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História Falling in Love (Charlie x Alastor) - Capítulo 21


Escrita por: e DaddyAlastor


Notas do Autor


Hello my deaaars!

Temos uma novidade interessante para vocês!

Eu e minha querida Charlie decidimos fazer um spin-off, isso mesmo! (Ela que me ensinou este termo HA HA HA) e este spin-off é sobre o meu passado como podem ver! HA HA HA

Iremos intercalar com os capítulos normais da fanfic, mas para este spin-off sempre deixaremos claro que faz parte de THATP - the hunter and the pray.

Também gostaria de deixar claro que estamos explorando o meu passado não em cima de sociopatia, mas sim voltado mais para o aspecto sádico.
Estamos explorando como a minha mente funcionava ha ha ha!

Espero que gostem e achem interessante. As boas novas são: se vocês gostarem desse spin-off, a fanfic em geral ficara ainda mais longa HA HA!

(Também gostaria, como autor, deixar claro que escolhemos minha rua a dedo HA HA HA e sim ela existe)

Acredito que seja isso por agora meus caros!

Tenham uma ótima leitura e nos contem o que acharem HA HA!

Stay tuned 😉

--DaddyAlastor

Capítulo 21 - The Hunter and the Pray: O encontro


Alastor seguia uma mulher loira, de cabelos longos pela cidade. Ela aparentava ser nova no local, jamais havia a visto pela região. Seria a vítima perfeita, afinal a mesma não sorria... Em todo o tempo que ele a seguiu, ela não sorriu, sequer uma vez. Parecia cabisbaixa, sem vida; era fraca ao seus olhos. Assim como todas suas outras vítimas.  

Estava anoitecendo. Ela começou a adentrar a floresta, floresta que ele conhecia bem... Por que? Por que uma mulher sozinha iria adentrar uma floresta que estava pintada em tons laranjas graças ao por do sol?  

Com certa distância ele a acompanhou. Até que a mesma parou próxima ao lago. Lugar perfeito para Alastor começar seu plano. Ele tinha um revólver que estava carregando dentro de seu sobretudo vermelho. Não, não a mataria com um tiro, não gostava disso. Gostava de ver a dor, o sofrimento... Gostava de matar com as próprias mãos.  

Alastor iria feri-la no braço, como se fosse um acidente... e iria leva-la para sua casa, onde terminaria o serviço. Ele estava mirando nela. 

Já faziam alguns dias desde que Charlie estava em New Orleans, mas tudo parecia tão monótono e diferente. Mal conseguia se aproximar das pessoas, sequer trocar alguma palavra. Sentia que estavam a evitando, mas não sabia o porquê.  

Lá, não tinha lugar para ficar, era um demônio, não um humano. Não precisava de casa, estava a passeio. Um passeio que estava um tanto quanto entediante, não era a mesma coisa... Estava se decepcionando com o mundo humano pela primeira vez em centenas de anos.  

Era fim de tarde, sequer tinha conseguido tomar um café, não tinha dinheiro para o tal. Visualizou uma floresta ao longe, lembrava dela, quando passara para este plano tinha aparecido ali. Lembrava que havia um lago, talvez pudesse beber água?  

Caminhou cuidadosamente por entre as folhas, deixando o longo vestido branco arrastar pelas raízes e se sujar com a terra úmida, não demorou muito até chegar ao lago. Abaixou-se a sua beira, esticando a mão para molhar os dedos, mas... Não estava sozinha. Estava? Levantou o olhar a sua frente, não tinha ninguém. Virou-se para olhar para trás. 

Alastor olhava para a mulher, estava apontando seu revólver para ela. Fazia algum tempo que não matava. Um grande sorriso preenchia seu rosto enquanto o desejo e imaginação do locutor iam longe. Os gritos de dor até cessarem... O corpo se contorcendo até perder a vida. Estava ficando empolgado. Estava prestes a apertar o gatilho, o braço delicado da mulher estava na mira, mas ele se assustou quando ela olhou para trás e seu tiro pegou de raspão no braço da mesma. 

A bala atravessou o local numa velocidade impossível de visualizar, bem na hora que a menina se virou, sentindo apenas a dor lacerante de algo cortando sua pele. Aquele pequeno projétil a fez contorcer-se assustada, levando a mão livre até o braço, comprimindo o local que sangrava e manchava as mangas do vestido.  

"A-ah..." Reclamou pela dor, deixando o corpo cair para trás, sentada, e ainda olhava para o local de onde viera a bala. Tinha um homem ali. Lembrava-se da última vez em que estivera na terra, fora um homem que fizera seu pai a impedir de voltar. 

Isso definitivamente não estava nos planos de Alastor.  

Ele rapidamente colocou o revólver de volta para seu colete e correu de encontro com a mulher. “Me desculpe, eu a vi dentre a floresta e eu achei que era um cervo.” Começou a explicar enquanto mentia. “Posso lhe ajudar?” Ele esticou a mão para ela. Não queria ser invasivo, queria ser cordial, mesmo que o tiro tenha sido de propósito. 

Charlie olhou para cima para a mão estendida do rapaz que havia atirado.  

"Um cervo?" Ele a confundira com um animal? Parecia uma desculpa esfarrapada. Porém a menina confiava mais em humanos do que demônios, talvez estivesse apenas sendo desconfiada demais. O moço parecia ser gentil.  

Aceitou a mão do maior e se apoiou para levantar. A essa altura, seu vestido estava todo sujo. Tanto de terra quanto de sangue. "Tudo bem, não foi nada" pela primeira vez em alguns dias, a menina estava falando com alguém. Deu um sorrisinho amarelo balançando o vestido para sacudir a poeira e então olha-lo. Sentia seu braço já começando a cicatrizar. 

Alastor segurou a mão dela e sorriu. “Vou lhe ajudar, por favor, venha comigo.” Ele a fez dar o braço não machucado dela para que apoiasse no seu e começou a andar. “Qual o seu nome?” Ele sorriu grande pra ela. 

A menina deu o braço a ele e começou a andar. Na verdade já estava bem, não precisaria de ajuda com aquilo. "Não precisa, eu estou bem." Confirmou a menina agora olhando para o lago onde ia beber água e acabou que não conseguiu "Charlotte. Mas me chame de Charlie. E o seu?" 

"Tem certeza? Quer dizer, um tiro de raspão não é pouca coisa..." Alastor continuou a andar com ela para fora da floresta, a noite começava a cair e a cidade que uma vez estava pintada de laranja começava a ficar escura e azulada. "Meu nome é Alastor, mas pode me chamar de Alastor." Ele riu da própria piada dando uma piscada para a garota. "Você é nova aqui, Charlie? Nunca a vi andando por New Orleans." 

Caminhavam agora pela rua. Alastor era um nome um tanto quanto diferente, bonito até. Mas nunca tinha ouvido. Riu baixinho da piada. "Não é nada mesmo, nem está doendo" Charlie agora suspirou olhando para o céu, mais um dia ia embora. Era bem diferente do inferno, lá sempre era um tom de vermelho, não tinham tantas cores assim. "Eu..." Ela não podia falar que estava há muito tempo, afinal não estava hospedada em nenhum lugar, ninguém a conhecia e queria evitar perguntas do tipo. "Cheguei hoje. Mas essa cidade é um pouco grande pra você ter me visto, não é? 

O rapaz ergueu a sobrancelha, ela realmente estava bem ou estava fingindo? Um tiro mesmo que de raspão doía... E muito, e ele havia visto o sangue, não era possível que estivesse totalmente bem... Era?  

Alastor então riu colocando a mão sobre o peito enquanto o outro braço continuava entrelaçado com o de Charlie. "Eu conheço muito dessa cidade aqui." Ele então olhou para os lados. Amava New Orleans e sempre andava pelas ruas. Apesar de grande, graças a sua 'fama' conhecia bastante gente...  

Alastor semicerrou os olhos enquanto a fitava. Ele sabia que ela não havia chego naquele dia... Estava seguindo ela fazia alguns dias e ela sempre andava pela região.  

"Conheço muitas pessoas também, e jamais havia lhe visto antes. Explicado agora." Alastor riu baixo e continuara andando. "Então, presumo que não tenha lugar para passar a noite...?" 

Era um pouco presunçoso na maneira em que falava, e pelas vestes, também não muito simples comparado a maioria das pessoas que Charlie havia visto nos dias que estava ali, presumiu que ele poderia ser alguém rico. O que talvez responderia o motivo de ele estar caçando, era um passatempo um tanto quanto caro –tinha lido sobre isso em uma revista.  

"Não, ainda não" Nunca ficava em lugar algum, afinal não precisava. Estava começando a ficar um pouco nervosa, como explicaria para ele que não precisava passar a noite em lugar algum? Tinha de fingir ser uma humana. 

Alastor sorriu maior, ele sabia que ela também, aparentemente não tinha muito dinheiro consigo, já que... Todo lugar que ela parava para comer nos últimos dias ela era negada por não ter dinheiro. Mas não iria comentar sobre, afinal estava tentando jogar com ela. "Posso lhe mostrar alguns hotéis bons por aqui." 

Charlie continuava andando ao lado de Alastor, porém estremeceu-se, não poderia ficar em nenhum hotel. "Não precisa, eu... Posso encontrar algum sozinha." Já estava começando a ficar um pouco preocupada, ele deveria ir para a casa dele, e ela estava o atrasando sendo que nem poderia ir para algum hotel. 

"Não, não! Eu insisto!" Ele sorriu andando agora por uma das avenidas principais, onde se encontrariam alguns hotéis. "Está com sorte, my dear! Cruzou seu caminho com alguém que conhece a cidade com a palma da mão." Começou a andar e atravessou a rua que começava a ficar menos movimentada ao anoitecer. Parou na frente de um hotel. "Este aqui é um dos melhores da cidade, preço acessível, e extremamente confortável!" Sorriu para Charlie ainda segurando seu braço. 

A menina parou com ele na frente de um prédio de dois andares, não muito chique, mas também parecia bem limpo e organizado, paredes bem pintadas e portas em madeira clara esculpida. Definitivamente não era uma hospedagem tão simples assim, deveria ser para a classe média. Porém... Não tinha dinheiro.  

"É bem bonito, mas... Hm.. Eu acho que prefiro procurar outro." A menina riu de nervoso, soltando-se um pouco do braço dele e colocando as duas mãos nas costas, ainda olhando para a porta. Realmente parecia um lugar confortável. "Está tarde. Melhor você ir para casa, não?" Perguntou a menina olhando para Alastor de canto de olho, precisava se livrar dele ou logo ele descobriria que ela não tinha dinheiro ou que estava ali a mais tempo. 

Alastor sorria enquanto seus olhos semicerravam e observavam a loira. Ela realmente não tinha dinheiro, então como ela tinha um vestido de alta classe...? "Oh, não não, dear!" Ele riu e voltou a pegar o braço dela. "Não é seguro uma bela dama andando sozinha por essas ruas!" Ele disse puxando-a para prosseguirem a andar pela avenida.  

Ele andava feliz, até cantarolando um pouco. Até que chegou em um hotel bem menor do que o que apresentara a poucos minutos para ela. Esse realmente só tinha uma porta e uma janela ao lado. Tinha pelo menos 3 andares. Cada andar com duas janelas. As janelas e portas com madeira escura pintada de verde. Era visível que era um pouco velho pelas lascas da tintura que revelavam a verdadeira cor da madeira. Ainda sim parecia confortável e limpo o suficiente para uma dama, mas era para a classe média baixa.  

"Que tal esse?" Ele sorriu apontando para o mesmo. "Não julgue um livro pela capa, my dear! Este hotel é muito bem falado." Ele sorria olhando para Charlie. 

Quando ele pegou o braço dela novamente, ela corou. A última pessoa que havia se referido a ela de maneira delicada e como uma 'dama' fora seu namorado. E era o único que fazia isso. Mas ele não estava ali, estava no inferno, sequer sabia que ela tinha fugido de novo. Ou a essa altura, depois de alguns dias, provavelmente sabia. Fitou o próximo hotel. Alastor não ia desistir, não é? Engoliu em seco apertando um pouco o braço dele. "Eu ainda acho melhor eu procurar sozinha." Riu de nervoso "Pode ir pra casa." Repetiu. 

Ele sentiu a garota apertar seu braço e olhou para ela sorrindo. "Oh não, my dear. De verdade, como um cavalheiro poderia deixar uma dama andando sozinha a noite? Isso é inadmissível!" Começou a falar empolgado. "New Orleans é maravilhosa, mas tem seu lado macabro." Ele semicerrou os olhos, fazendo um pequeno gesto com a mão livre no ar. "Prefiro leva-la em segurança até um hotel que sinta-se bem, do que a deixar andando pelas ruas sozinha." Ele colocou a mão sobre o próprio peito, erguendo as sobrancelhas e inclinando levemente para ela. "Jamais me perdoaria." Ele sorriu. "Que tipo de hotel está procurando?" 

Alastor parecia ser um cara gentil, apesar de ter atirado em seu braço. Parecia realmente preocupado com o que a menina poderia passar na cidade de noite. Mas Charlie entendia os perigos, afinal, morava no inferno, que era milhares de vezes pior. "Eu sei bem" suspirou agora se virando para olhar a rua, quase não passava carros, afinal, era um luxo até para os endinheirados "Quando estive aqui pela última vez meu pai me proibiu de vir depois que disse que um cara tentou me... Como se diz... Violar." Charlie parecia procurar a palavra no ar até que frisou entre aspas com dois dedos, "Mas eu não acho que ele ia fazer isso. Era um cara muito gentil." 

Alastor olhou para a rua junto com a menina, mas logo voltou a olhar para ela. Então ela já tinha passado por ali outra vez. Ouvia a menina atentamente, então... Ela quase fora uma das vítimas que ele sempre noticiava? "Sabe, hm... Charlie." Ele agora estava olhando para o céu estrelado. Ele repugnava esse tipo de ato... Violar uma dama, ou violar uma pessoa... Aquilo era... Desnecessário.  

"Eu vivo noticiando este tipo de ocorrido, minha cara. E devo dizer que nem todos os caras que parecem bonzinhos, realmente são." Ele deixou a cabeça cair para o lado. "Talvez seu pai estivesse certo." Ele disse ajeitando seus óculos redondos. O assunto ficara um tanto quanto pesado, até para ele... Ele estava sentindo... Compaixão com sua próxima vítima? "Mas..." Ele então deixara o corpo cair mais para ela, com um sorriso de volta ao rosto, deveria focar. "É por isso que não devo deixa-la andar por aí sozinha." Ele sorriu largo para a garota. 

Noticiando? Então ele era algum tipo de repórter do mundo humano? Era verdade então...? Aquele homem realmente queria fazer mal a ela? Não achava que tinha sido isso. Mas tanto seu pai quanto, agora, Alastor, um desconhecido, estavam falando isso para ela, talvez não fosse tão besteira assim. Mas de todo modo, não tinha como ficar em algum hotel, e Alastor parecia realmente preocupado em acompanha-la. A aproximação do corpo a fez inclinar o corpo um pouco para trás e sentir um suor frio descer por sua testa "Eu... Ham... Obrigada mas... Eu acho que não vou me hospedar hoje." Pigarreou tomando a postura normal novamente. 

Alastor deixou a cabeça cair para o lado. "Oras... Mas você não pode não se hospedar. Você precisa descansar, ainda mais após o incidente." Começou a falar e então olhou para os lados. Obviamente já tinha um plano na cabeça. "Já sei! Posso lhe oferecer um quarto que tenho para visitas em casa. E logo cedo você pode ir procurar um lugar para se hospedar. Que tal?" Seu sorriso era grande e gentil. 

Por mais que Alastor parecesse bem simpático e confiável, seu pai a falara para tomar cuidado com homens desde o 'incidente'.  

"Eu acho... Melhor não. Seria um incômodo para você, e eu, hm..." Agora teria de falar a verdade, não tinha jeito "Não tenho como te pagar. Eu, hm, não tenho a moeda de trocas local." Charlie novamente colocou as mãos atrás das costas olhando para cima, nem sequer carregava alguma bolsa. 

"Não será incomodo algum, dear." Ele sorriu para ela. Então o rapaz ergueu as sobrancelhas. "Moeda de trocas...?" Ele então chacoalhou a cabeça, a garota era um tanto quanto excêntrica. Mas começou a rir então, erguendo a mão e balançando. "Não se preocupe, não cobrarei nada. Pense em uma boa ação que não precisa de nada em troca." Ele sorria para ela. "Ou podemos ir para um café, virar a noite. Faço-lhe companhia." Se ela aceitasse, não teria oportunidade de continuar seu plano. "Mas... Terei que partir cedo, pois trabalho..." Ele disse olhando para o lado. Talvez ela pensasse em ir para sua casa... 

Um café seria uma boa opção, mas... Não poderia fazê-lo a acompanhar se ele iria trabalhar. O atrapalharia muito e ela já sentia estar atrapalhando. "Eu... Hã..." Charlie olhava para os lados procurando alguma desculpa para não ir com ele, afinal não deveria dar corda a estranhos, mesmo que ele não parecesse mal. Na verdade, ele parecia ter muito boas intenções. "Não precisa, mas... Tem certeza que não quer nada em troca?" Estava ficando sem opções, talvez se tentasse encontrar uma brecha em sua proposta ele não a fizesse ir junto e deixasse ela ali? 

"Tenho certeza absoluta." Ele então esticou a mão para a rua, com um sorriso até que charmoso para ela. "Café ou minha casa, Charlie?" Ele a puxou mais para ele enquanto segurava seu braço. 

A menina estava ficando um pouco incomodada com a proximidade, tanto que seu rosto corou um pouco. "C-" Novamente lembrou dele falando que deveria ir trabalhar, não queria atrapalha-lo, iria embora cedo "Sua casa." Concluiu desviando o olhar. 

"Certo." Ele sorriu e com o braço dado a ela começou a andar em direção a sua casa. "Não fica muito longe daqui. Espero que não ligue de andar." Disse pois, novamente, ela não parecia ser de classe média, e sim classe alta pelas vestimentas, mesmo que sujas. Provavelmente estaria acostumada a andar de carro. "Mas me conte, Charlie, quantos anos tem?" Ele sorria enquanto andava com ela. 

"Tudo bem, gosto de andar" Não era de todo mentira, mas não estava acostumada a andar tanto. Assim que o rapaz perguntou sua idade, Charlie engoliu em seco. Tinha centenas de anos, mas claro que jamais poderia falar isso, até porquê seria taxada como louca. "Vinte..." Ela parecia mesmo ter vinte anos? Não sabia sobre a aparência dela no mundo humano, quanto que estimariam ou diriam "...e dois?" 

Alastor erguera a sobrancelha, ela parecia... Incerta... Talvez ela fosse de menor? E estava mentindo a idade? Realmente ela aparentava nova. De qualquer forma não poderia deixa-la sozinha ali.  

"Parece mais nova." Ele sorriu gentil, estava jogando para ver se ela ficava nervosa. "Tenho vinte e oito." Ele continuou a andar e tentar puxar assunto com ela. Não demorara muito até chegarem em sua casa na rua Killdeer. Era uma casa de apenas um andar com as paredes externas na cor de tijolo. Uma porta grande de madeira escura quase preta. Seu telhado era igualmente escuro, como as janelas e portas. "Chegamos." Disse com um sorriso gentil e abrindo a porta para ela. "Por favor, entre." Deu um passo para que ela pudesse entrar antes dele. O interior da casa era requintado, o assoalho era de madeira também, mais clara que a porta principal. Ele acendeu a luz. Uma luz amarela iluminou a sala de estar. Havia um sofá vermelho com detalhes em preto que ficava de frente a uma lareira. Uma pequena estante no canto com vários livros, e ao lado do sofá um criado mudo com um rádio robusto. 

Vinte oito. Ele era novo, bem mais novo do que ela. Mas a vida humana era realmente muito curta. Enquanto demônios viviam milênios, a média humana era de 50 a 60 anos. Então... Alastor estava praticamente na metade de sua vida, enquanto Charlie... Poderia viver por mais milhares de anos.  

Parou a frente da casa, encarando a porta até que ele abriu "Casa bonita" Elogiou o exterior logo entrando na casa "Com licença". Assim que entrou puxou o ar respirando fundo, a casa tinha um cheiro um tanto quanto agradável, mas não sabia dizer exatamente o que era. Deu alguns passos para dentro, estava preocupada pois não queria sujar a casa do rapaz, então olhou para trás e para o chão, confirmando se não estava sujando, por sorte, tudo tranquilo. 

Alastor trancou a porta e começou a entrar em sua casa. "Por favor, sinta-se à vontade." Ele sorriu, mas então notou que a menina estava preocupada, aparentemente com seu próprio vestido sujo. "Não se preocupe, vou lhe preparar um banho e roupas novas, pelo menos por hoje." Ele sorriu gentil novamente. "Já volto. Se quiser, pode sentar-se ao sofá." Mais uma vez um sorriso gentil. E assim ele desaparecera no corredor escuro entrando na última porta dele. Era seu quarto. Tirou seu sobretudo vermelho e deixou sobre uma cadeira que havia ao canto do quarto. Pegou uma calça de pijama que era ajustável com uma corda e uma camisa do mesmo. Eram um conjunto. Arregaçou as mangas e saíra dali, entrando em outra porta do corredor, era o banheiro. 

A menina assentiu vendo Alastor se afastar, então não tinha muita coisa para fazer ali além de sentar e esperar que Alastor voltasse. Primeiro apenas andou até a estante de livros, olhando alguns títulos, todos desconhecidos, o único que conhecia ali era a Bíblia Sagrada, por conter histórias sobre seu pai e o grande criador também.  

Passou o dedo sobre ela, tinha interesse em ler, afinal conhecia mais ou menos as coisas pois seu pai contava. Pegou-a com cuidado e levou até o sofá, sentando-se e folheando, lendo algumas partes, até que chegou em uma que a chamou atenção ao abrir aleatoriamente.  

'Sobretudo, amem-se sinceramente uns aos outros, porque o amor perdoa muitíssimos pecados. 1 Pedro 4:8' Sussurrou lendo aquilo, tentando entender. Não sabia exatamente se sabia amar alguém, mas queria amar. Fechou o livro deixando-o em seu colo, olhando para a capa com cuidado, parecia antiga, porém ainda assim, bem cuidada. 

Alguns minutos se passaram e finalmente a banheira estava cheia com água quente. Alastor havia pego uma toalha para visitas para Charlie e deixado perto da banheira. Assim como deixara seu pijama sobre a pia. Saiu então e fora para a sala de estar onde encontrara Charlie. Ele ajeitava as mangas da sua camisa branca dobrando-as. Estava com um colete vermelho e calças cinzas.  

"Vejo que já lhe interessou algo de minha coleção." Ele sorriu e caminhou até a garota. Parou um pouco quando reconheceu tal 'livro'. "É religiosa, Charlie?" Ele piscou algumas vezes. Aquilo a lembrava sua mãe. Só manteve o livro em memória a ela. Se aproximou e então sentou no outro canto do sofá. 

Estava tão concentrada observando os detalhes da capa do livro que a menina nem sequer notou a aproximação de Alastor que se sentou na outra ponta. Engoliu em seco novamente, tinha que começar a tomar cuidado com as próprias atitudes, mesmo que pequenas, pois sempre acabava passando por algum tipo de malha fina que não sabia exatamente como responder.  

Colocou o livro de lado com cuidado, ajeitando a posição das pernas e colocando as mãos sobre os joelhos, um pouco apreensiva "Hm, é uma longa história... Diria que... Talvez? Eu não tenho certeza." Charlie virou o rosto para o livro de novo, seu pai fazia parte da história, mas estava longe de ser um mocinho. Isso a fazia de certo modo, religiosa? 

Alastor colocou o braço sobre o encosto do sofá encaixando as costas entre o encosto e o braço do sofá de forma que conseguisse ver a menina. "Bom, se lhe incomoda, não precisamos falar sobre, my dear." Ele sorriu. Também não se atentava a religiosidade, então era um assunto que evitava. "Seu banho está pronto para quando quiser, senhorita..." Não sabia seu sobrenome, ela não era obrigada a lhe dizer também. "Irei preparar uma refeição para nós. Está com fome?" Cruzou as pernas e a olhava sempre com seu sorriso em seu rosto. 

Charlie desviou o olhar do livro para o rapaz e sorriu, era melhor não falarem disso mesmo. "Claro, já posso ir?" Charlie levantou devagar, pegando a bíblia e levando-a para a estante, colocando-a no lugar certo antes de seguir para o banho. "Estou sim... Mas não precisa se preocupar." Poderia esperar tranquilamente até a manhã. "Onde é o banheiro?" Charlie agora o olhava nos olhos com um sorriso doce e simpático, não queria incomoda-lo de maneira alguma, ele já estava fazendo muito em ajuda-la. 

"Claro, fique à vontade." Ele sorriu seguindo a menina com os olhos enquanto ela devolvia a bíblia para a estante. "Não se preocupe, iria fazer comida para mim de qualquer forma." Sorriu e levantou ajeitando suas roupas. "É seguindo esse corredor... É só ir na porta que está aberta de luz acesa. Segunda a esquerda." Disse antes de se virar e caminhar para a cozinha. "Ah, o prato de hoje será Jambalaya, espero que goste." Ele sorriu e prosseguiu para a cozinha. 

"Okay..." Concordou sobre a comida, realmente não queria incomodar, então saiu em direção ao corredor que ele havia falado sem muita pressa, ainda estava com medo do vestido sujar sua casa "Nunca comi, mas tenho certeza de que vou gostar".  

Neste momento virou-se inteiramente para o corredor, fazia muito tempo desde que comera alguma comida humana, mal lembrara do sabor, mas a última vez tinha amado, então... Deduziu que amaria também.  

Não poderia mostrar o quanto estava empolgada apenas com um simples prato, então continuou pelo corredor até entrar no banheiro e fechar a porta, dando alguns pulinhos. Era um prato humano! Mal imaginava provar algum antes de voltar para o inferno! Quando o lapso de animação da menina sumiu, ela finalmente pode respirar fundo novamente, observando o banheiro a sua volta. Uma roupa limpa na pia, uma toalha... A banheira estava cheia. Retirou as roupas e logo entrou na banheira. Fechando os olhos e relaxando um pouco. 

Alastor pensava e repensava em sua vítima. Ela dissera que tinha 22 anos, porém aparentava ser mais nova. Seu pai havia proibido ela de voltar para a cidade, então estava sumida, provavelmente... Não tinha dinheiro para nada... Talvez estivesse faminta e fora quase violada por um homem na primeira vez que viera. Além de ser religiosa, ao que parecia...  

"Repugnante."  

Disse para ele mesmo ao pensar no que a menina deveria ter passado sem ao menos perceber. Ele não era muito diferente, afinal escolhera ela para ser sua vítima, mas... Talvez ela não estivesse sorrindo por tudo o que estava passando? Ele então deu um passo para trás, fechando os olhos e chacoalhando a cabeça. Estava tendo compaixão pela garota? Após alguns minutos finalmente a janta estava pronta. Ele colocara a mesa para ele e sua convidada, e colocara uma porção de Jambalaya para ambos. Agora era só aguardar a mesma sair do banheiro. 

Talvez não tivesse sido tão ruim assim ter fugido do inferno para visitar o mundo humano novamente. A cidade era aconchegante, apesar de desta última vez ninguém estar querendo sequer direcionar-lhe a palavra. Ainda não entendia o porquê. Não demorou muito no banho, não mais do que vinte minutos. Levantou-se e se secou devagar, colocou o pijama, um de calça comprida e uma camisa de algodão, um conjunto azul marinho que ficava bem grande em seu corpo. Teve de dobrar a barra da calça e as mangás da camisa.  

Deixou a toalha sobre os ombros, secando as pontas do cabelo enquanto dobrava seu vestido e sutiã, deixando-os no canto do banheiro, poderia pega-los depois. Saiu dali andando em direção a sala e seguindo o cheiro da comida enquanto usava a toalha para terminar de secar o rosto quando chegou a cozinha. Já estava tudo pronto. Mal tinha feito barulho para andar pois estava agora descalça. "Você é muito gentil" Suas palavras eram de gratidão pela comida e abrigo. 

Alastor ouviu alguns passos vindo do corredor e virou seu rosto, era Charlie. Ela parecia confortável em suas roupas. "Só estou cumprindo meu dever como um bom cidadão." Ele sorriu para ela. Na cabeça dele era o mínimo que qualquer um podia fazer ao saber que a menina estava sem dinheiro e sozinha. Ele levantou e puxou a cadeira para ela sentar e assim que o fez, ele fora para sua cadeira. "Gostaria de beber algo, Charlie?" Ele sorriu esperando a resposta dela. 

A menina desviou o olhar, andando até a mesa e sentando-se quando ele puxou a cadeira "Ainda sim, muito gentil" Desta vez ela sorriu sem esconder muito, apenas seguindo ele com o olhar. "Uma água" Pediu, não sabia exatamente o que beber num jantar, mas água parecia o certo. Sempre dava para beber água.  

Olhava-o o analisando sem ser muito invasiva. Ele era um pouco mais alto que ela, cabelos curtos e castanhos, usava óculos, bem vestido... Era bonito. Bem bonito aos olhos dela. Estava grata pela gentileza dele, no dia seguinte pensava em passear mais um pouco pela cidade e logo voltar para o inferno –Este que não tinha tanta saudades, mas continuar em New Orleans sem sequer conseguir conversar e interagir não parecia muito divertido. 

Sorriu para a convidada e logo virou suas costas. Alastor fora até a geladeira, pegara uma garrafa de vinho e uma de água. Voltara e colocara na mesa. "Então, me conte, tirando o pequeno incidente..." Ele começou a servir o copo da menina com água gelada. "Aproveitou seu tempo pela cidade?" Ele sorria mesmo sem olhar para ela. Fechou a garrafa de água e logo se servira com vinho. 

Sentando-se de frente a ela e pegando seus talheres para começar a comer. "Oh! Falando em incidente." Ele levantou um pouco apressado. Sem pedir ele pegou delicadamente na mão da garota, e começou a levantar a manga de seu pijama. "Deixe-me ver o seu ferimento, devo trata-lo e--" Seus olhos arregalaram, confusos. "Foi no outro?" Ele tinha certeza que tinha sido naquele braço... Lembrava bem da marca de sangue do vestido... 

A menina agradeceu pela água com um aceno de cabeça, logo pegando o talher para começar a comer também. "Sim, eu gosto da cidade, não é a primeira vez que venho, na verdade eu--" Fora interrompida pelo rapaz, e então deu um pulinho quando ele se aproximou.  

Claro... Seu ferimento.  

Devido a sua natureza demoníaca, já havia cicatrizado há horas. Mas ele era humano, ele não sabia.  

"Eu disse para não se preocupar" A menina deu uma risadinha leve, puxando a manga para baixo de novo. O jeito que ele pegara em seu braço fora cuidadoso, porém próximo demais, o que fez com que Charlie gaguejasse um pouco "Estou bem!" 

"Mas..." Ele soltou a garota ao notar que estava próximo dela e ajeitou seus óculos. "Você estava ferida, sangrando e... Não tem mais nada... Eu" Ele ajeitou novamente os óculos e então riu. Talvez... Fosse impressão? Ou ele estivesse louco? De qualquer forma seu plano havia ocorrido bem de uma forma ou de outra. "Desculpe, fiquei preocupado." Disse dando um passo para trás e rindo sem jeito. Fez uma leve reverencia como 'desculpas' e voltou a sentar. "Bom, você estava dizendo... Perdão por lhe cortar." Ele sorriu se ajeitando. "Não é a primeira vez que vem aqui..." Tentou faze-la continuar a falar enquanto levava a comida até a boca. 

Charlie sabia que ele estranharia, ainda mais depois caso visse sua roupa ensanguentada. Mas por hora era melhor manter sigilo e não prolongar muito o assunto. Mas achava adorável ele ter se preocupado, não que não fosse sua obrigação por tê-la machucado.  

Colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha rindo baixinho um tanto nervosa e pegou o garfo para comer, mastigando devagar e engolindo com um gole de água assim que ele perguntou.  

"Na verdade, eu costumo visitar a cidade vez ou outra." Completou o raciocínio inicial, "Mas faziam alguns anos que eu não vinha para cá" Deveria tomar cuidado com as palavras, quase dissera que a cidade tinha mudado muito, mas seria um pouco complicado explicar isso caso ele questionasse. 

O rapaz comia lentamente quando ouviu um riso baixo da menina. Não era a primeira vez que ela rira, mas fora a primeira que ele reparou verdadeiramente. “Oh, sim... E o que mais gosta daqui? Ou foram visitas curtas?” Ele sorriu dando um gole em seu vinho enquanto a fitava. Ela tinha um certo charme, diferente da beleza de New Orleans... Estava verdadeiramente interessado em saber o que a jovem achara da cidade. 

A loira terminou de mastigar mais uma garfada, pegando o guardanapo para secar o canto da boca e passando os olhos pela mesa até chegar em Alastor. Quando seus olhares se cruzaram a menina os desviou, estava tentando apenas pensar. O que gostava tanto naquela cidade? No fundo, qual cidade era não importava. Admirava os seres humanos. "Visitas curtas." Mentiu, não sabia responder "Acho que gosto das construções também." Completou se lembrando dos lugares bonitos que havia visto. 

Charlie parecia acanhada, mas Alastor não a culpava por isso, afinal, com tudo o que ela devia ter passado... Ele concordou com a cabeça agora olhando ela e estudando suas feições. “Ah, as construções são magníficas!” Ele sorriu empolgado. “Eu sou suspeito para falar da cidade.” Ele riu colocando a mão sobre o peito. “Se você gosta das construções, já conferiu nossa música?” Ele sorriu grande. “Ou nossa comida!” Ele apontou para o Jambalaya. “Por falar em comida, o que achou?” 

A priori Charlie levantou uma sobrancelha com a empolgação de Alastor. Seu queixo estava um pouco baixo, acanhada ainda, mas um sorrisinho foi formando-se devagar em seu rosto quanto mais ele falava. "Música?" Charlie até gostava de música, mas não se lembrava de ter ouvido alguma cantiga humana. Quando o rapaz apontou para a comida, Charlie soltou uma risada mais alta. Ele era excêntrico, e o sorriso dele era lindo e contagiante "Eu amei!" Exclamou a menina agora dando mais uma garfada e levando para a boca "Umu dulifia" falou com a boca fechada, ainda com as bochechas levantadas pelo sorriso. Talvez ele era realmente um bom moço. 

“Oh sim!” Ele começara a se empolgar. “A música é divina, o jazz, a dança.” Ele começava a contar nos dedos com um sorriso grande e então abriu as mãos a sua frente. “Um verdadeiro show de entretenimento!” Ele balançou elas levemente para dar ênfase em sua frase.  

Ele parou, parou com tudo ao ouvir a risada dela e ver se sorriso. Então ela tinha um sorriso afinal. E... Era contagiante. Um leve sorriso se formou em seu rosto. Ela tinha uma risada linda, poucas vezes ouvira uma risada daquele jeito, tão... Contagiante.  

“Fico feliz que tenha gostado, Charlie. É uma receita antiga.” Ele riu ao ver ela falando de boca cheia, aquilo era adorável. Sentiu o coração dar um pequeno pulo dentro do peito. “Então.” Deu um pigarro consertando a voz. “Você precisa conferir a música da cidade. Essa é a minha dica caso explore mais por aqui.” Sorria dando mais um gole em seu vinho. 

Alastor parecia muito animado no que falava, o que deixou Charlie mais à vontade ali. Afinal, não era muito confortável estar na casa de um estranho, ainda mais como hóspede. Então a maneira com que ele tentava a animar e distrair era muito eficaz.  

"Eu definitivamente preciso ouvir esse tal de jazz!" Comentou Charlie ainda rindo um pouco com um sorriso largo, imaginando –ou tentando– como seria esse tal de jazz. Continuava a comer, admirando o rapaz discretamente, ele era divertido e gentil. Qualidades bem difíceis de serem encontradas no inferno. "Você disse que 'noticia' coisas, você é repórter ou algum tipo de jornalista?" Perguntou a loira, um tanto curiosa. Queria saber um pouco de Alastor também "Esse é seu trabalho?" Bebericou a água o olhando com um sorriso de admiração. De fato, sua viagem a New Orleans não tinha sido totalmente em vão. 

“Definitivamente! Essa é minha recomendação para você, my dear! É claro, se quer conhecer mais um pouco da cidade.” Ele sorria largo e aos poucos voltava ao normal, se silenciando e voltando a comer. Seu olhar estava na comida enquanto ouvia a pergunta da moça. Aos poucos seu olhar voltou para ela. Ela estava sorrindo de novo, e... Seu sorriso era realmente contagiante. De uma forma única, o que fez seu coração dar um leve pulo novamente. Ele levantou o rosto, bebendo um pouco de vinho e limpando sua boca no guardanapo. “Não, não.” Ele riu. “Poderia ser, mas sou um locutor de rádio.” Ele ajeitou o guardanapo sobre a mesa deixando embaixo do prato. Ajeitou os óculos com a ponta do dedo indo de encontro ao meio da armação. “Sabe, sou eu que dou a notícia e as pessoas me ouvem. Poderia ser jornalista ou repórter, mas amo o que faço. Gosto de entreter pessoas que nem sequer imaginam como eu sou.” Ele riu, seu olhar se perdia um pouco. “É intrigante.” Sorria largo. “E claro, as vezes coloco uma música ou outra para melhorar esse entretenimento.” Ele deu uma piscada para ela colocando um cotovelo sobre a mesa e encaixando o queixo sobre a mão. 

"Hm..." Charlie agora balançava o garfo sobre o prato, escutando a história interessante de Alastor. No inferno o rádio não era tão comum, mas existia. Lembrava de se perguntar como eram as pessoas lá. Fechou os olhos para continuar escutando "É, se eu só ouvisse sua voz..." O tom pensativo da menina juntamente de um sorriso travesso mostrava que ela estava ficando um pouco mais desinibida com ele, estava tentando imaginar como acharia que ele era se não tivesse o visto "Acharia que você teria... Uma barbinha, cabelos loiros e escovados para trás, baixo..." Estava na cara que ela estava dizendo tudo ao contrário apenas para brincar com ele, então soltou uma risada no meio da brincadeira e abriu os olhos, apoiando um cotovelo na mesa e a cabeça sobre a mão, suspirando e levando mais uma garfada a boca "É, pessoalmente é bem melhor." 

Alastor se inclinou mais para ela, estava interessado em saber qual seria a visão dela... Seu sorriso foi aumentando conforme ela foi falando, estava falando tudo ao contrário apenas para provoca-lo? Perspicaz... Ele riu admirando o riso da garota e então ergueu as sobrancelhas. Se endireitando sobre a cadeira um pouco sem graça com o comentário seguinte. "Agradeço." Tentou sorrir gentil, a olhando novamente. "Mas é intrigante ainda sim." Ele riu baixo terminando sua janta e limpando os lábios com o guardanapo. Agora ficara só com o vinho, bebericando. "E você, trabalha com algo, Charlie?" Ele sorriu ainda com o maxilar sobre sua mão. 

A pergunta de Alastor a fez congelar, engasgando um pouco com a comida. Ele fazia perguntas difíceis. Não poderia explicar que era princesa do inferno e que o governava junto à Lúcifer. Ele acharia que havia endoidado, e tudo ali já estava estranho demais. "Eu... Hm..." Estava pensando, teve de levar mais comida a boca para tomar tempo e não parecer suspeita ao pensar. "Ajudo meu pai a administrar a empresa dele" de todo não era mentira, se com empresa ela quisesse dizer reino. 

Alastor observava a menina o jeito que a menina engasgou fez Alastor erguer a sobrancelha. Não gostava que tocasse no assunto pessoal...? O rapaz até acharia que estava sendo invasivo demais com a garota, mas... Ela havia perguntado primeiro sobre a profissão.  

"Entendo... Empresa do que, exatamente?" O mesmo então continuou a bebericar seu vinho, com os olhos semicerrados. Agora estava mais atento a moça a sua frente... Talvez estivesse mentindo...? Talvez realmente fosse menor de idade. Ele cruzou as pernas embaixo da mesa. 

Alastor estava percebendo. Charlie teve de engolir em seco e se recompor ajeitando a postura e pegando a água para dar um gole. Precisava ser mais convincente e estar preparada para perguntas desse tipo "Re...Lações internacionais." Ela ainda parecia insegura, tossiu, precisava concertar "É uma multinacional, nós... Vendemos serviços. Isso. Serviços de..." Olhou para o lado discretamente procurando algo que pudesse a inspirar, até que viu uma faca no faqueiro "Seguro de vida!" Completou rapidamente. Não sabia o que estava falando, mas talvez fosse convincente. 

Alastor olhava para Charlie, ela parecia nervosa, então... Ou era mentira ou ela era mais nova, ou... Teria um ou? Ou queria impressiona-lo. Mas pra que? "Entendo, e gosta?" Perguntou analisando a garota agora com um olhar neutro. 

"Gosto, gosto. É divertido." Agora ela sorriu de verdade, estava pensando no reino. Gostava de poder governar, muita coisa seu pai a ensinava. "Você gosta de estar no rádio?" Desviou o assunto. 

Ela era boa no improviso. E novamente... Seu sorriso era cativante. Ele ainda a analisava e começou a sorrir para a mesma. “Oh, my dear. A rádio é minha vida.” Ele sorriu largo. “Minha paixão é entreter as pessoas, trazer conhecimento e entretenimento.” Disse e então se inclinou um pouco para ela como se fosse contar um segredo. “Às vezes, quando a música está rolando, e eu não preciso falar nada... Gosto de fechar os olhos, apreciar a música e imaginar que do outro lado, existem pessoas que estão dançando, cantando, apreciando a música e mais importante...” Ele então olhou nos olhos dela. “Sorrindo.” Apontou para seus lábios que abriram um sorriso enorme. 

Os olhos da menina brilharam conforme ele falava apaixonadamente sobre a rádio. Achava bonito quando alguém se dedicava assim a algo, de corpo e alma. Quando se viu perdida nos olhos de Alastor, refletindo o sorriso dele no seu e imaginando as pessoas dançando com músicas. No inferno, só faziam isso em baladas, e nada mais. "Você gosta bastante de música, né?" Agora Charlie apoiava a cabeça nas duas mãos, atenta a Alastor e em seus gestos. 

Alastor então riu. “HA HA HA e quem não gosta, não é mesmo?” Ele então se afastou e então começou a se levantar. “Música anima as pessoas, fazem elas felizes.” Pegou o seu prato e sua taça e fora para a pia, colocando ali. Não retirara o dela não queria apressa-la. Começou a dar alguns passos de dança até a mesa cantarolando. “Faz seu corpo mover sem controle, você sente um calor dentro do peito que se alastra pelo corpo.” Continuava cantarolar algum ritmo qualquer enquanto falava. “Quem não gosta de música, são pessoas infelizes.” Ele parou concluindo e se inclinando para ela. “Não concorda, my dear?” Ele tocou o nariz dela e se afastou para sentar-se novamente. 

Alastor não parecia mais o mesmo cara 'sério' que havia atirado sem querer em seu braço. Na verdade, parecia bem mais jovial e simpático quando falava assim, cheio de paixão, pela rádio e pela música. Deu um leve pulinho quando sentiu o dedo do rapaz dando um toquinho em seu nariz e o balançou, sorrindo e se levantando para pôr o prato na pia, já pegando uma esponja e começando a lavar a louça. "Eu concordo! Música anima a alma!" Charlie gostava de música, mas no palácio eram mais músicas ambientes, nada muito animado. 

Alastor sorria enquanto dançava até que ouviu o barulho de água.  

"Sim, de fato, anima muito e-" Ele virou, ela estava lavando a louça. Ele andara até ela com certa pressa. "Não, não. Você é convidada." Ele então colocou a mão sobre o pulso dela delicadamente, colocando as mãos dela para cima e lavando-as com água corrente. "Pode sentar no sofá, ou ir descansar, teve um dia cheio hoje, deixa que eu cuido disso." Ele sorriu enxaguando a mão da moça e fechando a torneira. Pegou o pano de pratos e entregou para ela. "Sinta-se em casa, mas não o suficiente para fazer as tarefas dela." Ele deu uma piscada para a menina rindo. 

O corpo de Alastor batera contra o da menina, segurando suas mãos pelas costas e falando à beira de seu ouvido. Charlie congelou na hora, deixando-o guiar os movimentos enquanto falava... E a voz de locutor dele definitivamente não ajudava nem um pouco a menina a não ficar sem graça. Seu rosto estava completamente corado e um arrepio percorreu seu corpo, a fazendo se soltar das mãos do rapaz e logo pegar o pano para seca-las, desviando o olhar. "Você já está fazendo muito por mim. Deixe-me fazer algo por você." murmurou ainda arrepiada e tímida. 

Alastor nem notara a falta de espaço entre seus corpos, ele só entregara o pano para ela e dera um passo para trás. "Deixo, vá descansar e deixe os afazeres comigo." Ele sorriu e ergueu a sobrancelha ao notar que a menina estava corada. Ele estava aguardando-a sair da frente da pia agora. "Vamos, você é minha convidada." Ele sorriu e apontou para a sala e consequentemente os quartos. "Teremos que acordar cedo amanhã." Ele sorriu e gentilmente começou a se aproximar da pia. Se ela não fosse sair da frente dela, teria que 'obriga-la'. Passou a mão nas costas da garota e começou a andar para a sala quase que empurrando-a. "Por favor." Ele sorria gentilmente para a menina. 

"Eu... Ah... Tem certeza?" Charlie gaguejava um pouco e seus movimentos não estavam sincronizados. Colocou o pano na pia quase o derrubando, girando para o lado errado e quando tentou cruzar o olhar com o dele, puxou o ar rapidamente sem querer. Não estava acostumada, tinha sido pega de surpresa. "O-ok!" Conforme ele a guiava para a sala, seguia em silêncio tentando manter o olhar num ponto fixo onde pudesse se concentrar em conter a vermelhidão de seu rosto "Não quer ajuda com nadinha? Nada?" Insistiu. 

Alastor continuava a empurra-la gentilmente. "Não precisa, my dear. Só quero que descanse." Ele sorriu soltando e se afastando dela. "Caso queira dormir, me avise que te levo até seu quarto." Ele já virou as costas indo para a pia onde começou a lavar a louça cantarolando uma música de Jazz e batendo o pé levemente no ritmo. 

Na verdade, a menina estava interessada em saber mais sobre Alastor, mas não tinha intimidade para perguntar ou conversar muito. Apenas concordou e seguiu para o sofá, sentando-se e deixando a cabeça para trás no encosto, olhando para o teto. O que faria amanhã? Talvez procuraria mais sobre a música que ele havia falado? 

Não demorou muito até que Alastor lavasse a louça e guardasse as sobras na geladeira. Bateu uma mão na outra e ajeitou suas roupas até começar a andar até Charlie que se encontrava na sala.  

“Bom, tudo pronto.” Ele sorriu e então olhou para um relógio de mesa com pêndulo que ficava em uma cúpula de vídeo ao canto da sala. Marcavam exatos 20:50 / 8:50 pm. “Oras o tempo voou! Ha ha ha.” Ele sorriu e virou o rosto para a menina. “Eu devo me retirar e dormir, mas se quiser fique à vontade na sala. Vou lhe mostrar seus aposentos antes.” Ele sorriu a chamando com a mão antes de seguir ao corredor.  

Ele entrou na terceira porta do corredor e única porta que ficava à direita. Abriu e ligou a luz. Era um quarto pequeno com uma cama de solteiro. Havia uma pintura de um corvo e um poster de jazz. ‘A música enche nossa alma’ era o que estava escrito. “Aqui está, “ Ele sorriu. 

Charlie nem vira o tempo voar, mas já estava cansada e estar numa casa desconhecida ajudava a gastar energias. Sorriu quando ele chamou para mostrar o quarto e se levantou graciosamente, seguindo-o.  

"É ótimo" sorriu Charlie com a mão no batente da porta, adentrando e logo sentando-se na cama "Acho que vou dormir também" comentou. O dia começaria cedo, então seria bom já irem. Olhava em volta para a decoração, era simples porém bem arrumada e organizada. Alastor parecia ser um rapaz bem organizado e metódico, era o que a menina pensava. 

“Certo” ele sorriu ao acompanhar a menina com o olhar até que a mesma se sentou na cama. Ele andou até o pequeno armário que ali se encontrava e pegou uma colcha. Colocando-o sobre a cama. “Aqui está. As noites podem ser bem frias aqui nessa época do ano.” Ele sorriu gentil para ela. “Caso precise de algo, me chame. Estarei em meu quarto. Fica ao final do corredor.” Ele sorriu e então andou até a porta. “Boa noite Charlie.” Ele a olhou mais uma vez para ela antes de sair. “Descanse bem.” 

Charlie o seguia com os olhos, até que ele deixou a colcha sobre a cama e ela olhou para a mesma. "Muito gentil" disse novamente, desta vez num tom mais doce, agradecendo a ele. "Obrigada, Alastor. Boa noite, descanse bem também". Assim que Alastor saiu, Charlie bateu a mão na colcha para senti-la e a puxou esticando-a. Levantou-se para apagar a luz e logo deitou novamente, não demorando muito a pegar no sono. 

Algumas horas passaram e Alastor estava apenas sentado lendo um livro em sua cama. Quando o relógio marcou 23:45 / 11:45 pm ele se levantou calmamente e fora até sua gaveta.  

Pegou um par de luvas pretas e as vestiu. Era isso, seu grande plano havia chego e finalmente o caçador iria à sua caça. O rapaz saiu lentamente de seu quarto com as mãos atrás das costas dando passos sutis sem fazer barulho na madeira escura do piso.  

Abriu lentamente a porta do quarto de visitas, e lá estava ela, dormindo calmamente. Levantou as mãos como se já almejasse seu pescoço... Apenas um movimento brusco para enforca-la e a pressionar contra o colchão. Provavelmente acordaria e se debateria, mas, ele já havia feito isso antes... Seria apenas segurar firme e ver a vida saindo de seus olhos... Olhos grandes e tão encantadores... Alastor então franziu a sobrancelha, porque havia pensado isso? Ele ainda se aproximava da jovem com passos silenciosos. 


Notas Finais


Olá meus nenens, como vocês estão?

Bom, como Alastor falou nas notas iniciais, neste spin-off nós estaremos trabalhando na personalidade de Alastor, no doentio sadismo.
Por que não psico/sociopatia? Porque sociopatas e psicopatas não sentem emoções empáticas, um serial killer não é necessariamente um pscicopata. Ele pode muito bem ter emoções de empatia e ter sentimentos não egoístas. Por isso decidimos não nomear Alastor assim. Do contrário, amar a Charlie seria IMPOSSIVEL.

Nós vez ou outra também incorporamos ciências comportamentais, tal como a maneira que o assassino pensa, como uma mente manipuladora também. Vocês vão perceber isso ao decorrer desse spin-off.

E aliás, ele não é apenas uma história a parte, ele faz parte do universo e contém informações muito relevantes para a história <3 Por isso o feedback de vocês é tão importante!

E alias, a capa do capítulo 16 foi atualizada :D

Espero que tenham gostado, e se chegaram até aqui deixem seu comentário!

Um grande beijo,

--DearCharlie_


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