar carinho pra Ju! — ordenou Tiffany, se apressando para pegar Ju no colo e segurá-la como um bebê enquanto falava com voz de bebê com a cachorrinha que começava a se debater em seu colo tentando lambê-la e eu aproveitei para me aproximar para dar atenção à ela também — Oi, Juju, é você que é o amor da minha vida?

— Já chega, Yuri, ela não gostou de ti, bota ela no chão que ela quer meu carinho! — disse Tiffany enquanto mimava Ju no colo de Yuri — Olha a cara dela de desespero te olhando! Tá óbvio que ela não gosta de fazendeiras!

— Taeyeon! — ouvi o chamado de Jessica vindo do quarto e deixando as duas brigando pela atenção de Ju na sala, fui até a porta aberta de seu quarto e me apoiei na esquadria da porta, colocando apenas minha cabeça para dentro do quarto e observando o espaço que era totalmente o estilo de Jessica: cheio de imagens de arte coladas pela parede, arrumado impecavelmente e com uma decoração bem minimalista e, o que mais me chamou a atenção, uma guitarra apoiada em um dos cantos das paredes. Eu não fazia ideia de que Jessica sabia tocar guitarra — Por que você tá só com a cabeça aí, menina? Entra aí! Vem cá ver quais materiais vamos usar.

— Tudo o que tiver aí. — falei adentrando no quarto de Jessica e indo até ela, que já erguia uma sacola amarela enorme muito conhecida por mim. A nossa sacola de materiais — Temos que aproveitar o máximo possível

— Tem um monte de resto de material aqui nessa sacola e mais em uma outra pasta. — explicou me entregando a sacola para pegar a pasta que estava no chão aos seus pés e ao lado de uma folha enorme de depron revestido, que ela logo pegou também — Acha que vamos precisar desse também? Foi o que usamos pra base da nossa última maquete e não cortamos nada.

— Acho que agora não, guarda pra próxima. — decidi — Como é maquete de interiores, não vamos gastar muito e é bom deixar essa folha pra próxima, vai que seja algo maior.

— Tudo bem, leva essa sacola lá pra sala de jantar. — indicou — É só seguir aí pelo corredor. Deixa as coisas lá em cima da mesa, temos bastante espaço lá, vou só procurar mais umas coisas aqui e já vou indo.

— Tudo bem. — concordei, prontamente saindo do quarto para fazer meu caminho ao local indicado, dando de cara com Tiffany e Yuri correndo de um lado para o outro ao redor de Ju no espaço limitado da sala de estar, as duas falando em uma voz tão aguda que chegava a perturbar os ouvidos — Ei, deixem a coitada da Ju em paz, ela tá correndo desse jeito aí porque já tá é com medo de vocês e vamos logo começar a fazer isso ou vou tirar o nome de vocês do grupo.

— Foi a Yuri quem assustou ela com essa cara de Viadinha da Montanha. — caçoou Tiffany, rindo alto ao parar de correr para me acompanhar pelo corredor em direção à sala de jantar.

— Vai te catar, Tiffany! — resmungou Yuri, vindo logo atrás também e se aproximando da sacola assim que a coloquei sobre a mesa, abrindo-a para checar os materiais — Será que vai dar?

— Tem que dar porque é o que temos. — respondi dando de ombros — E ainda tem mais uma pasta que a Jessica vai já trazer.

— Claro que vai dar, é uma maquete só de um cômodo dessa vez. — refletiu Tiffany — É só saber aproveitar bem.

— E aí, acham que vai dar pra fazer com isso? — foi a vez de Jessica falar, surgindo do nada ao nosso lado com a pasta chega de materiais em mãos — Se faltar eu posso comprar hoje à tarde ou perguntar se a Yoona tem algo sobrando por lá...

— Era isso que estávamos vendo agora. — disse Yuri, olhando com um sorriso bobo para Jessica — Mas relaxa, vai dar sim, não é uma maquete tão grande dessa vez e muita coisa a gente vai fazer com papel cartão e ainda sobrou bastante daquela nossa maquete da bicicleta.

— Ótimo, então. Podem se sentar aí, vou só cobrir a mesa com algo pra não arranhar o vidro. — indicou Jessica — E daqui a pouco minha mãe vem trazer nosso almoço. Vocês ainda não estão com fome, né?

— Que nada, relaxa. — tranquilizou Yuri.

— Ah, falando nisso, agora que lembrei! — exclamou Tiffany repentinamente, tirando a mochila que estava apoiada em um dos seus ombros e apoiando-a sobre a cadeira, começando a vasculhar por algo ali dentro — Jessica, posso guardar meu suquinho na sua geladeira?

— Claro, coloca lá. — Jessica deu a permissão, rindo baixinho antes de sumir pelo corredor, provavelmente para pegar algo para cobrir a mesa, ao mesmo tempo em que Tiffany retirou a caixinha de suco da bolsa e saiu praticamente saltitando em direção à geladeira.

A cozinha de Jessica era estilo americana e apenas um balcão a separava da sala de jantar, de modo que conseguíamos ter total visão de quem estava na cozinha e isso nos permitiu observar Tiffany guardar seu suquinho animadamente dentro da geladeira.

— Meu Deus, parece uma criancinha do maternal. — ponderou Yuri enquanto observava Tiffany, rindo alto.

— Mas ela é uma criança, só que da creche ainda! — caçoei e Tiffany nos fuzilou com o olhar. E foi ao olhar para ela que eu notei algo ainda mais curioso sobre o balcão, mas só Jessica poderia me responder o que era.

— Vão pra merda! Pelo menos eu não roubo a toalha de mesa da minha mãe e visto! — retrucou Tiffany, fazendo-nos encará-la confusa e ela logo se explicar — É o que vocês parecem quando usam essas roupas de fazendeiras de vocês!

— Ei, respeita nosso uniforme de sapata! — replicou Yuri, mas ela apenas recebeu um rolar de olhos de Tiffany e o assunto se encerrou por ali com o retorno de Jessica, que de imediato começou a cobrir a mesa com um pano com a nossa ajuda.

— Ei, Jessica. — chamei depois que tudo foi devidamente arrumado — Você tem um rato?

— Não... Por que essa pergunta, doida? — inquiriu me encarando intrigada.

— É que tem um negócio que parece comida de rato ali naquele pote. — indiquei apontando para o pote sobre o balcão.

— Isso é a comida da Ju! — explanou, rindo brevemente — Enfim, pelo o que vamos começar?

— Vamos começar a fazer as paredes, daí começamos a ver os tamanhos dos móveis. — decidi.

Todas concordaram silenciosamente e começamos a separar os materiais reaproveitáveis para começar a modular nossa maquete. O tema da vez era fazermos uma maquete de interiores, de um cômodo que nós deveríamos projetar e tínhamos optado por um quarto, cujo desenho eu tinha feito há semanas seguindo as ideias de Tiffany e Yuri.

Passamos bons minutos ocupadas em nossas tarefas de moldar as paredes e começar a montar o espaço do quarto e assim que começamos a ter ideia do espaço que teríamos, passamos a fazer os móveis e eu estava tão concentrada no que fazia que mal prestava atenção ao que era conversado, até porque a conversa estava sendo bem dispersa também por todas estarem focadas no que faziam.

Porém, nossa atenção foi atraída e desfocada do nosso trabalho com a chegada repentina da mãe de Jessica, o que fez Yuri travar imediatamente ao se apresentar para ela e era notável seu nervosismo de longe, tanto que ela parou tudo o que fazia e ficou um bom tempo apenas encarando o depron em suas mãos enquanto Jessica e a mãe trocavam algumas palavras até a mais velha sair novamente depois de deixar o almoço. E foi só quando as duas sumiram da sala de jantar que Yuri relaxou novamente.

— E aí, gostou da tua sogra? — provoquei encarando Yuri com um sorriso travesso. Eu estava sentada em uma das pontas na mesa, com Tiffany e Yuri ao meu lado, então sussurrar para que apenas a última ouvisse não foi difícil.

— Hein? — inquiriu Yuri me encarando confusa, sua concentração ainda em falta.

— A mãe da Jessica! — explanei — Eu, hein, tá tão nervosa que ficou até bugada de novo.

— Não, é que eu estava pensando aqui nos móveis. — explicou, mas era óbvio que era apenas uma desculpa esfarrapada pela forma dispersa como ela falava.

— Sei. — murmurei rindo baixinho — Daqui a pouco tá pulando ali pela janela de tão nervosa... Sorte sua que ela não vai passar a tarde aqui.

— Gente, vocês já querem comer? — ouvimos a voz de Jessica repentinamente ao mesmo tempo em que ela surgiu pelo corredor novamente — Minha mãe deixou um frango aí e, se já quiserem, eu já esquento o resto da comida.

— Acho que ainda não. — ponderou Yuri, olhando de mim para Tiffany — Eu ainda não estou com vontade, e vocês?

— Eu ainda não. — falei — Quero terminar esse sofá logo.

— Espera só mais um pouco. — concordou Tiffany por fim, fazendo Jessica dar de ombros e sentar-se novamente ao lado de Yuri.

— Quando quiserem é só avisar. — avisou Jessica, voltando a se concentrar na mesinha de canto que fazia.

Voltamos a nos concentrar nos nossos afazeres, com poucas palavras sendo trocadas. Fazer os móveis estava dando um pouco mais de trabalho por termos que fazer tudo em tamanhos reduzidos e com mais delicadeza e era o que estava nos ocupando mais tempo e passamos alguns minutos focadas em silêncio, até que isso foi interrompido.

— Esse frango tá cheirando, né. — foi Tiffany quem comentou repentinamente — Tá dando até fome...

— Eu já estava só esperando você falar isso. — riu Yuri — Sabia que seria a primeira a querer comer. Esfomeada.

— É que eu tô em fase de crescimento, tá? — retrucou Tiffany.

— Só se for pros lados porque em altura tu não cresce mais nem se tomar cinco litros de leite por dia. — argumentou Yuri rindo baixinho e recebendo um olhar fulminante de Tiffany.

— A gente pode comer logo ou não? — indagou Tiffany, olhando suplicante para Jessica — É só deixar a Yuri aí sem comer já que ela tá reclamando tanto.

— Não tô reclamando, tô com fome também! — contestou Yuri — É que eu estava esperando você se pronunciar porque sabia que faria isso e eu estava com vergonha de falar algo.

— Mas é uma ordinária mesmo. — resmungou Tiffany.

— Calma, gente, não precisa se matar. — riu Jessica — Vou colocar a comida pra esquentar.

— Precisa de ajuda? — inquiriu Yuri já se pondo de pé.

— Não precisa, o frango já tá pronto e é só colocar o resto pra esquentar aqui no micro-ondas. — tranquilizou Jessica — Só fica aí sentada mesmo e já chamo pra vocês se servirem, só arrumem a mesa.

— Tudo bem. — disse Yuri dando de ombros e, com nossa ajuda, começando a tirar os materiais de cima da mesa e os deslocando para a outra ponta onde ninguém ocupava, logo voltando a se sentar em seu lugar, olhando fixamente para o nada, claramente com o cérebro bugado de novo.

— Jessica, onde eu lavo minhas mãos? — Tiffany perguntou, erguendo as mãos sujas de cola de isopor e com um sorriso idêntico ao de uma criança que acaba de aprontar.

— Podem lavar aí no banheiro. — indicou Jessica, apontando para a porta ao nosso lado na sala de jantar e que até então ninguém havia entrado — E quando terminarem já podem vir se servir, vou deixar os pratos aqui no balcão.

Concordando silenciosamente, nós três rumamos ao banheiro, Tiffany sendo a primeira tanto por estar mais próxima à porta quanto por ser a mais apressada e depois da higienização das nossas mãos maltratadas com resíduos de materiais da maquete, reunimo-nos de volta à cozinha, onde Jessica já nos aguardava e se servia, sendo seguida por nós.

Jessica foi a primeira a terminar de se servir, cortando os pedaços de frango que queria e se encaminhando calmamente para a mesa, sentando-se ao seu lugar à mesa enquanto Tiffany e eu esperávamos Yuri se servir do frango para que pudéssemos fazer o mesmo.

— Que parte do frango vocês gostam? — perguntou Yuri enquanto lutava para cortar um pedaço comestível do frango para se servir e, aparentemente, nos servir também — Têm alguma preferência?

— Qualquer uma tá bom, só corta logo um pedaço aí que dê pra comer. — disse Tiffany, claramente impaciente para comer logo.

— Calma, tô tentando achar uma parte aqui pra cortar. — argumentou Yuri, espetando o frango com seu garfo e revirando-o por inteiro em busca de algum ponto que pudesse cortar — Isso tá com mais osso do que carne.

— Você que não sabe cortar um frango! — rebateu Tiffany — A Jessica tirou o dela fácil!

— Te controla, esfomeada, tem toda uma técnica aqui e ainda tô fazendo o favor de cortar pra vocês também! — retrucou Yuri.

— Tá é demorando demais, tu nunca cortou um frango na vida? — resmungou Tiffany, batendo os pés impaciente no chão — Anda, me serve logo, vadia!

— Mas tá impossível de cortar! — argumentou Yuri — Vem tentar aqui que eu duvido que você consiga!

— Sai da frente, então. — pediu Tiffany, sendo prontamente atendida por Yuri que abriu espaço para ela e, sem pudor e impaciente, ela agarrou uma das coxas do frango com a mão e, em um movimento rápido a puxou e colocou em seu prato, meneando a cabeça para uma Yuri que a encarava com cara de tacho antes de rumar à mesa.

— Olha, isso foi mais inteligente. — ponderei, segurando o riso diante da expressão atordoada de Yuri enquanto Tiffany já gargalhava alto.

— Não valeu, ela pegou a parte mais fácil! — retorquiu, voltando sua atenção ao frango encantado sobre o balcão à nossa frente — Eu tô te falando, isso aqui tá impossível de cortar e eu estava tentando cortar só as partes com carne... Tenta aí!

— Tá, me dá aí essa faca. — pedi, dando de ombros e pegando a faca da mão de Yuri para tentar cortar algum pedaço comestível daquele frango, mas logo na primeira investida da faca contra a carcaça, vi que não seria uma tarefa tão fácil assim, pois eu atingia mais osso do que carne e tinha conseguido tirar apenas algumas poucas lascas que mal poderiam ser aproveitadas por nós duas — Eu hein, esse frango tá de hack!

— Não é? Eu tô falando que não dá pra cortar! — exclamou Yuri — Isso aí é um frango samurai que veio com armadura!

— Cara, vocês ainda não conseguiram tirar uma parte desse frango? — inquiriu Tiffany em tom debochado e rindo alto — Estão apanhando pra um frango!

— Não é tão fácil assim de cortar, tá? — retruquei, desistindo de tentar cortar alguma parte decente e entreguei a faca de volta para Yuri tentar novamente — Esse frango tá bancando o ninja pra cima da gente!

— Gente, é um frango que tá morto e assado já. — exclamou Tiffany, parando até de comer para começar a rir às nossas custas — Eu hein, ainda bem que não dependemos de vocês duas pra comer, senão morreríamos de fome. Não dava pra vocês serem frangueiras!

— Ser o quê, menina? — inquiriu Yuri, encarando Tiffany intrigada.

— Vender frango! — explanou Tiffany rindo alto — Iam falir e morrer de fome!

— Mas pra vender frango não precisa saber cortar! — retrucou Yuri — E não venderíamos frangos hackers!

— Ela só tá de deboche assim porque pegou a parte mais fácil e agora não tá tendo que cortar aqui. — resmunguei, observando Yuri voltar a lutar contra o frango, mas ainda perdendo vergonhosamente para o divertimento de Tiffany.

— Ai, gente, tô até com dó. — foi a vez de Jessica se pronunciar pela primeira vez naquele tempo inteiro em que só esteve rindo da situação, assim como Tiffany, mas diferente da última, ela levantou-se e veio até nós — Me dá aqui, deixa eu tentar senão vocês duas vão passar a tarde dando facada nesse frango à toa... Parece até que estão praticando pra esfaquear alguém.

— Não, mas tá muito difícil de cortar mesmo. — justificou Yuri ao entregar a faca para Jessica — Tem muito osso aí, venderam frango desnutrido pra tua mãe.

— Relaxa, tem toda uma técnica. — disse Jessica rindo baixinho e repetindo a frase de Yuri. Ela revirou o frango uma vez e quase que de imediato, conseguiu tirar partes inteiras de carne e logo as colocou nos nossos pratos, fazendo-nos encará-la pasmas — Vocês tentam cortar o frango ao contrário também, né, cabeçudas? Iam passar a tarde toda aí mesmo.

— Tá cancelada a carreira de frangueiras de vocês! — caçoou Tiffany — É melhor nunca pensarem em largar a faculdade pra vender frango.

— Cala a boca, Tiffany, você nem tentou cortar e puxou com a mão, o que foi pior! — retrucou Yuri, rolando os olhos e olhando boba para Jessica — E obrigada por ajudar, Sica.

— É, porque se não fosse por você, Jessica, as duas passariam a tarde toda aí. — riu Tiffany, nos observando divertida enquanto nos acomodávamos em nossos lugares já devidamente servidas e me fazendo rolar os olhos ao ver seus olhos sumirem enquanto ela ria, apesar de eu achar aquela visão adoravelmente linda — Misericórdia, nunca vi demorarem tanto só pra cortar um frango, parece até que...

Silêncio. Tiffany tinha se interrompido muito repentinamente e tudo tinha acontecido em uma velocidade tão rápida que tinha sido até difícil acompanhar e processar tudo de imediato.

De um lado, Yuri, Jessica e eu encarávamos Tiffany paralisadas ao vermos a cena que tinha acabado de acontecer bem diante dos nossos olhos enquanto ela arregalava os olhos, jogava os talheres no prato e tapava a boca com as mãos, começando a corar violentamente enquanto ria e tentava ao máximo conter sua gargalhada abafando a boca, mas era quase impossível não ouvir seus risos e logo nós três começamos a acompanha-la ao começar a processar devidamente o que tinha acabado de acontecer.

Tiffany estava falando tão distraidamente enquanto tentava cortar seu própria frango e caçoava de mim e de Yuri que, em um deslize e movimento rápido, ela tinha errado o corte da faca, o que resultou em um pedaço de frango voando pela mesa e arroz se espalhando por todo o lado. Ela ainda tinha tido a cara de pau de tentar disfarçar pegando o pedaço de frango e jogando de volta em seu prato, mas era impossível não percebermos aquela bagunça toda que ela tinha feito, visto que tinha arroz até no chão.

— BEU TEUZ! — berrou Tiffany entre risos e com a voz tão abafada que suas palavras se distorciam.

— VAI FALAR DE MIM DE NOVO! — exaltou-se Yuri, começando a rir alto — Tá aí agora o frango hacker se vingando por mim!

— MEU DEUS, JESSICA, DESCULPA! — exasperou-se Tiffany, lutando para controlar os risos e começando a tentar limpar a bagunça que tinha feito na mesa — Foi mais rápido que eu! Esse frango aqui tá é vivo e querendo voar!

— Agora viu que ele tá de hack? — inquiri entre risos.

— Meu Deus, a Ju! — Jessica exclamou apavorada repentinamente, levantando-se em um rompante e correndo para o lado de Tiffany alarmada, mas se acalmando ao ver que Jujuba não estava ali — Ai, que susto, pensei que ela já estaria aqui catando comida do chão.

— Ai, Jessica, que mico. — murmurou Tiffany — Tem uma pá aí? Eu limpo essa sujeira aqui.

— Não, relaxa, eu limpo aqui no chão, tem que ser rápido antes que a Ju demônio apareça. — tranquilizou — Limpa só a mesa mesmo.

— Nossa, Tiffany, você não sabe mesmo se comportar na casa dos outros, né? — provocou Yuri enquanto Tiffany começava a juntar os restos de arroz da mesa com a mão — Se eu fosse a Jessica já tinha te expulsado.

— Foi um acidente, tá? — retrucou Tiffany começando a rir novamente — E você não pode nem falar nada porque demorou uma hora só pra tentar cortar um frango e ainda foi a Jessica quem teve que ir lá cortar direito!

— É porque esse frango tá... — enquanto falava, Yuri cortava seus pedaços de frango no prato e, repentinamente, a parte que atacava naquele momento deslizou em seu prato, quase causando o mesmo acidente que Tiffany tinha causado poucos minutos antes, o que não passou despercebido por nós duas e logo começamos a rir da expressão embaraçada de Yuri.

— EU VI, TÁ? AGORA VOCÊ TAMBÉM JÁ IA DERRUBAR TUDO! — exclamou Tiffany rindo tanto que voltava a ficar com a face totalmente vermelha — Nem vem falar de mim agora!

— É culpa desse frango voador! — retrucou Yuri, envergonhada e meneando a cabeça enquanto Tiffany e eu riamos descontroladamente.

 

Depois de toda a bagunça devidamente arrumada e de termos terminado de comer sem mais inconveniências, voltamos a nos concentrar em terminar nossa maquete, passando a trabalhar nos móveis que fazíamos em uma escala reduzida e que exigia um pouco mais de delicadeza de nossa parte. Yuri estava empenhada em fazer um vaso de planta para colocar no quarto da maquete, Jessica fazia a mesinha de centro e Tiffany a TV enquanto eu me concentrava em terminar o sofá.

E depois de alguns minutos de paz em que ficamos totalmente concentradas ao que fazíamos, Tiffany quebrou o silêncio repentinamente.

— Jessica, agora que lembrei do meu suquinho na geladeira! — exclamou como uma verdadeira criança — Posso pegar pra tomar?

— Claro, vai lá. — consentiu Jessica rindo baixinho — O suco é teu, doida.

— É, mas é tua geladeira. — replicou Tiffany rindo brevemente e parando o que fazia para ir em direção à geladeira, caminhando animadamente e passando por mim.

Durante todo aquele tempo que se seguiu depois do almoço, Yuri, Jessica e Tiffany estiveram trabalhando à mesa enquanto eu tinha me mudado para o balcão por ter uma iluminação melhor e por Yuri e Tiffany ocuparem muito espaço fazendo suas coisas, então aquele tinha sido o melhor lugar que eu tinha encontrado, além de ter me cansado de ficar sentada.

Sabe quando dizem que quando uma criança está calada demais é porque está aprontando? Então, ele é totalmente verdadeiro e foi naquele momento em que se provou ainda mais verídico, quando o silêncio prevaleceu por um bom tempo desde que Tiffany passou por mim para pegar seu suquinho, mas foi quebrado pela própria e seu tom denunciava alguma presepada sua.

— Ops. — ouvi sua voz à minha direita, vindo da cozinha e ao olhar naquela direção, deparei-me com uma Tiffany com um sorriso amarelo, a caixinha de suquinho erguida ao alto em uma das mãos e a camisa que era rosa bebê com uma mancha enorme em um tom de rosa mais escuro, totalmente molhada, assim como uma parcela do chão aos seus pés — Molhou...

— Misericórdia, Tiffany, de novo? — inquiri caindo na gargalhada ao ver aquela situação, imediatamente chamando a atenção de Yuri e Jessica para nós.

— É que foi um acidente. — disse em uma voz amuada e sorrindo envergonhada.

— O que tá acontecendo? — inquiriu Yuri, aproximando-se do balcão — Meu Deus, Tiffany, tu não sabe mesmo se comportar na casa dos outros, né? Tá pior que criança! Não pode dar as costas por um segundo que já apronta!

— FOI UM ACIDENTE, TÁ? O SUQUINHO TAVA CHEIO DEMAIS! — retrucou indignada, mas logo sorrindo nervosamente ao ver que Jessica já estava ao meu lado observando aquela situação com um sorriso divertido nos lábios e meneando a cabeça — Desculpa, Jessica, dessa vez eu vou limpar!

— Você tá com uma boca furada hoje, hein? — brincou Jessica, rindo brevemente antes de ir até um cantinho da cozinha do lado oposto ao balcão onde eu me escorava e rapidamente puxando dali um pano de chão e indo até onde Tiffany estava ainda parada com o suquinho em mãos — Ainda bem que a Ju nem tá vendo essas coisas senão já estaria aqui lambendo o chão igual uma doida.

— Eu tô me sentindo até envergonhada. — amuou Tiffany, deixando a caixinha de suco sobre o balcão da pia ao seu lado e começando a analisar o próprio estado.

— É pra ficar mesmo. — disse Jessica em tom sério, mas logo começando a rir ao ver o sorriso amarelo de Tiffany — Olha o estado dessa roupa, menina! Tomou um banho, hein?

— Eu sei... Que ódio de mim mesma! — resmungou Tiffany — Como eu vou voltar pra casa desse jeito? Essa roupa não vai secar nunca até lá!

— Relaxa, eu te empresto uma camisa minha, somos praticamente do mesmo tamanho mesmo. — tranquilizou Jessica — Você quer?

— Por favor! — exclamou Tiffany com uma expressão exasperada no rosto e se pondo a seguir Jessica em direção ao quarto da última, deixando Yuri e eu à sós, já mais calmas depois de rir da última presepada de Tiffany.

Como Yuri tinha ido até o balcão para ver o ocorrido na cozinha, tinha também levado consigo os materiais em que trabalhava para fazer o vaso e, consequentemente, voltamos a fazer nossas coisas dividindo aquele espaço enquanto as duas tinham sumido para o quarto, pensamento que me fez rir comigo mesma.

— Nossa, Jessica, você tem tanta roupa que eu amei aqui! — ouvíamos a voz de Tiffany, falando alto como sempre, vinda do quarto — Acho que vou começar a sujar mais roupas quando vier aqui pra sempre emprestar uma nova.

— Ei, Tae, qual a escala de um pra vinte aqui? — inquiriu Yuri repentinamente esticando seu escalímetro para mim, o qual eu peguei e o girei algumas vezes até chegar na escala desejada por Yuri e indicar para ela — Obrigada.

— Nossas duas crushs no quarto. — comentei externando meus pensamentos para Yuri, ainda que não gostasse muito daquela palavra para descrever a situação, tendo o cuidado de falar baixo.

— O quê? — inquiriu Yuri, falando mais alto do que deveria.

— Nossas duas crushs... — explanei, mas ela ainda parecia confusa — Jessica e Tiffany, sua crush e a minha... As duas estão lá no quarto e nós duas aqui. Nossas duas amigas...

— AH! CRUSH! — exclamou, finalmente acordando para a vida, o que quase me fazer tapar sua boca com minhas próprias mãos por ela falar mais alto do que deveria e correr o risco de Jessica e Tiffany ouvirem — Eu entendi outra coisa.

— Do que vocês estão falando? — ouvimos a voz de Tiffany repentinamente e logo ela e Jessica surgiram no corredor, a primeira com um olhar um tanto desconfiado no rosto.

— Ah, nada! — apressou-se Yuri nervosamente — Era sobre... Coxas... Colchas! — ela me olhou com uma expressão desesperada e eu quase bati minha própria cabeça contra a pedra do balcão, tamanha era a vergonha que eu começava a sentir — É... Eu estava aqui falando com a Tae que eu esqueci de tirar a colcha da minha cama hoje.

— Eu, hein, papo estranho. — murmurou Tiffany, olhando desconfiada para nós duas, mas dando de ombros e seguindo em direção ao banheiro — Jessica, posso passar uma água aqui nessa poça da minha camisa?

— Claro. — concordou Jessica enquanto se acomodava novamente em seu lugar à mesa, Yuri fazendo o mesmo logo em seguida e deixando o balcão todo para mim de novo — Depois estende ali na janela da cozinha, tá batendo um sol tão forte ali que é capaz que seque em um minuto.

Assim que saiu do banheiro, Tiffany fez o que lhe foi sugerido e logo voltou a fazer o móvel que fazia antes de toda aquela bagunça que tinha feito, o que nos levou a ficar em silêncio por alguns minutos e nos concentrarmos em nossos afazeres e, nesse meio tempo, eu consegui terminar de fazer o sofá e comecei a fazer o outro criado mudo que ainda faltava.

— Yuri, ainda tá viva? — ouvi a voz de Jessica repentinamente e, ao olhar em sua direção, vi que ela estalava os dedos em frente ao rosto de Yuri ao seu lado, que estava totalmente parada olhando para o nada fixamente, o estilete e um pedaço de depron paralisados em suas mãos suspensas no ar, antes de ter sua atenção chamada por Jessica.

— Ah, foi mal. — desculpou-se Yuri, meneando a cabeça e finalmente se mexendo — É que eu acabei de distraindo aqui pensando em uma coisa.

— Bugou toda. — brinquei — Você tá muito bugada hoje, Yuri.

— Não, é que eu estava pensando aqui se eu tirei meu colchão e estendi no sol antes de sair de casa. — explanou, o que só nos deixou ainda mais confusas.

— O que? Você tirou a calcinha antes de sair de casa? — indagou Tiffany, me fazendo começar a rir tão descontroladamente que eu fui obrigada a parar tudo o que fazia — Por que você fez isso?

— Eu disse colchão! — corrigiu Yuri — Eu estava tentando lembrar se tirei e estendi hoje de manhã!

— Por que ela tiraria a calcinha antes de sair de casa, Tiffany? — questionei entre risos, mal conseguindo falar.

— Sei lá, vai que ela goste de tirar a calcinha antes de sair de casa pra ir pra faculdade, né? — retrucou dando de ombros — Nunca se sabe, não vou julgar se ela gosta de andar por aí sem calcinha.

— Que calcinha o que, menina! — repreendeu Yuri — É colchão! Tá vendo que não ando sem calcinha pra faculdade!

— Meu Deus, que bug tá sendo esse que tá atingindo todo mundo? — inquiriu Jessica rindo alto — É uma parando de funcionar, outra falando de calcinha... Eu, hein.

— Foi o frango voador... — murmurou Yuri, rindo baixinho antes de voltar a fazer o seu trabalho.

— Ok, nunca mais vou pedir pra minha mãe comprar frango nesse lugar que ela foi. — riu Jessica — Mas enfim... Eu estava aqui pensando em uma coisa pra essa maquete. — fez uma pausa e vendo que esperávamos ela prosseguir e contar sua ideia, continuou — E se imprimíssemos umas imagens pra fazer tipo um papel de parede de revestimento? E a gente pode imprimir uma imagem de textura de piso de madeira também.

— Boa! — Yuri aprovou de imediato — Eu estava com a mesma ideia, só estava tentando pensar em como fazer!

— Tem uma impressora no andar aqui de cima, na casa dos meus avós. — disse Jessica — Poderíamos imprimir lá em alguns tamanhos e ver como fica.

— Sim, e é até melhor fazermos logo isso pra revestir tudo antes de começar a grudar tudo e colocar os móveis. — refletiu Yuri.

— E dá pra imprimir uma imagem pra colocar como se fosse uma paisagem na janela também, né? — ponderou Jessica — Pra não deixarmos só esse buraco com acetato transparente aqui.

— Sim! — concordou Yuri empolgada — Vai ficar até melhor do que colocar acetato.

— Perfeito, então, vamos fazer isso agora? — indagou Jessica — Eu até já estava pesquisando aqui umas texturas, mas aí tem que passar pro computador agora pra ajustar no tamanho certo aqui pra não ficar desproporcional... Quem vai subir lá comigo pra me ajudar?

— Eu não vou nem me voluntariar porque não sei nem como faz isso aí. — pronunciou-se Tiffany.

— Eu vou. — voluntariou-se Yuri — Já quer ir?

— É bom, pelo menos já colamos tudo e deixamos tudo pronto só pra colocar os móveis. — analisou Jessica pondo-se de pé e sendo seguida por Yuri.

— Vamos lá. — disse Yuri, deixando os materiais sobre a mesa e animadamente seguindo Jessica pelo corredor para irem executar a missão e assim que elas sumiram de meu campo de visão, ri baixinho comigo mesma. Era notável até em outro planeta o quanto Yuri era doida por Jessica e eu estava feliz por ela ter finalmente tomado coragem para fazer algo à sós com Jessica, ainda que fosse algo relacionado à faculdade.

Com o sumiço das duas, Tiffany e eu ficamos à sós, mas eu estava tão concentrada e frustrada por estar apanhando para um pedaço de papel cartão que não queria colar para fechar na forma do criado mudo que sequer falávamos algo e o recinto se encontrava no mais profundo silêncio e apenas as vozes da minha cabeça praguejavam aquele maldito pedacinho de papel que teimava em não grudar e eu já estava prestes a desistir de fazer aquilo.

Porém, com um pouco mais de persistência, continuei tentando grudar as partes do papel cartão uma na outra para formar o cubo que seria o criado mudo, passando cola mais uma vez no mesmo lugar onde já tinha passado dezenas de vezes e segurando uma parte da outra com força, começando a perder a paciência com aquela maldita peça.

Movida pela raiva que eu estava sentindo daquele cubo, eu fiquei tão concentrada em fazê-lo colar e se fechar que eu até mesmo esqueci da presença de Tiffany ali, tão calada que ela também estava, mas aquilo não durou muito e, para o meu azar – ou felicidade – eu a notei da forma mais torturante possível.

Eu estava apoiada na ponta do balcão, virada para o mesmo, e tão concentrada no que fazia que quase pulei quando senti um par de braços me envolvendo por trás delicadamente e, sabendo que além de mim havia apenas Tiffany ali, logo deduzi que era ela, o que me fez fechar os olhos e prender a respiração por breves segundos ao sentir um arrepio percorrer meu corpo com aquele simples toque. E só com esse simples toque e pelas reações que ele começava a provocar em meu corpo eu já sabia que estava completamente ferrada.

Tiffany me envolveu delicadamente e com muita sutileza me apertou de leve em um abraço extremamente reconfortante e eu desejei com todas as minhas forças poder morar naquele abraço. E tudo se tornou ainda mais torturante para mim quando eu senti seu queixo pousar em meu ombro e sua respiração bater em meu pescoço, seguido de sua voz falando ao pé do meu ouvido.

— O que você tá fazendo, Tae? — perguntou num sussurro que fez meu corpo se arrepiar por inteiro e um choque elétrico percorrê-lo, as famosas borboletas no estômago começando a se fazerem presentes.

— O criado mudo. — falei, a voz meio falha tamanha era a força que eu fazia para me concentrar em falar naquele momento tendo aquela garota grudada em minhas costas — Mas tá ficando uma merda, não tá mais querendo grudar.

— Eu apanhei pra fazer o outro também... Deixa aí, uma hora a cola gruda. — falou rindo soprado e aumentando o aperto do abraço, consequentemente me fazendo ficar ainda mais arrepiada — Você é tão pequena e boa de abraçar, Tae! Não dá vontade de soltar nunca...

— Não precisa soltar, então. — murmurei, um sorriso bobo brotando em meus lábios involuntariamente.

Sem pensar muito, larguei o maldito cubo sobre a bancada e em um movimento rápido e que obrigou Tiffany a afrouxar o aperto e nos desvencilharmos por breves segundos, virei-me de frente para ela, o sorriso ainda insistindo em permanecer em meu rosto e que só se alargou ainda mais ao me deparar com o seu próprio sorriso imenso no rosto, que aumentou gradativamente conforme eu levei meus braços aos seus ombros e ela me envolveu pela cintura novamente.

— Você não se incomoda? — ela perguntou em um sussurro, diminuindo ainda mais a distância entre nós naquele abraço, seu sorriso sumindo aos poucos conforme seu olhar adquiria uma intensidade nunca vista antes por mim enquanto me encarava, seus olhos analisando cada milímetro de meu rosto e se demorando em algum ponto mais abaixo que eu julgava ser minha boca e eu já estava vendo a hora que derreteria ali mesmo e viraria uma poça de Taeyeon no meio da cozinha de Jessica.

— Não. — respondi em um tom ainda mais baixo, intimidada pelo seu olhar sobre mim, mas ao mesmo tempo retribuindo e a analisando da mesma forma, quase perdendo o fôlego.

Eu senti seus braços me puxarem um pouco mais para si e retribui ao contato a envolvendo ainda mais pelos ombros, sem ousar quebrar o nosso contato visual que perdurava por alguns segundos, olho no olho, mas a própria Tiffany o fez ao desviar seu olhar para meus lábios novamente, passando a língua pelos seus próprios e os entreabrindo minimamente. Seu olhar era um mistério para mim e eu não ousava me mexer um milímetro e arriscar estragar aquilo e criar um clima estranho caso desse um passo em falso. Eu queria ver até onde Tiffany iria e quais eram suas intenções.

Parecia ser uma alucinação de tão bom que era, mas eu pude ver que ela se inclinava muito lentamente em minha direção, parecendo tão incerta quanto eu e eu já sentia meu coração quase saindo pela boca e eu suspeitava até que ela pudesse ouvi-lo de tão acelerado que estava, mas todo o encanto da situação foi lamentavelmente interrompido ao ouvirmos uma voz conhecida vinda do corredor, nos obrigando a nos afastar imediatamente e praticamente pulando uma para longe da outra tentando disfarçar a tensão do momento.

— Voltamos pra testar essas paradinhas aqui! — exclamou Yuri, aparecendo com Jessica com corredor. Eu tinha me virado de volta para o balcão e brincando distraidamente com meu cubo falho, enquanto Tiffany revirava distraidamente os materiais da mesa, sem nem saber ao certo o que fazia, o que obviamente não passou despercebido por Yuri, que nos encarou desconfiada — O que tá rolando aqui? Estão com cara de quem estavam aprontando...

— É que vocês demoraram tanto que não tem mais nem o que fazer e agora temos que ficar brincando com material. — apressou-se Tiffany, mas aquilo obviamente não convenceu Yuri que semicerrou os olhos ainda mais — Mas cadê? Mostra aí como ficaram esses papéis e vamos logo colar aqui pra deixarmos logo as paredes todas coladas, daqui a pouco já temos que ir antes que fique muito tarde e perigoso.

— Tudo bem... — murmurou Yuri, colocando as folhas com os papéis impressos sobre a mesa, reversando o olhar entre nós duas. Eu apenas dei um sorriso amarelo para ela e, desistindo de insistir naquele cubo, o levei da mesma forma para a mesa junto com os outros móveis já prontos.

Depois disso, não nos demoramos muito e nem jogamos muita conversa fora. Eu ainda estava totalmente dispersa e pensativa com o que tinha acontecido momentos antes da volta de Yuri e Jessica e podia ver que algo também incomodava Tiffany, pois ela estava extremamente calada e focada em terminar aquilo o mais rápido possível, o que era estranho, pois se tratava de Tiffany Hwang, o ser mais tagarela do planeta.

E aquilo obviamente não passou despercebido por Yuri, apesar de ter passado batido por Jessica.

— O que rolou enquanto estávamos imprimindo as coisas? — questionou Yuri, falando baixinho para mim enquanto arrumávamos os nossos materiais depois de decidirmos encerrar o trabalho daquele dia e Tiffany tinha ido ao banheiro.

— Nada, por que a pergunta? — inquiri me fazendo de desentendida e dando de ombros.

— Porque você e a Tiffany estão meio estranhas... A Tiffany principalmente! — explanou — Ela estava falando muito pouco!

— Mas não aconteceu nada. — falei dando de ombros e com desdém — Deve ser o cansaço de termos passado o dia todo fazendo isso.

— É, pode ser. — murmurou Yuri, dando de ombros, mas estava claro que ela não tinha se convencido, mas também não iria mais pressionar.

Não nos demoramos muito depois disso e, assim que terminamos de arrumar toda a bagunça que tínhamos feito, admirar nossa maquete quase pronta e guardarmos nossos próprios materiais, despedimo-nos de Jessica, combinando de nos reunirmos novamente no dia seguinte para terminar tudo o que faltava e juntas começamos a fazer nosso caminho apressadamente para o terminal de ônibus próximo à casa dela. Ainda era fim de tarde, mas por mais que o sol ainda estivesse presente no céu, não podíamos arriscar demorar muito por ali, afinal, era uma área perigosa e muito conhecida por assaltos no comecinho da noite.

E foi durante esse nosso curto percurso da casa de Jessica ao terminal que Yuri soltou a bomba sobre nós.

— Gente, vocês nem sabem o que eu descobri. — começou com uma voz amuada e sem esperar nossas respostas, prosseguiu — A Jessica tá namorando.

— O QUE? — berrou Tiffany, alarmada — COMO ASSIM? DO NADA? YURI, NÃO!

— É, não mesmo, é o fim do mundo! — resmungou chorosa — É com aquele cara que a Yoona comentou... Tyler, se não me engano, algo assim, eu a ouvi comentar com a avó dela. Eu tô arrasada! Eu estava ali sorrindo, mas por dentro chorando!

— Isso não pode ser verdade! — exclamei tão exasperada quanto Yuri — Meu shipp, cara, vocês estão estragando meu shipp! Como que ela começou a namorar com esse garoto do nada? Aposto que ele não deve ser nada na tua frente!

— Eu não sei, mas aconteceu, né? — murmurou Yuri desanimada — Não tem jeito, eu já perdi... Que chances eu vou ter contra ele que já conseguiu conquistar a Jessica?

— Ai, amiga, não fica assim! — exclamou Tiffany — Você não pode desistir ainda! Você só tem que fazer a Jessica enxergar o mulherão que você é pra ela se tocar e largar esse feio!

— Não dá, eu já desisti. — disse Yuri amuada — Eu demorei demais e agora perdi, não posso fazer mais nada... E se ela está com ele, é porque deve estar gostando dele, né? É óbvio que ela não vai largá-lo assim por mim.

— Ou talvez ela não goste e está com ele só por estar. — ponderou Tiffany — Nós não sabemos, mas você também não pode ficar se rebaixando assim!

— É complicado, né? Não sabemos direito como é a relação desses dois e nem como começou. — refleti — Mas a Tiffany está certa, Yuri, você não pode ficar se diminuindo agora por causa disso, talvez esse namoro nem dure e a Jessica está com ele só por estar mesmo. Não dá pra descartar essas possibilidades quando não sabemos direito o que rola entre os dois.

— Eu não sei... — murmurou Yuri cabisbaixa. Finalmente havíamos chegado ao terminal onde pegaríamos os nossos ônibus e era ali onde nos separaríamos — Mas eu não quero mais falar e nem pensar nisso por hoje, já tô triste demais e ficar pensando ainda mais vai me deixar ainda pior... Enfim, onde vocês vão pegar os ônibus de vocês?

— Menina, eu nem sei, eu nunca peguei ônibus aqui. — confessou Tiffany olhando de um lado para o outro — Eu sei que o meu passa por aqui, só não sei onde para.

— É só ir vendo nessas placas que tem os números dos ônibus. O seu passa ali do outro lado da plataforma se não me engano. — explanou Yuri — E você, Tae? Onde você pega o seu?

— O meu nem por aqui passa. — confessei rindo nervosamente — Vocês sabem que eu moro do outro lado da cidade e que pra chegar em casa eu tenho que pegar dois ônibus, um helicóptero, uma balsa, pagar pedágio aos índios e ainda andar de cavalo por um quilômetro, né? Meu ônibus só passa lá na frente daquele shopping de frente pra faculdade... Até tem um que passa por aqui e vai pra minha casa, mas todo dia tem notícia de assalto nele e eu que não entro nele sozinha.

— Exagerada. — riu Yuri — E como você vai voltar pra casa?

— Eu estava pensando em pegar ônibus com uma de vocês e descer lá na parada do shopping e pegar outro. — falei olhando para as duas — Só não sei com qual.

— Vem comigo! — pediu Yuri — O meu passa lá na frente!

— O meu também passa. — argumentou Tiffany — Vem comigo, Tae, eu tô toda perdida aqui nesse terminal e você não vai me deixar ir sozinha, né?

As duas me encaravam com olhares cheios de expectativa pela resposta e, reversando o meu olhar entre as duas, ri brevemente e meneei a cabeça. Não foi tão difícil chegar à minha decisão, especialmente por ter certo olhar pidão me encarando.

— Desculpa, Yuri, vou ter que ir com ela. — falei recebendo um olhar indignado de Yuri — A Tiffany vai se perder se for sozinha e você é uma sapata muito intimidadora, ninguém vai mexer com você porque você já é do pedaço, já deu até seu celular pra assaltante e ficou com um V3 de tão amiga que é.

— Vocês são duas ordinárias, se merecem mesmo. — resmungou balançando a cabeça negativamente e rindo baixinho antes de nos abraçar — Mas tudo bem, podem ir e tomem cuidado.

— Você também, cuidado com o seu celular ultramoderno aí! — caçoou Tiffany, rindo alto antes de entrelaçar nossos braços para começarmos a andar para o outro lado do terminal, onde pegaríamos o ônibus juntas e nos pusemos a andar observando os números nas placas indicativas — Não acredito que a Jessica tá mesmo namorando.

— Nem eu... Eu sabia que tinha essa possibilidade quando a Yoona me contou, mas não sabia que era mesmo possível. — refleti — Espero que a Yuri não desista de vez, ela gosta tanto da Jessica. Se bem que no lugar dela eu também desistiria, então...

— Eu ainda espero que não. — comentou — A Yuri só precisa de um pouquinho mais de confiança.

— O que obviamente ainda está faltando muito. — falei rindo brevemente — Mas não estou em posição de falar algo porque também sou igual ela, talvez até pior.

— Não deveria ser. — murmurou, me lançando um olhar atravessado e sorrindo de lado, mas logo o assunto foi desviado ao encontrarmos a placa que procurávamos.

— É aqui que o ônibus para. — indiquei apontando para a placa, parando de andar e fazendo Tiffany fazer o mesmo, sem desfazer o enlace de nossos braços — Se eu não estivesse junto você teria passado direto, né?

— Provavelmente, eu nem estava prestando atenção. — confessou rindo brevemente.

— Sorte a sua, então. — murmurei dando de ombros e recebendo um rolar de olhos de Tiffany.

Para nosso alívio, o ônibus de Tiffany não demorou a vir e tivemos ainda mais sorte ao encontrá-lo praticamente vazio e com dois lugares disponíveis lado a lado, onde imediatamente nos sentamos.

O trajeto até onde eu desceria não era longo, mas por conta do trânsito do horário, foi um pouco mais demorado que o normal e durante quase todo o caminho, Tiffany foi dormindo com a cabeça recostada em meu ombro, o que me fez passar bons minutos apenas admirando sua beleza com o sorriso mais bobo do universo e eu me peguei desejando poder acompanhá-la por todo o caminho até sua casa apenas para ter a honra de contemplar aquela visão do ser mais angelical do mundo dormindo, mas infelizmente, as coisas não eram como eu queria e, mais cedo do que eu gostaria, precisei me despedir de Tiffany, lamentando fortemente ter que acordá-la ao chegar próxima à minha parada, mas não sem antes depositar um beijo casto em sua testa e receber em troca o sorriso mais lindo do universo acompanhado do olhar mais doce já direcionado à mim em toda a minha vida.

E ao final daquele dia, eu tive a certeza do que eu mais temia: eu estava completamente ferrada e lamentosamente me apaixonando por Tiffany.



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