História Whispers in the dark - Capítulo 3


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Categorias Histórias Originais
Visualizações 31
Palavras 3.666
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Mistério, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Então gente,
para a alegria dos yurianos temos um casal yuri! Na verdade nem ia ter yuri ou yaoi, mas tive que fazer esse favorzinho pra minhas duas bitchs. <3
De qualquer forma espero que gostem, dúvidas, sugestões e etc nos comentários e obrigada por lerem.

Capítulo 3 - Torn appart


Fanfic / Fanfiction Whispers in the dark - Capítulo 3 - Torn appart

ERA MEDIEVAL

Eu não podia ouvir nada além dos gritos ecoando em meus ouvidos, além do veneno subindo por minhas veias, eu não sentia nada além da dor. Mas não da dor de estar morrendo, e sim da dor de falhar com ela... Justo com ela.

HORAS ATRÁS...

– Amber, volte aqui! – Estava correndo atrás dela há quase meia hora, e meus pulmões quase não aguentavam. Morávamos numa vila de uns 200 habitantes ou menos, conhecíamos todos ali, mas ultimamente um grupo desconhecido tinha vindo passar uns dias numa das casas vazias, pagando aluguel, e corria o boato que alguns deles tinham ido dormir nos celeiros. Alguns animais haviam desaparecido desde então, e os mesmos foram dados como criminosos - ao menos os que dormiam nos celeiros. Sendo assim a população começou a temer tais homens e o que eles podiam fazer, inclusive eu. – AMBER! – Um grito ecoou por minha garganta como uma gazela assustada prestes a ser abatida quando a vi cair. Estávamos correndo no meio da rua por onde passavam animais e pessoas com mercadorias, há uns dias atrás uma frente fria começou a vir para onde morávamos e choveu torrencialmente. Chovia de madrugada e de manhã uns raios de sol se mostravam no horizonte, deixando poças de lama pelo chão em toda parte. Amber estava correndo de mim - sua irmã mais velha - quando escorregou em uma dessas poças e caiu, se sujando toda. Arregalei os olhos, contendo o desespero, e ao chegar até ela a ergui pelos cabelos e a peguei nos braços. Ela tinha uns seis anos, eu tinha dezenove. Ela tinha cabelos loiros como fogo, os meus eram mais escuros, não chegavam a ser pretos ou castanho escuro, mas sem dúvidas era o mais escuro da família. Não tínhamos irmãos e morávamos no lado norte da vila, nas extremidades, perto da floresta. Nossa família era composta por nosso pai - Augustus Zollof -, nossa mãe - Helena Zollof -, eu, Amber e nossa cadela, Wennyx. 
– Lively! – Amber choramingou. Seus olhinhos azuis e grandes se encheram de lágrimas e um biquinho se formou em seus lábios avermelhados. Não era fácil resistir à aquela coisa fofa, mas também não era impossível. 
– Viu? Eu disse! – A peguei do chão junto com as frutas que havia trocado por leite com os comerciantes e apressei o passo. – Agora vamos pra casa porque mamãe já deve ter feito o almoço e papai já deve ter chegado.
– Pra onde papai foi? – Ela pôs o dedo na boca e começou a chupá-lo. Não aceitava aquele tipo de comportamento, mas o que podia fazer? Ela era só uma criança. 
– Foi apresentar seus “dons” para os senhores da corte. Se eles o aceitarem nós ganharemos uma boa quantia em ouro. – Senti minha irmã colocar a cabeça em meu ombro, e sua respiração se chocar contra meu pescoço. – Podemos ir para um lugar melhor, entende?
– Eu gosto daqui. – Ela disse, sonolenta.
– Aposto que sim... Mas quando estiver maior não vai gostar, acredite. – Logo senti que ela já não me ouvia mais, havia adormecido. 
Andamos por um logo caminho de terra íngreme até chegar em casa. O clima começou a esfriar novamente quando chegamos. Ventos fortes e frios começaram a brincar com meus cabelos de maneira hostil, acordando Amber. Os animais que papai pastoreava começaram a se agitar, nossa mula pulava de um lado para o outro, como se sentissem que o perigo estava próximo. Animais sempre foram mais perceptíveis que o ser humano, de modo que mesmo que quiséssemos não iríamos conseguir decifrar o que o sexto sentido deles dizia. Amber começou a se agitar nos meus braços também, estava com medo. Sussurrei uma canção de ninar enquanto andava, e ela pareceu se acalmar, mas aquela cena era digna de um filme de horror. O céu estava roxeado por causa das nuvens negras que cobriam o sol, os ventos que viam do mar que se agitava lá longe era frio e violento como um cavalo com ódio, eles faziam barulhos como uma canção gótica de horror, o som da morte. Devo admitir que também fiquei com um pouco de medo, mas era apenas o vento e a chuva, uma hora iria cessar. Ao chegar em casa meus sapatos velhos estavam cheios de lama e a ponta do meu vestido também, Amber estava toda suja, como se houvesse tomado banho nas poças.
– O que aconteceu, garotas? – Mamãe perguntou tirando Amber de meus braços.
– E-Ela caiu numa poça, e existem muitas outras lá fora, não há como escapar. – Entreguei a mercadoria a mamãe e tirei os sapatos. – O papai já chegou? – Mamãe negou com a cabeça, preocupada.
– Vai começar a chover e ele ainda não voltou. – Ela andou até a cozinha com Amber nos braços. Ao chegar lá jogou tudo na mesa e andou com minha irmã até o lado de fora, onde tomávamos banho. Juntei as sobrancelhas, preocupada. Não conseguia imaginar algo de ruim acontecendo com ele, mas minha mente fervia. – Lively, vamos esperar seu pai para servimos a mesa, mas caso ele não volte até a noite teremos que jantar sem ele, entendido?
– Sim, mamãe. – Esperei Amber terminar para tomar meu banho. A água caía no meu corpo e parecia que estava tomando banho com a água do mar em época de inverno de tão fria que estava. Que me lembre não era inverno, mas porque o clima estava tão errôneo? Ao acabar coloquei um vestido branco e sentei à lareira com Amber para lhe contar histórias. Costumávamos inventar histórias para passar o tempo naquela época. Algumas eram fortes demais para contar à crianças, então mamãe sempre estava de olho no que eu falava para não assustar Amber. As horas foram se passando, escureceu e nada do papai voltar. Mamãe saiu para buscá-lo, ficamos apenas eu e uma irmã adormecida. Observei minha irmã ali, dormindo como um anjinho. Como se o que acontecia ao redor não pudesse afetá-la, como se estivesse alheia à tudo. Comecei a cantarolar uma canção qualquer enquanto passava um pano molhado pela casa, até que ouvi ventos cantando também ao lado de fora. Suspirei com o susto e quando ia voltar para a sala a porta foi aberta.
– LIVELY! – A voz entrecortada de mamãe ecoava por cada célula de meu corpo. Ela estava toda molhada e com os olhos inchados de choro. Corri até a porta e a encontrei ali, sem forças. Ela desabou em meus braços, exausta. – Li... Ve... Ly....
– Mãe? – Senti algo em mim engasgar. Logo vi a figura pequena e raquítica de minha irmã na entrada da sala.
– Seu pai... – Mamãe foi recuperando o fôlego com o passar dos segundos, e logo estava sentada, instável. – Seu pai... Ele não voltou... Ele não apareceu na corte... Ele sumiu. – Aquelas palavras fizeram meu estômago embrulhar, meu coração acelerar. Tudo em mim entrou em colapso, eu sentei no chão ao lado dela e olhei para Amber.
– O-O papai morreu? – Ela abraçou o próprio corpo. Mamãe se virou para a pequenina e a puxou para um abraço.
– Claro que não, meu amor. O papai voltará logo logo, ok? – Amber começou a chorar como uma possessa. Mamãe tentou acalmá-la, mas mesmo que pudéssemos fazer alguma coisa... Eu sabia qual era a verdade. Ele podia tanto estar vivo quanto estar morto. Com o tempo nós jantamos na lareira, deitamos ao redor dela e começamos a contar histórias. “Conte aquela da mulher que virou pássaro...”, Amber dizia. E eu contava o que eu sabia. Mamãe nos encarava com um olhar terno e gentil, mas eu sabia que dentro dela uma guerra se travava. Ela e papai estavam casados há anos, se amavam como se houvessem nascidos um pro outro. Naquela manhã acordei com mamãe implorando para ele não ir, “Estou com um mal-pressentimento, por favor!”, ela dizia. A última coisa que ele disse foi “Eu vou voltar. Eu prometo” e saiu pela porta. 
O vento cantava suas canções mortificadas quando Amber adormeceu, era quase meia noite. Mamãe ficou acordava o tempo inteiro sentada ali, perto da lareira. O olhar fixo no nada, as mãos tremendo, as lágrimas descendo. Ela rezava o tempo inteiro para papai voltar, e eu sentia como se algo houvesse sido tirado de mim. Antes de entrar em meu quarto a ouvi dizer “Boa noite”, e fechar a porta. Segundos depois eu estava dormindo, mas algumas horas depois acordei com gritos finos. No começo achei que fosse apenas um sonho, mas depois minha mente clareou: Amber.

‡ 

Era por volta das três da manhã quando a Senhora Zollof acordou de um sono pesado com batidas na porta. Sua cabeça pesava de dor pela perda do marido, seu corpo estava fraco como se tivesse corrido uma maratona. Parecia que Augustus era sua força vital, quando estava perto dele se sentia forte, quando se afastava se sentia fraca. E ali, sabendo que ele nunca mais voltaria, sentia como se estivesse morrendo. De início ela pensou que fosse algum delírio, afinal quem estaria batendo em sua porta àquela hora? Mas depois algo se ascendeu em sua mente: Poderia ser seu marido, claro! Ele talvez não houvesse voltado mais cedo por causa de algum imprevisto, talvez estivesse molhado e com fome. Ela pulou dos travesseiros em que estava deitada na sala e correu - feliz como nunca - até a porta. Ao chegar lá suspirou, suas mãos tremiam.
– Augus... – A porta foi aberta por suas mãos pálidas. E ali estava a visão do inferno. Um homem de cabelos longos e pretos, com uma barba média cobrindo o rosto, a mesma ensopada de um líquido vermelho. Sua pele era pálida como neve, seus olhos mais brancos ainda. Os olhos dele eram hipnotizantes, brancos e brilhantes, mas quando ela olhou no fundo deles viu... Era vazio. Não havia nada dentro deles como havia nos de sua filha. Não havia alma. Presas saltaram da boca dele, e ela então deduziu. Um grito engasgou em sua garganta, sentiu seu corpo gelar e antes que pudesse se virar para pegar suas filhas... Pum. O corpo pesado e frio do cadáver que suga sangue caiu em cima dela, ele pôs a mão em sua boca e antes que pudesse até mesmo respirar a boca do mesmo se aproximou de seu pescoço.
– Não sei quem és, perdoe-me se perturbei teu sono, dama... Mas preciso que faça algo por mim, da? – Romênia. Ele era da Romênia. A mulher sentiu seu estômago embrulhar. Ela sentia os lábios frios dele passarem de leve por seu pescoço, sentia o hálito puro, frio e delicioso do homem, sentia a mão livre dele envolvendo sua cintura, e assentiu com a cabeça. – Ótimo, ótimo... O que desejo que faça é fácil, apenas fique quietinha, ok? Fique quietinha e vai doer menos. – Ela arregalou os olhos ao ouvir aquilo, mas não pôde fazer nada. Os dentes do vampiro perfuraram seu pescoço, enquanto litros de sangue jorravam sem parar do pescoço da Senhora Zollof ela segurava o grito, sabia que não podia fazer mais nada; seu destino estava selado. Mesmo que conseguisse se afastar dele o pescoço de um ser humano é infestado de veias, e ela morreria antes de conseguir fugir. Ela estava morrendo. Sua visão começou a escurecer e antes de se apagar por completo ela viu sua vila ser consumida por fogo, sangue, morte... E vampiros.
Enquanto sua mãe tinha seu sangue drenado na porta de entrada da pequena casa dos Zollof, Amber acordou como que por um pressentimento ruim. Estava em um sono profundo em seu quarto angelical quando algo pareceu despertá-la, uma força maior ou algo parecido. Levantou num pulo, pensando em ir à cozinha beber água ou checar se seu amado pai havia chegado, mas quando saiu do quarto... O quarto de Amber ficava de frente para o de Lively, e quando se cruzava o corredor para chegar na sala era possível ver claramente a porta de entrada. E agora era possível ver claramente a cena grotesca que se desenrolava lá. Atrás do cadáver de sua mãe nos braços de um vampiro, a vila onde moravam estava pegando fogo e sendo destruída por um grupo de sanguessugas sádicos, mas Amber não via isso. Em seu campo de visão estava apenas sua mãe e um monstro a sugando.

Um grito escapou.
Um grito de dor, medo e desespero. Um grito que ecoou por toda a redondeza.
O grito de uma criança que acabara de perder sua sanidade.

Levantei da cama completamente em choque, minhas mãos tremiam. No começo achei que havera sido apenas um sonho, mas depois o grito se prolongou e eu percebi que algo de ruim realmente acontecia do lado de fora daquelas portas. Dei um pulo da cama, ainda com o vestido de dormir. Assim que meus olhos passaram pelo local uma pancada atingiu meu peito. Uma pancada invisível e chamegante, queimava, dilacerava. Não conseguia acreditar no que via. Minha mãe... Meus olhos pararam em Amber, e na hora em que o vampiro largou o cadáver de mamãe, eu puxei minha irmã pelo braço, a pegando no colo e a levei correndo até meu quarto.
– Amber... AMBER! – As batidas na porta foram ficando mais fortes, era ele e agora parecia haver mais. Minha pequena irmã estava em estado de choque fitando a porta marrom ser destruída aos poucos. – Ei! – Segurei o rosto dela, não saía uma lágrima sequer. – Você precisa me ouvir, ok? – Ela assentiu. – Nós vamos sair por aquela janela e correr o mais rápido que conseguirmos, certo? – Amber olhou para a porta de novo. Eu puxei seu rosto, fazendo-a olhar para mim. Ela assentiu novamente. A puxei pela mão com toda a força que encontrei em meu corpo e arrastei-a até a janela entre tropeços. Quando pulamos para o lado de fora vi um dos vampiros entrar no quarto. Ele olhou fixamente para mim. Eu olhei fixamente para ele. E corri.
As pedras cortavam meus pés, mas não me importava, pois havia dado os sapatos para Amber. Haviam ficado grandes na garota, mas ao menos evitava de se machucar. Estávamos correndo na floresta que havia perto de casa, claro que os vampiros eram mais rápidos, estavam apenas deixando as presas fugirem para lhes pegarem com mais força depois. Meu coração começou a doer, meus pulmões arderam, mas eu sabia que precisava correr. Quando olhava para Amber sabia que precisava correr. Atravessávamos a neblina, tropeçávamos, mas nunca parávamos. Caíamos, mas nunca desistíamos. Fomos deslizando pelas pedras de um rio até entrarmos na água. Ali eu parei por alguns segundos enquanto Amber bebia um pouco do líquido, olhei ao redor e não vi nada.
– Eu acho... Que eles desistiram. – Amber murmurou com os olhos arregalados. Assenti com a cabeça e a ajudei a se levantar. Ela foi andando pelas pedras e quando chegou do outro lado eu já estava na metade. Dei um passo...
Por um milésimo de segundos senti meu sangue congelar em meu corpo.
Mãos geladas tocaram as minhas. Só consegui gritar para Amber continuar, e fui puxada. Por uns segundos vi o alto das árvores se tornarem borrões. Fui jogada em uma, minhas costas bateram. Fui jogada em outra, até que o arremesso foi tão grande que quando dei por mim estava perto da vila de novo. Longe de Amber. Estava pronta para bater e perder a consciência, mas braços fortes me pegaram. Fortes e gelados, e antes que pudesse dizer alguma coisa dentes cravaram em meu pescoço.
Eu não podia ouvir nada além dos gritos ecoando em meus ouvidos, além do veneno subindo por minhas veias, eu não sentia nada além da dor. Mas não da dor de estar morrendo, e sim da dor de falhar com ela... Justo com ela.

ATUALMENTE...

Meus olhos pregaram nas paredes vermelhas com detalhes pretos do hotel. Era realmente um hotel lindo, mas não planejava ficar ali por muito tempo. Desde que havia chegado no Sul - há séculos atrás - eu havia vivido no hotel, mas agora depois de tanto tempo sabia que precisava de uma casa só minha, e muitos proprietários estavam vendendo suas mansões - quase todas as casas eram mansões no Sul, menos os hóteis e as casas das prostitutas, que 99% das vezes eram humanas. Precisava apenas de alguns humanos para trocar pela casa e fim. Alguns vampiros passavam por mim e sorriam, eu acenava contra-gosto. Não estava com um bom humor aquela noite. Desci pelas escadas até o salão de festas, e a primeira coisa que meus olhos viram foi o bar. Estava lotado de caras pálidas e elegantes, dançando uma música agitada. A decoração era vermelha e branca, preta ou cinza. O barman acenou para mim, éramos grandes amigos. Eu deslizei até uma das cadeiras e sentei.
– Boa noite, Senhorita Bela Adormecida. O que vai querer essa noite? – Ele colocou um copo em minha frente e sorriu.
– O mesmo que peço há alguns séculos. – Brheek assentiu com a cabeça e se virou para fazer a mistura de whiskey puro com sangue. Apoiei a cabeça na palma da mão e olhei para o lado. De súbito senti como se houvesse levado um soco, mas um soco bom. Os cabelos dela iam até o meio das costas, seus olhos eram bem delineados e brancos, sua pele era branca e parecia macia. O rosto arredondado, os lábios bem delicados, unhas pintadas à base, uma roupa casual. Seus olhos pousaram em mim também e a garota sorriu. Logo senti o copo gelado roçar no meu braço. – Obrigada, Sir. Barman. – Dei um longo gole na bebida e senti tudo em mim se renovar, imagino que era como droga para os humanos, quanto mais se bebia aquele sangue, mais viciado ficava, mas a diferença é que não matava, te fazia viver. Quando me virei para a loira de novo ela ainda estava me encarando.
– Boa noite. – A voz dela era como veludo. Como canções para os meus ouvidos. Uma música de violino começou a tocar no ambiente. 
– Boa noite. – Cumprimentei-a. Ela estendeu a mão, eu segurei e beijei a palma da mesma. Pele macia, pensei para mim mesma. A loira sorriu. Começamos a conversar, ficamos ali até as duas da madrugada até que terminei uma garrafa inteira de whiskey junto com ela, e decidimos sair.
– Eu preciso ir... Retocar a maquiagem. – Ela disse, se fosse humana suas bochechas teriam corado. Cada movimento que ela fazia era como se fosse uma bailarina dançando. Como um cisney. Sua delicadeza era tão admirável que entrei em transe por alguns segundos. – Você está bem?
– Erh... Sim.
– Estava olhando fixamente pra mim e não soltava minha mão. – Ela riu enquanto desgrudava nossos dedos e sumiu num piscar de olhos. Fiquei ao lado de fora me perguntando o que fazer, até que uma onda de estupor tomou conta de cada célula de meu corpo. Eu precisava entrar ali e fazer o que tinha de ser feito, ou não me perdoaria nunca. Eu precisava entrar. Respirei fundo uma, duas, três vezes. Até que um impulso interno tomou conta de mim e eu abri a porta do enorme banheiro do hotel. Ela estava ali, se olhando no espelho. Seus olhos cravaram nos meus, e em um segundo eu estava ali, nos braços dela. Meus braços envolvendo sua cintura, meus olhos nos seus. Pressionei seu corpo frágil contra a parede fria de mármore branco, um suspiro alto saiu de sua garganta, e eu a beijei. A beijei como se fosse a única coisa que desejava em vida, como se fosse meu último sopro. A língua dela brincou na minha boca, eu explorei cada parte da sua. Desci as mãos por seu corpo, acariciei seu rosto, chupei seu pescoço, sua orelha, seus lábios. Quando ia beijá-la de novo ela me parou.
– O que foi? Eu fiz algo errado? 
– Quarto 328. – A mesma tirou uma chave de dentro da blusa e pôs em minha frente. Fomos o mais rápido que pudemos até o quarto. Ela deslizava como uma pena pelo chão do hotel, seus sapatos de salto azuis batiam contra o chão, mas não parecia. Seus cabelos loiros voavam enquanto ela andava, e o cheiro entrava em minhas narinas vampíricas. Era o melhor cheiro que já havia sentido. Ao chegar no quarto ela o abriu com toda a delicadeza do mundo e quando o examinei era como ela... Tão lindo e charmoso, delicado como vidro, branco e bem arrumado. E tinha o cheiro dela em toda parte. A porta foi fechada atrás de mim e as mãos da loira tiraram minha jaqueta. – Hoje... – Seus lábios pressionaram os meus. – Eu serei sua.
Antes que pudesse dizer algo nós deixamos nossas emoções falarem mais alto, deixamos a paixão embalar aquela noite. E quando acabamos e eu a olhei no olhos percebi... Havia algo de familiar nela, mas eu não sabia o que era. Os dedos da garota passavam por meu corpo e voltavam até os lábios, ela olhava para mim, e eu para ela. Em um segundo ela fechou os olhos e encostou a cabeça em meu ombro. E quando fechei os meus a vi ali, no bar, e agora ali, ao meu lado, e eu nem sequer sabia o nome dela...
Não sabia o nome dela, nem quem ela era, nem o que fazia ali. Não sabia se o que havia acontecido importava, ou deixava de importar, mas eu sabia que estava ali, e sabia que naquele momento isso importava porque ela também estava ali, a neve caía pela janela, a lua estava indo embora para o dia nascer, e eu sentia que dali pra frente tudo mudaria, porque ela havia acabado de surgir, e eu não a deixaria partir.
 

 

 



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