História As Origens de Sebastian - Capítulo 3


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Categorias Histórias Originais
Tags Andreiakennen, As Origens De Sebastian, Drama, Fantasia, Original, Romance
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Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, Lemon, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 3 - Capítulo III - Segredos


As Origens de Sebastian

Capítulo III

Segredos

No dia seguinte, ao sentir falta do filho na mesa do café, lady Francine foi chamá-lo no quarto. Fora atendida por ele após insistentes batidas na porta de madeira pesada e surpreendeu-se ao encontrá-lo com olheiras profundas e a expressão ainda de cansaço.

— Não está se sentindo bem, príncipe? — ela perguntou, preocupada.

Tendo dificuldades em se manter de pé devido a fraqueza nas pernas, Crispian apoiou o corpo no beiral da porta e procurou tranquilizar a mãe.

— Só não dormi muito bem durante a noite, mãe. Mas estou bem. Juro. Deixe-me repousar mais um pouco? — ele pediu.

— Sim, claro. Descanse. Mas... ­— Francine franziu o cenho e encarou o filho que esfregava um dos olhos com o punho esquerdo. — Por que trancou sua porta, Crispian? — ela o questionou, pressentindo que o filho estava escondendo algo.

O rapaz voltou sua atenção para o semblante desconfiado da mãe.

— Por que não sou mais uma criança e quero ter minha privacidade? — respondeu com outra pergunta, simplesmente, tentando não soar malcriado.

A mulher entreabriu os lábios, tencionando argumentar, depois de receber aquela resposta grosseira do filho, porém, não encontrou exatamente o quê dizer e decidiu não se pronunciar. Era a primeira vez que ouvia o filho falar em privacidade. Era uma donzela que se casou pura aos quinze anos. Não tivera irmãos e por isso não entendia bem como a natureza de um jovem rapaz funcionava.

“Edward certamente saberá lidar com essa situação” ela se autoconsolou.

— Certo — concordou mesmo não satisfeita. — Eu trarei seu café.

— Não precisa se incomodar com isso — o rapaz apressou-se em dispensar a cordialidade da mãe, justificando-se em seguida: — Estou sem fome. Quero apenas descansar. Mais tarde a acompanharei no jantar.

Francine ainda não compreendia, mas anuiu com um breve meneio de cabeça. Depois se afastou a passos comedidos, até ouvir a porta do quarto de Crispian sendo trancada novamente.

Durante todo dia, mesmo ocupada com seus afazeres, Lady Francine não conseguiu parar de pensar em seu menino, que saiu do aposento horas mais tarde, depois que o sol havia se posto.

Os dois se sentaram na sala jantar, exatamente como ele havia prometido, entretanto, Francine se espantou novamente, desta vez com o apetite feroz e com os modos poucos cordiais de Crispian à mesa.

— Crispian?

— Hm?

— Está parecendo mais feroz que o Earthen — repreendeu-o ao vê-lo destrinchando o faisão assado ao centro da mesa com as próprias mãos. — Que modos são esses?

O rapaz não deu atenção a reprimenda da mãe e continuou mastigando a carne com a boca aberta e tomando grandes goles de vinho para ajudar o alimento a descer mais rápido.

— Pelo menos, parece mais disposto do que hoje de manhã — ela se resignou ao justificar para si mesma que os maus modos do filho a mesa era devido a fome.

— Sim. Dormi durante o dia inteiro, me sinto renovado.

— Não deveria ter dormido o dia todo, meu filho. Ficará sem sono durante a noite.

— Não me importo — ele rebateu, entornando outra caneca de bebida, deixando o líquido escorrer pelos cantos da boca e pela lateral do pescoço. Ao terminar de beber ele bateu o copo na mesa, arrotou e limpou a boca com o antebraço.

Francine balançou a cabeça em negação.

— Está pior que os plebeus, meu filho. Nem parece pertencer a uma família nobre.

— Eu sou um homem acima de tudo, minha mãe, e não uma donzela que precisa ter tantos modos — ele replicou e se levantou, apanhando a bandeja com os destroços do faisão. — Vou levar o restante dessa carne caso sinta fome durante a noite. Ah, o vinho também — complementou, apanhando a garrafa e colocando-a debaixo do braço. — Boa noite, mãe!  

A mulher nada respondeu, apenas continuou chocada, fitando as costas do filho até que ele desapareceu das suas vistas.

— Deus, o que foi isso?  

...

De volta ao seu quarto, Crispian sorriu admirado ao entrar e ver Earthen novamente em sua forma humana e em pé, totalmente nu, diante da janela aberta que trazia para dentro do cômodo uma brisa fresca.

Deixou a bandeja e o vinho sobre o gaveteiro e se aproximou do homem-lobo, notando, só naquele momento, o quanto ele era alto.

— Você tem a estatura de um cavaleiro — observou e logo mudou de assunto. — Veja. Trouxe o restante do faisão do jantar. Está delicioso. Deve estar faminto também.  

Earthen ficou onde estava e apenas olhou para a bandeja com um ar de repulsa, fazendo o sorriso na face do seu mestre se desfazer.

— O que foi?

— Carne morta.

— Você não gosta?

— Eu diria que... não satisfaz meu paladar.

— Mas antes...

­— Sim. O alimento humano não me faz mal algum. Mas isso de longe significa que ela me faça bem, que me sustente ou até mesmo sacie a minha fome.

— Então, conte-me o que agradaria seu paladar, Earthen. Diga-me e eu mandarei buscar imediatamente.

Earthen contemplou o semblante do seu jovem amo corando devido a exaltação. Sentia o cheiro do sangue dele correndo mais rápido nas veias, ouvia sua pulsação, o coração acelerando, era a excitação que tomava rápido o corpo dos mais jovens. Deslumbrou-se. Por mais que vivesse anos, décadas, eras a fio, jamais deixaria de se surpreender com a beleza da reação de um ser humano dominado pelo poder da paixão. Um poder capaz de transformar.  

Mantendo os olhos fixos nos de Crispian, Earthen apanhou o punho dele e fez uma pequena incisão na pele alva do jovem nobre. Bastou um toque singelo e a unha afiada fez um corte suficientemente profundo pra fazer o carmesim brilhante fluir do pulso do rapaz em grande quantidade. O homem-lobo elevou o punho dele até a altura da sua boca e lambeu o filete de sangue que escorria antes dele pingar no chão. Depois disso, cobriu o ferimento com sua boca.  

Crispian prendeu a respiração ao sentir o sangue de suas veias serem sugados rapidamente. A princípio não sentiu dor, não enquanto Earthen manteve somente a sucção, mas a partir do instante em que as presas dele se cravaram em sua carne a situação mudou bruscamente. O ardor que sentiu podia ser comparado como perfurações causadas por lâminas aquecidas em brasa. Ele apertou o antebraço e esforçou-se para evitar o grito, tanto que sua face foi coberta por um rubro intenso. Ajoelhou-se e, quando a dor se tornou praticamente insuportável, implorou para que Earthen parasse.  

— E- Earthen... Dói... Dói muito. P- Pare..., por favor...

Earthen ouviu o clamor de Crispian, mesmo que seus olhos desfocados demonstrassem que sua consciência fazia parte de outro plano, e aquilo que o guiava naquele instante eram somente o instinto e a fome quase insuportável de destrinchar a carne do seu jovem amo e se alimentar como há muito não fazia.

Mas ainda havia uma gota de consciência e essa fora o suficiente para fazer com que retroagisse suas presas e soltasse do punho do seu amo antes que drenasse dele parte da essência necessária para que continuasse vivo. 

— Perdoe-me, amo? — pediu, abraçando-se ao jovem ajoelhado no chão. — Eu não tive essa intenção. Não consegui me conter e o feri. Perdão? Perdoe-me, por favor?   

Crispian respirava com dificuldade, apertando o ferimento com a outra mão, as lágrimas vindo sem que desejasse. Mas assim que a dor se amenizou ao ponto de deixá-lo raciocinar, correspondeu ao abraço de Earthen.

— Não peça perdão. A culpa é minha por não compreendê-lo. Por fazê-lo ficar. Por escolhê-lo. Se meu sangue é o que te satisfaz, acho justo que o tome.

— Não — Earthen o contradisse. — Isso pode levá-lo a morte, meu amo. Não me dê essa permissão. Repreenda-me. Castigue-me. Nenhum ser humano sobrevive se perder boa parte da sua essência.

Crispian desvencilhou-se de Earthen e o observou. Percebeu que os olhos azuis estavam estranhos, mortiços, manchados de rubro.

— O quê é você então, Earthen?

— O quê acha que eu seja, amo? — teve a pergunta rebatida.

O rapaz ergueu os ombros.

— Já disse o que penso. Que foi enfeitiçado. Ou... de repente é o filho de uma loba que foi emprenhada por um humano. Ou... quem sabe... foi mordido por um animal que o transformou nisso?

O homem sorriu.

— Por que está rindo? Está zombando de mim?

— Ao contrário. Sua inocência me cativa, meu amo. Mas não é estranho que pense assim, afinal jamais esteve além dos limites dessa propriedade.

— Se eu estivesse ido além saberia o quê você é?

— Não exatamente, meu amo. Perdoe-me se fui rude.

— Apenas me explique.

— Eu só quis dizer que sua percepção é inocente devido as suas próprias suposições, milorde. Não desacredito que haja feiticeiros humanos, — apesar de nunca ter me deparado com um —, mas não creio que sejam poderosos suficientes para enfeitiçar um homem ao ponto de transformá-lo em um animal. Também não acredito que a cria de um humano com uma loba geraria, perdoe-me o narcisismo, algo com a minha beleza. O nascimento poderia até ser concebível, a natureza é um grande enigma, mas se tal criatura fosse gerada seria uma aberração; um monstro.

— Bravo. Eliminou todas as minhas suposições.

— Irá me amar menos se descobrir o que sou?

Crispian manteve o olhar endurecido sobre seu lobo, mas a única certeza que ainda reinava dentro de si, — mesmo tendo o pulso latejante da dor que sentira há pouco —, era que jamais poderia afirmar aquela resposta. Então, foi sincero.

— Eu o amo há oito anos, Earthen. Eu nunca quis lutar contra esse sentimento. Isso não mudou e nem irá mudar, seja qual for o seu segredo.

Crispian continuava encarando Earthen seriamente quando viu os lábios dele se moverem. Sabia que ele havia dito, entendeu o que aqueles movimentos lhe disseram, mas era como se não a tivesse ouvido. A voz de Earthen sumiu no momento em que ele proferiu a última palavra. Apesar de que tinha certeza de tê-la ouvido. Sentiu a respiração ficar tensa e o coração disparar. Ao observar o punho ferido, Crispian notou que os orifícios causados pelas presas e pela unha de Earthen estavam secos, como se tivessem sido cauterizados. A dor do ferimento retornou com força.  

— Está com medo.

Crispian ergueu os olhos para Earthen, sentia seu corpo tremendo.

— O que você disse?

— Que está com medo.

— Antes.

— Eu sou um...

— Não! — Crispian o interrompeu, fechando os olhos e os punhos sobre o colo. — Eu não acredito no que disse! Está mentindo!

— Olhe para mim — Earthen pediu, quase que em uma ordem, e Crispian o encarou. — Eu sou mesmo um...

— Não! — o rapaz não o permitiu concluir novamente. — Como posso acreditar no que está falando quando me encara com esses olhos gentis? Você salvou minha vida, Earthen! Brincou comigo quando eu era uma criança. Tomou meu corpo na noite anterior... Deu-me prazer. Como pode ser isso que me diz ser? Como pode me dizer agora que saiu das profundezas do inferno?!

— Eu não “saí das profundezas do inferno”, meu amo. Nenhum de nós pode ultrapassar para esse plano tão simplesmente como se houvesse uma porta aberta. Há regras.

Crispian juntou as sobrancelhas.

— Regras?

— Sim. A única forma de estar nesse mundo é nascer nesse mundo, como eu nasci.

— Não pode está falando a verdade. Do quê você nasceu?

— Do que mais seria se não de humanos?

— Acabou de me dizer que minha suposição de que a cria de um animal com um humano seria inconcebível nesse mundo, agora está me dizendo que seres humanos dão a luz a...

— Demônios? ­— Earthen completou a frase finalmente, sorrindo de lado. — Diga, meu amo. Não tenha medo de uma mera palavra.

— Mamãe nunca gostou que eu pronunciasse essa palavra, ela dizia que atrairia.

— Talvez ela tenha razão. Eu estou aqui não estou — ele sorriu de lado, irônico.

— Não deboche de algo tão sério! Diga-me a verdade, Earthen!

— Só estou lhe dizendo a verdade.

— Então, humanos podem dar a luz a... demônios? Como?  

— Na verdade, eu não sei ao certo “como”, milorde. Apenas sei o que a própria crendice popular narra.

— E o que narram?  

— Que demônios nascem a partir do Pecado Original.

— Como é isso?

— Como disse, não sei ao certo, meu amo. Eva seduziu Adão e ambos desfrutaram do sabor do fruto proibido, esse é o Pecado Original. É a única coisa que sei. Como humanos cometem o mesmo pecado? Não posso responder, porque nem humano eu sou.

— Existem outros iguais a você?

Earthen balançou a cabeça.  

— Ouvi rumores que sim. 

— Todos se transformam em lobos?

— Pode ser que existam “espécimes” diferentes, que podem se personificar em seres rastejantes, da água, do céu. É mais fácil ser aceito como um animal do que como um homem diferente.

— Mas você nasceu com a aparência humana?

— Pelo que me contaram, sim.

— Por que não consegue se manter humano então?

— Eu consigo, se eu tiver energia suficiente para tal.

— Essa energia vem da lua cheia?

— Não, amo. Vem da carne e do sangue que consumo.  

O jovem nobre arregalou os olhos, em seguida fitou seu ferimento no braço.

— Você não saía para acasalar. Saía para caçar humanos, não é? — Crispian perguntou, enquanto dedilhava seu ferimento.

— Sangue e carne humana são iguarias nobres, refeição de luxo para um monstro como eu. Mas eu posso muito bem sobreviver só com o sangue e a carne de animais. Também posso me saciar com a mesma quantidade que tomei de suas veias. Por isso, para mim, matar um humano sempre é a última opção.

— Por quê? Não é sua função nos levar para o inferno?

Earthen sorriu, mostrando os caninos pontiagudos.  

— Eu não sei qual é a minha função nesse mundo. Não sei onde está escrito essa regra de que devo enviar almas para o inferno. E, mesmo se tivesse certeza de que essa é a minha função, eu não faço ideia de como executá-la. Eu nasci de uma mãe. Tive um pai. Ambos eram humanos. Eles me amaram e morrerem. Eu também sinto que os amei. O mesmo ocorreu com outros mestres que me acolheram. Se eu sigo alguma função é a de amar aqueles que me amam da mesma forma.

— Essas joias que carrega são adornos do seu antigo amo?

— Sim.

— Ele sabia o que você era?

— Sempre soube.

— Você fazia com ele o que fez comigo?

— Sirvo meus amos da forma que eles desejarem.

— Então é por isso que sabia tão bem o que estava fazendo?

— Creio que sim.

Earthen notou a feição de Crispian enrijecer.

— Está chateado por saber que já amei outros homens ou por saber que sou um demônio que não o levará para o inferno?

— É estranho, não é? Ao invés de me preocupar com o que você é, sinto raiva. Raiva de saber que você nunca será só meu.

­— É um ciúme descabido, meu amo. Nesse momento, e até quando me desejar do seu lado, você será meu único amo.

— Por que me escolheu?

— Não fui eu quem o escolhi. A escolha foi sua, milorde. Não se lembra?

Crispian sorriu.

— É verdade. Eu o desejei para mim no momento que coloquei os olhos em você na floresta.

— Sim. Foi isso que aconteceu.  

— Jura então que, enquanto eu viver, você será só meu, Earthen?

— Em nome de quê um demônio deve jurar?

Crispian inspirou e espirou.

— Não faço ideia...  

O demônio tomou Crispian pela mão e o deixou de pé perto da cama. Acariciou sua face e enquanto o despia beijava cada parte que descobria de sua pele. Em seguida se ajoelhou diante do ventre do rapaz e o fez gozar somente com o sexo oral. Depois o virou, fez com que se debruçasse na cama, então o fez gozar mais uma vez enquanto lubrificava o orifício anal com a língua.

Mal Crispian havia se recuperado do segundo orgasmo quando foi tomado de quatro. Seu corpo se incendiou com as estocadas doloridas e profundas do amante. Não havia receio e nem preocupações que dominassem sua mente enquanto o sexo de Earthen o estivesse rompendo. Quando as contrações vieram, cobriu a boca para abafar os gemidos, mas Earthen a destampou, virando o seu rosto para o lado e cobrindo sua boca com um beijo.   

Exausto, Crispian descansava com a cabeça no peito de Earthen quando o questionou.

— Será que todos são tão sedutores iguais a você?

— Não entendi, meu amo.

— Achei que demônios fossem monstros horríveis, com a cabeça incrustada de chifres, com um rabo pontiagudo, olhos negros, caras escamosas, fedor de enxofre...

Earthen sorriu.  

— Desculpe-me decepcioná-lo, meu amo.

Crispian também sorriu, enquanto sentia o peito de Earthen subindo e descendo.

— Sabe, não me importo de ter a minha alma levada para o inferno, se eu puder tê-lo enquanto eu viver, Earthen.

— Está querendo selar um pacto comigo, jovem amo?

— Sim — ele sussurrou. — É o que eu desejo.

Continua...


Notas Finais


Obrigada pelas reviews!
Beijos!


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