História As Origens de Sebastian - Capítulo 4


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Categorias Histórias Originais
Tags Andreiakennen, As Origens De Sebastian, Drama, Fantasia, Original, Romance
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NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, Lemon, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 4 - Capítulo IV - A Noiva


As Origens de Sebastian

Capítulo IV

A noiva

A tempestade caía intensa, tornando o fim de tarde sombrio. Inúmeras carruagens adentraram o quintal da residência da família principal de Valdávia e estacionaram sob o grande toldo que precedia a entrada.

Lorde Edward saiu de uma das carruagens e foi recepcionado pelo abraço caloroso da esposa Francine, que havia avistado a diligência da torre mais alta da construção e viera ao encontro do marido.

— Finalmente está de volta! — ela exclamou, com verdadeiro tom de alívio na voz.

— Sim. Estou de volta, milady — o homem sorriu e a beijou nos lábios. — Estou de volta e trago boas novas. Mas, antes de qualquer coisa, vamos entrar — ele disse, enlaçando a cintura da mulher e a levando para dentro, sendo acompanhado pelos que desciam das carruagens. — Estamos famintos. Onde está meu filho?

— No quarto... — Francine respondeu com receio, pois estava ansiosa para falar em particular com o marido, justamente sobre o filho.  

Porém, Edward parecia efusivo, e sequer percebeu a apreensão da mulher e já foi gritando pelo o filho ao adentrar a residência.

— Crispian! Venha até aqui! Seu pai chegou e trouxe novidades para você.

— Novidade para o menino? — a mulher observou o marido.

— Sim, milady — ele soltou da cintura de Francine para ficar de frente com ela, segurá-la pelos ombros e olhá-la nos olhos. — Boas novidades. Aliás, estava nessa missão com a pretensão de fazer algumas negociações.

— Negociações?

— Sim. 

Francine se desesperou.

— Querido... Antes de qualquer anúncio sobre seus negócios dessa viagem, precisamos conversar sobre Crispian.

— Conversar sobre o menino? O que tem ele?

— Crispian está estranho desde que partiu em viagem, Edward — ela explicou com a voz sussurrada, apanhando o braço do marido e o distanciando do grupo que se aglomerava no hall de entrada da residência. — Crispian passou todos esses dias trancados no quarto, cavalgou pouco, treinou pouco, descia somente para comer e subia e se trancava novamente. — Ela deu continuidade ao notar que estavam distantes suficientes para não serem ouvidos pelos demais. — Quando eu perguntei o porquê de ele estar passando tanto tempo fechado em seus aposentos, ele apenas me respondeu que queria privacidade.

O homem arregalou os olhos para a esposa e em seguida sorriu, deixando-a confusa.

— Eu sei o que um rapaz da idade dele está fazendo trancado em um quarto, milady. Afinal, eu já tive a idade dele.

— E o quê é?

O homem riu mais abertamente.

— Depois eu lhe conto com mais calma. Mas garanto a você: não é nada de estranho e pode até ser solucionado com a novidade que trouxe.

— Pai? Está de volta? — o rapaz perguntou, ao apontar no alto da escadaria.

— Venha cá, meu filho. Trago novidades.

Crispian desceu as escadas rapidamente e foi ao encontro do genitor, recepcionando-o com um abraço forte e tapas nas costas.

— Fico feliz que tenha retornado bem — o filho disse.

O homem correspondeu ao cumprimento da mesma forma, depois observou-o de baixo para cima.

— Parece que ficou maior nesse tempo que estive fora?

— É impressão sua, meu pai.

— Estou feliz de vê-lo de novo! Cuidou bem da casa e da sua mãe?

— Hm. — ele assentiu, olhando a mãe de soslaio. — Não tem muito o quê se cuidar por aqui, pai. É sempre calmo e pacífico.

— É verdade. Por isso, nossa família está instalada nessas terras há tanto tempo. Valdávia é uma região tranquila. O lugar perfeito para se servir de reduto.

O rapaz concordou ao sorrir gentilmente para o pai. Mas Crispian notou a alteração nas feições do homem mais velho ao notar algo no alto das escadas. Logo soubera do que se tratava, pois o olhar de Edward acompanhou o andar do lobo que desceu as escadas tranquilamente e se postou ao seu lado.

— Earthen? ­— ele perguntou, franzindo as sobrancelhas. — Estamos em noite de lua cheia. O que houve?

— É uma das coisas estranhas que aconteceram enquanto esteve viajando, querido — Francine apressou-se em explicar. — Earthen não se ausenta mais, nem mesmo nos períodos de lua cheia.

— Estou vendo — disse o homem, fazendo um afago na cabeça do animal. — Talvez ele já esteja ficando velho pra ficar de farra pela floresta, não é mesmo, Crispian?

Crispian não gostou de ouvir que seu lobo estava se tornando impotente, o quê de fato não era verdade, mas jamais poderia afirmar tal fato para o pai sem ter que acrescentar uma explicação bastante constrangedora, então achou prudente omitir a verdade naquele momento.

— Eu concordo com você, meu pai. — O garoto sorriu para o homem mais velho, ficando feliz por ele não ter dado a importância exacerbada que a mãe achou que ele daria ao fato de Earthen não estar mais se ausentando. E, procurando tornar o assunto ainda mais banal, mostrou-se interessado em saber sobre a novidade que o pai lhe trazia. — Então, trouxe algo novo para mim? Quais são as novidades?

— Ah! Eu já estava me esquecendo. Trago ótimas novidades! — ele exclamou, virando-se e levando o filho consigo ao abraçá-lo pelos ombros. — Catherine? Está esperando o quê para se aproximar, minha criança? Venha. Já estamos a salvo da tempestade.

Vários serviçais, que pareciam escoltar a pessoa anunciada, abriram caminho para que ela se apresentasse. Tanto Francine quanto Crispian se surpreenderam ao ver aquela bela jovem, de pele alva e longos cabelos negros, se aproximar deles com receio. Ela vestia um vestido branco com detalhes e fitas em azul e caminhava delicadamente. Ao se aproximar o suficiente, a moça segurou o vestido com ambas as mãos, inclinou a cabeça e fez uma reverência.

— É uma honra, conhecê-los, lady Francine e lorde Crispian. — ela disse, voltando a ficar ereta.  

— Ela não é encantadora? — comentou o pai orgulhoso de sua escolha. — Francine, Crispian, essa é Catherine de Hoston, a terceira filha de Bardo e Carmélia. Ela veio para se tornar sua esposa, Crispian.

Não tão surpresa quanto Crispian, mas ainda surpresa, Francine tentou esboçar cordialidade ao abrir um sorriso imediato para a moça, recepcionando-a com um abraço caloroso.

— Seja bem vinda a nossa humilde casa, Catherine.  

Crispian, por sua vez, não demonstrou nenhuma reação. Continuou paralisado, analisando, o que para ele, era somente uma intrusa que estava prestes a destruir seu relacionamento de amor verdadeiro.

 Ambos os pais notaram a frieza do filho e Edward foi o primeiro a questioná-lo.

— Está sendo indelicado com a donzela, Crispian? Essa não foi a educação que lhe demos. — o pai o censurou, acrescentando uma ordem em seguida: — Cumprimente-a.

A postura antes rígida e petrificada de Crispian deu lugar a outra consternada. O jovem lorde arregalou os olhos e virou a cabeça de um lado a outro, como se buscasse no ambiente algo que pudesse ajudá-lo a argumentar. Mas não o encontrou e só tentou se justificar.

— Ah, desculpe-me, meu pai.  Só estou um pouco chocado.

Mas o nobre não gostou da resposta do filho.

— Chocado? — Edward o inquiriu, franzindo as sobrancelhas para o filho. — Mulheres ficam chocadas quando veem insetos peçonhentos, Crispian. Homens não. Cumprimente-a — reiterou sua ordem.

Notando que o pai havia realmente se irritado com sua atitude, Crispian apressou-se em apanhar a mão da donzela diante deles e depositar sobre o torso desta um beijo delicado, em forma de cumprimento.

— É uma honra, Milady. — acrescentou, fazendo questão de entoar com desprezo o vocativo.    

Crispian largou a mão da jovem depois de oferecer-lhe também um olhar de repulsa, o qual apenas a jovem notara, já que Edward se voltava para sua escolta e a da noiva do filho e os encaminhava para o salão de jantar.

— Vamos, cavaleiros! Serviremos um grande banquete essa noite!

Francine envolveu os ombros da nova filha.

— Venha, querida. Você também deve estar faminta. 

Enquanto a mãe de Crispian a guiava, Catherine entortou o pescoço para o lado e olhou por cima do ombro, dedicando um último olhar para Crispian que ficara para trás e principalmente para aquela enorme fera que não saía do seu lado. Também notou quando ele chamou o animal e ambos subiram as escadas.

— Aquele animal... — ela falou com sua voz gentil, suave e um tom tão discreto que Francine precisou pedir para que ela repetisse.

— O quê disse, querida?

— Aquele animal... — ela repetiu. — Compreende o seu filho?

Francine se retesou, mas logo em seguida desconversou.

— Como uma boa fera domesticada deve compreender. Mas não há motivos para ter medo de Earthen, minha cara. Crispian é filho único e por não ter tido a companhia de outros rapazes da idade dele, ele se apegou ao animal como seu único amigo. Mas claro que isso irá mudar com a sua chegada.

A menina não demonstrou nenhuma reação, apenas assentiu.

...

Assim que adentraram o quarto, Crispian trancou a porta. No instante seguinte o lobo já havia retomado a forma humana.

— Não demonstre esse nervosismo durante o jantar — foi a primeira advertência de Earthen.

— Como não, Earthen? — ele perguntou irritado. — Como não me revoltar quando meu próprio pai conspira contra mim?

— Ele não está conspirando, Crispian. Ele está pensando em seu bem. Todos os pais querem que seus filhos se casem.

— Ele sequer conversou comigo! Sequer disse que iria me arrumar uma esposa! Sequer me deu direito de escolha ou ao menos tempo para me preparar para isso! — o rapaz se voltou desolado para o homem-lobo, que mantinha sua feição serena. — Não está preocupado?

— Com o quê eu deveria?

— Você disse que me amava. Não se importa que eu me case? Que tenha alguém entre nós?

— Por que me importaria, milorde? Eu sequer sou um humano. Não compreendo sobre convenções humanas, apenas sei que é importante que as cumpra.

— Está dizendo que devo me deitar com uma estranha qualquer? Uma mulher que não conheço, que não amo? Como?

— Deitando-se. Muitos homens o fazem. Acredite, é mais fácil que a sociedade o aceite desta forma, do que se vê-lo sozinho e isolado com seu animal de estimação. Isso não seria visto com bons olhos. Você precisa se casar, milorde. Ter herdeiros, dar herdeiros aos seus pais. É assim que funciona o ciclo da humanidade, não é? — Earthen se aproximou de Crispian e tocou o rosto dele com seus dedos longos e de unhas cumpridas. Acariciou sua face e sorriu encantado com a expressão desolada do seu jovem amo. — Não deixarei de amá-lo por causa de sua mulher, milorde. Estarei sempre ao seu lado para te satisfazer, mesmo que a tenha.

— Jura?

— Novamente me pede um juramento? Seria algo interessante um demônio fazendo um juramento. Em nome de quem devo fazê-lo mesmo? De Deus?

Crispian abaixou o olhar e os ombros, entendendo que havia mais uma vez pedido ao seu lobo uma besteira. Mas Earthen apanhou seu queixo e mantendo o sorriso sedutor nos lábios, aproximou-se da boca dele, e passou a língua úmida sobre os lábios do rapaz, sussurrando em seguida àquilo que ele queria ouvir:  

— No entanto, se um juramento aliviará o peso dos seus ombros e me devolverá seu lindo sorriso, eu juro.

 Obtendo o efeito esperado, Earthen viu Crispian sorrir abertamente e ainda avançar sobre sua boca, agarrando-se ao seu corpo e beijando-o com ardor.

...

Havia um grande banquete disposto sobre a enorme mesa de madeira na sala de jantar. Todos os presentes bebiam e falavam ao mesmo tempo. Edward parecia o mais empolgado e enquanto bebia, idealizava como seria a festa de casamento do filho, dos convidados e da farta ceia que serviria. Francine, por sua vez, falava sobre o vestido com a Catherine. Crispian era o único em silêncio, comia e oferecia pedaços da carne do seu próprio prato para o lobo que estava ao lado dele, enquanto encarava a bela jovem que estava sentada a sua frente, ao lado da mãe. Catherine não dissera quase nada desde que chegara, mas ele não deixara de notar o receio estampado na face dela em relação ao lobo e aquilo de certa forma lhe agradara.

— A família de Catherine serve ao alto Conselho da Coroa há anos, meu filho — ouviu o pai irromper, apontando para ele. — A união de nossas famílias poderá render bons frutos. Talvez seu sogro consiga para você um cargo no Conselho também. Iremos fazer uma visita para eles na próxima semana.

— Eu vou viajar?

— Sim ­— afirmou Edward. — Você nunca saiu de Valdávia. Precisa conhecer os outros condados, a família da sua esposa e principalmente seu sogro. Irá se admirar do homem de influências que ele é. Está na hora de pensarmos em uma função que você possa desempenhar e eu tenho certeza que ele poderá nos ajudar nesse processo.

Crispian engoliu em seco, a revolta lhe corroendo as entranhas. Ouvir que aquela garota já era sua esposa inflamara ainda mais sua ira contra o pai, que tomara aquela decisão sem lhe consultar. O pai, que sequer lhe dava o prazer de se referir a ela como “futura esposa”. Agora entendia a pretensão dele: usá-los como meio para se aproximar do círculo da Coroa. Aquilo era decepcionante. Nunca imaginara que o pai fosse um homem ambicioso e estivesse em busca de status e poder.

— Mas, meu pai... — ele disse, chamando atenção de Edward. — Eu sei o que quero ser. Cavaleiro.

Os homens a mesa riram, até mesmo Edward. O que deixou Crispian ainda mais constrangido.

— Não tenho capacidade? — quis saber, sério.  

Edward diminuiu a risada e os presentes o acompanharam.

— Não é isso, meu filho. Tive irmãos cavaleiros. Tive cunhados cavaleiros. Primos! Ser cavaleiro é uma função nobre, nobre até demais. E por ser meu único filho que você não poderá ser um. Não quero arriscar a vida do meu único herdeiro. Sabe muito bem que sua mãe não pode mais me dar filhos.

— Não fale algo assim à mesa, Edward! — Francine esbravejou, a expressão exaltada ganhando sua tez clara.  

— Estou mentindo, querida?

A mulher se levantou.

— Estou satisfeita. Venha comigo, querida. — ela estendeu a mão para a jovem. — Vou lhe mostrar seus aposentos.

A garota afastou o prato, retirou o guardanapo do colo e o deixou sobre a mesa, após fazer uma breve reverência para os que ficaram na mesa, acompanhou sua senhoria.

Assim que as mulheres deixaram o recinto, Edward apanhou a garrafa de vinho e encheu a caneca do filho com o bom vinho que bebia.

— Me dê muitos netos, Crispian. Já que não pude ter muitos filhos, quero pelo menos ver essa casa cheia de netos. Por isso trouxe a garota. Quero que comece cedo, o mais cedo possível. — o homem ergueu a taça.

Crispian atendeu o gesto e também ergueu a sua taça, em seguida sorriu para o pai e lhe respondeu.

— Se é o que lhe deixará feliz, meu pai — ele concordou por fora, mas por dentro sua ira se encandecia. — É o que farei com prazer. Terá seus netos.

Satisfeito, o homem gargalhou alto e todos os demais o acompanharam.

— Um brinde a fertilidade de Crispian e da sua jovem esposa!

— Um brinde! — todos ergueram suas taças e brindaram.

...

Para acalentar sua frustração aquela noite, ao ficar a sós com Earthen em seu quarto, Crispian se despiu totalmente e após se por de quatro sobre o carpete de urso disposto no chão, pediu para que Earthen o tomasse estando na forma lobo. Exatamente como fizera da primeira vez. Ele queria sentir o peso das patas do animal sobre seus ombros, as garras dele lhe arranhando, os dentes mordiscando seu pescoço, o pelo rastelando sua pele e lhe proporcionando um calor sem igual e o membro desproporcional lhe rasgando ao lhe penetrar com estocadas firmes.

Queria ter sua sanidade roubada. Queria se desligar daquela realidade que o empurrava e o obrigava a construir uma família por pura aparência.

— Mais, mais, mais forte, Earthen! — pedia entre dentes cerrados, o suor já escorrendo pela lateral do seu rosto.

O lobo atendia ao pedido do seu amo, aumentando o ritmo das investidas que fazia o membro de Crispian latejar dolorosamente o pedido por alívio.

Quando o orgasmo intenso finalmente o atingiu, o jovem lorde parou de ouvir as risadas do pai e dos seus escudeiros em sua mente.

Levantou-se depois de algum tempo e caminhou até a janela a qual abriu para que o ar da noite entrasse e refrescasse o ardor do seu corpo.

— Poderíamos fugir. — ele sugeriu, admirando a imensidão da noite através da janela.

— O mundo lá fora é mais cruel do que aquilo quê você pensa sobre as atitudes do seu pai, meu amo. — Earthen, que havia retomado a forma humana explicou, envolvendo Crispian por trás e fazendo seu corpo nu encostar-se ao dele. Fazendo questão que seu membro roçasse entre as nádegas dele.

— Seu corpo está desperto novamente ­— observou Crispian.

— Sua pele alva, ainda mais iluminada pela claridade da lua, desperta em mim loucos desejos, meu jovem amo. — Earthen respondeu, sussurrando rente a orelha esquerda dele.

Crispian fechou os olhos, se deliciando com os arrepios causados pela voz serena de Earthen em seus ouvidos.

— As coisas seriam mais fáceis se eu tivesse nascido uma garota — ele comentou. — Você poderia se disfarçar de filho órfão de algum nobre e poderia me desposar.

Earthen ficou pensativo.

— Se vestiria de noiva para mim?

— Se eu fosse uma garota, seria obrigado. 

— Seria interessante vê-lo vestido assim, mesmo não sendo uma garota... — Earthen sugestionou e depositou um beijo na lateral do pescoço de Crispian e em seguida o levou para cama.

Naquela noite, Crispian teve um sonho. Ele sonhou com o seu casamento. Mas era ele quem entrava marchando no corredor central de uma enorme igreja. O santo padre o esperava no altar. O pai estava ao seu lado, guiando-o. Havia algo atrapalhando sua visão. Era como um véu branco. Seu coração batia descompassado e aumentava o descompassar a medida que se aproximava do altar. Ao chegar ao altar notou o homem de longos cabelos negros, vestido todo de preto e seu coração disparou ainda mais. Era impossível não reconhecê-lo. Earthen estava sorrindo. Mas sua mãe estava chorando. Catherine estava ao lado dela, com o mesmo vestido que ela chegara com a caravana do pai. Ela lhe fitava com seu semblante sério e ao mesmo tempo sereno.

“Ainda bem que coube em você” ela disse gentilmente e só então ele olhou para si mesmo e notou que estava usando um vestido.

Ele, Crispian, era a noiva.

Olhou para o lado e viu o pai com o semblante destruído. Edward soltou do braço do filho, ergueu seu véu e lhe deu um beijo na testa, dizendo em seguida:

“Eu jamais vou lhe perdoar por esta humilhação, meu filho. Pense bem no que está fazendo. Está se casando com um demônio. Um ser como esse só lhe trará infortúnio. Você será amaldiçoado!”

Crispian olhou para Earthen que lhe esperava no altar com a mão estendida em sua direção. Então voltou a encarar o pai. Sorriu e aproximou-se do rosto de Edward suficiente para lhe beijar na boca, fazendo o pai sobressaltar e esfregar o punho fechado na boca.

“Que merda esta fazendo, garoto? Eu sou seu pai!”

“É só pra lhe mostrar que estou certo da minha escolha, meu pai. Se não abri mão de Earthen quando era somente um moleque perdido no bosque, não é agora que irei.” E se afastou, apanhando a mão de Earthen e ajoelhando-se junto com ele diante do padre que iniciava o sermão.

No quarto, fora da cama, Earthen estava em pé, admirando Crispian em sono profundo na cama. Sorriu de lado, quando ouviu seu amo sussurrar, mesmo estando dormindo, um firme e sonoro “aceito”. Seus olhos azuis se tornaram rubros e brilharam em meio ao quarto escuro.

— Tão lindo, tão determinado e tão imprudente.

Continua...


Notas Finais


Então surgiu uma noiva na história! Ao mesmo tempo em que o próprio Crispian quer ser uma noiva! O__O

Será que esse casamento rola? E seria mesmo confiável casar com um demônio?

Deixem seus comentários! Não esqueça que são eles o combustível necessário pra que essa mente insana aqui continue tendo inspiração e atualizando seus trabalhos! ;)

Beijos! Até o próximo capítulo! o/


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