História As Origens de Sebastian - Capítulo 11


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Categorias Histórias Originais
Tags Andreiakennen, As Origens De Sebastian, Drama, Fantasia, Original, Romance
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Palavras 5.076
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, Lemon, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 11 - Capítulo XI - Earthen e Crispian


As Origens de Sebastian

Capítulo XI

Earthen e Crispian

Despiu-o com urgência.

A pele nua exibia um tom saudável que voltou a atiçá-lo.

A recuperação de Crispian aos dias de calabouço fora demasiadamente rápida. Ao contrário da recuperação mental, sofrida pelo abalo causado após ele receber a notícia de que a morada em Valdávia havia sido consumida pelo fogo e ninguém sabia dizer se a mãe, Catherine e o filho que ela carregava estavam vivos.

Restavam apenas algumas manchas no cetim aveludado que era aquela pele, sendo a maioria delas proporcionadas por sua própria obsessão diária ao possuí-lo. Pelo peso de suas carícias exigentes. Não se preocupava em ser o responsável pelos novos hematomas os quais provocava através de mordidas que arrancavam de Crispian no momento do sexo gemidos arrepiantes, dor e sangue.

Crispian, como o amante obediente que vinha sendo, posicionou-se na cama de pernas abertas assim que o rei o ordenou.

Ansioso o rei pôs sua face entre as pernas do jovem lorde e admirou a passagem que era exposta, roçando-a com a ponta dos dedos e estimulando-a com movimentos circulares enquanto externava seus pensamentos obscenos com palavras despudoradas.

— Como é lindo esse buraquinho. Tão rosadinho. Tão estreitinho. — Respirava ansioso entre as pernas brancas, apertando a carne macia das coxas e afastando-as mais uma da outra, não satisfeito com a abertura de Crispian.

Com a ponta da língua alcançou a passagem e passou a lambê-la, introduziu a língua na sequência, fazendo de tudo para estimular o pequeno orifício com movimentos frenéticos de entrada e saída. Sem refrear em ocasião alguma a exposição dos seus pensamentos sórdidos.

— Por mais que eu a arrombe todas as noites ela volta a forma original como se fosse mágica... Assim eu enlouqueço...

“Mas louco do que já é, és impossível, Majestade”, Crispian respondeu ao rei em sua mente, enquanto seus olhos vagavam para fora da cama.

Não conseguia mais sentir-se excitado, por mais que Benjamin se esforçasse para fazê-lo. Na maioria das vezes o rei chegava ao ápice sozinho.

Saber, além de tudo, que Earthen estava do lado de fora, prostrado junto com ao segurança atrás da porta trancada, — certamente ouvindo todas as suas lamúrias enquanto era tomado de forma ensandecida —, era um dos fatores que se somava para o seu desestímulo.

Benjamin não permitia a presença de Earthen no quarto. Podia andar na companhia do lobo durante o dia o quanto quisesse desde que não ficassem isolados e a sós. Também não era permitido em hipótese alguma que passassem a noite juntos ou dormissem no mesmo cômodo. Por isso viviam sobre o olhar atento dos guardas. Acreditava que essa era forma de Benjamin puni-lo por ele ter conhecimento dos seus desejos pelo animal, os quais eram infinitamente maiores do que sentia por ele, seu rei.

Não foi capaz de segurar o gemido de agonia que escapou dentre seus lábios quando Benjamin o penetrou com brutalidade e com essa única estocada chegou ao seu fundo. Tornou o olhar assustado para o homem que agora erguia suas pernas no alto, retirava todo o sexo em si e voltava a recolocá-lo no mesmo movimento brusco. Exprimiu uma careta de dor ainda mais intensa. Estava tão seco por dentro que a retirada e a entrada completa do sexo intumescido de Benjamin tornaram a dor tão viva que sentiu como se estivesse sendo golpeado por uma verdadeira lança.

Lágrimas vieram aos seus olhos quando as investidas do rei se tornaram convulsas. O coração disparou ansiando o término daquela tortura. Fechou seus punhos no lençol da cama, apertou os olhos e trincou os dentes na tentativa de resistir a dor e não emitir sons que poderiam confundir, ou, deixar a entender que estava gostando.

O alívio finalmente veio quando a goza quente de Benjamin passou a inundar seu interior lubrificando os últimos movimentos frenéticos dele.

O rei investiu contra seu interior mais algumas vezes, emitindo urros guturais, até retesar-se por completo e a sensação do orgasmo não permiti-lo mais se mexer.

Benjamin relaxou. Porém, pacientemente, aguardou seu sexo mergulhado na própria goza ser expelido junto com a mesma para fora do amante naturalmente. Sorriu debilmente para o líquido tingido de sangue que escorreu do ânus de Crispian para o forro na cama e formou uma mancha avermelhada sobre o tecido.

— Eu sou mesmo um cavalo — constatou arfante, orgulhoso do seu desempenho. Sentou-se na cama, mas não deixou de alisar com os dedos a entrada lambuzada do jovem lorde. Sorriu enviesado ao observar com encanto o estrago que provocara. — Está completamente deflorado, milorde. E não deixa de ser uma visão linda.

A face de Crispian abrasou-se de imediato ao ouvir aquilo que para ele era vergonhoso. Mas procurou não esboçar nenhuma reação, o que aumentaria a satisfação de Benjamin.

O rei deitou-se. Ele não podia deixar o leito ao menos que Benjamin o ordenasse; o que não vinha sendo o caso nos últimos dias. Ficaram em silêncio profundo e não demorou o lorde de Valdávia notar que seu rei havia adormecido. O respirar pesado e ruidoso, de quem acabara de ingressar em um sono profundo, passou a ressoar pelo cômodo.

Era nesse momento que se punha para fora da cama e voltava aos seus aposentos. Na primeira vez que o fizera Benjamin chamou sua atenção justificando que não havia ordenado que ele se retirasse, pois tinha a intenção de tomá-lo ao raiar do dia. Mas ele aceitou a desculpa quando explicou que se retirava para evitar que fosse flagrado por algum criado ou até mesmo pelos convidados da noiva que se dividiam na ala de baixo e naquela mesma ala que se encontrava o aposento dele.  

 Ademais, as obrigações como rei estavam tomando muito do tempo de Benjamin e o exaurindo. Ele sempre fora puro vigor quando era somente príncipe e jamais o vira cair no sono na primeira transa. Mas desde que ele assumira a coroa precisava acordar cedo e cumprir suas obrigações como rei. Talvez fosse esse o motivo da sua pouca disposição, algo do qual Crispian realmente não reclamava.

Jogou os pés para fora da cama e sentou-se, sentindo o orgasmo de Benjamin ainda acumulado dentro de si. Aguardou o líquido descer e só depois de uma pequena espera decidiu pressionar o traseiro contra o lençol da cama a fim de se livrar rapidamente de toda aquela gosma. Queria evitar ao máximo afrontar o sensível faro de Earthen com o cheiro da satisfação de outro homem em si.

Passado mais algum tempo ele ergue-se, vestiu-se e saiu do quarto.

Deparou-se com olhar irritante de Dorcas. O homem sempre o mirava do alto dos seus quase dois metros de altura e franzia o nariz levemente, como se ele também fosse dotado de um faro superpotente, e estivesse sentindo o odor desagradável da goza do rei em seu interior.

Mas, como de costume, ele nada disse a respeito, apenas apontou o outro guarda que iria acompanhá-lo até seu quarto.

— Joras irá acompanhá-lo até seus aposentos, milorde.

O som da voz rouca de Dorcas, que teve o cuidado em falar em tom ameno para não incomodar o sono do seu rei, adentrou por seus ouvidos mas não causou sentido. Crispian estava determinado a algo ousado aquela noite. Ainda era cedo e o coito com o rei não o satisfizera.

 Moveu os olhos do capitão para o outro guarda mais adiante no corredor, prostrado como uma estátua de pedra segurando sua lança, então os moveu novamente e parou no lobo gigante ao lado do fiel servo de Benjamin.

Os olhos azuis de Earthen se encontraram com o seus e aquele suspiro trêmulo simplesmente deixou seus lábios. Tocou a face do animal com a focinheira de bronze e desceu um afago por seu pescoço, sentindo toda a maciez do pelo sobre seus dedos. Tudo que mais ansiava naqueles últimos dias era ter um momento a sós com seu Earthen. E a vontade bateu com tanta intensidade naquele instante que se encorajou para fazer um pedido.

— Dor- Dorcas... — gaguejou e sentiu raiva ao perceber que sua voz quase não saíra, teve que pigarrear para limpar a garganta seca. — Perdão.   

O capitão das tropas continuou imóvel, fitando-o com o ar prepotente.

Suspirou novamente, procurando se acalmar, e tentou mais uma vez.

— Dorcas, será que... não me permitiria dormir somente esta noite na companhia do meu lobo?

— Toma-me como idiota, milorde? — a acusação pegou Crispian desprevino.  Apesar do capitão ter mantido o tom aprazível na voz, pode notar que a pergunta tivera a intenção de soar rude. — Acredita mesmo que sou tolo suficiente para entregar a arma na mão do inimigo?

— Tens-me como inimigo? — indagou com um sorriso fraco, quase que um deboche de incredulidade.

Afinal, diante de si estava prostrado um homem da defesa pessoal do rei de Valais. Um guerreiro que visivelmente tinha o dobro das suas proporções e lembrava uma parede gigante de músculos, enquanto ele, Crispian, parecia somente uma criança franzina diante de um adulto.

— Um homem encarcerado, que teve toda a família dizimada e que anda sendo enrabado todas as noites pelo falo exigente do mesmo que lhe infringiu tantas perdas... Sim, milorde, seguramente és um inimigo em potencial — explicou Dorcas suavemente. — Fui doutrinado a desconfiar de tudo e todos. Até mesmo da sombra que me acompanha. Não acredito na sua aborrecível inocência. Para mim ela é só mais uma arma, um joguete de sedução. Alguém que tenha nascido homem e tenha sangue quente correndo nas veias não aceita ser subjugado da forma que estás. Eu sei que planeja algo e esse monstro — apontou o dedo em riste para Earthen — faz parte da sua trama. Então, milorde, mantenha a sensatez e evite fazer tal pedido no futuro ou terei o prazer de expor ao rei minhas desconfianças. Ainda farei com que ele entenda seu pedido como uma tentativa objeta de traição. E prometo-lhe gozar muito quando atravessá-lo com minha espada e me refiro a de metal forjada e afiada em aço nobre, não a de músculo e pele, pois diferente dos fornicadores, o único prazer que experimento é de ver vidas se esvaindo com o poder da minha lâmina.

O sorriso fraco no rosto de Crispian diluiu-se por completo.

— Até que você fala bastante quando quer, não é, Dorcas? — constatou, aproximando-se perigosamente do homem após ele expor toda aquela hostilidade e tocou o metal frio da proteção acobreado que cobria o peitoral do comandante. A fim de ele mesmo constatar a veracidade da alegação de abstinência sexual. Nenhum homem que se prezasse naqueles tempos resistiria ao desejo carnal se realmente o tivesse sentido, duvidava até mesmo dos santos. — No começo pensei que fosse mudo... — observou, passeando a ponta dos dedos sobre a peça que possuía detalhes circulares em alto relevo. — Além disso, fala com muita elegância, nem parece um servo, um bruto.

Dorcas endureceu seu olhar.

— É melhor se retirar, está tarde, milorde — alertou o capitão, movendo a mão sobre o punho da espada. Gesto que causou um breve rosnar de Earthen e o qual chamou a atenção do outro guarda no corredor, que virou a cabeça na direção deles para acompanhar a conversa.  

Mas Crispian fez um gesto de mão para que Earthen mantivesse a calma e sorriu. Desta vez, um breve repuxar nos lábios rosados e carnudos, que notou serem fitados com interesse por Dorcas.

“Aí está a prova de que palavras bonitas não competem com aquilo que ele realmente deseja”

— Não acredito na existência de homens desprovidos de libido, meu capitão. Apenas homens disciplinados. Confesso, infelizmente, este ser o seu caso — afirmou, umedecendo os lábios e notando que sua boca ainda era alvo do olhar de cobiça do homem. — Eu só estou pedindo um momento com o meu lobo. Se tem tanta certeza que irei trair seu rei, fique e nos observe.

Dorcas pareceu ponderar.

— Por que eu aceitaria tal coisa? — a desconfiança ainda era seu regente.

— Você deve ter sentimentos. Deve haver algo que é precioso para você, não?

— Somente meu ofício.

— Que seja, então. Imagine-se sem poder empunhar sua espada. Imagine-se sendo obrigado a viver afastado do que é seu ar. Somente por esse motivo peço para que compreenda o meu desejo. Só estou pedindo alguns minutos. O tempo que estou aqui tentando te convencer já teria sido mais que suficiente.   

Fora vez do capitão mover seus olhos atentos e ligeiros para o lobo ao seu lado depois para Crispian novamente. Por último lançou um olhar para o outro guarda que continuava observando-os de longe.

— Joras, tome meu posto por um instante.

— Sim, senhor!

Crispian abriu um sorriso que não coube em seu rosto. Dorcas sentiu algo curioso mover-se em seu interior. Achara a sensação no mínimo interessante. Parecia que o garoto não estava mentindo ao sugerir que aquele animal era seu motivo de respirar. Apontou o corredor.

— Mais adiante tem um cômodo vazio.

— Não sei como agradecê-lo, Dorcas...

— Saberás quando chegar a hora — ele garantiu. — Pois farei questão de lembrá-lo que me deves um favor, milorde. E, lembre-se, homem que é homem, honra sua palavra até o fim.

Crispian fez que sim com a cabeça e acrescentou:

— Tens minha palavra de honra.

— Ótimo.

Não precisou chamar o animal, ele próprio se pôs de pé, como se tivesse entendido toda a conversa e estivesse apenas a espera que eles, os humanos, parassem de ladainha e se movessem.

“Esse animal...”, Dorcas desistiu de entender ao sacudir a cabeça e marchou pelo corredor, tentando convencer-se de que a capacidade de compreensão da fala humana do lobo era coisa da sua cabeça.

O quarto sugerido por Dorcas estava vazio e por estar desocupado não estava iluminado. Foi ele mesmo quem se encarregou de apanhar uma das lamparinas reservas no corredor, ascendê-la na chama da que estava presa a parede e adentrar o quarto com ela em punho. Seguiu em direção dos candelabros dispostos sobre os móveis do quarto e ascendeu a todos, clareando bem o ambiente.

Garoto e lobo passaram por ele e adentraram rápido o recinto, aproveitou para fechar a porta. Havia vários móveis no lugar, inclusive uma cama, preferiu acomodar à beira de uma poltrona de couro almofadada diante do leito, poderia acomodar suas costas e aproveitar melhor o conforto do móvel, mas não era um homem que gostava de relaxar. Principalmente diante de situações adversas.

Seu interesse estava mais centrado naquela estranha dupla diante dos seus olhos “disciplinados” e no que pretendiam. Ambos agora estavam de frente um com o outro e pareciam se analisar em uma contemplação mútua.  

— Earthen... — Crispian sussurrou com a voz embargada.

Então Dorcas acompanhou aquele gesto ainda mais estranho do lorde de Valdávia, o rapaz se pôs de costas para o animal e passou a abrir os botões do camisolão que vestia. Ao terminar ele desceu a roupa pelos os ombros, fazendo com que a peça escorregasse revelando seu corpo completamente nu. Dorcas moveu-se e apoiou o cotovelo no braço da poltrona, olhando com interesse as costas e as ancas volumosas e arredondadas do jovem loiro. Não imaginava que um homem poderia ter um corpo como aquele.

Crispian pisou sobre a roupa de dormir e afastou-a com o pé para o lado, depois disso agachou-se, sê pôs de quatro, apoiou o peso do corpo nas mãos sobre o carpete aveludado que encobria o piso ao redor da cama e arqueou o quadril o máximo que pode ao deitar parte do seu torso no chão.

Em seguida ele inclinou a cabeça e olhou seu lobo. Estava ansioso por aquilo, havia esperado muito, dias, meses. Mesmo sendo assistido queria fazê-lo, na verdade, por mais estranho que fosse a presença de Dorcas, ela estava contribuindo para o aumento do seu desejo.

De relance observou o homem de confiança do rei com uma expressão aturdida. E divertiu-se ao tentar imaginar qual seria a reação dele quando a situação começasse a ficar mais densa.

Voltou a olhar seu Earthen, sentia apenas por ele estar com aquela focinheira e não poder estimulá-lo com sua língua. Por isso seria a seco, não completamente, pois, por mais que se esforçara, ainda sentia um pouco da goza do rei dentro de si.

Respirou fundo e preparou-se para receber Earthen, usou as mãos para apartar suas nádegas e expor melhor sua entrada, então, já ofegante, ordenou.

— Vem.

Bastou aquela fala e Dorcas sobressaltou com o que assistira em seguida. A fera avançou sobre o jovem lorde, o montou e depois de desmoitar entre seus pelos um falo imenso, pulsante e rubro, o encaixou rapidamente na traseira do rapaz. Seus olhos se arregalaram ao ver perfeitamente, da posição que estava, o rapaz ser penetrado pelo animal.

O problema não fora somente aquele, mas sim todo o vigor da fera em seu extinto selvagem cavalgar sobre seu dono em um ritmo frenético.

Crispian largou das nádegas e apoiou as mãos no carpete, gritando descontroladamente a cada investida impulsiva do animal.

— Ah! Ah! Assim! Assim!

O capitão arfou, sua mão estava suando frio, o coração havia disparado. Jamais vira algo daquela intensidade. Sentiu seu falo enrijecer como uma pedra e latejar como nunca havia sentido. O sexo se apertou tanto em sua vestimenta que teve que se levantar depressa. Saiu do quarto às pressas, trancou a porta com as mãos trêmulas e avisou ao seu subordinado que estava indo a latrina e pediu para que ele vigiasse ambas as portas.

— S- Sim, meu senhor! — ouviu a resposta confusa do homem enquanto se afastava na mesma proporção que os gemidos dentro do quarto aumentavam.

Crispian tentou abafar o grito que enroscou-se em sua garanta quando o orgasmo veio rápido, mas não foi muito feliz. Seu interior pulsava comprimindo o sexo de Earthen que já se derramava dentro de si.

— Ah! Eu... esperei tanto por isso... — expunha com a respiração entrecortada. — Estava precisando tanto...

A saliva de Earthen correu pela focinheira e pingou na nuca de Crispian. O lorde virou o pescoço para trás e sorriu.

Então aquela transformação aconteceu, o hipnotizando como da primeira vez. O focinho ajustado pela focinheira passou a encolher, assim como os pelos espessos que o cobriam. O peso sobre seu corpo foi diminuindo fazendo-o respirar com alívio. A maciez dos pelos de Earthen foi substituída pela maciez de uma pele humana e quando o membro saiu de dentro do jovem lorde não era mais da cor rubra.

Earthen sentou-se no chão, apoiando as costas na madeira da cama, então puxou Crispian pelos ombros, retirando-o da posição de quatro, e acomodou as costas dele junto ao seu peito.

O jovem lorde sentou-se no chão entre as pernas de Earthen e arqueou o pescoço para trás, o qual acomodou no ombro dele, e sentiu os braços daquele agora ser humano de aparência exótica enlaçá-lo enquanto os lábios dele vinham de encontro aos seus.

O beijo foi controlado, ambos estavam cansados, mas era tão saboreado que só o contiveram para que pudessem recuperar o fôlego e conversarem o que fosse possível, já que haveria pouco tempo.   

— Milorde...

Crispian fechou os olhos e deixou que aquela voz melodiosa penetrar suave e doce em seus ouvidos, fazendo com que cada fibra do seu corpo respondesse como se fosse um toque.

— Earthen...

— Precisamos ser breves. O capitão não deve demorar.

Crispian assentiu e moveu-se a fim de ficar diante do rosto do seu lobo e assim admirar seus encantadores olhos claro, assim como sua face bela e gentil.

— Senti muito a sua falta, Earthen. Tenho tantas coisas para perguntar!

— Também senti a vossa, milorde — ele correu o dedo indicador pela face de Crispian, tendo cuidado com sua longa e curvada unha, a qual lembrava uma garra, para não feri-lo. Os olhos de Crispian brilhavam. — Mas receio não termos tempo de saciarmos por completa essa falta.

— Sim, eu sei, precisamos sair daqui o mais rápido possível. A cada dia que se passa Benjamin sustenta mais a ideia maluca de me fazer sua rainha.

Earthen abriu um sorriso lascivo, mostrando os caninos avantajados.

— Não ria! — recebeu um tapa de leve no ombro.

— Perdoe-me, milorde. Mas não pude evitar imaginar como sua beleza se enalteceria com trajes de rainha e uma brilhante coroa adornando seus loiros cabelo.

— Pare de pensar como o Benjamin! — o repreendeu novamente e Earthen ficou sério.  

— Desejas partir imediatamente?

— Na verdade... — Crispian vacilou. — Eu não sei o que fazer, Earth. Meu pai está morto. O rei de Valais também. Valdávia foi consumida pelo fogo. Não sei para onde ir. Não sei sequer se a minha mãe e Catherine estão vivas.

— Sua mãe vive, milorde.

— Como tem essa certeza?

— Garanto que a tenho.

— E Catherine?

— Receio que a milady tenha partido ao dar a luz a criança.

— A criança já nasceu?

— A gestação de um demônio é diferente da de um ser humano.  

Os olhos de Crispian se arregalaram, mas logo voltaram a ficar mortiços, tristes, suas suspeitas então eram verdade.

— Você a tomou?

— Sim.

— Por que?

— Não tenho resposta para isso, milorde. Apenas desejei lady Catherine e fiz o que meus instintos mandaram. Desde que ela não me rejeitasse, achei que poderia. Acabei despejando nela minha semente e gerando uma cria.

— Então a criança é sua?

— Sim, milorde, uma cria minha.

Earthen não conseguiu decifrar o olhar de Crispian naquele momento, pareciam duros, corrompidos pelos ciúmes, mas depois de um instante ele os suavizou e suspirou fundo.

— No fim meu pai morreu sem ter os herdeiros que tanto desejou — riu, amargo. Não que realmente se importasse. — E essa criança está viva?

— Sim, sua mãe está com ele, milorde — Earthen garantiu, conseguia senti-los através da peça da sua coleira, o elo que os conectava. Uma clarividência através de objetos herdada da sua peculiar espécie.

— Ele?

A pergunta curiosa de Crispian o despertou.  

— Sim, ele — afirmou com um sorriso singelo. — Sebastian, milorde.

— Vocês deram um nome à ele?

— Sim, lady Catherine insistia em chamar o filho por um nome.

— Sebastian... — experimentou a sonoridade do nome e gostou da forma que soava gentil, porém imponente. — Ele nasceu da minha mulher, todos pensaram que era meu. Minha mãe também deve estar pensando da mesma forma.

— Certamente.

— Ele herdará seus instintos? É perigoso? Minha mãe corre perigo?

— Apesar de ser como eu, ele ainda é um filhote, milorde. Creio que enquanto ele precisar de segurança, Lady Francine estará a salva. Mas precisamos nos apressar e encontrá-los. Eu fui uma criança demônio no passado e garanto que não era tão simples na época controlar a fome como faço hoje.

A preocupação que arrebatou Crispian dispersou no momento que o barulho da porta sendo destrancada encheu o cômodo. Rapidamente, Earthen apanhou a focinheira e a segurou sobre seu nariz. Enquanto ia tomando sua outra forma, ouviu as orientações de seu lorde.

— Irei estudar uma forma cuidadosa de sairmos daqui. Também temos que pensar em dinheiro. Se as terras do meu pai foram consumidas pela chama, não temos mais posses e talvez nem seja tão interessante continuarmos usando o brasão Valdávia, visto as inúmeras desgraças que passamos. Alegarão que somos uma família amaldiçoada. Não adianta fugirmos e vagarmos sem rumo, poder e posses. Talvez, Benjamin possa suprir nossas necessidades de alguma forma, irei pensar em algo. 

— Saiam! — o comandante demandou incisivo ao abrir a porta.

Afagou com carinho uma última vez o pescoço peludo do seu animal e apoiou as mãos no chão e se impulsionou, pondo-se de pé, no processo buscou o camisolão no chão e cobriu seu corpo, abotoando pacientemente cada botão em sua casa.

Ao terminar voltou-se para o capitão e o viu de rosto virado para o lado, encarando qualquer lugar no recinto que não fosse seu corpo antes nu. Levantou uma sobrancelha sentindo-se no mínimo curioso com a atitude dele, o homem que havia a pouco deixado a entender que não se entregava jamais a sentimentos mundanos estava evitando encará-lo?

— Estou pronto.

Mantendo a atenção desviada de Crispian e seu animal o capitão das tropas seguiu impassível em direção a primeira luminária que havia ascendido e apagou as chamas das velas uma a uma apertando-as com os dedos. Repetiu o gesto com as demais até que a única claridade que restou no recinto era das lamparinas no corredor que entrava pela porta aberta.   

— Retiremo-nos — disse e paralisou-se em seguida.

Crispian estava esperando detido na claridade da entrada, então o que era aquela sombra fantasmagórica que o cobria e que fez cada pelo do seu braço ouriçar? Havia uma silhueta de algo horripilante e sombrio próximo à ele. Falhou na tentativa de respirar. Seus olhos se esbugalharam e se paralisaram em outro par de olhos que se abriram no escuro próximo à ele. Duas esferas em chamas vivas. A aparição abriu um sorriso medonho, cheio de presas afiadas, brancas como se fossem marfim. Sentiu os joelhos tremerem e baterem um nos outros ao tentar se mover.

“Que diabos é isso? Seria apenas uma ilusão?”

Fechou os olhos e apertou os punhos, criando coragem para se pôr para fora do lugar. Ao passar por aquela sombra um sopro atingiu sua nuca e ele pulou para o corredor e apoiou-se de costas na parede.

— Dorcas? Está tudo bem? — perguntou Crispian.

— O- o- o que Diabos é aquilo?

A sombra mais escura ainda estava lá. Então viu o lobo sair de dentro do quarto calmamente e aquela silhueta gigantesca foi esvanecendo como fumaça que se dissipa com o vento assim que ele se pôs para fora do quarto no corredor. Os olhos do animal eram o azul límpido e frio que sempre o encaravam com indiferença. Sentiu novos arrepios.

— Estava falando do Earthen?

Não era religioso, mas fez o sinal da cruz uma boa sequência de vezes em seguida.

— Essa coisa... — pigarreou, limpando a garganta ao notar que a voz falhava. — Essa aberração não é coisa de Deus. E você sabe disso, não sabe, garoto?

Crispian ficou muito sério. Era a primeira vez que alguém assustado alegava aquilo tão veemente. Mas de certo modo não se incomodou. Na verdade, ter como companheiro um ser que provocava tanto terror em outros dava-lhe uma sensação de poder indescritível. Há muito sabia que Earthen não era um simples animal de aparência exótica como muitos o viam. Então pendendo a cabeça para o lado, tentando evocar o ar mais inocente que pode, Crispian explicou.

— Se acreditas na existência de um Deus bom e todo misericordioso, é prudente que creias, meu caro capitão, na existência do oposto — e sorriu, acariciando o topo da cabeça da criatura que se prostrara ao seu lado e agora o encarava o capitão com um brilho no olhar que certamente denotava terror.

Continua...

Pequeno desabafo:

Esses dias eu venho estando bem desmotivada para escrever e por esse motivo venho atrasando as atualizações. A desmotivação é por causa desse sobe e desce brusco de reviews.

Mas existem àqueles que ajudam a dissipar esse sentimento ruim. Então, agradeço a todos os leitores que favoritaram e que colocaram meus trabalhos nos favoritos ou no acompanhamento. Muito obrigada mesmo por estarem lendo e acompanhando meus trabalhos.

Mas meu agradecimento carinhoso hoje vai ESPECIALMENTE a quem me deixou review no último capítulo: a fofa da Lett-chan, a Sarah Salvatore Riddle, o Tiago Loures, a Oroshino Yuuki Videl, a minha amiga Guima, a minha assistente super foda a Nalu, a minha filhota linda do coração a Bruna Uzumaki e a Swoon que é leitora nova e já chegou arrasando geral na reivew. Muito obrigada!

Se eu, Andréia Kennen, (e tenho certeza que muitos outros autores pensam da mesma forma) continua escrevendo e compartilhando seu trabalho online, acreditem, é porque leitores como vocês existem.

E não tomem essas minha pequena homenagem como uma forma deturpada de pressionar quem não deixa review a deixar ou pressionar quem deixa a continuar deixando. Não existem palavras que possam obrigar alguém a fazer o que não quer. E nem é essa minha intenção também, pois se que forçar, ameaçar, exigir, não é legal. Também não receberei palavras sinceras vindas desse tipo de extorsão. Eu pelo menos sou assim, se sou obrigada a escrever quando não quero, sai uma caquinha. xD

Por isso meu agradecimento é sincero para esses leitores que deixam review porque querem fazer, de coração, sem esperar algo em troca, ou pelo simples e verdadeiro desejo de motivar o autor a continuar postando. Pode ser em poucas linhas, textos gigantes, em críticas, ou de forma divertida, mesmo que deixe em um capítulo e no outro não, mas o fazem, fazem quando quer e sentem vontade. Parabéns, vocês fazem essa autora feliz.

Porque só quem está desse lado aqui, levantando às cinco da manhã, sentando na frente do computador das 05:15 às 06:30 (antes de ir para o trabalho) para escrever e revisar o capítulo durante mais de uma semana, porque o danado do cérebro não funciona depois de um dia estressante de trabalho e não consegue ter inspiração a noite, e almoçando em meia hora para usar as outras uma hora e meia para responder reviews e postar a atualização empolgada e esperar pelos resultados, sabe o quanto é triste, destruidor na verdade, não receber review. Tanto que já cheguei a pensar (e comentar com uma amiga) que esse quesito deveria ser extinto das fanfics. Sem espaço para comentário, não haveria a angustia e a desmotivação da espera.  

Devo ser um pouco masoquista, eu confesso xD, porque essa vida de autora online não é fácil. Já vi muitos amigos desistirem. Mas enquanto estiver estrutura emocional e tiver o apoio desses poucos que deixam review só porque gostam de verdade do trabalho que eu faço, eu vou tentar seguir adiante.

Mas já peço perdão se eu não suportar. T^T Pela desmotivação e por fazerem vocês, que não tem nada a ver com esse sentimento de derrota, fiquem esperando tanto pela atualização. Desculpem e obrigada mais uma vez ♥

Não tem como dar uma estrelinha para cada um em um mesmo capítulo, então deixo um coraçãozinho para todos ♥


Notas Finais


Capítulo mais focado em Earthen e Crispian.

Sei que alguns estavam com saudades dos dois e sei que o lemon não foi bem do jeito que muitos esperavam, mas infelizmente eles ainda passarão por alguns problemas antes de ficarem juntos novamente (?) ._.

Enfim! xD

Não teve a fofura do Sebby nesse capítulo, nem Anabel, nem lady Francine, mas no próximo todo elenco secundário dará a cara.

Mas, em compensação, nesse capítulo conhecemos um pouco mais do capitão das tropas, Dorcas, que, aliás, parece bem sensitivo, abstenho, e cheio de neuras... será que ele se interessou mesmo pelo Cris??

Bom, se puderem, por favor, deixem suas reviews!

Até o próximo!


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