1. Spirit Fanfics >
  2. Fall. >
  3. Mudanças

História Fall. - Capítulo 16


Escrita por:


Notas do Autor


Oie gente, tudo bem?
Chegou o capítulo de sexta! E atenção: mais tarde tem mais um!! Oba!

Boa leitura!

Capítulo 16 - Mudanças


08 DE JANEIRO DE 1999

Hermione estava finalmente feliz e o inverno nunca pareceu tão acolhedor. Naquela sexta-feira havia combinado com Narcisa e Draco um jantar no seu chalé em Hogsmeade, como uma forma de agradecer à mais velha pelos cuidados no final de ano, além de celebrar a grande melhora que ela apresentou, então tudo teria de ser perfeito.

Passou a maior parte do dia limpando e organizando cada pedacinho do seu charmoso lar, sorrindo satisfeita ao ver tudo brilhando pela luz do sol que entrava tímida pelas janelas. O grande desafio agora era decidir o que vestir. Hermione ria nervosa ao analisar seus sentimentos, e sonhava acordada encarando o teto do seu quarto, admirando em pensamento todos os detalhes de Draco, que sabia de cor e salteado. Os olhos de tempestade com brilho de chuva, o rosto que não mais escondia tanto os sentimentos, Draco era extremamente expressivo. A mãos grandes e os dedos finos que entrelaçavam nos seus como um abraço, tudo nele era como um livro, e Hermione era uma mulher ávida por leitura. Decidiu que vestiria verde naquela noite.

Ela era uma mulher que prezava pela organização, ainda mais em ocasiões como aquela. Havia gastado tempo demais procurando pela pulseira que ganhou da mãe como presente de aniversário dois anos atrás, e tinha absoluta certeza de que o anel de Draco havia rolado para algum lugar embaixo da cama que ela não conseguia alcançar. Desistindo dos itens, procurou por outras joias discretas para aquela noite.

Já com a mesa de jantar impecável, Hermione percebeu na sala o brilho verde característico na lareira, avistando Draco vestido com seu habitual paletó. Ele sorriu ao vê-la se aproximar.

- Verde, Grifinória? – Ele brincou, se referindo ao vestido que ela usava.

- Bem, agora o Sonserino me deve algo vermelho. – Ela entrou na brincadeira, beijando os lábios dele com delicadeza.

Logo em seguida, Narcisa também surgiu das chamas intensas atrás dos dois.

- Boa noite, minha querida. – Disse a mais velha, oferecendo um sorriso discreto para Hermione.

- Boa noite Sra... – Narcisa apertou o olhar na direção de Hermione – Narcisa. – A castanha completou, ainda desacostumada a esta forma de tratamento.

Hermione os direcionou para a mesa de jantar, indicando para que se sentassem, recebendo em um gesto de cavalheirismo o auxilio de Draco para puxar sua cadeira.

- Espero que estejam com fome. – Ela disse, depois de olhar agradecida ao namorado pelo gesto, que fez o mesmo para Narcisa – Eu não tinha certeza do que gostariam de jantar, então preparei dois pratos principais.

- Por Merlin, vamos sair daqui alimentados para uma semana inteira. – Narcisa disse, passando os olhos por cada item da mesa – Tenho certeza de que está tudo delicioso.

Hermione sorriu satisfeita, agradecendo o voto de confiança. Após se servirem e deliciarem o primeiro pedaço de peixe grelhado com batatas douradas, Draco e Narcisa suspiraram ao sabor.

- Está realmente muito bom. – Draco elogiou, e a mãe assentiu em concordância logo em seguida.

O jantar correu tranquilamente e Draco ajudou Hermione a trazer para a mesa um lindo e decorado bolo de chocolate com caramelos.

- Me diga, querida. – Narcisa começou – Hogsmeade é um pouco... Afastado, não acha?

- Bem... um pouco. Foi na verdade o único lugar que pensei que estaria... – Ela hesitou por um momento.

- Você não precisa falar disso se não quiser. – Draco a consolou.

- Me desculpe, foi indelicado da minha parte, não é? – Narcisa se preocupou.

- Não, de maneira nenhuma, está tudo bem. – A castanha sorriu para ambos – Eu tive um relacionamento difícil no passado, e ele começou a me cercar. Aqui, junto dos feitiços ilusórios, é onde posso ficar segura de alguma forma.

Hermione percebeu a mão elegante tocar a sua, recebendo um gesto de carinho vindo de Narcisa como compreensão.

- Sabe que estamos aqui se precisar de qualquer coisa, não é? – A mais velha completou.

- Obrigada. Isso significa muito para mim. – O brilho nos olhos de Hermione denunciou como ficou emocionada com as palavras de Narcisa.

Draco observou a cena enquanto servia a si mesmo um pedaço do bolo, e sentindo o coração aquecer, pensou pela primeira vez no futuro.

- Bem, que tal uma notícia de última hora? – Ele anunciou, vendo as duas mulheres olharem para ele curiosas – Eu decidi uma coisa...

Draco fez uma pausa, permitindo um clima de suspense no ar.

- O que? – Narcisa perguntou.

- Eu falei para Hermione que estive interessado em alguns assuntos acadêmicos que ela me apresentou. – Ele pigarreou, preferindo não revelar absolutamente tudo para Narcisa agora, e a castanha entendeu o sinal – Então, decidi voltar para Hogwarts este ano. – Draco olhou nos olhos de Hermione, encarando a surpresa que ela demonstrava – Com você.

- Filho... É verdade? – Foi a vez de Narcisa externar sua felicidade.

- Sim.

- Isso é maravilhoso! Oh Draco, estou tão feliz por você! – Ela levou as mãos ao rosto, afastando uma lágrima de emoção.

Hermione se sentiu completa, enquanto deixava sua feição transparecer como estava orgulhosa da coragem do namorado em finalizar os estudos. E ali percebeu que era com ele que queria reescrever sua história.

11 DE JANEIRO DE 1999

Helena estava em sua mesa finalizando o relatório do caso Richmond que deveria apresentar à Harry naquela tarde. Enquanto escrevia não conseguiu deixar de pensar em Rony. O namorado estava distante desde o final do ano, desatento, e por diversas vezes desmarcou compromissos com ela. Ela não sabia o que estava acontecendo, imaginou que talvez a situação na festa de Natal tenha sido demais para ele lidar.

Era inevitável sentir raiva dos amigos do namorado, do próprio chefe, de quem Helena ouvia apenas ótimas recomendações, além da história de ter derrotado o maior bruxo das trevas. Como não percebiam o mal que ele causava ao melhor amigo apoiando o romance absurdo de Hermione e o amante?

Enquanto tentava não se deixar levar pela ira da situação, uma voz conhecida a chamou.

- Bom dia, linda. – Rony falou, com um sorriso tranquilo nos lábios.

- Meu amor! Você só chegou agora? – Helena perguntou, tentando ser discreta, abaixando um pouco o tom de voz.

- Venha comigo, tenho algo para você.

Rony tomou a frente, enquanto a morena o seguia. Passaram por diversas mesas de aurores distraídos com seus afazeres, até chegarem à sala do ruivo que ficava ao lado da sala de Harry.

- Bom dia, Betty. – Helena cumprimentou a secretária do namorado, uma senhora que sorriu cordial.

- Entre. – Rony indicou, abrindo a porta dando espaço para Helena passar.

Sozinhos na sala ampla e organizada, Rony deu um beijo apaixonado em Helena, fazendo-a suspirar.

- Desculpe ter me atrasado hoje de novo. Mas isso é para você. – Rony estendeu à ela uma caixa em veludo azul de tamanho médio.

- Oh, querido! Não era necessário. – Ela o abraçou com o presente em mãos.

- Abra! Veja se gosta. – Ele tinha expectativa nos olhos azuis cristalinos.

Com cautela a morena abriu o objeto, revelando uma lindíssima joia, uma pulseira delicada com pingentes prateados cuidadosamente colocados junto a um coração.

- Rony...

- Então? Gostou? Acabei de compra-la para você! – Ele tinha um sorriso ansioso.

- Eu amei! Ela é linda! Obrigada!

- Venha, deixe-me coloca-la em você.

Helena estendeu o braço direito, observando o namorado lutar contra o pequeno fecho.

- Pronto. Ficou maravilhoso. – Ele elogiou a namorada, recebendo um novo beijo cheio de gratidão e amor.

As mãos grandes dele seguravam com força a cintura fina e bem desenhada da mulher, enquanto ela passava as suas pelos cabelos do namorado, respirando pesado ao toque dele.

Estavam imersos um no outro, quando o barulho da porta abrindo os despertou.

- Helena, Rony! – Era Harry, corando um pouco por ter flagrado o momento quase íntimo demais dos dois.

- Sr. Potter, quer dizer, Harry! – Helena tentava se recompor, arrumando os cabelos rapidamente.

- Isso é realmente necessário? – O moreno repreendeu em tom ameno, e se dirigiu à Rony – Na sua sala?

- Ora Harry, acontece... Sentimos muito. – Respondeu o ruivo, tentando esconder o sorriso – Mas você deveria ter batido.  

- Cale a boca, Ron. – Harry balançava a cabeça em negativa, enquanto o ruivo já não escondia uma gargalhada – Vocês tomem cuidado! Ainda bem que sou só eu.

- Já disse que sentimos muito. – Rony insistiu.

- Deve realmente sentir! E está chegando atrasado de novo. – Harry repreendeu.

Rony suspirou derrotado, e Helena tomou a frente.

- Foi minha culpa, Harry.

O casal trocou olhares antes que a mulher continuasse.

- Temos nos visto com frequência, e o Rony acabou perdendo a hora.

- Todos estes dias? – Harry pareceu desconfiado.

- Sim... Todos. Todos esses dias. Ele tem ficado comigo, em minha casa, alguns dias da semana, então nos atrasamos.

Harry desviava o olhar de um para o outro, tentando achar alguma brecha de que aquilo fosse mentira.

- Está bem... Espero que entendam que certas atitudes não podem se repetir com tanta frequência.

- Não se preocupe Harry. Da próxima vez eu tranco a porta. – O ruivo respondeu, zombeteiro.

- Isso é muito engraçado, Rony. – Harry soou sarcástico, fazendo Rony rir novamente – Espero vocês dois em algumas horas na sala de reunião.

Harry saiu da sala, deixando o casal à sós. Rony se apoiou em sua mesa, segurando a mão da namorada.

- Obrigada por ficar ao meu lado.

- Sempre. – Ela respondeu carinhosa – Mas vou querer saber o real motivo de andar tão atrasado.

- Não é nada demais, eu acabo perdendo a hora, estive muito cansado estes dias.

- É, esteve mesmo... – Ela abaixou o olhar, recebendo um carinho no rosto em seguida.

- Ei... Sei que estive um pouco longe, por isso te comprei este presente, é um pedido de desculpas.

Ele segurou na cintura dela mais uma vez, aproximando seus corpos e respirando fundo o perfume dela.

- Está desculpado. – Ela sorriu alegre, e deu um beijo na bochecha do namorado, que fez sua boca pinicar pela barba por fazer.

Até a hora marcada para a reunião, Helena finalizou o relatório e encontrou com Rony às escondidas em alguns corredores mais afastados, além de almoçarem juntos. Quando o relógio sinalizou às 13h50, a mulher se preparou e tomou o caminho para a reunião. Foi a segunda a chegar, encontrando Harry.

- Pontual. – Ele sorriu ao encontra-la, que apenas sorriu de volta.

Foi o tempo de ela se acomodar à mesa, que logo entraram Rony, Henry e Ethan, os dois últimos sendo aurores mais velhos.  

- Boa tarde à todos. – Harry começou, tomando a cadeira da ponta para se sentar – Os chamei aqui para discutirmos o caso Richmond. Todos vocês receberam algum tipo de queixa sobre encontros de bruxos das Trevas no bairro, e Helena ficou de vigia nos últimos dias. Pode nos dizer o que encontrou?

- Nenhum movimento, em nenhum dos horários descritos pelas testemunhas. Elas inclusive se recusaram comentar o caso, o que é muito estranho.

- Verdade, eu procurei as que me contataram e não quiseram falar sobre isso. – Foi a vez de Henry comentar.

- O mesmo comigo. – Ethan concluiu.

- Talvez estejam sendo ameaçadas. Os comensais ainda botam medo nas pessoas. – Rony interviu.

- É uma possibilidade. – Harry ponderou – Mas não posso mais adiar os outros assuntos. Helena fez um trabalho excelente onde a colocamos até agora, então precisamos dela em outros lugares. Estou encerrando este caso.

Harry estendeu a mão para alcançar o relatório da mulher, e dos outros dois homens.

- Espere. Você realmente acha que é o melhor a fazer agora? Estas pessoas podem estar em perigo! – O ruivo protestou.

- Ron, não temos nada além de depoimentos que não são todos consistentes.

- Isso é absurdo, não podemos dar para trás agora, eles podem atacar! – Rony começou a se exaltar.

- Eles quem, Ron? – Harry perguntou, sem aumentar o tom – Não temos um rosto, um nome, nada. Temos que esperar para termos mais provas de qualquer coisa.

- Eu realmente não concordo com isso Harry, é muito arriscado.

Os demais observavam o debate dos dois chefes, sem interferir.

- Não, não é arriscado, é sensato, Ron. Temos que esperar.

- Você enlouqueceu! – Ele gritou.

- Eu tomo as decisões aqui. – Harry se levantou da mesa – Fizemos tudo que estava a nosso alcance para investigar, e é isso, não achamos nada! Não há o que fazer.

Rony saiu da sala com passos pesados, e Harry se sentou novamente, fechando os olhos e passando a mão pelo rosto cansado.

- Estão dispensados.

Os três restantes e assustados na sala saíram sem fazer barulho. Harry ficou por mais um tempo sozinho no grande espaço. Ainda não sabia o que era, mas algo em Rony não parecia bem.

*

Naquele dia Narcisa se sentia um pouco mais disposta. Foi confortável sua primeira experiência com um “medi-trouxa”, como ela chamava, então aceitou voltar naquela semana. A sala bem iluminada estava gelada. Narcisa tinha o olhar perdido através da grande janela à sua direita. Já passava dos 10 minutos sem dizer uma palavra.

- Você acredita em arrependimento? – Ela perguntou sem desviar o olhar da vidraça.

- Sim. E você? – Devolveu o terapeuta.

- Sim...

Mais um minuto se passou, e pausadamente ele perguntou:

- Do que você se arrepende?

- Não acredito que consigo encontrar um número para isso.

- E um tamanho?

Narcisa pensou por um tempo antes de responder.

- Talvez.

- Está bem... Qual seu maior arrependimento?

- Abandonar Andrômeda. – Ela respondeu sem titubear – Minha irmã. – Ela olhou para ele pela primeira vez. E também pela primeira vez falava o nome dela em voz alta – Minha família. – Sussurrou.

Williams se manteve em silêncio, e com o olhar mostrou para Narcisa que estava ali.

- Ela casou com um de vocês, trouxa. – Continuou – Sem querer ofender.

- Não ofendeu.

- Perdeu uma filha. Um marido. A família inteira. Nenhum de nós aceitou esse casamento, é claro. Mas Bella... Bellatrix fazer o que fez. – Algumas lágrimas discretas e pesadas desceram pela face da mulher – Se eu estivesse lá para ela...

Ele ofereceu uma caixinha de lenços que mantinha na mesa de centro, e assistiu Narcisa pegar o objeto, num agradecimento silencioso.

- O que faria se estivesse?

- Alguma coisa... Qualquer coisa.

- Gostaria de dizer algo para ela?

- Sim.

- Bem, vamos tentar esse exercício então. – Ele arrumou a postura no sofá, se aproximando um pouco mais na direção de Narcisa – Digamos que eu sou Andrômeda, o que diria?

- Ora, o Sr. está exagerando agora. – Ela disse, enxugando mais algumas lágrimas.

- Apenas tente.

Narcisa respirou fundo e olhou nos olhos escondidos pelo óculos, profundamente. Imaginou a irmã, o sofrimento que ela passou, as lágrimas que derramou, e o grito engasgado de dor a cada perda. Logo aquela velha ferida deu sinal, rasgando com força o peito magoado de Narcisa, que agora já não continha o choro. Em poucos minutos ela clamou num suspiro:

- Eu sinto muito, muito mesmo. 


Notas Finais


Narcisa buscando curar as feridas.. Nunca é fácil, né? :(
E o casal favorito pensando num futuro bem juntinhos *-* eeeê coisa boa!
Os surtos de raiva do Rony gente, como assim meu filho?!

É isso gente, logo logo chega mais um, ok?
Beijos!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...