História As Origens de Sebastian - Capítulo 5


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Categorias Histórias Originais
Tags Andreiakennen, As Origens De Sebastian, Drama, Fantasia, Original, Romance
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NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, Lemon, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 5 - Capítulo V - O Casamento


As Origens de Sebastian

Capítulo V

O Casamento

O casamento aconteceu em uma tarde de verão clara e de temperatura amena em Valdávia. A cerimônia ocorreu no jardim da residência dos pais de Crispian. Catherine vestiu um moderno vestido de noiva, um tubo longo na cor champanhe, bordado em pedras e que se ajustou bem as curvas discretas do seu corpo esbelto. O cabelo fora decorado com flores naturais e preso em uma trança embutida. O véu cobriu seu rosto até o fim dos votos matrimoniais e depois disso ela o retirou.

Todos os convidados comentaram a beleza incomum da noiva, que não era como as donzelas do reino: nem loira, nem de olhos claros e nem de sorriso deslumbrante. Catherine era uma moça de longos, lisos e pesados cabelos negros, olhos da mesma cor que os cabelos, pele muito branca, além de ter uma personalidade quieta e observadora.

Durante a festa, os pais da jovem, Bardo e Carmélia, riram e brindaram juntos com os anfitriões Edward e Francine ao enlace dos filhos. Em meio aos convidados exibiram contentamento e satisfação, bem mais que os recém-casados. Não que os noivos parecessem insatisfeitos, mas era visível que não esbanjavam alegria.

Crispian, apesar de estar elegantemente vestido com um Frock Coat[1] preto com abotoaduras e bordados em dourados, no rosto exibia uma expressão cansada e um sorriso o qual forçava toda às vezes que sentia o beliscão da mãe em seu braço esquerdo e o cochicho dela em sua orelha pedindo para ser mais cordial com os convidados. Ele assentia e voltava a acenar e sorrir desejando em seu íntimo que aquele dia de pura encenação se acabasse de uma vez.

Comeram, dançaram, beberam e falaram sobre negócios. A festa se estendeu noite adentro. Bardo, o sogro de Crispian, se comprometeu a arrumar para o genro o melhor cargo em seu gabinete de trabalho no reino, após o período de lua de mel. Edward, mais contente que o próprio filho com a informação, informou a Bardo que certamente Crispian assumiria suas obrigações no trabalho após deixar Catherine esperando o primeiro herdeiro.  

Bardo não pareceu tão entusiasmado quanto Edward sobre ter mais herdeiros. Afinal, o homem já era um senhor de cinquenta e três anos, tinha nove filhos e Catherine era quinta que se casava. O que não lhe faltavam eram netos. Mas como ele era do tipo animado, apenas alargou o sorriso e se ergueu, proclamando um brinde em alto e bom som:

“Que assim seja! Aos noivos e a mais um herdeiro!”.  

Quando os convidados da festa começaram a se retirar já era alta madrugada. Os pais de Crispian foram os últimos a se recolherem. Edward, que estava totalmente embriagado, ainda reiterou ao filho com tapinhas nas costas a urgência em que queria seu primeiro neto, o qual ele podia providenciar ainda àquela madrugada. Crispian voltou a pedir ao pai que não se preocupasse e seguiu para o novo aposento, um cômodo maior que seu antigo e que tinha sido reformado para que ele dividisse com sua agora esposa.

Naquele fim de madrugada, ao adentrar exausto em seu quarto, Crispian notou que Catherine o aguardava. Ele mesmo havia pedido para que ela se retirasse primeiro.

— Estou esgotado — ele anunciou evitando prestar atenção na bela roupa de renda que a moça vestia, passando a desabotoar seu próprio traje. — Não pense que agirei conforme as ordens do meu pai aqui dentro.

Catherine nada respondeu e Crispian parou de desabotoar a roupa para observá-la. Não entendia muito bem o que se passava na mente daquela garota que agora era sua esposa. Naqueles dois meses que antecederam o casamento trocaram nada mais que meros cumprimentos. Agora estavam casados, mas podia afirmar veemente que ainda eram perfeitos desconhecidos um para o outro.

— Poderia pelo menos me responder?

— O que deseja que eu responda, milorde?

A resposta mecânica, como se ela não passasse de uma empregada aos seus serviços, irritou Crispian. Mas ele imaginava que aquela fora a educação que Catherine havia recebido dos pais. De alguma forma ela devia acreditar que ser esposa era ser um tipo de serviçal do marido e que ela não tinha o direito de esboçar sua opinião. Deduzindo que não conseguiria mudá-la tão simplesmente, Crispian achou que, por hora, seria melhor reverter aquela “servidão” a seu favor.

— Façamos o seguinte, milady. Descansemos por hoje. Quando o sol nascer será um novo dia e então decidiremos o que fazer. — Ao notar que a moça não pretendia esboçar nenhuma opinião, Crispian acrescentou a demanda: — Quando eu lhe der uma ordem, responda-me: “como quiser, milorde”.

— Como quiser, milorde — ela o respondeu prontamente, o que fez o rapaz sorrir de canto e voltar a se despir.

— Certo, então, deite-se e durma.

— Como quiser, milorde. 

Ao terminar de tirar a roupa, Crispian entrou no banho anexo ao quarto e demorou um bom período imerso na banheira, quando retornou ao quarto Catherine estava na cama e parecia em sono profundo. Mas seu olhar não se demorou sobre a mulher e ganhou uma nova direção: o vestido que ela havia deixado sobre a cômoda. A visão da roupa ascendeu no jovem lorde uma ideia perigosa.

Tocou o tecido com as pontas dos dedos e gostou daquela sensação delicada da textura. Apanhou o traje com cuidado e o elevou até as narinas, espirando o perfume da mulher que estivera vestida com ele o dia todo. Não que de repente ele estivesse mudando de ideia e desejasse possuir a esposa, era ao contrário, o vestido de Catherine remetera Crispian ao desejo que Earthen lhe segredara no dia da chegada da jovem:

“Seria interessante vê-lo vestido assim, mesmo não sendo uma garota...”

 Ao pensar em realizar aquele desejo do seu lobo, Crispian se sentiu estimulado e aquele formigamento bom que crescia na virilha o fez amassar o vestido junto ao peito e sair do quarto as pressas. O destino em sua mente era certo: seu antigo aposento, que agora era somente o quarto do seu companheiro.

Assim que passou pela porta, a qual fechou às suas costas, notou o olhar do animal recair sobre si. Havia dois dias que Earthen estava preso sozinho naquele quarto a pedido da sua mãe, que não queria ele vagando pela propriedade e intimidando seus empregados e os convidados durante os preparativos e durante a cerimônia.

Antes que o lobo se movesse da cama aonde estava deitado, Crispian deixou o roupão de banho deslizar pelos seus ombros e cair no chão. Depois de se expor totalmente nu, desenrolou o vestido que trazia amassado ao peito e o vestiu pelos pés, subindo a roupa em seu corpo com certa dificuldade. A sorte do rapaz é que aquele tipo de tecido era como de suas roupas íntimas e se esticava. Assim continuou forçando-o a ajustar sobre seu corpo, que não era cheio de curvas como de Catherine, mas não perdia em magreza para o dela. Como as mangas cumpridas da roupa não entraram em seus braços, Crispian deixou-as de lado e correu para frente do espelho que ocupava uma parte da parede de frente da cama.

— E então? Como estou? — ele quis saber, enquanto tentava se acostumar com aquela visão estranha refletida no espelho.

Earthen desceu da cama calmamente, tomou a forma de humano e se aproximou por detrás do rapaz, encarando as costas brancas dele expostas pelo vão aberto em forma de “V” que o vestido deixara, já que o mesmo não havia sido fechado. Sentiu um pulsar peculiar em suas presas e logo o reconheceu: era o desejo gritante de cravar os dentes na pele alva daquele humano ingênuo e luxurioso que parecia cometer qualquer loucura somente para tê-lo por perto e poder satisfazer suas mais imprudentes fantasias.

O homem-lobo apertou a cintura de Crispian com ambas às mãos e encaixou seu ventre na parte traseira dele, friccionando-se a ela devagar enquanto subia as mãos pelo peito dele.

Crispian viu pelo reflexo do espelho os olhos intensos de Earthen em seu pescoço, também notou o volume do seu ventre despontando no tecido ajustado do vestido conforme sentia as investidas dele contra suas nádegas.

— Quer meu sangue? — perguntou em um sussurro, sentindo o corpo todo sobre aquecer de excitação.  

— Você sabe a resposta, meu amo.

— Mas quero ouvi-lo.

— Sim — Earthen concordou. — Desejo tanto que sinto minhas presas latejarem.

Crispian ofegou. Sobrepôs suas mãos nos braços que o enlaçavam e forçou seu corpo para trás, tentando experimentar mais daquela sensação boa que era sentir o membro do animal resfolegando entre suas nádegas. Sentia-se totalmente despudorado aquela noite, talvez fosse pelo efeito do álcool, talvez fosse pela ousadia de estar usando o vestido de noiva da sua recém-esposa ao invés de está-la satisfazendo.

— Mas hoje é sua lua...

— Não diga! — Crispian interrompeu a fala de Earthen. — Não ouse a dizer. Não nesse momento. — ele ressalvou, expondo o pescoço ao virá-lo para o lado. — Se você me deseja, eu quero que me tome enquanto estiver se movimentando dentro de mim.

Os olhos do demônio brilharam em um tom rubro e logo se mortificaram. A excitação que estava concentrada somente em suas presas se espalhou por todo seu corpo e fez seu sexo latejar. Earthen sabia que o prazer de beber sangue humano era descomunal para um ser como ele, por isso não era capaz de medir quão intensa seria a sensação de fazer sexo e bebê-lo ao mesmo tempo.

— Ficou em silêncio? Devo deduzir que...?

— Será um prazer sem igual para mim, porém... Não será tanto para você, meu amo. Sentirá dores tão distintas que poderá não suportá-las e desfalecer.

— Não me importo. 

— Meu amo...

— Estou mandando, Earthen. Estou ciente. Arcarei com as consequências.

Earthen dedicou um momento para analisar aquela situação. Sem nenhum receio Crispian expunha seu pescoço, seu sangue, sua virtude, honra como marido e, certamente, até sua vida, para saciar os seus desejos. Imaginou o quanto os seres humanos eram imprudentes quando se deixavam guiar pela luxuria e a impulsividade da cobiça. Sorriu de lado.

— Apoie-se no espelho — ele ordenou.

Crispian assentiu e fez o que lhe fora comandado. Foi só então que se deu conta, ao fitar o seu rosto vermelho no espelho, que veria pela primeira vez suas próprias expressões enquanto estivesse sendo tomado. Aquilo o fez sentir um dolorido comprimir no estômago. Era ansiedade.

— O que está esperando? — perguntou em tom de reclamação.

— Essa roupa... como eu...

— Apenas use suas unhas afiadas e a rasgue.

— Mas...

— Darei um fim nela pela manhã.

O lobo voltou a analisar o quadril do jovem ajustado naquela roupa. Balançou a cabeça em negação esboçando seu descontentamento em ter que fazer aquilo, mas se era a única maneira de ter o que queria, faria sem pestanejar. Correu as unhas dos dedos indicador e médio sobre o tecido fino que foi se abrindo entre as nádegas de Crispian. O som do tecido sendo rasgado preencheu o quarto e aumentou ansiedade do rapaz loiro que esfregava as pernas umas nas outras e se contraía.

— Está tão excitado...

— Eu sei. Estou pingando... Está prestes a vir...

— Sem antes eu começar?

— Por isso estou pedindo para que se apresse.

O rasgo na roupa abriu as nádegas o suficiente para que Earthen pudesse se introduzir, mas primeiro ele lambeu os dedos e passou a lubrificar a passagem. Somente com aquilo já pode se deliciar com gemidos altos e despudorados de Crispian. A sorte é que àquelas paredes eram pesadas e não permitiam a saída dos sons, além disso cada aposento daquela imensa casa ficava a uma boa distância um do outro.

O rapaz loiro fechou os punhos, seu coração batia com força e a boca salivava. Olhou no espelho e reparou na mancha úmida que se formava no tecido na parte que cobria seu ventre, sentia seu membro melado se resfolegando naquela roupa tão apertada e teve que inspirar profundamente para evitar não chegar ao ápice antes da melhor parte. Empinou mais seu quadril e implorou ao lobo.

— Pare, Earthen. Eu não preciso de preparo. Eu já estou no meu limite. Apenas faça.

Foi a vez do demônio assentir ao ouvir aquele pedido quase desesperado do seu amo. Então direcionou seu órgão entre as nádegas ainda apertadas pelo vestido de noiva. Sabia que daquele jeito seria ainda mais doloroso, mas era Crispian quem pedia. Pensando em proporcionar a ele um pouco mais dor, investiu contra a corpo magro de uma única vez, sentindo seu sexo atravessar o canal anal rasgando e se alojar no limite.

Antes que o grito escapasse pela boca de Crispian, Earthen cobriu a boca dele com a sua mão, enquanto voltava a investir com firmeza.

— Se é ser torturado que deseja ser essa noite, farei com todo meu prazer, meu jovem amo.

Crispian estava tão excitado que a dor apesar de profunda não diminuiu em nada sua excitação. Earthen investiu daquela forma bruta várias vezes, aumentando sempre a velocidade. Quando o demônio sentiu que Crispian não iria mais suportar, ele impôs mais força na última estocada e seu membro se alojou no mais profundo do interior dele.

Assim que Crispian percebeu que as contrações ameaçaram tomá-lo, ele sentiu os braços do seu amante envolver seu peito e trazê-lo para trás, para mais perto dele, permitindo-o assim que Earthen alcançasse seu pescoço e cravasse suas presas ferinas ali.

Antes de tudo se apagar, Crispian vislumbrou com certo asco aquela imagem despudorada no espelho. Sua boca aberta, onde os dedos de Earthen se alojaram, a língua para fora, o rosto totalmente corado, a saliva escorrendo pelo canto da boca, o filete de sangue tingindo um caminho rubro pelo seu pescoço claro, tingindo também seu mamilo despontado e descoberto, chegando até mesmo a tingir o vestido.

Cada fibra do seu corpo tremia. Cada músculo convulsionava. A dor latente daquela mordida, que queimavam suas veias ao transportar o sangue sugado, adensara ainda mais o seu orgasmo. Febre. Calor. Torpor. Tudo que sentia se miscigenava em uma única sensação. Era como o efeito de uma droga potente que o fazia gozar e gozar novamente. Até seu corpo perder totalmente as forças e desfalecer.

Com um único braço Earthen segurou o corpo desmaiado de Crispian, enquanto tentava manter a estabilidade do seu próprio.

Com calma se acomodou no carpete e tentou regularizar a respiração e o calor que o consumia. Sentia suor brotando dos seus poros. Era a reação por tomar o sangue humano. Olhou-se no espelho e admirou os cantos da sua boca sujos de sangue, da mesma forma que viu os dentes sujos ao sorrir. Passou as costas das mãos para limpar o excesso de sujeira e olhou para o rapaz em seu colo.

  — Acho que exagerei — observou ele, passando a mão no rosto pálido de Crispian, depois nos cabelos umedecidos de suor e enfim tocando seu pescoço, acima do ferimento que já cicatrizava, friccionando a artéria para sentir o pulsar fraco do coração dele. — Mas ainda vive — constatou com alívio.

Earthen olhou pela janela e percebeu que a madrugada se esvaía dando lugar ao alvorecer. Pensou que precisava agir rápido antes que sol nascesse. Ao se sentir recuperado, despiu Crispian do vestido de noiva, usou uma toalha para limpá-lo e o vestiu novamente com o roupão. Analisou mais uma vez a cicatriz no pescoço dele e ao perceber a crosta preta formada sobre a ferida, retirou-a com a unha. Agora a pele já estava totalmente recuperada, somente com uma marca de ferimento que parecia ter sido feito há muito tempo, a qual ele sabia que desaparecia sem deixar vestígios antes que ele despertasse.

 Apanhou-o no colo e sem preocupação alguma deixou o quarto nu, carregando Crispian em seu colo. Sabia que todos estavam dormindo exaustos das festividades da noite passada e não seria flagrado. Empurrou com cuidado a porta pesada do quarto de casal e após adentrar o cômodo a fechou empurrando-a com o pé. O ambiente estava escuro devido as grossas cortinas estarem cerradas, mas havia claridade suficiente entrando por algumas frestas nas paredes que o fez localizar a cama e deixar o corpo desmaiado do jovem sobre ela.

Acariciou com suavidade o rosto adormecido e se lembrou que nem o havia beijado, procurando se reparar daquela gafe ao se despedir, se aproximou devagar, fechou os olhos e tocou os lábios de Crispian com os seus.

— Obrigado, meu amo — sussurrou, abrindo os olhos.

Foi só então que Earthen sentiu aquela sensação estranha: estava sendo observado. Seus olhos se moveram rápido para os cantos e em seguida virou o pescoço para se deparar com os orbes negros e cintilantes de Catherine. A moça estava bem desperta e o encarava com sua usual expressão séria. Todavia, ela não parecia assustada com sua presença. Talvez, o único sinal de apreensão que podia notar estavam em suas mãos pequenas que apertavam firmes o fino lençol com o qual ela encobria o busto, apesar de estar evidente que a moça não estava despida e sim com algum traje de dormir.

— Perdoe-me se a acordei.

Ela meneou a cabeça em um ‘não’ e Earthen compreendeu que ela se esforçava para manter os olhos fixos em seu rosto, certamente para evitar vislumbrar sua nudez.

— Ainda não havia pegado no sono — ela explicou.

— Compreendo. Deve ser complicado dormir enquanto seu homem está fora da cama, não é?

— Não sei. Sempre dormi sozinha.

— Então devo deduzir que estava curiosa em saber onde ele tinha ido?

Ela ficou calada por um tempo, então respondeu.

— Não. Eu já imaginava que ele estaria no outro quarto.

Earthen sorriu e, ainda curioso, fez um novo questionamento.

— Então, talvez estivesse curiosa em saber o quê ele estava fazendo no outro quarto?

A moça engoliu em seco, fazendo o lobo imaginar que a sua resposta era finalmente afirmativa.

— Eu sei que ele não me ama e me considera uma estranha — ela comentou de repente. — Eu imaginei também que ele não queria se deitar comigo e havia ido dormir sozinho. Só fiquei com receio que os pais dele descobrissem e então tivéssemos problemas no nosso primeiro dia de casados. Por isso não consegui dormir. É também por esse motivo que devo agradecê-lo por tê-lo trazido de volta. Obrigada.

Os olhos azuis claros de Earthen se arregalaram e ele logo franziu as sobrancelhas, tentando se concentrar na análise da personalidade daquela jovem. A única coisa que havia conseguido observar dela até então foram seus modos recatados, sua personalidade séria, sua discrição e sua beleza incomum. Mas ao perceber que havia muito mais que aquilo, sentiu algo que achou que nunca sentiria por uma mulher humana: simpatia.

— Você é esperta — Earthen disse, se erguendo e notando a moça virar o rosto para evitar de qualquer forma vê-lo nu. Achou a jovem interessante. — Não me agradeça enquanto sou o responsável por estragar sua noite de núpcias, milady. Faz com que eu me sinta... um monstro.

— Sinto muito.

Ele voltou a sorrir.

— Preciso me retirar. Deixarei Crispian aos seus cuidados.

— Obrigada, milorde.

— Não. Não me chame assim. Não ostento nenhum status, muito menos sou um lorde. Sou um mero servo.

— Devo chamá-lo por seu nome então?

— Sabes como me chamo? — O demônio perguntou, arqueando uma das sobrancelhas.

— Não há como não saber, senhor Earthen. Meu marido o ama tanto que toda sua atenção é direcionada ao senhor desde que aqui cheguei.

A simples simpatia que o demônio estava sentindo por aquela mulher de repente se transformou em algo mais intenso, que Earthen só pode nomear momentaneamente como deslumbro. Ele sorriu abertamente, mostrando suas presas, e sem receio algum, retomou sua forma lobo.

A mulher voltou a encará-lo e o seguiu com os olhos atentos até que ele desse a volta na cama e ficasse diante dela.

— Está melhor assim — ela observou.

O lobo pôs a cabeça sobre a cama e Catherine entendeu o gesto como um pedido de carinho. Menos receosa, ela soltou o lençol que encobria os seios pequenos — que ficaram bem modelados na camisola transparente e de rendas brancas que vestia, — e tocou com cuidado a cabeça peluda do animal que fechou os olhos preguiçosamente ao sentir o afago. E, pela primeira vez que ela chegara naquela residência, Catherine sentiu vontade de sorrir. E foi o que fez. Sorriu.

Continua...

[1] Frock Coat: é um tipo de casaco, muito usado na era medieval.


Notas Finais


Se eu conseguir seguir minha cronologia, a fic chegou ao meio. Pretendo terminá-la em dez capítulos. :D

Nesse capítulo Crispian não pode evitar o desejo dos pais e se casou com Catherine mesmo estando loucamente (?!) apaixonado (?!) por Earthen. Earthen pareceu não se importar que seu amo se casasse e até o incentivou a casar. De quebra ele conseguiu realizar o seu fetiche em possuir Crispian vestido de noiva e ainda tomar seu sangue! Mas a grande novidade do capítulo foi Catherine. Ela não só sabia sobre Earthen, como pareceu não se importar que seu querido marido tenha ido passar a madrugada de núpcias nos braços de um lobo que vira humano.

E aí? O que vocês acharam?! Deixem suas opiniões! Comentem! Não esqueçam que é de comentários que essa ficwriter se alimenta.

See you next!


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