História As Origens de Sebastian - Capítulo 12


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Categorias Histórias Originais
Tags Andreiakennen, As Origens De Sebastian, Drama, Fantasia, Original, Romance
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Palavras 5.916
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, Lemon, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Justificativa pelo atraso no fim do capítulo!
Boa leitura! o/

Capítulo 12 - Capítulo XII - Refeição


As Origens de Sebastian

Capítulo XII

Refeição

Lady Francine ofegou exausta ao descansar sobre uma rocha em meio a estrada; aproveitou para ajeitar os fios desgrenhados do cabelo que se desprendiam do coque alto na cabeça e caiam em seu rosto atrapalhando-lhe a visão.

Finalmente alcançara a luz que vira ao longe na estrada, era uma estalagem, um abrigo enfim.

Os relâmpagos brilhavam no céu, era o prelúdio que anunciava outra tempestade de neve, precisava se apressar, mas sentia-se impossibilitada devido ao cansaço, aos pés dormentes e o peso da criança em seu colo e da bagagem na trouxa em suas costas.

O neto a observava com seus grandes olhos azuis atentos, era estranho, mas Sebastian quase não dormia.

— Sebastian?

— Milady?

— Vovó — ela o corrigiu.

— Vovó? — ele repetiu empregando a correção.  

— Vamos entrar na estalagem, então trate de agir como uma criança humana.

— Criança humana?   

— Sim. Vou exemplificar para que entenda melhor. Não fale, em primeiro lugar. Bebês normais não falam tão corretamente quanto você. Também não deve dar a entender que está compreendendo o que os adultos ao seu redor falam. Finja ao menos. Faça gestos aleatórios com as mãos, como se quisesse pegar algo que não está ao seu alcance, bebês sempre fazem isso. Crispian fazia, era fofo, apesar de bobo. Não encare as pessoas tão intensamente. Não sorria. Os comuns não podem perceber suas presas. Tente pelo menos disfarçar que está dormindo, feche os olhinhos e ressone baixinho de vez em quando. Quando estiver acordado chore e faça barulhos de bebês, evitando sempre mostrar os dentes.

— O que seria barulho de bebês, milady?

Francine suspirou, iria desistir de pedir para que o neto a chamasse de “vovó”.

— Bem, deixe-me ver, são sons mais ou menos assim: “gugu, dada, nenê, angu, babu, dandá, agu”, repita.

O bebê encarou a mulher com séria estranheza. 

— O que foi?

— Isso... são mesmo sons humanos?

— Ah... — Francine soltou aquele suspiro, o vento começava a soprar mais forte e gelado. — Esqueça essa parte — avisou a criança, esforçando-se para se colocar de pé com ele em seu colo. — Apenas evite falar e mostrar esses dentinhos pontiagudos e já será de grande ajuda, deixe o resto comigo.

— Sim, milady.

— É “vovó”.

— Sim, vovó.

Adentraram a estalagem.

Ao passar pela porta a mesma rangeu alto com a entrada da nobre. Francine andou desajeitada devido a todo sobrepeso e parou diante do que parecia um balcão de atendimento, mas não avistou nenhum atendente. O casarão era velho e havia odores fétidos e úmidos pairando no ar. O salão de entrada era parcamente iluminado pelas luzes amareladas de algumas velas que tremulavam devido ao ar frio que forçava entrada pelas frestas da construção judiada pelos anos.

A lady de Valdávia ouviu rangidos e ruídos vindos da parte de cima, seus olhos claros moveram-se atentos para o teto. Imaginou que se o piso superior, onde certamente ficavam os aposentos, estivesse em tão péssimo estado como ali embaixo, um ser humano poderia cair direto em sua cabeça a qualquer momento.

Uma repentina crise de tosse tubercular irrompeu o ambiente fazendo-a sobressaltar, em seguida houve um choro de criança, uma voz de uma mulher em repreensão ao choro, cochichos, porta batendo, passos e silêncio de novo.

Silêncio que foi irrompido por um alto escarrar vindo detrás da porta do balcão, porém quando a porta se abriu, a revelando para o velho homem que apontou com as bochechas infladas das secreções que acabara de retirar dos pulmões doentes, as quais certamente ele escarraria no chão, ele se deteve, arregalou os olhos e forçou o fluído acumulado em sua boca voltar garganta abaixo. Fez tanta força, que Francine viu o pomo de adão no pescoço raquítico do velho mover-se rápido. Gesto que fez com que a nobre sentisse um embrulho imediato no estômago, ela também olhou com desconfiança e asco para o chão do estabelecimento que parecia bem mais sujo que o terreno do lado de fora.    

— Madame? — O velho a cumprimentou, rouco, certamente devido as crises de tosse.

 Francine notou que o homem andava mancando com o corpo curvado para o lado esquerdo, como se o braço desse lado pesasse mais que o outro, deixando aparente a corcunda elevada nas costas. Um dos olhos estava completamente coberto por um edema arroxeado de onde escorria outra secreção amarelada.

— Eu gostaria de um quarto — ela esforçou-se para responder, franzindo o nariz como se o fedor tivesse ficado pior com a entrada daquela pessoa.

Mas o sorriso de escassos dentes enegrecidos do velho fizeram-na dar um passo para trás, um gesto automático, para evitar que o fedor daquela boca adentrasse direto em suas narinas e turvasse seu cérebro.  

— Desculpe, minha senhora, mas não temos mais quartos essa noite.

Fora uma informação inesperada, afinal, não imaginava que tantas pessoas se sujeitassem a passar a noite naquele lugar tão deplorável.

— Mas eu estou com uma criança, e está nevando lá fora — ela tentou comovê-lo, mostrando o embrulho nos braços. — Eu não avistei nenhuma outra construção ao raio de quilômetros!

— Uma bela mulher viajando sozinha em meio da noite com uma criança não é algo comum, né? — o velho mudou de assunto repentinamente, deixando claro que não se importava com aquela justificativa, fazendo a hóspede enrugar a testa.

Francine juntou o embrulho que mostrara ao homem rente ao peito novamente, ficou evidente que este não se comoveria nenhum pouco com a possibilidade dela ser uma mãe correndo perigo em andar na neve com sua criança de colo. Aquele homem estava pouco se importando com aquilo, ele mais lhe parecia uma fera decrépita e faminta com desejos ainda insanos de saborear carne nova. Mesmo pairando a dúvida de que ele ainda tivesse algo entre as pernas que pudesse se animar, entretanto, era evidente que o homem a analisava com claro interesse enquanto alisava a barba grisalha com a mão de dedos encarquilhados e unhas que pareciam cascos de árvores.

Sentiu um novo arrepio de repulsa ao imaginar que aquele olhar do homem era um flerte. Sobretudo, não estava em posição de reclamar, ou era aquilo, ou era voltar para a estrada e a tempestade de neve que estava chegando. Sendo assim, decidida a não voltar para o tempo frio do lado de fora, lady Francine abriu uma pequena fresta na manta para visualizar o rostinho do neto. Os olhos azuis perolados brilharam tão intensamente para ela como se eles tivessem luz própria.

— Está com fome, querido?

Sebastian demorou um pouco a responder, como se ponderasse a maneira certa de fazê-lo, então, Francine sorriu quando ele o fez.  

— Agu — foi sua resposta.

 A mulher assentiu satisfeita com aquela resposta e voltou a esconder o rostinho da criança na manta e foi a vez dela se mostrar, puxou o xale que encobria seus cabelos loiros para os ombros revelando melhor sua face e seus olhos azuis. Sabia o quanto era considerada bonita, mesmo sendo uma mulher de idade. O velho homem arregalou ainda mais o único olho sadio que tinha e um sorriso débil desenhou-se em sua face.

— Eu não tenho marido — ela explicou, procurando esboçar uma expressão mimosa. — Ele morreu em um acidente. Sou uma frágil e indefesa ex-esposa, sem lar e com uma criança para criar. Preciso de algo para comer, beber e um abrigo quente para passar a noite, poderia ser até mesmo o celeiro. Por favor, meu bom senhor, ajude-me.

O velho assentiu de imediato, assanhando-se todo. Até lambeu a palma da mão e tentou ajeitar os fios desgrenhado da cabeça calva com a saliva. Puxou a calça para cima, ajeitando-a, como se já estivesse incomodado com algo que havia despertado ali dentro depois de milênios adormecidos.

— Acho que posso dar um jeito nisso — ele apontou a porta atrás dele. — acompanhe-me, por favor, madame.

— Não sei nem como agradecê-lo, meu bom senhor — Francine sorriu de volta.

O velho abriu a porta e esperou que a mulher passasse por ele, então abriu seu sorriso desdentado novamente e garantiu.

— A senhora sabe muito bem como me agradecer, sei que sabe.

...

Os olhares atentos das três damas de companhia de Lady Anabel seguiam o andar meticuloso da jovem que não parava de ir e vir de um lado a outro no quarto, impaciente.

Por fim, ela parou e as mulheres mostraram suas feições apreensivas, acreditando que finalmente a jovem iria voltar ao leito. Todavia, notaram, em desânimo, que Anabel seguiu para o closet. Ao entrar no lugar, ela voltou depressa.

— Estão mesmo esperando que eu vá me vestir sozinha? Mexam-se, bando de tapadas!

As mulheres se moveram rapidamente e seguiram a jovem nobre.

— Milady, ainda é de madrugada — arriscou-se a senhora mais gordinha a, a ama a qual Anabel parecia ter mais respeito, querendo encontrar um meio de impedir sua protegida de fazer fosse lá o que ela tinha em mente àquela hora da madrugada. — Sequer devem ter servido a mesa do café.

— Não sou eu quem fico pensando em comer em tempo integral, Antonieta. Eu não quero tomar café.

— Mas, então...

— Apenas faça o seu trabalho em silêncio. Vista-me com algo deslumbrante, por favor. Que tal aquela roupa! — A jovem apontou o belo vestido em tom creme, todo ornamentado com rendas e bordados dourados. — Digno de uma rainha, não acha? — conferiu ela mesmo com um assentir de cabeça.  

— Não é a roupa que está guardando para oficialização do seu noivado?

Aquela observação foi quase uma facada no estômago de Anabel que retesou-se e olhou com censura, e as grossas sobrancelhas crispadas, para sua ama mais velha.

— Sabe, Antonieta, quando eu disse “faça seu trabalho em silêncio”, foi uma ordem, não me faça puni-la por não cumpri-la — complementou desferindo tapas aleatórios no ombro da mulher. — Agora vai, vista-me com aquilo! Imediatamente!

— Sim, sim, senhorita!

As amas tiveram um grande trabalho em vesti-la naquela roupa, havia muitas fitas e ornamentos e precisaram ajustar tudo, já que o corpo magro não preenchia por completo o traje que fora desenhado para ressaltar um corpo feminino melhor esculpido, com mais curvas.

O resultado final não agradou Anabel, que fitava com desagrado sua imagem refletida no espelho; seus olhos amendoados marejaram. Era óbvio que aquela roupa havia sido confeccionada para uma princesa de tez tão clara quanto a neve, longos cabelos loiros, corpo sinuoso e olhos encantadoramente azuis. As lágrimas desceram por seu rosto borrando a maquiagem escura que havia passado em torno dos olhos, fazendo da visão dela naquele vestido deslumbrante ainda mais extravagante e surreal.

Raiva. Foi a única coisa que Anabel conseguiu sentir.

— Tirem isso de mim — pediu com uma voz calma e em tom choroso, quase engasgado.

— Mas senhorita, está tão...

— Cale-se! — retomou o tom efusivo. — Tire logo isso de mim, Antonieta! — gritou a ordem, revigorando-se, e passou a despir-se ela mesma, desamarrando os lanços das costas ao puxá-los de qualquer jeito, as amas passaram a ajudá-la.

Quando terminou, estava novamente usando um dos seus simples vestidos sem detalhes, sem rendas, sem bordados ou brilho. Notou que assim sua imagem asquerosa não se destacava.

Apanhou aquele belo vestido nas mãos e abraçou-o com cuidado, para em seguida começar a gargalhar.

— Senhorita? — estranhou a ama que já estava com medo da reação da sua protegida, não que não conhecesse Anabel tempo suficiente para saber que ela sempre mergulhava em crises histéricas, mas daquele jeito tão selvagem e imaturo fazia muito que não presenciava.

A jovem seguiu em direção da saída do aposento com o vestido em mãos.

— Milady? Aonde vai com isso?

— Venha você comigo, Antonieta. Apenas você. As outras fiquem onde estão — ordenou em tom ríspido. — Vou presentear alguém. Sei exatamente em quem essa roupa vai ficar deslumbrante.

— A senhorita não está pensando em... — a empregada começou a falar ao alcançar sua protegida, mas esta cortou sua intenção de conversa.

— Apenas mexa-se rápido, sua gorda lerda!

Foram para o bloco de cima, como Antonieta temia, e quando a sua protegida parou diante da porta de um dos convidados do rei ela passou a espancá-la como se estivesse desferindo sobre o patamar de madeira toda sua raiva. A empregada suspirou cansada, pressentindo que aquele dia seria um péssimo dia.

— Milorde, abra, por favor! — pedia Anabel junto com as batidas.

Depois de algum tempo ouvindo as batidas, o convidado do rei se rendeu e se pôs para fora cama. Abriu uma fresta da porta, ainda estava sonolento, era de madrugada e havia deitado fazia pouco tempo, surpreendeu-se com a visita.

— Lady Anabel? — perguntou rouco, coçando um dos olhos com a mão fechada em punho.

Anabel contorceu os lábios diante daquela figura que mesmo com o rosto abatido do sono ainda era tão belo que lhe causava náuseas. Avigorou-se de coragem e desfez o bico de emburrada ao dar o anúncio a seguir.  

— Trouxe um presente para você, milorde — anunciou com um sorriso gozador abrindo-se em seu rosto. Em sequência ela desenrolou o vestido e o expôs diante dos olhos sonolentos de Crispian.

O lorde parou de esfregar os olhos e franziu o cenho com estranheza.

— O que é isso, milady?

— Não me diga que não reconhece um vestido? — ela suspirou em tom de incredibilidade irônico e passou pelo rapaz na porta, adentrado o aposento onde ele estava hospedado.

Antonieta entrou no encalço da sua protegida.

— Senhorita, quantas vezes eu já disse para...

Crispian interrompeu a fala da empregada de Anabel ao fechar a porta com um baque estrondoso, enquanto a própria Anabel se justificava.

— Ah! Chega! — exclamou primeiro. — Você não entende né, Antonieta? Não há riscos algum para uma dama aqui. Se começar a se preocupar com ele — entonou o vocativo e apontou para o hospede do noivo. — Terá que se preocupar com todas as mulheres que me rodeiam, inclusive você mesma — acrescentou uma alta gargalhada ao final.  

A ama arregalou os olhos, fez o sinal da cruz e cobriu a boca com ambas as mãos em espanto, incrédula no que sua protegida havia acabado de sugerir sobre o jovem lorde; tal possibilidade era uma blasfêmia.

Crispian, por sua vez, enrijeceu sua expressão e sentiu o sono esvair-se de vez. Não bastasse toda a humilhação a qual era imposto por Benjamin diariamente agora seria chacoteado e humilhado pela noiva dele também; não era como se não compreendesse a situação em que Lady Anabel se encontrava naquele instante. Até compreendia a forma imatura como ela queria lidar com aquilo, afinal, quantas candidatas a rainha no mundo tinha seu posto ameaçado por outro homem? Era no mínimo um enredo cômico para os menestréis parodiar em suas canções.  

— Mas, enfim, chega do óbvio! — A garota se recompôs ao parar de rir, ajeitando o cabelo e voltando a expor o belo vestido. — Quero ver como você ficará vestindo isso, milorde. Tire essa camisola horrorosa, por favor.

Crispian estava vestindo somente o camisolão de dormir, por isso ponderava sobre o pedido, pois ficaria nu diante de duas damas o que era praticamente considerado um crime. Olhou para empregada de Anabel e depois para a própria nobre em pose determinada diante de si. Poderia recusar-se, expulsá-las do seu quarto e ameaçar contar tudo para Benjamin, mas a verdade era que sentia-se tentado em chocar aquela mimada da nobreza que queria descontar suas frustrações humilhando-o. Por esse motivo, não pensou mais que duas vezes para desabotoar os primeiros botões do camisolão e retirá-lo por cima da cabeça, deixando-o cair no chão e revelando seu corpo nu.

— Valha-me Deus! — conjurou a ama, virando-se de costas urgentemente e cobrindo o rosto com ambas as mãos.

Anabel, por sua vez, manteve-se imóvel, admirando pela primeira vez a nudez de um homem diante dos seus olhos inexperientes. O corpo de Crispian era esguio como as roupas deixavam aparentar, com poucos músculos. Mas as ancas eram avolumadas, a barriga reta, a pele tinha uma aparência acetinada, os pelos pubianos eram tão loiros quanto os cabelos, e notou, com indignação, o quanto eram ralos e escassos; quase não se notavam, eram como uma pelugem fina, dourada e discreta, que revestiam sua pele e até enalteciam sua beleza. Bem diferente dos pelos dela, que eram espessos e tão escuros quanto a barba do seu pai.

A única parte estranha nele era o pênis entre as pernas, pequeno e encolhido, parecia um órgão alheio em meio a androgenia daquele corpo.

Ela venceu o receio e aproximou-se. Precisava vê-lo mais de perto, talvez até... tocá-lo. Foi assim que notou todas aquelas marcas enquanto o rodeava e deslizava a ponta dos dedos pela pele delicada que estava coberta por manchas arroxeadas nos ombros, costas, pescoço, braços, pernas, virilha, havia riscos de açoite também, alguns cortes e notou principalmente as marcas de dedos que certamente o apertavam possessivo durante o ato sexual.

Parou atrás de Crispian e notou com muita raiva o traseiro avolumado, arredondado e empinado, e sorriu novamente achando aquela afronta ainda maior. Deus era um ser onipotente sim, mas era também injusto e gozador, foi o que Anabel incidiu naquele momento. Pois não compreendia o porquê de tanto volume e maciez para o traseiro de um homem, enquanto ela, que era uma dama, era tão reta como uma porta sem adornos. Não fora dotada de curva alguma, o traseiro parecia uma tábua achatada e até os seios que poderiam conferir-lhe um ar feminino e mais sensual haviam se desenvolvido muito pouco. Porém, ficou curiosa diante de uma dúvida que enuviou seus olhos e ela completou a volta em Crispian, parando diante dos olhos azuis claros dele novamente e o questionou.

— Como dois homens fazem? — a pergunta soou simples e casual, mas fora ousada suficiente para chocar a dama de companhia da nobreza mais uma vez.  

— Milady! — Antonieta gritou em repreensão e, esquecendo-se da nudez do rapaz por um instante, voltou-se para sua protegida, mas assim que visualizou Crispian sem roupa ela voltou a se colocar de costas. — Não faça esse tipo de pergunta, milady! — continuou a censura de costas. — Vamos voltar para o quarto, por favor. Deixemos lorde Crispian descansar.

— Não se preocupe, senhora — Crispian confortou Antonieta, educado; seus olhos encaravam frios Anabel. — Não me preocupo em responder essa ou as demais dúvidas que lady Anabel possa ter.

— Mas, senhor...

— Um homem — ele a cortou para iniciar a explicação. — Um homem para sentir prazer precisa ter seu sexo envolvido e friccionado, isso pode ser feito de várias formas; com as mãos — ele ergueu as palmas das suas, movendo os dedos em demonstração. — Ou podemos usar a boca — ele abriu também a sua boca e fez o gesto com a mão como se estivesse abocanhando um pênis invisível. — Nesse caso é bem mais prazeroso, porque o sexo é lubrificado, sugado e engolido, os estímulos são bem mais intensos e muito bem vindos também — respondeu sem preocupação e ouviu a ama soltar um gemido de consternação, enquanto voltava a clamar por Deus, descobrindo o rosto para cobrir os ouvidos.

 Anabel manteve-se inabalável.

— Por último... — Crispian virou-se de costas, curvou metade do corpo para baixo e apartou uma das nádegas, expondo o pequeno orifício um tanto avermelhado e quase ausente de pelos para hóspede do rei. — Se estiver tudo limpo aqui, um homem irá enlouquecer ao meter seu sexo rijo nesse lugar que é tão quente e tão apertado que não há resistência masculina que suporte tanto tesão.

  — Blasfémia, santo Deus! Valha-me senhor, proteja os ouvidos imaculados das suas servas e nos purifique e proteja da perversão mundana e da...

Antonieta aumentou o som da sua reza desconexa as costas de Anabel enquanto a frente dela havia um traseiro exposto. A nobre sorriu.  

Crispian voltou a ficar ereto e tornou a encarar a noiva de Benjamin.

— Tem mais alguma dúvida? Milady?

Anabel negou com a cabeça e estendeu o vestido para ele.

— Dá para notar o quanto ele sente prazer em fazer isso que está falando com você... as marcas das mãos dele em sua pele deixam essa evidência ainda mais clara — ela concluiu, com um suspiro ao final. — Use o vestido em seu jantar de noivado. Era para ser meu, mas acho que ficará melhor em você. Eu gostaria de vê-lo nele antes de partir, se possível. — Depois de dizer aquilo, Anabel se afastou depressa e seguiu em direção a saída, deixando a porta entreaberta.

Antonieta, ao notar o barulho e o movimento da porta abrindo, mexeu-se depressa e tratou de seguir a protegida, tendo o cuidado de fazer uma barreira com as mãos no rosto para evitar visualizar a nudez do jovem lorde.

Não havia lágrimas nos olhos de Anabel, mas Crispian foi capaz de sentir toda a tristeza impressa nas suas últimas palavras, quase deixava a entender que ela abriria a mão do noivado.

Aquilo o preocupava ao mesmo tempo que o aliviava. Se a nobre abandonasse a ideia de ser noiva de Benjamin o próprio se tornaria mais obcecado com a sandice de torná-lo sua rainha, por outro lado, a vida de Anabel não correria mais perigo, principalmente se ela se retirasse do castelo com a família e voltasse para sua morada. Apertou o vestido em suas mãos. Não que fosse sua real intenção desencorajá-la sobre o noivado, mas temia pela vida da nobre caso ela continuasse confrontando Benjamin e insistindo em se casar com ele. E não era seu desejo que mais inocentes sofressem por causa dele.

Benjamin, todavia, havia lhe ameaçado de várias formas caso tentasse fugir, garantindo que colocaria toda a guarda real em seu encalço e ainda dizimaria vilas onde ousasse a se esconder. Por isso, havia determinado algo em sua mente: a única opção que restara para se livrar de Benjamin era acabar com a vida dele de uma vez por todas.

Entretanto, não queria fazê-lo antes de conhecer melhor o próximo sucessor ao trono. Não poderia arrancar Valais da mão de um louco e entregar o reino nas mãos de outro tirano.

Mas conhecia Albert muito pouco, apenas de ouvir falar, soube que ele estivera presente na cerimônia fúnebre, quando todos os filhos de Dalton se reuniram para prestarem sua última homenagem em despedida ao pai. Período em que Crispian estivera enclausurado e por isso não tivera o prazer — ou desprazer — de conhecer os outros irmãos de Benjamin.

Porém, era de conhecimento comum que o segundo filho na linha de sucessão à coroa era Albert. Benjamin ainda não era casado e não dispunha de herdeiros. Mas ouvira falar também que o príncipe era pouco ambicioso e vivia em um monastério em Campus Fliores e que ele havia se tornado um devoto, um homem totalmente entregue e temente a Deus.  

Esse seria o princípio do seu plano: primeiro passo seria manter lady Anabel viva. Segundo seria conhecer melhor Albert e tentar fazer dele um aliado. Terceiro seria encontrar, se possível com a ajuda do príncipe Albert, a sua mãe e Sebastian e alocá-los em lugar seguro. Talvez além das fronteiras do reino, em algum condado vizinho, longe da jurisprudência de Valais. Em penúltimo, planejar com cuidado o assassinato de Benjamin e a sua fuga. E, por último, executa o rei e fugir junto com Earthen para o refúgio onde a mãe e Sebastian estarão escondidos, e assim, viverem felizes novamente como uma família até o fim dos seus dias.

Mas, para colocar em prática todas essas etapas, precisava em primeiro de tudo manter Benjamin satisfeito e menos agressivo. Apertou o vestido delicado em suas mãos e decidiu se arrumar para acompanhar o rei em suas atividades do dia. Era o momento de tomar o cargo que o pai tanto desejara para ele e que custou-lhe toda a reviravolta drástica em sua vida.

...

Os latidos dos cães do lado não cessavam. Lady Francine havia forrado uma colcha encardida em meio ao feno, pelo menos o cheiro do lugar não chegava a ser tão desagradável quanto ao da recepção da casa principal e ao do velho atendente. O homem havia trazido roupas de cama, algumas almofadas, uma garrafa com chá e uma cesta recheada com pães, queijos, frutas e até um pote de geléia. Apesar do aspecto de quinta categoria dos alimentos a fome era tanta que Francine não se preocupou com aparência e partiu o pão ao meio, o recheou com queijo e a geléia e o devorou com tanta ânsia que mal mastigava, apenas engolia, empurrando tudo garganta abaixo com goladas grandes de chá.

O neto estava sentado a sua frente no feno, ela havia depositado um pedaço de pão na frente dele, entre as pequenas pernas, mas como imaginava a criança sequer se moveu para apanhar o alimento.

— Deveria ao menos experimentar — Lady Francine sugeriu, em tom de advertência, limpando a boca com o guardanapo que veio cobrindo a cesta de alimentos. — Como terá certeza que não é bom se sequer provas?  

O garoto apanhou o pedaço de pão com suas mãos pequeninas e elevou o alimento humano até o nariz, farejando e franzindo o narizinho enquanto o fazia. Lady Francine achou o gesto gracioso, concluindo que Sebastian parecia mesmo o filhote de um animal. Mas depois de muito farejar a criança estendeu o pedaço de pão para avó.

— Pode comer, vovó.

Francine suspirou fundo e apanhou de volta o pedaço de pão que a criança estendia. Estava começando a ficar preocupada com o neto. Desde o dia que nascera Sebastian se alimentava de um ser humano por dia. Não que ele ingerisse a carne humana por completo, na realidade ele consumia apenas a carne que encobria as veias até seus pequenos e afiados caninos encontrarem uma artéria principal de onde fluísse um sangue puro e em quantidade abundante de onde ele pudesse sorver o líquido com mais facilidade e com o mesmo prazer que uma criança comum que se alimenta do leito materno. Por esse motivo ela estava preocupada, caminharam durante um dia inteiro e Sebastian ainda não havia se alimentado. Não gostava da ideia de saber que o neto estava faminto enquanto ela se fartava de pão.  

Devolveu o pedaço de pão que a criança lhe entregara a cesta e a cobriu com o guardanapo. Era de madrugada, precisava descansar; soltou um alto bocejo. Não havia dormido nada desde que deixara Valdávia em chamas para trás. Piscou uma sequência de vezes e se acomodou no feno, deitando-se de bruços e deixando a cabeça elevada, apoiada sobre os punhos fechados, enquanto os cotovelos estavam bem apoiados sobre o feno. Ficou encarando a criança à sua frente. Sebastian não demonstrava indícios quaisquer de que estava cansado ou com sono.

Os latidos aumentaram do lado de fora, assim como o vento que soprava forte.

— Quietos, bando de sarnentos! — a voz que repreendeu os animais tentara soar baixo.

A porta do celeiro rangeu alto e abriu-se, o vento frio invadiu o lugar acompanhado de flocos de neve. A porta voltou a ser fechada e encerrou também a entrada do frio, o tremular da luz amarelada da lamparina e o barulho ainda alto dos latidos dos cães que agora também rosnavam e rangiam os dentes à porta do lugar.

— Não entendo porque esses bichos estão tão agitados... — o velho atendente sorriu ao adentrar o celeiro e ver a bela mulher que acolhera esparramada de bruços no feno. Achou que ela havia ficado propositalmente naquela posição para lhe agradar. — Oh, madame... vim receber a primeira parcela do meu pagamento... — cochichou e riu baixinho, desatando cinto que prendia a calça e depois da mesma escorregar pelos os joelhos o homem fez um esforço demasiado para se colocar de quatro.

Lambeu os lábios e ergueu o vestido da mulher deitada no chão, ficando excitado somente em ver a roupa debaixo feminina, uma calçola branca e de tecido fino que passava dos joelhos e deixava os tornozelos brancos expostos. A hóspede parecia em sono profundo, mas não se importou com aquele detalhe, achou que a mulher deveria ter pegado no sono enquanto esperava por ele.

— Está cansadinha, não é? Não vou demorar, minha dama, eu prometo... — explicou ele, fungando o nariz e passando a mão na boca de onde escorria uma baba grossa. Alisou as nádegas da mulher sobre o tecido delicado da roupa íntima e passou a puxar aquela peça para baixo com uma ansiedade louca de despi-la de uma vez por toda.

A cada despontar da pele branca sentia o velho sentia o coração se animar ao palpitar desesperado, ofegava de ansiedade, há anos vinha se contentado com cabritas e até algumas cadelas, mas finalmente, Deus o presenteara; depois de anos de servidão e de dedicação ao trabalho árduo, finalmente sentiria o prazer de saborear um verdadeiro corpo feminino.

Sebastian havia ouvido ruídos no fundo do celeiro e curioso estava engatinhando atrás de encontrá-los, ainda não conseguia sustentar o corpo sobre as pequenas pernas como fazia sua avó, por isso se contentava em se mover daquele jeito. Porém, parou sua exploração em meio ao feno quando seus olhos atentos prestaram atenção no barulho da porta e no atendente da hospedaria que entrava no lugar, voltou engatinhando para onde a avó havia pegado no sono e seus olhos azuis brilharam de curiosidade ao tentar entender o que aquele homem fazia.

 O velho resfolegava seu pênis entre as nádegas da mulher quando arqueou a cabeça e aquele brilho intenso e azulado que vinha se aproximando chamou sua atenção. Deteve os movimentos um tanto apreensivo, mas logo respirou aliviado ao ver que era o bebê que estava bem acordado e engatinhando pelo celeiro.

— É só você, moleque... — riu. — Posso continuar então, não vai entender nada mesmo.   

O garoto apenas pendeu o pescoço para o lado.

O velho segurou uma das pernas da mulher e a girou para o lado, fazendo-a despertar antes que iniciasse a penetração.

— Ei, o que está fazendo, seu imundo?!

— Calma, madame, não se faça de desentendida, vim atrás do meu pagamento.

A mulher tentou se livrar do agarre das mãos sujas daquele homem e chutou o rosto dele, apesar de ser um homem, era um velho que estava definhando, e ela seria capaz de se proteger dele. Mas enquanto o homem fingia se recuperar da dor do chute em seu rosto, ele tateou o chão e encontrou o que queria...

Bastou um único golpe na testa e o corpo de Francine tombou pra trás, a cabeça ensanguentada caiu ao lado do neto. O torpor não permitiu que Francine reagisse. A dor era lacerante. Queria evitar desfalecer, tentou manter-se um pouco consciente, ao menos para vigiar o bebê.

— Feche os olhos, Sebastian... — ela sussurrou o pedido para o menino ao sentir que era penetrada, não podia permitir que o neto fosse traumatizado ao vê-la sendo violentada.

— Dói, vovó? — ele perguntou, tocando o ferimento de onde vertia um sangue rubro na testa da avó.

Francine fechou os olhos com aquele toque da criança, enquanto seu corpo se movia involuntário com os impulsos doloridos que recebia. Deveria imaginar que Sebastian não a ouviria. Ele não entendia, decidiu confortá-lo.  

— Não, meu amor, não dói — ela sussurrou, reabrindo os olhos e encontrando os do neto, notando algo estranho neles. A cor havia mudado de azul para um tom rubro intenso. Ergueu a mão e tocou o rosto do pequeno, percebendo as presas despontarem maiores e passarem da margem da boca. — Sebas... vo... você....

A mão pendeu no chão, Francine perdeu a consciência. O corpo da mulher foi largado de lado quando a satisfação tomou o velho atendente, ele se deitou no feno, o corpo exaustou e acalorado. Fechou as calças e tentava regularizar a respiração quase asmática.

Sebastian engatinhou até ele e observou com fascínio o corpo do homem que parecia bombear sangue com toda sua força. Era até capaz de ver as artérias esverdeadas pulsando sobre o tecido enrugado e transparente da pele desgastada do peito do homem. Aproximou-se um pouco mais. Não entendia o que ele havia feito com sua avó, mas fosse o que fosse, o corpo dele estava tão vivo e aceso que o tornara um prato extremamente convidativo e suculento.

O homem sobressaltou quando sentiu algo subindo em seu peito.

— Oh, Deus! Que susto, moleque — voltou a deitar a cabeça que tinha arqueado ao ver que era o menino da hóspede; não se preocupou. — Você será tão bonito ou mais que sua avó, hi, hi... quando ficar um pouquinho maior o tio vai te ensinar a fazer essas coisas gostosas também — declarou.

Sebastian ficou com o rosto deitado sobre a barriga do homem, ouvindo o fluxo do organismo vivo abaixo dele, as presas pulsavam, a fome apertava. O homem começou a ressonar cansado, dando a entender que também cairia no sono. O vento começou a soprar forte do lado de fora, balançando a porta. Os latidos dos cães ficaram mais alto.

Quando sentiu a primeira pontada de dor aguda o homem arregalou os olhos. A segunda veio na sequência e foi tão forte que ele não pode suportar, soltou um grito e tentou se colocar de pé assustado. A dor vinha do estômago, era como as garras de um animal que adentravam como agulha sua carne e queimavam como lanças aquecidas em brasa. Sua mente estava confusa, pensou que fosse algum animal do mato que se abrigara no lugar, mas ao erguer a cabeça notou que era aquela estranha criança. Segurou os cabelos do menino e tentou em vão empregar força ao puxá-lo.

— Maldito! Desgraçado! O que pensa que está fazendo seu moleque do demônio?!

Só tinha força em um dos braços e a criança grudara nele como se fosse um parasita, sentia as unhas cravadas em sua pele enquanto sua boca mastigava sua carne. Mesmo com a força que tinha em um dos braços não foi capaz de puxá-lo dali, preparou a mão em punho, iria esmurrá-lo quando aquela barra de ferro maciço atingiu sua testa.

Não desmaiou de uma vez, apenas tombou para trás. Viu o rosto angelical daquela bela mulher surgir diante dos seus olhos. Ela deixou a mesma barra de ferro com qual a qual a atingira há pouco de lado e então sentiu a cusparada atingir seu rosto, do mesmo jeito que sentia a carne das suas entranhas sendo consumida.

— Coma devagar querido — a voz suave de Francine advertiu ao neto. — Não vá se engasgar com essa carne de quinta.    

A criança ergueu o rostinho e o homem conseguiu arquear a cabeça suficiente para visualizar aquela imagem que causou-lhe os últimos arrepios, um sorriso angelical, presas pontiagudas como as de um lobo, olhos vermelhos e um rosto inocente ensanguentado.

— Sim, milady — a criatura falou e voltou a se embrenhar sobre a barriga desviscerada do homem a procura da artéria que pretendia.

Francine sorriu para o homem que estrebuchava e dava seus últimos grunhidos enquanto seu único olho se esbugalhava e a boca se abria.

— Descanse, meu bom homem, no inferno — ela sorriu.

Continua... 


Notas Finais


Olá, minna!

Obrigada por acompanharem e acima de tudo por esperarem pacientemente essa atualização. Como eu justifiquei lá na page, estou passando por alguns problemas pessoais bem turbulentos, e um pouco chatos, por isso estava sem cabeça para escrever. Porém, agora que a situação se amenizou um pouco, vou tentar retomar as atualizações aos poucos. Mas, desde já, agradeço a compreensão de vocês.

Por isso, por enquanto, não vou colocar data ainda para as próximas atualizações, só digo que nessa próxima semana vou começar a trabalhar a atualização de Os Aventureiros de Aurora, mas, pode ser que eu não consiga cumprir o prazo, por isso não vou deixá-los nas expectativas ao colocar uma data.

Sobre o capítulo: não teve Earthen e Benjamin, mas teve Crispian e lady Anabel e a definição do plano de Crispian. Será que ela irá mesmo conseguir pôr em prática esse planto? E será que ela vai conseguir apoio do príncipe Albert? Sendo ele um homem de Deus e Crispian tendo como aliado um demônio? ;D

Lady Francine está comendo o pão que o diabo amassou, digo, o pão que ele não quis. xD Piada idiota.

Ela realmente passou por um momento complicado com o velho atendente da estalagem, mas no fim, se vingou e o velho virou banquete para o pequeno Seba. :D Que aliás, tem um apetite e tanto, né, um humano por dia? ._.

Digam o que acharam, comentem!

Beijos, até o próximo! o/


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