História As Origens de Sebastian - Capítulo 13


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Categorias Histórias Originais
Tags Andreiakennen, As Origens De Sebastian, Drama, Fantasia, Original, Romance
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NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, Lemon, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 13 - Capítulo XIII - O Senhor dos Lobos


As Origens de Sebastian

Capítulo XIII

O Senhor dos Lobos

Crispian acordou cedo àquela manhã. Não havia dormido tempo suficiente para que descansasse, graças ao mal tempo. A tempestade que caíra a noite inteira fizera com que a janela de madeira sacolejasse e batesse como se algo estivesse espancando-a, forçando uma entrada indesejada. Ideia que por si só era anormal, pois seu aposento se encontrava na ala real, no topo de uma torre com mais de cem metros de altura e que a queda culminaria em um fosso que cercava o castelo, — estrutura arquitetada para dar proteção ao rei, sua rainha e herdeiros — ninguém em sua sã consciência ousaria tal escalada.

Não somente a tempestade roubara-lhe a boa noite de sono, a ansiedade também, causada por ter tomado àquela determinação, a qual poria em prática ao raiar opaco do dia.

Mas fora abrir o armário, para procurar algo formal para vestir, e o vestido dourado que Anabel dera-lhe de presente se destacou entre as roupas masculinas. Engoliu em seco, sentindo um misto de sensações que diferiam-se entre nostalgia, saudades da mãe, e frustração, ao recordar-se que estava sendo tratado como se fosse a vadia do rei. Até mesmo a noiva do próprio percebera e viera jogar na sua cara à posição humilhante em que se encontrava.

Alisou o vestido delicadamente entre seus dedos, para em seguida, em uma explosão de fúria, empurrá-lo de qualquer jeito pela armação onde se localizava pendurado, e escondê-lo no canto do armário. Procurou entre seus trajes um que fosse digno de um homem normal e chateou-se ao notar que Benjamin também fazia questão de ressaltar sua androgenia obrigando-o a usar roupas afeminadas e indiscretas. Bateu a porta do armário e marchou pesado dentro do quarto.

Abriu a entrada do aposento de súbito e deparou-se com um novo guarda. Este se sobressaltou com a abertura brusca do aposento, algo que quebrou a postura de indignação de Crispian. Não era Dorcas. Dorcas era comandante da guarda particular do rei e, por certo, estava petrificado, como uma gárgula obediente que era, diante da porta do mesmo. Não tinha visto aquele rapaz antes, seus olhos eram de um tom estranho, quase dourado. A cor dos cabelos era de um ruivo acobreado; sardas no rosto, e, apesar de alto, parecia muito magro, pois era notável o traje desproporcional ao seu corpo ainda jovem, tanto quanto ele. Parecia desfavorável aos arquétipos que compunham a guarda do rei, homens que, normalmente, eram experientes, fisicamente estruturados e, principalmente, marrentos.

— Ei...  — o chamou com cuidado, mesmo assim ele respondeu com surpresa, os olhos arregalados e a posição se tornando ainda mais rija.

— Sim, milorde?!

— Chame-me um criado.

— Sim, milorde! — rebateu automático, dando meia volta e seguindo pelo corredor às pressas.

Sorriu, ao achar o jovem interessante. Mas, antes que voltasse para dentro do quarto, ouviu os passos rápidos retornando. Logo, o guarda apontou de volta no corredor, acompanhado de uma das arrumadeiras. “Obediente, assustado e eficiente, gostei dele”, pensou, fazendo um aceno positivo com a cabeça quando os dois se detiveram diante dele.

 — Precisa de algo, milorde? — a criada perguntou, tendo o cuidado de manter a cabeça baixa e os olhos fitando o chão. 

— Sim. Roupas. Hoje está muito frio. Por favor, traga-me algo com que eu não passe frio.

— Sim, meu senhor — ela curvou-se, virou de costas e saiu depressa para buscar o que fora pedido.

— Seu nome? — direcionou-se ao novo guarda.  

— M- m- meu nome, m- milorde? — o rapaz gaguejou, espantado novamente, o olhar vacilando entre o teto e o lorde diante dele.

— Isso. Você tem um, não tem? Pode me responder olhando para mim — deu a permissão, pois sabia que servos não tinham a permissão de encarar um nobre se esse não o consentisse ou se este já não o servisse há muito, como era o caso das amas de Anabel e dos empregados de Benjamin. — Nunca o vi por aqui antes — acrescentou.

— Estou apenas cobrindo meu pai, senhor! — entoou a resposta naquele mesmo tom de quem bate continência. — Ele teve muita febre durante a noite. M- meu nome é Reiji.

— Nome diferente.   

O guarda não respondeu a observação, seus olhos dourados fixaram-se no lorde diante dele, como se aproveitasse da permissão para gravar os detalhes do rosto dele.  

— Meu nome é Crispian.

— S- sim, eu sei senhor. O senhor dos lobos de Valdávia.

Crispian franziu levemente o cenho, achando graça daquela nomenclatura estranha.

— O que é isso?

— P- perdoe-me, senhor. Passei dos limites! Eu não deveria — exclamou e voltou a olhar o teto. 

— Não, eu quero saber. De onde veio esse nome?

— Das ruas de toda Valais. O senhor é conhecido e temido como “senhor dos lobos de Valdávia”. Dono da fera monstruosa que matou o rei.

— Earthen não matou o rei! — exaltou-se e somente quando viu o rapaz diante de si adotar uma pode de quem iria para forca, notara que foi brusco. — Desculpe-me, não quis gritar. Mas Earthen é um animal domesticado e, apesar da aparência, ele não faria isso. A morte do rei foi um infeliz acidente, causada pela arma de um dos guardas.     

— P- perdoe-me, milorde... e- eu não quis acusar seu lobo. Apenas repeti o que dizem.

— Não. Estou curioso. O que mais dizem de mim?  

Viu o rapaz sorrir.

— Várias coisas, milorde. Meu pai que nos contou sobre o lobo que agora caminha ao lado do novo rei. Mas ele fora bem objetivo ao nos detalhar que a fera só o faz por ordens vindas diretamente do seu dono, o senhor. Da forma como ele nos contou, fez parecer que o lobo compreende vossa fala claramente. Por isso, há esses rumores se espalhando, que és um descendente dos lobos. Alguns são mais abusivos e ousam a dizer que o senhor... — Incerto se poderia dizer algo tão infame, Reiji fez uma pausa para engolir em seco, mas os olhos firmes e curiosos do lorde diante dele, deram-lhe confiança. — Dizem que o senhor é um demônio — contou. — E que vossa majestade, Benjamin I, fez um pacto com o senhor para tomar o trono do pai. Muitos moradores estão receosos, temerosos pela ira divina, afirmando que tempos de trevas virão.

Crispian finalmente compreendeu o que era aquela sensação estranha que sentiu vinda do olhar daquele rapaz, era fascínio, como se o guarda estivesse diante de algo sobrenatural. 

A empregada retornou com vários trajes pendurados em cabides, assim que parou diante deles, estendeu-os na direção de Crispian e impressionou-se ao notar que as roupas tremiam. A mulher estava tremendo. Ela perguntou vacilante se precisaria de ajuda para vestir-se e notou alívio vindo dela quando dispensou a ajuda.

A mulher fez uma reverência, ainda de cabeça baixa, e se retirou o mais rápido que pode. O que Reiji lhe contava parecia mesmo verdade.

Tempos de trevas estavam por vir e ele seria o responsável? Quase fora morto por Benjamin no calabouço e ele era o demônio manipulador? Riu daquela distorção dos fatos. Mas a ideia que as pessoas tinham de demônios era completamente errônea. Demônios, assim como os seres humanos, desejavam apenas sobreviver. Mas para ele, seu demônio, seu Earthen, seu amor, era mais humano que muitos. Até mais que Benjamin, que sem piedade, arrancou a cabeça de seu pai diante dos seus próprios olhos. Enquanto Earthen, “o demônio” em questão, o protegeu da morte eminente quando ainda era uma criança indefesa.

Mas ser temido não era uma ideia ruim, poderia usar tal fato a seu favor. Então, decidiu que por hora, não iria desfazer tais rumores e apenas encarou com firmeza os olhos daquele rapaz e perguntou.

— E você? Sente medo de mim?

A pergunta pegou Reiji de surpresa, ele ficou afoito, parecia em conflito sobre o que responder. Até que ele se resolveu, dando um breve suspiro antes de começar.   

— Fascínio. Eu posso dizer que sempre senti fascínio em relação ao sobre natural. Curiosidade também. Posso parecer estranho, meu senhor, eu temo, mas eu me sinto atraído. Quando era menor tinha medo do escuro, das coisas horrendas que diziam habitar a escuridão, mesmo assim, gostava de confrontar o escuro. Tanto, que hoje estou aqui.

— Eu pareço sobrenatural para você?

Ele balançou a cabeça negativamente.

— Está desapontado?

Reiji abriu a boca, parou, pensou, então respondeu com um novo meneio negativo.

— Nenhum pouco, meu senhor. Pode não parecer sobrenatural, mas és fascinante, de alguma forma.

Crispian sorriu, aquele era um bom começo de dia.

...

Passou pela saleta de espera em direção a sala do trono. Ficou sabendo por Reiji, que o seguia como se fosse a própria sombra, e, que, por sorte, falava bastante, que o pai dele ficaria acamado por vários dias. Nesse meio tempo, tentaria arrancar dele, sem muito esforço, qualquer notícia que se espalhasse fora do castelo.

Ainda não tinha certeza até onde ser conhecido como o “senhor dos lobos” era algo vantajoso ou perigoso. Precisava ter uma opinião melhor e assim poder usar o termo a seu favor.

Passou pela fila dos que esperavam pelo atendimento do rei no corredor, ao lado de fora da sala do trono, e de soslaio notou os olhares atentos e até temorosos de alguns com sua presença. Também não deixou de perceber que Reiji pareceu se inflar de orgulho por estar acompanhando-o. Apesar do elmo que encobria sua face e as pessoas ali não o reconheceriam mais tarde, caso viesse se gabar. Mas, também, havia percebido que se gabar não era exatamente o que o rapaz procurava, seu jovem guarda estava mesmo era fascinado e ansioso com o momento em que se depararia com o verdadeiro sobrenatural naquele lugar: Earthen.

Pararam diante dos guardas que tinham suas lanças cruzadas diante da porta, mas bastou um elevar de cabeça por parte de Crispian para que eles recuassem e abrissem a porta.

— Milorde — um deles fez um meneio de cabeça em saudação e apontou para o interior da sala, onde ouvia-se a lamentação de um homem, cuja voz ecoava pela sala em indignação.

Retribuiu o cumprimento com um breve assentir de cabeça e passou por eles, sentindo que o fuzilavam pelas costas.

O barulho da porta abrindo e fechando chamou atenção dos presentes para ele e interrompeu a choradeira do homem ao centro do salão, diante do rei. Este, ao notar que havia entrado alguém cuja importância era relevante suficiente para chamar até mesmo a atenção do próprio Benjamin I, o fez entortar o pescoço para trás e tentar ver de quem se tratava.

Eram nove conselheiros no total, cada um com direito a um assessor, e cada assessor tinha direito a um sub-assessor, porém nem todos regozijavam desse direito, por isso a soma de homens no conselho não ultrapassava os vinte e cinco. Todavia, para o rei existia somente um conselheiro, o principal, e o mais importante, que era chamado de “conselheiro alfa”, este sim, obtinha até mesmo o poder de decisão caso o rei estivesse doente ou ausente.

Antes de ser rei, Benjamin fora um dos conselheiros do seu pai, havia sido incluso como o nono homem do rei após uma decisão do falecido Dalton V, que tinha como intento a preparação dele para ser seu substituto, fazendo-o compreender os assuntos inerentes ao reino.

Um novo conselheiro tem o direito de nomear um assessor e foi esse cargo que o pai de Crispian, o barão Edward, almejara para ao filho, com a ajuda de Bardo, o sogro, pai de Catherine, que era um conhecido do rei. Na verdade, antes da morte de Dalton, Benjamin já havia se decidido sobre Crispian ser seu assessor e oficializado seu nome junto ao conselho que deliberaria a condição na primavera. Porém, o acontecido com o pai mudara o rumo das coisas e antecedera algumas.

Como Crispian não passaria mais pela corte para ser julgado como um dos responsáveis pela morte do rei, por protocolo, como assessor nomeado por Benjamin, ele passara de assessor para o cargo de conselheiro-substituto no lugar dele. Entretanto, o cargo só seria seu definitivamente se mais de cinquenta por cento do conselho não opusesse a sua posse, ou, caso fosse indicado pelo rei.

Obviamente, Benjamin já havia dado sua posição favorável, pois se dependesse do Conselho atual, Crispian apodreceria na masmorra, ou ainda, seria decapitado. Mas afrontar aquela corja de velhos, os quais, Benjamin considerava um bando de babões da coroa, era a segunda coisa que dava-lhe mais prazer no mundo depois de possuir com volúpia o corpo do rapaz loiro que adentrava a sala do trono com o ar prepotente, interrompendo uma audiência importante, sem pestanejar.

Aguardara há muito por aquele momento, o momento em que Crispian encerraria o luto e, superaria a morte do pai, para assumir o seu posto ao lado dele. Por isso, Benjamin não deixou de esboçar um sorriso matreiro e até mesmo sua pose, antes enfadonha, com o queixo sendo segurado pelo punho que estava repousado no braço do trono, foi deixada de lado e ele ficou ereto, para observar a entrada de Crispian.

O conselheiro-alfa ficava de pé, ao lado esquerdo do trono do rei, durante todas as audiências, entre o acento dele e o vazio da sua rainha. Mas desde a morte de Dalton, Benjamin dispensara Baltazar de tal tarefa e pedia que o velho ficasse sempre na parte debaixo, aos pés dos degraus que levava ao trono. Se divertia ao vê-lo ter que arrastar sua carcaça centenária ao subir os degraus com dificuldade toda vez que precisava fofocar ao seu pé do ouvido. Era uma forma de dificultar também que ele viesse, detestava o bafo de defunto do homem.

Sentado, obedientemente ao lado direito do trono, estava o lobo-gigante o qual Benjamin gostava de ficar afagando os pelos de vez em quando. O animal que causava temor em todos os olhares de quem entrava ali, principalmente dos visitantes, era outra diversão à parte. Ao lado do lobo, estava Dorcas, seu capitão de tropas, impassível, como um boneco de cera.

— Até que enfim veio tomar seu posto, milorde — Benjamin entoou alto, sorrindo e direcionando seus dedos para os pelos do animal ao seu lado. — Antes tarde do que nunca...

Um gesto de mão do rei, pedindo para que se aproximasse, fez Crispian marchar no meio do solão, na direção dele, sob os olhares atentos de todo o restante do conselho e dos demais presentes.

Reiji sentiu algo inflar em seu peito, ainda mais orgulhoso por estar acompanhando alguém tão resplandecente. Fez um gesto de continência assim que Crispian passou a caminhar, enquanto ele se pôs do lado da fileira dos guardas, na mesma pose em riste que os demais ostentavam. Ficou observando, com o coração batendo forte, o loiro marchar imponente na direção do seu rei e da sua fera, que era maior e muito mais bela do que imaginara.

Crispian passou pelo homem que antes falava ao centro do salão e curvou-se diante do rei, ainda à beira dos degraus, quase ao lado de Baltazar.

— Perdoe-me pela minha ausência, majestade.

Benjamin notou o velho Baltazar direcionar uma espiada desdenhosa para seu objeto de desejo, que se detivera ao seu lado. Mas o jovem lorde sequer moveu seu olhar para ele, ou para qualquer outra pessoa naquele salão, que não fosse ele, seu rei. Ficou ainda mais satisfeito com aquela atitude.

— Você perdeu o pai a menos de uma semana, nessa mesma sala, o viu perder a cabeça — Benjamin fez questão de recordá-lo. — Creio que todos aqui compreendem sua dor. Agora, venha — fez um novo gesto e a surpresa e o murmúrio dos presentes foram unanimes.

Mas em meio as exclamações e aos buchichos, Crispian ergue-se, subiu os degraus que levava ao trono, apanhou a mão do seu rei que lhe era estendida, ajoelhou-se, e beijou-lhe o dorso.

— “Juro-lhe, por nosso Deus, servir à coroa até o dia de vossa morte, ou da minha própria, ó meu senhor” — recitou o juramento que todos que serviam à coroa deviam proferir, mas o fez de forma mais concisa.

Benjamin sorriu novamente, era bem característico de Crispian a dispensa de uma cerimônia enfadonha e com discurso gigantesco. Vê-lo também naqueles trajes mais cobertos atiçou seus instintos, o fez imaginar o corpo macio, esguio, as ancas volumosas, e os mamilos róseos por debaixo de tanta roupa, pensou que se não tivesse tanta gente miserável para atender e que só sabiam reclamar e pedir, o levaria naquele instante para o seu quarto. Sentiu-se até tentado em ser mais ousado e possuí-lo ali mesmo, diante daquela plateia composta de tanta gente patética e bajuladora. Concluiu que Crispian era mesmo uma verdadeira pérola em meio aos porcos.

Sentiu a mão onde ele depositara aquele beijo morno formigar. Não apenas sua mão, toda a virilha e mesmo o mastro real se animara por debaixo dos trajes pesado que vestia. Mas suspirou fundo, buscando conter-se, aguardaria o momento apropriado para satisfazer toda a ânsia que Crispian lhe causara.

Prendeu a carne interna do lábio inferior nos dentes e a única coisa que fez por momento, o que não deixou de surpreender os presentes, fora elevar as costas da mão que Crispian tomara até seus próprios lábios e depositar um beijo na região exata que ele tocara com seus lábios. Houve novos murmúrios e exclamações, mas o soberano de Valais não se importou, esboçou um sorriso contente e, encarando apenas o rapaz loiro diante de si, apontou o lado esquerdo do seu trono, o oposto onde estava o lobo. Apesar de que seu desejo verdadeiro fosse que o lorde ocupasse o trono vazio ao seu lado, ao invés de cedê-lo à irritante da sua prometida, Anabel, a qual ainda daria um jeito de se livrar.

Crispian, por sua vez, tentou manter a pose indiferente, mas a realidade era que o seu interior era um verdadeiro caos. Sempre fora uma criança ousada e um tanto mimada, mas nunca imaginou-se senhor de algo como seu pai. O máximo que imaginara para si, era ser um homem livre, cavalgando pelos reinos, tendo sempre seu fiel amigo, lobo e amante, ao seu lado. Um cavaleiro, era tudo que almejara para seu futuro. Entretanto, o destino pregara-lhe uma peça, e agora estava ali, ocupando um cargo elevado, político, rodeado de gente prepotente, esnobe e invejosa, e que certamente o odiavam por te chegado àquele status tão rapidamente. Imaginou quanto daqueles velhos serviram ao reino durante suas longas vidas, com a intenção de um dia chegar pelo menos a conselheiro-alfa, e agora viam sua dedicação e juventude esfarelarem como trigo ao vento bem diante dos seus olhos miúdos e escondidos por rugas. Enquanto ele, ainda uma criança na visão de alguns, subia os degraus da glória e se punha ao lado do rei no cargo mais alto depois do próprio.

Suspirou fundo, tentando não encarar o animal que permanecia estático, como sequer fosse vivo, ao lado direito do rei. Então virou-se e se deparou com todos aqueles olhares asfixiantes sobre si. Por um segundo, ideou o quão incomodo era tudo aquilo, e bateu-lhe a vontade de fugir. Mas era preciso ficar, ao menos, até conseguir o que pretendia.

Reiji estava hipnotizado, para não dizer encantado. O Senhor dos Lobos era muito mais do que imaginara, pareceu-lhe o próprio sol indo de encontro a lua enquanto caminhava sem vacilar. Qualquer outra pessoa teria medo de se aproximar do rei tendo uma fera como àquela guardando-o, mas ele não tinha. Afinal, era de conhecimento geral, que a fera pertencia ao próprio lorde, por isso estava ainda mais fascinado. Ficaria ainda mais se pudesse ver os dois juntos, vê-lo comandar, falar com o lobo e este o obedecer como diziam. Mas estava com sorte aquele dia, talvez, ainda veriam os dois interagirem.

Benjamin fez um gesto de mão e como se tirado da pausa, o homem que estava ao centro do salão, retornou a ladainha irritante sobre a perca da lavoura em suas terras devido ao frio intenso que ainda assolava a região.

— Exigem de nós os impostos, vossa majestade, mas meu pai está combalido e toda nossa plantação se foi com o frio, não temos o que colher, como iremos pagar?!

— E o que deseja do seu rei, plebeu? — perguntou Benjamin, enfadado novamente.  

— Prazo! E, se possível, um pouco mais de verba para replantar as sementes e esperar uma nova colheita, vossa majestade.

Houve uma pausa e Benjamin pareceu ponderar sobre o pedido.

— Majestade? — o velho ao pé dos degraus chamou com sua voz arrastada. — Permita-me a palavra? — pediu, visto que agora ele não poderia mais pedir para se aproximar, pois o lugar ao lado esquerdo do rei estava ocupado.

Benjamin autorizou com um esturro que praticamente dizia: “você vai falar de qualquer forma”; e o velho prosseguiu.

— Todos os anos fazem o mesmo frio. Não é uma desculpa válida. A família do rapaz não se preparou para o inverno de forma adequada.

— Meu bom senhor, não fale como se tivéssemos sido negligentes. Meu velho pai há muito está doente, por isso gastamos para cuidar dele, mas ele sempre serviu aos propósitos do reino...

— Além disso... — Crispian interrompeu, chamando atenção de todos. — Eu discordo. Esse frio não é o mesmo de anos anteriores.  

— Desculpe-me, mas terei que discordar do jovem lorde. Majestade, lorde Crispian nunca esteve nessa região antes, como pode saber que está mais frio como antes?

— É de conhecimento comum, meu bom senhor — Crispian atravessou sem receios à fala do velho — que a região de Valdávia, de onde vim e onde morei minha vida toda, é a região mais fria do reino, os invernos de lá são extremamente rigorosos e eu posso afirmar, com toda certeza, que o frio que está fazendo em Valais nesses últimos dias equivale-se ao pior inverno, ou até mesmo supera, o que já vivi lá.

O silêncio se fez na corte e pela primeira vez Benjamin viu o velho conselheiro do pai se empertigar, constrangido. Se o soberano da nação de Valais pudesse, riria alto naquele momento. Mas, notou, pelo ar ferido do velho, que àquela afronta de Cris teria volta; preferiu não inflamar a ferida.

Crispian, por sua vez, notou o olhar de repugnância de Baltazar, não precisava ser inteligente para saber que haveria represália.

— Seis moedas de ouro e seis meses para começar a pagar o empréstimo somado aos impostos atrasados. Quero receber nos nove meses do ano que não fazem inverno, duas moedas por mês como pagamento parcelado da dívida.

O homem impressionou-se, os juros eram altos, afinal, não deviam nem mesmo três moedas de ouro de impostos, seria então nove no total, devolveriam o dobro. Mas ao menos, teriam dinheiro e não correriam risco de perder a propriedade. Dobrou os joelhos ao chão e curvou todo o corpo para frente em agradecimento.

— Agradeço vossa graça, ó soberano!

Um gesto do rei, como se estivesse sendo enxotando, fez o homem se levantar rapidamente, e um dos conselheiros o acompanhou até a mesa onde o escrivão, que anotava as decisões da audiência, escrevia em duas vias de papel timbrados e assinados previamente por Benjamin, a decisão dada pelo rei. Uma via o homem assinava que havia recebido e o outro ficava com ele. Outros três conselheiros conferiam o conteúdo e por último o homem atendido era dispensado para um próximo ser chamado.

Crispian ficou contente, por sentir que havia feito algo de bom para um aldeão. Notou que antes de sair o homem, o qual sequer sabia o nome, direcionou um olhar de agradecimento à ele.

— Não fique feliz, meu jovem lorde — cochichou Benjamin para Cris, mantendo o olhar para a porta onde o agricultor saía. — Nem todas essas reuniões terminam em flores e bons acordos. Além disso, nem você conseguirá argumentar a favor de todos esses miseráveis que só sabem pedir e pedir — observou ele.

O rapaz loiro, agora conselheiro-alfa, preferiu não expressar sua opinião.

— Todavia, pretendo dar um baile para comemorar sua posse esse fim de semana — mudou de assunto bruscamente, fazendo Crispian sobressaltar e olhá-lo com receio.

— Dispenso, majestade.

— Não é algo que possa dispensar, meu caro. É uma decisão do seu rei e irei anunciá-la no fim dessa sessão infernal que é atender toda essa gente medonha.  

— Mas...

A voz do orador anunciando a próxima pessoa que iria ser atendida fez Crispian se calar e resignar-se por momento.

Foram várias situações atendidas. Como o próprio Benjamin o alertara, nem tudo terminava bem. Baltazar, depois da sua intromissão, pareceu mais energético em contestar negativamente a maioria dos pedidos. Até mencionou que a economia em decadência do reino, devido ao período de frio, ficaria ainda mais decadente se uma criança, que mal tinha conhecimento das despesas reais, continuasse se intrometendo a favor de tantos pedidos.

Crispian teve que concordar em parte com os demais conselheiros, todos os que vinham a procura do rei só vinham atrás de pedido de dinheiro ou favores. Eram histórias tristes de familiares doentes, de gente que já teve status e perdeu tudo e agora padecia sem ter ao menos o que comer. Havia também julgamento de alguns crimes como roubo, assassinato, infidelidade e até ateísmo.  

Pouco depois do meio do dia, Benjamin decidiu encerrar a sessão, e anunciar a tarefa de organizarem um baile àquele fim de semana.  

— Ainda tem algumas pessoas na fila, vossa majestade — anunciou o guarda, na porta do salão.

— De forma alguma ficarei o dia todo aqui. É véspera de fim de semana, eu quero descansar, quero organizar um baile. Peçam para que retornem na segunda-feira.

O guarda bateu continência e seguiu para dar a notícia aos que aguardava, mas antes que Benjamin entrasse no assunto sobre o baile, a voz alta de um dos que aguardava se fez audível.

— Eu preciso ver Benjamin! Preciso ser atendido! Estou aguardando há três dias nessa maldita fila! Três!!

Aquela voz conhecida fez Crispian sentir um arrepio. Não era por menos, o homem que forçava a entrada, era mesmo alguém conhecido. Com seu tamanho todo, Bardo, conseguiu empurrar dois dos guardas junto com a porta e surgiu ofegante diante deles.

Os olhos de Crispian se arregalaram ao ver o sogro sendo ameaçado pelas diversas lanças que se apontaram na direção dele.

— Benjamin, eu sou um barão! Amigo próximo do seu pai! — O homem, que bradava na porta, deteve-se, impressionado, ao notar a presença do genro bem vestido ao lado do rei. Franziu seu cenho, tornando-o ainda mais sisudo. — Crispian, por Deus! É sobre Catherine! Eu sou seu sogro! Minha filha, Crispian! Minha filha que você jurou diante de Deus honrar e tomar conta. Minha filha foi morta! Eu estive em Valdávia...

O cabo de uma das lanças atingiu a lateral do corpo de Bardo, fazendo-o calar-se e tossir. A dor fora tanto que Bardo dobrou metade do corpo para frente e caiu de joelhos, segurando a região atingida pelo cabo da lança com ambas as mãos.

— Cale-se, homem! — gritou o guarda que o abordara. — Como ousa falar com o rei quando não teve permissão? 

A mão de Crispian repousou-se instantaneamente no ombro de Benjamin.

O rei, por sua vez, pode contemplar o temor sombreando os olhos até então radiantes do seu conselheiro-alfa. Achou que aquele seria um desfecho interessante para o primeiro dia de trabalho de Cris e decidiu atender o velho ruivo.

— Deixe-o, homens. Esse será o último. Vamos ouvir o que Barão de Reya tem a dizer.

A guarda recuou e bateu continência. O orador seguiu o protocolo e anunciou o barão de Reya e sua intenção de falar com o rei sobre o ocorrido com a filha. A cada segundo que se passava uma angustia atordoante tomava conta de Crispian, não esperava a visita de Bardo. Não esperava ter que reviver, mais uma vez, todas as tragédias que ocorrera em sequência em sua vida. Muito menos ter que deparar-se, prestar contas, para o pai da mulher que deveria ter protegido. Não cumpriu seus votos matrimoniais, por mais que seu casamento tivesse sido arranjado, como homem, tinha a obrigação de honrá-lo.

A voz do barão que narrava em desespero ficou audível de repente. Bardo falava de todo o caos que vira em Valdávia. Falou do corpo carbonizado da filha e da impressão que tivera das entranhas dela terem sido arrancadas. Quantificou um número absurdo de mortos, da perda total das terras e da propriedade da família de Crispian e do rumor de que o lugar fora destruído pelo demônio.

O coração de Crispian batia tanto que ele teve a impressão que arrebentaria seu peito e sairia par fora, precisava segurar-se para não chorar. Mais uma vez ouvia quanta desgraça havia se assolado na sua ausência. Mas Benjamin não mostrou condescendência, ele ouvira os mesmos rumores semanas antes.

— Apenas diga o que deseja do seu rei, barão — ele entoou. — Já ouvi todas essas histórias.

— Justiça! — bradou Bardo. — Minha filha teve o filho, meu neto, a sua criança, Crispian, arrancado das entranhas! Só pode ter sido obra de um monstro. Lady Francine está desaparecida. Acreditamos que a milady conseguiu fugir com o meu neto, ou talvez, esteja nas mãos do demônio que destruiu Valdávia. Eu estou pedindo ajuda para encontrá-los, majestade!   

O silêncio tornou-se sepulcral. Os dedos de Benjamin passearam sobre os pelos do animal ao seu lado. Bardo chorava, a ansiedade tornando seu rosto abatido ainda mais velho e enrugado.

Crispian estava de cabeça baixa, os punhos crispados e o choro engasgado. Mas, diferente, ou talvez, exatamente como imaginava, ouviu o rei comentar sem sentimento algum.

— Valdávia não existe mais, meu caro barão. Edward foi sentenciado a morte. Sinceramente, não é do interesse do reino o paradeiro dessa criança, muito menos de Lady Francine. E, sinceramente, demônios? Foram apenas saqueados, depois da morte do barão Edward, que era o senhor daquela região. Digamos que é algo comum em terras sem homens, propriedades serem dominadas por gente interesseira. Certamente a disputa não terminou bem, e atearam fogo em tudo. A única coisa que restou de Valdávia e que tem algum valor e meu interesse é o lorde Crispian aqui do meu lado, e sua fera, desse outro lado — apontou o animal. — Ambos vivos ainda, e de serventia. Uma mulher velha e uma criança não tem valor algum para o reino. Se era somente isso que tinha dizer, pode se retirar.

— Monstro! — Bardo apontou para o rei acusadoramente e ameaçou ir até ele, mas foi impedido pelos guardas que o agarraram. — Você é um monstro, Benjamin! —— continuou gritando, despejando as ofensas. — U homem como você é a podridão na face da Terra! Jamais poderia reinar. Jamais! Seu pai tinha vergonha de você. Você não tem nada de Dalton! Nada! Como não se importar com tamanha desgraça que assolou as terras do seu reino?! Como virar as costas para um pedido desesperado de um amigo pessoal do seu pai? Como arrancar a cabeça de lorde Edward que sempre fora leal ao rei?! Você só pode ser um monstro!

Crispian foi capaz de sentir a aura ameaçadora transbordar de Benjamin, bastou que ele se erguesse, com os punhos fechados, para toda guarda ser pôr em posição de ataque ao redor do nobre de Reya.

— Se ofendes seu rei, barão. Estás preparado para morte — virou-se para Crispian e ordenou a sentença. — Peça para que seu animal arranque a cabeça dele.

O baque daquela ordem fez Crispian hiperventilar. Era seu sogro, avô da criança que Catherine dera a luz, não podia ordenar que Earthen o matasse. Além disso, Bardo sempre mostrou-se um homem gentil, de grande sorriso, ele tinha esposa, várias filhas e netos que dependiam dele. Não podia permitir.

— Foi u- um ato impensado de um pai que perdeu a filha, de um avô em desespero...

 O tapa que irrompeu o ambiente estalou tão forte e alto no rosto de Crispian que o fez pender a face para o lado. 

— Não conteste a ordem de seu rei! — gritou. — Ou será a sua vida em troca da dele.

Benjamin viu lágrimas descerem do rosto claro de Crispian.

— Tire a minha vida então — o rapaz sussurrou em um lamento, apenas para que Benjamin o ouvisse. — Eu troco de lugar com ele. Mas, por favor, Benjamin, majestade, eu te peço, estou te implorando, não tire mais vidas por minha culpa.

— Ninguém morreu por sua culpa. Nem mesmo Catherine. Suas mãos estão mais limpas que a água do rio.  

— Se ela não tivesse se casado comigo, não teria morrido, então, é minha culpa sim.

— Eu odeio gente patética e fraca, Cris... — Benjamin sussurrou de volta. — Levante a droga dessa cabeça e engula imediatamente esse choro, milorde. Meu conselheiro-alfa deve ser sempre o homem que eu escolhi, que sabe se impor ao meu lado, como fez durante a sessão inteira. Genioso, decidido, afrontando essa corja de velhos imundos, é isso o que quero de você. Sei que não deseja vê-los rindo nas suas costas, não é? Gosto de vê-lo chorando e se lamentando sim, mas apenas na cama, enquanto estiver sendo fodido e esfolado pelo meu mastro real. Então, dispense-me de mais uma cara patética.

Crispian ouviu tudo de cabeça baixa, mas passou as mãos no rosto assim quem Benjamin concluiu, afastando as lágrimas. Engoliu o choro, suspirou fundo, ergueu o rosto e encarou seu rei com o rosto corado do sangue que subira, mas com olhar mais firme.

— Poupe a vida dele — voltou a pedir.

— Posso ser misericordioso quando quero. Mas ele terá um castigo — impôs em tom audível. — Depois pensarei se mandarei uma diligência para investigar o que aconteceu em Valdávia e procurar a criança e a avó sumidas. Agora, ordene que sua fera haja, eu quero a mão que ousou me apontar.

Precisava ser rápido. Um olhar de Crispian para Earthen e ele partiu para cima do homem que fora deixado sozinho quando a fera se moveu e tomou impulso. Do lado trono direito do rei para o saguão em um segundo, em um salto que expôs todo seu corpo poderoso e maleável.

Crispian fechou os olhos e apenas ouviu, ouviu os gemidos de temor, o grunhir feroz de Earthen e o urro de dor e horror de um homem que tivera sua mão mutilada, arrancada por apenas uma abocanhada monstruosa.

Sentiu os pelos de Earthen farfalharem na sua roupa ao seu lado e em seguida a gargalhada de Benjamin explodiu.

— Isso! — o rei impôs, erguendo a mão decepada, trazida pelo animal, no alto, para que todos a vissem. — É só uma amostra daquilo que sou capaz de fazer com quem ousar a qualquer ato de imprudência contra mim.

Sorriu, enquanto os gritos de dor de Bardo repercutiam pelo salão.   

— Quero você no meu quarto ao badalar da meia-noite. Vou discipliná-lo para aprender a não mais contestar minhas ordens — sussurrou ao pé do ouvido do conselheiro, entregando a mão decapitada de Bardo para ele e se retirando em seguida, passando a mão no sangue que pingara em seu rosto. — A audiência de hoje está encerrada! — proclamou, ao descer os degraus do trono e sair pela porta lateral ao trono, com o manto em suas costas esvoaçando devido ao andar apressado. Havia perdido até mesmo o interesse em fazer o baile.

Earthen não se moveu, fitava Crispian, preocupado. Mas o rapaz fez um aceno de cabeça para ele, permitindo que fosse com o rei.  

— Siga o rei, Earth.

O animal o olhou longamente, então virou-se, e seguiu o caminho por onde Benjamin desaparecera com seus guardas.

Ainda ouvia os gritos de lamento de Bardo, que era arrastado para fora do salão pelos guardas, quando sentiu a mão de Reiji em seu ombro tirá-lo da letargia. Ergueu os olhos lacrimejados para ele e sentiu-se confortado pelo olhar generoso dele.

— O senhor é um homem bom, lorde Crispian. Meu belo senhor dos lobos. Tenho certeza que Deus um dia irá compensá-lo por tudo de bom que fez hoje e por tudo de ruim que recebeu em troca.

Crispian sentia tanta dor que não conseguiu emitir uma palavra sequer em agradecimento as palavras de conforto de Reiji.

Apertou a mão ensanguentada do próprio sogro nas suas, enquanto aquele engasgo que parecia sufocá-lo, se atenuava em sua garganta. Sentia-se revoltado, completamente impotente, por ter deixado aquilo acontecer com Bardo. A única coisa que conseguiu foi assentir perante a observação de Reiji, enquanto deixava as lágrimas fluírem. Precisava se apegar aquela promessa de um futuro melhor e só assim seguir sobrevivendo naquele inferno que se tornara sua vida. 

Continua... 


Notas Finais


Voltando as atualizações de AOS!
Espero que tenham gostado do capítulo novo. <3
Bom começo de semana!
Até o próximo! o/


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