História Pintando O Sete - Capítulo 9


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Categorias Naruto
Personagens Ino Yamanaka, Iruka Umino, Kakashi Hatake, Naruto Uzumaki, Personagens Originais, Sasori, Sasuke Uchiha, Shikamaru Nara
Tags Família, Naruto Yaoi, Romance, Vida Escolar
Visualizações 128
Palavras 6.436
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção Adolescente, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Errata: tive que fazer um pequeno ajuste no capítulo 08, precisei mudar o nome gravado na aliança do Keichiro porque fiz uma pequena alteração no roteiro. Sobre isso, haverá uma nota explicativa melhor no final desse capítulo. Mas, sei que tem alguns leitores que salvam o capítulo depois que leem, por isso, se você fez isso, peço para que salve novamente, para ficar com a versão corrigida. Aliás, eu sempre leio o capítulo com mais cuidado depois de alguns dias de postado e muitas vezes faço retificação de erros que podem ter passado batido por mim e pela minha amada revisora, o que é bem normal visto o tamanho dos meus textos. Ou até mesmo corrijo erros que são apontados nas reviews. Por isso, se você gosta de salvar o capítulo no computador, peço para que faça depois que o capítulo posterior estiver postado. É mais garantido que você salve o capítulo na sua versão definitiva e sem erros.

Agora, sim! Boa leitura! o/

Capítulo 9 - Yoru - Parte 3


Pintando O Sete

Revisado por Blanxe

Capítulo 09 - Yoru - Parte 3

De longe o avistou onde costumavam se encontrar. Estava atrasado, por isso impunha força no pedalar, mesmo naquela subida íngreme. O ar pesava em seus pulmões, tornando cada espirar dolorido. A garoa fria que caía contribuía para atrapalhar a visão e, ainda que usasse capa de chuva, sentia suas roupas por baixo se empapando. Não se importava com nada daquilo, eram esforços mínimos perto da recompensa que teria. Nada importava quando o objetivo era encontrá-lo para passarem uma tarde inteira juntos falando amenidades, jogando, sorrindo, tocando a mão um do outro, se beliscando, se beijando. Havia de confessar que o último item era a melhor parte, e, se ainda tivesse sorte, ele o deixaria tocá-lo de forma ousada por debaixo da roupa.

Ainda era adolescente e por esse motivo lhe era privado que ultrapassasse certos limites, mesmo que desejasse isto quase obsessivamente.

Tentou, várias vezes, convencer o namorado, que era mais velho quatro anos e, por tanto, adulto e experiente, para que fossem mais adiante. Mas o ruivo era esquivo e sempre lhe repetia a resposta: não queria ser preso por iniciar um menor na vida sexual. Mesmo que, aparentemente, parecesse ao contrário.

Ele, Yoru, havia crescido e encorpado muito nos últimos dois anos, agora era um rapaz de dezessete anos com 1,73 de altura, enquanto Sasori, seu namorado, ainda media os mesmos 1,64 de quando o conhecera, pesava 47 Kg e tinha o rosto mais delicado que muitas meninas de quinze que conhecia.

Mas gostava de insistir, de provocá-lo, de vê-lo se encabular e lhe dar desculpas, de se esforçar para conter seus próprios desejos. Sentia que uma hora ou outra ele cederia e quando esse momento chegasse seria tão lindo e intenso como todos os momentos que passava com ele.

Parou a bicicleta que derrapou um pouco na água que corria perto do meio fio. Apoiou um dos pés no chão e, antes mesmo de cumprimentá-lo, já sentia o coração acelerado. Entretanto, percebeu que Sasori não se moveu, ele continuou sentado na amurada que separava a garagem da conveniência da área dos suportes de bicicletas, a cabeça baixa, os braços abraçados ao corpo embaixo da capa de chuva transparente.

— Oi, Sasori? O que foi? — perguntou, achando estranho vê-lo tão amuado. Desceu da bicicleta e a deixou apenas apoiada com o pedal no meio fio, colocou a mão no ombro dele e, ainda assim, não obteve resposta. — Ei? — sacudiu-o pelo ombro. — Está bravo porque me atrasei? Mas eu mandei mensagem avisando que...

Aquele gesto, de repente, o fez engasgar: Sasori ergueu a mão e secou o rosto embaixo do capuz da capa. Foi só então que notou que o joelho dele sangrava. Ver o ferimento o fez agir por impulso e segurá-lo pelo queixo, fazendo-o erguer a cabeça e expor aquilo que fez seu coração apertar dolorido. A boca e o nariz do ruivo sangravam e havia marcas roxas em partes do rosto e sobre um dos olhos.

Os olhos estavam vermelhos, Sasori estava chorando. Mas ele tentou disfarçar, passou a mão no rosto novamente e desculpou-se.

— Sinto muito. Eu pensei em ir embora, mas...

— O que aconteceu? — quis saber, nervoso, o coração bombeando cada vez mais depressa. — O que aconteceu, Sasori?! — explodiu ao perceber que o namorado não queria falar. — Quem fez isso? — foi mais direto.

— Não importa mais. Foram uns garotos idiotas. Mas isso...

— Aqueles babacas que eu já peguei mexendo várias vezes com você e que ficam de grupinho lá no pátio atrás da conveniência, não é? — Yoru voltou para bicicleta.

Sasori se apavorou.

— Não. Espera! Aonde você vai, Yoru? 

— Eu vou matá-los — respondeu simplesmente e acelerou na bicicleta.

— Espera! Espera! Você não pode com todos eles, Yoruuu!!

Não conseguia mais ouvir ou enxergar, apenas se deu conta quando chegou ao pátio atrás da conveniência, largou a bicicleta de qualquer jeito no chão e partiu para cima do primeiro babaca que encontrou. Eram três deles no local, percebeu que eles riam e debochavam de alguma coisa, tinham quase sua idade, não podia com todos eles, mas a raiva o cegou de tal forma que quando deu por si já estava socando e desferindo pontapés no primeiro garoto que agarrou.

— Eu vou ensinar vocês não mexer com o namorado dos outros, seus vagabundos! — gritou, largando do primeiro para golpear o rosto do segundo. — Vou fazer vocês beijarem o chão, filhos da puta!  

Sasori chegou ao local arfante por ter ido correndo. Viu Yoru socando um dos garotos o qual ele havia imobilizado no chão e se aproximou o suficiente para impedi-lo segurando o pulso dele. 

— Para com isso agora, Yoru! Você vai matá-lo de verdade.   

— É o que eu quero! — alegou ele, puxando o punho que era segurado pelo namorado, com a intenção clara de voltar a golpear. — É o que vou fazer. Vou ensiná-los a mexer com quem pode com eles.

Os outros dois garotos que haviam sido golpeados primeiro por Yoru saíram correndo e ganharam distância, o que estava no chão apenas tentava proteger o rosto cruzando os braços na frente dele.

Sasori repousou sua mão sobre o punho fechado de Yoru com delicadeza e balançou a cabeça negativamente.

— Não faça isso, vão chamar a polícia. Temos que ir.

— Que chamem! Eles precisam mesmo ser presos.

— Nós também seremos! Anda, vamos sair daqui — insistiu Sasori, puxando a mão do namorado.  

— Larguem ele, suas bichas nojentas! — gritou um dos que estava longe.

— Seus desgraçados... — Yoru enfureceu novamente e impôs mais força no punho fechado que continuava sendo segurado por Sasori.

— Yoru!

Arfou. A mão de Sasori sobre seu punho devolvia-lhe a consciência. Levantou, largando a gola da camisa do garoto, mas antes de sair com Sasori cuspiu e chutou as pernas dele.

— Fica esperto, cara — apontou para ele. — Se eu te pegar mexendo com meu namorado de novo, ou com qualquer um que não pode se defender, eu juro, eu mato vocês.

— Seu maluco!! — O garoto arrastou-se de costas no chão molhado e levantou-se desajeitado, aos tropeços, só então saiu correndo e alcançou os outros dois colegas.

— Vamos te denunciar para polícia! — ameaçaram de longe.

Apanhou a mão de Sasori e correram juntos em meio à garoa, até alcançar a bicicleta. Carregou-o no cano e não na garupa como costumava fazer; a atitude daqueles vândalos o revoltara de tal forma que sentia seu estômago revirando de raiva, queria proteger Sasori não só com seu corpo, com sua vida, sua alma se fosse possível.

Seu momento de instabilidade sensibilizou o namorado ao ponto dele querer recompensá-lo de forma inesperada.

Haviam chegado à casa dele e estavam se secando no quarto. A avó de Sasori, a Chyo, estava no médico naquele dia. Mesmo assim ainda não esperava a ação de Sasori.

— Você terá que me emprestar algo seu para eu... eu... — as palavras de Yoru simplesmente fugiram levando embora com elas a razão. Seus lábios entreabriram em mesma proporção que os olhos arregalaram.

Sasori estava completamente nu diante dos seus olhos. O piercing reluzindo no umbigo, e a nova tatuagem, uma carreira de borboletas coloridas voando, que se iniciava ao pé da sua virilha, e subia pela lateral da cintura. Sabia que elas seguiriam pelas costas e terminaria na última pousada no ombro dele. Não tinha ideia que a primeira borboleta saía dali, daquele canto, próxima a pelugem ruiva pubiana da virilha.

Apesar do rosto ferido e dos olhos lacrimejados, a imagem que contemplava era tão deslumbrante que lhe parecera algo sobrenatural, talvez fosse aquela sensação que se tinha ao vislumbrar um anjo. O ruivo dos cabelos de Sasori combinava com o leve rubor que tingia os lábios e as bochechas dele, nunca imaginou que seu namorado seria capaz de ficar ainda mais lindo do que o via normalmente.  

— Está com medo? — Sasori procurou saber e a pergunta inflamou o interior de Yoru que o fez erguer-se rapidamente, arrancar suas roupas úmidas e aproximar-se do namorado rapidamente.

Parou há poucos milímetros de Sasori e segurou-o com cuidado pelos ombros.

— Você está machucado. Tem certeza que quer fazer hoje?

O suspirar trêmulo que deixou os lábios de Sasori fora suficiente para que Yoru compreendesse que sim, ele tinha certeza. Então o namorado apanhou uma de suas mãos no ombro dele e levou-a até seu peito, onde pode sentir o quanto o coração dele palpitava. Houve um novo suspirar por parte dele e o adolescente teve certeza absoluta.

— Eu nunca quis tanto fazer isso como quero agora, Yoru-kun. P- por favor...

— C- certo — Yoru assentiu, apanhou-o pela mão e os dois seguiram para cama.

O ato em si não fora “mágico” como o princípio daquela primeira vez. Yoru era inexperiente e não fazia ideia de como se controlar. Afobou-se e perdeu o controle inúmeras vezes chegando aos “finalmente” sozinho, às vezes nas preliminares. Apesar de tudo, Sasori fora paciente, ria e se divertia com sua inexperiência. Precisaram tentar outras vezes, testar novas posições, tudo para não “morrerem” nas preliminares. Até conseguirem se sincronizarem e chegarem ao fim juntos.

Mas nenhuma das vezes seguinte fora tão marcante para Yoru quanto àquele dia de garoa. Fora o primeiro encontro entre eles que a ideia de sexo havia fugido totalmente da sua mente dando lugar a outra maior, aquele instinto desesperado de proteção e a angústia de ver quem se gosta ferido. Mesmo assim, fora surpreendido pela decisão de Sasori de se entregar justamente aquele dia. Quase dois anos de namoro depois.

Talvez, fosse esse motivo que se sentia tão frustrado quando alguém se entregava tão facilmente. Quando esses não eram capazes de surpreendê-lo da forma que Sasori costumava fazer.

Os gemidos se tornaram mais altos, como se quisesse obrigá-lo a voltar àquela realidade atual. Encarou o ventre do homem que se movimentava com velocidade sobre seus quadris, parecendo ansioso em chegar ao êxtase, sem se preocupar se ele estava sentindo o mesmo.

Segurou-o na região da cintura e observou-o de cima: não havia nenhuma marca naquela pele perfeita, os cabelos loiros um pouco bagunçados, os olhos fechados, o rosto bonito só um pouco contraído, um conjunto perfeito, mesmo assim, tão sem graça.

Fez uma careta ao senti-lo se contrair.

— Ai...

— Oh? Você está aí, Uchiha-kun? Achei que estivesse em outro planeta... — após dizer isso, Keichiro se debruçou para alcançar o rosto de Yoru, retirou uma das mãos dele que estava em sua cintura e posicionou-a sobre seu sexo. — Estou quase gozando, se não se concentrar, não vai conseguir também. Vai, mexa-se.

Observou a aliança reluzir na mão que segurava a sua, forçando-o a segurar seu sexo. Não entendia aquilo. O próprio Andrii havia tomado a iniciativa e ligado para ele perguntando se havia desistido de ter um caso. Sentiu raiva. A palavra “caso”, que lhe remetia a ideia de ser a “segunda opção” na vida de alguém, o deixou possesso. Quis desligar a chamada na cara dele, principalmente pelo tom debochado que ele usava, como se estivesse duvidando, desdenhando da sua proposta; como se tivesse sido somente um fogo de momento e que ele não teria intenção de levar a adiante. Por isso não desligou. Decidiu que iria usá-lo. Faria sexo com ele, seria “o outro” dele até se cansar e descartá-lo como se se não fosse nada.

Porém, sentia algo de errado em tudo aquilo, não se sentia satisfeito. Parecia que a situação se invertera, era como se ele, Yoru, estivesse sendo usado.

Os gemidos se tornaram mais altos novamente e a boca de Keichiro colou na sua. As contrações se iniciaram e percebeu que ele forçava sua mão a se mover sobre o sexo dele. Deduziu que precisava agir: erguer o quadril de encontro às cavalgadas dele e massagear o sexo em suas mãos. Os movimentos aqueceram rápido seu membro revestido pelo preservativo e, segundos depois, estava gozando. Apertou o sexo em sua mão e esse jorrou sêmen, em seguida seu lábio inferior foi mordido.

Esforçavam-se para regularizar a respiração ainda com as bocas juntas. Um momento após, Keichiro lhe deu um último beijo e saiu de cima dele.

A música no aparelho de mp3 havia desparecido, sua playlist certamente havia terminado e nem tinha percebido.

— Deveria tirar isso de você e jogar no lixo — Keichiro o advertiu, já virando para o lado, apoiando os pés no chão acarpetado e se levantando. — Vou usar seu banheiro — informou, catando as roupas que haviam ficado espalhadas no chão juntos com as várias latas vazias de bebida.

Yoru fora o único que bebera, Keichiro só havia bebido água, ele alegou que não podia se dar a certos luxos, pois precisava manter o peso.

Não se surpreendeu quando ele voltou do banheiro trocado. Todas as vezes foram a mesma coisa.

— Estou indo, até amanhã na academia.

— Hm.

O barulho da porta abrindo e se fechando ecoou no quarto em silêncio.

Virou para o lado. Sentia vontade de ir ao banheiro, mas faltava-lhe forças para se levantar. Ficou ali mesmo. Admirando o canto vazio da parede.

...

Ouvia vários sons abafados ao longe, tentando obrigá-lo a sair do conforto da sua cama. Tentou ignorar, mas o despertar fez com que o barulho se tornasse algo incapaz de deixar de lado. Acabou abrindo os olhos e reconhecendo seu quarto bagunçado. A claridade se esforçando para ultrapassar as cortinas. Estalou os lábios ressequidos e colocou os pés para fora da cama.

— Já vai, já vai — resmungou para o barulho incessante da campainha, antes disso deu uma passada rápida no banheiro.

Ao abrir a porta, a mulher de salto alto invadiu sua sala sem pedir licença ou tirar o calçado. Ela mesma fechou a porta após colocar a irmã caçula no chão que nem se preocupou em cumprimentá-lo e saiu correndo para vasculhar sua casa, certamente a procura de objetos com que pudesse brincar.  

— Por que demorou tanto a atender a porta? E o que você pensa que está fazendo em casa a uma hora dessas? Você quer me matar de vergonha, é isso? —a mãe disparou as perguntas, depois cruzou os braços sobre o busto, encarando-o com o semblante fechado, esperando por suas respostas.

Bastou um espichar de olho para o relógio da parede da sala para entender do que a mãe estava falando: era mais de meio dia, era sábado, o dia que estava escalado para abrir a academia. Havia se esquecido completamente.

— Por que você não foi trabalhar, Yoru? 

Suspirou fundo, coçou a cabeça e respondeu simplesmente.

— Não ‘tô mais a fim daquele serviço.

— E você acha que é assim que resolve as coisas? Simplesmente deixando todos na mão, de lado, sem avisar ninguém? Vários alunos ficaram para fora da academia de balé hoje durante uma hora por causa da sua irresponsabilidade. A Nora-san me ligou desesperada, porque ela não conseguia entrar em contato com você. Ela estava no dentista e teve que sair de lá com a boca anestesiada para poder ir abrir a academia. Você entende o quanto de transtorno causou?

— Eu não sou mais criança para senhora ficar me dando bronca, Okaa-san. Dá um tempo. Eu entendi o que aconteceu, ok? Eu vou arcar com as consequências, não precisa se intrometer.

— O problema, Yoru, foi que você pediu que eu me mobilizasse para arrumar esse emprego pra você.  A Nora-san é minha amiga. Pelo amor de Deus, é a minha dignidade que você tá jogando na lama! O que você tá pensando da sua vida, afinal? Você não quer trabalhar. Não quer casar e ter uma família. Não termina a faculdade nunca. O que você quer da sua vida, Yoru? Me diz, para eu tentar te entender.

— Mãe, eu sou gay, droga.

— Eu nunca pensei que diria isso, mas seu pai também é gay, não é? E ele é um homem casado. Tem uma família e tem muita responsabilidade. Qual é seu argumento agora?

Ele tinha uma resposta, mas antes que pudesse proferir, a mãe já havia adentrado sua sala em busca da pequena Yui e a apanhado no colo. Passou por ele e rumou para saída, mas ele sabia que antes de a mãe sair ela destilaria um pouco mais do seu veneno.

— Haja como homem, Yoru. Tome um banho, lave essa vergonha da cara e a sujeira desse corpo. Você está fedendo a noite de orgia. Depois procure a Nora-san e desculpe-se com ela. Se não for pela dignidade que você já não tem, faça pela da sua mãe.

— O que é orgia, okaa-san?

— Quieta, Yui-chan. Essa palavra não pode ser dita por meninas.

— Mas, okaa-san, você acabou de dizer.

— A mamãe é adulta e pode. Crianças não.

— Ah? Eu não ‘tô entendendo, okaa-san — a menina cruzou os bracinhos no peito, fazendo um bico com os lábios. — Crianças ou meninas não podem dizer? Por quê?  

— Chega de perguntas. Diz “tchau” pro seu irmão, Yui-chan.

— Eu quero entender, okaa-san — a criança resmungou, acenando para o irmão antes da mãe fechar a porta. — Tchau, nii-chan.

Yoru apenas acenou e a mãe saiu batendo a porta. Depois foi a vez dele se mover, saiu do hall de entrada e se jogou no sofá, apanhando uma almofada com a qual cobriu o rosto.

— Família, né? Você e o meu pai formam uma nova família cada um, me jogam para escanteio e depois querem ficar me dando lição de moral. Danem-se, hipócritas — arremessou a almofada longe, virou de lado no sofá e voltou a dormir.

...

 — Bara-chan! — Giovana veio acenando na direção da amiga que a esperava de frente a academia de balé.

— Oi, Gi-chan!

— Obrigada por ter esperado — a adolescente agradeceu, ao encontrar a amiga que vestia uma bermuda jeans, tênis, uma blusa de alcinha branca e um boné rosa sobre os cabelos. — Desculpe-me pelo o atraso. Hoje todas as aulas de balé atrasaram. Você está tão fofa, Bara-chan. Dá vontade de apertar.

Giovana não só falou, mas abraçou Bara que ficou levemente ruborizada.

— Oi, oi, Gi-chan. Não faz isso, dá uma baita vergonha, sabia? E sem dúvidas você tá muito mais bonita.

— Jura? — a menina se afastou, dando meia volta para mostrar o vestido florado que vestia, as sandálias brancas combinando também com a bolsa branca de pequenos detalhes em rosa, transpassada no peito e o chapéu de palha na cabeça.  

— Hm — concordou Bara com um sorriso. — Tá linda. Está até mais bonita que os ídolos que você admira.

Os olhos da amiga de Bara se encheram de lágrimas ao ouvir aquele elogio, a emoção foi tanta que ela abraçou a amiga de novo, esfregando o rosto no dela.

— Ai, Bara-chan! Você é tão fofa, tão fofa!

— Não faz isso, Gi-chan — reclamou. — Ei, Gi-chan, aquele ali, não é o tal professor que o meu onii-san está interessado?

— Tchau, Keichiro-sensei — disse uma aluna da academia, ao lado da amiga, ao cruzar com o professor que estava indo em direção ao veículo dele no estacionamento.   

— Tchau, meninas. Bom fim de semana — ele acenou e sorriu gentilmente, fazendo as meninas darem gritinhos e saírem cochichando.  

Giovana largou da amiga.

— É ele mesmo. Falar nisso, Bara-chan, hoje seu irmão não veio trabalhar. Por isso houve atraso em todas as aulas.

— O Yoru-nii-san não veio trabalhar?

A amiga de Bara assentiu e a própria Bara encarou o homem que agora desligava o alarme do carro. Franziu as sobrancelhas na direção do professor de balé, ainda não o conhecia direito, mas algo nele fazia com que Bara não simpatizasse com ele. Já o professor, ao ver as duas meninas paradas e olhando na direção dele, acenou.

— Estão indo para algum lugar?

— Vamos fazer compras no shopping, sensei — respondeu Giovana, sorrindo simpaticamente.

— Querem uma carona?

— Não precisa se incomodar, sensei, pegaremos o metrô...

— Sim! — Bara exclamou, apanhando o punho da amiga e a puxando na direção do professor e seu carro. — Estamos atrasadas mesmo, Gi-chan. Além disso, é o seu professor, alguém de confiança. Acho que não tem problema. Né, sensei-kun?

O professor sorriu para a menina tão loira e de olhos azuis quanto ele.

— Sim. Sem problema algum. Seu nome é?

— Bara Uzumaki! — respondeu com empolgação.  

— É um prazer, Uzumaki-san.

— Só “Bara”, por favor — ela pediu. — Prefiro que me chamem pelo meu primeiro nome.

— Ah, sim. Como quiser, Bara-san. Sou o....

— Andrii Keichiro-sensei — Bara respondeu, coçando o nariz com o dedo indicador e abrindo um grande sorriso. — O senhor é bem popular, sabia? — ela observou, fazendo a amiga ao seu lado encolher os ombros e corar.

— Bara-chan....

Keichiro retribuiu o sorriso da menina, a qual achou audaciosa. A maioria das garotas tinham medo de se aproximar exatamente por ele ser popular, mas ela parecia não se importar nada com aquele fator para agir de forma impulsivamente natural.

— Não tem problema, Giovana-san. Eu quem fiz o convite. Por favor, será uma honra dar carona para duas meninas tão lindas.

— Eu vou na frente! — Bara saiu diante da porta do passageiro que o professor havia aberto e entrou pela porta do passageiro ao lado do motorista. — Vamos, Gi-chan, entra logo. Se não vamos nos atrasar mais ainda.

— Gomen, Keichiro-sensei. A Bara-chan é um pouco...

— Impulsiva, né? — Keichiro sorriu para aluna, apontando a porta aberta. — Sem problemas, Giovana-san. Eu gostei dela.

A morena suspirou fundo, pressentindo que aquilo não era nada bom, mas entrou na parte detrás do veículo. Depois do professor fechar a porta, foi a vez dele se acomodar no assento do motorista e colocar o cinto, pedindo para que suas passageiras fizessem o mesmo.

— Vamos então?

— Vamos — Bara concordou e, mantendo o sorriso grande no rosto, fez aquela pergunta direta enquanto o homem manobrava o veículo para fora do estacionamento da academia. — O sensei-kun é casado?

— Bara-chan!

O homem riu.

— Sim. Parece bem óbvio, né, Bara-san? Afinal, eu estou usando aliança no dedo esquerdo.

— Sim, sim. Eu percebi. Por isso fiz a pergunta, foi pra confirmar. E o sensei já tem filhos?

— Ainda não.

— Pretende tê-los?

— Bara!

— Gi-chan, para de chamar tanto meu nome. Estou apenas conversando. O tempo passa mais rápido quando a gente conversa durante a viagem, né, sensei-kun?

— Você é bem desinibida, né, Bara-san?

— Puxei o meu otou-san — ela respondeu com o orgulho. — Digo, um deles.

— Ah? Um deles? Quer dizer que você tem um pai e um padrasto o qual considera pai, é isso?

A garota balançou a cabeça rapidamente e, sorrindo, discordou.

— Errado. Tenho dois pais, sensei-kun. Eles são maridos.

— Ai, Bara-chan — Giovana estapeou a própria testa, não acreditando que a amiga falaria aquilo de cara.

— Eu não entendi.

— Eles são gays — Bara respondeu, sem receios de dar aquela informação.

Giovana balançou a cabeça negativamente, mas sorriu por fim, era aquilo que fazia de Bara especial, chocar as pessoas com sua realidade nada comum, agindo com naturalidade.

O professor esperou amainar seu momento de surpresa e, procurando sorrir gentilmente, respondeu aquela jovenzinha que lhe parecia muito interessante. 

— Deixe-me adivinhar, seus pais devem ser americanos, não? Visto pela cor dos seus olhos e cabelos. Em alguns lugares do mundo isso é comum, Bara-san. A América mesmo é um caso. Mas aqui no Japão e na Rússia, de onde vim, não é tão comuns famílias cujos pais são do mesmo sexo.

— Ah, sim. Eu sei disso, a professora de história mundial pincelou algo quando estávamos estudando a cultura de alguns países. Também tem a Gi-chan, ela é do Brasil, lá foi liberado há pouco tempo o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Eu busco sempre saber sobre o assunto indiferente os estudos ou a informação de terceiros. Tendo pais gays, é bom estar atualizada, sabe? Afinal, é meu mundo também. Mas, a verdade, é que meus pais são japoneses, e por isso nunca foram muito ligados aos assuntos que não englobam a nossa família de maneira direta — Bara fez um bico, suspirou e soltou os ombros. Era um tanto desmotivador confessar aquilo. — Ou seja, eles não se engajam em causas, ou procuram socializar com outros do grupo. Na verdade, pensando bem, acho que meu pai Sasuke é até um pouco preconceituoso... — Ela fez uma careta ao ter que admitir aquilo. — Não tem muito sentido isso, né, sensei-kun?

O homem engoliu em seco.

— Não — ele confessou. — Principalmente pelo fato deles serem japoneses. São legítimos? E como explica sua aparência?

— Ah, bem... Eu sou fruto de uma barriga solidária, né? É assim que os casais homossexuais fazem quando querem ter filhos legítimos e não adotados. Literalmente falando, eu sou filha de apenas um deles, a parte loira. Meu pai Naruto é mestiço. Mas como ele viveu em um orfanato, ele não sabe ao certo sobre suas origens. Provavelmente um dos meus avós biológicos deveria ser estrangeiro. Mas o papai Naruto nasceu aqui, no Japão, portanto ele é japonês, assim como eu e meu irmão gêmeo somos. E, apesar da cor dos nossos cabelos e dos olhos, repare bem, sensei-kun, meus olhos são puxados! — A garota fez questão de virar o rosto para o professor e abrir bem os olhos, como se quisesse que eles ficassem em destaque.

Keichiro acabou gargalhando.

— Eu disse algo engraçado?

— Não é bem isso, Bara-san — o professor saiu do trânsito e manobrou para dentro do estacionamento do shopping e só após parar o carro, voltou sua atenção para a loirinha ao seu lado, então confessou. — Só estou um pouco deslumbrado com você. Tenho que confessar que encontrar uma peça tão rara assim não ocorre todos os dias. Você é linda, energética e impulsiva, uma mistura interessante. Não só de raças, mas de culturas, é meio chocante sua forma de agir e pensar, como se....

Keichiro não quis completar a frase, achou que seria rude da sua parte dizer que Bara fazia o mundo “homossexual” parecer algo natural. Mas a garota no banco detrás entendeu bem e sorriu, compartilhando da sensação que o professor estava sentindo.

— Hã?

Keichiro balançou a cabeça e repousou a mão sobre a cabeça de Bara.

— Não é nada não, Bara-san. Vamos conversar mais algum dia desses. Foi um prazer conhecê-la.

— Ah, é, já chegamos? Viu como passa depressa quando conversamos? Obrigada pela carona, sensei-kun — Bara destravou a porta e saiu do veículo, a amiga Giovana já havia saído pela porta detrás.

As duas meninas acenaram e curvaram o corpo em agradecimento ao professor, então Keichiro ligou o carro e saiu do estacionamento, acenando uma última vez enquanto os vidros automáticos das janelas subiam.  

— Divirtam-se.

As duas meninas pararam de acenar e seguiram juntas em direção ao prédio do shopping. Giovana então confessou com um sorriso.

— Você é mesmo impossível, né, Bara-chan?

— Do que está falando, Gi-chan? Não fiz nada. Sou inocente até que provem ao contrário.

 — Ai, ai — a outra suspirou, balançando seus longos cabelos de um lado para o outro, arrancando olhares de encanto dos rapazes que passavam pelas duas. — Eu captei o que você estava querendo, especulando o professor daquele jeito.

— É instinto protetor de irmã — Bara confirmou. — Eu só queria saber onde o Yoru-nii-san está se metendo.

— Você acha mesmo que seu irmão não desistiu de conquistar o sensei?

Bara meneou a cabeça em um não.

— Conhecendo o Yoru-nii-san como eu conheço, e depois dessa pequena conversa que tive com o sensei-kun, eu acho que os dois já devem estar juntos.

Giovana arregalou os olhos, surpresa.

— Sério, Bara-chan? Mesmo o sensei sendo casado?

— Existe uma palavra para tipos como ele, Gi-chan. “Enrustido”. É um tipo de homossexual que não quer ser homossexual, entende? Por medo de inúmeros fatores: família, trauma, sociedade. Esse tipo acaba se vendo obrigado a se casar para manter a aparência, mas acaba se frustrando no relacionamento, por não ter aquilo que gosta de verdade e termina buscando relacionamentos extraconjungais como escape.

O rosto de Giovana ganhou um tom rubro.

— Sua maturidade me impressiona.

A loirinha coçou a nuca e mostrou a língua.

— Não exagera. Assim até eu fico encabulada. É como eu disse para o sensei, eu gosto de pesquisar sobre esse mundo. Só isso. É como se fosse minha pequena obsessão. Como meus pais são.

— Só é engraçado você, que não pertence ao grupo literalmente, ser tão obcecada pelo assunto, enquanto alguns que são, preferem se esconder.

Bara parou de caminhar e contemplou o rosto de Giovana por um instante, como se ponderasse sobre assunto.

— O que foi? Por que ficou tão séria de repente?

— Acho que eu me encaixo mais como uma fujoshi ­— ela encontrou uma resposta. — Mas, ser ou não ser gay, se trata de sentimentos. Eu ainda não me apaixonei, não tem como eu ter certeza. Acho que só vou descobrir no futuro — ela buscou a mão da amiga e a segurou, arrancando um sobressalto dela. — Você namoraria comigo se eu fosse gay, Gi-chan?

— Ah? Não venha me confundir, Bara-chan! Você se parece com o Hikari-kun então... Ai, meu coração traidor até acelerou de repente.

As duas meninas gargalharam e continuaram seguindo de mãos juntas.

Bara decidiu que iria pensar no problema de Yoru mais tarde, mas deduziu, seriamente, que o irmão estava entrando em algo que certamente o machucaria. E, se conhecendo como conhecia, ela seria obrigada a intervir para ajudá-lo.

...

Keichiro entrou no elevador do prédio em que morava e o celular tocou. Olhou de quem se tratava e como não tinha mais ninguém no local, decidiu atendê-lo.

— O que aconteceu com o nosso acordo de só me enviar mensagens e nunca me ligar? — advertiu, antes de cumprimentar quem falava.

— Vamos nos ver hoje. — A advertência foi ignorada pela outra pessoa na linha.

— Não. Hoje não tem como.

— Não estou perguntando, estou afirmando — a voz do outro lado o contradisse. — Eu preciso te ver.

— Por que não foi trabalhar hoje?

— Eu já tenho uma mãe bem chata para me fazer esse tipo de cobrança, não preciso de outra. Então, você vai demorar?

— Já disse que hoje não vai dar, tenho compromisso.

— Com a esposa-nee-san?

— Isso não é da sua conta.

— Tão estúpido.

— E você é tão inconveniente. Tínhamos acertado de como seria. Se continuar agindo dessa forma imatura, teremos que pôr um...

— Foda-se sua opinião — e a ligação foi encerrada.

Keichiro olhou incrédulo para o aparelho, enquanto a porta do elevador se abria. Andou pelo corredor meneando a cabeça negativamente e adentrou seu apartamento. Mas surpreendeu-se ao ver um par de calçado masculino na soleira da porta. Entrou na sala da sua casa rapidamente e surpreendeu-se ao ver a visita sentada no seu sofá.

— O- o que...

— Você chegou, querido.

A mulher que carregava a bandeja com café adentrou a sala ao passar pelo marido. Yoru ergueu-se e prestativo, apanhou a bandeja que a esposa de Keichiro carregava, ao notá-la tendo dificuldade em se abaixar e alcançar a mesinha de centro com a enorme barriga que carregava.

— Deixe-me ajudá-la, Keichiro-san. Não é bom fazer tanto esforço quando se está tão perto de ganhar o bebê, né? — Yoru observou gentilmente, repousando a bandeja na mesa no centro da sala e servindo ele mesmo o café.  

— Ah, Obrigada, Uchiha-kun. Você é muito gentil.

Keichiro deu a volta no sofá e sentou-se ao lado da esposa, apanhando a mão dela e, apesar de surpreso com a visita de Yoru, procurou agir o mais natural que pode.

— Ao que devo a visita?

— Ah? Foi você mesmo quem me fez o convite, Keichiro-sensei, já se esqueceu? Disse que eu poderia visitá-lo quando quisesse.

A mulher acariciou a barriga e sorriu para o marido.

— Não seja rude com o rapaz, querido. Afinal, é a primeira vez que um amigo seu vem visitá-lo. O Uchiha-kun estava me dizendo que trabalha na recepção da academia e que você é o colega de trabalho que o trata com mais consideração.

— Ah, sim. Eu acho que é isso — se viu obrigado a concordar.

Durante a visita, Yoru percebeu o quanto Keichiro era gentil e atencioso com a esposa. Notou também que a mulher era completamente oriental, do tipo bem tradicional, ela até vestia quimono. Descobriu que Michiko Keichiro[1] estava grávida de oito meses, era o primeiro filho do casal, e o nome da criança, que era um menino, já estava escolhido: Seijiro.

Os dois foram educados e, como o jantar estava pronto, Yoru foi convidado para ficar. Ao término, marido e a mulher limparam a cozinha juntos.

Michiko, ao perceber que a visita de Yoru se estenderia, desculpou-se, mas informou que precisava se retirar, pois teria que acordar muito cedo, pois tinha consulta médica agendada pela manhã.  

— Não se incomode comigo, Michiko-san. Só quero tirar algumas dúvidas sobre coisas do trabalho com o Keichiro-sensei, e já estou de saída.

A mulher fez uma reverência, dando um sorrisinho forçado, então pediu licença e se retirou, andando devagar, com as mãos nas costas, devido às dores lombares, provocadas por carregar a grande barriga.

Keichiro e Yoru ficaram em silêncio por um tempo, após a retirada da mulher. Em sofás opostos, apenas olhando um para o outro. Depois de algum tempo, foi Keichiro quem se levantou, aproximando-se de Yoru com os pés descalços. Ao parar diante dele, desabotoou a calça jeans que vestia, descerrou o zíper com cuidado e a desceu junto com a roupa íntima, retirando pelos pés. Por último, retirou a camisa por cima da cabeça.

Sem fazer nenhuma objeção, Yoru ergueu um pouco o quadril, retirou a carteira do bolso detrás da calça, a abriu, buscou o preservativo, o qual rompeu a embalagem com os dentes, abriu o zíper da calça jeans, retirou sexo para fora, revestiu-o com a camisinha e esperou que o outro agisse.

 O professor subiu no sofá e enquanto se acomodava sobre o colo de Yoru, introduziu o sexo dele dentro de si. Ao concluir, soltou um suspiro contido e os dois se contemplaram por mais um tempo. Só então se abraçaram e se beijaram. Os movimentos foram contidos — não podiam fazer barulho e correrem o risco de serem denunciados —, mas os movimentos foram intensos e precisos suficientes para fazê-los gozarem com rapidez.

Quando terminaram, Keichiro saiu do colo de Yoru e vestiu-se rapidamente, enquanto o próprio Yoru retirava o preservativo, o devolvia a embalagem e voltava a guardá-lo no pacote, o qual enfiou no bolso, mentalizando que o jogaria fora quando já estivesse na rua.

Logo em seguida, Keichiro o puxou pelo braço, apanhou o calçado dele na soleira de entrada, abriu a porta e empurrou o rapaz para fora do seu apartamento.

— Calma, calma aí, sensei — Yoru pedia, já no corredor. Observando Keichiro fechar a porta atrás dele e jogar os tênis em sua direção.

— Já teve o que queria, agora dê o fora.

— Eu ainda não tive o suficiente — Yoru ignorou o calçado largado no chão espelhado do corredor e segurou Keichiro pela cintura, puxando-o para si e tentando beijá-lo, mas o loiro se desviou do beijo, retirou as mãos do moreno da sua cintura e o esbofeteou.

— Ai.

— Pode aparecer alguém, idiota. Já não basta seu ato imprudente de vir até a minha casa? Quem lhe deu o direito?

— Você gostou, senão não teria feito comigo na sua sala, enquanto a esposa-nee-san o aguarda na cama. O perigo te excita, você estava louco de desejo, já foi arrancando a roupa, sentando sobre meu pau, sendo o primeiro a gozar.

Keichiro sorriu de lado.

— Como sou o primeiro sempre. Isso prova o que eu quero: apenas sexo. Não volte a minha casa nunca mais. Eu juro que se fizer, não me terá nunca mais. Minha mulher está grávida, ela não pode passar nervoso, você viu, respeite-a.

Yoru balançou a cabeça negativamente.

— Olha quem pede respeito? A primeira pessoa que deveria respeitá-la.   

— Estou. Mandando. Ir. Embora — Keichiro pontuou entre dentes, e tentou entrar no apartamento, mas foi impedido pelo agarre de Yoru em seu braço.

— Por que faz isso com ela, Andrii? Se você não a ama, do que adianta viver de aparência? Cedo ou tarde acabarão se machucando.

— Isso nunca vai acontecer. E, para sua informação, eu amo a minha mulher e o filho que ele vai me dar. Algo, que somente ela, uma mulher, pode dar a um homem. E nós vamos continuar vivendo juntos e felizes.

Yoru franziu a testa, não conseguia entender aquele homem.

— Mas...

— Já disse, Yoru: com você é e sempre será só sexo — Keichiro puxou seu braço de volta, se livrando do agarre. — Não é somente isso que os gays querem? Por que eu trocaria um relacionamento duradouro, minha mulher, meu filho que vai nascer, por algo tão momentâneo como o sexo? Eu tenho orgulho de estar formando uma família normal e eu farei de tudo para mantê-la. Se você também está procurando algo estável, siga o conselho do seu senpai: arrume uma mulher.

Keichiro sorriu, apertou um dos ombros de Yoru e entrou em seu apartamento, não se importando em deixar o rapaz com ar de perplexidade diante da sua porta, no corredor.

Continua...

 

[1] Retificação - Como devem ter percebido, no capítulo anterior o Yoru menciona que o nome escrito na aliança do professor Keichiro era “Eleonor”. Esse seria o nome da possível esposa do Keichiro. Mas na verdade “Eleonor” é a irmã do Keichiro, eu tinha uma ideia para a história dele, mas decidi ir por outro caminho, para o próprio bem do roteiro, e para evitar tirar o foco real da história de quem é de direito. Então vou contar a história do Keichiro de outra forma. Então, retificando, o nome escrito na aliança não é “Eleonor” e sim, o nome da esposa mesmo: “Michiko”. 


Notas Finais


Terminando o círculo de três capítulos do Yoru. /o\

Os próximos três capítulos serão dedicados aos papais: ou seja, NaruSasu a vista!

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