História As Origens de Sebastian - Capítulo 6


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Categorias Histórias Originais
Tags Andreiakennen, As Origens De Sebastian, Drama, Fantasia, Original, Romance
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Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, Lemon, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 6 - Capítulo VI - Conceber


As Origens de Sebastian

Capítulo VI

Conceber

Os dedos delicados e de unhas pequenas acariciavam a face peluda do animal que se tornara seu companheiro naquela estação rigorosa de inverno. Pelo que ouvira dos residentes daquela casa, há anos não fazia um frio tão intenso naquela região. Nem mesmo em sua Terra natal, aonde a neve costumava cair na estação de inverno, Catherine presenciara um frio tão rigoroso. Mas de acordo com sua senhora, mãe do seu marido, nunca nevara daquela forma em Valdávia. A tempestade de neve caía há mais de uma semana e o manto branco se alastrava por toda a terra, cobrindo jardins, plantações, as copas das árvores, as pequenas e grandes construções.

Catherine não se incomodava com o frio, não enquanto estivesse na companhia calorosa de Earth, como ela batizara simpaticamente o lobo de estimação do marido, que se tornara seu fiel companheiro na ausência do seu jovem amo. Crispian havia viajado com o pai, Edward, para assumir o “posto” que o pai dela prometera a ele no gabinete da coroa.

Sua senhora, Francine, passava o tempo todo reclamando sobre a ausência do marido e do filho, dizendo que o frio a castigava mais na ausência deles. Catherine não se importava com as reclamações dela, nem com a ausência dos dois homens, menos ainda em ficar sozinha e tampouco com o silêncio daquela imensa residência.

Vivera em uma casa tão grande quanto aquela, mas completamente oposta na quantidade de moradores. Todos seus irmãos com suas esposas, as irmãs com seus maridos, os irmãos que ainda eram solteiros, sobrinhos, tios, viajantes e empregados, abarrotavam os quartos, as salas, as áreas de convivência com suas presenças sempre barulhentas. O barulho era algo constante em sua antiga casa: brigas, choros, gritaria, crianças brincando, brigando, correndo, vivendo. Era impossível um momento de paz. Seu pai costumava traduzir aquele caos como “um lar feliz”, ela traduzia como “balburdia infernal”.

Além disso, havia um diferencial que tornava sua existência uma mancha negra em meio a “grande família feliz”. Seus pais jamais falaram com ela diretamente sobre o assunto, mas seus irmãos nunca se importaram de jogar-lhe aquela informação na cara em forma de ofensa: “bastarda”.

Era uma filha “bastarda” por não ter sido gerada no ventre de Carmélia.  Era filha somente de Bardo, de uma aventura amorosa que o pai tivera com uma camponesa que fora criada da família por algum tempo, e a qual diziam ter sido assassinada por encomenda, mesmo que, a versão contada pelos dono da casa, era que a criada apenas desaparecera na floresta colhendo lenha e que certamente havia sido assassinada por um urso ou caído em algum precipício.

Carmélia até teve a intensão de assumir Catherine como sua criança legítima, como se ela tivesse dado a luz a filha da empregada desaparecida, entretanto o destino conspirou contra sua vontade e fez a criança herdar os traços físicos marcantes da ex-empregada. Os cabelos e os olhos de Catherine eram negros como a noite, a pele alva como a neve, enquanto Carmélia e a maioria dos seus entes exibiam fios acobreados, ou loiros como de Bardo, sardas no rosto e olhos intensamente azuis.

Por isso, mesmo que Carmélia quisesse camuflar a verdade sobre a origem de Catherine, os traços da menina não a permitiu sustentar aquela farsa por muito tempo. Depois de algum tempo, quando a presença dela se tornara visível aos olhos dos visitantes, a mãe da família teve que assumir que havia adotado a filha da criada desaparecida como se fosse sua, um ato que por si só a enobreceu aos olhos do restante da família e dos amigos da corte.

A revelação podia até ter enobrecido sua falsa-mãe, no entanto, tornou Catherine um estorvo, um incomodo, a estranha indesejada dentro da casa. Os irmãos não se importavam em jogar aquela verdade na cara dela sempre que estavam irritados, alguns até passaram a tratá-la como se fosse mais uma empregada, ordenando-lhe afazeres. Aliás, a ala dos empregados era aonde Catherine sempre se refugiara e se sentia mais a vontade. A menina aprendera a gostar muito de Elva, a corpulenta governanta e a verdadeira responsável por criar os filhos de Carmélia. Gostava de ver a mulher cantando enquanto sovava a massa de pão ou carregava imensas trouxas de roupas na cabeça direto para área das lavadeiras, gostava também de vê-la cortando e descascando com agilidade os legumes, ou quando preparava imensas formas de biscoitos.

Mesmo querendo ajudá-la, Elva nunca permitiu que Catherine a ajudasse. A mulher dizia que aquela era função dela e não dos que nasceram com sangue nobre.

“A única coisa que deve aprender é como comandar seus futuros empregados, Cath” dizia Elva com um grande e gentil sorriso em seu rosto vermelho e bochechudo.

Desta forma, Catherine se resignara apenas em assisti-la. Era a única pessoa de quem realmente sentia falta naquela casa.

Suas irmãs, durante muito tempo, tentaram convencer Carmélia a deixá-la trabalhar na área dos empregados com Elva, alegando que Catherine jamais seria desposada e nunca teria filhos, pois nenhum nobre que se presasse aceitaria uma mulher bastarda. Por isso, elas achavam melhor que a irmã aprendesse os afazeres domésticos, para ao menos assumir o lugar de Elva quando ela se fosse e assim se livrasse de ter um destino solitário.

No entanto, Carmélia e todas as suas filhas foram pegas de surpresa quando Edward de Valdávia aceitou Catherine para ser a esposa do seu filho Crispian. Apesar de que as irmãs insistiam em alegar que ele só havia feito a proposta em troca do cargo que Bardo oferecera na corte para o filho.

Antes de seguir em caravana com Edward para Valdávia, tanto a mãe de criação, quanto suas irmãs, tentaram instruir Catherine em como ser uma boa esposa, já que até então elas acreditavam que a adolescente não seria esposa de ninguém e por esse motivo não tiveram àquela preocupação. Ainda tinham receio que o jovem lorde, filho de Edward, não aceitasse a noiva bastarda escolhida pelo pai e a mandasse de volta caso não a achasse interessante, nem prestativa o suficiente.

“Sempre abaixe a cabeça para o seu homem. Nunca levante a voz para ele. Fale somente se ordenada. Cumpra com todas as tarefas que sua senhora, a mãe do seu marido, ordenar. Durante as noites, quando ele for se satisfazer em você, nunca reaja, e controle sua voz, suas emoções. Nada é pior para um homem nobre do que ter uma mulher vulgar na cama.”

Catherine achara as instruções estranhas, pois tudo que elas lhe disseram pareciam oposto do que elas eram. As irmãs eram quem comandavam os maridos, gritavam com suas empregadas, com os filhos, e durante as madrugadas havia um festival de qual delas gemia mais alto e dizia mais obscenidades enquanto estavam na cama com seus maridos.

Ela suspirou profundamente, sentindo-se de certa forma preenchida por aquela sensação plena de satisfação. Se Catherine soubesse que casar seria a libertação do tormento em que vivera até aquele momento, ela mesmo teria pedido ao pai que arrumasse um marido muito antes. Nunca que em seu antigo lar ela estaria na cama, com roupas de dormir, no meio da tarde, enquanto a tempestade de neve caía sem cessar do lado de fora.

Se resfolegou entre os lençóis e colchas que a encobriam, friccionando as pernas uma na outra. Abriu os olhos devagar e preguiçosamente soltou um novo bocejo. Mas, de repente, sentiu seu coração disparar ao se deparar com a face agora humana de Earthen diante de si.

— Não me assuste desse jeito, Earth!

Sem se preocupar com a advertência, o homem ergueu os lençóis e se acomodou embaixo deles, aproximando-se do corpo feminino, tentando juntá-lo ao seu ao abraçar Catherine pela cintura.

— Perdoe-me, milady.

— N- não faça, v- você está sem roupa! — ela continuou protestando ao senti-lo se acomodar junto a ela.

As bochechas de Catherine se ascenderam em fogo vivo ao sentir o órgão sexual do homem-animal resfolegando entre suas pernas e a mãos firmes dele descer apalpando suas nádegas.   

— O que está fazendo, Earth?

— Seu corpo está em brasa, milady. Posso sentir sua excitação, meu olfato é aguçado. É uma mulher jovem, com um corpo virgem e tremendo em anseio para conhecer os deleites da carne.

— Eu pertenço ao Crispian, Earth.

— É o que sua boca diz, não o seu corpo, muito menos seu coração. — Earthen alegou e girou seus corpos, ficando por cima de Catherine, encurralando-a abaixo dele, prendendo as mãos dela junto ao colchão e fazendo com que as colchas e os lençóis fossem ao chão. 

Earthen a encarou por um momento, com a mesma fome que sentira quando teve Crispian pela a primeira vez. O peito da jovem esposa de seu amo subia e descia com a respiração desregulada e seu rosto de porcelana estava tingindo de um rubor que a deixava ainda mais encantadora na visão do homem-lobo. Obviamente ele não iria forçá-la a nada, mas o aroma e o calor que o corpo dela exalavam estavam mexendo com seus sentidos de uma forma que estava difícil para ele controlar.

— Eu quero devorá-la, milady...

Catherine viu as presas de Earth despontar entre os lábios carnudos e rosados e admirou com fascínio aqueles olhos que diziam o mesmo que sua boca. Ela não podia evitar, achava Earthen sedutor e fascinante. Seu corpo tinham músculos desenhados, o rosto era uma afronta até mesmo aos femininos e seus cabelos compridos, pretos e com aquelas faixa de cor ruiva, concluía seu ar exótico e encantador. Ela sentiu seu corpo sobreaquecendo e sua parte íntima umedecer, mesmo querendo evitar, escapou da sua boca um suspiro tão quente que saiu como fumaça em contraste com o ambiente frio.

— Viu... — Earth observou, trilhando com a unha do dedo indicador o caminho no vão aberto deixado pela camisola, entre os seios pequenos de Catherine, os quais ele podia notar ouriçados devido ao tecido fino. — Você quer que eu e a devore. Seu corpo dá indícios.

— E o que eu faço com a minha consciência? Eu fiz votos perante Deus que seria a mulher de Crispian até que a morte nos separe.

— Votos que seu amo não fez questão de manter nem nas primeiras horas do seu matrimônio.

— Porque ele o ama. Você não o ama, Earth?

Earthen parou por um instante e pensou, então respondeu, sem ter ainda muita certeza daquela resposta.

— Eu... não sei o que esse sentimento humano significa. Eu apenas desejo meu amo ardentemente, da mesma forma que estou desejando-a nesse instante, milady.

Desta vez, foi Catherine quem parou para analisar o rosto impassível de Earthen por um momento. Ela ainda não sabia o que ele era, mas já imaginava que não era humano. Também sabia que Crispian havia se entregado a ele de corpo e alma, e que estavam juntos há muito tempo. Por isso, Earthen era fiel a ele, por mais que não soubesse reconhecer o que sentia.

Mas Earthen tinha razão em suas palavras, Catherine o desejava de uma forma que ela ainda não conseguia ter certeza. Ela apenas se sentia confortável, segura e protegida ao lado dele. E quando o sentia perto de si, como estava naquele instante, ela o queria ter ainda mais perto. Toda às vezes que ele a tocava ela sentia a região tocada queimar, o coração disparar e sua mente se encher daquele desejo que ainda ignorava. Mas tinha medo. Medo do que estava prestes a fazer e de qual seria seu futuro se ela se entregasse. Não conseguia imaginar qual seria a reação do seu amo quando ele descobrisse o que ela estava sentindo pelo ser que ele amava descomedidamente. Muito menos, como ele reagiria ao saber que Earthen também a desejava.

Ela engoliu em seco, sentindo o peito doer devido a todas aquelas dúvidas.

— Está com medo dos ciúmes de Crispian?

— Está tão visível no meu rosto assim? Ou é capaz de ler mentes?

— Está visível.

— Tenho medo da ira do meu marido, você é o estimado tesouro dele.

— Se sou isso e se ele me ama como você diz que ele ama, e como demonstra amar, ele irá me ouvir. Não permitirei que ele a culpe.

— Eu não vim para essa casa causar tempestades, Earth. Não quero ser o motivo de desavenças.

— Você veio para ser esposa de Crispian e ele ser seu marido. Você está cumprindo sua parte, ele não. Não há nada mais justo que eu, o motivo dele se privar de suas obrigações, cumprir com o papel de marido no lugar dele. Eu posso satisfazer a ambos. Ele terá que aceitar.

— E se ele não aceitar?

Earthen a fitou longamente, penetrando-a somente com olhar.

— Vamos deixar para pensar nos “se” quando Crispian estiver de volta e expor sua opinião, milady. Não é bom para nossos sentidos antecipar a angústia das incertezas que nos aguarda no futuro. Não acha?

Catherine engoliu em seco e convencida mais pelo calor que continuava se alastrando pelo seu corpo do que pelos argumentos de Earth, ela concordou com um balançar de cabeça.

Então ela viu o homem-lobo esboçar um sorriso satisfeito e ainda mais fascinante. Hipnotizada por aquele par de olhos deslumbrantes e de um azul quase surreal, ela esperou, enquanto os lábios dele — depois de serem umedecidos pela língua — se aproximavam dos seus. Jamais havia sido beijada antes e sentiu a ansiedade a tomando a cada segundo que se aproximava. Seus lábios virgens ficaram ainda mais ressequido devido o acelerar a sua respiração. Quando a boca de Earthen finalmente tocou a sua, ela fechou os olhos e prendeu a respiração no peito, sentindo que aquele toque úmido faria seu coração atravessar seu busto tão desesperadas se tornaram as batidas.

Earthen tocou o rosto de Catherine com uma das mãos e encerrou o beijo e assim que ela reabriu os olhos ele pediu:

— Respire.

Ela o fez com urgência, puxando todo o ar que podia para dentro do peito, enquanto Earthen sorria ainda mais aberto, encantando com cada ato de inexperiência da jovem.

— Quando nossos lábios estiverem juntos, tente respirar pelo nariz. — Ele a instruiu, tocando o queixo dela. Catherine assentiu. — Abra um pouco a boca — pediu e novamente ela o obedeceu, entreabrindo os lábios devagar. — Isso. Assim. É necessário para que eu possa introduzir minha língua dentro da sua boca. Esse será o mesmo processo que vai acontecer na parte de baixo. É uma prévia. — Earthen colocou a outra mão por debaixo da roupa dela, em sua parte íntima e tocou a lingerie. — Aliás, precisamos nos livrar disso — constatou, já puxando a lingerie para baixo.

Catherine apenas se permitiu ser despida.

Depois de deixá-la completamente nua, ele ficou admirando-a por um tempo, a pele branca se misturando com as roupas de cama também de tom claro, os seios pequenos, o rosto ruborizado.

Ser observada daquela forma fez os tremores no corpo de Catherine aumentarem e ela desejou insanamente que ele voltasse a se aproximar. E foi o que Earthen fez em seguida, cuidadosamente, com a delicadeza que ele achava ser necessário ter com uma dama em sua primeira vez, o homem-lobo agiu comedidamente, tocou e massageou toda a pele de Catherine, a arranhou levemente — sendo cauteloso com suas garras afiadas — e beijou cada pedacinho de pele que conseguiu, até que ela não conseguisse mais segurar os gemidos que escapavam de forma ainda controlada.

— Entregue-se... — ele pediu, beijando o pescoço dela, sentindo suas presas latejarem da mesma forma que seu membro. — Não contenha sua voz, nem seus gemidos. Deixe-me ter certeza que está gostando. Lady Francine deve estar muito ocupada lá embaixo com seus afazeres, não se preocupe, ela não irá nos ouvir.

— Mas... — Catherine tentava respirar, e controlar seus sentidos conforme os estranhos conselhos da sua mãe e das irmãs, mas era difícil, principalmente quando Earthen parecia se esforçar para causar nela toda aquele desequilíbrio.

— Mas?

— Eu não posso... É errado uma mulher vulgar na cama, não é?

O homem lobo parou e observou Catherine com os olhos levemente arregalados de surpresa.

— Quem disse tamanha besteira?

— Minha mãe... e minhas irmãs...

— Escute, milady. Esqueça sua família, esqueça o mundo lá fora, esqueça toda essa baboseira que te ensinaram. Quando duas pessoas estão se entregando, a única coisa que importa são elas e o momento. E a única regra é aproveitar o máximo que puder desse momento, pois você irá perceber o quão curto e injusto são os segundos do imensurável prazer que sentimos ao alcançar o ápice.

Desta vez, foi Catherine quem arregalou os olhos e mais uma vez ela assentiu, criando forças para envolver com o seus braços o pescoço do homem diante de si.

— Acho que entendi. Vou me esforçar. — dito isso, ela mesma tomou a iniciativa de beijá-lo e aos poucos ela foi vencendo a timidez e os receios, permitindo-se finalmente aquilo que ela tanto queria, tocar o corpo de Earthen também, sentir seus músculos e o calor de sua pele. 

O calor tomou rapidamente ambos os corpos. Quando Earthen percebeu que Catherine estava em seu limite, ele a acomodou com cuidado na cama, abriu o máximo que pode suas pernas e segurando seu sexo rígido pela base, direcionou-o na parte íntima dela. De início ele apenas roçou a região, mas ao perceber que estava úmida o suficiente, foi se alojando devagar, até vencer todas as resistências e conseguir se acomodar totalmente no interior dela.

Catherine sentiu uma dor incômoda quando o sexo de Earthen começou a adentrar em si, mas depois que ele se alojou por completo e passou a movimentar devagar dentro dela, enquanto beijava sua boca, ela sentiu a dor se dissipar e o ardor entre seus corpos aumentar.

Havia uma sensação que fazia suas paredes internas se contraírem e aquele movimento de entrada e saída do sexo de Earthen dentro de si foi se tornando cada vez mais prazeroso. Algo estava ameaçando vir, algo que a fazia respirar e gemer entrecortado. Quando finalmente esse algo veio, ela não foi capaz de conter o grito que escapou de seus lábios. Todos seu corpo estremeceu, enquanto suas paredes internas convulsionavam, adicionando e espalhando aquela sensação de êxtase. 

Como Earthen havia dito, e não fora mentira, aquela corrente de prazer durou muito pouco, quando acabou, Catherine ainda sentiu o homem-lobo se movimentando dentro de si. Ele manteve aquele ritmo até notá-lo parar, se retesar, gemer e preenchê-la com algo quente que era golfado para dentro dela com muita força.

Quando Earthen se retirou, arfante, o líquido que ele despejara em si escorreu para os lençóis tingindo levemente de vermelho.

O lobo observou Catherine respirando com dificuldade e tentou controlar a ânsia venenosa que fazia suas presas latejarem de desejo de tomá-la como fazia com Crispian. Ouvira falar que as mulheres humanas eram seres extremamente frágeis, não podia arriscar a vida da mulher do seu amo.

— Seus olhos estão faiscando, seus caninos estão despontados — ela observou, tocando a face do Earthen e a acariciando. — Está se esforçando para controlar algo que é do seu instinto?

— Sim.

— O quê?

— Fome.

— E essa fome é saciada...?

Ele relutou em contar.

— Somente com Crispian? — ela sugeriu ao perceber a relutância no olhar dele.

— Somente com sangue.

— É só isso? — ela perguntou, retirando a mão do rosto dele e tocando em seu próprio pescoço. Depois de pensar por um segundo, Catherine virou o rosto para o lado e expôs seu pescoço. — Se alimente. Se Crispian o faz, eu também quero fazer.

Earthen tocou o pescoço dela e sorriu, mas não o fez.

— Meu sangue não serve?

— Não é isso, milady. A dor que irá sentir é algo...

— Eu não temo a dor, Earth. — Ela o interrompeu. — Se você precisa, somente faça.

Earthen até queria, mas não conseguiu resistir a tentação que o assolou, e mesmo correndo o risco que Catherine não resistisse ao processo, ele cravou os dentes no pescoço da jovem e sugou com a ânsia dos famintos. Entretanto, diferente do que ocorria normalmente com Crispian, ele viu a jovem humana resistir a dor sem emitir um único gemido sequer. Ao terminar de beber, surpreendeu-se ainda mais com o belo sorriso que a humana lhe direcionara. Mas não pode continuar admirando aquele sorriso, pois foi abatido por uma incontrolável sonolência e caiu no sono.

...

Earthen pegou no sono e só acordou na manhã seguinte, com os passos e a voz de Francine dentro do quarto. Estava deitado no carpete e sua primeira reação foi se erguer e só então se acalmar ao perceber que estava na sua forma lobo.

— Achei que esse lobo fedorento estivesse morto — Francine observou, parando perto do animal, torcendo o nariz e o olhando com desdenho. — Agora é assim? Na ausência de Crispian ele fica no seu pé? Talvez seja até por isso que não esteja se sentindo bem, querida. Talvez esse bicho te transmitiu alguma doença.

— Não pode ser, minha senhora. — Catherine, que estava fechando o guarda-roupa, alegou.

O lobo não deixou de notar que os forros de cama haviam sido trocados. Apesar do leito ainda estar desarrumado, dando indícios que a jovem lady havia acabado de acordar, ele estava forrado com lençóis em tom vinho e não com os brancos da noite anterior, demonstrando que Catherine era mesmo uma garota perspicaz e para que sua senhora, ou as criadas, não notassem as manchas de orgasmo e sangue, ela mesma deveria tê-los trocado durante a madrugada e guardado os forros sujos em lugar seguro.

— Só estou mal do estômago, Lady Francine. Não deve ser algo relacionado ao Earthen. Além disso, ele é meu protetor e uma boa companhia.

A mulher suspirou e meneou a cabeça negativamente, descontente com aquela resposta, mas resignou-se.  

— Acho que depois de velha fiquei intolerante, só pode. Não consigo simpatizar com esse animal, enquanto Crispian e você compartilham de uma posição idêntica. E olha que você o conhece a menos tempo que ele — ela explicou, então suspirou e se aproximou da nora, notando que ela estava mais pálida que o normal.

Então ela fez algo que fez a esposa do filho sobressaltar, repousou a mão sobre a barriga dela. Sono em demasia, ânsia de vômito e palidez, eram sintomas que ela conhecia muito bem. Apesar de ela ainda ter dúvidas sobre a consumação do casamento do filho, pois não notara vestígios de sangue nas roupas de cama que lavara nos dias que se seguiram à Lua de Mel. Mas para isso havia duas explicações: já havia ouvido falar de casos raros de mulheres que não sangravam na primeira noite ou... Catherine não era pura. Pensar naquela última possibilidade a irritava profundamente. Seria algo inadmissível, passível de cancelamento dos votos matrimoniais e de devolução da noiva, caso fosse verdade.

Francine interrompeu seus pensamentos e franziu o cenho ao sentir um arrepio estranho ao apalpar a barriga de Catherine, então recolheu sua mão e pediu.

— Vire-se, querida.

— Senhora?

— Ande, menina. Apenas obedeça — ela pediu, já a segurando pelos ombros e fazendo com que se virasse.

De costas, Catherine sentiu que a sequência de amarras do seu vestido eram desatadas. Estava com outra roupa por baixo, a qual sua senhora também pediu que ela retirasse por cima da cabeça. Obedeceu e foi girada novamente.

Francine tocou a barriga da nora mais uma vez e franziu as sobrancelhas diante daquele volume. Não estava enganada, era discreta, mas a barriga estava levemente saliente, e ela teve quase certeza de ter sentido algo se mexer. Então, voltou-se para a menina com um sorriso e ao mesmo tempo um ar de apreensão.

— Precisamos mandar uma correspondência para Crispian, urgente.

...

Há quilômetros de distância de Valdávia, no Palácio de Austin.  

Crispian havia recebido o recado que um dos príncipes o aguardava em seus aposentos e andava depressa pelos corredores do palácio. Diferente do que Bardo alegara, ele não conseguira para si um cargo na Corte de imediato e sim, o colocou na disputa com outros três nobres para o cargo de Segundo Assessor Pessoal do Príncipe Benjamin Terceiro, o primeiro sucessor da coroa. Certamente era uma oportunidade sem igual. O rei ainda esbanjava saúde, mas um dia ele “bateria as botas” e Benjamin seria rei, e estando entre os assessores principais do rei teria o status que o pai tanto almejava.

Foi apenas pensar no pai que o viu surgir na posição oposta sua, vindo ao seu encontro, parecia animado, na verdade, ele estava eufórico e ao vê-lo apressou tanto o passo que se tornou uma corrida. Assim que o alcançou, Edward o recepcionou com um abraço.

— Pai?

— Ah, meu filho! Eu sabia que não me decepcionaria! Eu sabia! — ele se desvencilhou do abraço e segurou o filho pelos ombros.

Crispian foi contagiado pela alegria do pai e também riu abertamente.

— Quais são as boas novas, meu pai? O que houve?

— É melhor que leia você mesmo. — O homem retirou um envelope do bolso interno do casaco de pele de urso que vestia e o entregou ao filho.

Rapidamente Crispian notou o selo em cera da sua família rompido, eram notícias de casa.

— É uma carta da mamãe?

— Sim, sim. Abra. Leia. Rápido!

Crispian abriu a carta e tentou ler o mais depressa possível, mas conforme seus olhos foram correndo pela caligrafia bem feita da mãe, seu coração foi estagnando no peito e o sorriso foi se diluindo. Ao terminar, olhou confuso para o seu pai, que em resposta, o abraçou novamente.

— Está em choque, eu sei. É normal. Eu também fiquei assim quando recebi a notícia de que seria seu pai, Crispian. Parabéns meu filho! Você também será pai. E eu? Eu serei avô. Avô de muitos netos pelo que percebo. Tenho certeza de que, como os deuses estão abençoando nossa família, seu primeiro herdeiro será um menino, e como sua esposa parece ser uma garota fértil, logo virão várias meninas. Parabéns, meu filho. Parabéns. Você é mesmo meu orgulho.

Continua...


Notas Finais


Agora os senhores, meus queridos leitores e leitoras, imaginam quem é Sebastian, né?

>_< Menção de honra no próximo capítulo para quem adivinhar! o/

Pobre Crispian. Sentiu até uma dor de cabeça com essa notícia agora. Afinal, ele sequer tocou na mulher e de repente recebe a notícia que vai ser pai. xD

Bem, brincadeiras a parte, a trama começa a se complicar e ficar bastante tensa. Principalmente para essa família recém-formada com Crispian, Cath, Earthen e agora, o pequeno herdeiro de Valdávia.

E aí, pessoas, como Crispian irá agir diante dessa “bela” notícia dada pelo pai? Deixem a opinião de vocês nos comentários. Adoro bater papo através dos comentários!

Até o próximo! o/


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