História Família Solo - Capítulo 21


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Categorias Carrie Fisher, Harrison Ford, Mark Hamill, Star Wars
Personagens Anakin Skywalker (Darth Vader), Carrie Fisher, Han Solo, Harrison Ford, Jacen Solo, Jaina Solo, Leia Organa, Luke Skywalker, Mark Hamill, Obi-Wan Kenobi, Personagens Originais
Tags Adam Driver, Amilyn Holdo, Baby Ben Solo, Ben Solo, Carrie Fisher, Fluffy, Han Solo, Harrison Ford, Laura Dern, Leia Organa, Luke, Mark Hammil, Rey, Reylo, Star Wars
Visualizações 54
Palavras 2.215
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Famí­lia, Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Fluffy, Romance e Novela, Sci-Fi, Violência

Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Sabia que a palavra saudade em português é a que tem maior número de significados do que todas as outras línguas e por isso é a mais difícil de traduzir numa só palavra?

Capítulo 21 - XXI- Saudade


Fanfic / Fanfiction Família Solo - Capítulo 21 - XXI- Saudade

Chewie segurou gentilmente em seus ombros, dando um leve aperto para garantir que ela logo ficaria bem. Leia colocou a mão por cima da dele e arranjou seu rosto numa expressão mais afável.

Ela se deitou na pequena cama na área comum da nave.

O Wookiee se sentou à mesa holográfica de xadrez e a ficou  observando. Sua expressão sempre lhe pareceu difícil de ler, mas com a cabeça pendendo para o lado e as pernas inquietas, a princesa percebeu preocupação. A cultura deles sempre a fascinou, afinal a dívida de vida que cabia a Han agora estendera-se a Leia e ao bebê, e ele parecia levar a sério, até demais...

— Relaxe, Chewie! Não vou morrer, só estou enjoada. — assegurou antes de se virar, fechando seus olhos e ansiando tremendamente para que seu mal estar fosse embora antes de começar a missão. Seus pensamentos perderam o alinhamento quando mais uma vez o estômago pareceu dar uma cambalhota. Respirando pesadamente, tentou com todas as forças evitar o que se seguiu, já sentindo um amargor na garganta quando se levantou.

Alguns minutos depois, ela tornou-se resolvida a se deitar propriamente numa cama de verdade, já sentindo a exaustão tocar-lhe o corpo, que parecia começar a lhe trazer certa estranheza nos últimos dias. Leia encarou sua barriga ligeiramente arredondada, que tomava uma forma protuberante o suficiente para se tornar visível através do tecido reforçado do macacão que ela usava quando ia à campo. Nada demasiadamente notável, ainda, mas ela logo imaginou-se miseravelmente indisposta, deixando que uma expressão não tão agradável tomasse seu rosto enquanto pensava em expandir como um anel planetário. Essas palavras fariam com que ela risse em outras circunstâncias, todavia naquele instante em particular lhe pareceram um tanto preocupantes. Ela torceu os lábios. Ainda sentia um gosto desagradável na boca, mesmo tendo escovado os dentes por pelo menos seis vezes, após suas seis visitas ágeis ao banheiro.

Desagradou-se, cientemente, e não por um momento irrefletido, com sua condição. De início, certamente não queria isso, mas após experimentar a reação extasiada de Han, partilhou dela, escolhendo ignorar as preocupações que rondavam sua mente. Agora, voltara a si, — baixando a cabeça e levando uma das mãos à têmpora, como que para evitar uma dor de cabeça — percebendo como esse acontecimento inesperado viria a ser desagradável para ela, de certa forma sugando seu poder de escolha e ação. Odiou-se por um segundo por estar pensando assim, mas era um sentimento ambíguo. Não sentiria ódio de si mesma em outras situações, o que ilustrava bem o seu ponto. Ela sentia-se levada — não tão lentamente quanto gostaria — a um caminho sem volta. Bem, na verdade, já estava nele por certo tempo — lembrou para si mesma, afirmando com a cabeça enquanto hesitava em sentir sua barriga. Como pudera ter crescido sem que ela percebesse? Não que ela prestasse uma quantidade absurda de atenção no próprio corpo, mas considerava-se digna de alerta. Ergueu a cabeça, como que para os céus além do teto da nave, segurando o ventre entre as mãos e então sentindo uma vibração. Ela conseguia apenas descrever aquilo como uma onda de vibração, vindo dali, do minúsculo ser que ela nutria até que ele pudesse fazer seu caminho seguro para o mundo exterior.

Uma lágrima quente correu por sua bochecha, fazendo cócegas ao escorregar pelo pescoço inclinado. Ela fechou os olhos, em busca de rearranjo. Leia não chorava, quase nunca. Como uma princesa, fora ensinada a não ceder à sentimentos descabidos e exagerados, então mantinha seu controle, sempre. Não que fosse ensinada a ser um robô, pelo contrário. Os dois seres humanos gentis que a criaram fizeram um ótimo trabalho em ensiná-la como mostrar humanidade, empatia. Só que aquilo era... Demais. E não foi a primeira vez que perdera o controle de si nos últimos tempos. Recordou com desaprovação, então, da imagem de si mesma, debatendo-se nos braços de Han.

Sua mãe não a ensinara a ser assim. Como rainha, Breha tinha que preocupar-se não só em demonstrar força, pois isso seria em demasiado inútil a longo prazo. Ela tinha de ser forte, e ah... Como sua mãe era! Pensou, sorrindo ao vazio com um olhar entristecido. Ela tinha ensinado sua amada filha a ter essa mesma força, mas Leia sentia estar falhando miseravelmente nesta tarefa, sentindo dificuldade em secar as lágrimas que pareciam escapar por entre seus dedos — as mãos cobrindo os olhos, inutilmente, enquanto ela ajoelhava-se e se sentava sobre suas pernas.

A Rainha Breha... Sua mãe... Tinha desejado tanto uma criança. Seu pai havia contado a Leia uma noite, quando ele a julgava jovem demais para entender, que sua mãe havia perdido os bebês que ambos tanto ansiaram em suas tentativas, e ele não conseguia aguentar a tristeza no olhar de sua esposa, após cada uma das tentativas. Até que um dia, ele retornou para casa após uma misteriosa missão com um bebê adorável em seus braços, dando a Breha o maior presente que ela poderia receber. Mais tarde ela entendeu... Leia fora criada com tanto carinho, relembrou, incapaz de parar de chorar enquanto doces memórias invadiam sua mente como há muito tempo não faziam.

Quando ela não conseguia dormir, seu pai contava uma de suas histórias cheias de aventura sobre quando lutou nas Guerras Clônicas, o que a fazia pegar no sono após longos minutos, sempre terminados com um carinhoso beijo na testa.

Quando estava exausta após horas aprendendo como organizar as infindáveis finanças públicas de Alderaan, — por insistência dela própria — sua mãe parecia aninhá-la nos braços com ainda mais orgulho.

— Odeio fazer isso. Mas sei que é necessário se eu quiser ser uma rainha tão boa quanto você...

— Minha princesinha, você está indo bem. Vamos dar uma volta no jardim e depois te ajudo a terminar isso, que tal? — dizia ela, com a garota entre os braços como se ela fosse um bebê, mesmo já tendo seus catorze anos.

Leia se sentia tão amada, tão valorizada. Nunca pensou em seus pais adotivos de uma forma distante por conta de laços de sangue, nunca se importou com o fato de não ter sido Breha que a carregou no ventre; ela a amava, e isso bastava. Então, por que não conseguia ter esse amor pela criança que ela sentia crescer em suas entranhas?

Talvez porque ela não fora desejada, esperada. Talvez porque Leia nunca havia parado para considerar consigo mesma a opção de ter um filho até o momento em que descobriu estar esperando um. Fora descuidada, imprudente, até. Achou que isso não aconteceria até que... aconteceu.

Baixou os olhos mais uma vez para a barriga, colocando a mão por baixo da blusa para sentir a pele quente. Gostou daquilo, por um momento muito breve um ar pacífico flutuou por seu rosto enquanto tocava-se docemente. Aquilo logo passou, e ela ansiou por sua mãe, sentindo o coração doer. Sentiu saudades dela. Daria tudo para ter mais um único momento com Breha para perguntar o que devia fazer com esse turbilhão de emoções que parecia estar caindo sobre si como uma avalanche. Certamente sua mãe saberia o que dizer e como confortá-la. Chorou, de novo, as palavras da Rainha ecoando em sua mente como se ela estivesse ali.

— Não acha que estou velha demais pra isso? — perguntou Leia, apertada entre os braços da mãe.

— Você sempre vai caber no meu abraço, minha querida. Literalmente.— riu-se, vendo as bochechas da filha corarem.

— Ainda vou crescer! — disse, esperançosa. — Eu acho... — ela partilhou do riso da mãe, que lhe alisou os longos cabelos soltos.

— Durma bem. — completou ao colocar a filha na cama e acariciar seu rosto arredondado.

Muitas crianças cresceriam arrogantes, mas Leia cresceu grata. Tentou ser a melhor filha que eles pudessem ter... até que viu seu lar desintegrar-se bem na frente de seus olhos. Aquilo recaiu nela como o peso do mundo — de seu mundo. E por incontáveis noites ela não conseguia dormir pensando em seus atos, perguntando-se se talvez ela fosse culpada por aquilo. Muitas vezes seu coração disse que sim, mesmo que a mente negasse.

Ela achou já ter superado isso, mas se refletisse por um pouco, certas coisas não são possíveis. Esquecer seu mundo é uma delas.

Suspirou fundo, procurando o ar que lhe faltava, já sentindo as narinas fecharem por conta do choro. Seus lábios tremeram. Sentiu-se depressiva como há muito não sentia. Ouviu então, duas batidas rápidas na porta, que logo se abriu. Han rapidamente ajoelhou-se no chão junto a ela, retirando os cabelos soltos do penteado que atrapalhavam a visão de seu rosto. Ele inclinou o tronco para frente e a abraçou, levando suas mãos largas à sua cintura, trazendo-lhe conforto. Leia apertou-lhe a camisa, sentindo-se abrigada e igualmente confusa.

Sem libertá-la do abraço, Han pegou Leia no colo e a deixou gentilmente na cama enquanto procurava pela jarra de água. Ele entregou a ela um copo meio cheio, e ela bebeu o conteúdo quase de uma vez. Notou que o marido a observava ternamente, com um olhar magoado, como se ele entendesse sua dor, ou pelo menos chegasse perto disso. O silêncio ganhou um tom estranho entre eles.

— Aldera era uma cidade incrível. Me lembro de ver pelas holotvs quando criança e me imaginar nos lagos, ou talvez voando pelo céu azul... — disse Han, atraindo inesperadamente a atenção de Leia. Ela sorriu para ele, dando um sinal para que continuasse. — Eu tinha até uma lista boba, coisa de criança... Onde eu coloquei "Viajar para Alderaan" como um dos primeiros tópicos pra quando virasse adulto.

Por algum motivo estranho, ela não sentiu tristeza. Conseguia apenas sorrir levemente para ele, então pegou em sua mão. Leia não tinha lhe falado nada, mas ele parecia saber exatamente o que lhe afligia. Sorriu mais uma vez, lembrando-se da relação semelhante que seus pais partilhavam — onde muitas vezes Leia pensava que palavras nem sequer eram necessárias entre Bail e Breha.

— Meu pai teria implicado tanto com você... — disse ela, olhando para Han.

— Até eu mesmo teria implicado comigo. — falou entre um sorriso.

— Minha mãe, também! A Rainha Breha era temida. Quando chamava algum dos funcionários para uma conversa em particular, ou a mim... Era amedrontador. — ele lhe deu um meio sorriso, destacando ainda mais a bela cicatriz em seu queixo.

— Você nunca me falou deles, Leia.

— Sinto um aperto no peito toda vez que penso neles. Me sufoca. E... Não é só... — admitiu ela, referindo-se a seu choro. Quase no mesmo instante ela se arrependeu de ter começado e quis dar meia volta, temendo a reação de Solo às suas próximas palavras. Ele pareceu sentir isso.

— O que foi?

— Estamos fazendo isso. Mas algumas vez já... Discutimos sobre? — indagou a Princesa, um tanto exasperada. Han por um milésimo de segundo-padrão pareceu confuso, até que percebeu suas mãos instintivas passando pela barriga e entendeu.

— Tem razão. — ele respirou fundo e repetiu. — Tem razão.

— Eu tenho tanto trabalho. Você também... Não vejo como  vamos conseguir dar atenção...— ela se interrompeu, parando no meio da frase em busca de palavras. Pela primeiríssima vez aquilo lhe pareceu real e ela tomou nota de que sim, havia uma criança a caminho. Sua pele protestou com um arrepio que correu por seu tórax.

— Sim, eu entendo. Mas ainda temos tempo pra... Rearranjar isso.

— Rearranjar? — replicou ela. Rearranjos fazia sua mãe, a Rainha de Alderaan, que muitas vezes pedia gentilmente que cancelassem jantares reais para poder cuidar de seu bebê. Mas ela não teria esse luxo, e sabia disso. Han mudou de posição, desconfortável com o humor que ela demonstrava.

— O que quer que eu diga?

— Eu não sei, Han! Não sei de nada, se é que percebe. Não estou conseguindo pensar direito.

— Nem eu, Leia. — admitiu, envergonhado. — Isso é uma coisa grande. Eu sei. Mas vamos nos sair bem.

— Como pode ter certeza disso? — perguntou num tom mais calmo.

— Você é uma diplomata desde que era praticamente uma criança. Eu nasci sabendo me virar. Destruímos as duas maiores armas do Império Galáctico e estamos quase vencendo essa maldita guerra. Você e eu lutamos juntos em mais batalhas importantes do que muitos heróis das Guerras Clônicas e saímos vivos disso, o que é bem importante. — disse Han para fazê-la rir. Funcionou. — Fora isso, você consegue usar tanto o cérebro quanto a Força e eu sei usar metade do meu cérebro muito bem, obrigado. — ela riu, novamente, e ele ainda continuou...— Podemos lidar com qualquer coisa, juntos. Nós todos somos uma família. Eu, você, Chewie, Luke... Vai dar certo, Leia, querida.

Leia balançou a cabeça, o coração se acalmando ao passo que o sorriso se alargava, mais brilhantemente. Talvez, talvez possamos dar conta disso. Han ganhou uma expressão adorável quando por fim fixou seus olhos esverdeados no tórax de Leia, onde jazia um novo relevo que lhe puxou o interesse imediato. Metade dele, metade dela, crescendo ali, agora visivelmente para ele. Tornou-se real. Naquele infinito instante onde suas mãos chegaram à pele macia de Leia e ele sentiu que seria pai. Dessa sensação ele lembraria para sempre.

 


Notas Finais


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