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História Fall In Love With JungKook - Capítulo 19


Escrita por:


Notas do Autor


I'm back, people!!

Bem, hoje volto com um capítulo mais descontraído. Eis o motivo: Bloqueio criativo. Tive um bloqueio criativo de quase duas semanas e decidi que o melhor seria abrandar um pouco a seriedade e fazer algo mais descontraído para relaxar um pouco antes de bombardear com novos acontecimentos. Além disso, tenho de desenvolver mais as coisas importantes (casal). KKKK
Mas agora falando mais a sério, espero realmente que gostem do capítulo. Custou-me imenso escrevê-lo por causa desse bloqueio, até vontade de chorar eu tive KKK (o que a quarentena não faz ao psicológico de uma pessoa).

Para quem não me conhece, eu sou portuguesa. Com esta informação pretendo desresponsabilizar-me do facto de a escrita de Portugal ser diferente da escrita brasileira. Algumas palavras poderão ser escritas de forma diferente ou mal interpretadas, já que têm significados diferentes em cada país, por isso, qualquer dúvida podem perguntar-me. (Alguns exemplos: Raparigas = Garotas; Gozar = Zoar; Telemóvel = Celular; Faixa de pedestres = Passadeira).
Espero que gostem <3
Boa leitura ~

Capítulo 19 - Cockblock


 

O meu peito pesava muito devido a todo o pânico a que as minhas colegas me submeteram. Fazia-me confusão que a mesma situação se tivesse repetido, já que, quando era adolescente, os meus colegas decidiram que seria uma ótima ideia prender-me numa despensa.

– Aquelas filhas da puta mereciam ter apanhado mais.

A ByungRa contava-me o sucedido, completamente revoltada com as raparigas em questão. Enquanto isso eu tentava não demonstrar o quão magoada estava por terem tido atitudes tão infantis e cruéis para comigo.

– Foi bem gratuito mesmo. – Deixei escapar, soltando um sorriso forçado.

– Podes ter a certeza que essa Iseul e o seu rebanho estão marcadas. Mais uma e vão ver com quem se meteram. – Disse a minha amiga, vestindo o seu pijama com alguma agressividade.

A minha companheira era uma pessoa muito protetora, principalmente se envolvia situações que mexiam com os meus traumas. Somente ela sabia o que eu tinha passado. Apesar de não saber a história toda, ela sabia o essencial, o que lhe bastava para ter esse instinto protetor.

Ainda me sentia ligeiramente enjoada e com vontade de chorar. Eram muitas emoções com as quais eu não conseguia lidar. As memórias que eu revivia eram extremamente dolorosas para conseguir aguentar-me firme num momento daqueles.

Merda. – Resmungou a Byung, parecendo preocupada. – Acho que o JungKook ficou com o teu caderno.

– Vou buscar.

Levantei-me do chão, aconchegando o meu irmão antes de me ir embora. O rapaz dormia pacificamente, não sabendo de nada. Caminhei para fora da tenda e fui até à do Jeon, tentando mostrar um sorriso para não o deixar preocupado.

O cantor havia sido muito prestativo comigo. Lidou com toda a situação com calma e ajudou-me assim que percebeu o que estava a acontecer. Não haviam palavras que eu pudesse usar para descrever o quão agradecida eu estava. Ele provava-me a cada dia que realmente era uma pessoa decente e isso deixava-me aliviada, talvez desta vez desse certo e teria um amigo verdadeiro.

Cheguei perto da sua tenda e entrei após ver que esta estava aberta e que ele não estava no meio de nenhum tipo de intimidade.

– Desculpa entrar assim. – Disse eu.

O rapaz assustou-se com a minha presença, rindo de nervoso.

– Tudo bem. – Disse ele. – O que se passa?

– A ByungRa disse que tinhas o meu...

Pausei a minha fala ao reparar que nas suas mãos estava o objeto que eu queria de volta. Aberto, o caderno estava aberto.

– Caderno.

Assim que completei o que dizia arranquei-lhe o objeto das mãos, completamente irritada. Como é que ele podia achar-se no direito de ler aquilo que eu sempre lhe disse que ninguém tinha conhecimento?

– Vocês acham que isto é do povo? – Perguntei, tentando guardar o choro que insistia em aparecer. – Agora toda a gente da escola vai tentar ler esta merda?

– NaNa, não é o que estás a pensar. – Ele ajeitou-se, virando-se completamente para mim, assustado. – Eu apenas...

– Tu apenas desrespeitaste-me ao ler isto sem a minha permissão, Jeon. – Interrompi-o.

Sempre lhe dissera que aquele caderno era precioso e tinha informações que ninguém tinha conhecimento e, mesmo assim, não foi suficiente para ele ter a decência de se meter na própria vida. Não me cabia na cabeça que ele, como meu amigo, ultrapassasse os limites daquela maneira mais uma vez.

Eu sabia perfeitamente que aquilo não estaria na sua posse se não fosse aquele trio idiota, porém, sabia também que o seu caráter o impediria de invadir a minha privacidade se ele realmente tivesse algum.

– Eu sei e eu realmente peço desculpa por isso.

Não aguentava continuar a olhar para a cara dele depois daquela falta de respeito, então levantei-me e saí a passos rápidos da tenta. Naquele momento ser-me-ia extremamente complicado compreender o que quer que ele dissesse.

– Espera!  

Ouvi-o gritar de dentro da tenda, e os seus passos rápidos fizeram-no escorregar e cair, segurando a minha mão. Parei de andar e encarei-o, observando este a levantar-se rapidamente. O Jeon encarava-me com atenção, os seus olhos vidrados nos meus, como se não existisse mais nada e nem ninguém além de nós os dois.

– Desculpa. – Começou. – Eu sei que esse caderno é uma das coisas que tens de mais preciosas na tua vida e eu ultrapassei todos os limites ao ler sem a tua permissão.

– Certo, acho que os dois já percebemos isso. – Respondi, num tom ríspido. – Não muda nada.

– Não vou negar e dizer que não tive curiosidade porque todos sabemos que eu tive. – Continuou, sem tirar o seu olhar do meu rosto. – Tive muita curiosidade e isso talvez foi o que mais te ofendeu, por ser algo tão estúpido.

– E é. – Concordei. – Fazeres isso por uma curiosidade aleatória que podias guardar, foi estupidez tua e egoísmo.

– No entanto, eu queria saber também com o que estava a lidar, Kim. – Prosseguiu, captando alguma da minha atenção. – Não tinha qualquer conhecimento sobre o que estava a presenciar em concreto.

A minha frustração era enorme e tornava-se cada vez mais difícil de impedir que as lágrimas escorregassem pelas minhas bochechas. Eram assuntos delicados e sentir que invadiram e destruíram as barreiras que eu construí deixava-me destroçada, perdida, sozinha e, principalmente, com medo.

O rapaz aproximou-se mais de mim, segurando a minha face com uma mão e acariciando uma bochecha para retirar uma lágrima que lá estava.

– Tu tinhas de esperar que eu te dissesse alguma coisa. – Concluí, num tom baixo.

– Tens toda a razão. – Concordou ele. – Mas agora eu sei como e quando te ajudar.

– Ninguém sabe como me ajudar. Não é por agora saberes o que eu passei que vai tudo desaparecer.

– Eu não disse que faria desaparecer, isso leva tempo e só tudo podes resolver os teus problemas internos. – As suas palavras eram sérias e sinceras. – Mas agora não tens só a ByungRa para te apoiar, tens outra pessoa que te compreende e pode tentar prevenir situações como aquela.

Não conseguia falar. Não havia nada que eu conseguisse dizer, pois eu sabia que ele tinha razão e que as suas intenções não foram más quando fez o que fez. Porém, era quase impossível sentir-me bem quando algo assim acontecia.

O seu toque no meu rosto dava-me arrepios e sensações esquisitas que nunca tinha sentido. Há muito tempo que não parecia uma criança que chorava quase sempre e desde que aquele cantor apareceu na minha vida, fazia-o constantemente. A Kim NaNa que se fechou no próprio mundo estava mais aberta e isso assustava-me, era aterrorizante sentir que estava a confiar e colocar esperanças verdadeiras em alguém. Não eram a mesma confiança que lhe dei no início ou que dei ao DaeHyun, era uma confiança realmente grande e importante.

Senti-o puxar-me para o encontro do seu peito, abraçando-me e acariciando o meu cabelo. Ele cheirava bem e o seu corpo exercitado dava-me uma sensação de proteção ao sentir o seu toque.

– Não guardes mais emoções perto de mim. – Pediu ele. – A minha missão é ajudar-te em tudo.

Conter-me era impossível, então iniciei um choro quase incessante no meio de tantas tendas e provavelmente de pessoas que presenciavam a cena. A celebridade parecia não se importar com mais nada, mesmo sabendo que teria consequências graves se os seus fãs não gostassem da sua proximidade com outras pessoas. Ele, como famoso, não tinha vida pessoal, no entanto, estava pouco preocupado com as opiniões alheias.

 

***

 

Não conseguia parar de pensar no cantor. Ele leu o meu caderno, no entanto, mostrou-se completamente diferente do que eu pensava depois de o ter feito. Ele não se afastou de mim, não me julgou e muito menos começou a sentir pena, sentimento esse que eu sempre repudiei nas pessoas.

Eu tinha dificuldade em abrir-me com os outros, principalmente quando o assunto era referente ao falecimento do meu pai. Depois de o ver sucumbir não consegui chorar devido ao choque. Ouvir o som que foi feito devido ao encontro forte entre o elevador e o seu corpo foi extremamente desesperador para mim. De início, eu praticamente não havia percebido o que havia acontecido mas, depois de ver o quão imóvel ele estava e os sons de dor que ele fazia, não havendo mais nenhuma reação além dessa dor agoniante, só aí consegui entender. Era difícil não me culpar pelo ocorrido, se eu não tivesse entrado naquele elevador nada teria acontecido.

Para agregar a esse sentimento de remorso, a minha mãe não conseguiu achar uma forma de lidar com a morte do meu pai além de me culpar pelo ocorrido. A senhora achava que eu, por não chorar, não sentia qualquer tristeza e que era uma insensível depois de ter provocado aquela situação por falta de atenção. Obviamente eu estava desesperada, a partir-me aos poucos por dentro de tanta tristeza e culpa que eu sentia. No entanto, ela tinha razão, eu realmente poderia ter evitado tudo se tomasse mais atenção.

 

Era de manhã. O dia mostrava-se com um clima quente e agradável, o que fez com que os professores decidissem dar um dia de pausa nos nossos trabalhos para nos divertirmos um pouco na cachoeira que havia ali perto. Era inegável tal proposta, então todos aceitámos e preparámo-nos para ir para lá.

– Vamos nadar? – Perguntou o meu irmão, animado.

Eu colocava protetor solar nele, enquanto ele estava alegre por fazer algo mais divertido do que passar tempo com o professor Shin.

– Vamos! – Respondeu a minha amiga, gritando de felicidade. – Eu não acredito que vou ver o corpo do Kookie ao vivo!

Era de se esperar que ela tivesse uma reação exagerada e, principalmente, tarada. Ela era uma mulher louca, sem juízo nenhum naquela cabeça. Só pensava em coisas fúteis e que envolvessem os seus ídolos.

– Ganha juízo. – Resmunguei, terminando de passar o creme no meu irmão.

– Só dizes isso porque não sabes a dificuldade que é conseguir ver aqueles abdominais!

– Essas coisas não me interessam, Byung.

Passei a guardar numa mala tudo o que precisávamos para ir, já que a minha companheira se limitava a sonhar acordada com o físico do Jeon, não se mexendo para absolutamente nada.

Virgem. – Ela deixou escapar, como se tentasse insultar-me, caminhando para fora da tenda.

Assim que terminei de guardar tudo, saí com o meu irmão, aproximando-me da ByungRa, indignada.

– Qual é o problema de ser virgem? – Perguntei.

– O problema é que és virgem até no pensamento! Não és capaz de ter uns pensamentos mais detalhados, solta-te um pouco.

– Tu és uma idiota. – Resmunguei.

– E tu uma virgem.

– O que é uma virgem? – Perguntou o meu irmão.

– Vês o que fizeste? Estúpida. – Reclamei com a Byung, em voz baixa.

– Quem é virgem?

Uma voz masculina e bastante sensual soou atrás de nós. O cantor e o professor Shin, dono da voz, estavam juntos. Ambos sorriam, passando a acompanhar-nos enquanto caminhávamos.

– Ninguém é virgem! – Respondi, desesperada. – E, MyungWoo, virgem é um signo.

– Eu sou virgem de signo. – O Jeon deixou escapar, olhando para mim.

– Eu não sou nem de signo e nem de...

– Pronto, chega! – Interrompi o professor.

– Mas a ByungRa disse que eras virgem... – O meu irmão disse, curioso.

– Também nasceste em setembro? – O cantor perguntou.

Eu só queria esconder a minha cabeça até aquela vergonha toda passar. O meu irmão já estava a ouvir demasiadas coisas para a idade dele, então aquele assunto tinha de acabar ali mesmo.

– Não, ela é virgem de outra coisa. – A ByungRa sussurrou, recebendo um olhar reprovador meu.

Apressei o meu passo com o meu irmão, afastando-me deles. A minha amiga fazia questão de dar informações a mais sobre a minha vida privada e isso estava a irritar-me imenso. Obviamente que, se o meu primeiro beijo foi bêbada com o Jeon, eu nunca havia feito nada além disso. Aquela idiota é que era uma tarada e já tinha tido todas as experiências sexuais possíveis.

Em dois segundos chegámos à cachoeira, escolhendo um sítio para pousarmos os nossos pertences e relaxarmos. Claro que, não faríamos nada sem antes os professores presentes darem uma palestra sobre uma boa conduta para não nos magoarmos. O típico, nem parecia que já éramos todos adultos.

Enquanto os meus companheiros tiravam as roupas que estavam a mais para poderem mergulhar na água linda e limpa da cachoeira, eu ajudava o meu irmão a tirar a sua t-shirt e pedia para que ele tivesse cuidado e se mantivesse próximo a nós. Queria que naquele dia tudo corresse bem, sem quaisquer problemas.

Reparei que as raparigas olhavam todas para o nosso grupo e não compreendia as reações de espanto. Algumas, inclusive, seguravam os telemóveis para tirar fotografias. Quando olhei para a minha amiga para ver se eu era a única a reparar no que estava acontecer, a mesma estava voltada para o meu lado direito, olhando exatamente da mesma forma que as outras. Parecia uma cena de filme e eu não tinha a mínima noção de qual era o problema até voltar o meu olhar para a mesma direção.

Um Jeon JungKook e um professor gostoso, ambos de tronco nu. Eram dois pedaços de mau caminho com aqueles corpos definidos. Aquela era definitivamente a visão do paraíso e eu, assim como todas as mulheres e alguns homens, tive de me controlar para não babar como uma idiota. Claramente essa não era a preocupação da ByungRa, pois tinha a boca aberta, com um fio de saliva quase a cair da sua boca.

Tentei dar um toque no braço da minha companheira de tenda para esta acordar do transe, mas esta estava petrificada, sem qualquer reação. Foquei-me então em deixar o meu irmão ir brincar, observando bem para onde ele estava a ir. O rapaz escolheu um local seguro perto da cachoeira para se divertir, o que me deixou mais descansada.

Tirei os meus calções, sentindo as minhas bochechas queimarem ao notar que estava a ser observada com alguma atenção pelo cantor e eu não queria olhar para ele, pois o seu corpo e tatuagens distrair-me-iam por completo, sendo que eu não pretendia fazer figuras ridículas.

– O que foi? – Perguntei, olhando para baixo enquanto dobrava os calções para os pousar na toalha.

– Estou à tua espera. – Respondeu ele, parecendo calmo.

– Já estou pronta, podemos ir. – Disse eu, vendo os seus olhos pela primeira vez desde que ele tirara a parte de cima da roupa que vestia.

– Não vais tirar a t-shirt? – Perguntou ele, curioso. – Não quero que pareça mal, apenas és a única que não está somente de biquíni vestido.

– Inseguranças minhas, costumo nadar assim.

Decidi ser honesta com ele. A verdade é que eu sempre fui insegura com a minha aparência física e nunca me mostraria, principalmente no meio de tantas mulheres com corpos excecionais. Eu era magra, no entanto, tinha um corpo que não era bem visto nos padrões coreanos. Tinha um rabo ligeiramente saliente e largo, o meu peito era mais pequeno e, para agregar ao desconforto, tinha duas marcas na barriga que me davam vergonha.

O rapaz escolheu não dizer mais nada, apenas pegou em mim pelas pernas e correu até à água comigo no seu ombro. Eu detestava sentir o choque de temperaturas daquela forma e o idiota simplesmente o fez sem sequer me perguntar se eu gostava daquele tipo de brincadeiras. Obviamente eu gritei, chamando a atenção de todos, muita dessa atenção era indesejada por saber o que as pessoas pensavam daquilo.

Tremia-me toda, de tanto frio que sentia. Parecia quase impossível acostumar-me à temperatura da água e, como se não bastasse, o rapaz ria que nem um idiota, ainda bem próximo a mim.

– Isso é tudo frio? – Questionou ele, brincando.

– Não, não, do nada fiquei com Parkinson. – Ironizei. – Eu odeio que façam isto, Jeon.

– Não me parece que odeies tanto.

– Não? Então por quê?

– Porque eu sou o Jeon JungKook e todas amariam que eu fizesse isto com elas. – Respondeu, convencido.

Não hesitei em rir à gargalhada. A celebridade tinha-se em alta estima, aparentemente. Ele sabia que era desejado, então com certeza achava que eu era uma das que o desejava da mesma forma, coitado.

– Esqueces-te que eu não sou todas. – Respondi, mostrando um sorriso sarcástico. – Sabes perfeitamente que eu não faço parte do teu grupo de fãs, lamento imenso, amigo.

Dito isto, afastei-me dele e nadei para fora da água. Claramente a minha amiga olhava para mim com aquele olhar típico de quem imaginava coisas a mais na sua cabeça, o que eu ignorei por completo.

 

***

 

Era de noite e os nossos colegas estavam todos a dormir, pois a ordem dos professores foi essa. No entanto, eu, a ByungRa e o Jeon estávamos acompanhados pelo professor Shin sentados à volta da fogueira, entre as nossas tendas.

Nós não tínhamos sono então, após colocar o meu irmão para dormir, ficámos de conversa os quatro. O professor Shin forçava-se a ficar mais quieto para não acordar ninguém e sermos repreendidos pelas professoras que haviam pedido para que todos dormissem.

– Por que é que o senhor escolheu ser professor? – Perguntou a ByungRa, curiosa.

– Porque quis ir contra os desejos do meu pai. – Respondeu ele, rindo. – Ele queria que eu fosse médico.

– Não me admira, todos os pais desejam que os filhos sejam médicos ou advogados. Nunca percebi isso. – Afirmou o Jeon, entediado.

– Os teus pais queriam que o fosses? – Perguntei, um tanto curiosa.

– Na verdade, os meus pais sempre foram muito abertos e deixaram que eu escolhesse o caminho que queria seguir. Ou seria cantor ou ia para artes.

– Bem, parece que fizeste os dois. – Deixei escapar, sorrindo.

O assunto não era muito. O facto de estarmos constantemente juntos quase não nos dava temas suficientes para manter uma conversa por muito tempo.

– E se fizéssemos um jogo? – Perguntou a minha amiga.

– Que jogo?

– Verdade ou consequência, talvez? – Sugeriu ela.

– Eu alinho. – O professor Shin respondeu.

– Eu também. – O Jeon concordou.

Evidentemente eu não seria a desmancha prazeres, então aceitei a sugestão, embora não me agradasse muito a ideia. Eu tinha noção que aquele não era o tipo de jogo para mim, principalmente porque eu não fazia ideia de que tipo de consequências me fariam.

– Verdade ou consequência, menina Na? – Perguntou o professor, quando calhou de ele perguntar.

– Consequência sempre, não sou uma medrosa. – Disse a Byung, olhando para mim.

Com aquele olhar eu soube logo que fora uma má ideia ter dito que também participaria. Ela, com todas as certezas, sugeriu aquele jogo para ter a oportunidade de me lixar quando calhasse a sua vez de perguntar.

– Vou começar de leve. – Disse o mais velho. – Vais dar duas voltas, a correr, em torno da fogueira.

– É serio isso? – Resmungou ela. – Para a próxima sejam mais divertidos, esperava algo bem mais entusiasmante.

Ignorámos a besta e ficámos a observá-la a dar as suas voltas rápidas. Ela sentou-se completamente aborrecida, mas logo se animou ao perceber que seria a sua vez de decidir o destino de alguém. A senhorita Na ByungRa não me daria paz e, claramente, escolheu-me como sua vítima.

– Verdade ou consequência, fofa? – Perguntou ela, com um tom carregado de ironia.

Ela sabia que me tinha na mão, vaca.

– Verdade. – Respondi.

– Sabes que se a resposta for não, vais ter que fazer uma consequência, certo?

Perguntou, vitoriosa, ao que eu assenti com um aceno de cabeça.

– Então, é verdade que... – Previsível como a mulher era, ela faria suspense antes de me perguntar o que queria saber. – É verdade que já comeste dois homens numa noite?

– É. – Menti, espantando os dois homens presentes, que achavam que era verdade.

– Mentir não vale! – Resmungou ela, sabendo a minha tentativa. – Sua falsa, eu vivo contigo e sei perfeitamente qual é a resposta verdadeira.

– Parece que agora vais ter de sofrer uma consequência Kim. – O Jeon brincou, rindo de nós as duas.

– Pronto, diz lá, o que é que eu tenho de fazer?

– Fazer uma espécie de sete minutos no céu... – Respondeu ela, com um sorriso maléfico. – Com o Jeon, na tenda deles.

Naquele momento o meu coração pulou para fora e retornou ao sítio. Só me conseguia perguntar o porquê de ter alinhado naquela ideia idiota de fazer aquele jogo de crianças. A idiota obviamente ia fazer uma sugestão daquelas e agora quem estava na merda era eu.

– Mas...

– Não podes negar, querida. Apressa-te. – Falou ela, interrompendo-me e fazendo um gesto com a mão para eu e o Jeon irmos.

Hesitando bastante, ambos nos levantámos e caminhámos até à tenda do sujeito. Eu estava nervosa, queria que ele não pensasse nada de ruim. Não queria fazer nada com ele naquela tenda, no máximo podíamos conversar.

Não tardou para entrarmos lá dentro e fecharmos a bendita tenda, sentando-nos com alguma distância de segurança entre nós. Embora eu estivesse séria e a tremer por dentro, o parvalhão ria da situação, parecendo divertir-se.

– Queres falar sobre alguma coisa? – Perguntou ele.

– Estás a rir-te do quê? – Perguntei, indignada.

– Da tua cara. – Respondeu. – Acho piada a isto e tu estás a levar tudo muito a sério.

Não lhe respondi. Era óbvio que levava a sério. Desde que acordei, a ByungRa falou logo sobre a minha virgindade não perdida e depois meteu-me naquela situação constrangedora com o cantor. A minha vontade era de fugir dali o mais depressa possível.

– Tudo o que precisamos fazer é esperar sete minutos quietos. – Disse eu, como se tentasse tranquilizar-me.

– Posso só pedir-te uma coisa?

Aquela noite ia de mal a pior. Até tinha medo do que ele fosse pedir.

– Diz. – Pedi, receosa.

– Podes tirar a t-shirt?

Desculpa!?

Estava em choque. Ele simplesmente ia pedir que eu me despisse com aquela tranquilidade toda? Mas quem é que ele pensava que eu era?

– Calma, eu sei que soou mal. – Disse ele, coçando a nuca como gesto de nervosismo. – Apenas quero que te sintas confortável e não quero que tenhas as inseguranças que tiveste hoje.

– Eu não vou fazê-lo. – Respondi, sorrindo de vergonha. – Esse é realmente um pedido esquisito.

– Confia em mim, Kim.

Já percebera há algum tempo que podia confiar nele, mas o meu corpo era um outro assunto delicado. Tinha receio que alguém fizesse piada sobre ele, principalmente o Jeon.

Sem que eu pudesse protestar o rapaz aproximou-se de mim, encarando-me nos olhos. O Jeon parecia querer assegurar que eu podia mesmo fazê-lo sem constrangimentos. Então, ainda a tremer, devagar fui tirando a parte de cima, ficando somente de biquíni à sua frente.

O ser do sexo masculino olhava para o meu corpo e eu não conseguia decifrar o que ele pensava, pois a sua expressão facial não dava para ler.

– Tenho estas duas marcas. – Falei, nervosa. – Esta foi uma das queimaduras mais fortes de cigarro e a outra é um corte que eu fiz ao tentar livrar-me da dor psicológica que eu sentia.

– Tens um corpo bonito, Kim. E essas marcas só o deixam mais único.

Assim que falou, o rapaz tocou nas marcas. O meu corpo estremeceu e eu não conseguia decifrar o misto de reações que o meu corpo tinha ao sentir o seu toque quente. Sentia-me estranha, eu sentia que queria algo mais, mas não podia.

– Jeon. – Chamei, tentando quebrar aquela tensão que estava no ar.

– Desculpa, senti-me muito atraído para as tocar.

Ele fitava-me com o olhar. Apesar de se ter desculpado, ao invés de se afastar, apenas se aproximou de mim. As nossas respirações encontravam-se e os nossos narizes quase tocavam, enquanto nos olhávamos intensamente. Não sabia o que aquilo queria dizer mas eu estava a gostar e desejava mais, muito mais.

– J-JungKook. – Deixei escapar, um pouco ansiosa.

– Raramente me chamas pelo nome... – Falou, quase encostando os seus lábios aos meus e ainda me encarando com atenção. – E tenho a dizer-te que isso me deixa intensamente excitado, NaNa. – Completou, quase num sussurro

Assim que ele o disse, fez menção de me beijar. Porém, tudo o que é bom tem o seu fim demasiado cedo.

– Acabaram os sete minutos, fofos.

A ByungRa interrompeu, não nos permitindo dar início ao beijo que eu tanto ansiava em provar. Eu estava definitivamente a dar em louca.


Notas Finais


Espero que tenham gostado <3
Obrigada por terem lido :3
Qualquer erro ou dúvida não hesitem em perguntar-me!! ~ beijos ~<3


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