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História Fall in the love's drug (Vkook-Taekook) - Capítulo 20


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Capítulo 20 - Venom


Fanfic / Fanfiction Fall in the love's drug (Vkook-Taekook) - Capítulo 20 - Venom

❝ — The light of my future is dimming ❞


Minha vó tinha o costume de dizer que a vida era feita de coisas felizes e difíceis, mas todas bonitas. Ela costumava sorrir pra mim, me fazendo um cafuné e me chamando de "bebê urso" enquanto recitava aquele mesmo poema, toda vez que eu corria para ela com os olhos cheios de lágrimas.

"Onde existem flores que floresceram, sem vacilar? 

Mesmo as mais bonitas, todas vacilaram enquanto floresciam, e enquanto tremiam, os caules ficaram firmes.

[…] Maltratadas pelo vento e pela chuva, suas pétalas se abriram calorosamente." 

(Do Jong-Hwan)

"Não existe vida que não vacile", "Os momentos difíceis não são eternos", "depois da chuva vem o arco íris", "Você só pode apreciar o brilho das estrelas porque existe a noite". Tentei me agarrar a essas palavras durante os dias conturbados na escola. Agarrei-me a elas durante os anos seguintes.

Quando ela faleceu, não tive outro apoio se não aquelas palavras e a música. Tudo aquilo que não me era permitido demonstrar, minhas dores, medos e alegrias, transformei em melodia. Compus minha primeira música no dia seguinte ao velório. "Winter Bear", para ela que foi meu conforto em todos os invernos da minha infância e acreditei que continuaria sendo.

Eu cometi erros, fiz coisas que não podem ser apagadas. Então tentei afastar aquelas lembranças. Tranquei aquela parte preciosa e brilhante em "Vante", deixando que os sentimentos fluíssem nas músicas que compus. Quanto tempo a beleza dura? Por quanto tempo a beleza da primavera pode durar? Estive preso em um longo inverno, deixando aquele pequeno ursinho escondido em um canto. Implorando para que ele não sumisse. Impedindo que ele saísse. Controlando, retendo, hesitando.

Mantive os sentimentos bons e puros presos, cultivei veneno e mentiras. Cometi crimes, e fingi não ver as consequências dos meus atos. Minha existência estava manchada, pútrida. Meu corpo ainda tem as marcas da besta. As marcas das garras daqueles demônios. Eu vivi sem amor pela vida. Desejando que alguém pusesse um fim naquilo, sem coragem para fazer por conta própria.

Me desculpe, vó. Em algum momento seu bebê urso se tornou uma besta acorrentada.

Mas então conheci Jungkook. Aquela parte que mantive trancada respondeu a luz de seus olhos, meu sorriso uniu-se ao dele. Nossos corpos de desfaziam do frio do inverno, gerando calor, desejo e muito além disso... Podia sentir uma tímida brisa reivindicando liberdade. Meus sentimentos, meu pequeno urso, pediam liberdade. Como eu faria aquilo? Como eu me permitiria aquela felicidade sendo uma besta acorrentada? Não posso mostrar esse lado para Jungkook. Nunca quis. Não posso… preciso me libertar. E quem sabe…

Cuspo sangue tentando recuperar o fôlego. Então o mundo treme de novo, e cai sobre mim. Ouço algo se partir, e rio. Meu inverno está sendo pintado por preto e vermelho enquanto cedo à inconsciência. Aquele policial me golpeia de novo, cuspindo qualquer outra de suas merdas. Eu não vou dizer. Ainda não. Não enquanto Jungkook estiver em perigo. "Me mate", tento pedir. Me mate. E acabe logo com isso.

Vó, não sou digno de pedir nada, não espero que faça nada para meu próprio bem. Mereço toda a punição que vier, mereço essa dor e os insultos. Mas, por favor, apenas isso… Jungkook... Leve-o para longe daqui. Vó, não deixe que ele seja consumido pelo inverno.

×××

- Qual o problema daquele pirralho?!

- Está preocupado com o Jungkook?

- Preocupado? Quero saber porque o infeliz não apareceu mais. Tá nos menosprezando porque já conseguiu o título que precisava?! Que porra!

- Você sabe que não é nada disso. - Mark murmurou, sentando-se ao lado de Jackson na sala de prática.

- Então? Ele não vai voltar? Vou colocar o Daehyun no lugar dele.

Mark riu baixinho, entretido com a forma como Jackson tentava esconder a preocupação com o novato. Ele sempre fora bruto e explosivo, mas raramente diz o que realmente sente. Não demorou muito para que apegasse no garotinho de olhos brilhantes. A forma como Jungkook se envolve com a música deixa qualquer um admirado. A proprosta de indicá-lo como próximo presidente era unânime. Mas o orgulho de Jackson impediam ele de demonstrar qualquer apoio.

Foi tão difícil para os dois conseguirem formar aquele grupo. Dança não é uma atividade que traz mérito para a escola, para todos seria apenas outro grupo desnecessário em que os alunos iriam para passar o tempo e fugir dos deveres escolares. Jackson encontrou na música a única forma de encarar a si mesmo e ser quem queria ser. Era sufocante viver sob as sombras dos irmãos mais velhos. Toda a sua vida foi planejada pelo irmão, que seria o herdeiro da empresa, para que Jackson não oferecesse risco, mas que também não trouxesse vergonha para a família.

Enquanto Mark vinha de uma família humilde e passava os dias perambulando pelo bairro com a mãe, fugindo de um pai alcoólatra. Jackson ficava preso na fortaleza dos irmãos, tendo aulas em diversas línguas para ser despachado para um país exterior. Mark encontrou na dança uma forma de consolar alma e corpo feridos. A música salvou sua alma lhe dando um propósito de vida. Ele viveria para fazer aquilo. Mesmo que para isso tivesse que se tornar tão podre como o pai, e garantir um futuro para sua mãe e irmã caçula.

Os dois se conheceram ainda na infância. Na sala de prática onde começaram a compartilhar aquela mesma paixão. A música era a razão para que ambos seguissem em frente. Quando estava diante do espelho, Mark podia aceitar o reflexo que via. Naquela sala ele não era um garoto pobre com um pai abusivo, não era um garoto com notas baixas. Não era um estrangeiro frequentando uma escola onde todos tinham suas próprias panelinhas. Naquela sala ele era simplesmente o Mark. Um garoto que descobriu na música uma forma de tentar amar a si mesmo.

Jackson ainda trabalhava naquela vida dupla, seguindo os planos do irmão e agindo como queriam que o fizesse. Então ali na sala, ele assumia o pouco de controle sobre si mesmo, em que podia mostrar o que sentia, o que gostava, que anseava. Ele jamais admitiria, nem deixariam que vissem. Mas antes de todo ensaio ele sorri diante do espelho, e cumprimenta o reflexo que queria ser capaz de mostrar. Como seria poder viver como aquele Jackson no mundo dos irmãos ? 

Mark e Jackson descobriram seu verdeiros eus naquelas práticas. Fizeram objetivos. Tiveram sonhos. A amizade se aprofundou a ponto de Jackson ajudar Mark com os estudos, depois com trabalhos de meio período. Estavam sempre juntos, exceto quando o irmão de Jackson enviava os seguranças da família e arrastava-o para a fotaleza de livro e professores particulares. Estudar para as provas, depois os simulados. Então para novas provas do vestibular. Num ciclo sem fim.

- Vai fazer vestibular em qual universidade? - Mark perguntou deitando-se no chão enquanto a música do ensaio ainda tocava.

- SKY. Mas só pra servir de passagem de ida para qualquer outro país.

- Youngjae hyung ainda quer te mandar pra fora?

- Sim. Ele e o velho. O Yugyeom hyung está tentando convencer eles, me deixar ficar por aqui e estudar música, já que não vou assumir nada na empresa mesmo.

- Teu pai tá velho… E você tem idade para assumir uma posição lá, por isso eles estão com medo.

- Eu sei Mark. - Jackson murmurou deitando ao lado dele, envolvendo-o em um abraço.- Mas não quero ir embora.

- Também não quero que você vá. Mas… Nem eu sei o que vou fazer… - murmura esfregando os cabelos.

- Você não conseguiu entrar como trainee naquela empresa? - Jackson pergunta apoiando os cotovelos no chão e pousando a cabeça sobre as mãos, para poder olhar melhor para Mark.

- … Não. Precico trabalhar mais duro para conseguir. Mas eles me deram uma chance. - murmura desviando o olhar. Puxou a touca do moletom sobre o rosto, pousando a cabeça preguiçosamente sobre os braços.

- Espero que pelo menos você consiga... E vai precisar de um emprego agora que não vai poder trabalhar na biblioteca. Eu não vou te dar mesada.

Mark revirou os olhos, rindo. Então se levantou e começou a aquecer o corpo.

- Por enquanto, voltei a fazer entregas. - disse com um sorrisinho torto.

- Não vá fazer merda como da última vez! - Jackson se lançou sobre ele e começaram a circundar um ao outro numa lutinha. - Fiquei de castigo por meses porque você fodeu com minha moto inteira!

Mark riu, desviando de alguns dos socos, então estendeu a perna e começou a dar chutes no ar. Depois de se aquecer, se livrou do moletom e bagunçou os cabeços para tomar sua posição diante do espelho. Antes que a música recomeçasse, ele fitou Jackson pelo espelho.

- Ei, Jack! Desfaça essa cara de bunda. Não vou ficar preso no hospital de novo. Meu namorado não ia gostar, certo?

Jackson remexeu nos próprios cabelos, tomado por aqueles surtos de não saber como reagir. Então se aproximou, abraçando Mark pela cintura.

- Não faça mais aquilo.

- Nenhum acidente de moto. Prometo.

Mark pousou as mãos sobre as de Jackson, acariciando-as. Enquanto começou a aquecer a voz. Quando estavam sozinhos se permitiam ensaiar suas músicas favoritas, não apenas as coreografias mas também o canto. Anos antes até tentaram se aventurar na composição, fizeram alguns raps mas tiveram problemas com um produtor que de alguma forma ferrou com a tentativa de lançar um single.

Jackson deu um beijo no pescoço de Mark, então desceu os lábios para a orelha do mesmo, mordiscando-a. Sua mão deslizou sobre a lateral da coxa, numa carícia nada pouco sugestiva.

- Não posso fazer com você?… Não gosto disso. Da última vez você acabou no hospital. - Jacksom roçou o nariz ao longo da nuca de Mark, fazendo este se arrepiar.

Mark se encolheu, afastando-se do toque. Trocou a música, deixando que a distância ajudasse a acalmar o pulsar em seus ouvidos. Não iriam ter aquela conversa de novo.

- Vai ficar tudo bem. Agora pare de tentar me persuadir e vamos terminar logo a prática.

- Se deixar a outra música, podemos fazer uma prática mais gostosa. - Jackson murmurou com um sorriso safado, fazendo Mark corar e pigarrear tentando voltar a atenção para seu próprio reflexo no espelho.

- Jack, pare de olhar minha bunda e venha assumir tua posição.

- A posição que quero assumir agora é-

- Jackson Wang. Temos vinte minutos antes da escola fechar.

- Tá. Que inferno.

Apesar das reclamações, Jackson assumiu sua posição e ambos começaram o ensaio de "Boy meets evil". A música que dera asas aos sonhos de Mark. E que representava seu próprio eu, a parte complementar que ele mantinha escondida do mundo. Ele deu um sorriso contido, sentindo a pressão sobre os ossos e os músculos. Uma pressão que estava muito além do físico, mas que vinha, principalmente, de suas próprias escolhas. Ele continuou dançando, deixando que os passos calassem sua voz. Não eram coisas para serem ditas. Precisavam ser silenciadas. Contidas. A lâmina que foi tocada pelo veneno da ganância deve ser escondida. Longe dos olhos daqueles que temeriam sua forma de voar.

Continuei repassando aquela conversa na minha cabeça pelas horas seguintes, sentindo aquele embrulho insistente que quase me fez colocar as tripas pra fora. Mark Tuan estava envolvido com os Dollars? Mark? Aquilo não fazia sentido. Jin estava louco. Todos estavam. Repeti aquilo pra mim mesmo, que era um engano. Taehyung era outro louco. E aquilo tudo não passava de um pesadelo extremamente realista.

Não consegui assistir as aulas mesmo estando na escola. Fiquei parado na porta da sala de prática, encarando meu reflexo no vidro, sem saber o que fazer, o que dizer quando o visse. Não éramos próximos a ponto daquilo doer como quando ouvi a respeito de Taehyung. Mas… Havia uma fissura se abrindo ali, e eu sentia meu corpo perder o chão osb os pés, centímetro a centímetro. O sentimento de passar a confiar em alguém, admirar e então…

Eu seria capaz de fazer aquilo? Seria capaz de sacrificar o futuro de quem me ajudou a encontrar meu próprio caminho? Para ele, posso ser apenas um garotinho deplorável que precise de algum incentivo. Posso não ter passado de alguém sem a menor importância, como um cachorrinho de rua. Alguém que te chamou a intenção pela aparência desamparada, mas esquecida assim que você segue o próprio rumo. Mas Mark não era mais apenas um sunbae da escola, um hyung do clube de dança. Naquela competição eu percebi o quanto aquelas palavras ao longo dos treinos nos últimos meses haviam sido uma força reserva.

Eu estava perdido e machucado, não sabia o que fazer com o que sentia por Taehyung, com as cobranças do velho Jeon, as inseguranças a respeito de que caminho seguiria. Desejei ser capaz de realizar meu sonho, mas nunca trabalhei duro por ele. Não seriamente. As coisas mudaram ao longo daqueles sete meses. Mark havia se tornado uma das peças daquele cenário que se abria pra mim. Eu valorizava aquelas palavras de conforto, de incentivo. Valorizava o fato de ele ter acreditado em mim, e ter confiado a ponto de convencer Jackson a me deixar fazer parte da equipe na competição.

Como eu poderia esfaquear pelas costas alguém que me ajudou a encontrar minha direção?

- Como você tem tanta certeza sobre esse pirralho? Você disse que não tinha falado com Taehyung esse tempo todo.

- E não falei. Descobri sobre Mark por conta própria.

- E Agust D?

- Aconteceu de um certo alguém se envolver numa situação desfavorável e um dos meus garotos estar por perto…

- Vá direto ao ponto, Seokjin.

- Agust D não dá as caras, mas muitos já viram Mark trabalhar com a entrega das novas drogas.

- Isso não faz dele apenas outro avião? Ele pode ser apenas um peãozinho como qualquer outro.

- Os garotos que entregam geralmente não se envolvem com os chefões das outras famílias. - Seokjin brincou com a bebida em seu copo, controlando um risinho amargo quando fitou Namjoon. - Tenho alguém que viu ele se reunindo com os Big3.

Namjoon engoliu em seco, passando as mãos nos cabelos enquanto soltava um longo suspiro.

- Ele reuniu os demônios.

- Ele é um demônio, Nam. Pelo que soube até já matou alguém.

- E você quer que o Jungkook pegue alguém assim?

- Pela última vez, não quero que ele pegue ninguém! Caralho, Namjoon. Só preciso que ele consiga um nome. Se entregarmos Mark pra polícia agora, não teremos prova nenhuma. Mas se ele soltar um nome, podemos fazer aquele detetive de merda se concentrar em investigar o peixe grande.

- Soltar uma isca melhor para que eles deixem Taehyung em paz.

- Bingo.

- Você tem ideias absurdas, Seokjin. Nem parece ter trinta anos.

Namjoon virou o restante da bebida em um só gole, então se levantou dando um acenar de cabeça pro velho barman. Ignorou os olhares interessados enquanto atravessou o bar. Não conseguia entender como Jungkook gostava daquele tipo de lugar. Era abafado demais, barulhento demais, e mesmo sem qualquer bebida ele se sentia tonto por causa das luzes coloridas e toda aquela fumaça que vinha do palco. Sem contar toda aquela confusão de corpos embriagados.

Então seguiu a pé para casa, deixando que a tontura do álcool se disssipasse enquanto tentava organizar os pensamentos. Um nome. Eles precisavam de um único nome. Quem era Agust D?

- O que tá fazendo aí com essa cara de bunda?

Me sobressaltei quando ouvi Jackson ralhar do meu lado. Não percebi o tempo passar, já estava na hora do ensaio? Engoli em seco ao ver quem estava vindo logo atrás dele, com aquele sorriso de sempre.

- Já te disse para ser menos bruto ou vai acabar machucando ele. - Mark agarrou Jackson pela cintura e o arrastou para dentro da sala de dança.

- Se não vai entrar caia fora! - Jackson gritou sobre os ombros de Mark que ria.

Não vi meus pés se moverem mas quando dei por mim já estava lá dentro, assumindo minha posição diante do espelho, observando os dois pelo reflexo.

- Temos que te contar uma coisa hoje, Jungkook. Você vai ficar pro ensaio?

Girei meu corpo sob os calcanhares e encarei Mark que sorria pra mim. Jackson já estava arrumando o som e preparando a música do dia, os demais membros do clube entravam dando risadas e cumprimentando.

- Aham. - respondi apesar do nó na garganta.

O ensaio correu como sempre. Todos receberam alguma bronca estridente de Jackson, e alguns receberam uns tapinhas de Mark. Ao fim estávamos largados no chão, cobertos de suor e respirando pesadamente quando Jackson sunbae ficou em pé em frente a todos e bateu palmas chamando nossa atenção.

- Prestem atenção seus molengas, não vão me ouvir dizer isso nunca mais.

Nos entreolhamos confusos, levantando enquanto Mark seguia para o lado dele. Mal podíamos respirar enquanto esperávamos, mas então meus olhos encontraram os de Mark e quase não pude conter o soluço. Eu tinha esquecido daquilo. Eles estavam saindo do clube, então anunciaram o próximo presidente. Pude notar o aceno sutil que Mark sunbae me deu, antes do sorriso de sempre se alargar.

- Vocês trabalharam duro e estou... Hum.. Orgulhoso e blablablá. Agora o mais importante, Mark e eu estamos saindo oficialmente na formatura, daqui duas semanas, mas decidimos anunciar o próximo responsável pelo clube hoje. - Jackson abriu um sorriso sinistro. - Já que não sabemos quando o queridinho ia dar o ar de sua graça.

- Jack…

Ergui as sobrancelhas surpreso. Havia mais alguém além de mim louco o suficiente para faltar os ensaios? Olhei em volta tentando identificar o rosto do miliante mas percebi que todos me fitavam com um sorriso contido. Recebi um tapa na cabeça e cambaleeei para trás.

- O presidente tem que ensaiar mais duro que todos, pivete. Se você faltar outro ensaio, volto pra te matar.

- Quê? Sunbae.. O que-…

- Parabéns, Jungkook. Você trabalhou duro, espero que continue dando o melhor pelo grupo.

Me atrapalhei feito um idiota, gaguejando e olhando pra todo lado como se esperasse alguém aparecer dizendo que era uma pegadinha. Mas tudo o que vi foi os demais veteranos batendo palmas e rindo. Não demorou muito para todos imitarem o cumprimento bruto de Jackson e começarem a me dar tapinhas.

Quando finalmente me deixaram respirar e tentar dizer algo que fizesse sentido, vi Mark aparecer com um bolo.

- Não sabíamos se viria, mas de qualquer jeito compramos para uma despedida… Então não se sinta pressionado, ainda. Os garotos vão te dar uma festa decente outro dia.

- Mark sunbae… - murmurei já com as lágrimas escorrendo. Como alguém como ele poderia estar envolvido com as merdas do submundo?

- Não se atreva a assoprar a porra da vela. Não quero comer bolo com baba de um ranhento. - Jackson grunhiu se colocando entre mim e o bolo.

- Você é tão adorável que chega a doer, Jack.

A resposta de Jackson foi meter o dedo no bolo e lambuzar o rosto de Mark, depois tudo virou uma bagunça e todos estavam com glacê no rosto, rindo e se estapeando feito um bando de crianças no jardim de infância. Era impossível não sorrir diante daquilo tudo. Mesmo que o chão sob meus pés não passasse de uma película temporária, deixei que a energia daquele momento me isolasse do pesadelo do dia.

Só voltei a pensar no que teria de fazer quando todos já tinham ido embora, e fiquei sozinho com Mark e Jackson, arrumando as coisas na sala.

- Como se sente sendo o primeiro presidente elegido na história do clube? - Mark perguntou enquanto me ajudava a terminar de juntar o lixo.

- Não parece real… Como explicar... Sinto que posso acordar a qualquer momento e perceber que estou no meu quarto.

- Posso resolver isso rapidinho. - Jackson sunbae disse me apontando a vassoura como uma ameaça clara de alguns golpes bem dados para que a dor me provasse que era real.

- Jack, você não devia estar indo para o cursinho?

- Porra. Vou me atrasar. - Jackson correu pela sala e agarrou a mochila, então deu um beijo na bochecha de Mark e saiu em disparada. - Te ligo mais tarde.

Aquele carinho todo que Jackson dava somente para Mark indicava o suficiente da relação dos dois, então apenas me concentrei em terminar minha tarefa.

- Você sabe que é terrível em esconder as coisas, né?

- Hum?

- Jungkook, você tá estranho desde que me viu mais cedo. Ficou se enrolando a tarde inteira como se tentasse dizer algo mas não tivesse coragem. O que foi?

Me sentei, rindo baixinho ao confirmar, mais uma vez, que sou uma falha quando o assunto é controlar o que sinto. Sou transparente demais para tentar arrastar algum joguinho de detetive.

- Ouvi umas coisas sobre você.

- Não boas, pelo visto.

- Mark sunbae… Já ouviu falar nos Dollars?

- Tanto quanto você, imagino.

Era impressão minha ou o ar estava mais frio? Mark nunca abandonava o sorriso gentil e o tom sereno, mesmo quando chamava atenção diante de algum erro nos ensaios, ele sorria. Vê-lo recostado na parede, me encarando com aqueles olhos escuros sem o menor indício de um sorriso era assustador. Parecia ser outra pessoa. Passei a mão na nuca, totalmente desconfortável. Tentei formular as perguntas e acabar logo com aquilo. Mas ele se adiantou.

- Não comece coisas sem saber das consequências. Pode custar mais caro do que imagina.

- Por que sinto que isso soa como uma ameaça?

- Por enquanto é um conselho. - ele pegou a mochila e me lançou um único sorriso, diferente de todos os que vi naqueles meses. - Diga a Kim Seokjin que sinto pelo Taehyung, mas não posso fazer nada por vocês.

Continuei sentado alertando minha nuca enquanto tentava controlar a respiração. Seokjin hyung não mencionou conhecer Mark, então provavelmente não era o caso. E eu não comentei com ninguém sobre Taehyung, também não circulavam rumores de seu sumiço. Nas últimas semanas ele pouco aparecia nas aulas, os demais estavam habituados a ausência do príncipe Kim. Então porque a forma como Mark falou me incomodava tanto, como se ele soubesse que havia algo errado e que Jin estava tentando resolver o problema?

Ouvi meu ceular tocar e levantei sabendo que era Namjoon avisando que chegou. Atendi a chamada pegando minha mala, pronto para sair quando vi uma embalagem no chão. Me agachei para juntar e percebi que era um pacote familiar. Ergui contra a luz e notei os pequenos comprimidos rosados. Não precisei abrir para confirmar que não era nenhuma vitamina. Se a mudança repentina no comportamento de Mark sunbae não tinha sido prpva suficiente sobre seu envolvimento com os Dollars e toda aquela merda, aqueles comprimidos eram.


❝ ...The venom of my ambition, I sharpened my knife every day.

But because of my uncontrollable greed, my knife became dull ❞



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