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História Fantasmas do Passado - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Piper Chapman


Fanfic / Fanfiction Fantasmas do Passado - Capítulo 2 - Piper Chapman

Uma cansada e irritada Piper Chapman estava com os olhos vermelhos após completar sua missão de cobrir os três dias do Festival de Música de Houston. Ela estava em no carro, retornava para seu apartamento em Manhattan, quando o celular tocou.

- Merda, eles não podem me deixar ao menos tomar um banho? – pensou e pegou o celular no console do carro, conectou o bluetooth e atendeu.  - Olá Janice...

- Oi Piper, o John deseja falar com você, eu vou chamá-lo.

John Drake era editor chefe da Times. Trabalhava na revista há mais de 20 anos, e era um dos poucos homens que podia descrever com detalhes, sobre todas as mudanças no ramo da música e das revistas nas duas últimas décadas. Ele tinha orgulho de ter uma mulher como Piper em sua equipe. Ela não possuía diploma de jornalista na época em que começou como assistente e o homem viu o grande potencial que existia nela. Desde então já haviam passado quase oito anos e agora, seu nome era uma grande referência entre o meio jornalístico e de celebridades musicais.

John atendeu quando sua assistente lhe passou a ligação.

- Piper, minha querida, eu sei que você está chegando de uma viagem cansativa, mas eu preciso falar sobre a sua próxima missão.

- Por que não me surpreendo?

- Vamos lá garota... – sorriu. - Essa será uma grande missão.

- Fale.

- Nós conseguimos uma exclusiva com uma das artistas mais badaladas dos últimos tempos. Ninguém melhor do que Piper Chapman para realizar esta entrevista. – Piper coçou a cabeça impaciente.

- Isso não pode esperar? Eu ainda nem cheguei no meu apartamento. John, eu preciso muito de um banho e roupas limpas. Não durmo há vinte e quatro horas – pausou por segundos e continuou - E meu voo foi bem, quase não atrasou, obrigada por perguntar.

- Ok, ok. Eu sei que não dormiu garota, mas você é jovem e forte, pode ficar acordada por mais uma hora. Depois de conversarmos pode ir para casa e dormir por mais de doze horas. - ele desligou. John era um pouco rude e quando queria algo, não se importava com mais nada.

- Cuzão! – Piper xingou após ouvir o sinal de desligado. Retornou com o carro e dirigiu até o escritório da revista em Manhattan. Quinze minutos depois, estava no edifício da Times, foi direto para a sala do editor e quando chegou, John a recebeu com um copo de café e donuts.

- Obrigada pelo café e rosquinhas, agora pode falar sobre a próxima missão? –perguntou com sarcasmo, estava muito cansada para ser educada e esperar por longas explicações.

- Sente-se Piper. – a olhou e sorriu. - Eu preciso que você vá até sua casa e faça as malas. – esperou que a loira explodisse, mas ela permanecia lhe olhando como se esperasse por algo. - Você vai ter que fazer uma pequena viagem. - ele sorriu para ela, sabendo muito bem que a bagagem dela nem havia sido desfeita ainda.

- Eu não posso acreditar nisso... John, eu nem consegui ir até minha casa, e já tenho que viajar novamente? Minha filha vai esquecer como eu sou. – lamentou. – Não posso continuar a fazer isso, logo ela esquece que tem mãe. – disse incrédula – Inferno! Aonde irei desta vez?

- Chicago. – sorriu com orgulho ao se lembrar da missão – Eu acabei de falar com Joe Caputo, o empresário da banda Foolish. Eu falei com ele sobre a possibilidade de uma entrevista com a banda, e a única maneira para isso acontecer será você se juntar a elas na excursão por um tempo.

- O quê? Você está de brincadeira, não é?

- Não Piper, eu estou falando sério.

- John, você não pode arranjar outra pessoa para fazer esse trabalho? Acabei de retornar de um festival... – quase gritou – Só falta agora você me dizer que vou ter de entrevistar Alex Vause. – disse impaciente. As atitudes da baterista com a imprensa eram comentadas de forma negativa, além de ser considerada uma mulher problemática, arrogante e inacessível. A maioria dos jornalistas não suportava entrevistá-la, poucos conseguiram uma declaração de duas ou três palavras. O sorriso de John desapareceu.

- Claro que sim. Alex é quem mais nos interessa, ela é a maior sensação da banda, Piper. Todo o público deseja saber mais dela e nós vamos fazer esse trabalho, garota. – declarou entre aplausos e Piper teria sorrido se não estivesse tão irritada, o chefe parecia uma foca de filmes desenhos animados, iguais aos que assistia com a filha.

- Não pode enviar o nosso Don Juan para fazer esse trabalho? – perguntou se referindo a seu colega, Jim McCoy. Ele vivia se gabando de conseguir qualquer mulher que desejasse. – Ele sempre disse que é louco por ela, John. Talvez consiga ter mais sorte do que eu. - John se inclinou para trás na cadeira e suspirou.

- Eu vou desapontá-la, Chapman, mas parece que você não tem feito bem seu trabalho de casa: Alex Vause bate bola no outro time, ela não gosta de homem. - Piper revirou os olhos e bufou.

- Maravilha! – revirou os olhos. - Só me faltava essa. – jogou-se na cadeira. - Então vou ficar seguindo uma lésbica dos infernos pelo país pelas próximas semanas? O que eu fiz para merecer tal honra? Está me punindo por algo? – questionou com seus olhos azuis soltando adagas de fogo.

- Chapman, você é boa no que faz, suas perguntas são as melhores, além de ser uma excelente observadora. Talvez você e Alex se gostem e virem grandes amigas... Coisas estranhas têm acontecido e vejo que esta entrevista poderá se tornar algo mais.

- Oh, com certeza nós vamos nos adorar. Quem sabe não me apaixono, também? - disse com sarcasmo – Para quando está marcado meu voo? – perguntou derrotada. – Tenho que aturar a arrogante e promíscua Alex Vause. – bufou.

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Chicago, Illinois

Alguns membros da equipe estavam na recepção do hotel em Chicago. Alex olhou para Fahri, seu técnico de bateria.

- Você descobriu algum lugar para a gente ir? - ele passou a mão pela cabeça.

- Isso é um pouco caro, mas vale a pena, se você sabe o que quero dizer. - a baterista sorriu com a resposta do homem.

- Ótimo. Estou realmente com vontade de ter um pouco de ação nessa noite monótona.

- Eu também. Vamos indo? – disse abrindo a porta frontal para a baterista e seguiu logo atrás.

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A música alta, as luzes strobe que giravam no teto e passavam suas cores pelas pessoas, fazendo seus corpos moverem como se estivessem em câmera lenta, tudo criava um clima propício para saciar o apetite sexual da baterista que estava sentada em frente a um dos vários palcos do clube, olhava atentamente uma loira curvilínea dançar na beira do palco, de forma sensual, enquanto retirava aos poucos as peças de roupa. Ela já havia percebido que a morena era Alex Vause, sua noite lhe renderia muito mais do que havia imaginado.

Alex tinha uma reputação de quem gastava muitos dólares em suas visitas a clubes como esse. Eles sabiam que ela conhecia o negócio como ninguém só não imaginavam que era por experiência própria. Ela tirou algumas notas de cem dólares do bolso e sacudiu para a mulher, que se moveu bem para perto para que a baterista as enfiasse no elástico da sua tanga, depois ela piscou em agradecimento e permaneceu seu show particular para morena, como se não existisse mais ninguém na plateia.

Fahri se inclinou e sussurrou para a baterista:

- Ela é uma verdadeira boneca. Puta que pariu Vause!  Você sempre escolhe a mais linda e quente de todas. – a morena sorriu.

- Sei distinguir o que é bom. – Alex se recostou novamente na cadeira, sorriu e bebeu um pouco da sua cerveja. Seus olhos não deixavam de acompanhar a mulher no palco - Ela vai ser minha, Fahri.

- Se importa em dividir?

- Você está sugerindo outro sexo a três? – Alex perguntou com uma risada.

- Bem, já que você mencionou isso.

- Esqueça. – colocou a mão sobre o ombro do homem. - Descole uma para você essa noite. Quero aproveitar bem.

- Bem seu estilo: loira, sexy e linda. – disse sorrindo e Alex bebeu um pouco mais de sua cerveja.

A música terminou e uma nova dançarina veio para o palco. Alguns minutos passaram, até a loira voltar, dessa vez vestida. Ela se aproximou e colocou a mão no ombro de Alex.

- Olá! – sorriu e se abaixou para falar próximo ao seu ouvido. – Vamos indo? - Alex assentiu com a cabeça, levantou-se e olhou para Fahri.

- Vejo você mais tarde. - Fahri rolou seus olhos e riu.

- Divirta-se, Al. – disse olhando as duas mulheres caminharem para o vestiário. – Cadela sortuda.

- Qual é seu nome? – Alex perguntou à loira. A dançarina deu uma risadinha e bateu os olhos.

- Bambi.

- Então… Bambi, isso me torna uma caçadora? – sorriu.

- Não entendi.

- Graças a Deus eu não estou aqui por causa da inteligência dela. – pensou sorrindo. -  Para minha sorte, ela compensa isso em outras áreas. – pensou alto.

- Disse alguma coisa? – Alex mudou o foco.

- Você sabe quem eu sou, Bambi?

- Sim, Alex Vause – respondeu com outra risadinha.

A baterista olhou em volta da sala outras dançarinas se trocando e pensou. – “Hummm, muito legal.” – observou uma mulata mudando a roupa e passou a língua pelos lábios, puxou a mão da loira chamando sua atenção e perguntou.

- Bambi, tem algum lugar mais privado aonde possamos ir? – olhou para a mulata que agora correspondia seu olhar. - E você pode chamar sua amiga para brincar conosco? – a loira a fitou um pouco confusa, depois sorriu.

– Ali atrás tem um quarto com um sofá bem grande.

- Isso vai servir – piscou para mulata e lambeu os lábios. – Vamos lá? – a mulata tinha um show para fazer, declinou do convite.

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Alex caminhou por trás da cortina do palco e retornou para o salão do clube. Seus olhos fizeram uma rápida procura pelo seu técnico de som, mas não o viu. Ela pensou por um minuto e foi até a porta do banheiro dos homens.

- Fahri, você está aí? – perguntou alto.

- Jesus, Alex! – gritou. - Um homem de bem não pode se aliviar em paz? – perguntou e em seguida ela ouviu o som de uma descarga. Ele saiu fitando-a curioso.

- Acabou com sua loira?

- Já. – balançou a cabeça em negação. - Fahri, essa foi rápida, o que tinha de linda, tinha de inexperiente. - sorriu e então se apoiou contra a parede perto da porta do banheiro. – Podemos ir embora?

- Sim, nós podemos. – respondeu cruzando os braços com um sorriso cínico.

- Nós? - Fahri fez um gesto chamando alguém, a mulata que Alex estava admirando atrás do palco se aproximou e parou ao lado de Fahri. A morena ergueu uma sobrancelha para ele e sorriu para a mulher.

- Crystal. – a mulata se apresentou, estendendo sua mão para a baterista que foi bem aceita.

- Alex Vause.

- Eu sei quem você é. – respondeu olhando para a baterista com grandes olhos castanhos. – Nós todos sabemos.

- Então Alex, você gostou do que você viu no vestiário, antes de brincar com Bambi? – Fahri perguntou com malícia, passando a mão no corpo da mulata.

- Sim – sorriu. – Sim, eu gostei muito. – avaliou o corpo da mulher que lhe retribuiu o sorriso.

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Fahri estava quieto após a noite que teve a três. Admirava o jeito como Alex conduzia as coisas e convencia as pessoas a fazerem aquilo o que ela queria. Alex sempre dominava qualquer situação e sabia seduzir a quem quisesse. Eles eram sócios nesse arranjo sexual desde sua chegada a banda, quando foi contratado pela morena e por suas amigas Nicole e Suzane, fundadoras do grupo. A princípio tinham a companhia constante de Nicky, até ela se apaixonar perdidamente pela diretora musical, Lorna Morello. Desde então, os dois passavam muitas noites indo a clubes procurando por mulheres ou apenas se reunindo na bebedeira. Fahri não era diferente do resto dos homens da equipe. Todos eles tinham uma queda pela baterista, no entanto, quando a conheceram melhor, eles rapidamente perderam o interesse e passaram a lhe enxergar como mais um “dos caras” da equipe.

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Piper olhou para fora da janela do avião, havia passado o tempo lendo vários artigos de revistas sobre Alex Vause e sua banda, Foolish. Pretendia se familiarizar mais com o seu real pesadelo na forma de uma linda e arrogante morena. Em menos de uma hora estaria em Chicago, ela fechou os olhos e inclinou sua cabeça contra a poltrona, não queria fazer esse trabalho, estava se odiando por ter aceitado e odiando John por tê-la feito aceitar.

- Maldito John! – falou alto e agradeceu por não haver ninguém ao seu lado.

Durante sua trajetória na revista Times, já havia tratado com muitos músicos problemáticos, lutou com um guitarrista bêbado quando a convidou para se juntar a uma orgia, após ela ter recusado. Havia entrevistado personalidades excêntricas, viciados em sexo ou drogas, passou por várias saias justas, uma em especial que ela não gostava de lembrar. No entanto, pensar em Alex Vause a deixava bem irritada, não sabia se pela arrogância ou promiscuidade da baterista que não respeitava ninguém, ou pelo gênio explosivo dela. Amava novos desafios, mas Alex Vause era diferente e ela não sabia explicar.

Pegou a revista que falava sobre o temperamento da morena e ilustrava a imagem dela sendo presa após quebrar o quarto de hotel na cidade do Kansas no início de uma temporada. Outro mostrava em sua capa os altos e baixos da instável Alex Vause, o foco era a internação hospitalar por desnutrição e sua extensa lista de conquistas. No título trazia a seguinte notícia: “Alex Vause em abstinência sexual?”. Em todas as matérias mostravam fotos da morena acompanhada sempre de alguma mulher. Piper a olhou e ficou admirada no quanto era linda e com algumas tatuagens que classificou como sexy?

- O que é isso Piper? Achar algo nesta criatura sexy? Enlouqueceu? – suspirou e continuou a ler as revistas, algumas mostravam várias imagens de momentos íntimos onde ela usava óculos, dando-lhe um ar intelectual. – Paparazzi, no mínimo. – afirmou baixinho. Em outra foto a baterista beijava uma conhecida blogueira, em outra estava por cima da mesma mulher. O título da matéria chamou sua atenção: “Alex Vause e Samira Riley em uma noite de pegação.” Piper se abanou imaginando a cena, e, depois sorriu quando pensou em que mundo ela havia estado nos últimos anos, sendo uma jornalista especializada em música, não era nada familiar com uma das mais populares bandas de rock e sua baterista. Outra questão que veio à sua mente era o motivo dos jovens ficarem tão obcecados pela destrutiva mulher.

- Esse será meu foco senhorita Vause. – disse para si mesma. Agora estava determinada a descobrir isso.

O comissário de bordo tirou Piper de seus pensamentos.

- A senhorita gostaria de beber alguma coisa? - ela respondeu sem olhá-lo.

- Não, obrigada. – ele viu as revistas com fotos de Alex abertas pela poltrona ao lado da loira e outras sobre seu colo.

- Deus, como ela é belíssima! – suspirou. - É uma pena que ela é... – olhou para os lados.

- Lésbica? – falou por ele e sorriu. Refletiu sobre o que havia dito, então o olhou de forma avaliadora. Era um rapaz que aparentava pouco mais de vinte e dois anos, corpo atlético e uma pele bem tratada. - Você realmente acha que ela é linda? Uma deusa como dizem aqui? – apontou a revista. – Iria para cama com ela?

- Com absoluta certeza. – respondeu um pouco envergonhado com a pergunta.

- Por quê? O que lhe faz desejá-la?

- Quem é você? Uma fã obcecada ou uma repórter?

- Ótima pergunta. – Ela sorriu para ele – Sou uma jornalista e Alex Vause será minha nova entrevistada.

- Que maravilha! – sorriu e então respondeu à pergunta. - Eu gosto dos cabelos negros em contraste com a pele clara, dos impressionantes olhos verdes que parecem vidro, o lindo corpo vestido em jeans apertados e couro, a atitude bad girl, o jeito transviado acima de tudo e todos. - Piper sorriu. – Aquelas tatuagens na medida certa: nem muitas e nem poucas, mas estrategicamente espalhadas. – sorriu.

- Então você gosta do tipo rebelde sem causa?

- Sim. – permaneceu com o sorriso. – E quando penso que... - Piper notou que as orelhas do jovem ficaram vermelhas e ele cortou o que ia dizer, virou-se fazendo menção em se afastar.

- Pensa em? –  perguntou após chama-lo.

- Eu não posso prosseguir senhorita. – respondeu de forma desconfortável – Eu seria demitido se falasse para uma passageira o que eu penso.

- Não se preocupe, eu não direi nada a ninguém. – olhou para o nome na placa fixa na camisa – Gerald, você pode confiar em mim. - sorriu e passou seus dedos gentilmente sobre a mão dele.

O jovem hesitou por alguns segundos e então decidiu falar, ele se inclinou e sussurrou em seu ouvido:

- Fico excitado quando penso nela na cama com uma mulher. – Piper deu uma gargalhada e olhou para ele.

- Sério? - ele assentiu.

- Ela é muito gostosa senhorita, deve ter uma pegada com as mulheres que deixaria qualquer homem louco. – disse timidamente.

- Bem, Gerald, você não é diferente da maioria dos homens. – Piper piscou ao perceber seu embaraço, ele estava muito vermelho e deve ter agradecido pelo avião estar quase vazio. Quando o jovem se afastou, ela voltou a chamá-lo. – Espera... - ele voltou e ela o presenteou com as fotos de Alex, além das revistas que tinha. – Obrigada por responder minha pergunta Gerald, você me ajudou muito. – os olhos castanhos a olharam com um brilho.

- Tudo isso para mim?

- Sim. – sorriu. – Tenho certeza de que você fará melhor proveito delas do que eu. - afirmou com sarcasmo, o que não foi percebido por ele.

- Obrigado. – pegou o material. - Se precisar de algo é só me chamar.

- Obrigada.

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Joe olhou em volta, para a multidão que estava no aeroporto, não gostaria de criar tumulto com a presença de Alex. Ele aguardava a jornalista e imaginava como conversar com Alex sobre sua presença na excursão de turnê da banda. Todas as outras integrantes sabiam que Piper Chapman iria acompanhá-las, mas ficaria um pouco mais com a baterista, que não iria gostar muito da ideia. Enquanto procurava uma forma de falar para morena, olhou de lado e a viu se aproximar com fones de ouvidos, ele a chamou, não teria mais como adiar a explosão. Joe a puxou e explicou toda a situação, mas a baterista o olhou incrédula.

- Espera Joe, você deve estar brincando comigo! – exclamou com a voz exaltada – Acredita mesmo que irei continuar esta turnê com uma jornalistazinha em meu pé, como uma sombra? Não aceito uma situação assim, não adianta insistir. – Voltou-se e esbarrou no segurança que estava próximo. – Porra Lenny! Olha meu espaço, já falei para respeitá-lo.

- Eu respeito senhorita. – tentou se justificar, mas ela encerrou o assunto.

- Alex...

- Não quero mais conversar Joe, você arrumou essa situação, então resolva. – Lenny respeitou seu espaço, mas seguiu próximo o suficiente para evitar que alguém se aproximasse. Alex sentiu alguém puxar seu braço, assustou-se e viu Joe ao seu lado. – Tire essa mão do meu braço. – os dois se olharam.

- Alex...

- Não me faça retirar a força. – alertou. Joe a soltou, Lenny se aproximou ao observar a cena.

- Tudo bem Lenny, eu consigo resolver isso aqui. - Joe esperou os dois se acalmarem e então começou a falar:

- Alex, ouça e entenderá a razão para tudo isso.  – fez sinal com a cabeça para segui-lo. – Alex, você sabe melhor do que ninguém que o que a imprensa tem comentado sobre você. As notícias não têm sido boas. – passou a mão na barba. -Olha, você foi presa, depois a internação com a notícia sobre a desidratação e abstinência. Nós agimos e impedimos que descobrissem o real motivo por trás de tudo isso. – os dois se olharam como se desafiassem. – Apesar de todos esses esforços, as pessoas comentam e isso não é bom para banda. – suspirou. – Eu não quero pensar em outra baterista, conheço seu potencial e carisma. Existem milhões de fãs que sonham com Alex Vause, então, isso é mínimo que pode fazer.

- Não pode me tirar assim da banda. – protestou. – Eu sou uma das fundadoras desta porra. – quase gritou. – As meninas estão comigo.

- Conversei com as meninas, todas concordaram e já esperávamos algo assim vindo de você.

- Não acredito que aceitaram. – olhou sem acreditar.

- Elas se preocupam com você...

- Mas aceitaram me cortar da banda.

- Elas aceitaram porque é preciso, será o certo a se fazer. – Alex o olhou com desanimo. Ela abriu a boca para falar algo, mas fechou sem dizer nada. - Essa jornalista é reconhecida por todo o meio musical, ela poderá limpar sua imagem e aumentar a sua popularidade. Então eu lhe peço para ser simpática e tratá-la bem. Por favor, sabe que não iria lhe pedir algo assim se não fosse realmente necessário. – a morena concordou com a cabeça e suspirou.

- Joe...

- Piper Chapman é uma das melhores nesse campo, talvez até fiquem amigas.

- Eu já li algumas reportagens dela. - Joe deu um suspiro de alívio. – Serei simpática, mas não espere amizade.

- Considerando o que eu disse, será importante que você faça o que pedi. Acostume-se com a ideia de ter alguém ao seu lado, avaliando-a e questionando seus atos. – Joe terminou de falar e viu a jornalista se aproximar puxando sua mala e usando seu crachá de imprensa, o que lhe dava passe livre a tudo. – Ela vem aí, comporte-se e seja delicada. - Alex retirou os óculos e esfregou o rosto com impaciência.

- Tudo bem, serei um anjo. – afirmou com ironia e Piper se juntou a eles. Alex deixou os olhos percorrerem o corpo da loira que usava uma camisa e calça jeans e um tênis, um coque mal feito prendia o cabelo, procurou os lindos olhos azuis que pareciam hipnotizá-la. – Alex Vause. – apresentou-se com um pequeno sorriso e a mão estendida. - Piper sentiu o coração acelerar e a boca secar ao vê-la tão próxima e sem óculos.

- “Esses olhos… Parece que sempre os vi, são tão familiares.” – pensou sem perceber que havia prendido o ar e estendeu a mão para recebê-la. – Piper Chapman. – apertou a mão da baterista.

Piper havia visto inúmeras fotos da baterista, mas isso não a havia preparado para algo tão inusitado, a beleza da morena. Alex Vause era realmente linda pessoalmente. Piper tinha lido nas revistas que a baterista foi escolhida como uma das personalidades mais sexy pela People Magazine nos últimos quatro anos. Perguntou-se qual critério utilizado pela revista, agora, vendo-a pessoalmente, sabia o motivo da revista escolhê-la.

- “Eu nunca iria imaginar que a arrogante e promiscua lésbica pudesse ser tão linda”. – pensou. – “A mais linda das mulheres... A mulher mais bela que já conheci.” - Alex a avaliava e foi Joe quem interrompeu os pensamentos das duas.

- Bem garotas, eu deixarei vocês se conhecerem melhor. – saiu deixando-as sozinhas. Alex a observava com curiosidade.

- “Dê-me dois dias e você estará na minha cama, senhorita Chapman.” – pensou e sorriu para loira que também a avaliava.

- “Que sorriso é esse? Que mulher é essa? Jesus! Não vou cair em sua rede senhorita Vause.” – perdeu-se em seus pensamentos. O som da voz de Lenny quebrou o encanto entre as duas.

- Senhorita, pode passar sua mochila e sua mala. – pediu mais uma vez.

Piper sacudiu a cabeça, querendo organizar a confusão que havia se instalado e embaralhado suas ideias. As duas se olhavam sem prestar atenção no que o musculoso homem falava. Joe chamou Alex, despertando-a do transe.

- Vamos, Lenny vai pegar sua bagagem, a limusine está nos esperando. – chamou a loira, ela até tentou se aproximar, mas Piper se afastou para entregar as coisas ao segurança e ficou um pouco para trás.

Piper entregou a mochila para Lenny e seguiu Alex que estava um pouco mais a frente conversando algo com Joe.

- Por favor, tente mantê-la longe da sua cama. – Alex sorriu com o comentário do empresário. – Conheço seu tipo, mas peço que lembre o objetivo dela em acompanhar esta turnê.  – alertou sabia bem o quanto ela gostava de loiras sexys.

- Sério que pensa isso de mim? – perguntou com uma expressão inocente.

- Estarei de olho, Alex.

***********************************************

A viagem na limusine foi feita em silêncio, apenas Joe tentou puxar conversa com Piper falando sobre a programação de viagem e as cidades por onde passariam. Piper vez ou outra olhava para morena ou para suas próprias mãos, na tentativa de tirar os lindos olhos verdes dos seus pensamentos, enquanto Alex checava suas redes sociais.

- Serão apenas duas... – o telefone de Joe tocou interrompendo-o. Piper aproveitou para puxar assunto com a baterista.

- Acho que você não fala muito, não é? - Alex olhou para loira e respondeu sem muito interesse.

- Não leve isso para o lado pessoal, eu não sou uma pessoa sociável, que joga conversa fora com bobagens. – Alex pensou que isso a faria desistir de conversar, pelo contrário, Piper pegou o celular da sua mão e jogou ao seu lado no banco.

- Para seu conhecimento senhorita Vause... – usou um tom de sarcasmo. – O meu desejo de acompanhá-la é proporcional ao seu de me ter ao seu lado. Em momento algum pedi para lhe acompanhar nesta turnê.

- “Além de linda e sexy, ela também é mandona.” – pensou sorrindo e olhou para os lindos olhos azuis de Piper.

- Certa garota, você é a jornalista e eu a entrevistada, então comece a fazer as perguntas. – disse em um tom desafiador enquanto guardava o celular. Piper ficou sem palavras. Não sabia o que falar, aquela mulher tinha o poder de tirar sua estabilidade emocional, preferiu o silêncio. Alex sorriu vitoriosa e pegou em seu queixo de forma gentil, porém usando o mesmo tom de sarcasmo da loira.

- Vamos, garotinha, o que quer conhecer sobre a baterista má?  Quer saber se tudo o que leu e ouviu sobre Alex Vause é verdade? Sim, todas as coisas que você ouviu sobre mim são verdadeiras. – Piper a olhou irritada pelo tom usado e a forma como a chamou. - Eu pensei que você quisesse fazer uma entrevista, então faça logo essas malditas perguntas. – Joe pensou em interrompê-las, mas viu que a loira iria reagir e resolveu ver até onde iriam.

Piper sacudiu sua cabeça, livrou-se da mão de Alex, sentiu que os lindos olhos verdes estavam avaliando seus gestos, sentiu-se desconfortável com a intensidade do olhar e se remexeu no banco, limpou a garganta e a encarou.

- Primeiro, por que você tem que ser tão arrogante e grossa? – Alex estreitou os olhos e Joe resolveu interrompê-las.

- Certas garotas, vocês terão muito tempo para a entrevista e para se conhecerem melhor, agora estamos perto do estádio e nós já estamos atrasados, além de termos faltado ao teste de som. Alex, melhor se aquecer para o show. – a olhou como se aquilo fosse uma advertência.

- Já comecei a me aquecer faz algum tempo. – respondeu com uma voz sedutora e sorriu, antes de sair do carro piscou para loira .

- “Maldita Alex Vause!”. – Piper pensou irritada e virou o rosto em direção a janela.


Notas Finais


Boa tarde pessoal!
Ontem eu ainda estava aprendendo a usar as ferramentas do site, só publique a história com um capítulo pequeno. Hoje organizei mais as coisas.
Boa leitura e fiquem em casa!


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