História Farewell - Capítulo 17


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Categorias EXO
Personagens Chanyeol, D.O, Sehun, Suho
Tags Chansoo, Deusa Persefone, Exo, Inverno, Kyungyeol, Yaoi
Visualizações 94
Palavras 4.259
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi, gente, rs. Lembram de mim?
Eu não lembro se cheguei a dizer no capítulo passado, mas este é um capítulo especial. Ele vai contar sobre os acontecimentos do passado do casal e não terá a narrativa do KyungSoo, será em terceira pessoa. Eu espero que todos gostem. O capítulo foi muito trabalhoso de escrever, com muitos detalhes e pequenas referências.

Capítulo 17 - Capítulo 16


primavera.

Park Chanyeol entrou furtivo no teatro. A área da plateia não estava iluminada então ninguém viu o menino esguio, de roupas pretas, sentar em uma das últimas cadeiras. Um grupo de calouros ensaiava no palco, não era para vê-los que Chanyeol estava ali, mas ele ficou. Eles eram desengonçados e envergonhados, mas se esforçavam. Eram dois meninos e uma menina em pé, e mais uma ajoelhada. Ele não prestava muita atenção nas falas, os adolescentes falavam muito embolado e ele estava longe demais, mas se divertia com a ação dos jovens atores. Até que o professor do teatro resolveu interrompê-los, Chanyeol ficou mais interessado e pulou para algumas cadeiras a frente.

-Está fraco demais - Ele entendeu. -Precisam se soltar mais. Você, mais que todos. - O professor se dirigiu a menina em pé. -KyungSoo, por favor, poderia nos agraciar um pouco com o seu talento e a substitua por alguns minutos.

O aluno exemplo subiu ao palco com um sorriso no rosto. E Chanyeol se remexeu no banco: era por Do KyungSoo que ele estava ali. O baixinho de cabelo comprido e olhos grandes, que parecia travado andando pelos corredores, mas que se soltava e se mostrava brilhante nos palcos e sexy nas festas dos veteranos.

-Mostre-nos como a protagonista deveria se comportar. Mostre à eles seu lado gentil e sensual. - KyungSoo voltou a rir e tomou o lugar da menina, que deixou o palco.

 O rapaz que estava mais próximo dele o tocou no ombro e KyungSoo se encolheu, o outro interveio e KyungSoo se jogou em seus braços. O segundo menino se assustou, mas o segurou firmemente. KyungSoo lamentou e se ofereceu, Chanyeol não podia ver mas achava que o cara que o segurava devia ter corado. Ele é muito bom nisso. Realmente, Do estava acostumado com os palcos e não se limitava a interpretar apenas papeis de homens, era extremamente profissional, e inalcançável, pensou Chanyeol. Era bom vê-lo daquele jeito, mas lhe dava certo incomodo, havia muito contato físico na cena. Os dois meninos queriam o amor de Kyungsoo pra si e ele estava confuso demais para se decidir. Se um dia eu tiver KyungSoo nos meus braços ele nunca achará que alguém o ama mais que eu. O jovem ator não ficou nem dez motivos no palco, mas encantou Chanyeol mesmo assim. A menina voltou para o seu lugar e ele desceu do palco, se sentando do lado do professor. 

Hora de me retirar, Park pensou. Ele se levantou para sair, mas acabou tropeçando na cadeira da ponta, fazendo um grande barulho e com que ele caísse no corredor. Todos viraram para encará-lo, a maioria riu, KyungSoo franziu o cenho e sussurrou algo no ouvido do professor que balançou a cabeça e se levantou.

-Senhor Park, esta deve ser a nona vez que vem invadir nosso teatro no horário dos seus intervalos. Se você interessa tanto por teatro, por que não ocupa seu espaço livre conosco? - KyunSoo riu.

-N-n-não, senhor. Eu apenas... - Chanyeol se levantou se embolando nas palavras. Já era nona vez que invadia o teatro para ver KyungSoo? Ele não havia notado que tinha acontecido tantas vezes. -Eu gosto apenas de observar.

-Então venha, se aproxime. - Chanyeol não pensou muito.

-Certo.

 

primavera. 

Chanyeol estava o seguindo já fazia uns dois meses, KyungSoo sabia. Desde a penúltima festa do Baekhyun, o orelhudo não tirava os olhos de si. Passou a ir em outras festas, a ir assistir alguns ensaios e apresentações do teatro. KyungSoo supôs que ele era gay, ou só meio psicopata. Mas não esperava uma atitude assim. Não esperava mesmo.

-Você quer me levar para sair? - O menino estava ali, na sua frente. Com o rosto e orelhas vermelhas, apertando os lábios, o olhando assustado.

-S-sim, é, isso aí! É! Quero dizer... Não! É isso mesmo, eu... - O menino foi mudando de cor, de pálido direto ao corado. KyungSoo se segurou para não gargalhar. -Eu gosto de você! - Disse de repente e Do se assustou.

Ele tem coragem, pensou.

-Por favor - Chanyeol fez um reverência.- Saia comigo!

-Tudo bem, Park. Para onde quer me levar?

Isso vai ser divertido.

 

inverno.

KyungSoo estava saindo com Chanyeol há quase um ano, mas namoravam apenas há três meses. Sim, eles estavam namorando. Quando começou a sair com o mais alto, KyungSoo não acreditava que iria se apaixonar, mas isso foi até ele ver Chanyeol lambuzado de sorvete na segunda vez que saíram.

 Agora eles estavam juntos no dormitório de KyungSoo na escola. A ideia era de saírem para ir algum café, mas começou a nevar de repente e  Chanyeol pensou que talvez KyungSoo ficasse resfriado. Do achava uma besteira, mas cedeu para ficarem no dormitório. Talvez Chanyeol nem quisesse sair e os floquinhos de neve se tornaram uma desculpa.

 KyungSoo estava sentado na cama, com as costas na parede, Chanyeol estava deitado com a cabeça no seu colo. O mais velho recebia carinhos no cabelo e o no notebook, estava ligado passando Forrest Gump.

-Eu sou virgem. - Chanyeol disparou de repente.

-Eu sei.

-Como sabe?

-Estamos juntos há quase um ano e você nunca nem tentou nada. E quando eu tentava algo mais, você se esquivava. - A conversa parou por um tempo.

-Amor...

-Sim, Chan?

-Eu quero tentar.

 

outono.

-AQUI É INCRÍVEL! - KyungSoo olhava Chanyeol pela tela do computador.

 Park estava no exterior fazia duas semanas, graças ao intercambio para uma faculdade na Finlândia, e toda vez que se falavam -apenas uma vez por dia-, ele gostava de compartilhar sua opinião de que Helsínquia era incrível. KyungSoo escutava atentamente o namorado enquanto devorava um pacotinho de batata frita.

-Aqui continua a mesma coisa de sempre.

-Aqui. É. INCRÍVEEEL! - Chanyeol voltou a repetir e KyungSoo riu. -Mas nada é tão incrível quanto você.

-Você também é.

-Sinto sua falta. Se você me pedisse para voltar para casa nesse instante, eu voltaria correndo!

-Ainda bem que eu não pedirei isso. - KyungSoo encostou as costas na cadeira. Estava feliz e tranquilo, Chanyeol o deixava assim, mesmo tão longe.

-Você não é romântico.

-Sou sim. - E mandou um beijo para o namorado do outro lado da tela.

-Quando eu voltar... - Chanyeol parou por um tempo.

-Sim...? Quando voltar fará o quê? Me pedirá em casamento? - Chanyeol pensou um pouco.

-Isso mesmo. - KyungSoo soltou uma risada e limpou o sal da mão na calça. Ele amava o senso de humor ridículo do namorado.

-Ficarei esperando o pedido. - Chanyeol assentiu fervorosamente e KyungSoo riu mais. Um dos colegas de quarto de Park apareceu e o chamou.

-Preciso ir, mais tarde mando mensagens. Te amo!

-Também te amo. - Chanyeol beijou a webcam e desligou.

 Do continuou olhando para a tela mostrando só o seu reflexo. Respirou fundo, sorriu e abaixou a tela. Se levantou e saiu do quarto. Ele devia isso a Chanyeol, seu namorado já tinha feito isso há meses, pensou enquanto descia as escadas. Escorregou no penúltimo degrau porque estava de meia, mas caiu em pé. Se alguém tivesse visto o alertaria de que isso era um sinal e que algo que ele decidisse daria errado. A família Do era muito supersticiosa, tanto na via materna quanto na paterna, mas KyungSoo não era.

 Ele abriu a porta da cozinha silenciosamente. O que ele iria fazer era impensado, puramente impulsivo e instintivo. Algo nele dizia que era o certo a se fazer, então ele faria.

-Mãe. Pai. Eu sou gay.
 

Um prato caíra e lentilhas se espalharam pelo chão.

 

primavera.

Do esperava seu namorado no aeroporto. Não estava com nenhuma plaquinha, apenas com as mãos guardadas nos bolsos do sobretudo preto. Ele mesmo não sabia porque escolhera essa roupa, estava quente e a sua ansiedade fazia com que  suasse mais. Ele só queria que Chanyeol chegasse rápido. Tirou uma das mãos do bolso e conferiu seu relógio de pulso, 14:35h. O voo havia atrasado alguns minutos, mas ele não lembrava quantos. Com a mesma mão enxugou o suor da testa.

 Mas finalmente a figura pitorescamente alta apareceu no meio de outras pessoas, com uma mala de mão verde e outra de rodas vermelha. KyungSoo se perguntava como ele havia sobrevivido seis meses lá fora só com isso, provavelmente tinha usado a mesma roupa por vários dias seguidos. Mas ele tinha pensado nisso antes, bem antes de ver Chanyeol o procurando entre os outros. Park era fácil de ser visto, ainda mais depois de ter mesclado o cabelo de vermelho.

 Quando encontrou KyungSoo se apressou, largou as malas no chão e saltou sobre o namorado, o envolvendo em seu abraço. Por alguns minutos nenhum dos dois soube o que dizer, e nem precisavam. Depois de passarem meses com milhas de distância entre eles, haviam se tornado um só com um único abraço. Por KyungSoo eles nunca mais desfariam aquele abraço, mas Chanyeol o soltou e se ajoelhou na sua frente. Inicialmente o mais baixo achou que ele iria amarrar o sapato, mas seu namorado começou a tatear os bolsos e seus tênis estavam muito bem amarrados. Então, Chanyeol tirou algo do bolso traseiro da calça e murmurou algo. Levou os pequenos objetos para a vista de KyungSoo e eles se revelaram duas alianças.

-Do Kyunggie Soo - Chanyeol sorriu. - Você se aceita casar comigo?

 KyungSoo riu, não, soltou uma gargalhada. Mas Chanyeol continuava sorrindo. Era uma piada, do pensou. Estou sendo pedido em casamento? É uma besteira. Mas não era. KyungSoo percebeu isso quando o sorriso de Park começou a vacilar e ele continuava ajoelhado, com as pessoas em volta os encarando e se desviando. Não é um besteira.

-Chanyeol, levanta.

-O quê? Por quê? Você ainda não disse se aceita ou não aceita. Por que eu tenho que levantar?

-Porque eu quero beijar você! Porque eu preciso beijar você!

-Isso é algum tipo de não que eu não conheço?

-Isso é um sim, Chanyeol! Sim, é claro que eu aceito!

-Aleluia! - Chanyeol deu um salto e envolveu KyungSoo com os braços. - Eu nunca mais vou te soltar, nunca mais vou me afastar. Nunca, nunca, nunquinha!

-Vai ter que se afastar um pouco para pôr o anel no meu dedo. - E assim, Chanyeol fez. As lágrimas escorriam pelo seu rosto, suas mãos tremiam, mas nos seus lábios estava o mais sincero dos sorrisos. 

 KyungSoo não estava menos emocionado. Seu coração batia tão rápido e forte que parecia estar dentro da sua cabeça, ele respirava pela boca por causa da emoção e suas mãos também tremiam. Chanyeol colocou o anel de compromisso no seu dedo e KyungSoo fez o mesmo.

-KyungSoo, eu vou me casar! - Chanyeol disse como se fosse um menino de oito anos e KyungSoo gargalhou.

-Eu sei! Eu sei! Eu também vou me casar. - Então se beijaram mais, sem se importarem com o olhar e cameras dos outros. Naquele momento só existiam eles dois, mais nada. Até quando a segurança apareceu pedindo para que eles se retirassem, saíram felizes, sorrindo, de mãos dadas, carregando as malas de Chanyeol.

 

verão.

Chanyeol encontrou KyungSoo no quintal de trás da casa, ajoelhado, enfiando seus dedos mindinhos na terra onde deveria ter um jardim. Quando ele se aproximou, Do retirou uma minhoca da terra e mostrou pra ele, depois riu da cara que Chanyeol fazia para o pequeno anelídeo.

-O solo é bem úmido e fértil.

-E você está verificando isso por que, Papai Smurf?

-Porque quero ter meu jardim.

-Precisa ficar futucando minhocas para isso? - KyungSoo revirou os olhos.

-Elas são essenciais para ter um bom jardim.

-Se é isso o que você diz. - Chanyeol deu um beijo no topo da cabeça do noivo.

Eles estavam procurando uma casa para morarem, Chanyeol se preocupava com os cômodos internos, mas o máximo que o outro se interessava era pela cozinha. O mais alto queria na verdade um apartamento, mas Do negou isso com todas as suas forças. Ele queria um jardim e fazer seu marido feliz era a prioridade de Chanyeol, mesmo que tivesse que abrir mão de várias lindas e ótimas casas onde o sol não batia tão bem e com terra não tão fértil.

 

primavera.

 Estar casado com Chanyeol era o mesmo que conviver com um furacão. Ou então com uma criança. Era barulhento, reclamão, hiperativo e desorganizado. Ele tinha acabado de iniciar em um novo emprego e aproveitava para trazer trabalho para casa, com isso, a casa de KyungSoo estava cheia de papéis pelos cantos. Isso o irritava, os únicos papéis que deveriam estar por aí eram os seus. KyungSoo reclamava de uma coisa, Chanyeol reclamava de duas. Tudo em dobro. Até sua agitação havia dobrado e a de KyungSoo diminuíra, afinal, ele era o mais normal da relação. Ambos eram cheios de manias e cheios de vontade. No que KyungSoo era fervente, Chanyeol era preguiçoso. No que Chanyeol era emblemático, KyungSoo era incontundente. 

 As brigas eram frequentes, e os carinhos, ainda mais. Por vezes se atrasavam em compromissos por se amarem por horas de mais ou discutiam por momentos a fio na presença de amigos. Para acalmar o amante de enorme ego, Chanyeol o presenteava com presentes peculiares, que pareciam ser mais para si mesmo do que para o outro. Um dos grandes exemplos disso foi quando KyungSoo chegou em casa tarde após um ensaio demorado e encontrou o marido acariciando os pelos de um filhote de labrador deitado no tapete da sala.

-Amor, olha o que eu trouxe para casa. Coloquei o nome dele de DoChan, ele não é fofo?

O filhote tinha um latido ora manhoso ora estridente.

 

verão.

KyungSoo bebia demais. E seu grupo de dança considerava qualquer desculpa para festejar. Ele havia conhecido JongIn e LuHan na Academia, e havia os influenciado a entrar para o teatro também, embora ele fosse bem mais talentoso que os outros. A amizade floresceu e os três jovens compartilhavam os mesmos desejos e gostos. Eram poucas as coisas em que entravam em conflito. JongIn detestava a ideia de casar e não gostava de Kate Blush, LuHan era alérgico a cachorros e vodka era a melhor bebida em sua opnião, já KyungSoo desaprovava o comunismo e não achava A Horse With No Name uma música tão boa. Chanyeol gostava dos amigos do marido embora não compartilhasse muitos gostos em comum, incluindo o desejo fervente por festas. Preferia ficar em casa vendo um filme com DoChan e comendo pipoca. No final das festas, ia buscar o marido. As vezes o encontrava desacordado enquanto JongIn e LuHan se beijavam escondidos no banheiro, ou vomitava no carro ou dava em cima de outras pessoas. 

Recapitulando, Chanyeol odiava que KyungSoo fosse em festas e isso sempre acabava sendo uma das pautas mais discutidas nas suas brigas.

Outra grande pauta era InSung. O antigo professor de teatro da escola deles, agora era chefe da companhia de teatro onde KyungSoo trabalhava. Também era o que Chanyeol julgava ser um pedófilo em potencial e adúltero libertino.

 

outono.

 KyungSoo deveria vigiar o cachorro quando Chanyeol não estivesse em casa. Cuidaria dele e não deixaria a porta da entrada aberta. Era a regra. DoChan ainda era muito desobediente e tão hiperativo quanto Chanyeol. Se deixassem a porta da sala aberta, ele correria direto para a rua, onde mijava nas flores dos vizinhos -já que nas de KyungSoo ele não podia- e recebia carinhos das crianças da vizinhança. 

KyungSoo gostava do cachorro, mas não negava que o preferia quando ele ainda cabia no seu colo e quando era, pelo menos, fofo ao tentar comer suas pequenas e lindas flores. No final da tarde, quando não trabalhava, ele preferia ficar apenas deitado no sofá estudando seus textos ou dançando na cozinha com seus fones de ouvido azuis. Chanyeol o advertia sobre isso, ouvia música muito alta e não se atentava a ouvir os latidos de DoChan ou as batidas na porta. Seok, a diarista, ajudava quando podia, mas ela só ia para casa duas vezes na semana. 

Ainda era outono quando KyungSoo errou pela última vez. E quando seu erro foi fatal. Ele estava na cozinha, ouvindo Jung Jihoon no último volume enquanto folheava uma revista de esportes e tomava um chá de maracujá, quando DoChan atravessou a sala correndo sem que ele visse. Ele tinha ido buscar as cartas no correio alguns minutos antes. Ele esqueceu a porta aberta.

A rua estava movimentada, havia chovido no início da tarde e muitas pessoas optaram andar em seus carros. Do tirou seus fones quando seu chá acabou, colocou mais água na chaleira e a pôs no fogo. Sabia que se ela apitasse enquanto ele ouvia música, não a ouviria. Antes que a água fervesse um estrondo veio da rua, o som alto de um impacto forte. KyungSoo se assustou e derrubou a chaleira no chão. As vozes na do lado de fora da casa pareciam murmúrios.

-DoChan? - Chamou. - DoChan? - Sem latido.

Ele saiu da cozinha e encontrou a porta aberta. Seu coração disparou. Saiu de casa desesperadamente e encontrando um pouco mais a frente na rua um carro parado e alguns homens em volta de um cachorro morto.

-DoChan...

 

inverno.

Três semanas se passaram e o inverno havia chegado. Chanyeol e KyungSoo ainda estavam arrasados, um deles, talvez, pelos motivos errados. Mas de alguma forma ambos sentiam culpa.

 Era noite de apresentação, e KyungSoo não teve a companhia do marido. Quando chegou em casa o encontrou sentado no sofá assistindo televisão artificialmente. Do retirou o casaco e o deixou sobre um braço do sofá junto com sua bolsa e deixou o sapato em um canto atrás da porta. Caminhou até o rádio na raque, o ligou o rádio, colocou um CD e desligou a televisão no botão. KyungSoo sabia que seu marido achava que isso era antiquado, ainda mais quando botava Sandra e Kate Bush para tocar, mas ele desconfiava que isso seria bom. Era um CD de músicas da Whitney Houston, colocou na que queria escutar e deixou tocar. Se levantou e esticou uma das mãos para Chanyeol. Ele franziu as sobrancelhas no início de All The Man That I Need.

-O que é isso?

-Me dê a mão.

-Pra quê?

-Chanyeol... - Ele bufou, mas deu a sua mão para KyungSoo que o puxou para mais perto. O mais baixo colocou a mão na cintura do marido e começou a conduzi-lo.

-Isso está meio errado.

-Não está, não.

-Essa dança está estranha.

-Você dança estranho. - KyungSoo beijou o pescoço do marido. -Só relaxa. - Deu-lhe um beijo nos lábios e cantou o refrão da música, mas modificou algumas partes.

-You fills me up. You gives me love, more love that I've ever seen. You all I've got, all I've got in this world. But you all the man that I need. - Chanyeol sorriu.

-É, eu sei disso tudo. Mas - ele tomou um tom mais sério. -Se sou tudo isso na sua vida, por que você recorre à qualquer outra coisa para se divertir? Por que me desrespeita? Por que coloca em jogo a paz do nosso lar? Sua última falha... Foi terrível, KyungSoo. - Disse de uma vez.

 O peito de Do se apertou.

-Foi meu último erro. - Disse sem pensar. -Eu não... Confie em mim, Chanyeol. Essa minha vida acabou. Agora eu irei focar no trabalho. E em você, Chanyeol. Em você. You gives me love, more love that I've ever seen. - Ele repetiu. 

Chanyeol riu novamente, mas seu riso durou mais tempo dessa vez, e ele o beijou, e colocou toda sua alma naquele beijo.  E eles ficaram ali, dançando até que as músicas acabassem. Com Chanyeol realmente acreditando na promessa de KyungSoo.

 

inverno.

InSung desabotoava sua camisa, KyungSoo estava bêbado demais, só ria. Ele não se aguentava mais em pé. LuHan tentou impedir as investidas que professor dava em KyungSoo, mas só conseguiu arrancar xingamentos do mais velho. O chinês desistira de tentar ajudar e foi procurar JongIn na pista de dança.

-InSung, já pode parar. - KyungSoo estava sentado no chão da boate com uma garrafa de vodka na mão, seu professor o abraçando por trás. Que decadência, pensou e isso o fez rir mais, até deixar cair o líquido da garrafa. -Não deveríamos estar desse jeito.

-Não deveríamos muita coisa. - InSung beijava seus ombros e pescoço. KyungSoo ria, a barba mal feita do mais velho causava cócegas. Chanyeol não deixa seu rosto ficar assim. KyungSoo gemeu com seu superior mordendo sua orelha. -Assim você me atiça mais.

-Sou eu que estou te atiçando? - Ele começou a beijar o rosto de InSung. Mais cócegas. Se pelo menos conseguisse deixar os olhos abertos... InSung tocou sua ereção lhe causando mais um gemido. -Está me forçando a querer beijar você. - Disse embolado, mas essa foi a deixa que o mais velho mais velho precisava parar atacar a boca de KyungSoo lhe dando beijos estalados e passando a mão em seu torso, enquanto Do puxava seu cabelo um pouco mais curto e se alinhava mais no corpo do outro.

Ele não soube a hora exata que Chanyeol chegou. Seu marido não gritou, não fez necessariamente um escândalo. Apenas o agarrou pelos cabelos e socou o abdômen de InSung. KyungSoo foi arrastado para fora da comemoração com Luhan e JongIn tentando acalmar seu marido. Chanyeol não os ouviu. Empurrou KyungSoo para dentro do seu carro e também entrou, logo em seguida, começou a dirigir em alta velocidade.

 

inverno.

 O rosto de Chanyeol estava vermelho de fúria, raiva, repulsa, tristeza. Queria chorar, mas não podia chorar. KyungSoo não merecia suas lágrimas. Ele soltou um gemido sentindo uma lágrima rolar. Seu marido dizia coisas tão aleatórias que ele nem se atentava a ouvir. Chanyeol apertava o volante com força, tentando inibir a vontade de agredir KyungSo. A vontade parecia ser muito maior do que ele poderia controlar, mas mesmo assim tentava.

 Estava indo rápido demais, KyungSoo reclamava, como se estivesse em posição de exigir algo. Os carros ao seu redor também não estavam contentes, buzinavam o tempo todo. Chanyeol tentou passar por um carro que estava andando rápido demais, mas outro o cortou e Park teve que desviar abrutamente, KyungSoo bateu a cabeça na janela no processo. Mais reclamações. Ele tentou socar seu braço e Chanyeol o empurrou com a mão direita. Gritaram um com o outro e KyungSoo mordeu seu braço, depois recebeu um tapa no rosto. O mais alto pegou um atalho para tentar chegar em casa mais rápido, ambos gritavam um com o outro já nem reconhecendo suas próprias vozes. Chanyeol deu outra bofetada no marido, que revidou com um empurrão. Mais uma bofetada. O carro continuava rápido demais em uma estrada estreita e íngreme demais, sobre um desfiladeiro, segura se o motorista não estiver lutando dentro do carro. O mais alto chutou a perna de KyungSoo e gritou que o odiava.

 

 Chanyeol perdeu o controle. O carro, então, caiu do pequeno desfiladeiro. 

 

Quando KyungSoo acordou, sentia um enorme peso sobre si. A dor era tão intensa que ele não conseguia gritar, era como se seu corpo estivesse sendo moído. Chanyeol caiu mais adiante, tentou chegar perto do marido engatinhando. Seu rosto e braços sangravam. KyungSoo ouviu um barulho e algo acertou em cheio seu esposo no rosto. Os dois desmaiaram.

 

inverno.

 Chanyeol ainda estava deitado desacordado na cama. Seu rosto estava todo enfaixado. KyungSoo estava do seu lado, já sentado na sua cadeira de rodas. Depois do acidente, as feridas de sua perna esquerda fizeram com que ela gangrenasse e fosse amputada. KyungSoo saberia dizer qual fora sua maior aflição: perder a perna ou saber que três vértebras da sua coluna lombar, uma da sua coluna torácica e duas do sacro, haviam sido atingidas gravemente. KyungSoo nunca mais andaria, nunca mais correria, nunca mais dançaria. 

Mas Chanyeol estava ali, vivo, embora não acordasse. Por que não acordava? Ele tinha que acordar! KyungSoo passara por mais cirurgias que ele, e estava ali, deformado, mas estava. Chanyeol precisava acordar. KyungSoo precisava que ele acordasse.

 

verão.

As chuvas de verão estavam intensas. Chanyeol andava sem destino pela cidade quando a chuva desabou de repente. Ele não tinha guarda-chuva. Andava despreocupado com as mãos nos bolsos do casaco. Despreocupado. Uma palavra engraçada, ele pensou. Já estava no fim da tarde, mas ele não queria ir para casa. Não queria encarar KyungSoo... encontrá-lo quebrado. Então andava, andava só para não ficar parado. Queria não pensar, mas Chanyeol não era do tipo de pessoa que parava de pensar. Ele parou na calça, em frente a faixa de pedestres, esperando o semáforo. Chanyeol estava arrependido de não ter levado uma sombrinha consigo. Até que então, um guarda-chuva surgiu sobre sua cabeça. Do seu lado estava um homem mais baixo, de óculos redondo e com livros contra o peito, segurando uma grande sombrinha e esticando para que tapasse a sua cabeça e a de Chanyeol.

-Você está bem? - O mais baixo perguntou e Chanyeol olhou como se fosse um estranho,  que de fato, ele era.

-O quê? - Sua voz estava mais grave.

-Você está bem? Está na chuva, todo molhado. O que está fazendo aqui? - Chanyeol se perguntou por que aquele homem se importava consigo.

-Nada. - Foi sua resposta.

-Você mora perto? - Chanyeol negou. - Eu moro. Vamos, eu tenho mais sombrinhas em casa e eu devo ter pelo menos uma capa que caiba em você. Ah, prazer. Meu nome é Kim JongDae.

-Park Chanyeol. - Eles fizeram uma reverência e o mais baixo sorriu. E ele tinha um sorriso tão bonito...
 


Notas Finais


Esse foi provavelmente o capítulo mais difícil que eu escrevi até hoje. Me sinto aliviada por ter finalmente terminado. :')
O que acharam? Triste? Feliz? Consolador? Imaginavam que os acontecimentos anteriores ao acidente eram assim? O que acharam do Chanyeol e do KyungSoo quando ainda eram felizes?
Muito obrigada a todos os leitores que não abandonaram a história, vocês significam muito pra mim <3


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