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História Far Beyond - Capítulo 1


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Capítulo 1 - O garoto de Kalis


O vento gélido soprava com leveza os grãos de areia vermelha que cobriam o solo rochoso. O sol se punha no horizonte com a mesma vermelhidão marcante que o planeta. Logo o breu noturno pintaria o céu e não haveria poluição luminosa que ofuscasse o brilho característico das estrelas. Até mesmo suas poeiras poderiam ser vistas de Kalis.

Era um silêncio quase que total, que poderia ter durado anos se fosse em outro planeta, mas para um rapaz em particular, foram só alguns minutos - tempo esse que lhe era deveras valioso, por conta de seu fascínio pelo espaço. A admiração calma, porém, teve que ser interrompida. Ligando o motor de seu veículo flutuante, o jovem de nome Keith Kogane partiu para além do horizonte rubro.

Não se incomodava com a areia em seu cabelo que, mesmo preso, era infestado pela tempestade de poeira. Os óculos, presos por um elástico, protegiam seus olhos dos pequenos grãos, assim como a bandana ajudava com a boca e nariz.

O som do motor era falho e Keith sabia que devia peças novas a seu landspeeder, mas nem caçando por sucata nos lugares mais remotos de Kalis conseguia achar alguma peça com utilidade. Estavam todas enferrujadas e descartáveis, de forma que nem um milagre fariam elas voltarem a funcionar. Não havia outra maneira, o garoto das luvas pretas e jaqueta vermelha teria que gastar suas preciosas economias.

Ao longe, já começavam a surgir as formas de uma pequena vila. As diversas casas de barro não pareciam ser ocupadas por muita gente. Keith estacionou seu veículo próximo a sua casa, descarregando um saco com sucata que não lhe serviria para muita coisa.

- Sabe, você podia ganhar bem mais com a gente. - um garoto da idade de Kogane, com uma mecha de cabelo caída sobre a testa, se aproximou dele.

- Corta essa, Griffin. Eu não vou correr com vocês. Meu landspeeder é uma merda e eu nem tenho dinheiro pra me inscrever. - Keith bufou.

- Eu te empresto o que precisar.

- James, olha a porra do planeta em que a gente 'tá! - Kogane abriu os braços, se referindo a toda sua volta. - Não temos dinheiro, nem você, nem eu, vamos morrer de fome antes de ver um eclipse.

- Mas Kalis não tem satélite natural.

- Exatamente. - disse, sarcástico.

- Olha, Keith, eu poderia apostar a minha vida em você nessa corrida. Se você for, eu nem corro. Cara, seu ladspeeder pode ser uma merda mas você é o melhor piloto desse fim de mundo que a gente chama de lar. - Keith pareceu pensativo. - Você sabe disso e, se quiser ver um eclipse, vamos ter que arrumar alguma forma de sair desse lugar. - James sorriu, otimista, mas o vizinho ainda não parecia convencido.

- Boa noite, James. - Keith entrou e fechou a porta de sua moradia, deixando um kalisiano estático em frente a sua casa.

Kogane se jogou sobre a cama, sentindo um alívio pelo breve descanso. James sonhava alto mas, para Keith, conseguia ser bem irrealista às vezes. A única certeza de que um kalisiano tem ao nascer é de que irá morrer, infeliz e sem alcançar seus sonhos, preso num canto desprezível da galáxia.

O planeta não era o único gigante vermelho naquele local, pois girava ao redor de outro. A esfera de luminosidade carmesim poderia estar no último estágio da vida de uma estrela, mas ainda brilhava forte o suficiente para queimar a pele de quem ousasse sair naquele horário.

Keith era um desses malucos que resolvera deixar o conforto da sombra para entrar em contato com a luz natural ao acordar. Mesmo que com proteção, sentia os raios penetrarem sua pele e esquentarem seu organismo, fazendo-o derramar gotas de suor constantemente.

Dessa vez, Griffin não estava lá para lhe encher o saco com suas ideias bizarras. Então Kogane pegou seu landspeeder e partiu para um cânion que conhecia nas proximidades. O céu brilhava tanto que quase não conseguia abrir os olhos de dor e, mesmo que os fortes raios solares fizessem até mesmo o solo arenoso brilhar, Keith enxergou uma luz.

Não era uma luz qualquer, podia jurar pela sua vida que não era. Parecia uma luz azul e, no meio de toda aquela luminosidade alaranjada, era quase que impossível algo de tom tão oposto se destacar.

Podia estar vendo coisas, pensou. De qualquer forma, não podia desviar de seus objetivos. Foi então que, no meio de toda a ventania empoeirada, um ponto turquesa se arrastou e foi de encontro à superfície no horizonte, como se rapidamente riscasse o céu. A menos que tivesse enlouquecido, Keith sabia que vira alguma coisa e logo se aprontou em desvendá-la.

Pisando no acelerador, com a visão aguçada em direção ao sentido da queda desconhecida, partiu com curiosidade no peito.

O caminho repleto de dunas de areia não eram vistos como empecilhos pelo gerador anti-gravitacional do landspeeder, que fazia o veículo flutuar sobre o mar de cor mocassim. Quando passava por um local, espalhava um pouco dos grãos, deixando um rastro de areia bagunçada no ar.

Quando os destroços começavam a aparecer em seu campo de visão cansado, podia-se ver a fumaça negra se contrastar no céu. Havia uma nave quebrada sobre a duna e pinturas em azul que enfeitavam a superfície metálica. O piloto saía rastejante dentre os destroços, pintando a areia com o vermelho de seu sangue. O ferimento na cabeça parecia doer pelas expressões faciais que o homem de pele morena fazia.

Keith correu para ajudá-lo. Puxou pelos braços para longe da nave caída.

- Você está bem? - era uma pergunta idiota de se fazer para o que estava diante de seus olhos, mas ele ainda assim demonstrava franca preocupação.

Antes que o piloto misterioso pudesse responder e formar palavras com os sons dolorosos que saíam por entre os lábios, desmaiou nos braços do kalisiano. Kogane estava desesperado, sem saber o que fazer com o estranho machucado. Na verdade, sabia. Sabia que devia ajudá-lo. Não importava quem era ou de onde fosse, ele precisava de ajuda no momento e Keith faria a coisa certa.


Notas Finais


**a palavra "landspeeder" foi emprestada de star wars por falta de um termo que definisse melhor
Enfim, espero que gostem da long


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