História Fallen »VKook/TaeKook« - Capítulo 5


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Categorias Bangtan Boys (BTS), Fallen
Personagens Daniel Grigori, Jungkook, Lucinda "Luce" Price, V
Tags Jeon Jung Kook, Jeongguk, Kim Tae Hyung, Kookv, Taegguk, Taekook, Vkook
Visualizações 164
Palavras 4.527
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Fantasia, Ficção Científica, LGBT, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 5 - Turno do cemitério


 

 

 

 

Ahhh, terça-feira. Dia do waffle.

Desde que Taehyung podia se lembrar, terças-feiras de verão significavam café fresco, tigelas cheias de framboesa com chantilly, e uma interminável pilha de waffles dourados e crocantes. Mesmo este verão, quando seus pais começaram a sentir um pouco de medo dele, o dia do waffle era algo com que ele podia contar. Ele podia rolar na cama na terça-feira, e antes de pensar em qualquer outra coisa, instintivamente ele sabia que dia era.

           Taehyung inalou, retomando lentamente os seus sentidos, então ele inalou de novo com um pouco mais de vontade. Não, não havia nada além do cheiro de vinagre da pintura descascada. Ele mandou o sono para longe e captou a vista de seu dormitório apertado. Isso parecia como a foto de “antes” em um show de renovação de casa. O longo pesadelo que foi a segunda-feira retornou à ele: eles tomarem seu celular, o incidente com o bolo de carne e os olhos brilhantes de Molly no refeitório, Jungkook expulsando-o da biblioteca. O que foi que o fez ficar tão rancoroso, Taehyung não tinha a menor ideia.

         Ele sentou para olhar pela janela. Ainda estava escuro; o sol não tinha sequer saído pelo horizonte ainda. Ele nunca tinha acordado tão cedo. Se duvidasse, ele realmente não achava que conseguia se lembrar de já ter visto o nascer do sol. Sinceramente, algo sobre assistir-o-nascer-do-sol como uma atividade sempre o deixava nervoso. Eram os momentos de espera, os momentos logo-antes-do-sol-surgir-no-horizonte, sentado na escuridão olhando através das linhas das árvores. O horário nobre das sombras.

Taehyung suspirou audivelmente com saudades de casa, um suspiro de solidão, o que o deixou com ainda mais saudade e solitário. O que ele iria fazer durante as três horas entre o raiar do dia e a sua primeira aula?

Raiar do dia – por que essas palavras zumbiam em seus ouvidos? Ah. Droga. Ele deveria estar na detenção.

         Ele saltou para fora da cama, tropeçando em sua mala ainda-cheia, e arrancou outro suéter preto tedioso do topo da pilha de suéteres pretos tediosos. Ele colocou o jeans preto que usou ontem, estremeceu quando teve um vislumbre do desastre que estava sua cabeça, e passou os dedos pelo seu cabelo enquanto corria pela porta afora.

Ele estava ofegante quando chegou aos portões de ferro forjado, da altura da cintura e complexamente esculpidos, do cemitério. Estava engasgado com o cheiro esmagador de mato e se sentindo muito sozinho com seus pensamentos. Onde estavam os outros? A definição de “início da manhã” deles era diferente da dele? Ele olhou para seu relógio. Já eram seis e quinze.

         Tudo o que eles tinham dito a ele era para se encontrarem no cemitério, e Taehyung tinha bastante certeza de que essa era a única entrada. Ele estava na divisa, onde o asfalto áspero do estacionamento dava lugar a um terreno destruído cheio de ervas daninhas. Ele notou um dente-de-leão solitário, e passou pela sua mente que um Taehyung mais jovem teria pulado sobre ele e então feito um desejo e soprado. Mas agora os desejos desse Taehyung pareciam pesados demais para algo tão leve.

Os portões delicados eram tudo o que dividia o cemitério do estacionamento. Incrível para uma escola com tanto arame farpado em todo o lugar. Taehyung passou a mão ao longo dos portões, seguindo o padrão floral ornamentado com seus dedos. Os portões deviam datar dos dias da Guerra da Secessão de que Ariane falara, quando o cemitério era utilizado para enterrar os soldados caídos. Quando a escola se juntou a ele, não era um lugar para loucos instáveis. Quando o lugar todo era muito menos cheio e sombrio.

Isso era estranho – o resto do terreno era plano como uma folha de papel, mas de alguma forma, o cemitério tinha um formato côncavo, parecido com uma tigela. Daqui, ele podia ver a inclinação de toda a vastidão a partir dele. Fileiras após fileira de lápides simples alinhavam-se nas inclinações como espectadores em um estádio. Mas em direção ao centro, no ponto mais baixo do cemitério, o trecho através do terreno se torcia em um labirinto de grandes túmulos esculpidos, estátuas de mármore e mausoléus.

Provavelmente para oficiais da Confederação, ou apenas para soldados que tinham dinheiro. Pareciam que seriam bonitos vistos de perto. Mas vistos dali, o simples peso deles parecia arrastar o cemitério para baixo, quase como se todo o lugar estivesse sendo engolido por um ralo.

Passos atrás dele. Taehyung girou ao seu redor para ver uma figura pequena e grossa, vestida de preto, surgir de trás de uma árvore. Penn! Ele teve de resistir ao desejo de jogar seus braços em volta da garota. Taehyung nunca tinha ficado tão contente em ver alguém – embora fosse difícil acreditar que Penn tivesse pego alguma detenção.

— Você não está atrasado? — Penn perguntou, parando alguns metros à frente de Taehyung e dando a ele um aceno divertido de seu-pobre-novato com a cabeça.

— Eu estou aqui há 10 minutos — Taehyung falou. — Não é você quem está atrasada?

Penn sorriu.

— De jeito nenhum, eu sou apenas uma madrugadora. Eu nunca peguei detenção. — Ela deu de ombros e empurrou seus óculos roxo para cima em seu nariz. — Mas você pegou, junto com outras cinco almas infelizes, que provavelmente estão ficando mais irritadas a cada minuto que esperam por você lá embaixo no monólito.

Ela ficou na ponta dos pés e apontou para trás de Taehyung, em direção a maior estrutura de pedra, que se levantava do meio da parte mais profunda do cemitério. Se Taehyung apertasse os olhos, ele poderia notar um grupo de figuras negras agrupadas em torno de sua base.

— Eles apenas disseram para se encontrar no cemitério— Taehyung falou, já se sentindo derrotado. — Ninguém me disse para onde ir.

— Bem, eu estou dizendo para você: monólito. Agora desça até lá — Peen falou. — Você não vai fazer muitos amigos acabando com a manhã deles mais do que você já acabou.

Taehyung engoliu em seco. Parte dele queria pedir a Penn para lhe mostrar o caminho. Daqui de cima, aquilo parecia um labirinto, e Taehyung não queria ficar perdido no cemitério. De repente, ele ficou com aquela sensação nervosa, de estar longe de casa, e ele sabia que isso só iria piorar lá. Ele estalou suas juntas, retardando.

— Taehyung?— Penn disse, dando um pequeno empurrão em seus ombros. — Você ainda está parado aqui.

Taehyung tentou dar à Penn um sorriso corajoso de agradecimento, mas teve que se contentar com um estranho tique facial. Então ele correu para baixo da encosta para o coração do cemitério.

O sol ainda não tinha nascido, mas estava quase, e estes últimos momentos antes do amanhecer sempre eram os que mais o assustavam. Ele passou rápido pelas fileiras de lápides simples. Em um ponto elas deviam ter estado retas, mas agora elas eram tão velhas que a maioria delas tombava para um lado ou para o outro, dando ao lugar todo, uma aparência de jogo de dominó mórbido.

Ele passou seu tênis Converse preto pelas poças de lama, esmagando folhas mortas. Na hora em que passou pela área mais simples e chegou até os túmulos mais ornamentados, a terra tinha mais ou menos sido achatada, e ele estava totalmente perdido. Ele parou de correr, tentou recuperar o fôlego. Vozes. Se ele se acalmasse, ele poderia ouvir vozes.

— Mais cinco minutos, então eu vou cair fora— disse um rapaz.

— Pena que a sua opinião não tenha valor, Sr. Sparks.

Uma voz teimosa, uma que Taehyung reconheceu de suas aulas de ontem. Sra. Troz – a Albatroz. Após o incidente com o bolo de carne, Taehyung tinha chegado tarde para a aula dela e não tinha dado exatamente a impressão mais favorável para a professora severa e esférica de ciência.

— A não ser que alguém queira perder seus privilégios sociais esta semana — gemidos entre os túmulos — vamos todos esperar pacientemente, como se não tivéssemos nada melhor para fazer, até o jovem cavalheiro  Kim decidir dar a graça de sua presença para nós.

— Eu estou aqui — Taehyung arfou, finalmente contornando uma estátua gigante de um querubim.

Sra. Troz estava com as mãos nos quadris, vestindo uma variação do vestido preto florido e solto de ontem. Seu escasso cabelo cor castanho-rato estava puxado na sua cabeça e seus tediosos olhos castanhos mostravam apenas aborrecimento com a chegada de Taehyung. Biologia sempre foi difícil para Taehyung, e até agora, ele não estava fazendo nenhum favor à sua nota na classe Sra. Troz.

Atrás da Albatroz estavam Ariane, Molly e Roland, espalhados ao redor de um círculo de blocos que encaravam uma grande estátua central de um anjo. Em comparação com o resto das estátuas, esta parecia mais nova, mais branca, mais grandiosa. E encostado na coxa esculpida do anjo – ele quase não tinha percebido – estava Jungkook.

Ele estava vestindo a jaqueta de couro preta e o cachecol vermelho vivo que a tinha deixado fixada ontem.Taehyung tomou conhecimento de seu cabelo negro desarrumado, que parecia não ter sido penteado depois dele acordar... o que a fez pensar sobre como Jungkook ficava quando estava dormindo... o que o fez corar tão intensamente que, do momento que seus olhos fizeram o caminho da linha do cabelo para os olhos dele, ele estava completamente humilhado.

Nesse momento ele estava olhando fixamente para ele.

— Sinto muito — ele deixou escapar. — Eu não sabia onde deveríamos nos encontrar. Eu juro...

— Pode parar— disse a Sra. Troz, passando o dedo em sua garganta. — Você já desperdiçou o bastante do tempo de todo mundo. Agora, tenho certeza que todos se lembram da indiscrição desprezível que vocês cometeram para estarem aqui. Vocês podem pensar sobre isso nas próximas duas horas enquanto trabalham. Se reúnam em pares. Vocês sabem o que fazer.

Ela olhou para Taehyung e soltou sua respiração.

— Ok, quem quer um protegido?

Para o horror de Taehyung, todos os outros alunos olharam para seus pés. Mas então, depois de um minuto torturante, um quinto aluno entrou no campo de visão ao virar a esquina do mausoléu.

— Eu quero.

Cam. Sua camiseta preta com gola em “v” era justa em torno de seus ombros largos. Ele era quase trinta centímetros mais alto do que Roland, que se deslocou para o lado quando Cam empurrou e passou, caminhando na direção de Taehyung. Seus olhos estavam grudados nele enquanto ele andava para frente, movendo-se suave e confiantemente, tão à vontade em sua roupa de escola reformatória quanto Taehyung estava pouco à vontade. Parte dele queria desviar seus olhos, porque era embaraçosa a maneira que Cam olhava para ele na frente de todos. Mas por alguma razão, ele estava hipnotizade. Ele não poderia quebrar o seu olhar – até que Ariane pisou entre eles.

— Primeiro— ela falou. — Eu disse que vi primeiro.

— Não, você não disse.

— Sim, eu disse, você não me ouviu de seu poleiro estranho lá atrás.— As palavras se apressaram para fora de Ariane. — Eu o quero.

— Eu... — Cam começou a responder.

Ariane inclinou a cabeça com expectativa. Taehyung engoliu em seco. Ele ia chegar e dizer que ele o queria também? Eles não poderiam simplesmente esquecer isso? Fazer detenção com um grupo de três?

Cam acariciou o braço de Taehyung.

— Vou encontrar com você depois, ok?— ele disse a ele, como se fosse uma promessa que ele lhe pediu para fazer.

Os outros garotos pularam dos túmulos nos quais eles tinham sentado e marcharam em direção a um galpão. Taehyung os seguiu, agarrando-se em Ariane, que sem dizer uma só palavra entregou-lhe um ancinho.

— Então. Você quer o anjo vingador, ou os amantes carnais abraçados?

Não houve menção sobre os acontecimentos de ontem, ou do bilhete da Ariane, e Taehyung de algum modo não sentia que deveria puxar esse assunto com Ariane agora. Em vez disso, ele olhou para cima e viu-se rodeado por duas estátuas gigantes. A mais próxima dele parecia um Rodin. Um homem nu e uma mulher estavam enlaçados em um abraço. Ele tinha estudado escultura francesa em Dover, e sempre pensou que as peças de Rodin eram as mais românticas. Mas agora era difícil olhar para os amantes abraçados sem pensar em Jungkook.

Jungkook. Que o odiava. Se ele precisasse de mais uma prova disso depois que ele basicamente fugiu da biblioteca à noite, tudo o que tinha que fazer era voltar a pensar no novo olhar fulminante que ele tinha ganhado dele esta manhã.

— Onde está o anjo vingador?— ele perguntou a Ariane com um suspiro.

— Boa escolha. Por aqui.

Ariane levou Taehyung para uma enorme escultura de mármore de um anjo salvando o solo da fúria de um raio. Ela pode ter sido uma peça interessante, no dia em que foi esculpida. Mas agora ela só parecia velha e suja, coberta de lama e musgo verde.

— Eu não entendi— Taehyung falou. — O que vamos fazer?

— Vamos dar uma esfregadinha — Ariane respondeu, quase cantando. — Eu gosto de fingir que eu estou lhes dando um banhozinho.

Com isso, ela escalou o anjo gigante, balançando as pernas ao longo do braço da estátua que impedia o raio, como se o negócio todo fosse apenas um carvalho grosso e velho para ela escalar.

Com medo de parecer que ele estava querendo mais encrenca com a Sra. Troz, Taehyung começou a trabalhar com seu ancinho em toda a base da estátua. Ele tentou limpar o que parecia ser uma interminável pilha de folhas úmidas.

Três minutos depois, os braços dele o estavam matando. Ele definitivamente não estava vestido para este tipo de trabalho manual lamacento. Taehyung nunca tinha sido enviado para a detenção na Dover, mas de acordo com o que ele tinha escutado, consistia em encher um pedaço de papel com "Eu não vou plagiar coisas da Internet" algumas centenas de vezes.

Isto era brutal. Principalmente quando tudo o que ele realmente tinha feito foi topar com Molly acidentalmente no refeitório. Ele estava tentando não fazer um julgamento precipitado aqui, mas limpar a lama de sepulturas de pessoas que tinham morrido há mais de um século? Agora Taehyung odiava sua vida totalmente.

Em seguida, raios de sol finalmente filtraram-se através das árvores, e de repente havia cor no cemitério. Taehyung sentiu-se instantaneamente mais leve. Ele podia ver mais de três metros na frente dele. Ele podia ver Jungkook... trabalhando lado a lado com Molly.

O coração de Taehyung afundou. O sentimento de leveza desapareceu.

Ele olhou para Ariane, que lançou-lhe um olhar de simpatia do tipo isso-é-um-saco, mas continuou trabalhando.

— Hey— Taehyung falou em voz alta.

Ariane colocou um dedo sobre os lábios, mas gesticulou para Taehyung subir ao lado dela.

Com muito menos graça e agilidade, Taehyung agarrou o braço da estátua e se balançou para cima do pedestal. Uma vez que estava quase certo que não iria cair no chão, ele sussurrou:

— Então... o Jungkook é amigo da Molly?

Ariane bufou.

— De jeito nenhum, eles totalmente se odeiam — ela disse rapidamente, e em seguida fez uma pausa. — Porque você está perguntando?

Taehyung apontou para os dois, não fazendo qualquer trabalho para limpar bem sua tumba. Eles estavam em pé perto um do outro, inclinando-se sobre seus ancinhos e tendo uma conversa que Taehyung desesperadamente desejava poder ouvir.

— Eles parecem amigos para mim.

— É a detenção — Ariane disse categoricamente. — Você tem que ficar em par. Você acha que Roland e Chester, o Molestador, são amigos?

Ela apontou para Roland e Cam. Eles pareciam estar discutindo sobre a melhor maneira de dividir o seu trabalho na estátua dos amantes.

— Companheiros de detenção não equivalem a amigos na vida real.

Ariane olhou de volta para Taehyung, que podia sentir sua expressão caindo, apesar de seus melhores esforços para parecer imperturbável.

— Olha, Taehyung, eu não quis dizer... — ela dissipou a voz. — Ok, além do fato de você ter me feito perder uns bons vinte minutos da minha manhã, eu não tenho nenhum problema com você. Na verdade, eu acho que você é meio interessante. Um pouco novo. Dito isso, eu não sei o que você esperava em termos de amizade sentimental-piegas aqui no Sword&Cross. Mas deixe-me ser a primeira a te dizer, não é simplesmente assim tão fácil. As pessoas estão aqui porque têm bagagem. Eu estou falando de bagagem do tipo faça-seu-check-in, e-pague-a-multa-porque-tem-mais-de-vinte-e-dois-quilos. Entendeu?

Taehyung encolheu os ombros, sentindo-se envergonhado.

— Foi apenas uma pergunta.

Ariane riu nervosamente.

— Você é sempre tão defensivo? Que diabos você fez para entrar aqui, afinal?

Taehyung não tinha vontade de falar sobre isso. Talvez Ariane estivesse certa, seria melhor se ele não tentasse fazer amigos. Ele desceu e voltou a atacar o musgo na base da estátua.

Infelizmente, Ariane ficou intrigada. Ela saltou também, e trouxe seu ancinho em cima do de Taehyung para colocá-lo no lugar.

— Oh, me conta me conta me conta — ela provocou.

O rosto de Ariane estava muito perto do de Taehyug. Isso lembrou Taehyung do dia anterior, agachado sobre Ariane depois que ela teve a convulsão. Eles tinham tido um momento, não tinham? E parte de Taehyung queria muito ser capaz de contar a alguém. Esse tinha sido um longo e sufocante verão com seus pais. Ele suspirou, apoiando a testa na alça de seu ancinho.

Um gosto salgado de nervosismo encheu sua boca, mas ele não conseguiu engoli-lo. Da última vez que ele tinha entrado nesses detalhes, tinha sido por causa de uma ordem judicial. Ele teria se esquecido deles logo, mas quanto mais Ariane o encarava, mais claras as palavras ficavam, e elas ficavam mais perto da ponta da sua língua.

— Eu estava com um amigo uma noite — ele começou a explicar, dando uma respiração longa e profunda. — E uma coisa terrível aconteceu.

Ele fechou os olhos, rezando para que a cena não pudesse criar uma explosão de vermelho-e-preto em suas pálpebras.

— Houve um incêndio. Eu escapei... e ele não.

Ariane bocejou, muito menos horrorizada com a história do que Taehyug estava.

— De qualquer forma — Taehyung continuou— depois de tudo, eu não conseguia me lembrar dos detalhes, como isso aconteceu. O que eu pude lembrar – o que eu disse ao juiz, de qualquer maneira– eu acho que eles pensaram que eu era maluco.

Taehyung tentou sorrir, mas pareceu forçado.

Para sua surpresa, Ariane apertou seu ombro. E por um segundo, seu rosto pareceu realmente sincero. Depois ele mudou para um sorriso afetado.

— Nós somos todos tão incompreendidos, não somos? — Ela cutucou Taehyung na barriga com o dedo. — Você sabe, Roland e eu estávamos justamente falando sobre como nós não temos nenhum amigo piromaníaco. E todo mundo sabe que você precisa de um bom piro para levar a cabo qualquer pegadinha de reformatório que valha a pena. — Ela já estava planejando. — Roland pensou que talvez aquele outro novato, Todd, mas eu prefiro muito mais dividir meu fortúnio com você. Todos nós devemos colaborar em algum momento.

Taehyung engoliu em seco. Ele não era um piromaníaco. Mas ele já estava cheio de falar sobre o seu passado; ele nem sequer quis se defender.

— Oh, espere até que Roland ouvir isso — Ariane disse, jogando seu ancinho para baixo. — Você é como o nosso sonho se tornando real.

Taehyung abriu a boca para protestar, mas Ariane já tinha ido. Perfeito, Taehyung pensou, ouvindo o barulho dos sapatos de Ariane andando pela lama. Agora era só uma questão de minutos antes de essas palavras viajarem por todo o cemitério até chegar a Jungkook.

Sozinho novamente, ele olhou para a estátua. Mesmo ele já tendo limpado uma enorme pilha de musgo e palha, o anjo parecia mais sujo do que nunca. Todo o projeto parecia tão inútil. Ele duvidava que alguém chegasse a visitar este lugar, de qualquer maneira. Ele também duvidava que qualquer dos outros detentos ainda estivesse trabalhando.

Seus olhos apenas caíram em Jungkook, que estava trabalhando. Ele estava usando muito diligentemente uma escova de aço para esfregar alguns mofos da inscrição em bronze em uma tumba. Ele tinha até mesmo levantado as mangas de seu suéter, e Taehyung podia ver seus músculos tensos enquanto ele trabalhava. Ele suspirou, e – ele não podia fazer nada quanto a isso – inclinou seu cotovelo contra o anjo de pedra para assisti-lo.

Ele sempre trabalhou duro.

Taehyung rapidamente balançou a cabeça. De onde isso tinha vindo? Ele não tinha ideia do que isso significava. E, no entanto, tinha sido ele quem pensara sobre isso. Era o tipo de frase que por vezes formavam-se em sua mente antes que ele caísse no sono. Sussurros incompreensíveis que ele nunca podia conectar a qualquer coisa fora de seus sonhos. Mas aqui estava ele bem acordado

Ele precisava se segurar nessa coisa sobre o Jungkook. Ele o conhecia há um dia, e já podia sentir-se deslizando para um lugar muito estranho e desconhecido.

— Provavelmente é melhor ficar longe dele — disse uma voz fria atrás dele.

Taehyung virou ao redor para encontrar Molly, na mesma pose em que ela a achou ontem: as mãos nos seus quadris, as narinas com piercing queimando. Penn tinha dito a ele que a surpreendente decisão da Sword&Cross que permitia piercings faciais veio da própria relutância do diretor de remover o brinco de diamante que ele tinha em sua orelha.

— De quem? — ele perguntou a Molly, sabendo que ele tinha soado estúpido.

Molly revirou os olhos.

— Simplesmente confie em mim quando digo que ter uma queda por Jungkook seria uma ideia muito, muito ruim.

Ele sabia que o sol estava atrás de uma nuvem. Se ele pudesse quebrar o seu olhar, ele podia olhar para cima e ver isso por si mesmo. Mas ele não conseguia olhar para cima, não conseguia desviar o olhar, e por alguma razão, ele tinha que apertar os olhos para vê-lo. Era quase como se Jungkook estivesse criando sua própria luz, como se ele estivesse o cegando. Um barulho oco encheu os seus ouvidos, e seus joelhos começaram a tremer.

Ele queria pegar seu ancinho e fingir que ele não tinha o visto chegando. Mas era tarde demais para se fingir de descolado.

— O que ela disse para você?— ele perguntou.

— Hum...— ele deu uma evasiva, forçando seu cérebro a criar uma mentira sensata. Não encontrou nada.

Ele estalou os nós dos dedos.

Jungkook colocou sua mão sobre a dele.

— Eu odeio quando você faz isso.

Taehyung empurrou-o para longe instintivamente. A mão dele sobre a dele tinha sido tão rápida, e ainda assim ele sentia o seu rosto corar. Ele quis dizer que isso era uma implicância dele, que o estalo de qualquer um iria incomodá-lo, certo? Porque dizer que ele odiava quando ele fazia isso implicava que ele já tinha visto ele fazer isso antes. E ele não poderia ter visto. Ele mal o conhecia. Então por que isso parecia com uma discussão que eles já tinham tido antes?

— Molly me disse para ficar longe de você — ele disse finalmente.

Jungkook inclinou a cabeça de lado a lado, parecendo considerar isto.

— Ela provavelmente está certa.

Taehyung estremeceu. Uma sombra pairou sobre eles, escurecendo o rosto do anjo apenas tempo suficiente para deixar Taehyung preocupado. Ele fechou os olhos e tentou respirar, rezando para que Jungkook não pudesse dizer que algo estava estranho. Mas o pânico estava crescendo dentro dele. Ele queria correr. Ele não podia correr. E se ele se perdesse no cemitério?

Jungkook seguiu o seu olhar para o céu.

— O que foi?

— Nada.

— Então você vai fazer isso?— ele perguntou, cruzando os braços sobre o peito, um desafio.

— O que? — ele disse. Correr?

Jungkook deu um passo na direção dele. Agora ele estava a menos de trinta centímetros de distância. Ele prendeu a respiração. Manteve o corpo completamente imóvel. Ele esperou.

— Você vai ficar longe de mim?

Isso quase parecia como se ele estivesse flertando.

Mas Taehyung estava completamente fora de ordem. Sua testa estava molhada de suor, e ele apertou sua têmpora entre dois dedos, tentando recuperar a posse de seu corpo, tentando pegá-lo de volta do controle dele. Ele estava totalmente despreparado para flertar de volta. Isto é, se o que ele estava fazendo era realmente flertar.

Ele deu um passo para trás.

— Eu acho que sim.

— Eu não ouvi você — ele sussurrou, levantando uma sobrancelha e dando um passo para mais perto.

Taehyung recuou novamente, para mais longe dessa vez. Ele praticamente bateu na base da estátua, e pôde sentir o pé de pedra arenosa do anjo raspando em suas costas. Uma segunda sombra, mais escura e mais fria, voou sobre eles. Ele poderia ter jurado que Jungkook estremeceu junto com ele.

E então o gemido profundo de algo pesado assustou os dois. Taehyung ofegou enquanto o topo da estátua de mármore balançava em cima deles, como um galho de árvore balançando ao vento.

Por um segundo, parecia pairar no ar.  Taehyung e Jungkook ficaram olhando para o anjo. Ambos sabiam que o seu caminho era para o chão. A cabeça do anjo inclinou-se lentamente em direção a eles, como se estivesse rezando – e depois a estátua inteira pegou velocidade enquanto começou a ser arremessada para baixo. Taehyung sentiu as mãos de Jungkook envolverem sua cintura instantaneamente, firmemente, como se ele soubesse exatamente onde ela começava e onde terminava. A outra mão cobriu a cabeça dele e forçou-a para baixo bem quando a estátua caiu sobre eles. Exatamente onde eles estavam. Ela caiu com uma queda maciça – de cabeça na lama, com os pés ainda repousando sobre a base, deixando um pequeno triângulo embaixo, onde Jungkook e Taehyung estavam agachados.

Eles estavam ofegantes, nariz com nariz, os olhos de Jungkook assustados. Entre os seus corpos e a estátua existia apenas alguns centímetros de espaço.

— Taehyung?— ele sussurrou.

Tudo o que ele podia fazer era acenar. Seus olhos se estreitaram.

— O que você viu?

Em seguida uma mão apareceu e Taehyung sentiu-se sendo puxado para fora do espaço embaixo da estátua. Houve uma raspagem nas suas costas e em seguida uma lufada de ar. Ele viu o lampejo de luz do dia novamente. A turma da detenção estava pasma, exceto a Sra. Troz, que olhava com raiva, e Cam, que ajudou Taehyung a ficar de pé.

— Você está bem? — Cam perguntou, correndo os olhos sobre ele procurando por arranhões e hematomas e tirando a sujeira de seu ombro. — Eu vi a estátua caindo e eu corri para tentar pará-la, mas já era... Você deve ter ficado tão apavorado.

Taehyung não respondeu. Apavorado era apenas uma parte de como ele se sentia. Jungkook, já de pé, nem sequer se virou para ver se ele estava bem ou não. Ele apenas foi embora.

O queixo de Taehyung caiu enquanto o observava ir, enquanto observava, todos os outros parecem não se importar que ele tivesse ido embora.

— O que você fez?— Sra. Troz perguntou.

— Eu não sei. Em um minuto, nós estávamos lá — Taehyung olhou para a Sra. Troz — hum, trabalhando. Quando me dei conta, a estátua simplesmente caiu.

A Albatroz abaixou-se para examinar o anjo despedaçado. Sua cabeça tinha rachado no meio em uma linha reta. Ela começou a murmurar algo sobre as forças da natureza e pedras antigas. Mas foi a voz no ouvido de Taehyung que ficou com ele, mesmo depois de todos os outros terem voltado ao trabalho. Foi Molly, a apenas alguns centímetros de seu ombro, que sussurrou:

— Parece que alguém deve começar a ouvir quando eu dou conselhos. 

 

 

Por favor leiam as notas finais

 

 


Notas Finais


Então, eu gostaria de saber se vcs estão gostando da fic, pq no capítulo anterior ninguém quis comentar, então descidi que se não tiver pelo menos UM comentário pedindo pra continuar a fic ou dizendo que a fic está legal, eu irei deixar ela em HIATUS por um bom tempo e irei utilizar esse tempo para tentar escrever capítulos novos pra outra fic que esta parada, e tbm irei usar esse tempo para meus estudos na escola!!!!!

Obrigada pela atenção de quem leu.....

~Bye


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