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História Falso Amor - Capítulo 71


Escrita por: EllaRuffo

Notas do Autor


Olá meus amores, aí vai outro capítulo!!

Capítulo 71 - Capítulo 71


 

 

 

Maria estava com uma caneca de chá na mão. Olhava fixamente as horas no criado mudo ao lado da cama de Estevão, enquanto estava sentada toda encolhida na poltrona dele.

Eram 4:30h da manhã. Enquanto a noite passava, havia vivido estágios de desespero. Tinha ligado desesperada para Geraldo para abortarem o plano que tinham, também tinha procurado desesperadamente uma bíblia dentro daquele quarto, o que não se surpreendeu em não ter achado nenhuma, nem um crucifixo sequer. Nada com que ela pudesse se agarrar e rezar para que tudo ficasse bem de verdade, e para também pedir perdão por suas recentes ações.

Depois quando ás horas foi passando sem poder apelar para sua fé, ela buscou na sua razão o sentido de tudo aquilo estar passando. E agora no momento que se encontrava, estava mais calma, ou apenas anestesiada por ter jogado a última carta que tinha sem poder ter volta atrás.

Esperar então era o que ela fazia. Esperar e confiar que tudo sairia bem como Geraldo havia dito.

Estevão seria atacado em sua própria cela, diante de tal ameaça sensibilizariam o juiz que negava sua soltura. Depois eles iriam alegar que a liberdade dele era necessária por sua segurança, em seguida entregariam seu passaporte de boa vontade e pagariam então a fiança. E assim, Estevão aguardaria todo o restante do processo e investigações em liberdade, ali com ela e os filhos.

Ela fechou os olhos ansiando que aquele pesadelo enfim acabasse conforme era o plano dela e de Geraldo.

O celular dela tocou e quando o ouviu, ela despertou em um pulo quando notou que adormeceu sentada na poltrona em qual estava.

Ela piscou mais de uma vez para trazer sua consciência naquele quarto novamente, e depois caminhou de passos ainda incertos até a cama aonde estava seu celular.

O tinha jogado ali, quando terminou de falar em uma das 5 ligações que tinha feito aflita para Geraldo.

Quando atendeu a chamada. Ela já sabia do que se tratava quando ouviu uma mulher falando com ela. Ela então desligou a ligação assim que entendeu qual seria seu segundo passo e aonde deveria ir.

No celular marcava 6:15 da manhã, o que significava que ás horas tinham passado mais rápido com ela dormindo do que acordada. Assim tornando de seu estado que lhe tirou o chão abaixo de seus pés, por alguns segundos com que ouviu, ela se apressou para se vestir e deixar a casa.

Maria se arrumou com pressa, assim quando deixou o quarto, passou com mais pressa ainda diante da porta do quarto de Heitor. Não se atreveria a olhar nos olhos dele aquele momento, não antes de chegar no hospital que era onde Estevão aquele momento estava sem saber qual era seu real estado.

E o coração dela se partia em vários pedaços quando pensava que ao invés ir até a enfermaria do presidio que ele estava preso, tinham o levado a um hospital. Ela só rogava a Deus que ele estivesse bem.

Ela riu enquanto caminhava para fora da casa, sabendo que nada estaria bem. Não com ele em um hospital. Naquele horário da manhã encontrou o motorista de Estevão lustrando o carro, o que veio a calhar visando que ela se sentia incapaz de ir dirigir.

Assim ele se prontificou de levar ela até o hospital. E a todo momento Maria sentia seu olhar sob ela. Como que se o acusasse. O que seria uma loucura pensar aquilo, já que ninguém a não ser ela e Geraldo sabiam o que ela tinha feito. Assim apenas tinha essa impressão por saber que o motorista de Estevão era mais como seu perro fiel do que um simples motorista.

Quando chegou no hospital. Ela chegou até a recepção ofegante, fez perguntas até que a informaram que Estevão passava por exames e não podiam vê-lo.

Ela suspirou unindo as mãos uma na outra em frente de seus lábios. Seu rosto estava molhado de lágrimas que desciam nele.

Assim então ela ouviu chama-la. Se virou e então Geraldo se aproximou dela.

Ela sussurrou nome dele, e em seguida ele a abraçava.

-Geraldo: Não chore, Maria. Está acabando.

Ela ficou ali com ele com as mãos em volta do corpo dela. Geraldo como advogado, tinha sido o primeiro a ser comunicado sobre o estado de Estevão. Primeiro soube que ele tinha passado a madrugada na enfermeira do presidio, depois em outra ligação, quando ele já trabalhava em outro pedido de soltura, outra ligação ás 5:00h da manhã, o avisavam que ele estava sendo transferido para um hospital. Assim Geraldo sabendo qual seria o ideal, deu o nome de um e depois se apresentou no hospital antes que Maria chegasse.

Então ele já tinha visto Estevão, ainda que ele não o tivesse visto por ter estado inconsciente quando chegou ao hospital.

Assim então ele tirou Maria de seus braços e disse.

-Geraldo: Eu vi Estevão quando cheguei e tem que se preparar, Maria. Ele se feriu um pouco mais do o previsto.

Maria o olhou, deu um gemido mais aflita e disse.

-Maria: Isso ficou claro, já que ele precisou vir para cá. Meu Deus, Geraldo e se ele não resistir? E se matei o pai dos meus filhos?

Geraldo fez um sinal de silêncio com o dedo indicador em frente de seus próprios lábios, a pegou pelo braço e caminhou com ela até a sala de espera vazia por aquele horário. E depois falou baixo.

-Geraldo: Ele não está aqui sozinho. Têm policiais com ele. Não pode falar o que disse em voz alta senão tudo será em vão, Maria.

Maria limpou as lágrimas entendendo o que ele falava e disse.

-Maria: Desculpe, estou fora de mim. Mas me diga se viu ele. Como ele está?

Geraldo enfiou as mãos no bolso da calça, e depois de olhar rapidamente o chão, voltou a olhar para ela e disse.

-Geraldo: Como eu disse, ele se machucou mais do que imaginávamos, mas isso aconteceu porque ele se defendeu e então a briga se tornou um tanto mais violenta.

Maria chorou mais e andou. Na parede ela olhou um quadro pintado de Cristo e disse baixo, enquanto o mirava.

-Maria: Eu me tornei fria demais para ter sido capaz de ter feito isso com ele, Geraldo. Eu já não sei mais quem sou.

Geraldo se aproximou dela, lhe tocou em um ombro e olhou a imagem que ela olhava também.

-Geraldo: Não se condene, Maria. Somos falhos e ele sabe.

O final das palavras dele, ficou muito bem entendido para Maria que ele falava de Cristo. Assim, ela limpando o rosto o respondeu.

-Maria: Pode ligar para Heitor e avisar o que está acontecendo? Não tenho coragem nesse momento de contar para ele o que aconteceu com o pai dele, sem deixar que a culpa me entregue.

A compreendendo Geraldo assentiu, dizendo.

-Geraldo: Tudo bem. Eu faço isso.

Geraldo se afastou já tirando seu celular do bolso para fazer a ligação e depois Maria se sentou em um sofá.

Passou alguns minutos, até Geraldo fazer a ligação e o médico aparecer.

Maria rapidamente ficou de pé. Ouviu o médico que fez exames como, radiografias das costelas e face de Estevão para ver como estava seus ossos e para verificar seus órgãos internos, utilizando outro método de exames, falar dos resultados deles.

Ela suspirou em alivio quando ouviu que tudo dentro dele estava bem, exceto uma costela que necessitaria de fortes analgésicos e muito repouso para que ela deixasse de incomodar o paciente.

Em seguida, ela se viu sendo conduzida para vê-lo. Geraldo ficou a esperando, e atrás do médico ela o seguiu em passos ansiosos e nervosos.

Quando o médico parou de frente a uma porta que tinha um policial parado a frente dela, ela o fulminou com os olhos. O olhou com raiva. Sabia que Estevão não necessitava daquela vigilância toda. Até que quando entrou no quarto vendo ele dormir sob efeitos de remédios, seu coração errou as batidas mais de uma vez.

Primeiro viu o rosto dele mostrando hematomas que tomavam cor e formas, depois uma de suas mãos que estavam com curativos as cobrindo, e o pior de tudo foi ver um de seus pulsos presos na grade da cama por uma algema. O que fez ela voltar 3 passos furiosas até o policial que viu na porta, e o gritar.

-Maria: Eu quero que tire imediatamente aquela maldita algema que colocou no meu marido!

Ela ofegou e ergueu mais a cabeça mirando furiosa o homem fardado em sua frente, que a respondeu.

-X: Desculpe senhora! Esses são os procedimentos!

Ela bufou quando o ouviu e o ameaçou pronta para qualquer coisa.

-Maria: Eu não quero saber! Eu quero que tire agora mesmo! Ele não é um detento violento. Não matou e não atacou ninguém. Faça isso agora ou abrirei um processo de abuso de autoridade contra você e quem deu essa ordem absurda e desnecessária, visando o caso dele!

O policial em silêncio assentiu dois segundos depois, entrou no quarto com ela o seguindo e tirou a algema, e disse.

-X: Pronto. Estarei lá fora se precisar de mim.

Maria então sem olhá-lo o respondeu entre os dentes.

-Maria: Eu preciso que fique longe dele.

Ela então cruzou os braços e caminhou devagar até o lado da cama que Estevão estava deitado.

Ela suspirou sabendo que tinha ficado apenas ela e o médico que agora mexia em uma injeção do outro lado de Estevão.

Ela então viu ele preparar a medicação e perguntou.

-Maria: O que vai aplicar nele?

O médico maduro, a olhou e respondeu.

-X: Analgésico para dor. Conheço seu marido, e também não concordei quando o vi algemado.

Maria suspirou, mexeu no cabelo enquanto olhava Estevão e o médico aplicava a agulha na veia dele. Ela então depois deu um curto riso, por entender que o médico chamou Estevão de marido dela por ela o ter chamado assim quando esteve pronta para pular no policial que estaria no mesmo canto que antes, fora daquele quarto como um cão de guarda.

Ela então se ouviu se explicando.

-Maria: Ele não é meu marido. Temos filhos juntos, mas somos divorciados com planos de nos casarmos outra vez, mas já não sei o que será desses planos.

Ela ficou pensativa depois de falar, e o médico deu um leve sorriso e então disse de modo agora profissional.

-X: Aproveitamos para realizar um eletrocardiograma nele. O cardiologista dele não quis deixar passar. E tudo está bem também com o coração dele. Agora deixarei você com ele.

Maria suspirou e fechou os olhos. Quando ouviu o médico, ela lembrou da outra opção que tinha para tirá-lo logo da prisão, como deixa-lo doente. Seria fácil provar seu tratamento depois de um quase infarto e uma cirurgia de emergência. Mas para isso, teriam que manipular os remédios que ele deixou em casa e que como ela viu, ele não os tomavam como eram precisos. Mas brincar com a saúde dele, ainda mais com um órgão tão vital, seria risco demais. Os hematomas rápidos desapareciam sem deixar sequelas, agora o coração, não teriam garantia de nada.

Ela então levou a mão na cabeça dele. Tocou nos cabelos da frente. Estavam maiores do que a última vez que o viu, assim quando ela tocou uma parte que cobria sua testa revelou um machucado. Ela então se afastou.

-Maria: Me perdoe, Estevão. Me perdoe por isso.

Depois se sussurrar, ela se abaixou e o beijou na testa. No lábio não se atreveu beijar, visando que tinha um lado ferido e inchado. Não queria lastimá-lo mais do que já tinha.

Geraldo bateu na porta devagar. Maria olhou para ele, quando o viu aparecer pela brecha que ele abriu.

-Geraldo: Estou indo ao fórum conseguir a assinatura que preciso para que o leve para casa.

Maria sentiu lágrimas emocionadas tomarem seus olhos.

-Maria: Por favor, Geraldo. Não saía de lá sem isso, que não sairei desse quarto sem ele.

Geraldo assentiu e deixou ela ali. Maria voltou a olhar para Estevão. E depois caminhou até o sofá, deixou sua bolsa nele e sentou.

Heitor chegava ao lado de Estrela no hospital, quanto Vivian que chegava junto, foi levada até o fórum por Geraldo que a viu em sua saída.

Momentos depois, Maria se levantou em um salto quando a porta do quarto se abriu e os dois filhos dela apareceram.

Heitor e Estrela olharam Estevão deitado na cama dormindo. Maria respirou fundo sentindo-se a pior mãe do mundo quando viu nos olhos dos dois, dor e sofrimento enquanto olhavam Estevão.

Ela que tinha feito aquilo nele. E sua consciência não deixava de lembra-la disso.

Heitor então se virou para ela e a questionou em tom de cobrança.

-Heitor: Como fizeram isso a ele, mamãe? Disse que estava garantindo que isso não acontecesse com ele lá dentro.

Ele a olhou confuso, por saber que Maria pagava pessoas importantes dentro da prisão burlando o sistema carcerário com um pouco de dinheiro, dando assim privilégios a Estevão apenas no que o dinheiro garantia.

Maria viu por trás de Heitor, Estrela passar e ir até um lado da cama do pai e tentar lhe tocar a mão. E ela deu graças a Deus que ele não estava mais algemado.

-Heitor: Mãe!

Heitor quando a chamou exigente, trazendo de volta sua atenção para ele, a tirou de seus devaneios e ela então o respondeu desviando o olhar dele.

-Maria: Eu não sei o que aconteceu para que isso passasse.

Ela andou devagar e cruzou os braços. Heitor ficou por alguns segundos a encarando até que foi ao lado do pai também, assim como Estrela estava, mas do outro lado.

E adolescente disse, mirando o irmão mais velho.

-Estrela: Ele vai ficar bem, não vai?

Heitor procurou olhar a mãe deles e ela fez o mesmo.

-Heitor: Ele vai?

Sabendo que ambos queriam ouvi-la já que era ela que tinha chegado primeiro ali e tinha mais informações que eles, ela tocou seu rosto úmido de lágrimas que tinha e nem tinha notado e disse.

-Maria: Sim. Os ferimentos foram todos externos e só uma costela dele que necessitará mais de atenção e cuidados.

Os dois pareceram respirar mais relaxados e ela não suportou mais ficar ali, os mirando e disse.

-Maria: Vou deixá-los enquanto procurarei o médico para saber quando poderemos leva-lo para casa.

Ela saiu e Heitor ficou a olhando até que a porta fechou e suas últimas palavras martelaram em sua mente.

Respirando melhor, depois de olhar feio para o policial ainda ao lado da porta, Maria andou para longe daquele corredor.

Enquanto tentava pôr em ordem seus pensamentos, ela resolveu ir até a capela do hospital e não ir até o médico como tinha falado que iria.

Assim, com os minutos passando. No quarto de Estevão, Estrela disse.

-Estrela: Nossa mãe está demorando voltar.

Ela disse baixo e olhando Heitor. Ele concordou assentindo com a cabeça, e depois de mirar o pai deles ainda dormindo, ele disse.

-Heitor: Vou procura-la, aproveito e pergunto o que vão fazer com ele. Se vão deixar ele aqui por muito tempo, ou leva-lo de volta para prisão.

Quando Heitor já ia se afastar, Estrela pegou no braço dele e disse.

-Estrela: Por favor, não deixem que o leve de volta. Olha o que fizeram com ele naquele lugar.

Ela mirou o rosto de Estevão de coração partido e com sua mão livre, segurou uma das mãos dele.

Heitor sabendo que não obtinha do poder daquilo que sua irmã mais nova pedia, disse.

-Heitor: Eu vou deixar você cuidando dele, hum.

Estrela respirou fundo e agora deixando de olhar o pai deles, o respondeu.

-Estrela: Pode ir. Eu não vou sair daqui até que voltem.

Heitor sentiu ela soltá-lo. Mas ele não se moveu, ficou a olhando, até que disse.

-Heitor: Estrela.

Ela o respondeu sem olhá-lo.

-Estrela: Hum?

Heitor então disse.

-Heitor: Eu estou orgulhoso de você.

Ela se afastou da cama, cruzando os braços e olhando o chão ela disse baixo.

-Estrela: Mas eu não fiz nada.

Heitor andou até ela.

-Heitor: Você está abrindo seu coração. Isso que está fazendo.

Ele deu um sorriso leve para ela, depois a puxou para um abraço gentil. Depois que os desfez, ele saiu.

Estrela já sozinha, suspirou e ficou olhando Estevão na cama. Lembrava que em todos seus anos iniciais que frequentou a escola, desejou ter um pai. Um pai como a maiorias de suas amiguinhas tinham e que moravam com suas mamães. Depois quando entendeu que existiam pais separados, ela também desejou ao menos ter um assim que não vivesse com sua mãe e ela, mas que fosse presente. Presente para ir em suas reuniões escolares, nos eventos como os dias dos pais e até para busca-la na escola.

Havia se ilusionado tanto com um momento assim, onde saía da aula e ele a esperava de braços abertos para leva-la para casa e assim todas suas amiguinhas veriam que ela também tinha um pai e uma mãe.

Mas isso não tinha acontecido nunca, ela se tornara uma adolescente e ainda tendo um pai desconhecido, até em uma manhã sua mãe decidir revelar a identidade dele. E mais que aquilo, leva-la tão perto dele que teve medo.

Medo de tantas coisas e que no final, afastou dela o pai que tanto desejou.

Ela caminhou do outro lado do quarto e quando ia se sentar no sofá, enfiou a mão no bolso de seu jeans, e tirou uma folha perfeitamente dobrada.

Era a carta que Heitor pediu para ela fazer. Nela, ela tentou expor todos seus sentimentos em palavras e fazia um pedido. Um que lembrava que seu pai tinha feito quando a visitou no apartamento que vivia junto da mãe.

Ele pedia permissão para conhece-la. Se prestava aquele papel em uma conversa entre ela e uma porta que os separou. Tais lembrança enchia Estrela de melancolia e lamentos. Assim naquela carta deixava claro quais eram seu lamento e trocara de papel: Ela agora pedia a ele uma chance para conhece-lo melhor.

Estevão abriu os olhos. Primeiro ele mirou o teto. Confuso olhou ao redor até que viu Estrela em um canto, de cabeça baixa e com um papel na mão. Ele a mirou calado cheio de dúvidas se o que via era real. Se sua filha estava ali mesmo.

Ele então fechou os olhos e os abriu segundos depois. Estrela fungou e passou as costas das mãos no nariz, demonstrando que chorava e que sua presença ali era real.

Ele então abriu a boca, mas nada disse e ela se virou para o lado dele.

Os olhos dela, olhou-o assustada. Seu rosto rosado pelo choro e olhos marejados, ficaram mais próximo de Estevão quando ela foi até ele.

-Estrela: O senhor está bem?

Ela o mirou com um olhar investigativo e ele fez o mesmo com ela e por fim tentou falar.

-Estevão: Estou, Estrela, filha. O que faz aqui? O que eu faço aqui? E por que chorava?

Ele mirou ao redor reconhecendo que estava em um hospital. Estrela então vendo toda sua confusão, disse.

-Estrela: Eu vou chamar a mamãe, e Heitor.

Estevão foi rápido quando pegou no pulso dela.

-Estevão: Não vai filha. Eu não quero ficar sozinho.

Estrela pigarreou sentindo um nó estranho na garganta, enquanto olha seu rosto tomando cores azuladas em alguns lugares.

E então ela disse para tranquiliza-lo.

-Estrela: Eu não vou a nenhum lugar. Está bem?

Ele assentiu e a soltou. Depois voltou a olhar o teto daquele hospital.

Imagens começavam a fazer presente na mente de Estevão, trazendo assim lembranças nela, que o explicavam do porquê estava ali.

Ele apertou os olhos quando começou a reviver os golpes que o estenderam em posição fetal no chão de sua cela. Os ruídos dos golpes que levou começaram a ser tão nítidos em sua mente como se tivesse acontecendo novamente. Lembrava que sequências deles foram mais repetidas quando ele não teve mais forças de se defender e caiu no chão.

Ele levou a mão em uma de suas orelhas, a sentiu dolorida, mas estava certo que seguia ouvindo bem por seus ouvidos terem escutado muito bem Estrela, e isso parecia mais que um milagre por conseguir lembrar um chute que levou na orelha que tocava que poderia jurar que prejudicaria seu tímpano.

Ele então procurou olhar novamente onde Estrela estaria, e suspirou em alivio por ver que ela ainda seguia com ele. Sua presença naquele lugar dava para ele confiança que nada passaria. Que 3 homens não entrariam por aquela porta para espanca-lo novamente, e tampouco seria levado novamente para a prisão. Não com ela ainda ali. Sua segurança parecia estar em uma menina de 15 anos.

-Estrela: Te escrevi uma carta.

E Estrela disse baixo. O que fez ele virar o pescoço para o lado que ela estava. Estrela segurava o papel que antes ele via ela olhando. Assim então ele disse.

-Estevão: Escreveu uma carta para mim?

Estrela assentiu devagar com a cabeça.

-Estrela: Quero que leia ela, mas não na minha frente e nem com alguém mais.

Ela deu a carta para ele. Ele pegou assentindo e sem evitar sentir lágrimas lhe vindo aos olhos. E então depois ele disse, quando se esforçou para falar.

-Estevão: Farei como quiser filha. Obrigado.

Ela deu um leve sorriso. E ele então a vendo andar para longe da cama, ele disse.

-Estevão: Senti sua falta, filha.

Estrela se virou devagar para ele, sentiu tristeza a mesma que vinha sentindo todo aquele tempo. Então assim, ela o respondeu.

-Estrela: Eu sempre fui grossa e deixava claro que não te queria perto. Não fui uma boa filha para que sentisse minha falta, Estevão.

Estevão sorriu de lábios fechados. Nunca a culparia por sua rebeldia e recusas por aceita-lo. Que por isso, ele disse mirando-a.

-Estevão: Tampouco eu fui um bom pai, e quando eu tentei ser seu pai só fazia tudo errado. Sinto muito filha. Me perdoe.

Ele mostrou uma palma de suas mãos. Estrela mirou entendendo que ele lhe oferecia para pegar. Ela então se aproximou mais, a pegou e disse.

-Estrela: Eu também sinto muito por muitas coisas. Me perdoe.

Estevão acariciou a mão jovem dela com a sua que não tinha curativos, não completamente como a outra. E depois a olhando nos olhos, ele pediu.

-Estevão: Será que você poderia me abraçar como da última vez que estive aqui e você me abraçou? Não quero voltar do lugar que vim sem ter o privilégio de ganhar um abraço seu, filha.

Quando o ouviu, Estrela piscou. Piscou mais de uma vez, até que começou a chorar. E então com duas batidas de coração ela já estava por cima da parte do corpo deitado dele, abraçando-o.

Quando a teve assim, Estevão não evitou sentir dores sobre o peito, mas não se importou, apenas quis que ela se mantivesse ali, para ele sentir um pouco de amor e paz de que tanto necessitou em todo aquele tempo privado de sua liberdade e solitário. Assim, ele levou os braços ao redor do corpo dela e a afagou com as mãos.

Uma de duas mãos foi até os cabelos loiros dela, e depois ele procurou o rosto dela para beijar. Beijou uma bochecha, depois a testa dela e depois disse a olhando nos olhos.

-Estevão: Quando tudo isso acabar. Eu prometo que serei um bom pai para você, filha.

Estrela não respondeu, apenas soluçou chorando sem querer soltá-lo e escondendo seu rosto junto com as suas lágrimas, na curva do pescoço dele.

Heitor encontrou Maria sentada em um dos bancos da pequena capela.

Assim então ele disse baixo, por não estarem sozinhos ali e ter uma mulher rezando no lado esquerdo de Maria.

-Heitor: Te procurava mamãe.

Ele sentou a um lado dela, Maria suspirou e virou o rosto para ele, dizendo.

-Maria: Seu pai acordou?

Heitor fez o sinal da cruz enquanto olhava para um crucifixo na parede e depois a respondeu

-Heitor: Saí de lá antes que ele fizesse isso. Demorou, fiquei preocupado.

Maria suspirou ao ouvi-lo e então em tom de lamento, ela o respondeu.

-Maria: Tem que se preocupar com seu pai, filho.

Ela mirou a frente e ele a mirou, e então a respondeu.

-Heitor: Me preocupo com os dois. Estão passando por muitas coisas.

Ele buscou tocá-la em uma mão, e ela baixou a cabeça para ver o toque e depois disse.

-Maria: Estevão e eu, não poderíamos ter um filho melhor.

Ela então ergueu a cabeça, o mirou e sorriu depois de falar.

-Heitor: Se Estrela ouvir isso, ela ficaria com ciúmes.

Agora foi Heitor que sorriu. E Maria certa do que ia dizer, disse.

-Maria: Talvez. Sinto que sua irmã está amadurecendo.

Heitor então compartilhando do mesmo sentimento, disse.

-Heitor: Eu também sinto isso. E sinto mais ainda que agora ela pode aceitar melhor nosso pai. Pena que ele ainda segue preso e cedo ou tarde, ele pode voltar para aquele maldito lugar.

Maria suspirou, e agora tomando a mão dele que lhe tocava com outra, ela disse com os emocionados e o mirando.

-Maria: Talvez tenhamos uma surpresa e poderemos leva-lo para casa.

Heitor então lembrando do que ela havia falado antes, o intrigando, disse.

-Heitor: Foi isso que deixou entender quando saiu do quarto. Tem alguma novidade?

Maria assentiu e resolveu responde-lo com a verdade. Ao menos com aquela.

-Maria: Não quero que diga a ele para não lhe trazer ilusões antes da hora, mas com o que houve temos mais chances de convencer o juiz aceitar o pedido de habeas corpus, filho.

Heitor deu um sorriso tão largo, que fez o coração de Maria acelerar de felicidade. Assim então ele disse confiante.

-Heitor: Isso é muito bom. Não a parte que explica o motivo que meu pai está aqui. Mas há males que vem para o bem, não é assim que fala, mãe? E se isso vai servir para ele estar em casa, então tudo valeu apena.

Maria piscou quando sentiu o efeito das palavras de Heitor em cima de sua culpa. Sentiu seus olhos emocionarem outra vez se inundando de lágrimas, e disse.

-Maria: Sim, filho. Tudo terá valido apena se o levarmos para casa.

Heitor beijou a mão dela, quando viu que lágrimas desceram dos olhos dela e depois ele disse.

-Heitor: Agora vamos? Ele já deve ter acordado.

No quarto que Estevão estava.

Ele bebia suco. Um copo com canudo que a enfermeira trouxe com uma bandeja de café da manhã para ele, e que Estrela fazia o favor de segurar para ele. Tinha também pão com presunto, requeijão e pedaços de queijo, juntos com uma tijelinha com variadas frutas fatiadas.

Estrela pegou o copo dele e pôs em cima da mesinha de seu café da manhã. Depois viu Estevão morder o pedaço de seu pão integral com presunto. Ela pegou outro e começou a colocar um tanto de requeijão, e depois que viu ele comer o pão, ofereceu o que ela tinha montado para ele.

Ele agradeceu, mordeu e depois tomou de mais suco que ela agora lhe oferecia.

Ele comia educadamente, mas mostrava satisfação demais em comer aquelas poucas coisas postas para ele, o Estrela sabia que nas mesas de café da manhã que esteve na casa dele e até quando só morava ela e a mãe, tinha muito mais que aquilo.

-Estrela: Está bom?

Ela então disse sorrindo. Estevão assentiu, limpou os lábios com um guardanapo de papel que tinha na mesinha e a respondeu.

-Estevão: Está muito bom. Você não quer mesmo?

Estrela negou e certa que a comida da prisão era horrível demais para Estevão se vislumbrar com o pouco que tinha em sua frente, ela disse, pegando a tigela de frutas.

-Estrela: Eu já tomei café, é o senhor que tem que comer tudo isso.

Ela pegou algumas frutas com a colher e levou em direção da boca dele. O que Estevão fez, foi abrir a boca e deixar que as frutas doces o adoçassem a vida.

Estrela ficou assim, fazendo ele comer as frutas, e então sem os dois perceberem, a porta se abriu.

Maria e Heitor ficaram em silêncio vendo a cena.

Estrela estava sentada em um lado da cama, tinha uma colher na mão que ela levava até a boca de Estevão. Eles conversavam no meio disso e Maria pensou que via uma miragem.

Até que ao lado dela, Heitor pigarreou dizendo.

-Heitor: Que bom que acordou pai. 

 



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