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História Família Fênix - Capítulo 3


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Notas do Autor


Capítulo 3/3

É de vocês.

Capítulo 3 - O fruto ao lado da árvore


Fanfic / Fanfiction Família Fênix - Capítulo 3 - O fruto ao lado da árvore

   1995

Instituto Xavier. Quarto de Jean e Scott

"Jean... você tem certeza disso?"

"Sim, por quê?" Jean riu. "Você mudou de idéia, amor?" Ela sabia que ele estava apenas ansioso com a coisa toda, mas não perderia a chance de provocá-lo um pouco.

Scott olhou para a cartela solitária de pílulas flutuando no vaso sanitário. Ele não sentiu aquela empolgação com algo que estava por vir desde que saíra de casa para comprar sua Harley-Davidson.

"Não, não. É só que nós... eu... bem, esse é o primeiro passo. E o mais importante. Eu só precisava ter certeza." Ele virou a cabeça para sorrir para ela, mas hesitou quando notou a expressão infame no rosto de sua esposa.

"Uhm. Você sabe, o passo mais importante vem depois desse." Jean pressionou o botão de descarga, enrolou um dedo na barra da camiseta de Scott e o puxou para um beijo apaixonado.

Ele riu contra os lábios dela. "Tudo bem então. Daremos esse passo o tanto de vezes que for necessário, e até mais."

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1996

Um choro estridente rompeu o silêncio da sala branca.

Scott afrouxou sua máscara respiratória. Ele observou toda a comoção em torno do bebê dele. O aperto na sua mão esquerda o fez olhar para a esposa. Deitada na cama, vestindo roupas de hospital, coberta de suor e ofegante, Jean havia passado por um trabalho de parto natural. Ela quase esmagara a mão do marido, mas ele estava tão orgulhoso dela.

O cordão umbilical da recém-nascida foi cortado assim que o médico verificou se o bebê apresentava os sinais vitais corretos. Enquanto Scott removia as mechas de cabelos grudadas ao rosto da esposa com os dedos, Jean observava como uma águia a enfermeira secando sua filha e envolvendo-a com cobertores rosa.

"Ela é perfeita. Sr. Summers? Você pode vir aqui?"

Scott olhou para Jean antes de se aproximar da enfermeira. Ele ficou hipnotizado com a primeira visão de sua filha, mesmo que ela ainda estivesse chorando.

"Ela tem pulmões fortes."

Scott sorriu de alegria. 

"Sim, ela tem." 

"Precisamos mantê-la aquecida e o contato físico a acalmará. Dobre o cotovelo assim... A cabeça dela deve estar apoiada o tempo todo."

Scott piscou sob o visor. Ele imitava ansiosamente a posição de apoio da enfermeira para ela encaixar sua recém-nascida lá. Ela era tão leve contra seus braços musculosos. 

O choro estava diminuindo. Seu pequeno rosto vermelho amoleceu e suas pálpebras tremiam.

"Traga-a para mim."

O sorriso de Jean se alargou quando o marido se virou e trouxe o embrulho rosa para ela.

Scott abaixou o bebê para que Jean tivesse o primeiro contato com ela.

"Aqui está ela." Scott pressionou os lábios na testa da filha enquanto sussurrava para acalmá-la. "Prontinho, essa é sua mamãe."

Ele entregou a menina para ela tão gentilmente como ele a havia pegado.

"Oh Scott, ela é a coisa mais linda do mundo."

Jean agarrou o cobertor com todo o cuidado da vida, como se nem sua telecinese fosse digna de confiança. Aquela era sua filhinha, os poucos fios de cabelo ainda estavam úmidos do líquido amniótico de seu útero, mas o aspecto avermelhado dos tufos ralos denunciava sua herança ruiva.

Desde a juventude, ela não pensava que esse dia chegaria, que ela reconstruiria sua família e daria uma segunda chance aos laços de sangue. Ela queria que sua própria mãe estivesse lá para vê-la.

"Você não tem que lamber ela ou algo assim?"

Jean olhou scott com estranheza como quem diz 'Sério?' 

Então ela olhou de volta para a recém-nascida, que  agitava os bracinhos com seus pequenos punhos cerrados.

"Suponho que podemos pular essa parte, embora eu não me importaria." 

Scott sentou-se ao lado de Jean na cama, inclinando-se para os dois amores de sua vida. Não tinha caído a ficha completamente que ele estava olhando para a combinação dele com Jean. Ele nunca pensou que poderia se sentir ainda mais conectado à esposa. 

A garotinha deles abriu os olhos encarando diretamente sua mãe como se esperasse até que ela estivesse bem aninhada nos braços desta para fazer isso. De repente Jean sentiu-se em harmonia. Ela realmente a fez? Algo tão delicado e precioso.

Seus olhos estavam acinzentados, típicos de recém-nascidos. Levaria um tempo para obter a tonalidade definitiva.

"Eles não são vermelhos." Jean sussurrou na mente de Scott, sabendo que ele estava de alguma forma preocupado. 

"Graças a Deus. Ela é sua cópia." 

Jean riu. 

"Olá Rachel. Eu e seu papai estávamos esperando para conhecê-la."

※※※※※※※※※※※※※※※※※※※※

2005

Instituto Xavier. A sala de ciências de Jean.

Jean sentiu um calafrio surgir das profundezas de seu corpo. Algo tinha acontecido. 

"Hum, Sra. Summers?" 

Jean piscou para voltar sua atenção para a aluna e o resto da turma.

"Ah... sim?" 

"Está tudo bem? Você estava falando sobre eclipses solares e-" 

"Sim, eu estava. Eu-" 

"Jean?"

Kitty Pryde, o membro intangível da equipe B dos X-Men apareceu na porta. 

"Tempestade me pediu para chamar você. Houve um incidente com Rachel na sala de aula... ei, ela parece bem." Kitty acrescentou quando viu o rosto preocupado de Jean. "Nós só queríamos avisar você primeiro. Bobby foi procurar o Scott."

Jean deixou Kitty no comando de seus pupilos enquanto ela corria pelos corredores do primeiro andar.

Uma comoção de crianças da quarta série à frente mostrou a Jean onde estava o problema. Tempestade estava parada perto da porta da sala de matemática conversando com outra professora. Ela apontou para Jean se aproximando.

"O que está acontecendo? Onde está minha filha? 

"Fique calma. Respire, inspire-"

"Tempestade"

"Ela não está aqui. Ela abandonou a sala depois de um colapso que pode muito bem ser o primeiro sinal dos poderes dela."

"Os poderes dela..." Jean repetiu para si mesma.

Tempestade moveu-se para apontar para dentro da sala de matemática. "Dê uma olhada."

Jean espiou ansiosamente por algo fora do comum em um espaço que alocava trinta crianças mutantes. 

As vidraças. Várias estavam quebradas, outras rachadas. A professora estava afastando as mesas enquanto o zelador reunia os cacos de vidro.

O estômago de Jean pareceu afundar. 

"Alguém se machucou?" 

"Felizmente não. Eles só levaram um susto." Tempestade tocou o braço da amiga. "Ei, vá ver sua filha. Ela precisa muito de você agora. Eu cuido disso." 

"Obrigada."

※※※※※※※※※※※※※※※※※※※※

Jean podia sentir Rachel do outro lado da porta do dormitório da menina. Seu medo, sua relutância e confusão. 

"Rachel, é a mamãe. Posso entrar aí com você?"

Silêncio. O tique-taque do relógio de pulso de Jean contou sete segundos antes de a porta ser destrancada.

Jean entrou no conhecido quarto da filha. Era o mesmo que ela teve antes de dividir um maior com Scott. A diferença era que Rachel tinha colegas de quarto.

Sua filha de nove anos estava encolhida no canto perto do guarda-roupa. Mãos em cada lado da têmpora. Ela ergueu os olhos marejados para Jean. O coração de sua mãe apertou com a visão.

"Mãe?" 

"Ei, meu amor, o que aconteceu?" 

Jean foi até a primogênita e se inclinou para abraçá-la. A menina imediatamente se envolveu nos braços seguros de sua mãe.

"As outras crianças..." 

"O que elas fizeram?"

"Eles estavam todos quietos e então começaram a falar bem alto. Falavam de uma maneira estranha. Minha cabeça começou a doer e eu gritei para que eles parassem. Então as janelas explodiram, mas eu juro que não fiz nada. Eu juro, mãe." 

Hmm... Eles falavam de uma maneira estranha, Jean pensou enquanto acariciava os cabelos ruivos da garota.

"Sim, muito estranha."

Jean olhou bruscamente para a filha. Ela não tinha dito isso em voz alta. Rachel não pareceu notar a diferença.

Jean não sabia o que sentir imediatamente. Ela sabia que alguns frutos não caíam tão longe de suas árvores e Rachel era muito parecida com ela. Nenhum de seus filhos chegou ao mundo com etiquetas, mas ela já havia se preparado para a menina desenvolver dons diferentes dos seus, ou apenas um deles. Ela estava orgulhosa e preocupada ao mesmo tempo. O filho dela também seria assim? Nathaniel tinha apenas sete anos de idade. Se o DNA de Jean fosse tão proeminente nele quanto era em Rachel ela teria dois filhos telepatas. E telecinéticos ao que parecia.

Antes de dizer qualquer coisa, Rachel quebrou suas divagações com a pergunta mais importante no momento.

"Sou como você, não sou? E como o vovô Charles. Ouço tudo o que as pessoas pensam." Rachel olhou para o chão. "Não é legal quando elas estão tristes. A garota sentada atrás de mim, seus pais estão se divorciando, ela ficava pensando nisso... eu senti que isso estava acontecendo comigo."

Jean segurou Rachel mais perto.

"Eu sei, querida. É natural que a telepatia amplifique a empatia. Você saberá como todos se sentem. Às vezes é ruim porque todos temos problemas, nem todos estão felizes o tempo todo. Quando você aprender a controlar seus dons poderá ajudar essas pessoas."

"Como você e o vovô?"

"Exatamente como nós."

A garota agarrou a manga do casaco de Jean.

"Eu não quis quebrar as janelas. Apenas pedi a todos que fizessem silêncio e elas explodiram." Jean viu nos olhos azuis da filha, idênticos aos dela, o mesmo brilho incandescente que ardia nos olhos de Jean nos seus piores dias. Apenas um segundo antes de desaparecer. "Fiquei com medo, então corri para cá. Quanto tempo ficarei de castigo, mãe?"

Jean riu, sua expressão suavizou-se. 

"Você não vai ficar de castigo, meu amor. Você não fez nada de errado."

"Mas você sempre disse a Nate e eu para ter cuidado e não quebrar nada ou teríamos problemas."

Ela colocou Jean em uma posição delicada entre mãe e mentora.

"Somente quando você e seu irmão estão correndo por toda a casa." Jean abrandou o tom. "Isso é diferente. Eu vou consertar. Mas quero que você entenda que teremos que trabalhar nisso. Você e eu. Às vezes pode ser frustrante e assustador quando não temos controle sobre o que podemos fazer. Alguns de seus amigos podem ficar intimidados, alguns..." Jean hesitou, ela não queria o mesmo para a filha. "...alguns podem até ficar longe de você."

Os olhos de Rachel ficaram alarmados por um momento.

"Mãe, você acha que o Franklin vai parar de falar comigo?"

Jean franziu o cenho. Ela supôs que a filha estava se referindo ao garoto loiro de dez anos com capacidade de manipulação molecular, Franklin Richards.

"Não, acho que não..." Jean balbuciou lentamente, refreando um sorriso.

"Talvez ninguém tenha medo de mim se eu usar meus poderes como você. Protegerei todos aqui e posso lutar contra os bandidos lá fora e salvar as pessoas boas."

O sorriso de Jean se alargou. Rachel tinha um otimismo que ela não tinha nessa idade. Talvez ela tenha herdado de Scott.

"Bem, como o Professor sempre diz, quando um indivíduo adquire grande poder, o bom ou mal uso dele é tudo.

Os olhos de Rachel se iluminaram com a menção de Charles.

"Devemos contar a ele sobre meus dons. Onde ele está?"

"Ele foi com Hank ajudar um amigo em Genosha. Ele voltará em breve para que você possa lhe contar as novidades."

Jean teve a sensação de que Charles já desconfiava a essa altura, assim como ela quando sentiu os poderes de Rachel se manifestarem naquela manhã.

Rachel de repente inclinou a cabeça para trás.

"Como você descobriu seus poderes?" 

Jean avaliou a menina. Ela pensou em contar sobre seus avós. Sobre a avó dela. Rachel sabia do acidente de carro. Ela não sabia que John morava sozinho no mesmo lugar. Um dia, Jean também contaria isso. Rachel era psíquica, talvez ela descobriria logo.

"Isso é história para outro dia." Ela levantou o queixo de Rachel e colocou um beijo em seu nariz. "Você se sente melhor para ir lá fora?" 

Antes que a garota pudesse responder, os dois sobressaltaram-se quando Scott irrompeu pela porta.

"Rachel? Jean-?"

"Calma, calma. Está tudo bem."

Um pouco menos preocupado que o pai, Nate espiou da porta para dentro com olhos curiosos. Ele viu sua mãe e irmã sentadas juntas e timidamente entrou.

Scott se permitiu relaxar depois que Jean explicou a ele o que acontecera. Nate correu para mostrar a Jean o desenho que ele havia feito na sala de aula e Rachel foi abraçar o pai.

"Eu sou como a mamãe agora." 

Scott sorriu para a filha. 

"Sim, Rach. Desde o seu primeiro dia na terra." 

Assim como Jean, ele se orgulhava da garotinha.

"Uau, este é o nosso jato? Está incrível, Nate." Jean ficou impressionada com o filho, principalmente porque o garoto só tinha visto a aeronave uma vez na vida. "Isso é ainda melhor que a versão original."

Enquanto ela observava o filho mais novo mostrar o desenho dele para a irmã e o pai, ela pensou que nunca havia se sentido mais completa em sua vida. Jean não achava que ela merecia, mas ela tinha a família mais perfeita.

 

O fim.


Notas Finais


Foi uma experiência maravilhosa escrever essa fic. Até uma outra oportunidade.


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