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História Far Away From The Line - Reedição - Capítulo 12


Escrita por: e teresarocks


Notas do Autor


Desculpas pela demora, minha Amiga explicou o motivo da minha ausência no capítulo anterior, certo? Sem mais delongas, fiquem com mais um capítulo 😘

Capítulo 12 - Better run, bitch!


Fanfic / Fanfiction Far Away From The Line - Reedição - Capítulo 12 - Better run, bitch!

Éramos apenas eu e ele sozinhos em frente à Harrington House. O tempo parecia haver congelado, a atmosfera estava sufocante. Não sabia por que ele me fitava com estrelas nos olhos, nem sabia por que sentia algo revirar no meu estômago, mas senti que nossos corações estavam abrigando um segredo mútuo. Algo estava começando a florescer dentro de nós dois — uma força, um sentimento, algo que a violação das palavras poderia comprometer e desintegrar por completo.

Supus que ele tivesse previsto minha inquietação a partir do silêncio constrangedor que pairava entre nós, pois antes que eu pudesse dizer ou fazer qualquer coisa, as palavras começaram a fluir de sua boca para flutuar acima de nós como andorinhas em um céu de verão.

— Eu adoraria ficar por mais tempo e lhe fazer companhia — ele disse —, mas tenho assuntos a resolver agora. Caso você precise de alguma coisa, mesmo que seja apenas um conselho, não esqueça que tem um amigo na Harrington House.

Eu pisquei, incapaz de compreender. Por que ele estava sendo tão gentil comigo? Ele nem me conhecia e eu certamente não me encaixava no seu círculo social. Eu era apenas a nova garota na cidade, a caloura que pertencia à posição mais baixa da pirâmide social da escola e que, até então, não tinha nenhuma perspectiva de atingir uma escala mais alta.Então por que ele estava sendo tão gentil? Poderia haver intenções mais profundas por trás de seus atos, intenções das quais eu não estava inteiramente ciente?

— Por que você está sendo tão gentil comigo, Harrington? — Eu quis saber. — Você nem me conhece direito.

Harrington abaixou a cabeça. Um sorriso matreiro desenhou-se em seus traços angelicais, levando um pensamento intrusivo a invadir minha mente: “Céus, ele é tão bonito!”.

— Digamos apenas que garotas como você me chamam a atenção, Srta. Norton. Especialmente quando se trata de uma morena com olhos, curvas e personalidade esplendidamente atraentes. 

Ele mordeu o lábio inferior, os dentes luminosamente brancos cravando a carne levemente rosada, o gesto de charme seguido por uma piscadela sedutora que era sua maneira de dizer adeus para mim.

Senti um sorriso discreto emergir dos meus lábios enquanto meus olhos traçavam os passos do loiro garboso em direção à entrada da república estudantil. Ele foi embora sem olhar para trás.

Eu me virei e segui meu caminho com muitas coisas passando pela minha cabeça. Não podia dizer com certeza se o que eu estava sentindo por Derby era apenas uma paixonite adolescente ou algo mais sério, mas senti meu coração palpitar quando ele se atreveu a se aproximar e, por mais clichê que possa parecer, uma explosão de borboletas multicoloridas voando em um turbilhão caótico dentro do meu estômago, no momento em que seus belos olhos castanhos pousaram sobre mim.

Supus que isso estivesse acontecendo devido ao fato de ser fácil e conveniente gostar de Derby Harrington, especialmente se ele era gentil com você, o que logo descobri constituir uma espécie rara de privilégio. Derby era atraente, rico e, quando queria, sabia ser um cavalheiro de primeira linha.

Talvez eu estivesse apenas mergulhando na fantasia primária que habita o inconsciente de toda mulher heterossexual: o sonho infantil e ingênuo de encontrar meu Príncipe Encantado, de ser resgatada e retirada da miséria para compartilhar uma existência plena e luxuosa com um homem deslumbrante dentro de um grande palácio real! 

Mas eu nunca fui o tipo de garota que gostava de filmes da Disney e sonhava com o cara perfeito. Fui criada para ser livre e independente, para preservar minha autonomia a todo custo e, sobretudo, para ser minha própria heroína. Charlie me ensinou como ser forte e como lutar por mim mesma. Minha mãe, por outro lado, me aconselhou a nunca depender de homem.

Eu sempre vivi para atender às expectativas que as pessoas projetavam sobre mim, para viver o papel cansativo da garota durona. Mas perto de Derby eu me senti diferente. Eu me senti como uma menina de novo, uma criança que desejava ser abraçada e mimada. Talvez fosse porque ele me fez sentir segura quando o mundo ao meu redor parecia estar entrando em colapso, mas o ponto é que, naquele momento, percebi que não me importaria de ser segurada nos braços de um homem, contanto que esse homem fosse o garoto dos cabelos dourados e grande fortuna, Derby Harrington.

Eu estava tão entregue aos meus devaneios que não pude notar a garota que se aproximava de mim — uma garota cuja voz irritante e pueril eu conseguiria reconhecer mesmo a milhares de quilômetros de distância.

— Ei, novata!

Eu me virei. Não foi uma surpresa para mim constatar que quem havia me chamado era Pinky. Ela parecia francamente decidida a falar comigo.

— O que você quer? — Perguntei, já revirando os olhos, impaciente.

Com o dedo em riste e o tom impositivo, a patricinha respondeu:

— Eu só quero te comunicar que ninguém nesta escola que se atreveu a ignorar ou virar as costas para mim saiu sem sofrer as consequências. Tome isso como um conselho: é melhor você começar a mostrar algum respeito aos seus superiores.

Meu rosto se contorceu em uma expressão de absoluta perplexidade ao ouvir suas palavras. Será que ela estava falando sério ou havia enlouquecido? Eu preferia apostar no fator insanidade do que acreditar que ela estivesse tendo a audácia de me confrontar daquela forma.

— Meu superior? Você? — Eu ri sonora e desdenhosamente. — Fala sério! Olha, eu tenho coisas mais importantes a fazer do que ficar aqui e ver você dando birra. Com licença.

Virei as costas e continuei a caminhar, acreditando que nossa breve discussão havia encerrado. Mas não foi o caso, pois em menos de um minuto, sem prever, senti algo me empurrando por trás, impulsionando meu corpo a desabar sobre o chão.

E assim aconteceu: o momento em que minha tolerância sumiu e se transformou em hostilidade, em revolta. Meus lábios rasgaram-se no sorriso perverso que sempre surgia em meu rosto durante meus momentos de raiva. 

Levantei-me devagar, com calma e, ao fazer isso, percebi que ela começou a recuar em passos amedrontados. Mas não havia necessidade de me apressar. Pinky podia correr, mas não conseguiria se esconder. Não de mim.

Espanei a poeira do uniforme e passei os dedos pelos meus cabelos, afastando das têmporas as mechas desalinhadas que haviam caído sobre meu rosto durante a queda, cobrindo meus olhos. Recompus minha postura e deixei meu olhar fixar-se sobre minha presa. O pavor firmado em seu rosto foi gratificante de se contemplar. Meus lábios abriram espaço a um sorriso de falsa ternura, fazendo covinhas surgirem em cada lado do meu rosto.

Minha vingança se desenrolou em uma velocidade desconcertante: avancei em direção a Pinky e a empurrei contra um muro de tijolos, pondo meu antebraço contra seu pescoço para emparedá-la. Ela suspirou de medo, e seu corpo convulsionou com a intenção de fugir, mas consegui mantê-la sob meu domínio.

— Me solta! — Ela exigiu com os lábios trêmulos. Nossos rostos estavam próximos o suficiente para que ela sentisse minha respiração e para que eu pudesse contemplar o medo refletido em seus olhos lacrimejantes. — E-eu ordeno que você me deixe ir agora! Caso contrário, eu vou...

— Vai fazer o que?! — Bradei com autoridade, lançando-lhe um olhar desafiador. — Você não pode fazer nada, Gauthier! Eu tenho você na palma da minha mão agora. Eu poderia te matar bem aqui, neste instante, se eu quisesse.

— Você não ousaria, Norton — Pinky revidou, afastando o rosto do meu, claramente temerosa. — Meu advogado iria foder com vo...

Apertei o pescoço dela ainda mais, antes que pudesse concluir a sentença. O ato fez seu peito arfar, sugerindo que eu estava roubando um pouco de seu fôlego.

— Quero que você se atreva — eu disse —, apenas se atreva a pôr suas mãos em mim novamente, e eu vou te mostrar as coisas das quais sou capaz. Não estou mentindo, Gauthier. Você não está mexendo com suas vadias da alta sociedade. Eu vou partir seu rostinho de porcelana em dois, se você decidir se colocar no meu caminho. Estamos entendidas? — Ela não respondeu. Eu a pressionei ainda mais contra o muro, o que causou uma reação corporal imediata. — Gauthier… estamos entendidas?

Ela assentiu, os lábios comprimidos em uma expressão de pavor, as lágrimas já fluindo de seus olhos. Soltei-a e permaneci tempo suficiente para vê-la correndo em direção à república, depois virei as costas e segui meu caminho até o refeitório. Já era hora do almoço.

***

DERBY’S POV

Eu estava no meu quarto usando meu laptop, transferindo alguns arquivos para o meu pen drive, quando, de repente, minha prima invadiu meus aposentos com um desespero quase indecoroso, escancarando a porta de madeira:

— Derby! — Ela exclamou, desconsolada. — Não acredito que você levou essa selvagem para conhecer a escola!

— Feche a porta — limitei-me a responder, sem desviar os olhos do monitor —, e mantenha sua voz baixa, por favor.

Pinky bateu a porta com impaciência, prosseguindo com seu monólogo de reclamações sem fim, ao qual eu já havia me acostumado:

— Oh, você não vai acreditar, priminho: ela me atacou!

— Sim, eu sei. — Respondi categoricamente. — Vi tudo pela janela.

Ergui meus olhos à ela por breves segundos, apenas para testemunhar a expressão de espanto atingir seu rosto. Sorri, achando graça. 

— E você não fará nada a respeito, primo?! — Pinky quis saber. — Norton me ofendeu e me ameaçou!

— Pinky, você precisa aprender o seguinte: quando não somos fortes o bastante para aguentar uma reação agressiva, não podemos provocar os outros. Fui claro? Eu não mandei você empurrá-la. É culpa sua, você causou esta situação. Não vou intervir a seu favor só porque você é minha prima. Não confunda as coisas.

— Você não pode fazer isso comigo, Derby Harrington! — disse Pinky, indignada, me acertando no ombro várias vezes, claramente se recusando a ser contrariada. — Você realmente vai dar razão a uma pobretona insignificante e deixar sua família para trás? Não é justo! 

Fechei os olhos e respirei fundo, tentando manter a paciência para suportar as birras adolescentes da minha prima, mas com tantas responsabilidades as quais lidar, meu humor não estava muito bom.

Desviei meus olhos do laptop para encará-la com seriedade e segurei seu pulso com força, impedindo-a de continuar me acertando. Ela se sobressaltou, decerto não esperando ser repreendida com tanta severidade.

— Eu nunca lhe faltei com respeito, Gauthier. Portanto, que fique claro como a luz do dia: não tolero o desrespeito de ninguém, seja integrante da minha família ou não. — Libertei-a do meu toque e me levantei, caminhando em direção à porta e abrindo-a como um convite para ela sair: — Agora, por gentileza, saia do meu quarto.

— Derby, você não pode fazer isso — ela protestou, testando minha escassa paciência. — Sou sua prima e não aceito que você faça isso comigo!

Suspirei pesadamente, mentalmente desejando que ela desaparecesse, e apontei em direção à saída, reafirmando meu pedido anterior.

— Eu tenho muitas coisas para fazer, então por favor, vá embora.

Pinky por fim cedeu, seguindo até a porta em passos firmes, mas, para minha grande insatisfação, decidiu parar dramaticamente sob o parapeito em um último segundo, apenas para dizer suas palavras  finais:

— Isso não vai ficar assim, eu te garanto. Norton vai pagar pelo que fez comigo.

Revirei os olhos, deixando escapar uma risada nasal. Pessoalmente, não estava nem um pouco interessado nas intrigas pessoais de  minha prima, mas se fosse para adivinhar quem venceria essa guerra fria que ela estava disposta a propor, então eu apostaria um bilhão de dólares em Jessie.

Pinky estava cometendo um grande erro ao desafiar Norton. Ela ainda não sabia disso, mas era questão de tempo até que descobrisse.

— Boa sorte em sua tentativa, prima.

***

JESSIE’S POV

Eu estava vagando pelo refeitório vazio, apenas dando uma olhada no local antes que o sinal tocasse e os estudantes famintos chegassem para almoçar. Nunca comi a comida da escola e, por isso, a melhor maneira de amenizar minha fome foi tirar uma maçã de uma das cestas de frutas dispostas sobre as mesas de madeira espalhadas ao redor do refeitório. 

Enquanto caminhava distraidamente, percebi um movimento nos fundos da cozinha que chamou minha atenção. Segui em direção aos ruídos estranhos que partiam do local, deparando-me com a cozinheira da escola, que cuspia dentro da panela na qual preparava a refeição dos estudantes.

— Ugh, credo! — Pensei alto, fazendo uma careta de nojo e rindo em seguida. — Agora tenho certeza de que nunca comerei a comida aqui.

A cozinheira virou-se para mim. Seu rosto gordo e espinhento rasgou-se em um sorriso largo que, se não fosse pelos dentes de aspecto precário, poderia ser considerado simpático.

— Ora, cale-se,  menina! — Retrucou às gargalhadas, com uma voz potente, quase histérica. Ela limpou as mãos no avental imundo e garantiu: — Isso é só um temperinho adicional.

Debrucei-me no parapeito da porta e me apresentei:

— Meu nome é Jessie Norton. Eu sou nova por aqui. Prazer em conhecê-la.

— É, eu ouvi falar de você. Neta de Charlie, não? Meu nome é Edna. Não sei se ele alguma vez mencionou isso para você, mas éramos grandes amigos. Sinto muito pela sua perda.

— Obrigada.

— Eu não costumo fazer isso — disse Edna, parecendo sem jeito enquanto olhava para ambos os lados. — Mas como você é parente de um amigo meu, poderia me fazer um favor? Poderia pegar umas tripas de porco no mercadinho para mim?

O horror que senti ao ouvir essas palavras se manifestou através da minha expressão de repugnação.

— Tripa de porco?! Nem quero saber para que irão servir, mas tudo bem. 

Edna pegou sua carteira e me entregou alguns dólares:

— Aqui está o dinheiro. Você pode usar minha bicicleta para chegar lá. Está em frente ao portão da escola.

— Certo. Eu volto já.

Saí do refeitório e disparei em direção à saída do prédio principal, mas, com toda a minha pressa, acabei esbarrando em uma garota que passava no corredor, fazendo-a derrubar os livros que estava carregando.

— Me perdoe! — Eu disse, inclinando-me para ajudá-la a recolher os livros. — Não tive a menor intenção. Eu estava com pressa e… — Houve uma pausa. Nossos dedos se encontraram, me fazendo sentir a frieza de sua pele. Ergui meus olhos para o rosto dela, encarando-a com deslumbramento.

Eu não tinha visto uma garota como ela até aquele momento. Tez pálida, olhos castanhos bem delineados, cabelo ruivo cortado em estilo punk. Ela não parecia ser uma patricinha como as outras garotas. Eu podia dizer apenas olhando em seus olhos que ela era diferente das outras.

Ela sorriu, mostrando o piercing situado no lábio superior.

— Tudo bem, acontece — disse docemente, gentil até demais para alguém que parecia cultuar a banda Sum 41. Nota mental para eu não me esquecer: em Bullworth, nem tudo é o que parece ser. — Não posso mencionar um momento em que não me esbarraram desde que voltei a estudar aqui. — Ela me lançou um olhar prolongado de curiosidade, o que me deixou um pouco inquieta, e então perguntou: — Você é Jessie Norton, não é? — Meneei a cabeça em anuência. — Eu sou Zoe Taylor, mas você pode me chamar de Zoe. É um prazer.

— Igualmente, Zoe. — Correspondi a gentileza através de um sorriso, enquanto entregava a ela os livros que havia recolhido do chão. — Pelo visto eu fiquei famosa por aqui. — Constatei.

— Pode apostar! — Zoe confirmou, abraçando os livros contra o peito. Era impossível ignorar a presença dos best-sellers ‘Drácula’ e ‘Crepúsculo’ entre sua humilde coleção. — Foi por causa do que você fez com aquele babaca do Casey — explicou. — Aquilo foi demais, garota!

— Ele mereceu o que aconteceu com ele — falei, categórica, revirando os olhos ao relembrar do atleta. Consultei as horas no meu celular, evasiva. — Bem, Zoe, preciso fazer algo agora, mas certamente nos veremos mais tarde.

— Espero que sim. Até mais, Jessie.

***

Minha jornada ao mercado Yummi Yummi Market foi breve, mas relativamente agradável, pois me permitiu explorar boa parte da cidade. Comprei o que me foi designado, retornei à escola e entreguei a mercadoria na cozinha da Edna, onde ela estava esperando por mim.

— Eis aqui suas tripas de porco — falei, enojada, entregando-lhe a bolsa de compras.

Satisfeita, a cozinheira deu uma sonora, quase estrondosa gargalhada, que me fez sobressaltar um pouco:

— Há há há! Obrigada, criança!

— De nada. Bem, vejo a senhora mais tarde.

Deixei o refeitório e segui para a fonte atrás do edifício principal, no fundo da qual me deparei com uma liga azul. Recolhi o item e o observei por alguns segundos, pensando em talvez colecioná-lo para fazer uma bola elástica. Foi quando, de repente, o sinal do intervalo tocou, e, em menos de um minuto, um aglomerado de estudantes encheu toda a escola como uma avalanche humana!

 


Notas Finais


Créditos igualmente pra minha amada AMIGA e Editora @teresarocks 💖

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Até a próxima, galerinha!


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