História Fallin' All in You. - Capítulo 6


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Postado
Categorias Shawn Mendes
Personagens Personagens Originais, Shawn Mendes
Tags Shawn, Toronto
Visualizações 34
Palavras 5.022
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Ficção, Romance e Novela, Universo Alternativo

Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá pessoinhas, tudo certinho com vocês? Hoje é aniversário do Shawn, mas eu quis presentiar vocês com um capítudo, espero que gostem e tenham uma boa leitura.



LEIAM AS NOTAS FINAIS

Capítulo 6 - O roubo do guarda chuva.


Fanfic / Fanfiction Fallin' All in You. - Capítulo 6 - O roubo do guarda chuva.

“Nós andamos na chuva

Alguns quarteirões até seu apartamento

Você me convidou para entrar

Me pegou olhando em seus olhos

E eu normalmente não sou assim

Mas eu gosto do que você está fazendo comigo

Ah, o que você está fazendo comigo?”.

 

 

Se existe uma coisa que a gente descobre sobre morar sozinha, é que mágica não existe. A louça não aparecerá misteriosamente limpa, a roupa não se lavará sozinha como em algum comercial tosco, comida estraga, papel higiênico acaba e definitivamente, a poeira ainda estará lá no fim do dia quando você voltar para casa depois de um dia cheio. E comigo não era diferente, eu tinha chegado da casa da vovó na noite anterior e me deparado com a bagunça que estava aquele apartamento, o lugar não era tão grande, então não me tomaria muito tempo limpar tudo e ainda sobraria um tempo livre para vegetar. Eu estava distraída com a música que tocava, era um pop de rádio com a letra era intensa e dramática, quando notei já estava toda empolgada cantando pela casa, por isso não percebi Mike entrar com a chave reserva que eu havia lhe dado para caso de emergência.

 

̶  Olha só quem já está com os sucessos de Shawn Mendes na ponta da língua. – girei no meu eixo, pronta para jogar a flanela empoeirada na cara dele, mas abri meu melhor sorriso assim que vi o embrulho em sua mão.

̶  Bolo? – eu devia estar parecendo àquelas crianças que não podem ver açúcar, mas bolo definitivamente era minha sobremesa favorita e se fosse red velvet eu até mesmo poderia matar por uma fatia. – Por favor, diga que isso é um bolo. – eu já podia sentir minha boca salivando. 

̶  Você é tão vendida, Ema. – Mike falou enquanto ia até o balcão da cozinha deixando a caixa lá. – Aposto que ia jogar esse pano em mim se não fosse pela caixa, você não tem vergonha? – dei de ombros indo abaixar o volume da música que ainda tocava alta. – Então... – ele pigarreou – Quer dizer que agora você ouve Shawn Mendes? 

̶  Pesquisa de campo. – dei de ombros sabendo que mesmo a minha avó não acreditaria nessa desculpa idiota. – Se eu preciso escrever sobre o cara, então é melhor que eu saiba tudo sobre ele, inclusive sobre o que suas músicas falam.

̶  Sei, tem certeza que é só isso? – Mike levantou uma sobrancelha fazendo sua melhor cara irônica. Bufei irritada porque eu sabia que ele não me daria trégua até eu confessar que estava viciada nas músicas do Shawn.

̶  Você é tão chato, Michael. – ele riu indo até o meu sofá onde se jogou o que me fez revirar os olhos – Sim, eu estou um pouco viciada nas músicas dele, satisfeito? 

̶  Assim está melhor. Ema, você está se tornando uma Mendes Army?

̶  O que é isso? 

̶  É assim que são chamadas as fãs do Shawn. – explicou.

̶  E por que você tem essa informação? – ele deu de ombros tentando disfarçar, mas eu tinha acabado de pegar o meu amigo no pulo do gato. – Mike, que bonitinho, você é fã dele. – corri para apertar suas bochechas me divertindo com seu constrangimento por ter sido descoberto. Quem diria que o meu melhor amigo no auge dos seus vinte e seis anos, jornalista esportivo apaixonado por cinema e divas pop era fã do meu antigo melhor amigo. Irônico.

̶  Emily, pare, você está me amassando. – ele me empurrou para o lado, mas eu continuei o apertando – Pare sua maluca. 

̶  Tudo bem, eu paro. – voltei a ficar em pé me recompondo. – Mas é sério, isso é tão ironicamente fofo. 

̶  Eu não quero um piu sobre isso, não é como se eu fosse uma adolescente histérica, eu só sei todas as músicas dele e acompanho o cara mais de perto. 

̶  Isso é incrível, você vai poder me ajudar a escrever a matéria, pode me contar tudo que sabe sobre ele e todos os podres. – agora era Mike quem revirava os olhos. – O que? Mike, eu estou falando sério.

̶  Eu sei, e é isso que me assusta. – ele suspirou – Emily, o Shawn aparenta ser um cara legal, eu não quero ter que me envolver nessa matéria podre.

̶  E você acha que eu quero? Mike, nós tivemos um momento incrível no natal, foi como nos velhos tempos e eu to me sentindo a vadia mais asquerosa do Canadá, mas é o meu pescoço que está na reta, é a minha cabeça que a Lisa vai servir numa bandeja de prata se eu não fizer essa maldita matéria e aí adeus sonho de virar uma colunista séria. 

̶  Ei, calma, respire antes de mais nada, você precisa se distrair. – concordei indo até a cozinha pegar uma fatia de bolo, mas tão logo alcancei a caixa senti uma tapinha afastando minhas mãos do embrulho – Ainda não, sua formiga.

̶  Eu preciso me distrair, lembra? – o encarei como se fosse óbvio. 

̶  Espere um pouco, eu trouxe o bolo para comemorarmos a promoção do Adam no escritório. 

̶  O que? Ele conseguiu? – Mike sorriu todo bobo confirmando com a cabeça, o que me fez sorrir animada. 

̶  Ele me ligou quando eu estava no caminho para cá, contou que o seu projeto foi muito elogiado pela construtora, então marquei de encontrá-lo aqui, daí no caminho comprei um bolo para comemorarmos. – Adam era arquiteto e estava batalhando por uma promoção numa construtora bastante renomada de Toronto, seu projeto era a restauração e reutilização de uma galeria no centro da cidade, ela funcionaria como centro de incentivo as artes para jovens de baixa renda. Eu particularmente estava encantada com tudo, ver o meu amigo desejar esboços, montar planilhas e se empenhar tanto não só por sua promoção, mas por uma causa nobre me deixava orgulhosa.

̶  Eu acho que ainda tenho algumas cervejas na geladeira. – fui até o eletrodoméstico conferir, e sim, ainda tinha algumas garrafas. – Certo, temos bolo e cerveja, tudo pronto. 

̶  Ema. – olhei para o meu amigo apoiado no balcão da cozinha e então eu soube que vinha algo por aí e não era bom. – Eu quero te perguntar uma coisa.

̶  Ih Mike, quando você vem com essa cara eu já fico tensa, fala logo.

̶  Você gostaria de manter contato com o Shawn novamente? Não por causa da matéria, mas por vocês.

̶  Eu não estou entendendo aonde você quer chegar.

̶  Digamos que tudo isso tivesse acontecido sem a parte em que a Lisa te dá esse trabalho. Você encontra o Shawn e vocês têm todo esse papo de reencontro e essa reconexão no melhor espírito natalino, mesmo sem a necessidade da matéria, você gostaria de manter contato com ele? – eu não tinha pensado nisso até este momento. Quer dizer, claro que eu senti falta do Shawn nesses anos, mas eu nunca pensei em procurá-lo ou reaver o contato. 

̶  Eu não sei, nós meio que não nos procuramos por cinco anos, será mesmo que vale a pena? 

̶  Tá, mas você sentiu falta dele, não sentiu?

̶  Muita. – confessei como uma beata se confessa ao padre. – Todos esses anos mesmo que inconsciente eu senti falta da nossa amizade. Mas por que você tá me perguntando isso? 

 

Mike abriu a boca para responder, mas antes que qualquer frase fosse formulada, a campainha tocou me fazendo saltar para atender a porta. Adam estava ali e ele tinha um sorriso tão genuíno no rosto que eu não precisei de uma única palavra dele para saber que ele estava realizado. Abri espaço para o meu amigo entrar vendo-o sair em disparada para os braços do seu amor sendo recebido com todo carinho e orgulho que alguém podia sentir. Suspirei sendo incapaz de não desejar um pouco que fosse daquilo para mim. 

 

̶  Eu estou tão orgulhoso de você, amor. – Mike o beijou ainda abraçado a ele. 

̶  Eu também, esperem por mim. – corri para me encaixar naquele abraço, mas logo tendo a atenção de Adam só para mim, o abraçando direito. – Como você se sente? 

̶  Inteligente. – gargalhei com sua resposta. – Sério, gente, ter os chefões impressionados com o meu projeto foi muito bom, eles não quiseram mexer em nada. 

̶  Isso é maravilhoso, você merece, Adam. – sorri o abraçando pela cintura. Adam era bem mais alto que eu, então o abraço dele era daqueles protetores. Eu amava essa sensação.

̶  Eu trouxe um bolo para comemorarmos. – Ele me soltou como se de repente eu tivesse dando choque, e correu em direção a cozinha. Sim, nós partilhávamos o amor por bolo. 

̶  Diga que é de chocolate, por favor? – Mike afirmou sorrindo enquanto um Adam que parecia ter cinco anos abria a caixa, afobado.

̶  Nossa, nem parece um arquiteto bem sucedido. – brinquei recebendo um dedo do meio em resposta. – Vou pegar os pratos, ou o selvagem prefere comer com as mãos?

̶  Vai logo, Ema. – esse falou dedando a cobertura que parecia suculenta. 

̶  Vocês parecem crianças. – Mike reclamou enquanto eu recolhia três pratos e garfos do armário. 

 

O bolo estava realmente bom, nós três acabamos com metade dele, mas vamos levar em conta que eram dois marmanjos e uma louca por bolos, então não foi tão difícil. Eu girava o resto de cerveja na garrafa enquanto reclamava do filme que passava na TV, era uma típica comédia romântica de natal, onde a mocinha sempre tinha que escolher entre o príncipe e a vida real e ela, claro, escolhia pelo primeiro. Quer dizer, se fosse na vida real as coisas não seriam tão simples assim como quando temos que escolher entre chocolate e baunilha na sorveteria e tem uma fila atrás de nós, aposto que não deve ter sido fácil para a Meghan Markle abrir mão da sua carreira para se tornar duquesa, na verdade poucas teriam essa coragem. Estávamos na cena em que a mocinha aparece de surpresa no baile com o vestido mais bonito e a certeza que até trinta minutos atrás ela não tinha, foi quando o meu celular tocou interrompendo sua narrativa. Busquei o aparelho com os olhos o encontrando na mesinha de centro próximo as sobras do bolo. Pesquei o telefone olhando no identificador de chamadas, mas era um número desconhecido. 

 

̶  Alô? 

"Lily." – me empertiguei na cadeira sentindo todos os meus sentidos entrarem em alerta. 

̶  Shawn? – olhei meus amigos e esses tinham se calado prestando atenção em mim.

"Eu." – ouvi sua risada tímida, mas logo ele continuou – "Tudo bem?".

̶  Sim, tudo bem. – mordi o dedão me sentindo nervosa – Desculpa perguntar, mas como você conseguiu meu número? 

"Eu tenho contatos, Lily." – olhei o casal sentado ao meu lado tentando adivinhar qual dos dois era o responsável. – "Você está em Toronto, certo?" – assenti num gesto de cabeça, demorando alguns segundos para me tocar de que ele não podia me ver.

̶  Sim. 

"Então, eu estava pensando aqui e resolvi ligar para saber se você não topa sair para tomar um café?" – antes que eu pudesse responder ele emendou – "Antes que você pense mal, não seria tipo um encontro, sabe? Só velhos amigos passando um tempo juntos, botando o papo em dia." – ele estava nervoso, sua risada nasal o entregou. Acontece que eu também estava nervosa, não era possível que toda vez que eu pensasse ou falasse nele, ele daria um jeito de aparecer. Olhei meus dois amigos sibilando para eles o que Shawn queria, recebendo seus polegares para cima em sinal positivo. – "Emily? Você ainda está aí?”.

̶  Ah sim, estou sim. – pigarreei tentando não soar tão aguda. – E quando seria esse... Tempo?

"Hoje pode ser para você?" – olhei no relógio e não passava das 17:h. – "Eu realmente gostaria de te ver, e bem, hoje é a minha folga." – ok, ele tinha me ganhando quando disse que gostaria de me ver.

̶  Tudo bem, a gente pode se encontrar no Fran's da College Street? – sugeri não contendo revirar os olhos para os meus amigos que faziam careta pela a minha escolha de lugar.

"Por mim está perfeito, te vejo lá em uma hora." – concordei antes de desligar a chamada.

 

Cerrei meus olhos para os dois analisando a postura de cada um, mas eu não precisava ser um gênio para saber quem tinha passado o meu número para o Shawn, era até fácil demais.

 

̶   Mike, você tem alguma coisa para me dizer? – cruzei os braços esperando por uma resposta do moreno com cara de paisagem. – Estou esperando.

̶  Ah qual é Emile? Você mesma falou que gostaria de retomar essa amizade, quando você nos contou sobre o momento de vocês no natal, os seus olhos brilharam de empolgação.

̶  Isso não significa que eu queria que ele tivesse meu número. 

̶ Tudo bem, talvez eu tenha errado em tomar uma decisão por você, mas quando ele apareceu na porta da casa da sua avó com aquela cara de filhote de gato, eu não resisti, o coitado parecia desesperado para falar com você. – eu tive vontade de rir, mas mantive minha postura séria. 

̶  Pense pelo lado positivo, Ema, você pode usar essa aproximação para redescobrir o Shawn. – Adam disse simplório fazendo Mike e eu olhar para ele. – Você não acha mesmo que ele é o mesmo garoto de cinco anos atrás, acha? Quer dizer, as pessoas evoluem. 

̶  Amor, você é um gênio. – revirei os olhos com a empolgação de Michael. – Emily, eu acho que acabamos de descobrir um jeito de você escrever essa matéria sem sujar a imagem do Shawn. 

̶  E como eu farei isso? – agora eu estava realmente interessada.

̶  É simples, apenas escreva a verdade. – ergui uma sobrancelha, confusa. – Vá até ele, escute o que ele tem a dizer, passem um tempo juntos e no final eu acho que você terá material suficiente para um bom artigo contando apenas verdades sobre Shawn Mendes seja ela qual for.

̶  Mas Lisa me pediu...

̶  Lisa te pediu a verdade por trás do astro pop e é o que você vai dar, apenas a verdade. – ele tinha razão, essa aproximação dele era a minha chance de fazer o certo, eu só não soube interpretar. Burra.

̶  Eu amo vocês. – me joguei por cima dos dois ouvindo alguns resmungos, mas eu não me importava, estava me sentindo um tanto mais leve agora, eu não teria que ser a vadia que ferraria com a imagem do Shawn.

 

Corri para me arrumar escolhendo roupas que me mantivesse aquecida, o frio de Toronto era cruel nessa época do ano, então optei por uma calça jeans de lavagem escura, um suéter verde menta cachecol touca, botas e casaco, todos pretos. Pronto, eu estaria quentinha e confortável. Saio do meu apartamento deixando meus amigos jogados no meu sofá, eu estava me sentindo nervosa por não saber o que esperar desse encontro, na tentativa de me manter calma, resolvi ir andando até o Fran's já que o lugar não ficava tão distante do meu apartamento, mas na metade do caminho comecei a achar que fora uma péssima ideia. Andar me dava tempo para pensar e pensar fazia com que eu criasse paranoias. Comecei a lembrar das palavras de Mike sobre eu escrever apenas a verdade sobre o Shawn, mas qual seria a verdade? Será que ele havia mudado? E se eu não gostasse desse novo ele? E se a verdade fosse tudo o que a Lisa esperava? Abanei minha cabeça para afastar os pensamentos assim que avistei a placa do café. Cruzei a porta ouvindo o sino tilintar atrás de mim, me sentindo grata pelo ambiente estar aquecido. 

 

Corri meus olhos pela extensão do lugar avistando a cabeleira castanha numa mesa mais no canto, me permiti observá-lo melhor, ele vestia um moletom cinza sem estampas, o cabelo propositalmente desgrenhado, deixando-o ainda mais charmoso. Shawn sempre foi o magricela de aparelhos, mas o tempo tinha sido seu amigo, era até engraçado vê-lo no papel do patinho feio transformado em cisne. Ele tinha as feições sérias parecendo concentrado com algo em seu telefone o que me fez sorrir com a ideia de pegá-lo desprevenido. Caminhei a passos lentos até o moreno esperando que ele não levantasse a cabeça antes que eu o alcançasse.

 

̶  Eu acho melhor você não está assistindo pornô em público. – falei próximo ao seu ouvido e vi os olhos esbugalhados de Shawn se erguerem assustados para me encarar, foi a coisa mais engraçada do meu dia e eu não contive a gargalhada. 

̶  Muito engraçada, Emily. – ele suspirou pondo a mão no peito, o que só me fez rir mais.

̶  Isso foi pelo susto que você me deu na porta de casa duas noites atrás. – sorri convencida me sentando no bando do outro lado da mesa, retirando meu casaco, touca e cachecol. Shawn soltou uma risada curta parecendo se lembrar. 

̶  Oi. – ele me encarou com um sorriso enviesado e, meu deus, alguém precisava dizer para ele parar de fazer isso, é intimidador. 

̶  Oi. – respondi esfregando minhas mãos por baixo da mesa. – Já pediu?

̶  Estava esperando por você. – ele disse pondo o celular em cima da mesa com o visor para baixo. 

̶  Desculpe a demora, como eu não moro tão longe daqui, resolvi vir andando. – expliquei gesticulando rápido demais. Shawn apenas abanou a cabeça dizendo para eu não me importar. Logo uma garçonete se aproximou perguntando o que iríamos querer, ela pareceu reconhecer o reconhecer, mas se limitou a ser profissional, talvez a política do lugar exigisse isso. 

̶  Um café puro para mim e um chá de camomila adoçado com mel para a moça aqui. – ele sorriu para a garota e eu tenho a leve impressão de ter ouvido um suspiro assim que ela se virou. Efeito Shawn Mendes.

̶  Você ainda lembra? – inclinei minha cabeça apoiando meu queixo na mão direita não contendo um sorriso, ele lembrava os meus gostos.

̶  Claro que eu lembro, você deve ser a única pessoa que eu conheço que não bebe café. – ele falou apoiando os cotovelos na mesa e entrelaçando as mãos.

̶  Provavelmente estou nas margens de erro da humanidade. – ironizei. Ficamos alguns segundos em silencio apenas apreciando a companhia um do outro, Shawn se preparou para falar algo, mas se interrompeu antes mesmo de começar, parecendo escolher bem as palavras, então eu acabei por tomar a iniciativa. – Por que você me chamou aqui, Shawn? – me endireitei na cadeira, mantendo minha postura mais ereta. 

̶  Lily, eu estive pensando na gente e em como costumávamos ser amigos, eu sinto falta daquilo. – ele me pegou de surpresa por ter sido tão direto. – Depois que você saiu lá de casa, eu fiquei pensando nas palavras que eu te disse, eu fui rude, me desculpa.  – eu ia interrompê-lo para dizer que não, mas ele se antecedeu. – Eu não quis ser um babaca com você, mas a verdade é que para mim era mais fácil fingir que eu te esqueci, ou eu ia continuar sempre abrindo perguntas que não teriam respostas. 

̶  Shawn, está tudo bem, depois que eu fui embora da sua casa eu refleti em tudo o que você me disse e eu entendi, de verdade. – como se previsse o timing perfeito, a garçonete voltou com nossas bebidas as colocando sob a mesa e saindo não sem antes perguntar se gostaríamos de mais alguma coisa. Soprei minha caneca afastando a fumaça e sentindo o aroma do liquido disposto ali, o vendo fazer o mesmo. O chá desceu quente pela minha garganta me fazendo sentir aquecida instantaneamente. – E então, me conte de você. 

̶  Ah, eu estou meio que de férias até a segunda semana de janeiro quando viajo para Los Angeles, estou começando a trabalhar no meu novo álbum. – deu de ombros como se não fosse nada demais.

̶  Que legal, Shawn, deve ser incrível trabalhar com o que gosta, não é? 

̶  Sim, é prazeroso, mas eu achei que você soubesse disso por conta própria.

̶  Olha, ser checadora não é ruim, mas eu não estou fazendo o que realmente quero, quer dizer, eu basicamente edito as histórias que os outros contam, reorganizo toda a estrutura do texto e cuido da narrativa, mas não é a mesma coisa. Eu quero estar lá fora, sabe? Quero conhecer pessoas, vivenciar momentos e poder contar minhas próprias histórias ou contar histórias de outras pessoas através dos meus textos, dar voz para que elas sejam ouvidas. O mundo é tão grande, tem tanta coisa pra se ver e se contar por aí.

̶  É tão bonito o jeito com que você fala da sua profissão, você parece tão apaixonada pelo o que você acredita. – sorri com sua definição, porque era bem isso.  – No fim, não é tão diferente da minha profissão. 

̶  Como não? Você canta para uma multidão, atende tantas pessoas, lida com todos tentando invadir sua privacidade, não acho que tenha muito a ver. 

̶  Esqueça essa parte, eu estou falando da música. Se você olhar bem, verá que a música também serve como uma grande contadora de histórias, apenas outra forma de escrita no fim das contas. – ele tinha razão, eu nunca tinha pensado por esse lado. – Você falou sobre eu atender varias pessoas, mas é exatamente nesses momentos que eu descubro histórias incríveis. 

̶  Me conta? – soltei a caneca me sentindo mais interessada. – Como é?

̶  Sabe, olhando de fora parece assustador ver tantas pessoas me seguindo por onde eu vou, tantas garotas parecendo desesperadas por uma foto ou um abraço, mas você só precisa se colocar no lugar delas para enxergar melhor. No começo eu me assustava com todo esse assédio, mas com o tempo fui procurando manter uma ligação com eles, busquei conhecer o máximo que eu podia e, Lily, você precisa ver as histórias que essas pessoas têm para contar, você se apaixonaria. – os olhos do garoto a minha frente brilhavam enquanto ele falava dos fãs, era impossível não sorrir. – É tão gratificante saber que as minhas músicas de alguma forma ajudou alguém, quando eu assinei contrato com a gravadora, minha única exigência foi para que eles me deixassem escrever minhas próprias letras, e ver que isso tem surtido efeito, sabe? É inexplicável. Pessoas vêm a mim ou me escrevem contando de como estavam com problemas em suas vidas e como minhas músicas de alguma forma ajudou para que elas passassem por isso de maneira mais leve, e então isso só faz minha crença de que a música tem o poder de salvar vidas se reafirmar.

̶  Que lindo, Shawn, eu nunca tinha parado para olhar por esse lado. – confessei me sentindo uma idiota por sempre minimizar essa relação de fãs e ídolos. – Deve ser incrível para elas saber que você valoriza isso.

̶  Eu gostaria de poder fazer mais, seria incrível se as pessoas pudessem nos ver do avesso, elas poderiam ter toda a certeza de que eu as amo de verdade. – encarei cada canto do rosto do garoto a minha frente, ele estava sendo tão sincero que uma chama de certeza me invadiu, eu sabia que escrever sobre ele era o certo, mas escrever a verdade sobre ele. – Terra chamando Lily. – pisquei com Shawn estalando os dedos em frente ao meu rosto e só então percebi que eu tinha ficado aérea por um tempo.

̶  Desculpa, eu estava refletindo sobre tudo isso que você me falou. – sorri sem graça.

̶  Tudo bem, eu só perguntei se você gostaria de dar uma volta por aí.

̶  Por mim tudo bem. – sorri. Shawn pagou a conta no balcão enquanto eu voltava a por meu caso. 

 ̶  Vamos? – concordei seguindo o garoto em direção a saída. 

 

Ainda era inicio de noite quando deixamos a lanchonete, caminhamos alguns quarteirões apenas com Shawn contando algumas das suas aventuras durante a turnê. Ele contava tudo com bom humor, me fazendo rir na maior parte do tempo, era incrível a capacidade dele de levar tudo com leveza, desde a quebra de algum instrumento até problemas com o passaporte, sim ele já passou por ambos e mesmo assim ele parecia lidar com isso de forma tranquila. Eu já podia sentir minha barriga doer de tanto rir enquanto Shawn contava sobre sua experiência na Austrália e de como ele quase tomou um coice de um canguru, fiquei imaginando a cena e isso não melhorou muito no controle das minhas gargalhadas. 

 

̶  Não ri, eu podia ter me machucado. – ele reclamou, mas rindo também. 

̶  Eu não tenho culpa se você é sempre tão estabanado, olha o seu histórico de tombos constrangedores.

̶  Eu não sou estabanado, eu sou muito alto, é diferente. – ele contrapôs se defendendo. – As coisas parecem sempre fora de padrão para mim.

̶  Você está se justificando? – semicerrei os olhos tentando não rir – Tudo bem, Shawn, eu guardo seu segredo, pode confessar.

̶  Tudo bem, eu até posso ser um pouco estabanado, mas nada comparado a você.

̶  Espera, quando que eu virei a ré aqui? – me virei cruzando os braços em sua frente. – Saiba que para a sua informação, eu sou muito consciente dos meus movimentos, querido. – contrariando totalmente as minhas palavras, acabei esbarrando numa lata de lixo e só não caí porque Shawn me segurou pelo antebraço. Nos encaramos por dois segundos antes de explodirmos em gargalhadas. 

̶  Eu to vendo o quanto você é consciente. – ele disse ainda rindo do meu quase tombo. 

̶  Ei, eu estava andando de costas, isso não vale. – tentei me justificar.

̶  Aposto que você reprovou na prova de baliza. 

̶  Você quem quase bateu no meu não carro. – ele me olhou confuso – Era o carro do Mike.

̶  De qualquer forma, você não deu seta, Lily. 

̶  Claro que dei, lembro até mesmo do Adam ter me orientado na hora. 

̶  Você deu seta para o lado esquerdo, a rua ficava para o lado oposto, como eu iria ver? 

̶  Olha aí, ta vendo? Eu não tenho culpa que é tudo complicado demais. – ele riu fazendo um movimento de negação com a cabeça. – De qualquer forma, você me fechou. 

̶  Teimosa. – empinei meu nariz me negando a cair nas provocações dele.

 

Estávamos sem perceber fazendo o caminho de volta ao meu apartamento, quando eu senti alguns pingos gelados tocar meu rosto, logo uma chuva grossa caia nos fazendo correr o mais rápido possível. Shawn passou a me seguir no caminho até o meu apartamento, a chuva parecia cada vez mais forte e o asfalto escorregadio pelo gelo. Entramos no hall do meu prédio, encharcados pela tempestade que caia lá fora, recebendo um olhar carrancudo do Joey, o zelador. Eu sentia certa dificuldade para respirar devido ao esforço da corrida, Shawn não estava muito diferente, o olhei e ele passava as mãos pelos cabelos tentando diminuir as gotas d'água ali. 

 

̶  Então, é aqui que você mora? – ele sorriu parando para olhar o lugar. Meu prédio estava longe de ser uma construção sofisticada, suas paredes de tijolos vermelhos gastos dava um ar mais industrial ao lugar, mas ao mesmo tempo era acolhedor e ele pareceu sentir isso. – É bem legal. 

̶  Você quer subir? Eu tenho toalhas e posso fazer alguma bebida quente para aquecer enquanto você espera a chuva passar.  – ele me encarou por um tempo, eu não sabia dizer bem se ele estava me analisando ou ponderando sobre o meu convite, de qualquer forma seu celular o interrompeu apitando uma mensagem.

̶  Eu não vou poder. – respondeu depois de ler o que tinham lhe enviado. – Preciso ir

̶  Mas ainda está chovendo e você vai acabar pegando um resfriado. – ele deu de ombros como se não tivesse muita escolha, foi então que olhei para um canto próximo ao balcão da portaria e vi um porta guarda chuva contendo três guarda chuvas ali, fui até lá e peguei um o entregando. – Aqui, pelo menos você não vai estar tão desprotegido. 

̶  É seu? – neguei. O dono provavelmente sentiria falta, mas tudo por um bem maior. – Emily Clark, você está roubando um guarda chuva? 

̶  Estou e você é meu cúmplice, então bico calado. – ele riu pelo nariz – Se você ficar doente eu vou estar encrencada com seu pessoal, melhor evitar o ódio gratuito e poupar sua saúde.

̶  Você é maluca sabia? – sorri fazendo uma reverencia o que só fez o moreno rir ainda mais. – Mas até que foi divertido.

̶  Foi, não é? Eu sei, eu sou divertida. – abanei minha mão no ar fazendo pouco caso. 

̶  Então eu já vou indo. – ele balançou o guarda chuva no ar sinalizando sua deixa. – Boa noite, Lily.

̶  Boa noite, Shawn. -  esperei ele atravessar a porta de saída para me virar em direção ao elevador, mas enquanto esperava uma mão tocou meu braço me fazendo virar para encarar a pessoa. 

̶  Eu vou dar uma festa de ano novo no meu apartamento, seria legal se você fosse com os seus amigos, se você não tiver planos, claro. – Shawn estava parado na minha frente com suas bochechas coradas e um sorriso tímido.

̶  Shawn, eu não sei...

̶  Não precisa me dar uma resposta agora, só promete pensar, ok? Vai ser legal, eu quero que você conheça os meus amigos e que eles te conheçam. – suspirei sabendo que não adiantaria negar, isso só o faria insistir mais.

̶  Tudo bem, eu prometo pensar. – observei o sorriso dele se abrir por completo. 

̶  Espero te ver lá. – ele falou enquanto se afastava novamente em direção à porta. 

̶  Tchau, Shawn.

 

Fechei a porta do meu apartamento ainda pensando sobre tudo o que tinha acontecido desde então, as coisas estavam acontecendo tão rápido que me assustava. Abanei minha cabeça tentando não pensar muito em tudo, pelo menos não por agora. Olhei em volta vendo que os meus amigos já tinham ido embora, então resolvi ir tomar um banho quente e me enfiar debaixo das cobertas enquanto esperava minha comida que eu ainda não sabia aonde ia pedir.

Eu estava enrolada na minha manta escolhendo algo para assistir quando senti meu celular vibrar.

 

"Prometo devolver o guarda chuvas a seja quem for o dono, mas só se você vier pegar na minha festa."

 

Sorri relendo a mensagem mais algumas vezes antes de bloquear o celular. Alguém precisava ensinar ao Shawn Mendes a ser menos insistente.

 


Notas Finais


Então gente, primeiro eu espero que vocês tenham gostado, eu fiz de coração e corri pra conseguir postar hoje no aniversário do Shawn, porque queria dar esse presente a vocês. Acontece que é trabalhoso postar aqui, mesmo escrevendo no computador, eu tenho que revisar tudo antes de postar, eu vejo capítulo que chegou a 60 visualizações, o último teve 30, mas nenhum comentário. Eu amo escrever, de verdade, mas é frustrante ficar sempre na expectativa de ver o que vocês acharam, receber comentários e até mesmo critica e no fim só receber silencio. Então eu estou seriamente pensando em excluir a história, mesmo amando escrever, é exaustivo não ter retorno, por isso tudo vai depender o feedback de vocês, combinado?

Fico no aguardo.


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