História . eu não preciso de amigos, ela disse - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
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Palavras 686
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Literatura Feminina

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - As luzes caem e tudo fica escuro; capítulo único


Tachibana Raquel sempre foi uma garota solitária. Andava sobre seus all stars pretos sem se importar com ninguém, sem machucar o próprio coração com decepções e sangrar, como das inúmeras vezes onde foi deixada para trás. Como um gatinho de rua.

Eu não preciso de amigos, dizia.

Se acostumara com o caminho da qual escolheu.

Mas então, no fim das contas, depois de anos negando a bondade dos outros e esperando o mal de tudo e todos, Tachibana deixou se cativar por uma colega de classe. Aquela menina possuía uma energia muito animada, tinha muitos amigos e os garotos gostavam dela. Parecia que ambas tinham a mesma opinião sobre as coisas, as mesmas dificuldades e até os mesmos gostos. Era divertido rir junto com aquela garota, fazer os exercícios difíceis de matemática ou filosofia e até mesmo ir para a fila gigantesca da merenda.

Era divertido, porque essa garota era a sua melhor amiga.

Era divertido porque Tachibana confiava nela.

Você sabe, eu não confio muito nessa garota. Disse uma vez o seu namorado, Yamato Berkowitz.

Ela tem muitos, mas muitos amigos mesmo.

E ela sorri o tempo inteiro.

Nem olhando nos seus olhos, não há um resquício de tristeza.

Você ainda confia nela?

Isso era o que os outros diziam, mas Tachibana tentava não se importar. Sentia-se bem com a presença da garota, isso era tudo o que importava. Foi ingênua, sim, pensara que seu lado desconfiado e solitário de não esperar nada de ninguém havia sumido.

Estava errada.

Tudo começou a desmoronar, de repente, como quando uma tempestade muito forte atinge uma cidade, e então as luzes caem e tudo fica escuro. Você não sabe para onde ir, nem o que fazer, apenas fica parado, esperando que alguém te tire daquela escuridão assustadora. Mas aí está o detalhe da vida real.

Ninguém irá te salvar.

Apenas você mesmo pode fazer isso.

Entretanto, ao olhar para atrás e ver que nenhuma das outras amizades durou ou foi boa como desejou, percebeu que não havia uma luz naquela escuridão. Nem um móvel para se apoiar, nem nada.

Nem ninguém dentro da casa.

— Eu disse para você me esperar — Escutou a voz dele, mas não o olhou e continuou olhando para frente. O trem corria rapidamente, mas devido sua tristeza, tudo estava lento demais. — O conselho mandou eu parar de conversar durante as aulas de sociologia, mas convenhamos, é uma aula muito chata.

O garoto se sentou ao seu lado no banco da estação e passou o braço sobre o seu ombro.

— Você faz muito isso — Respondeu, num tom duro e baixo. Se fosse outra pessoa, teria até se ofendido, mas Yamato estava acostumado.

— Não exagera... Ainda está triste pelo que aconteceu hoje?

Assentiu, enfiando as mãos no bolso da jaqueta de moletom e balançou os pés conforme a música que escutava num dos fones.

— Não fica assim. Você ainda tem a mim aqui na escola.

— Não é a mesma coisa.

Isso era algo que sempre gostava de questionar. Ela dividia as coisas. Em casa, Tachibana tinha Judite, a mãe desnaturada e Sophia, a meia irmã que nunca tivera um bom relacionamento. Na escola tinha o Yamato, mas ela não iria conversar com ele sobre coisas de garotas, por exemplo. Nem com ele nem com a irmã.

Talvez seja por isso que se apegou àquela menina, a sua antiga melhor amiga de alguns minutos atrás.

O nó se formava em sua garganta e o coração sangrava.

Decepcionar com algo que você tinha certeza absoluta é uma coisa muito dolorosa.

Muito, muito mesmo.

Justo para Tachibana, que não confiava em quase ninguém.

— Eu não preciso de amigos — Repetiu para si mesma novamente, mas as palavras soaram falsas, trêmulas, e as lágrimas escorreram de seus olhos castanhos.

O garoto de cabelos negros apenas a puxou para que ela encostasse sua cabeça nos seus ombros, sem dizer nada.

Não havia nada que pudesse ser dito.

Nem explicado.

Aquela garota cujo considerava melhor amiga simplesmente a trocou por alguém mais interessante, alguém mais necessitado e jogou a amizade que tinham a um ano no lixo.

Como uma bolinha de papel inútil.

Uma mísera bolinha de papel inútil.

E Tachibana chorou.

Chorou como nunca tinha chorado por alguém que considerou amigo.

Justo ela, a garota de coração frio.

Tachibana estava caindo aos pedaços.


Notas Finais


Desde pequena eu pensava que as pessoas iam me abandonar, independentemente quem elas sejam. E não faço a menor ideia do porque sou assim. De esperar sempre o mal dos outros, com desconfiança e certa das coisas ruins que podem acontecer. Tachibana Raquel é a representação ideal desse meu lado e o contexto da história aconteceu na minha vida real, a algumas semanas atrás, infelizmente.


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