História Falling Away With You - Capítulo 2


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Notas do Autor


Meus amados:
Pro bem da leitura de vocês, gostaria de informar que essa fic foi escrita para ter apenas 1 capítulo. Mas como basicamente todo mundo pediu uma continuação, vai ter um segundo e um terceiro capítulo.
Porém, entretanto, todavia... Na MINHA opinião, o segundo não ficou tão bom quanto o primeiro e não sei o que será do terceiro.
Eu apenas asseguro a qualidade do primeiro capítulo.
Só que o segundo também está legal. Então uma boa leitura pra vocês!

Capítulo 2 - With You


No ponto em que estava, Michael não podia ter mandado parar o avião aquele dia, após ler a carta. Ele até queria, mas não havia como voltar correndo para David. Já fazia duas semanas que ele havia se instalado em Cardiff, era ótimo estar de volta a sua terra natal, ouvir sotaques familiares e poder comer comida típica. Mas toda vez que ele escutava um sotaque diferente, sentia falta do leve sotaque escocês de David, que sempre o alegrava.

Michael se arrependia de algumas coisas agora. Ele ainda acha que David havia sido ligeiramente covarde de se declarar assim anonimamente e justo no dia em que ele estava indo embora, mas o galês também sabia que ele tinha sido tão covarde quanto de não ter contado nada sobre os seus próprios sentimentos. O que ele mais se arrependia era de não ter feito algo quando ele abraçou o escocês pela última vez e o viu chorar, ele poderia ter beijado o outro ali mesmo e ter dito que se David pedisse, ele ficaria. Mas para Michael, David não sentia nada além por ele, nunca havia notado algo que indicasse amor e não havia visto nenhuma reação da parte dele, nenhuma ação para impedi-lo de ir naquela manhã.

Os dois não haviam se falado desde a transferência. Só algumas breves trocas de mensagens sem muito significado. Michael não entendia muito bem por que o outro não perguntava sutilmente por algo, especulava pela carta, mas ele imaginava que era pelo mesmo motivo que ele próprio nunca mencionou que havia lido ou comentado algo que sugerisse isso. Os dois eram complicados, não eram bons em apenas falar de uma vez o que sentiam, mas o galês estava começando a perceber que isso poderia fazê-lo perder o homem que ele mais havia amado até hoje.

*

Duas semanas, já eram duas longas e tristes semanas que David havia passado sem Michael naquele escritório. Ele tinha sim outros colegas lá, mas ele era um homem de poucos amigos de verdade. Mas David tinha Billie, sua melhor amiga desde a faculdade, ela era uma cantora excepcional que o mundo ainda não havia descoberto, mas isso não a parava. Ela e David estavam sentados num parque no horário de almoço. O escocês já tinha contado para ela que gostava de um colega de trabalho e ela havia deduzido sozinha que era o galês que estava sempre junto de seu amigo.

- Ele foi embora Billie... – David falou com tristeza em meio a um suspiro.

- Quem? Seu crush? – Perguntou ela demonstrando interesse.

- Crush? Eu acho que ele era o amor da minha vida.

- Ele ‘é’, se ele está vivo, ele ainda é Tenny. – Billie sempre chamava seu amigo por esse apelido carinhoso, principalmente quando ele não estava tão bem como agora.

- Ele foi pra Cardiff, você tem noção do quão distante isso fica? – Ele dizia enquanto olhava desapontado para seu sanduiche de atum e dava uma mordida.

- Distância é relativa querido. Deixa eu adivinhar, você não teve coragem de contar pra ele antes dele partir? – Ela questionou lançando um olhar de repreensão para David.

- Eu contei. Quer dizer, eu escrevi uma carta. Não coloquei meu nome, mas se ele leu, ele sabe que fui eu quem escrevi.

- Uma carta anônima? Quantos anos você tem Tenny, 8? – Billie tentava acreditar naquela informação enquanto via o outro olhar para ela seriamente. – Vocês se falaram desde que ele foi embora?

- Só algumas mensagens de ‘como vai?’, nada além. Ele nunca mencionou nada, eu achei melhor não perguntar, se não estragaria a coisa do anônimo.

- Meu Deus, vocês dois são complicados...E lentos. Eu duvido que ele não gostava de você também David, das vezes que nós três almoçamos juntos, aqui mesmo, eu via como ele te tratava, como os olhos dele brilhavam verdes quando estava com você.

- Mesmo Billie? – David nunca tinha reparado nessas coisas, não acha que Michael o via de modo diferente do que via outras pessoas. – Não, isso deve ser coisa da sua cabeça romântica.

- Eu não sou boba Tenny, eu percebi. Você só é muito medroso para acreditar e ele, bom, eu não sei o qual é a questão dele, mas deve ser insegurança e medo igualzinho a você.

- Se tem uma coisa que aquele homem não é, é inseguro. Não dá pra ser tão... Caloroso e receptivo com as pessoas sendo inseguro. – O escocês terminava o último pedaço de seu sanduiche enquanto falava.

- Às vezes as pessoas mais seguras de si externamente, são as mais inseguras de seus sentimentos e internamente. Eu tenho que voltar pro trabalho Tenny, infelizmente ainda não sou famosa o suficiente para passar o dia todo aqui contigo. – Billie era sonhadora e bem-humorada, brincava com sua situação com leveza e sorria sempre. – Liga pra ele David. Liga e pergunta da carta. Não pense, só ligue.

Billie deu um beijo no rosto de seu amigo e foi embora sorridente após o conselho. Ele continuou parado ali mais uns instantes observando a outra ir embora e pensando no que tinha acabado de ouvir. Billie tinha razão, em muitos aspectos. Michael ainda era o seu grande amor, não havia deixado de ser. E os dois eram sim complicados, principalmente ele próprio. Mas ele também achava que se não ligasse ou tomasse alguma atitude logo, o verbo como ele havia utilizado no passado, ia se tornar realidade. Ele perderia Michael para sempre.

*

Era quinta-feira, Michael estava no meio do seu horário de almoço, que durava uma hora. Eram um pouco mais de 13h, o galês estava sentado sozinho numa cafeteria próxima ao escritório e sentiu repentinamente seu celular vibrando no bolso. Ao pegar o aparelho e olhar o número na tela, o coração de Michael parou por um breve segundo e um misto de curiosidade e ansiedade tomou seu corpo. Era David ligando.

- A-Alô? – Disse o galês nervoso e surpreso. Mas só recebeu silêncio em resposta do outro lado da linha. – David, é você, não é?

O escocês respirava do outro lado e não conseguia fazer sua voz sair facilmente. Quando ele ouviu Michael falar seu nome, depois de tanto tempo sem ouvi-lo na voz do homem que ele amava, foi como a melhor coisa do mundo, soou tão doce, mas o travou. Depois de mais alguns segundos de silêncio, David respirou fundo e conseguiu dizer algo:

- S-Sim... Sou eu. Alô... – Formular uma frase decente ainda não era fácil, mas David havia se preparado por 2 dias depois de ser aconselhado por sua amiga a ligar para o outro. – Eu queria saber como você está, você pode conversar agora?

- Claro! Posso, estou no meu horário de almoço. – Michael respondeu com um tom alegre, não conseguia esconder sua felicidade ao receber aquele telefonema.

- Almoço é? Aqui é hora do café da manhã. – David deu um riso sem graça do seu comentário. Havia essas horas de diferença entre o escritório em Atlanta e o de Michael em Cardiff. – Como tem sido aí? – David estava tentando criar alguma conversa fiada, antes de ir direto ao ponto.

- Tem sido ótimo fy ffrind, é bom estar de volta em casa, poder ver placas em galês e ter mais companhias para um chá. Mas... Eu sinto falta daí, de vo... – O galês hesitou e não terminou a frase como ele realmente queria. – De todos vocês.

David estava com todo um roteiro em mente do que dizer e ele conseguia sentir a alegria na voz do outro em estar falando com ele, mas sua insegurança persistia e o fazia pensar 3, até 4 vezes antes de realmente perguntar pela carta. Mas Michael o chamar de ffrind logo de início, parecia um sinal. O escocês resolveu devolver a pequena referência para ver se conseguia outras dicas.

- Nós também sentimos sua falta, Roger e outros sempre me perguntam de você. Droga, eu sinto falta do galês mais orgulho que esse escritório já teve.

Michael pareceu entender a mensagem e seu coração acelerou levemente ao ouvir aquela frase. O galês não tinha mais muito tempo de almoço e sua curiosidade era grande. Os dois fizeram mais alguns segundos de silêncio durante a chamada e então acabaram continuando quase que ao mesmo tempo:

- Você escreveu aquela carta?

- Você leu minha carta?

Ambos responderam sim. Michael se pronunciou primeiro:

- Por que assim? Quase anônimo, no dia em que eu estava indo embora? – Dava pra sentir uma mudança de tom em sua voz que ficou mais séria e fraca.

- Por que eu sou... Eu fui, um covarde. Mas não quero mais ser. Foi o único jeito que encontrei de dizer o que sentia, mas eu não sabia que era seu último dia aqui. Por que você não me contou nada? – A voz do escocês começou a ficar um pouco embargada.

- Você não é covarde David... Não é covardia não conseguir contar o que se sente. Se for assim, eu também sou um covarde... – Michael deu um pequeno intervalo antes de continuar podendo ouvir a respiração do outro, que não soava calma. – Eu não contei a ninguém, me mandaram não contar. Eu também achei que seria melhor só ir, sem dias de despedida e tristeza por que eu teria que ir e te deixar. Já bastava a minha tristeza por isso.

- Eu devia ter te impedido de algum modo. Mas eu não poderia estragar suas chances de voltar pro Reino Unido, eu não iria conseguir sobreviver sem você e rejeitado por você. – David não conseguia conter as lágrimas que começavam a molhar seu rosto. Doía imaginar a possibilidade de rejeição novamente.

- E o que te faz imaginar que justamente você, você David estragaria minha vida de alguma forma? E como eu rejeitaria um homem incrível, talentoso, lindo e tão único quanto você? – O galês subiu levemente o tom de voz para dar ênfase no que afirmava sobre o outro, por que ele realmente achava David tudo aquilo e muito mais.

O escocês ficou surpreso com a resposta. Ele não esperava que Michael o visse daquele jeito, jeito tão similar ao qual ele sempre viu seu amado. Uma esperança preencheu o coração de David, parecia que Michael também sentia algo a mais por ele.

- Michael... – Disse o outro em um tom sério. – Sobre a carta, tudo que eu escrevi, é verdade. Cada palavra. Cada detalhe. E-eu... – David não aguentava mais guardar aquilo pra si, precisava dizer em voz alta. – Eu me apaixonei por você aos poucos, mas acho que já estava destinado a isso desde a primeira vez que te vi passar pela porta do escritório.

Michael não conseguia conter sua emoção, ele estava andando em direção a uma praça, não muito longe de onde estava antes, a cafeteria tinha ficado cheia e ele precisava de privacidade para continuar a conversa. Ele andava com o coração cheio de alegria, um sorriso bobo no rosto e uma vontade grande de revelar tudo o que sentia também e então o fez:

- David, você nunca parecia demonstrar isso e eu então disfarçava os meus sentimentos. Desde a primeira vez que eu te vi, você me ajudando a usar aquela máquina estúpida, você e seu cabelo perfeito... Tudo que eu queria era ser mais que seu amigo e a cada vez que te via tímido, concentrado no seu mundo, mas eu queria fazer parte dele e poder dizer que eu estava me apaixonando por você mais e mais a cada dia.

As lágrimas de David que a minutos atrás eram de tristeza, haviam se transformado em alegria. Ele nunca imaginaria ouvir tais palavras vindas da boca do seu, até então, amor platônico. Não esperava que fosse recíproco, mas era e agora estava claro.

Michael deu uma espiada em seu relógio de pulso, eram quase 13h30, faltavam 5 minutos e esse era todo o tempo que ele tinha antes de ter que voltar ao trabalho. Ele estava tão feliz e não queria interromper aquele momento, mas seria necessário. O escocês continuou a falar, deixando transparecer pura felicidade em sua voz:

- Por que nós dois fomos tão idiotas? – Ele riu e o galês também, aliviando um pouco a tensão. – Eu devia ter dito algo antes, você devia ter me dado uma dica pelo menos... Mas não importa, eu não poderia estar mais feliz do que agora que sei que você também sente o que eu sinto...

- Você vai ter que me perdoar David, eu preciso voltar pro trabalho. Mas por favor, me liga na hora do seu almoço, a gente termina essa conversa em algumas horas okay? E sim. Eu sinto o mesmo e também devia ter falado algo antes. Mas tudo acontece na hora... Certa.

O escocês e o galês se despediram e encerram a ligação. Mas algo ficou na mente de Michael enquanto ele voltava para o trabalho. Era de fato a hora certa? Era justo que depois de belos 3 anos juntos, eles só houvessem se declarado agora que estão a quilômetros e quilômetros de distância? David tinha razão, mesmo brincando. Eles haviam sido idiotas e lentos. Michael tentava manter a positividade, porém essas duas perguntas o perseguiram enquanto ele trabalhava, imerso em alegria, mas também em preocupações.

Os dois teriam muito o que acertar e conversar quando David ligasse novamente, e o fuso horário atrapalhava, mas por sorte quando o escocês ligasse, seriam 18h e ele já estaria quase chegando em casa. Michael se preocupava, mas sua preocupação sumia de leve a cada mensagem, agora muito mais íntimas do que antes, que ele trocava com o escocês. Os dois mantinham a positividade apesar de serem ambos pés no chão, realistas. Eles se acalmavam mesmo sem claramente saberem das preocupações um do outro. Frases como “daremos um jeito” ou “tudo vai dar certo agora” apareciam e eles acreditavam, mesmo que lá no fundo algo gritasse que o timming era incorreto, que eles estavam atrasados.

*

O horário de almoço de David havia chegado. Ele tinha trabalhado a manhã toda radiante, seus colegas não entendiam porque ele estava tão feliz de repente. Desde que Sheen havia ido embora, não viam Tennant nem sorrir mais, ele estava cada vez mais e mais imerso em si mesmo. Já hoje, ele parecia que tinha ganhado na loteria, o prêmio mais alto e não tinha contado para ninguém.

Ele e Michael haviam trocado mensagens via Messenger durante o trabalho, pelo computador, era mais fácil que disfarçar que o celular e mesmo que sempre inseguro, David apenas sorriu para tela do computador o expediente inteiro. Ele fazia questão de não pensar nos “comos” e “porques” dali em diante. O homem que ele amava o amava também e isso era o suficiente para aquele ser o melhor dia da sua vida.

O escocês então foi comer seu almoço no parque em frente o prédio em que trabalhava, como sempre. Billie não iria poder encontra-lo hoje, tinha conseguido um show em uma festa de aniversário, mas ele havia contado tudo para ela em primeira mão, que se sentiu orgulhosa de ter quase obrigado David a tomar essa atitude. Ele então terminou seu sanduíche o mais rápido que pode, em torno de 13h10, ele ligou para o outro. Optando por uma chamada de vídeo dessa vez.

- Olá! – O escocês disse enquanto acenava e sorria.

- Olá fy ffrind! – Michael deu um daqueles sorrisos radiantes que David amava e era tão bom poder ver aquele sorriso novamente, aqueles cachos perfeitos, a barba por fazer de Michael... Ele estava lindo.

- Então, eis me aqui. O que você queria conversar? – David fez uma expressão um pouco mais séria ao perguntar.

- Embora eu só quisesse continuar admirando seu rosto, sentia saudades dessas sardinhas... - O galês estava andando enquanto fazia a chamada, indo para a casa, a luz do dia já estava acabando. – Nós precisamos pensar se realmente isso entre nós dará certo agora que estou longe.

- Vamos fazer funcionar querido. – O escocês falava com segurança, o que não era comum para ele, mas ele tinha certeza dessa vez. – Nós vamos achar uma forma.

- Será? – Michael sorriu desacreditado, entrando em sua casa, permitindo assim que David o visse com clareza novamente. – Eu apenas acho injusto isso estar acontecendo agora. Não posso voltar para Atlanta e jamais poderia pedir pra você largar sua vida ai por mim... Podemos lidar com a distância, mas quando você disse que estava apaixonado por mim, foi complicado não poder te retribuir com um beijo na mesma hora.

O galês não tinha conseguido deixar as ideias e problemas de lado, ele achava completamente sacana da parte do universo ter os afastado e então depois ter trazido a revelação que ele queria ter ouvido a tempos atrás, quando os dois ainda estavam próximos, justamente agora. David pensou por alguns breves segundos, olhando para o rosto de Michael, antes de respondê-lo.

- Não é justo, eu concordo. Mas você está errado em um ponto.

- Em que ponto? – Questionou Michael bastante curioso.

- Você pode pedir sim pra eu largar tudo aqui por você. Nem que seja só por uma chance com você, mesmo que não dê certo. – David falava aquilo calmamente, olhando nos olhos de Michael através da chamada de vídeo.

- Mas... Isso seria loucura David!

- Eu sou o cara mais sensato do universo, nunca fiz nada que se possa considerar louco ou impulsivo, eu jogo seguro, eu sou previsível. Mas eu te amo seu galês idiota. Se você disser que sim, eu vou.

Michael nunca havia ouvido palavras mais lindas antes. O outro realmente estava disposto a largar tudo por amor, por ele. Apesar de sempre pensar em tudo, nos prós e contras de suas atitudes, uma coisa falava mais alto do que tudo e essa coisa era amor. Ele amava David e daria qualquer coisa para que pudesse estar do lado dele agora. Michael estava visivelmente emocionado, seus olhos brilhavam de modo que se via uma cor esverdeada lindíssima. Sem pensar uma segunda vez, o galês apenas olhou diretamente para David e respondeu convicto e firme:

- Sim!


Notas Finais


Obrigada a todos que chegaram até aqui, em breve sai o terceiro e último capítulo dessa 😊
A cusan i chi e chequem minhas outras fics se quiserem 💖


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